Dono
do Master, Daniel Vorcaro patrocinou evento da Globo em Nova Iorque
As
Organizações Globo — que nas últimas semanas se transformaram, mais uma vez,
numa espécie de tribunal da inquisição midiática, decidindo quem merece ou não
arder na fogueira por manter proximidade com o banqueiro Daniel Vorcaro — foram
beneficiadas de forma generosa pelo dinheiro do fundador do Banco Master.
Em maio
de 2024, Vorcaro foi o principal patrocinador de um evento organizado em Nova
Iorque elo jornal Valor Econômico, do Grupo Globo, ao qual compareceram
empresários, governadores e lideranças políticas variadas — entre eles, Cláudio
Castro (PL-RJ) e Ronaldo Caiado (PSD-GO).
O
logotipo do Master aparecia em destaque no banner, ao fundo do palco onde os
debates ocorriam, no luxuoso Hotel Plaza de Nova Iorque, no momento em que o
diretor da Editora Globo, Frederic Kachar, tomou a palavra para abrir o evento.
Kachar deixou claro que entre Globo e Vorcaro havia algo mais do que dinheiro e
patrocínio. Preste atenção nas palavras usadas pelo diretor de um dos braços
das Organizações Globo:
“A
gente tem alegria de ter patrocinadores de empresas que a gente admira e que eu
tenho privilégio de ser amigo. Muito obrigado ao Banco Master [sorri e aponta
para a plateia, onde estava o então banqueiro] na figura de seu presidente
Daniel Vorcaro, que apresenta o seminário de hoje”.
Em
seguida, o preposto da família Marinho agradece também a Ricardo Magro, da Gulf
Combustíveis, outra patrocinadora do evento novaiorquino. Magro é considerado o
maior sonegador de impostos do Brasil, e vive hoje escondido nos Estados
Unidos. No começo de 2026, o presidente Lula chegou a sugerir ao governo Trump
a extradição do empresário, que é dono do Grupo Refit e foi alvo da Operação
Carbono Oculto, que investiga as relações do crime organizado com o setor de
combustíveis.
O
evento da Globo, portanto, tinha como patrocinadores um suspeito de integrar a
maior rede de sonegação e lavagem de dinheiro do país e um banqueiro que está
preso por, entre outras coisas, manter uma rede de mafiosos para intimidar os
que ousavam desafiá-lo.
A Globo
não integrava o grupo de zap batizado por Vorcaro de “A Turma”. Mas o evento de
2024 mostra que Vorcaro, naquela época, era da turma da Globo. Tudo isso foi
revelado pelo site Correio da Manhã, que
expôs a íntegra do vídeo do evento transmitido pelo jornal Valor. O Correio da
Manhã calcula que o patrocínio do banqueiro presidiário a um evento como esse
das Organizações Globo “não sairia por menos de R$ 10 milhões”, ou seja, três
meses do contrato do escritório de Viviane Barci, mulher do ministro Alexandre
de Moraes, com o Master.
O
referido contrato seria indício de uma suposta “compra de acesso” do Master
junto ao ministro do STF. É o que dizem ou insinuam colunistas e comentaristas
da Globo, sendo que um deles (Fernando Gabeira) chegou a sugerir o fechamento
do Supremo Tribunal Federal, que deveria arder na fogueira da inquisição
global.
Mas
será que a Globo — ao esconder as relações pecuniárias do grupo midiático com
Vorcaro e as relações orgânicas da família Marinho com aqueles que protegeram o
Master no Banco Central (veja mais abaixo como Roberto Campos Neto virou
executivo de uma empresa da família Marinho) — tem independência para atuar
como inquisidora nesse caso? Por que a Globo mira todos seus canhões contra o
STF e poupa Campos Neto — que hoje é funcionário da família Marinho no Nubank?
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Vorcaro, o pensador, amigo de “Fred” Kachar da Globo
Ao
pagar o patrocínio no evento da Globo, Vorcaro comprou acesso à elite
endinheirada. Tudo sob as bênçãos da família Marinho.
O mais
saboroso — e assustador — é observar como Vorcaro se dirige à nata do capital
brasileiro no evento em Nova Iorque. Ao subir ao púlpito, ele é ouvido como se
fosse um sábio, um empresário vencedor, autorizado a pontificar sobre a
democracia e as instituições brasileiras, chegando a comentar os efeitos da
Lava Jato no país.
Mal
sabia que estava falando de corda em casa de enforcado: a Globo ainda não se
desgarrou do lavajatismo do qual foi sócia majoritária, ajudando a incensar
Sergio Moro e outros malandros de Curitiba (a família Marinho, lembremos,
chegou a entregar o prêmio “Juiz que faz a diferença” ao magistrado suspeito
das araucárias).
Em Nova
Iorque, era Vorcaro quem ganhava o selo de aprovação da família Marinho: um
banqueiro que faz a diferença. Amigo do poderoso Kachar, executivo da Globo
famoso por participar de celebrações cafonas em que assumia o papel de DJ
(jornalistas que frequentaram as tais festinhas dizem que a performance de
Kachar era sofrível), Vorcaro pisou firme no palco e disse frases como as que
transcrevo abaixo:
“Fiquei
muito honrado com o convite do ‘Fred´. O [jornal] Valor tem sido um baluarte
para nossa nação, ‘Fred’. O Valor tem sido uma referência e um norte para nós
brasileiros, com informação sempre precisa e isenta. Cumprimento ao ‘Fred´ e
toda a equipe que eu admiro bastante — Lauro, Maria Fernanda, Álvaro, Malu e
todos demais pelos quais tenho uma admiração enorme”.
Na
sequência, elogia a democracia brasileira e louva a “segurança jurídica”
proporcionada pelo desenho institucional brasileiro, advindo da Constituição de
1988:
“Tivemos
crises institucionais, passamos por uma Lava Jato, mas saímos disso tudo mais
fortes. Se tem uma democracia que foi forjada a ferro e fogo, é a democracia
brasileira. Acredito que a gente tem Três poderes que são fortes, se
complementam, se auditam, e é algo que a gente tem que bater no peito e se
orgulhar. Nós temos sim segurança jurídica, todo esse passado recente mostra o
quão forte é nossa democracia e o quanto a gente tem de segurança jurídica em
nosso país”.
Vorcaro
achava que a “segurança jurídica”, no caso do Master, seria construída
garantindo acesso ao poderes da República e, claro, soltando um dinheirinho
para o Grupo Globo, porque ninguém é de ferro.
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Vorcaro, rei do camarote no Rio
Menos
de dois anos se passaram, entre ele ser tratado como sábio e amigo em Nova
York… e depois ser escorraçado como banqueiro que corrompe as instituições,
ajudando no roteiro usado sob encomenda para derrubar Xandão e soltar
Bolsonaro.
Frederic
Kacher, ou “Fred” para os íntimos, tinha relações tão próximas com Vorcaro que
editora Globo e Master acertaram uma parceria no camarote do Carnaval carioca,
pelo menos entre 2022 e 2024. por ali circulavam artistas e influenciadores.
Muitos vestiam camiseta carnavalesca que estampava logomarcas da revista Quem
(editora Globo) e de O Globo, lado a lado com a do banco Master.
Matéria
publicada no jornal carioca, em fevereiro de 2023, avisava que o Camarote
Quem/O Globo tinha “ganho decoração em homenagem aos cartões postais do Rio”, e
anunciava boca livre nos comes e bebes: “a ideia é que a galera coma mesmo, sem
perrengue e sem filas”. Durante a festa, dizia o festivo jornal, “as marcas
parceiras prepararam mimos para fazer o folião convidado ainda mais feliz”. E
por fim contava que tudo era pago com “patrocínio máster de Fit Combustíveis,
Cedae, Banco Master”, entre outros.
Quem
paga os mimos tem preferência, claro! Pessoas que circularam pelo camarote
naqueles anos contam que Vorcaro agia como anfitrião, como o verdadeiro dono da
casa no camarote da Globo.
De
novo, cabe a pergunta: ministro do STF tomar whisky, sob patrocínio de Vorcaro
em Londres, é suspeito e questionável? Sim. Mas o que dizer de um grupo de
mídia que ajudou a construir a figura de Vorcaro como alguém respeitável,
abrindo as portas para que transitasse junto à elite brasileira – aceitando que
ele patrocinasse eventos no Carnaval carioca e nos hotéis de luxo em Nova York?
O
banqueiro presidiário e o tal “Fred” da editora Globo aparentemente mantiveram
até relacionamento amoroso com a mesma atriz: namoraram Monique Afradique. No
caso de “Fred”, foi um namoro público, que circulou com ela por salões
endinheirados Brasil afora. Já Vorcaro teria usado o codinome “Allan do TI”
para esconder Monique em sua agenda de contatos, a que a PF teve acesso.
Tudo
isso seria de natureza absolutamente íntima, não fosse um indício a mais de que
Vorcaro, o banqueiro bandido, e “Fred”, o chefão na Globo, frequentavam os
mesmos ambientes e se relacionavam com as mesmas pessoas.
Foi
Frederic Kachar, aliás, quem transformou o polêmico e açodado Diego Escosteguy
em diretor da revista Época, entre 2015 e 2018. Conhecido por ter sido um dos
mais duros lavajatistas na época gloriosa de Moro, e por pressionar colegas
jornalistas ao exigir que seguissem a mesma linha de jornalismo engajado com a
direita, Escosteguy é acusado agora de algo mais grave: ter recebido R$ 2
milhões de reais, para publicar matérias favoráveis a Vorcaro no site O
Bastidor, que ele criou depois de sair das Organizações Globo.
Escosteguy
nega que seja um jornalista corrupto. E diz que recebeu os recursos de Vorcaro
como pagamento por publicidade – isso
tudo num site que parece ser um fracasso de público mas um sucesso master no
departamento comercial.
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Campos Neto e a família Marinho
A
parceria entre a família Marinho e o banqueiro Roberto Campos Neto não é apenas
ideológica. Isso talvez explique por que o ex-presidente do BC tem sido poupado
no noticiário da Globo sobre o caso Master.
A
família Marinho, cujos negócios midiáticos cresceram exponencialmente sob
patrocínio da ditadura militar à qual serviu o avô de Campos Neto, é defensora
radical de privatizações, de feroz ajuste fiscal, de nova “reforma
previdenciária” que puna os trabalhadores ainda mais e de “autonomia” total
para o Banco Central. Nisso tudo, Globo e Campos Neto são parceiros.
Há, no
entanto, uma relação orgânica, pouco exposta ao grande público. Depois de sair
do Banco Central, como herói da Faria Lima, e de usar a camisa amarela ao votar
para mostrar que é um quadro do bolsonarismo, Campos Neto foi contratado como
principal executivo do Nubank – instituição da nova geração financeira, que
cresce sem parar.
Acontece
que a família Marinho é sócia declarada do Nubank. Em julho de 2024, de forma
discreta, o mercado foi informado em matérias da imprensa especializada que a
Globo Ventures adquirira participação no Nubank: não comprou ações nem fez
aporte de capital, mas foi construindo a sociedade na base da permuta.
Ou
seja: a Globo ofereceu espaço publicitário na TV, em troca de uma parcela
crescente de ações do banco digital. O Nubank, por exemplo, surgiu com destaque
em dezenas de comerciais no horário mais caro da publicidade global: o
intervalo do Jornal Nacional (JN).
Roberto
Marinho Neto, CEO da Globo Ventures, defendeu a estratégia comercial da
família, numa entrevista em que afirmou, em julho de 2025: “o futuro será das
marcas capazes de renovar estratégias, testar hipóteses e investir em parcerias
inovadoras”. Entre as parcerias, Marinho Neto (conhecido por ser um empolgado
torcedor do Flamengo, a ponto de fretar aviões com amigos para ver jogos do
time no exterior) citou os casos do Nubank e do Quinto Andar como “duas marcas
disruptivas, inovadoras e admiráveis”.
Não há
como confirmar se uma das estratégias disruptivas de Marinho Neto foi sugerir o
nome de Campos Neto para dirigir o Nubank, em julho de 2025. O ex-presidente do
Banco Central é hoje o principal executivo do banco digital, que contratou
também outro nome egresso do BC: Otávio Damaso foi diretor de Normas e
Regulação do BC e, após cumprir a quarentena obrigatória, entrou pela porta
giratória do Nubank, para cuidar exatamente da mesma área de regulação.
Ora,
Otávio Damaso coordenou a fiscalização no BC justamente no período em que a
autoridade monetária não parece ter visto nada de anormal nas ações de Vorcaro,
permitindo a ele obter o registro oficial para operar o Master — isso depois de
o banqueiro visitar a sede do BC por 24 vezes, na gestão Campos Neto — como
mostrou reportagem exclusiva do ICL Noticias. Em relação a Damaso, diga-se, não
há indícios de mal feitos. Mas o que fica é a impressão de uma regulação
leniente, para dizer o mínimo.
O que
temos aqui, em resumo?
1. Campos Neto e seus diretores no BC jamais
incomodaram Vorcaro, permitindo que ele cometesse barbaridades operacionais que
levaram à liquidação do Master (e a liquidação só ocorreu pós Gabriel Galípolo
assumir o BC), deixando um rastro de destruição em fundos de previdência
pública e prejuízos para milhares de investidores.
2. Campos Neto e um de seus diretores
(justamente o Diretor de Normas e Regulação), ao sair do BC, refugiaram-se sob
o guarda-chuva do Nubank — que foi um dos bancos a vender papéis do Master
(CDBs com taxas fora do padrão).
3. A Globo, sócia do Nubank, tenta
transformar o escândalo do Master (que cresceu sob a batuta de Campos Neto no
BC, e chegou a patrocinar ações da própria Globo), num “escândalo do STF”. A
estratégia cai como uma luva para os bolsonaristas e seus aliados na Faria
Lima.
4. Ao agir assim, na prática, a Globo ajuda
a blindar um executivo que trabalha em empresa da família Marinho: o
bolsonarista Campos Neto.
As
Organizações Globo parecem tão preocupadas em esconder essa teia de relações
que nesta quarta-feira (11) publicaram uma “vacina” em forma de “apuração”, no
blog de uma jornalista da casa. A notícia é que o Planalto estaria tentando
“concentrar o foco da crise na atuação do Banco Central durante a gestão de
Campos Neto”.
Ora,
não é o Planalto que pode levar o caso para o colo de Campos Neto, mas a
realidade. O Banco Master e sua quebra só existiram porque um quadro do
bolsonarismo, que hoje é funcionário da família Marinho como executivo do
Nubank, permitiu que isso ocorresse.
Mais
que isso: Vorcaro só ganhou notoriedade e espaço junto à elite brasileira
porque teve a chancela da família Marinho, ao patrocinar/apresentar evento em
Nova Iorque e ao bancar parte do camarote da Globo na Sapucaí.
Se
faltava desenhar, aí está o quadro completo.
• PF apreendeu envelope com Vorcaro
escrito “Congresso” durante operação
A PF
(Polícia Federal) se debruça sobre um envelope pardo encontrado na casa do
ex-banqueiro Daniel Vorcaro, em Brasília, durante a primeira fase da operação
Compliance Zero, em novembro do ano passado.
O
motivo do foco dos investigadores neste documento é que nele estava escrito, à
mão, “Congresso” e levantou suspeitas dos investigadores sobre a relação de
Vorcaro com parlamentares. Naquela primeira fase, ainda sem acesso ao conteúdo
do celular do preso, a PF não tinha a dimensão de todas suas ligações com o
mundo político.
Com
base nessa apreensão, já naquela época, a defesa de Vorcaro pediu que o caso
subisse de instância para o STF (Supremo Tribunal Federal), que é a esfera
responsável por relatar casos envolvendo políticos com foro privilegiado.
Antes
de ir ao STF, o caso estava na Justiça Federal de Brasília, com o juiz Ricardo
Soares Leite, que determinou a prisão de Vorcaro e o afastamento do então
presidente do banco BRB, Paulo Henrique Costa.
O nome
do juiz aparece nas mensagens encontradas no celular de Vorcaro após quebra de
sigilo. O ex-banqueiro pergunta a uma person sem identificação se ela conhece o
juiz. A mensagem foi enviada antes da operação da PF, o que reforçou a suspeita
de que ele recebia informações antecipadas de ações contra ele.
A
informação do envelope encontrado pela PF foi noticiada pela Veja e confirmada
pela CNN Brasil com base no auto de apreensão e fontes da investigação.
O
conteúdo do envelope é outra frente de investigação de ligação de Vorcaro com
políticos que pode estar associado ao seu celular.
Em
fevereiro deste ano, a CNN revelou que a PF encontrou citações a políticos no
aparelho do ex-banqueiro desde 2022, com base em trocas de mensagens e citações
a parlamentares com foro privilegiado.
Na
semana passada, a reportagem teve acesso ao conteúdo da quebra de sigilo
telefônico de Vorcaro e nele mostra troca de mensagens e citações ao senador
Ciro Nogueira (PP) e ao presidente do União Brasil, Antonio Rueda. Também há
menções a “Alexandre Moraes” em possível referência ao ministro do STF e houve
citação ao deputado federal João Carlos Bacelar (PL-BA) entre as apreensões.
Todos
os citados negam qualquer envolvimento com fraudes ou recebimentos de vantagens
indevidas de Vorcaro.
Fonte:
ICL Notícias/CNN Brasil

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