César
Fonseca: Globo esconde que BC independente sob Bolsonaro facilitou corrupção no
Master
O
assunto está sendo colocado debaixo do tapete, quando ferve o escândalo do
Banco Master, cuja origem está no governo Bolsonaro(2018-2022), durante a
gestão da equipe econômica comandada por Paulo Guedes, na Fazenda, e Roberto
Campos Neto, no Banco Central Independente(BCI).
Destaca-se
que foi na gestão Bolsonaro que o Banco Central se tornou independente do
governo para conduzir a política monetária, atendendo os interesses maiores da
Faria Lima.
No
governo Lula, a situação, relativamente ao escândalo financeiro, conduzido pelo
banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master, mudou drasticamente.
O chefe
do Planalto, depois de conversar com Vorcaro, apresentado a ele pelo
ex-ministro Guido Mantega, que dava consultoria ao Master, mandou o presidente
do BC, Gabriel Galípolo, investigar o caso.
O
resultado, na sequência, foi radical: o BC, orientado pelo Planalto, liquidou o
banco, totalmente, bichado por falcatruas, que evoluíram incontrolavelmente, a
partir do governo Bolsonaro.
Ou
seja, Lula cortou o mal pela raiz.
NEO-LAVAJATISMO
EM CENA
Agora,
a Globo, engajada em neo-lavajatismo explícito, tenta colar o governo Lula ao
STF, sobre o qual Vorcaro atuou, fortemente, para envolvê-lo em seus
interesses, atraindo, principalmente, dois ministros da corte suprema: Dias
Toffoli e Alexandre de Moraes.
O
primeiro caiu na armadilha ao aplicar dinheiro em fundo financeiro administrado
pelo Master em compra de resort de luxo de propriedade da família Toffoli.
O
segundo foi envolvido indiretamente pela contratação de sua mulher advogada,
Viviane Barci de Moraes, para defender interesses do Master na sua relação com
o Banco Central, por meio de contrato milionário.
Ambos
os ministros pecam pelos critérios da moralidade.
Ficou-se
sabendo, também, que funcionários do BC Independente - portanto, ao largo da
possibilidade de interferência do governo na instituição, em suas prerrogativas
legais - participaram no jogo de influência para beneficiar Vorcaro, segundo
investigação da Polícia Federal.
Verifica-se,
portanto, que não há relação direta do governo Lula, no caso, mas, sim, do
ex-governo Bolsonaro, onde ele se iniciou, na gestão de Roberto Campos Neto,
então presidente do BCI, autônomo em relação ao poder executivo, embora,
totalmente, submisso aos interesses do mercado financeiro, tal como continua
ocorrendo.
A farra
do boi patrocinada por Vorcaro, portanto, não existiria se o BC não fosse
independente, pois, evidentemente, estaria ao alcance do Executivo, de modo a
frear o seu mal comportamento em matéria de gestão.
O
governo Lula, para sua saúde moral, felizmente, cortou o cordão umbilical que
ligava o Banco Master ao BCI sob gestão relaxada de Campos Neto, determinando
ação radical saneadora na arapuca Vorcaro, responsável por calotes monumentais.
O caso
escandaloso envolve, sobretudo, de forma preponderante, políticos de direita e
ultradireita, no Congresso e em governos estaduais e municipais, somando-se ao
STF, nas manobras envolventes de Daniel Vorcaro.
Trata-se,
portanto, de fantástica corrupção construída pela relação do mercado
financeiro, representado por um dos seus membros de destaque, o Banco Master, e
representantes do judiciário e legislativo, dominado majoritariamente, pela
direita e ultradireita fascista parlamentares.
CPI a
ser convocada para investigar o mega escândalo deixará tudo exposto e
esclarecido, se, claro, não for empastelado pela direita-ultradireita que estão
metidos nele até o pescoço.
NARRATIVA
MIDIÁTICA PICARETA DA GLOBO
É nesse
contexto de obscuridade e pouca transparência que a Globo e a mídia corporativa
em geral, aliadas do fascismo bolsonarista,
tentam envolver o governo Lula ao escândalo Master por meio de narrativa
tortuosa, capciosa e mal-intencionada.
Hoje, a
jornalista Andrea Sadi, âncora do programa Studio I, e seus colegas, em clara
forçação, desenvolveram raciocínio estapafúrdio segundo o qual o governo Lula
se socorre ao STF por não dispor de maioria no parlamento, de modo que não se
pode desvencilhar-se da Suprema Corte, enrolada no escândalo Master.
Conclui,
dessa forma, que o Planalto e o STF estão no mesmo barco, propensos a
naufragarem juntos, como se a relação executivo-judiciário estivesse
condicionada umbilicalmente pelo escândalo.
E outro
comentarista da equipe de Sadi, Joel Pinheiro, completa a farsa jornalística,
concluindo que o beneficiário maior do escândalo, do ponto de vista eleitoral,
é o senador Flávio Bolsonaro.
Justifica
tal conclusão com argumento de que a percepção popular deduz, no desenrolar do
escândalo, pela culpa do STF na condenação injusta do seu pai, o ex-presidente
Jair Bolsonaro, preso na Papuda, para cumprir 27,3 anos de detenção.
Verdadeiro
samba do crioulo doido.
PESQUISA
OPORTUNA COMO PRODUTO DO ESCÂNDALO
Para
completar a miscelânia jornalística inescrupulosa, comparece, em seguida, ao
Studio I, o diretor da Quaest, Felipe Nunes, para apresentar último resultado
de pesquisa eleitoral, aferida pela sua empresa, em que Lula e Flávio estão
empatados em 41%, no segundo turno, mas que o resultado mais surpreendente é
que 51% do eleitorado pesquisado consideram negativa a administração petista.
Tal
conclusão soa como a cereja do bolo assado no forno da narrativa forçada como
resultado complementar da “reportagem” da equipe comandada por Sadi.
Ela,
essencialmente, serve para justificar a condenação popular do governo Lula,
como promotor da corrupção do Banco Master ao lado do STF, do qual não pode
fugir, para se proteger do Congresso que o persegue no cenário do
semipresidencialismo tupiniquim inconstitucional, movido pela fraude das
emendas parlamentares.
• Daniel Vorcaro foi 24 vezes ao Banco
Central durante gestão Campos Neto
Registros
administrativos do Banco Central obtidos por meio da Lei de Acesso à Informação
(LAI) mostram que o banqueiro Daniel Vorcaro esteve 24 vezes na sede da
instituição durante a gestão de Roberto Campos Neto.
Os
dados abrangem o período entre fevereiro de 2019, quando Campos Neto assumiu a
presidência do Banco Central, e dezembro de 2024, quando terminou seu mandato à
frente da autoridade monetária.
As
informações constam em planilhas de controle de acesso ao prédio do Banco
Central, que registram horários de entrada e saída de visitantes. Os registros
permitem identificar tanto a frequência das visitas quanto o tempo de
permanência do banqueiro dentro da instituição.
O
levantamento ocorre em meio às investigações envolvendo o Banco Master e seu
controlador. O banco e executivos ligados ao grupo são alvo da Operação
Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal, que apura suspeitas de
irregularidades financeiras, lavagem de dinheiro e a atuação de uma estrutura
paralela de monitoramento e pressão institucional.
O Banco
Master tem origem no antigo Banco Máxima. Em 2019, o controle da instituição
foi adquirido por Daniel Vorcaro, operação que marcou a transformação do banco
e sua posterior reestruturação sob a marca Banco Master.
O mesmo
ano em que ocorreu a aquisição do Banco Máxima coincide com o período em que
Vorcaro passou a frequentar com maior intensidade o prédio do Banco Central.
De
acordo com os registros obtidos via LAI, Vorcaro realizou 24 entradas no prédio
da autoridade monetária durante a gestão Campos Neto.
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Quantidade de visitas por ano
• 2019: 11 visitas
• 2020: 2 visitas
• 2021: 0 visitas
• 2022: 2 visitas
• 2023: 4 visitas
• 2024: 5 visitas
A maior
concentração ocorreu justamente em 2019, quando Vorcaro esteve 11 vezes no
prédio do Banco Central — ano em que ocorreu a aquisição do Banco Máxima e o
início da reestruturação que deu origem ao Banco Master.
Somando
os horários de entrada e saída registrados no sistema de controle de acesso, as
visitas totalizam 21 horas, 45 minutos e 1 segundo de permanência dentro da
instituição ao longo de todo o período analisado.
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Reunião mais longa ocorreu em meio a rumores de mercado
Entre
todos os registros, a visita de maior duração ocorreu em 30 de outubro de 2024.
Na ocasião, Vorcaro entrou no prédio do Banco Central às 09h54 e saiu às 12h38,
permanecendo 2 horas e 44 minutos dentro da instituição.
A
reunião ocorreu em um momento de forte turbulência envolvendo o Banco Master.
Naquele período, circulavam no mercado financeiro informações de que o BTG
Pactual teria suspendido a captação de recursos para títulos do Banco Master.
A
informação foi posteriormente desmentida em nota pelo próprio BTG Pactual.
Em seu
site, o Banco Master reiterou o esclarecimento divulgado pelo BTG e afirmou que
“a disseminação e a propagação de informações falsas configura crime contra o
sistema financeiro nacional”. O banco também anunciou que tomaria medidas
judiciais contra responsáveis pela divulgação das informações consideradas
falsas.
Na
ocasião, Vorcaro participou da reunião acompanhado de Augusto Lima. O Banco
Central esteve representado pelo diretor de Fiscalização da autarquia, Ailton
de Aquino.
Os
registros obtidos via LAI indicam apenas os horários de acesso ao prédio do
Banco Central e não detalham formalmente o conteúdo das agendas ou as
discussões realizadas durante os encontros.
O caso
Master ganhou repercussão após o avanço das investigações conduzidas pela
Polícia Federal e o envio de documentos e dados à CPMI do INSS, que também
passou a examinar conexões entre operadores financeiros, estruturas digitais e
suspeitas de movimentações financeiras irregulares associadas ao grupo.
Documentos
obtidos nas investigações indicam que o grupo ligado ao banco também é suspeito
de operar estruturas de monitoramento clandestino e de influência digital
utilizadas para pressionar jornalistas, autoridades e instituições.
As
visitas registradas no Banco Central ocorreram ao longo de diferentes fases da
trajetória do Banco Master no sistema financeiro, incluindo períodos em que a
instituição buscava ampliar operações, consolidar sua posição no mercado e
responder a questionamentos regulatórios e rumores que circularam no mercado
financeiro.
• Exceção concedida por Mendonça a Vorcaro
gera preocupação na segurança em presídios
A
Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen), órgão vinculado ao
Ministério da Justiça, informou nesta terça-feira que se posicionou contra o
pedido dos advogados do banqueiro Daniel Vorcaro de não serem gravados durante
as conversas com ele nas visitas à Penitenciária Federal de Brasília. Segundo a
secretaria, a medida representa um “fator de preocupação” para a Polícia Penal
Federal, pois “impacta diretamente” no modelo de segurança adotado nas unidades
federais.
Relator
do caso Master no Supremo Tribunal Federal, o ministro André Mendonça atendeu
parcialmente a um pedido da defesa de Vorcaro e autorizou que as conversas
entre o preso e os advogados não fossem registradas, o que viola o protocolo
interno do presídio. Mendonça também deu aval para os advogados fazerem visitas
sem agendamento e a levarem papéis e anotações durante os encontros. Mendonça
vetou a transferência para outro presídio em Brasília, o que também havia sido
solicitado pela defesa.
Em
nota, a Senappen destacou que o sistema penitenciário federal foi estruturado
para abrigar presos com perfil de alta “periculosidade e articulação”. O órgão
alega que “alterações em protocolos operacionais que estruturam o funcionamento
do sistema representam fator de preocupação pois impactam diretamente o modelo
de segurança que orienta” o sistema penitenciário federal. O texto diz ainda
que as restrições são fundamentais para “impedir comunicações indevidas com o
exterior, interromper cadeias de comando de organizações criminosas e garantir
a segurança das unidades, dos servidores que nelas atuam e da própria
sociedade”.
Reservadamente,
policiais penais federais citam o receio de a decisão ser utilizada como
precedente nos casos de chefes de organizações criminosas. Detentos do Primeiro
Comando da Capital (PCC), por exemplo, foram acusados de mandar matar três
policiais penais federais como tentativa de intimidação.
Nesse
contexto, a Senappen diz que vai cumprir a decisão de Mendonça, mas cogita
recorrer para reverter a autorização.
Já a
defesa de Daniel Vorcaro classificou que o banqueiro “jamais deveria estar
preso” em Brasília.
“A
prisão é desnecessária, baseada em fatos pretéritos, e as supostas bravatas
atribuídas a ele jamais se concretizaram.
As
condições em que se encontra atualmente são absolutamente desproporcionais.
Trata-se de um regime de isolamento extremo que impõe sofrimento psicológico
intenso a qualquer pessoa”, enfatizou a nota assinada pelo advogado Roberto
Podval.
“Além
disso, o direito de comunicação reservada com seus advogados — sem gravação ou
monitoramento — é uma garantia elementar do Estado de Direito e um mínimo que
se espera de um país que se pretende democrático”, acrescentou o defensor.
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Transferência a Brasília
Preso
na última fase da Operação Compliance Zero, Vorcaro chegou a Brasília na última
sexta-feira sob forte esquema de segurança para ser transferido ao sistema
penitenciário federal. A medida foi determinada por Mendonça, após a Polícia
Federal apontar riscos à segurança pública e à integridade física do
investigado, caso ele permanecesse em um presídio estadual.
O
banqueiro deixou a Penitenciária de Potim, no interior de São Paulo. O
desembarque na capital federal foi realizado com reforço de segurança da
Polícia Penal Federal. Após deixar o aeroporto, Vorcaro foi levado ao Instituto
Médico Legal (IML) do Distrito Federal para exames.
Ele
havia sido preso na quarta-feira em São Paulo. Na decisão que autorizou a
transferência ao sistema federal, Mendonça afirmou que o caso se enquadra nas
hipóteses previstas na Lei nº 11.671/2008, que permite a inclusão de presos
provisórios ou condenados em presídios federais quando a medida se justifica
por interesse da segurança pública ou do próprio custodiado.
Fonte:
Brasil 247/ICL Notícias/Infomoney

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