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efeitos econômicos da guerra no Irã além do aumento do preço do petróleo
Pouco
mais de uma semana após o início da guerra entre os Estados Unidos e
Israel contra o Irã,
o conflito já causa impacto na economia global.
Na
segunda-feira (9/3), o preço do petróleo bruto Brent e WTI, referências do
mercado internacional, ultrapassou a marca de US$ 100 (R$ 520) pela
primeira vez desde 2022, embora tenha caído para menos de US$ 95 (R$ 494) no
mesmo dia.
Em
comparação, em 27 de fevereiro, um dia antes do início das hostilidades, o
preço do petróleo bruto Brent e WTI rondava os US$ 70 (R$ 364) por barril.
Este
aumento nos preços dos combustíveis ocorreu principalmente devido ao virtual
fechamento do tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz, após o governo
iraniano ameaçar navios que tentassem atravessar essa
hidrovia, por onde passa aproximadamente 20% do petróleo e gás do mundo.
Mas,
embora o aumento dos preços do petróleo — e da gasolina — fosse claramente
esperado, visto que o conflito envolve o Irã e o Estreito de Ormuz,
especialistas preveem que suas repercussões serão sentidas em outras áreas da
economia e em diferentes partes do mundo.
A BBC
Mundo, serviço em espanhol da BBC, fala sobre três desses efeitos.
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1. Produção de alimentos sob risco
O
conflito atual está afetando os principais exportadores de fertilizantes.
Omã,
Catar, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos são quatro dos maiores
exportadores globais de fertilizantes nitrogenados, segundo dados do Observatório de
Complexidade Econômica.
Esse
tipo de fertilizante é produzido a partir de gás natural e é utilizado em
plantações que produzem cerca de metade do suprimento mundial de alimentos.
Embora
a maioria dos produtores de fertilizantes da região tenha continuado operando
apesar da guerra, a Qatar Energy, uma das principais produtoras de ureia, teve
que suspender suas operações após o fornecimento de gás ter sido interrompido
na semana passada devido a ataques de drones e mísseis iranianos.
Além
disso, os benefícios da continuidade das operações dessas empresas são
limitados pelo fato de que elas não conseguem exportar seus fertilizantes
devido ao fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa um terço do
suprimento mundial de fertilizantes, de acordo com a Bloomberg.
A isso
se soma o fato de o Irã também ser exportador de fertilizantes e a decisão da
China, adotada no final de 2025, de suspender as exportações de fertilizantes
fosfatados e restringir severamente as exportações de ureia até agosto de 2026,
com o objetivo de garantir o abastecimento aos agricultores locais.
Ainda
segundo o Observatório da Complexidade Econômica, a China é a maior exportadora
mundial de fertilizantes nitrogenados.
Como
consequência disso, os preços dos fertilizantes já começaram a subir
significativamente. No Porto de Nova Orleans, principal ponto de entrada desses
produtos nos EUA, o preço dos fertilizantes saltou de US$ 516 (R$ 2.684) por
tonelada métrica para US$ 683 (R$ 3.552) durante a primeira semana da guerra de
preços.
E essa
situação ocorre justamente na época do ano em que os agricultores do Hemisfério
Norte se preparam para o plantio, o que complica ainda mais o cenário.
De
acordo com dados da Federação Americana de Escritórios Agrícolas (FAR, na sigla
em inglês), 25% das importações de fertilizantes do país ocorrem entre março e
abril de cada ano.
"Isso
não poderia ter acontecido em pior hora", disse à BBC o agricultor Harry
Ott, que cultiva algodão, milho e soja na Carolina do Sul, nos EUA.
Analistas
preveem que, caso o conflito continue, os consumidores começarão a sentir o
impacto nos preços dos alimentos dentro de um a três meses, enfrentando custos
mais altos e escassez, já que as colheitas serão menores sem a quantidade
necessária de fertilizantes.
Essa
situação pode se traduzir em fome para os países e pessoas mais pobres.
"O
aumento repentino dos preços dos alimentos e combustíveis, impulsionado pela
escalada do conflito no Oriente Médio, pode ter um efeito dominó que agravará a
fome para as populações vulneráveis na região e em outras partes
do mundo", alertou o Programa Mundial de Alimentos da ONU em um
comunicado.
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2. Restrição da distribuição global de medicamentos
A
guerra em curso no Oriente Médio também está impactando a cadeia de suprimentos
global de medicamentos e produtos farmacêuticos.
Isso se
deve principalmente aos ataques sofridos por Dubai, um importante centro
logístico no setor farmacêutico global.
A
cidade mais populosa dos Emirados Árabes Unidos abriga o aeroporto
internacional mais movimentado do mundo, que recebeu aproximadamente 95 milhões
de passageiros em 2025.
Este
aeroporto também é um importante centro de distribuição de cargas para
medicamentos e outros produtos farmacêuticos, especialmente aqueles que exigem
manutenção da cadeia de frio.
A
indústria farmacêutica da Índia, a maior fornecedora mundial de medicamentos
genéricos e que produz 60% das vacinas do mundo, de acordo com dados do
Departamento de Comércio da Índia, tem como o aeroporto de Dubai um ponto
estratégico de distribuição.
A
companhia aérea Emirates possui um terminal de cargas chamado Emirates
SkyPharma, construído especificamente para lidar com remessas farmacêuticas
sensíveis à temperatura. Dubai também possui o Porto de Jebel Ali, considerado
o nono porto de cargas mais movimentado do mundo e o maior do Oriente Médio.
Segundo
a Autoridade Portuária de Jebel Ali (JAFZA), cerca de 400 empresas
farmacêuticas e de saúde de 60 países operam no porto. A JAFZA destaca que, em
2020, 50% dos produtos farmacêuticos e de saúde de Dubai, avaliados em US$ 21,8
bilhões (R$ 113,4 bilhões), passaram por este porto.
As
exportações farmacêuticas indianas também transitam por este porto, de onde os
produtos são enviados para outros países do Golfo Pérsico, África, Europa e
outros destinos.
Os
ataques militares iranianos causaram danos tanto ao porto quanto ao aeroporto
de Dubai, interrompendo as operações normais devido ao conflito. O transporte
aéreo de carga é crucial para a indústria farmacêutica, especialmente para
remessas de alto valor ou que exigem entrega urgente ou controle de
temperatura.
Embora
existam algumas rotas alternativas para Dubai, muitas têm menor capacidade para
lidar com esses volumes de carga, exigem dias adicionais de viagem e incorrem
em custos mais elevados, o que pode, em última análise, aumentar o preço e a
disponibilidade desses produtos. De acordo com o Departamento de Comércio da
Índia, a indústria farmacêutica do país exportou produtos para 200 países em
todo o mundo, sendo os EUA, o Reino Unido, o Brasil, a França e a África do Sul
os principais destinos.
O
aeroporto e as instalações portuárias de Dubai funcionam simultaneamente como
centros de armazenamento e reexportação desses medicamentos, desempenhando,
assim, um papel central no setor farmacêutico global.
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3. Produção de metais, substâncias químicas e eletrônicos
A
distribuição de elementos químicos como enxofre e de matérias-primas como
alumínio, que desempenham um papel fundamental na produção industrial, também
está sendo impactada pela guerra.
Países
como Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar, Kuwait e Irã estão entre os
principais exportadores de enxofre, um subproduto do refino de petróleo e gás.
De
acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos, 24% da produção mundial de
enxofre tem origem no Oriente Médio.
Grande
parte dessa produção é utilizada para fertilizantes, mas também tem usos
importantes na extração de minerais e metais como cobre e níquel, essenciais
para a produção de eletrodomésticos, veículos, redes elétricas, semicondutores,
baterias e materiais como aço inoxidável, entre muitas outras aplicações.
Nesse
setor, os efeitos da guerra já são sentidos. Durante a primeira semana do
conflito, companhias mineradoras de níquel na Indonésia — país responsável por
mais de 50% do níquel mundial — anunciaram cortes na produção devido a
interrupções no fornecimento dos países do Golfo, que fornecem 75% do enxofre
utilizado por essas empresas.
Como
alertou a Reuters, alguns produtores de cobre na África provavelmente enfrentam
uma situação semelhante.
"Uma
disputa pela oferta colocaria refinarias de níquel indonésias contra
mineradoras de cobre africanas, e ambas contra fabricantes de fertilizantes em
todo o mundo, que também buscam substitutos para o enxofre do Oriente
Médio", observou a Reuters.
Como o
ácido sulfúrico — que é produzido com enxofre — é um dos componentes mais
importantes para a fabricação de semicondutores e chips, interrupções no
fornecimento desse produto químico podem impactar a produção de inúmeros
produtos considerados essenciais na vida moderna, como smartphones,
computadores, cartões de memória, veículos e inúmeros dispositivos eletrônicos
usados em residências,
empresas e fábricas.
Esta
não é a primeira vez que o mundo enfrenta uma situação como essa. Durante a
pandemia de covid-19, a escassez de chips impactou tanto os volumes de produção
desses dispositivos quanto o preço final que os consumidores tiveram que pagar.
Desta
vez, há um fator adicional: a alta demanda por chips por parte de empresas que
desenvolvem e implementam modelos de inteligência artificial.
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Novo líder supremo do Irã promete seguir bloqueio no
Estreito de Ormuz e 'vingar o sangue' dos iranianos mortos
O novo
líder supremo do Irã, o aiatolá Mojtaba Khamenei, disse nesta quinta-feira
(12/3) que o Irã ainda deve usar o "bloqueio do Estreito de Ormuz como
instrumento de pressão".
Uma
mensagem de Khamenei foi lida por um apresentador da TV estatal iraniana.
Khamenei
disse que o Irã tem uma política de "amizade" com os países vizinhos,
mas os aconselhou a fechar as bases americanas, que, segundo ele, o Irã
continuará a atacar.
Mojtaba Khamenei ainda não foi
visto publicamente desde que assumiu o lugar de seu pai no começo desta semana.
Ele
disse que o Irã não hesitará em "vingar o sangue dos iranianos" que
foram mortos, destacando o caso de Minab, onde um ataque dos EUA perto de uma escola
matou 168 pessoas, incluindo cerca de 110 crianças.
O Irã
afirma que a escola foi atingida por um míssil americano. O secretário de
Defesa dos EUA, Pete Hegseth, disse à BBC na semana passada que as autoridades
americanas estão investigando o caso.
Quase
ao mesmo tempo em que a declaração do líder supremo era lida na televisão no
Irã, o presidente americano, Donald Trump, publicou nas suas redes sociais que
os EUA vão lucrar com a alta dos preços globais da energia.
"Os
EUA são, de longe, o maior produtor de petróleo do mundo, então, quando os
preços do petróleo sobem, ganhamos muito dinheiro", disse Trump, no Truth
Social.
"Mas,
de interesse e importância muito maiores para mim, como presidente, é impedir
que um império maligno, o Irã, tenha armas nucleares e destrua o Oriente Médio
e, de fato, o mundo. Eu jamais permitirei que isso aconteça!"
Os preços do petróleo voltaram a subir nesta
quinta-feira, chegando a atingir US$ 100 por barril, após mais três navios
cargueiros serem atacados no Golfo Pérsico, em meio à guerra envolvendo Irã,
Estados Unidos e Israel.
Dois
petroleiros foram atingidos por um "projétil desconhecido" perto do
Iraque e um navio porta-contêineres foi atacado perto dos Emirados Árabes.
A alta
dos preços do petróleo ocorre mesmo depois que os 32 países concordaram
em liberar 400 milhões de barris de
reservas emergenciais,
em um esforço para acalmar os mercados.
Na
quarta-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, havia dito que o preço do
petróleo cairia: "Vai cair mais do que nós, do que qualquer um,
imagina".
No
Líbano, novos ataques israelenses
mataram várias pessoas, incluindo pelo menos oito na orla de Beirute.
Novos
ataques iranianos foram relatados em toda a região, incluindo no Bahrein e em
Omã. Em Dubai, um arranha-céu foi atingido por um aparente ataque de drone.
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Ataques a navios
Mais
três navios comerciais foram atacados durante a noite, de acordo com a UK
Maritime Trade Operation (UKMTO), a autoridade britânica de navegação marítima,
que continua aconselhando os navios a "navegarem com cautela" pela
região.
Treze
navios já haviam sido atacados no Golfo Pérsico, no Estreito de Ormuz e no
Golfo de Omã, entre 28 de fevereiro e 11 de março, informou UKMTO antes dos
novos incidentes de quinta.
Dois
navios foram atacados no litoral do Iraque. Por volta da 1h30 do horário local,
dois petroleiros foram "atingidos por um projétil desconhecido" a 9
quilômetros da costa do Iraque, no norte do Golfo Pérsico.
Ambos
os navios relataram incêndios a bordo após serem atingidos, segundo a UKMTO,
que acrescentou que todos os tripulantes foram evacuados. Já a Agência de
Notícias Iraquiana (INA) informou que 38 tripulantes foram resgatados e uma
pessoa morreu, citando um oficial militar.
O
diretor-geral da Companhia Geral de Portos do Iraque (GCPI) informou que as
operações nos terminais de petróleo foram suspensas, mas os portos comerciais
seguem funcionando.
Um
navio foi atacado no litoral dos Emirados Árabes. Às 6h19 no horário local, a
UKMTO disse ter recebido um relato de um navio porta-contêineres "atingido
por um projétil desconhecido, causando um pequeno incêndio a bordo", a 64
quilômetros do litoral dos Emirados Árabes, próximo ao Estreito de Ormuz. Todos
os tripulantes foram salvos.
A causa
de ambos os ataques ainda está sendo investigada.
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Petróleo
Os
preços da energia vêm tendo forte oscilação desde o início da guerra, com uma
grande disparada que fez o barril atingir US$ 120 na segunda-feira (9/3), mas
recuar no dia seguinte.
Na
quarta-feira, todos os 32 membros da Agência Internacional de Energia (AIE)
anunciaram a liberação de 400 milhões de barris — aproximadamente o consumo
mundial de quatro dias — em resposta às preocupações com o abastecimento.
A
intervenção da AIE foi significativa, mas a entidade não tem capacidade de
fazer isso com frequência. Operadores do mercado seguem preocupados com a
indefinição sobre por quanto tempo o Estreito de Ormuz permanecerá uma zona de
perigo para petroleiros.
Martin
Ma, do Instituto de Tecnologia de Singapura, diz que os investidores esperam
que esse conflito seja "prolongado" — o que explica por que a
liberação das reservas de petróleo proporcionou pouco alívio nos mercados e
serve apenas como uma "amortecimento temporário".
A
Guarda Revolucionária do Irã emitiu um alerta dizendo que os inimigos do Irã
"não conseguirão baixar artificialmente o preço do petróleo" e que em
breve ele deverá chegar a "US$ 200 por barril".
Falando
a seus apoiadores no Kentucky na quarta-feira, o presidente dos EUA disse que a
decisão de 32 países de liberar reservas emergenciais "reduziria
substancialmente os preços do petróleo".
"O
preço do petróleo vai cair. Isso é uma questão de guerra. É quase possível
prever. Eu diria que subiu um pouco menos do que pensávamos. Vai cair mais do
que nós, do que qualquer um, imagina", disse Trump.
Ele
disse que os EUA "analisariam com muita atenção" o Estreito de Ormuz,
acrescentando: "O estreito está em ótimas condições. Destruímos todos os
barcos deles. Eles têm alguns mísseis, mas não muitos."
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Conflito continua
Várias
pessoas morreram em ataques aéreos israelenses no Líbano nesta quinta-feira,
incluindo pelo menos oito na orla marítima de Beirute, longe do reduto do
Hezbollah, que era o principal alvo dos bombardeios israelenses.
O
Hezbollah disparou dezenas de foguetes através da fronteira com Israel em um
ataque aparentemente coordenado com seus aliados iranianos. A noite passada foi
de intensos bombardeios por toda a cidade, com fortes explosões sendo ouvidas
na área de Dahia, no sul de Beirute, um reduto do Hezbollah de onde milhares de
pessoas já fugiram devido aos intensos ataques, afirma o repórter da BBC Wyre
Davis.
Alguns
ataques aéreos também atingiram outras partes de Beirute, incluindo a orla
marítima da Corniche, em Ramlet al-Baida.
O
Hezbollah afirmou ter lançado mais de 100 foguetes contra Haifa e outras partes
do norte de Israel.
O Irã
também segue atacando alvos em diversos países.
No
Bahrein, um grande incêndio atingiu tanques de petróleo e combustível perto do
aeroporto internacional do país. A fumaça era tão forte que as autoridades
pediram à população que fechasse as janelas de suas casas.
Em Omã,
bombeiros tentavam conter um incêndio em tanques de armazenamento de
combustível nesta quinta-feira, resultante do ataque de ontem ao porto de
Salalah. Omã também ordenou a evacuação de embarcações em seu terminal de
exportação de petróleo como medida de precaução.
A
Guarda Revolucionária também alertou que instituições financeiras ocidentais
agora são alvos legítimos, após um ataque a um banco iraniano.
Bancos
internacionais têm fechado seus escritórios no Golfo — o HSBC no Catar, e o
Citi e o Standard Chartered em Dubai — orientando os funcionários a ficarem em
casa.
Um
arranha-céu em Dubai foi fotografado com um grande buraco na manhã de
quinta-feira, depois que o governo local informou que um drone "caiu no
prédio". Não está clara a origem do drone.
Fonte:
BBC News Mundo

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