A
visão externa sobre o país, e o pessimismo militante da mídia
Pedi ao
Gemini, o IA do Google, um resumo do que a imprensa ocidental e a chinesa
falaram do Brasil durante o dia de ontem.
Deu
isso:
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1. Cenário Internacional: na imprensa Ocidental Brasil em Foco
• O Brasil amanhece sob os holofotes da
imprensa internacional, que destaca o país como um pilar de estabilidade
institucional e parceiro estratégico indispensável no cenário global. A
iminente cúpula entre os presidentes Lula e Donald Trump é o principal assunto,
com os Estados Unidos buscando garantir o fornecimento de terras raras e lítio
para reduzir sua dependência da China.
• No campo econômico, a perspectiva é
otimista. Agências como Reuters e o Wall Street Journal repercutem os dados
positivos da inflação e a expectativa de manutenção da meta fiscal,
posicionando o Brasil como um dos destinos preferenciais para capital estrangeiro
em 2026.
• Além disso, a cooperação militar
brasileira na vigilância das fronteiras amazônicas é vista pela imprensa
europeia como fundamental para a contenção de crises e a manutenção da
segurança na América do Sul.
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2. Imprensa Chinesa (Xinhua, Global Times e CGTN)
• Na China, a cobertura da imprensa
estatal destaca o Brasil como seu principal parceiro estratégico de longo prazo
na América Latina, com foco no fortalecimento do bloco BRICS.
• A agência de notícias Xinhua elogia a
postura diplomática brasileira no conflito do Oriente Médio, enaltecendo a
decisão do país de “não ceder a pressões” e manter uma neutralidade ativa, em
linha com a posição de Pequim.
• No front econômico, a estabilidade do
agronegócio brasileiro é tratada como uma questão de segurança nacional pela
mídia chinesa. O jornal Global Times anuncia novos investimentos em portos no
Nordeste para garantir o fornecimento de soja e milho, visto como vital diante
de possíveis bloqueios logísticos globais.
• Por fim, o Brasil é apresentado como um
laboratório para o futuro, com o People’s Daily destacando parcerias em energia
limpa e tecnologia, como o hidrogênio verde e a expansão de carros elétricos
chineses na região.
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3. Resumo do Clima Econômico nos Jornais Brasileiros:
O tom é
de “respiro tenso”. O mercado celebra a trégua no preço do petróleo, mas os
editoriais de política e sociedade focam na queda da aprovação do governo
devido ao custo de vida e na crise de grandes empresas nacionais.
Esse
será o jogo durante 2026, com a mídia exercitando diuturnamente o pessimismo e
procurando jogar o caso Master nas costas do governo, além da fabricação de
falsos escândalos.
É
significativa a volta do procurador do Tribunal de Contas da União, Júlio
Marcelo de Oliveira, que inventou as pedaladas fiscais que embasaram o
impeachment de Dilma Rousseff, agora investindo contra o presidente do IBGE,
Márcio Pochmann, e insinuando a possibilidade de manipulação dos dados em ano
eleitoral. A intenção óbvia é desmerecer os bons indicadores da economia, um
dos trunfos de Lula.
É
importante notar que Júlio Marcelo volta à cena política pelas mãos de Miriam
Leitão, colunista de O Globo e, durante a Lava Jato e o impeachment, a
jornalista que mais se empenhou na produção de fatos negativos, alguns
claramente manipulados
As
suspeitas de Júlio Marcelo foram levantadas por Miriam mesmo antes da posse de
Pochmann. Fica nítido, portanto, que a “denúncia” foi articulada por ela.
Leia o
artigo “Com a Lava Jato 2, a volta do criador das ´pedaladas´” para entender o
tamanho da armação.
Para
Miriam se expor novamente, é sinal maior de que as Organizações Globo
recorreram novamente ao apito de cachorro, para enquadrar seus jornalistas em
mais uma guerra santa. Ontem, comentaristas da Globonews “acusavam” o governo
de tentar jogar a crise do Master na conta de Roberto Campos Neto.
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As pesquisas eleitorais
Há
alguns pontos a se considerar para as eleições, à luz desse tiroteio da grande
mídia.
Flávio
Bolsonaro, por enquanto, está jogando sozinho. Significa que o jogo ainda não
começou para valer. O homem que, pouco tempo atrás, propôs que os Estados
Unidos bombardeassem a Baía de Guanabara, agora é apresentado como um símbolo
da moderação.
Seu
currículo é escondido, as suspeitas de lavagem de dinheiro, de ligação com o
escritório do crime, o subfaturamento na compra de uma mansão em Brasília, tudo
é ignorado pela mídia.
Mas,
por enquanto, é campanha de um lado só. Por isso mesmo, as pesquisas eleitorais
servem de aviso, mas não podem ser superestimadas. Quando o outro time entrar
em campo, o jogo se inverte. As fragilidades de Flávio serão expostas e as
conquistas do governo serão apregoadas.
O ponto
que pega é uma Selic a 15%.
• É hora de Lula virar a chave e
apresentar ao país o governo empreendedor
O
grande argumento de campanha de Lula é o de ser a última fortaleza contra a
invasão bárbara de Jair Bolsonaro.
Agora,
tem-se mercado, mídia, redes sociais investindo em uma alternativa ao
Bolsonaro. Ele tem o focinho de Bolsonaro, rabo de Bolsonaro, pelo de
Bolsonaro, mas não é Bolsonaro. Trata-se de Flávio Bolsonaro.
Quem é
esperto, não cai. Mas a maioria do eleitorado é constituído de fiéis, crentes
no que dizem as igrejas, os terraplanistas e os grupos de mídia. Nesse quadro,
como fica Lula, com o enfraquecimento de seu principal argumento?
A
receita é fácil, a elaboração, mais difícil, a aceitação por parte de Lula,
seria algo inédito. Trata-se da capacidade de montar um plano que desenhe
claramente o futuro, e que convença sua viabilidade para agentes econômicos, a
pequenos empresários e aos trabalhadores em geral.
Um
projeto de desenvolvimento pressupõe grupos de discussão, vários ministérios,
atores sociais e econômicos ajudando a compor metas e caminhos.
Projetos
de desenvolvimento nunca passaram perto de Lula. Para ele, governar consiste no
meritório Bolsa Família e nos investimentos do PAC (Plano de Aceleração do
Crescimento). E em não mexer muito na estrutura econômica para não criar
marolas.
Conseguirá
mudar o estilo e aceitar a camisa de seda (que Lula, pelo visto, considera
camisa de força) de um plano de desenvolvimento?
As
possibilidades são enormes e, de certo modo, já estão ensaiadas no NIB (Nova
Indústria Brasil), conduzido pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e
Comércio, e nos planos de transição energética, coordenados pela Fazenda.
Mas
nunca se constituíram em planos de governo, nunca foram entendidos como planos
de Lula. E, efetivamente, (ainda) não são.
A ideia
do Governo Orquestrador é essa. É o governo articulando grupos
interministeriais, com participação da sociedade civil, de entidades
empresariais e sindicais, movimentos sociais e mercado. São planos decididos
por comissões, tendo na cabeça coordenadores com boa formação em planejamento.
Tem a vantagem de atrair adesões. A desvantagem de tirar das mãos do Presidente
a liberdade, que ele julga essencial, para montar seus pactos políticos, ainda
mais tendo em vista um Congresso hostil e um clima golpista.
O fato
novo é que o golpismo é estimulado justamente por essas parcerias
Repito
o que já coloquei em outros artigos, sobre os caminhos que se abrem com o
governo Orquestrador:
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Desenvolvimento produtivo sem criar novos ministérios (milagre possível)
Quem já
existe
• BNDES, Finep, Embrapii
• SENAI, SENAC, SENAR
• Sebrae, Apex
• Universidades federais, IFs
• Bancos públicos (BB, CEF, BNB, Basa)
O que
pode ser feito
• Programas nacionais por cadeia produtiva
(não por setor genérico):
alimentos
processados, fármacos, defesa, mobilidade elétrica, agroindústria, economia do
cuidado
• Crédito + tecnologia + compras públicas
num único pacote
• Contratos de desempenho com metas claras
(exportação, emprego, inovação)
Resumo:
o Estado deixa de ser caixa eletrônico e vira orquestrador.
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Segurança pública: menos bravata, mais inteligência integrada
Quem já
existe
• PF, PRF, polícias civis e militares
• Coaf, Receita Federal
• CNJ, MP, Detrans, guardas municipais
O que
pode ser feito
• Centros integrados regionais de
inteligência financeira + criminal
• Força-tarefa permanente contra lavagem
de dinheiro local (jogo, milícia, tráfico, grilagem)
• Banco único de dados operacionais (com
controle judicial)
Resumo:
crime organizado odeia integração. Vive de silo.
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Saúde: SUS com cérebro digital
Quem já
existe
• SUS, Fiocruz, Butantan
• Datasus, Anvisa
• Universidades e hospitais públicos
O que
pode ser feito
• Prontuário nacional interoperável (já
tecnicamente viável)
• Produção local de insumos estratégicos
com compras públicas garantidas
• Rede nacional de vigilância
epidemiológica em tempo real
Resumo:
o SUS já é gigante — falta coordenação tecnológica, não discurso.
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Educação e trabalho: parar de formar desempregados sofisticados
Quem já
existe
• MEC, IFs, SENAI/SENAC
• Sistema S
• Universidades públicas
• Ministérios do Trabalho e da Indústria
O que
pode ser feito
• Pactos regionais: formação ligada a
projetos produtivos reais
• Cursos técnicos conectados a compras
públicas e crédito
• Reconversão profissional contínua (IA,
energia, logística, saúde)
Resumo:
diploma sem demanda é só papel bonito.
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Infraestrutura: usar o Estado para destravar, não substituir
Quem já
existe
• DNIT, EPL, Infra S.A.
• TCU, BNDES
• Estatais e concessionárias
O que
pode ser feito
• Projetos padronizados e replicáveis
(menos obra “artesanal”)
• Coordenação entre União, estados e
municípios para licenciamento
• Planejamento logístico integrado
(ferrovias, portos, energia)
Resumo:
atraso não é falta de dinheiro — é excesso de atrito.
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Meio ambiente e economia: parar de tratar como inimigos
Quem já
existe
• Ibama, ICMBio
• Embrapa
• Universidades
• Cooperativas e povos tradicionais
O que
pode ser feito
• Bioeconomia amazônica com crédito,
assistência técnica e mercado garantido
• Rastreabilidade obrigatória (já existe
tecnologia)
• Valorização econômica de quem preserva
Resumo:
floresta em pé precisa modelo de negócios, não só discurso moral.
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Democracia e instituições: coordenação é proteção
Quem já
existe
• STF, TSE, CNJ
• CGU, TCU
• MP, Defensorias
• Universidades e imprensa
O que
pode ser feito
• Protocolos institucionais contra
desinformação e ataques coordenados
• Transparência ativa e dados abertos
integrados
• Educação midiática e institucional
permanente
Resumo:
democracia não se defende sozinha — precisa engenharia.
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A virada de chave
O
Brasil não precisa de mais estruturas. Precisa de:
• coordenação,
• metas claras,
• integração institucional,
• liderança política com visão de sistema.
Ou, em
termos menos diplomáticos:
menos
improviso, menos vaidade, menos silo.
O
material já existe. Falta só alguém juntar as peças — como num Lego
institucional gigante.
Fonte: Por
Luís Nassif, no Jornal GGN

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