terça-feira, 17 de março de 2026

Como a abertura de lojas privadas de alimentos em Cuba revelou  desigualdade 'invisível'

Juan e Elisa* (nomes fictícios) são um casal de aposentados cubanos, com mais de 80 anos. Juntas, suas aposentadorias não ultrapassam 5,8 mil pesos cubanos mensais (US$ 11,60 pelo câmbio informal, cerca de R$ 60). Uma garrafa de azeite e uma caixa de 30 ovos custam no país cerca de US$ 7 (R$ 36).

Eles se levantam todos os dias, compram um pão no mercado estatal, o partem ao meio e comem com chá no café da manhã. Às vezes, eles cuidam dos filhos e pessoas com deficiências dos vizinhos. Isso permite que eles recebam um pouco de comida ou dinheiro, para poderem comprar um pouco de arroz, feijão e ovos. À noite, eles terminam a outra metade do pão, com mais chá. Assim, eles passam o dia, em uma rotina que só permite viver um dia de cada vez.

Juan e Elisa são um dos casos de vulnerabilidade extrema em Cuba, estudados pela socióloga Mayra Paula Espina, da Universidade de Havana. A acadêmica observa cada vez mais disparidades no país, que conta com dados limitados sobre pobreza e desigualdade. Não muito longe da casa dos aposentados, um supermercado privado oferece queijo de cabra, iogurte, embutidos, peixes e presunto espanhol. Ele se destina a uma minoria que consegue pagar seus preços. Mas, mesmo assim, os negócios estão prosperando.

Desde o final de 2021, quando o governo socialista de Cuba aprovou a abertura de micro, pequenas e médias empresas (Mipymes, na sigla em espanhol), o antigo monopólio estatal da venda de alimentos cedeu seu protagonismo à iniciativa privada. Para muitos cubanos, esta mudança de modelo trouxe à disposição um leque mais amplo de produtos alimentícios e de primeira necessidade, que, antes, eram encontrados a conta-gotas. Mas, segundo Espina e o pesquisador cubano-americano Michel Bustamante, da Universidade de Miami, nos Estados Unidos, o novo modelo acabou revelando a desigualdade na ilha que, nos anos 1980, havia atingido uma equidade assombrosa. "Nos anos dourados da revolução, já havia desigualdade. Mas, no final dos anos 1990, ela começou a ser mais visível", conta Bustamante à BBC News Mundo, o serviço em espanhol da BBC. "Hoje, os preços do setor privado são inacessíveis para a maioria dos cubanos e se vive uma desigualdade galopante, que antes não se via."

<><> As fissuras da igualdade

Cuba vive atualmente a pior crise energética e econômica desde 1991, quando caiu a União Soviética, a principal aliada política e comercial do país. Na ocasião, as finanças da ilha entraram em colapso. Atualmente, o país sofre os estragos causados pela sua deficiência de produção, pela queda do turismo, pelo embargo econômico americano e pelas tensões com o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que ameaça com tarifas de importação qualquer país que envie petróleo para a ilha. A Venezuela foi o maior fornecedor de combustível para Cuba durante décadas. Mas o envio desse combustível foi cortado com a captura do então presidente Nicolás Maduro no começo de janeiro, em uma operação militar americana na capital da Venezuela, Caracas.

Cuba nunca se recuperou totalmente do baque dos anos 1990.

Muitos cubanos se recordam atualmente daquele chamado "Período Especial". Como ocorreu naquela época, eles convivem hoje com racionamento extremo, longos apagões, restrições de transporte e dificuldades de acesso a alimentos. Mas a crise atual não afeta a todos da mesma forma.

Cuba atingiu um nível de igualdade invejável nos anos 1980, duas décadas após o triunfo da revolução socialista de Fidel Castro (1926-2016). "Grupos desfavorecidos ascenderam em um projeto igualitário que atingiu um coeficiente de Gini baixíssimo, de cerca de 0,24", descreve Espina. O índice de Gini é usado pelo Banco Mundial para avaliar a desigualdade. Nele, 0 é a igualdade perfeita e 1, a máxima desigualdade.

Comparativamente, os Estados Unidos atingiram 0,40 em 1989. O Uruguai, frequentemente destacado como um dos países menos desiguais da América Latina, oscilou entre 0,39 e 0,40 nos últimos quatro anos. E o índice de Gini no Brasil atingiu 0,516 em 2023.

"Mas a crise dos anos 1990 interrompeu os avanços em Cuba", prossegue Espina. "Grupos atrasados que haviam melhorado, como a população não branca, mulheres e moradores do campo, foram os primeiros a serem afetados." Após o colapso soviético, a economia cubana se reduziu em um terço do seu Produto Interno Bruto (PIB). E uma das medidas criadas pelo governo da ilha foi legalizar o uso do dólar. "Circulavam dólares americanos e pesos cubanos", conta Bustamante. "E o país também se abriu mais para o turismo." Com isso, a igualdade se agravou. "As pessoas que trabalhavam no turismo ou recebiam remessas do exterior tinha acesso a dólares, ou ao extinto peso cubano conversível [CUC], e viviam muito melhor", segundo o pesquisador. Com a dolarização, conviveram dois tipos de lojas de distribuição de alimentos. Algumas eram dolarizadas e mais sortidas, enquanto outras, em moeda nacional e muitas vezes subsidiadas, tinham oferta limitada.

No início dos anos 2000, o salário médio no setor estatal em Cuba era de cerca de 200 pesos cubanos, equivalentes a cerca de US$ 10 (R$ 52). Quem não tinha familiares no exterior, nem trabalhava em algum setor vinculado ao turismo ou ao comércio exterior, precisava buscar receita adicional, fosse vendendo bens ou serviços ou recorrendo a múltiplos empregos informais. Há décadas, é comum na ilha que profissionais com títulos universitários trabalhem em setores diferentes da sua área de estudo para completar a receita. Esta situação persiste até hoje.

<><> Liberalização privada

Espina evita falar em ganhadores ou perdedores do colapso dos anos 1990. Mas ela alerta que houve quem ascendesse, aproveitando a gestão da crise, e quem caiu estrepitosamente. Ainda assim, existe um fator que continua maquiando as desigualdades que afloraram entre os cubanos. "O Estado continuava sendo o gestor da desigualdade", explica Bustamante. "As lojas sortidas e dolarizadas, conhecidas como TRD, ficavam nas mãos dos militares. Agora, o setor privado é quem ocupa mais este espaço. Eles não são a causa, mas sim o bode expiatório do problema."

A liberalização das empresas privadas foi uma medida adotada pelo governo cubano após os golpes exercidos pela pandemia de covid-19 e pelo desmantelamento, por parte de Trump, da aproximação econômica entre Cuba e os Estados Unidos ocorrida durante o segundo mandato do ex-presidente americano Barack Obama (2013-2017). No final de 2024, havia cerca de 10 mil Mipymes privadas ativas em Cuba, segundo os números oficiais. Delas, 60% eram registradas na capital da ilha, Havana.

A maioria dessas empresas se dedica à agricultura, indústrias (exceto de açúcar), hotéis e restaurantes, além do setor de construção, comércio e conserto de objetos pessoais. "O setor privado demonstrou uma capacidade de importar produtos que o Estado não tinha e está sendo de enorme ajuda para muitos neste momento delicado", explica Bustamante.

Meses antes da liberalização das Mipymes, Cuba reunificou suas moedas, deixando o peso cubano como moeda oficial. Para o pesquisador, esta decisão foi um erro. "O peso foi desvalorizado e o setor privado, que precisa de dólares para importar produtos, recorreu ao mercado informal interno", segundo ele. "Isso disparou o custo das transações e os preços se tornaram inacessíveis para a maioria das pessoas."

<><> Bolsos segmentados

O acadêmico defende que a economia cubana está segmentada. E Espina destaca que a redução do acesso a alimentos e medicamentos subsidiados não ajuda a diminuir a precarização e a desigualdade. Seu estudo indica que cerca de 45% da população cubana vive em situação de pobreza econômica, enquanto, na outra ponta, existem 11 a 13% que vivem em condições acima da média. "São cálculos aproximados, pois não são feitos a partir de estatísticas oficiais, mas sim de dados como o preço da cesta básica, a receita do setor privado, salários, aposentadorias e experiências pessoais", esclarece a pesquisadora.

Em termos de comparação, o Banco Mundial destaca frequentemente o Brasil como um dos países mais desiguais da América Latina, com um índice de pobreza de 23%.

Espina descreve que a segmentação da sociedade cubana se reflete nos diferentes tipos de supermercados. "Existem alguns bodegones [armazéns] muito bem sortidos, com produtos nacionais orgânicos e importados de alta qualidade a preços maiores, onde só compram frequentemente pessoas da classe média alta — gente que trabalha em embaixadas, estrangeiros e cubanos que atingiram esse nível."

Mais disseminadas pelos bairros, existem outras lojas com oferta mais limitada, menos qualidade e preços mais baixos, mas igualmente caras para a média da população. "Você as encontra nos municípios mais humildes, no andar térreo dos edifícios, com apenas um balcão", explica a professora. "Eles recebem um grupo mais variado, com remuneração modesta."

Por fim, a população de renda muito baixa procura as ofertas de preços menores ou recebe assistência social do Estado, ou de alguma igreja. Outra alternativa para comprar produtos são alguns supermercados estatais dolarizados e mercados agropecuários, com preços igualmente restritivos. Existem também lojas online. Nelas, familiares no exterior compram produtos para seus parentes em Cuba, que são distribuídos nos lares em uma espécie de "Amazon cubana", descreve Bustamante. "A questão dos alimentos é um grande indicador da pobreza", segundo Espina. "Em outros tempos, a distribuição subvencionada garantia um mínimo. Você podia ser pobre, mas tinha o essencial para comer. Hoje, isso desapareceu. Todos aqueles que estão nesses 11% que calculo com melhores condições devem recorrer a múltiplos empregos formais e informais e controlar a qualidade e a diversidade do que comem. Outros, na pobreza extrema, mendigam ou comem do lixo."

<><> 'A Revolução não deve se envergonhar dos problemas'

Em julho de 2025, a ex-ministra cubana do Trabalho, Marta Elena Feitó Cabrera, se demitiu após declarações polêmicas questionando a mendicidade. "Existem pessoas que se fazem passar por mendigos para ganhar dinheiro fácil", declarou ela à Assembleia Nacional do país. O caso gerou fortes críticas nas redes sociais. O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, censurou publicamente os comentários de Feitó, por considerá-los "desconectados da realidade que vivemos". "Não se defende a Revolução ocultando os problemas que enfrentamos", declarou o presidente, reconhecendo a existência de mendigos na ilha. "Desde a pandemia, Cuba vive encurralada, desgastada, sem conseguir se recuperar", afirma Espina. Este panorama influenciou a migração. Mais de um milhão de cubanos abandonaram a ilha entre 2021 e 2023, no maior êxodo da história do país.

Medidas de abertura, como a liberalização do setor privado, não colocam o país de volta aos trilhos, embora representem uma via de escape para muitas pessoas. Agora, com a escassez crítica de combustível, Espina receia que os 11% a 13% da população que vivem em boas condições sejam reduzidos, porque nesse grupo existem muitos que dependem do transporte para subsistir.

Em um discurso no início de fevereiro, Díaz-Canel garantiu estar disposto a "um diálogo com os Estados Unidos sobre qualquer assunto", mas "sem pressões". Trump vem repetindo que existem negociações em andamento entre o Poder Executivo dos dois países, o que seu homólogo cubano nega. O destino da ilha parece depender da relação entre Washington e Havana, que deu poucos sinais de se normalizar nos últimos 60 anos.

* Juan e Elisa são nomes fictícios para respeitar a confidencialidade das pesquisas da socióloga Mayra Paula Espina.

<><> Como cubanos estão vivenciando pior racionamento de combustível em décadas

Elizabeth Contreras* (nome fictício) retira o carvão da cozinha improvisada sobre blocos de cimento no pátio de sua casa. Na grelha há pedaços de frango que irão alimentar três famílias do bairro onde ela mora, em um município da periferia a sudoeste da capital de Cuba, Havana. "Muita gente vem cozinhando assim há dias, pois a panela elétrica só pode ser usada sem corrente e temos pouco gás", conta ela à BBC News Mundo, o serviço em espanhol da BBC. "Os vizinhos se ajudam uns aos outros nesta incerteza", destaca a aposentada de 68 anos.

Cuba sofre uma crise de falta de combustível e energia elétrica, que vem se agravando desde meados de 2024. Mas, neste ano de 2026, a escassez se aproxima de um abismo imprevisível. "Vamos viver tempos difíceis", declarou o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, em discurso público no último dia 5/2, ao anunciar um plano extraordinário de economia de energia.

Após a captura do então presidente venezuelano Nicolás Maduro em Caracas, no dia 3 de janeiro, o governo dos Estados Unidos publicou várias medidas destinadas a dificultar o acesso da ilha ao combustível. Em meio a essa crise de combustíveis, uma refinaria de petróleo em Havana pegou fogo recentemente. A causa do incêndio está sendo investigada.mComo parte dessas medidas, o presidente americano Donald Trump ameaçou impor tarifas de importação aos países que enviarem petróleo para Cuba. Washington se assegurou de evitar que a ilha receba petróleo da Venezuela (o principal aliado de Havana por duas décadas) e aumentou a pressão para reduzir o combustível proveniente do México. Desde então, o México afirmou que continuaria apoiando Cuba por razões humanitárias.

Na quinta-feira (12/2), Cuba recebeu dois navios carregados com pouco mais de 800 toneladas de suprimentos alimentares enviados pelo governo mexicano como ajuda humanitária para a população civil. Segundo o Ministério das Relações Exteriores do México, os dois navios partiram do porto de Veracruz em 8 de fevereiro, poucos dias depois da ameaça de Trump. Mais 1.500 toneladas de alimentos serão enviadas em carregamentos futuros, segundo a presidente Claudia Sheinbaum. Ela não disse, contudo, se manterá os envios de petróleo ou se se limitará a enviar alimentos e outros suprimentos essenciais. O governo brasileiro também avalia enviar carregamentos de ajuda humanitária a Cuba, como remédios e alimentos. Ainda não há, contudo, uma definição sobre qual o volume dessa ajuda, quando ela será enviada e nem mesmo de que forma essa ela chegaria ao país.

A essa situação se unem problemas crônicos de geração de eletricidade, causados por deficiências de produção, usinas termoelétricas obsoletas e falta de divisas para importar combustível no mercado internacional. O governo de Havana atribui esse cenário ao embargo econômico imposto pelos Estados Unidos a Cuba desde os anos 1960, após o triunfo da revolução socialista de Fidel Castro (1926-2016) e a nacionalização de indústrias e outras empresas americanas no país.

<><> Costume e criatividade

Dois testemunhos fornecidos à BBC News Mundo indicam que, em meio à crise, ainda se nota certa normalidade nas ruas. "Vejo Cuba [da mesma forma] como algumas semanas atrás", contam duas mulheres, em mensagens de voz. "Não há fogueiras nas ruas e vimos muita gente fora de casa, fazendo fila nos caixas automáticos, e muito trânsito. Ainda não vi a 'era das cavernas' que muitos preveem." O certo é que, seja por costume ou por criatividade, esta situação encontra muitas pessoas já prevenidas.

Uma usuária cubana do TikTok, @darlinmedina93, explicou na sua conta como cozinhar com lenha ou lavar roupa nos rios. "Sei que você vai me dizer que a cozinha a lenha é muito rica [...], mas não é fácil, meu amor, precisar se empenhar todo dia para cozinhar com carvão, lenha, ver sua casa cheia de fuligem e você sufocando com a fumaça", descreve ela em um dos seus vídeos.

Jennifer Pedraza*, trabalhadora e estudante de 34 anos, reúne "lâmpadas, ventiladores e luminárias recarregáveis, além de carregadores portáteis". "Também acumulo água, que está faltando", conta ela à BBC. Pedraza e Contreras, de fato, observam redução do tráfego nos últimos dias.

Imagens captadas por agências de notícias mostraram importantes avenidas de Havana vazias no último domingo (8/2), como a Avenida del Malecón, normalmente uma vias de maior tráfego da capital cubana. "Só rezo para não ficar doente, porque fico apavorada em pensar como poderei me mover", afirma Contreras. Esta questão afeta menos Pedraza, pois ela mora perto do seu trabalho. Mas, recentemente, ela "deixou de fazer um exame na universidade" porque estuda longe e "não tinha como chegar". Sua principal preocupação é seu filho de nove anos de idade. "Na escola, quase nunca há eletricidade", ela conta. "E, quando ele sai, precisa revisar e fazer tarefas no escuro ao chegar em casa, onde também não há energia elétrica." "Ele também não pode ver desenhos animados nem filmes, nem usar muito o telefone quando não há luz ou internet. É complicado para uma criança ficar o tempo todo às escuras."

A situação é grave, mas não é crítica para todos os cidadãos contatados pela BBC News Mundo. Vários deles contam com familiares no exterior que enviam remessas de dinheiro, alimentos e recursos, ou têm emprego por conta própria. Mas aqueles que não contam com estas possibilidades lutam com um salário mensal médio de 6.830 pesos cubanos (US$ 14 pelo câmbio informal, cerca de R$ 73), segundo dados de novembro do Escritório Nacional de Estatísticas e Informações da República de Cuba. Uma garrafa de óleo custa cerca de US$ 2,50 (R$ 13) e uma caixa com 30 ovos, quase US$ 6 (R$ 31), segundo Pedraza. Só aqui, já se vai mais da metade da receita oficial.

<><> Efeitos incertos

Após a captura de Maduro, Donald Trump e seu secretário de Estado, Marco Rubio (de origem cubana), começaram a pressionar o governo da ilha. Não se sabe ao certo se, como no caso da Venezuela, eles buscam forçar uma mudança de comando, após mais de 60 anos de um sistema comunista com um único partido.

Antes das pressões pelo petróleo, Trump já havia incluído novamente Cuba na lista de países patrocinadores do terrorismo e revertido muitas das medidas de abertura tomadas por Washington em 2015, no final do governo Barack Obama (2009-2017).

No seu discurso de 5 de fevereiro, Díaz-Canel garantiu que "Cuba está disposta a um diálogo com os Estados Unidos sobre qualquer assunto", mas "sem pressões". A história registra que as medidas dos Estados Unidos contra a ilha pouco serviram para este tipo de aproximação. "A asfixia econômica dos Estados Unidos em relação a Cuba nunca funcionou", afirma Bustamante. "Ela empobreceu a população, que é muito mais prejudicada que o governo. Não serviu para negociar a gestão econômica e política da sociedade cubana." O professor acredita ser possível a repetição desta história de pressão que não chega a lugar nenhum, mas, para ele, os Estados Unidos têm hoje mais cartas sobre a mesa. "A questão é se Washington forçará uma crise humanitária que provoque uma revolta social e justifique uma intervenção militar ou se o governo cubano cederá ou apostará em aguentar até as eleições de meio de mandato, esperando que Trump perca capital político", analisa Bustamante.

Estas teorias encontram ressonância entre a população cubana. "Há quem comente se aqui pode ocorrer o mesmo que na Venezuela, mas ninguém gosta de ouvir falar em balas e bombas", comenta Contreras. A sensação de que "algo vai acontecer" é compartilhada entre os cubanos, dentro e fora do país. Mas é difícil prever o que será esse "algo", depois de décadas de impasses políticos entre Washington e Havana.

* Os nomes das pessoas que ofereceram seus testemunhos foram alterados para protegê-las.

 

Fonte: BBC News

 

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