sábado, 14 de março de 2026

A visão externa sobre o país, e o pessimismo militante da mídia

Pedi ao Gemini, o IA do Google, um resumo do que a imprensa ocidental e a chinesa falaram do Brasil durante o dia de ontem.

Deu isso:

>>>> 1. Cenário Internacional: na imprensa Ocidental Brasil em Foco

•        O Brasil amanhece sob os holofotes da imprensa internacional, que destaca o país como um pilar de estabilidade institucional e parceiro estratégico indispensável no cenário global. A iminente cúpula entre os presidentes Lula e Donald Trump é o principal assunto, com os Estados Unidos buscando garantir o fornecimento de terras raras e lítio para reduzir sua dependência da China.

•        No campo econômico, a perspectiva é otimista. Agências como Reuters e o Wall Street Journal repercutem os dados positivos da inflação e a expectativa de manutenção da meta fiscal, posicionando o Brasil como um dos destinos preferenciais para capital estrangeiro em 2026.

•        Além disso, a cooperação militar brasileira na vigilância das fronteiras amazônicas é vista pela imprensa europeia como fundamental para a contenção de crises e a manutenção da segurança na América do Sul.

>>>> 2. Imprensa Chinesa (Xinhua, Global Times e CGTN)

•        Na China, a cobertura da imprensa estatal destaca o Brasil como seu principal parceiro estratégico de longo prazo na América Latina, com foco no fortalecimento do bloco BRICS.

•        A agência de notícias Xinhua elogia a postura diplomática brasileira no conflito do Oriente Médio, enaltecendo a decisão do país de “não ceder a pressões” e manter uma neutralidade ativa, em linha com a posição de Pequim.

•        No front econômico, a estabilidade do agronegócio brasileiro é tratada como uma questão de segurança nacional pela mídia chinesa. O jornal Global Times anuncia novos investimentos em portos no Nordeste para garantir o fornecimento de soja e milho, visto como vital diante de possíveis bloqueios logísticos globais.

•        Por fim, o Brasil é apresentado como um laboratório para o futuro, com o People’s Daily destacando parcerias em energia limpa e tecnologia, como o hidrogênio verde e a expansão de carros elétricos chineses na região.

>>>> 3. Resumo do Clima Econômico nos Jornais Brasileiros:

O tom é de “respiro tenso”. O mercado celebra a trégua no preço do petróleo, mas os editoriais de política e sociedade focam na queda da aprovação do governo devido ao custo de vida e na crise de grandes empresas nacionais.

Esse será o jogo durante 2026, com a mídia exercitando diuturnamente o pessimismo e procurando jogar o caso Master nas costas do governo, além da fabricação de falsos escândalos.

É significativa a volta do procurador do Tribunal de Contas da União, Júlio Marcelo de Oliveira, que inventou as pedaladas fiscais que embasaram o impeachment de Dilma Rousseff, agora investindo contra o presidente do IBGE, Márcio Pochmann, e insinuando a possibilidade de manipulação dos dados em ano eleitoral. A intenção óbvia é desmerecer os bons indicadores da economia, um dos trunfos de Lula.

É importante notar que Júlio Marcelo volta à cena política pelas mãos de Miriam Leitão, colunista de O Globo e, durante a Lava Jato e o impeachment, a jornalista que mais se empenhou na produção de fatos negativos, alguns claramente manipulados

As suspeitas de Júlio Marcelo foram levantadas por Miriam mesmo antes da posse de Pochmann. Fica nítido, portanto, que a “denúncia” foi articulada por ela.

Leia o artigo “Com a Lava Jato 2, a volta do criador das ´pedaladas´” para entender o tamanho da armação.

Para Miriam se expor novamente, é sinal maior de que as Organizações Globo recorreram novamente ao apito de cachorro, para enquadrar seus jornalistas em mais uma guerra santa. Ontem, comentaristas da Globonews “acusavam” o governo de tentar jogar a crise do Master na conta de Roberto Campos Neto.

<><> As pesquisas eleitorais

Há alguns pontos a se considerar para as eleições, à luz desse tiroteio da grande mídia.

Flávio Bolsonaro, por enquanto, está jogando sozinho. Significa que o jogo ainda não começou para valer. O homem que, pouco tempo atrás, propôs que os Estados Unidos bombardeassem a Baía de Guanabara, agora é apresentado como um símbolo da moderação.

Seu currículo é escondido, as suspeitas de lavagem de dinheiro, de ligação com o escritório do crime, o subfaturamento na compra de uma mansão em Brasília, tudo é ignorado pela mídia.

Mas, por enquanto, é campanha de um lado só. Por isso mesmo, as pesquisas eleitorais servem de aviso, mas não podem ser superestimadas. Quando o outro time entrar em campo, o jogo se inverte. As fragilidades de Flávio serão expostas e as conquistas do governo serão apregoadas.

O ponto que pega é uma Selic a 15%.

•        É hora de Lula virar a chave e apresentar ao país o governo empreendedor

O grande argumento de campanha de Lula é o de ser a última fortaleza contra a invasão bárbara de Jair Bolsonaro.

Agora, tem-se mercado, mídia, redes sociais investindo em uma alternativa ao Bolsonaro. Ele tem o focinho de Bolsonaro, rabo de Bolsonaro, pelo de Bolsonaro, mas não é Bolsonaro. Trata-se de Flávio Bolsonaro.

Quem é esperto, não cai. Mas a maioria do eleitorado é constituído de fiéis, crentes no que dizem as igrejas, os terraplanistas e os grupos de mídia. Nesse quadro, como fica Lula, com o enfraquecimento de seu principal argumento?

A receita é fácil, a elaboração, mais difícil, a aceitação por parte de Lula, seria algo inédito. Trata-se da capacidade de montar um plano que desenhe claramente o futuro, e que convença sua viabilidade para agentes econômicos, a pequenos empresários e aos trabalhadores em geral.

Um projeto de desenvolvimento pressupõe grupos de discussão, vários ministérios, atores sociais e econômicos ajudando a compor metas e caminhos.

Projetos de desenvolvimento nunca passaram perto de Lula. Para ele, governar consiste no meritório Bolsa Família e nos investimentos do PAC (Plano de Aceleração do Crescimento). E em não mexer muito na estrutura econômica para não criar marolas.

Conseguirá mudar o estilo e aceitar a camisa de seda (que Lula, pelo visto, considera camisa de força) de um plano de desenvolvimento?

As possibilidades são enormes e, de certo modo, já estão ensaiadas no NIB (Nova Indústria Brasil), conduzido pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, e nos planos de transição energética, coordenados pela Fazenda.

Mas nunca se constituíram em planos de governo, nunca foram entendidos como planos de Lula. E, efetivamente, (ainda) não são.

A ideia do Governo Orquestrador é essa. É o governo articulando grupos interministeriais, com participação da sociedade civil, de entidades empresariais e sindicais, movimentos sociais e mercado. São planos decididos por comissões, tendo na cabeça coordenadores com boa formação em planejamento. Tem a vantagem de atrair adesões. A desvantagem de tirar das mãos do Presidente a liberdade, que ele julga essencial, para montar seus pactos políticos, ainda mais tendo em vista um Congresso hostil e um clima golpista.

O fato novo é que o golpismo é estimulado justamente por essas parcerias

Repito o que já coloquei em outros artigos, sobre os caminhos que se abrem com o governo Orquestrador:

>>>>> Desenvolvimento produtivo sem criar novos ministérios (milagre possível)

Quem já existe

•        BNDES, Finep, Embrapii

•        SENAI, SENAC, SENAR

•        Sebrae, Apex

•        Universidades federais, IFs

•        Bancos públicos (BB, CEF, BNB, Basa)

O que pode ser feito

•        Programas nacionais por cadeia produtiva (não por setor genérico):

 

alimentos processados, fármacos, defesa, mobilidade elétrica, agroindústria, economia do cuidado

•        Crédito + tecnologia + compras públicas num único pacote

•        Contratos de desempenho com metas claras (exportação, emprego, inovação)

Resumo: o Estado deixa de ser caixa eletrônico e vira orquestrador.

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<><> Segurança pública: menos bravata, mais inteligência integrada

Quem já existe

•        PF, PRF, polícias civis e militares

•        Coaf, Receita Federal

•        CNJ, MP, Detrans, guardas municipais

O que pode ser feito

•        Centros integrados regionais de inteligência financeira + criminal

•        Força-tarefa permanente contra lavagem de dinheiro local (jogo, milícia, tráfico, grilagem)

•        Banco único de dados operacionais (com controle judicial)

Resumo: crime organizado odeia integração. Vive de silo.

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<><> Saúde: SUS com cérebro digital

Quem já existe

•        SUS, Fiocruz, Butantan

•        Datasus, Anvisa

•        Universidades e hospitais públicos

O que pode ser feito

•        Prontuário nacional interoperável (já tecnicamente viável)

•        Produção local de insumos estratégicos com compras públicas garantidas

•        Rede nacional de vigilância epidemiológica em tempo real

Resumo: o SUS já é gigante — falta coordenação tecnológica, não discurso.

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<><> Educação e trabalho: parar de formar desempregados sofisticados

Quem já existe

•        MEC, IFs, SENAI/SENAC

•        Sistema S

•        Universidades públicas

•        Ministérios do Trabalho e da Indústria

O que pode ser feito

•        Pactos regionais: formação ligada a projetos produtivos reais

•        Cursos técnicos conectados a compras públicas e crédito

•        Reconversão profissional contínua (IA, energia, logística, saúde)

Resumo: diploma sem demanda é só papel bonito.

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<><> Infraestrutura: usar o Estado para destravar, não substituir

Quem já existe

•        DNIT, EPL, Infra S.A.

•        TCU, BNDES

•        Estatais e concessionárias

O que pode ser feito

•        Projetos padronizados e replicáveis (menos obra “artesanal”)

•        Coordenação entre União, estados e municípios para licenciamento

•        Planejamento logístico integrado (ferrovias, portos, energia)

Resumo: atraso não é falta de dinheiro — é excesso de atrito.

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<><> Meio ambiente e economia: parar de tratar como inimigos

Quem já existe

•        Ibama, ICMBio

•        Embrapa

•        Universidades

•        Cooperativas e povos tradicionais

O que pode ser feito

•        Bioeconomia amazônica com crédito, assistência técnica e mercado garantido

•        Rastreabilidade obrigatória (já existe tecnologia)

•        Valorização econômica de quem preserva

Resumo: floresta em pé precisa modelo de negócios, não só discurso moral.

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<><> Democracia e instituições: coordenação é proteção

Quem já existe

•        STF, TSE, CNJ

•        CGU, TCU

•        MP, Defensorias

•        Universidades e imprensa

O que pode ser feito

•        Protocolos institucionais contra desinformação e ataques coordenados

•        Transparência ativa e dados abertos integrados

•        Educação midiática e institucional permanente

Resumo: democracia não se defende sozinha — precisa engenharia.

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<><> A virada de chave

O Brasil não precisa de mais estruturas. Precisa de:

•        coordenação,

•        metas claras,

•        integração institucional,

•        liderança política com visão de sistema.

Ou, em termos menos diplomáticos:

menos improviso, menos vaidade, menos silo.

O material já existe. Falta só alguém juntar as peças — como num Lego institucional gigante.

 

Fonte: Por Luís Nassif, no Jornal GGN

 

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