sábado, 14 de março de 2026

César Fonseca: Globo esconde que BC independente sob Bolsonaro facilitou corrupção no Master

O assunto está sendo colocado debaixo do tapete, quando ferve o escândalo do Banco Master, cuja origem está no governo Bolsonaro(2018-2022), durante a gestão da equipe econômica comandada por Paulo Guedes, na Fazenda, e Roberto Campos Neto, no Banco Central Independente(BCI).

Destaca-se que foi na gestão Bolsonaro que o Banco Central se tornou independente do governo para conduzir a política monetária, atendendo os interesses maiores da Faria Lima.

No governo Lula, a situação, relativamente ao escândalo financeiro, conduzido pelo banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, mudou drasticamente.

O chefe do Planalto, depois de conversar com Vorcaro, apresentado a ele pelo ex-ministro Guido Mantega, que dava consultoria ao Master, mandou o presidente do BC, Gabriel Galípolo, investigar o caso.

O resultado, na sequência, foi radical: o BC, orientado pelo Planalto, liquidou o banco, totalmente, bichado por falcatruas, que evoluíram incontrolavelmente, a partir do governo Bolsonaro.

Ou seja, Lula cortou o mal pela raiz.

NEO-LAVAJATISMO EM CENA

Agora, a Globo, engajada em neo-lavajatismo explícito, tenta colar o governo Lula ao STF, sobre o qual Vorcaro atuou, fortemente, para envolvê-lo em seus interesses, atraindo, principalmente, dois ministros da corte suprema: Dias Toffoli e Alexandre de Moraes.

O primeiro caiu na armadilha ao aplicar dinheiro em fundo financeiro administrado pelo Master em compra de resort de luxo de propriedade da família Toffoli.

O segundo foi envolvido indiretamente pela contratação de sua mulher advogada, Viviane Barci de Moraes, para defender interesses do Master na sua relação com o Banco Central, por meio de contrato milionário.

Ambos os ministros pecam pelos critérios da moralidade.

Ficou-se sabendo, também, que funcionários do BC Independente - portanto, ao largo da possibilidade de interferência do governo na instituição, em suas prerrogativas legais - participaram no jogo de influência para beneficiar Vorcaro, segundo investigação da Polícia Federal.

Verifica-se, portanto, que não há relação direta do governo Lula, no caso, mas, sim, do ex-governo Bolsonaro, onde ele se iniciou, na gestão de Roberto Campos Neto, então presidente do BCI, autônomo em relação ao poder executivo, embora, totalmente, submisso aos interesses do mercado financeiro, tal como continua ocorrendo.

A farra do boi patrocinada por Vorcaro, portanto, não existiria se o BC não fosse independente, pois, evidentemente, estaria ao alcance do Executivo, de modo a frear o seu mal comportamento em matéria de gestão.

O governo Lula, para sua saúde moral, felizmente, cortou o cordão umbilical que ligava o Banco Master ao BCI sob gestão relaxada de Campos Neto, determinando ação radical saneadora na arapuca Vorcaro, responsável por calotes monumentais.

O caso escandaloso envolve, sobretudo, de forma preponderante, políticos de direita e ultradireita, no Congresso e em governos estaduais e municipais, somando-se ao STF, nas manobras envolventes de Daniel Vorcaro.

Trata-se, portanto, de fantástica corrupção construída pela relação do mercado financeiro, representado por um dos seus membros de destaque, o Banco Master, e representantes do judiciário e legislativo, dominado majoritariamente, pela direita e ultradireita fascista parlamentares.

CPI a ser convocada para investigar o mega escândalo deixará tudo exposto e esclarecido, se, claro, não for empastelado pela direita-ultradireita que estão metidos nele até o pescoço.

NARRATIVA MIDIÁTICA PICARETA DA GLOBO

É nesse contexto de obscuridade e pouca transparência que a Globo e a mídia corporativa em geral, aliadas do fascismo bolsonarista,  tentam envolver o governo Lula ao escândalo Master por meio de narrativa tortuosa, capciosa e mal-intencionada.

Hoje, a jornalista Andrea Sadi, âncora do programa Studio I, e seus colegas, em clara forçação, desenvolveram raciocínio estapafúrdio segundo o qual o governo Lula se socorre ao STF por não dispor de maioria no parlamento, de modo que não se pode desvencilhar-se da Suprema Corte, enrolada no escândalo Master.

Conclui, dessa forma, que o Planalto e o STF estão no mesmo barco, propensos a naufragarem juntos, como se a relação executivo-judiciário estivesse condicionada umbilicalmente pelo escândalo.

E outro comentarista da equipe de Sadi, Joel Pinheiro, completa a farsa jornalística, concluindo que o beneficiário maior do escândalo, do ponto de vista eleitoral, é o senador Flávio Bolsonaro.

Justifica tal conclusão com argumento de que a percepção popular deduz, no desenrolar do escândalo, pela culpa do STF na condenação injusta do seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, preso na Papuda, para cumprir 27,3 anos de detenção.

Verdadeiro samba do crioulo doido.

PESQUISA OPORTUNA COMO PRODUTO DO ESCÂNDALO

Para completar a miscelânia jornalística inescrupulosa, comparece, em seguida, ao Studio I, o diretor da Quaest, Felipe Nunes, para apresentar último resultado de pesquisa eleitoral, aferida pela sua empresa, em que Lula e Flávio estão empatados em 41%, no segundo turno, mas que o resultado mais surpreendente é que 51% do eleitorado pesquisado consideram negativa a administração petista.

Tal conclusão soa como a cereja do bolo assado no forno da narrativa forçada como resultado complementar da “reportagem” da equipe comandada por Sadi.

Ela, essencialmente, serve para justificar a condenação popular do governo Lula, como promotor da corrupção do Banco Master ao lado do STF, do qual não pode fugir, para se proteger do Congresso que o persegue no cenário do semipresidencialismo tupiniquim inconstitucional, movido pela fraude das emendas parlamentares.

•        Daniel Vorcaro foi 24 vezes ao Banco Central durante gestão Campos Neto

Registros administrativos do Banco Central obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI) mostram que o banqueiro Daniel Vorcaro esteve 24 vezes na sede da instituição durante a gestão de Roberto Campos Neto.

Os dados abrangem o período entre fevereiro de 2019, quando Campos Neto assumiu a presidência do Banco Central, e dezembro de 2024, quando terminou seu mandato à frente da autoridade monetária.

As informações constam em planilhas de controle de acesso ao prédio do Banco Central, que registram horários de entrada e saída de visitantes. Os registros permitem identificar tanto a frequência das visitas quanto o tempo de permanência do banqueiro dentro da instituição.

O levantamento ocorre em meio às investigações envolvendo o Banco Master e seu controlador. O banco e executivos ligados ao grupo são alvo da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal, que apura suspeitas de irregularidades financeiras, lavagem de dinheiro e a atuação de uma estrutura paralela de monitoramento e pressão institucional.

O Banco Master tem origem no antigo Banco Máxima. Em 2019, o controle da instituição foi adquirido por Daniel Vorcaro, operação que marcou a transformação do banco e sua posterior reestruturação sob a marca Banco Master.

O mesmo ano em que ocorreu a aquisição do Banco Máxima coincide com o período em que Vorcaro passou a frequentar com maior intensidade o prédio do Banco Central.

De acordo com os registros obtidos via LAI, Vorcaro realizou 24 entradas no prédio da autoridade monetária durante a gestão Campos Neto.

<><> Quantidade de visitas por ano

•        2019: 11 visitas

•        2020: 2 visitas

•        2021: 0 visitas

•        2022: 2 visitas

•        2023: 4 visitas

•        2024: 5 visitas

A maior concentração ocorreu justamente em 2019, quando Vorcaro esteve 11 vezes no prédio do Banco Central — ano em que ocorreu a aquisição do Banco Máxima e o início da reestruturação que deu origem ao Banco Master.

Somando os horários de entrada e saída registrados no sistema de controle de acesso, as visitas totalizam 21 horas, 45 minutos e 1 segundo de permanência dentro da instituição ao longo de todo o período analisado.

<><> Reunião mais longa ocorreu em meio a rumores de mercado

Entre todos os registros, a visita de maior duração ocorreu em 30 de outubro de 2024. Na ocasião, Vorcaro entrou no prédio do Banco Central às 09h54 e saiu às 12h38, permanecendo 2 horas e 44 minutos dentro da instituição.

A reunião ocorreu em um momento de forte turbulência envolvendo o Banco Master. Naquele período, circulavam no mercado financeiro informações de que o BTG Pactual teria suspendido a captação de recursos para títulos do Banco Master.

A informação foi posteriormente desmentida em nota pelo próprio BTG Pactual.

Em seu site, o Banco Master reiterou o esclarecimento divulgado pelo BTG e afirmou que “a disseminação e a propagação de informações falsas configura crime contra o sistema financeiro nacional”. O banco também anunciou que tomaria medidas judiciais contra responsáveis pela divulgação das informações consideradas falsas.

Na ocasião, Vorcaro participou da reunião acompanhado de Augusto Lima. O Banco Central esteve representado pelo diretor de Fiscalização da autarquia, Ailton de Aquino.

Os registros obtidos via LAI indicam apenas os horários de acesso ao prédio do Banco Central e não detalham formalmente o conteúdo das agendas ou as discussões realizadas durante os encontros.

O caso Master ganhou repercussão após o avanço das investigações conduzidas pela Polícia Federal e o envio de documentos e dados à CPMI do INSS, que também passou a examinar conexões entre operadores financeiros, estruturas digitais e suspeitas de movimentações financeiras irregulares associadas ao grupo.

Documentos obtidos nas investigações indicam que o grupo ligado ao banco também é suspeito de operar estruturas de monitoramento clandestino e de influência digital utilizadas para pressionar jornalistas, autoridades e instituições.

As visitas registradas no Banco Central ocorreram ao longo de diferentes fases da trajetória do Banco Master no sistema financeiro, incluindo períodos em que a instituição buscava ampliar operações, consolidar sua posição no mercado e responder a questionamentos regulatórios e rumores que circularam no mercado financeiro.

•        Exceção concedida por Mendonça a Vorcaro gera preocupação na segurança em presídios

A Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), órgão vinculado ao Ministério da Justiça, informou nesta terça-feira que se posicionou contra o pedido dos advogados do banqueiro Daniel Vorcaro de não serem gravados durante as conversas com ele nas visitas à Penitenciária Federal de Brasília. Segundo a secretaria, a medida representa um “fator de preocupação” para a Polícia Penal Federal, pois “impacta diretamente” no modelo de segurança adotado nas unidades federais.

Relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal, o ministro André Mendonça atendeu parcialmente a um pedido da defesa de Vorcaro e autorizou que as conversas entre o preso e os advogados não fossem registradas, o que viola o protocolo interno do presídio. Mendonça também deu aval para os advogados fazerem visitas sem agendamento e a levarem papéis e anotações durante os encontros. Mendonça vetou a transferência para outro presídio em Brasília, o que também havia sido solicitado pela defesa.

Em nota, a Senappen destacou que o sistema penitenciário federal foi estruturado para abrigar presos com perfil de alta “periculosidade e articulação”. O órgão alega que “alterações em protocolos operacionais que estruturam o funcionamento do sistema representam fator de preocupação pois impactam diretamente o modelo de segurança que orienta” o sistema penitenciário federal. O texto diz ainda que as restrições são fundamentais para “impedir comunicações indevidas com o exterior, interromper cadeias de comando de organizações criminosas e garantir a segurança das unidades, dos servidores que nelas atuam e da própria sociedade”.

Reservadamente, policiais penais federais citam o receio de a decisão ser utilizada como precedente nos casos de chefes de organizações criminosas. Detentos do Primeiro Comando da Capital (PCC), por exemplo, foram acusados de mandar matar três policiais penais federais como tentativa de intimidação.

Nesse contexto, a Senappen diz que vai cumprir a decisão de Mendonça, mas cogita recorrer para reverter a autorização.

Já a defesa de Daniel Vorcaro classificou que o banqueiro “jamais deveria estar preso” em Brasília.

“A prisão é desnecessária, baseada em fatos pretéritos, e as supostas bravatas atribuídas a ele jamais se concretizaram.

As condições em que se encontra atualmente são absolutamente desproporcionais. Trata-se de um regime de isolamento extremo que impõe sofrimento psicológico intenso a qualquer pessoa”, enfatizou a nota assinada pelo advogado Roberto Podval.

“Além disso, o direito de comunicação reservada com seus advogados — sem gravação ou monitoramento — é uma garantia elementar do Estado de Direito e um mínimo que se espera de um país que se pretende democrático”, acrescentou o defensor.

<><> Transferência a Brasília

Preso na última fase da Operação Compliance Zero, Vorcaro chegou a Brasília na última sexta-feira sob forte esquema de segurança para ser transferido ao sistema penitenciário federal. A medida foi determinada por Mendonça, após a Polícia Federal apontar riscos à segurança pública e à integridade física do investigado, caso ele permanecesse em um presídio estadual.

O banqueiro deixou a Penitenciária de Potim, no interior de São Paulo. O desembarque na capital federal foi realizado com reforço de segurança da Polícia Penal Federal. Após deixar o aeroporto, Vorcaro foi levado ao Instituto Médico Legal (IML) do Distrito Federal para exames.

Ele havia sido preso na quarta-feira em São Paulo. Na decisão que autorizou a transferência ao sistema federal, Mendonça afirmou que o caso se enquadra nas hipóteses previstas na Lei nº 11.671/2008, que permite a inclusão de presos provisórios ou condenados em presídios federais quando a medida se justifica por interesse da segurança pública ou do próprio custodiado.

 

Fonte: Brasil 247/ICL Notícias/Infomoney

 

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