sábado, 14 de março de 2026

Evangélicos no mundo: Trump, evangélicos brancos e posições de poder

Corrente religiosa em plena expansão em todo o mundo, os evangélicos são frequentemente associados ao imaginário estadunidense e ao nacionalismo cristão, do qual são parte integrante nos Estados Unidos.

No entanto, sua realidade é infinitamente mais variegada, como explica o pesquisador Sébastien Fath, um dos maiores especialistas no assunto, em seu livro "Le Nouveau Pouvoir évangélique" (O novo poder evangélico, em tradução livre, Grasset). Trata-se de uma impressionante síntese que desmonta muitos clichês sobre esses fiéis, destacando a profunda diversidade das Igrejas evangélicas em nível internacional, especialmente na África e na Ásia, que diferem profundamente de algumas Igrejas nacionalistas estadunidenses.

<><> Eis a entrevista.

•        De onde vem o evangelicalismo?

Sua história está intrinsecamente ligada à do protestantismo e não pode ser compreendida sem considerar as diversas tendências da Reforma Protestante, que teve início no século XVI. Ao longo da história protestante, houve fases de "despertar", sem dúvida explicadas pelo fato de que, diferentemente da Igreja Católica, não existe uma centralidade institucional entre os protestantes, resultando disso uma certa fragilidade na transmissão. As fases de despertar, ou seja, de remobilização militante, abrangem três dimensões: uma dimensão pessoal, ou seja, a conversão, que é central para a identidade evangélica; uma forma de criatividade eclesial, com o surgimento de novas Igrejas que respondem a novas sensibilidades, como o metodismo e o pentecostalismo; e o impacto social, visto que esses despertares favoreceram a criação de obras como as capelanias prisionais ou a Cruz Vermelha. Esses despertares permitiram às franjas evangélicas, inicialmente minoritárias e discriminadas, se tornarem gradualmente majoritárias dentro do protestantismo.

•        No que o evangelicalismo difere do protestantismo tradicional, ou seja, luterano e reformado?

Diferencia-se principalmente na ênfase posta sobre a conversão. O evangelicalismo não é uma religião que se herda por nascimento, mas sim uma religião que se reivindica e que se testemunha publicamente. Consequentemente, as Igrejas evangélicas são geralmente Igrejas de crentes professos, compostas por associações de convertidos, o que não ocorre no luteranismo ou a Igreja Reformada. Além disso, há menos mediação na interpretação da Bíblia nas Igrejas evangélicas, que desenvolvem uma leitura mais direta e menos metafórica do que nos ambientes luteranos ou reformados.

Estes últimos dão menos importância ao sobrenatural, em favor de uma abordagem mais focada na ética. Para os evangélicos, a relação com o invisível, com um Deus poderoso que opera milagres, é essencial.

<><> Quais são os principais polos evangélicos no mundo?

Em meu livro, tento desamericanizar o imaginário sobre o evangelicalismo: trata-se de um fenômeno multipolar que não deve ser limitado aos Estados Unidos. Esse clichê está ligado à extraordinária influência da cultura estadunidense na França após 1945, com a imagem do clergyman protestante de estilo anglo-saxão. Hoje, ao contrário, o padrão do evangélico é o de uma mulher nigeriana de classe média, que administra o aluguel de três apartamentos, dirige uma empresa de telefonia móvel e, à noite, vai orar e profetizar em uma Igreja do Despertar. Estamos longe do clichê do evangélico texano branco ultraconservador: este existe, sim, mas o evangelicalismo, mesmo nos Estados Unidos, é mais diversificado — e há oito vezes mais evangélicos no resto do planeta. Chefes de Estado evangélicos governam a República Democrática do Congo — o maior país francófono do mundo —, Etiópia, Gana, República Centro-Africana, Quênia... Embora os evangélicos brancos estadunidenses (white evangelicals) ocupem espaço, a realidade é que, no plano religioso, os Estados Unidos estão se secularizando, com um aumento significativo no número de "sem religião" na população estadunidense, como demonstram os dados do Public Religion Research Institute, um think tank independente.

Milhões de pessoas se converteram ao evangelicalismo a partir da década de 1960 na América Latina e, 30 anos depois, na África francófona. Trata-se, na maioria das vezes, de novas Igrejas pós-coloniais, criadas por africanos para africanos, e não fundadas por europeus. Hoje, dos 48 milhões de evangélicos francófonos, 40 milhões são africanos. Alguns deles vieram viver na Europa, o que explica em parte o crescimento das Igrejas evangélicas no continente. No entanto, esse crescimento não é massivo: na França, 1,6% da população é evangélica, uma porcentagem muito maior do que no período pós-Segunda Guerra Mundial, mas ainda assim modesta.

•        Na França, as Igrejas evangélicas são percebidas como correntes novas, importadas de países anglo-saxões. É isso?

O século XIX propiciou uma espécie de reinvenção do protestantismo na França, onde muitas comunidades haviam sido desenraizadas. Comunidades suíças, alemãs e britânicas ajudaram os protestantes franceses a reevangelizar. Os estadunidenses chegaram mais tarde, especialmente após 1945, em um contexto de Guerra Fria, no qual temiam que a França se inclinasse para o comunismo. No entanto, desde a queda da Cortina de Ferro, a França deixou de ser uma prioridade para os Estados Unidos. E, há 30 anos, a influência mais significativa entre os evangélicos franceses é claramente aquela vinda da África. Uma influência trumpista pode estar presente em algumas redes, mas não é a linha dominante dentro do Conselho Nacional de Evangélicos Franceses, uma rede que reúne de 60% a 70% deles. Nunca houve uma Igreja evangélica nacionalista na França, e o que está acontecendo nos Estados Unidos é uma exceção.

•        Como se explica essa exceção estadunidense?

A sociedade estadunidense foi construída pelos puritanos, protestantes extremistas que a Europa não queria. Ao chegarem à Nova Inglaterra, implementaram modelos radicais que moldaram a identidade protestante estadunidense, com uma conotação de viés teocrático. Contudo, já existia um debate interno, com pensadores discordando dessa linha. Foi assim que o pastor Roger Williams (1603-1683) fundou Providence, em Rhode Island, onde introduziu a liberdade de consciência. De qualquer forma, o aspecto excepcional estadunidense persiste até hoje. Com a crescente secularização da sociedade estadunidense, muitos evangélicos sentem-se como uma cidadela sitiada. Esse pânico moral afeta particularmente os evangélicos brancos, convencidos de que os Estados Unidos perderam sua identidade cristã. Esses neopuritanos querem construir uma barreira contra a secularização, o que é motivo de preocupação para todos os defensores da democracia liberal. No entanto, as mesmas ênfases não são encontradas entre os evangélicos estadunidenses de origem africana, asiática ou latina. O quadro é completamente diferente na Europa. As minorias protestantes na França defendem a ideia de uma sociedade republicana que oferece igualdade para todos, pois a memória das perseguições sofridas ainda está muito viva. O que acontece nos Estados Unidos não pode ser transposto para a França.

Por outro lado, mesmo nos Estados Unidos, o evangelicalismo não pode ser reduzido ao nacionalismo cristão. Durante a invasão do Capitólio em 6 de janeiro de 2021, os revoltosos queriam enforcar o vice-presidente Mike Pence, um evangélico fervoroso, mas defensor da democracia e contrário ao golpe de estado. E a principal revista mensal dos evangélicos do país, Christianity Today, fundada pelo pregador Billy Graham (1918-2018) e hoje dirigida por um afro-estadunidense, é anti-Trump.

•        As Igrejas evangélicas são consideradas muito conservadoras, senão francamente reacionárias. Essa é a realidade?

É verdade que os evangélicos são bastante conservadores em matéria de sexualidade e se alinham um pouco mais à direita do que a média da população francesa. Mas eles também expressam um forte apelo pela solidariedade e valorizam o acolhimento do estrangeiro. Uma pesquisa quantitativa realizada na megaigreja Martin Luther King (MLK) de Créteil, em 2025, revelou que mais de 16% das opiniões políticas declaradas se inclinavam para La France insoumise [extrema esquerda] e menos de 4% para o Rassemblement National [RN – extrema direita].

Na França, muitos locais de culto evangélicos são Igrejas "crioulizadas", com uma porcentagem significativa de casamentos mistos, um público que mal suporta o discurso do RN. Isso é bem diferente da situação nas Igrejas dos Estados Unidos, onde a mistura é rara e muitas vezes reina uma forma de segregação implícita.

•        Poderíamos dizer que Donald Trump realizou uma espécie de OPA (tomada de poder) sobre o evangelicalismo nos Estados Unidos?

Certamente, ele o usou cinicamente para chega ao poder, instrumentalizando os ambientes evangélicos brancos. Sem dúvida, comprou em parte seu apoio, com uma troca de favores à qual muitos evangélicos, dependentes das doações, responderam favoravelmente. No entanto, não se pode falar propriamente de OPA, porque isso sugeriria um controle total, que não existe.

•        O que o evangelicalismo nos conta com seu sucesso, diante o declínio do catolicismo e do protestantismo tradicional?

É verdade que pode parecer surpreendente. Quando entrei para o CNRS em 1999, ouvia meus colegas falar sobre o colapso do catolicismo. Para a corrente evangélica, porém, é o oposto. Um dos elementos que explica esse dinamismo é que o protestantismo evangélico se adapta muito bem a uma sociedade democrática, consumista e individualista, enquanto o catolicismo está mais em sintonia com uma sociedade tradicional, baseada na transmissão geracional e na autoridade vertical.

Além disso, as Igrejas evangélicas são mais abertas do que a instituição católica no que diz respeito ao papel das mulheres, inclusive na pregação. E muitos católicos não querem mais um cristianismo em que toda palavra de autoridade venha de um homem.

Finalmente, os jovens recebem responsabilidades durante o culto e são envolvidos em atividades comunitárias, um aspecto positivo em uma sociedade onde os jovens lutam para encontrar seu espaço. Eles também são muito ativos nas redes sociais.

O crescimento dessa corrente religiosa faz parte de uma história global marcada, há 40 anos, pelo triunfo do capitalismo financeiro em detrimento do capitalismo industrial. Isso levou ao enriquecimento da oligarquia financeira, em detrimento das classes médias empobrecidas. A atomização dos laços sociais desestabilizou muitas sociedades, que, portanto, estão em busca de relações. E as Igrejas evangélicas, assim como outras ofertas religiosas — particularmente o islamismo — são lugares de solidariedade. O evangelicalismo e o islamismo constituem hoje as principais ofertas religiosas que atendem as mudanças das sociedades contemporâneas.

•        Como vê o futuro do evangelicalismo?

O crescimento do evangelicalismo não é inexorável. Nos Estados Unidos, a Convenção Batista do Sul perdeu 2 milhões de membros desde o início do século XXI, enquanto havia triplicado o número de membros após a Segunda Guerra Mundial. Acredito também que a união artificial entre Trump e os evangélicos brancos esteja lhes custando caro, mesmo que tenha lhes permitido conquistar posições de poder. Quanto ao Reino Unido, o evangelicalismo continua a perder terreno. Na Coreia do Sul, está se registrando um ligeiro declínio. Em nível mundial, por outro lado, está em crescimento, particularmente na África, China e Sudeste Asiático.

O evangelicalismo ainda tem várias décadas de crescimento pela frente, especialmente na França. Isso dependerá, contudo, da capacidade do catolicismo de se reformar. Se este último conseguir acelerar sua renovação, o evangelicalismo poderá perder força. No entanto, os evangélicos são capazes de atrair tanto ex-católicos quanto pessoas não religiosas (2 em cada 10, em média). Na França, observa-se uma forma de aculturação do evangelicalismo, por meio de figuras como o cantor Kendji Girac e o jogador de futebol Olivier Giroud. Contudo, como no caso do Islamismo, os evangélicos são muitas vezes difamados. Deve-se admitir que, ainda que modestamente, alguns crentes radicais têm potencial para causar danos, mas, na realidade, a vasta maioria desses cidadãos é pacífica. É preciso deixar claro que as minorias religiosas — judaicas, muçulmanas, evangélicas, budistas — onde têm seu espaço, contribuem para construir a França de hoje.

•        “Os evangélicos cresceram em todo o mundo alinhados com a extrema-direita”. afirma Kristin Kobes du Mez

Kristin Kobes du Mez é professora de História na Calvin University, de Michigan. Em seu livro Jesus e John Wayne: como o Evangelho foi cooptado por movimentos culturais e políticos [Editora Thomas Nelson Brasil, 2022], descreve a ascensão da direita evangélica, dos primeiros telepregadores e antifeministas da Guerra Fria à conversão de Trump no presidente da “Maioria Moral”.

<><> Eis a entrevista.

•        Seu livro tem uma abordagem estadunidense, mas a presença do evangelismo na Europa é cada vez mais notável. É um fenômeno mundial em expansão?

O evangelismo conservador é a versão reacionária do cristianismo que está se espalhando por todo o mundo através das missões que as organizações evangélicas estadunidenses exportam para muitas partes do planeta, com mensagens populares e agressivas campanhas de penetração em comunidades locais, através de rádios, televisões e publicações por onde difundem seu credo para dominar o mercado religioso.

E agem com astúcia, combinando as tradições patriarcais com as agendas nacionalistas locais mais retrógradas. Desde a publicação de meu livro Jesus e John Wayne, recebi informações precisas sobre o aumento de sua presença e influência no Canadá, Reino Unido, Austrália, Alemanha, Holanda, China, Brasil, Uganda, Quênia e também na Espanha.

•        Quais são os valores dos evangélicos?

Nos Estados Unidos, querem restaurar a “América cristã” e ordenar a sociedade segundo as leis de Deus. Isto se traduz em uma ênfase hierárquica da autoridade masculina e uma política baseada na “lei e na ordem”.

São pessoas que se opõem aos direitos de gays, lésbicas, bissexuais e transexuais, ao aborto, à imigração, à redistribuição de renda e a qualquer tentativa de abordar as desigualdades sociais, pois apoiam sem rodeios o capitalismo de livre mercado. Também são muito propensos a negar a existência do racismo.

Além disso, enquanto muitos defendem a democracia liberal, o evangelismo branco estadunidense está cada vez mais inclinado a tendências autoritárias. Apoiam as lideranças fortes, mostram muito pouca preocupação com a supressão de direitos civis e acreditam que a violência política pode ser justificada se é para proteger sua visão do que deve ser os Estados Unidos.

Alguns admiram a maneira em que políticos como Putin, Orbán e Meloni lidam com o poder. A facção mais extremista defende que as leis de Deus estão acima de qualquer compromisso com a democracia, pois está convencida de que está construindo sua obra e que Deus está do seu lado.

•        Em plena crise de legitimidade do liberalismo, são um perigo para o sistema?

Sim, absolutamente. O elemento cristão mais radical representa um perigo para a democracia liberal. Acreditam que a finalidade de sua doutrina autoritária justifica os meios. Sentem-se à vontade enfrentando os tribunais, proibindo os setores mais críticos de votar ou fazendo interpretações da Constituição para privilegiar os direitos daqueles que compartilham de sua agenda.

•        Na Europa, e concretamente na Espanha, o número de seguidores tem crescido. Onde está o seu sucesso?

Dedicam enormes recursos financeiros para promover ensinamentos que fazem crescer o seu movimento religioso. Sempre dominam a tecnologia moderna para disseminar mensagens e são incrivelmente acolhedores quando as pessoas entram pela porta de sua igreja desencantadas com um Estado que não lhes oferece qualquer resposta. Tenha presente que os evangélicos oferecem um senso de comunidade e identidade a seus fiéis, em uma época caracterizada pela incerteza econômica e a mudança cultural. São formados na crença divina da prosperidade, que promete sucesso aos seus adeptos, tanto neste mundo como no próximo.

•        É paradoxal que uma doutrina baseada na dominação de classe atraia seguidores entre os setores sociais mais desfavorecidos.

Sim, é assim. Transmitem a ideia de que se alguém é “obediente” e busca a bênção de Deus, receberá sua recompensa na forma de felicidade pessoal e sucesso financeiro. Exaltam os ricos como os santificados por Deus e, portanto, merecedores de sua riqueza, ao passo que os pobres são vistos como culpados por sua penúria, que só podem ser salvos por sua fé.

Misturam habilmente a caridade com a evangelização. Distribuem refeições gratuitas, elaboram programas extraescolares e oferecem ajuda individual à margem das políticas estatais contra a pobreza e a desigualdade.

•        Na Espanha, a direita política tem participado de cerimônias evangélicas para conquistar o voto de seus fiéis, muitos deles migrantes latino-americanos. É uma cópia do que Trump e Bolsonaro já fizeram?

Essa não foi apenas uma estratégia de Trump e Bolsonaro. Essa tem sido a tática constante da direita religiosa em todo o mundo, desde os anos 1960 e 1970. Aproveitam-se da devoção de seus seguidores para se apresentarem como a única opção política realmente cristã.

Começam seu trabalho se posicionando sobre valores familiares como aborto, sexo e gênero, mas acabam apresentando toda a sua agenda conservadora como a única forma de ser um crente fiel.

Nos Estados Unidos, tem sido uma fórmula incrivelmente eficaz para mobilizar eleitores. E não utilizam apenas pastores e igrejas para espalhar sua propaganda, mas também meios de comunicação em que transmitem mensagens políticas bem afinadas para chegar a centenas de milhões de pessoas.

•        A principal organização protestante da Espanha se distanciou dessa corrente evangelista politizada porque “viola o princípio da separação Igreja-Estado”. Qual é a sua opinião?

Não posso falar se esta afirmação é genuína ou apenas mera aparência. O que posso dizer é que muitos evangélicos estadunidenses se declaram apolíticos, enquanto se alinham sistematicamente com a extrema-direita e apoiam o Partido Republicano. E defendem seu comportamento dizendo que suas lealdades políticas são meramente “cristãs”, não partidaristas.

No entanto, é importante destacar que também há líderes evangélicos que consideram que tudo isso não passa de uma submissão religiosa, diante de uma política direitista. Não é que esses pastores sejam esquerdistas ou que votem no Partido Democrata, mas pelo menos reconhecem os perigos que a inclinação de sua congregação à direita representa para o país e para sua fé.

E atenção porque muitos dos que lamentam publicamente a politização da fé acabam apoiando os candidatos republicanos e favorecendo os elementos mais extremistas.

•        Fala-se do poder dos evangelistas nos Estados Unidos, mas não na Rússia, onde também experimentam um crescimento surpreendente.

Por décadas, os estadunidenses se consideraram os oponentes mais resistentes e obstinados do comunismo soviético, por isso é surpreendente ver, atualmente, como alguns evangélicos enaltecem fervorosamente Putin por sua defesa autoritária dos “valores tradicionais”.

Assim como alguns cristãos russos – evangélicos e ortodoxos –, veem Putin como um homem forte que tem tudo o que precisa para enfrentar a esquerda decadente. E muitos deles consideram que apoiar a democracia liberal é fazer o jogo da esquerda.

•        Há muito dinheiro por trás dessas igrejas?

Há uma grande quantidade de dinheiro por trás dessas igrejas, suas redes e organizações, como o Conselho de Política Nacional, que reúne destacados pastores com bilionários para falar de suas doações privadas. Milhares de evangélicos doam 10% de sua renda mensal para suas congregações.

E esse dinheiro é usado para pagar os pastores e toda a sua equipe de assessores, para construir edifícios, financiar missionários, comprar recursos educacionais e alimentar a divulgação. Além disso, as editoras evangélicas são um grande negócio.

Os best-sellers evangélicos costumam vender milhões de cópias, apesar de serem bastante simples e de qualidade questionável. Os circuitos de conferências que organizam também são extremamente lucrativos, e a música e suas rádios se transformaram em indústrias com um gigantesco alcance.

 

Fonte: Entrevista com Sébastien Fath para Virginie Larousse, no Le Monde - tradução de Luisa Rabolini, em IHU/Naiz

 

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