Lula
e a estratégia da soberania contra a falsa pacificação da extrema-direita
Quando
Washington atacou o Brasil com tarifas, pressões diplomáticas e retórica contra
instituições, o país reagiu com unidade e o governo Lula atingiu seu auge de
popularidade. Agora, a extrema-direita tenta deslocar o eixo do debate com uma
falsa conciliação institucional destinada a tornar Flávio Bolsonaro um
candidato aceitável e recolocar o Brasil na órbita da dependência. A resposta
estratégica passa por recolocar no centro da disputa aquilo que realmente
mobiliza o povo brasileiro: soberania, autodeterminação e liberdade para se
desenvolver.
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Soberania como eixo da disputa política brasileira
Quando
os Estados Unidos passaram a pressionar o Brasil com tarifas, ameaças
diplomáticas e ataques retóricos a instituições brasileiras, o país reagiu com
algo raro na política contemporânea. Surgiu um sentimento amplo de defesa da
soberania nacional. Foi nesse contexto que o governo Lula atingiu seu auge de
popularidade no terceiro mandato. Washington criticava o Brasil, setores da
extrema-direita reproduziam internamente essa pressão e o conflito se tornava
claro para a sociedade. De um lado estava a defesa da autonomia nacional. Do
outro, um campo político disposto a alinhar o país aos interesses estratégicos
dos Estados Unidos. Agora, diante da reorganização eleitoral da
extrema-direita, surge uma nova narrativa. A chamada pacificação institucional.
Apresentada como conciliação, ela cumpre uma função muito mais concreta.
Reabilitar o bolsonarismo, tornar Flávio Bolsonaro um candidato aceitável e
deslocar o eixo do debate para longe do que realmente mobiliza o povo
brasileiro. Soberania, autodeterminação e liberdade para se desenvolver.
Esse
quadro ajuda a compreender por que a narrativa atual de pacificação não pode
ser analisada fora do contexto histórico recente. Durante o governo Jair
Bolsonaro, o alinhamento político e diplomático com Washington tornou-se um dos
traços mais marcantes da política externa brasileira. Em 2019, o Brasil
anunciou a isenção unilateral de vistos para cidadãos dos Estados Unidos,
Canadá, Japão e Austrália, abrindo mão de exigir reciprocidade imediata. No
mesmo período, o governo brasileiro apoiou a estratégia norte-americana de
isolamento da Venezuela e acompanhou iniciativas diplomáticas lideradas pela
Casa Branca na região. Em março daquele ano, Bolsonaro foi recebido por Donald
Trump em Washington e o encontro resultou em uma série de compromissos que incluíam
cooperação militar ampliada, apoio dos Estados Unidos à entrada do Brasil na
Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico e o reconhecimento do
país como aliado preferencial extra-OTAN. Esses movimentos foram apresentados
como avanços diplomáticos, mas também indicaram uma mudança significativa de
orientação. Pela primeira vez em décadas, setores importantes da política
externa brasileira passaram a operar sob a lógica de alinhamento automático a
Washington, rompendo com a tradição histórica de autonomia relativa que havia
marcado a atuação internacional do país desde a redemocratização.
Esse
histórico ajuda a entender por que os acontecimentos recentes devem ser
analisados com atenção. A relação entre Brasil e Estados Unidos voltou a entrar
em uma fase de tensão aberta nos últimos anos. Tarifas comerciais, pressões
diplomáticas e declarações públicas de autoridades norte-americanas voltaram a
colocar o Brasil no centro de disputas geopolíticas que ultrapassam a política
interna. Ao mesmo tempo em que Washington busca preservar sua influência
estratégica na América Latina, o Brasil passou a afirmar com mais clareza uma
política externa voltada para a multipolaridade, ampliando relações com países
do Sul Global, fortalecendo os BRICS e defendendo maior autonomia nas decisões
econômicas e tecnológicas. Esse movimento inevitavelmente produz fricções.
Grandes potências operam a partir de interesses concretos e raramente aceitam
sem resistência a expansão da autonomia de países com o peso econômico e
político do Brasil. Nesse cenário, cada disputa comercial, cada pressão
diplomática e cada tentativa de influenciar o debate político interno revelam
algo mais profundo. Revelam que a soberania brasileira continua sendo um tema
central na disputa internacional.
Foi
justamente nesse ambiente de tensão que um fenômeno político importante começou
a se tornar visível. À medida que os Estados Unidos intensificavam pressões
comerciais, declarações críticas e movimentos diplomáticos dirigidos ao Brasil,
a reação interna não foi de isolamento do governo brasileiro, mas de
fortalecimento do sentimento nacional. A defesa das instituições e da autonomia
do país passou a ocupar o centro do debate público. Nesse contexto, o governo
Lula registrou seu momento de maior popularidade no terceiro mandato. A razão
não é difícil de compreender. Quando um país percebe que sua autonomia está
sendo questionada por pressões externas, a política deixa de ser apenas uma
disputa entre partidos e passa a ser interpretada como uma questão de dignidade
nacional. Foi nesse momento que o eixo soberania voltou a organizar o debate
político brasileiro. E foi também nesse momento que se tornou evidente algo que
parte da extrema-direita prefere ignorar. Donald Trump atacou instituições
brasileiras, criticou decisões do Estado brasileiro e aplicou medidas
econômicas contra o país, mas evitou dirigir ataques pessoais a Lula. A razão é
simples. Trump conhece o peso político internacional de Lula e compreende que
transformá-lo em alvo direto poderia fortalecer ainda mais a percepção de que o
Brasil estava sendo pressionado externamente. O resultado foi claro. Em vez de
enfraquecer o governo brasileiro, a escalada de tensões acabou reforçando o
sentimento de defesa nacional dentro do país.
É
justamente nesse ponto que a narrativa da chamada pacificação começa a ganhar
espaço. Diante das dificuldades políticas acumuladas após os episódios de
ruptura institucional e das investigações que atingiram o núcleo do
bolsonarismo, setores da extrema-direita passaram a defender uma nova linguagem
pública. Em vez do confronto permanente que marcou os anos anteriores, surge
agora o discurso da conciliação institucional, da moderação e da necessidade de
superar divisões políticas. À primeira vista, essa mudança pode parecer um
sinal de amadurecimento democrático. Mas uma análise mais atenta revela outra
dinâmica. A pacificação proposta nesse momento não nasce de uma revisão crítica
do passado recente nem de um compromisso efetivo com a reconstrução institucional
do país. Ela surge como instrumento de reorganização política. Seu objetivo é
deslocar o eixo do debate público, reduzir o peso das responsabilidades
históricas associadas ao bolsonarismo e reconstruir as condições para que esse
campo político volte a disputar o poder sob uma nova aparência.
É nesse
contexto que a figura de Flávio Bolsonaro passa a ocupar um lugar central na
reorganização da extrema-direita. Filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e
senador da República, Flávio aparece como a peça capaz de preservar o núcleo
político do bolsonarismo ao mesmo tempo em que oferece uma imagem pública menos
associada ao confronto permanente que marcou os anos anteriores. A estratégia é
clara. Manter o capital político construído pelo bolsonarismo, mas apresentá-lo
sob uma linguagem de moderação institucional e de suposta responsabilidade
política. A chamada pacificação cumpre exatamente essa função. Ela permite
reconstruir pontes com setores do sistema político, reduzir a resistência de
parte da opinião pública e preparar o terreno para que o bolsonarismo retorne à
disputa eleitoral com uma aparência renovada. Nesse processo, a candidatura de
Flávio Bolsonaro surge como instrumento de normalização de um projeto político
que, na prática, continua profundamente vinculado à lógica de alinhamento externo
e de enfraquecimento da autonomia estratégica do Brasil.
O
problema central dessa operação política não está apenas na tentativa de
reorganização eleitoral da extrema-direita. Ele está no deslocamento do eixo do
debate público que essa narrativa produz. Quando a política brasileira passa a
ser apresentada como uma disputa que precisa ser pacificada a qualquer custo, o
conflito real tende a desaparecer do centro da discussão. E esse conflito é
claro. De um lado está a defesa da soberania nacional, da autonomia política e
da capacidade do país de definir seus próprios caminhos de desenvolvimento. Do
outro está um campo político que, ao longo dos últimos anos, demonstrou
disposição para alinhar o Brasil a interesses estratégicos externos, mesmo
quando isso implicava tensionar instituições democráticas internas. Ao transformar
essa disputa em um problema de polarização que precisaria ser superado por meio
de uma conciliação institucional, a narrativa da pacificação acaba produzindo
um efeito político concreto. Ela dilui o debate sobre soberania e enfraquece
justamente o elemento que mais mobilizou a sociedade brasileira diante das
pressões externas recentes.
Diante
desse cenário, a estratégia para o campo democrático e soberanista precisa ser
clara. O Brasil não enfrenta apenas uma disputa eleitoral convencional. O que
está em jogo é o lugar do país em um sistema internacional cada vez mais
marcado por disputas de poder e influência. A tentativa de deslocar o debate
para uma falsa pacificação institucional não resolve esse problema. Pelo
contrário, tende a obscurecer a questão central que hoje organiza a política
brasileira. Sempre que a soberania nacional esteve no centro do debate, o país
demonstrou capacidade de se unir em torno da defesa de sua autonomia, de suas
instituições e de seu direito de decidir os próprios caminhos de
desenvolvimento. Esse continua sendo o eixo estratégico capaz de mobilizar a
sociedade brasileira. A verdadeira resposta à falsa pacificação não é o
silêncio diante das tensões políticas do presente. É recolocar no centro da
vida pública aquilo que realmente define o futuro do país. Soberania,
autodeterminação e liberdade para que o Brasil cresça e se desenvolva de acordo
com os interesses do seu próprio povo.
¨ Jeferson Miola:
Grande mídia, Três Poderes e elites contra Lula - a história está se repetindo
O
escândalo é Master-bolsonarista, mas a mídia, a oposição e os tentáculos de
Daniel Vorcaro no Congresso, na Polícia Federal (PF) e no judiciário desviam o
foco para Lula, o verdadeiro alvo a
ser atingido e destruído.
O
esquema mafioso de Daniel Vorcaro se sedimentou e se expandiu de modo
exponencial com Bolsonaro, Paulo Guedes e Roberto Campos Neto.
Continua
após o anúncio
Esse
tipo de máfia financeira é um produto genuinamente bolsonarista; é resultado do
afrouxamento das regras do sistema financeiro na gestão Guedes-Campos Neto que
abriu espaço para máfias, esquemas fraudulentos e o crime organizado no mercado
financeiro.
Em
fevereiro de 2019 o Departamento de Organização do Sistema Financeiro do Banco
Central (BC) negou a transferência do controle do Banco Máxima para Daniel
Vorcaro depois de dois anos de análises técnicas e exigências não atendidas,
inclusive de natureza criminal.
Entretanto,
em outubro de 2019, após Roberto Campos Neto assumir a presidência do BC por
designação de Bolsonaro, Vorcaro conseguiu reverter a negativa anterior, mesmo
sem resolver as pendências levantadas por técnicos do BC durante dois anos. A
gestão de Campos Neto tomou a decisão em menos de 6 meses de análise do
processo, autorizando a transferência do Máxima para Vorcaro.
Já em
julho de 2021, com autorização do BC, o Banco Máxima foi rebatizado como Banco
Master, para se reposicionar no mercado “como um banco múltiplo e digital,
focado em crédito consignado e estruturado.”
O Banco
Central não poderia ter autorizado a operação por inúmeros motivos, um dos
quais a existência de mandado de prisão de abril de 2020 contra Daniel Vorcaro
por fraudes e desvios em institutos de previdência de municípios investigados
na Operação Fundo Fake, da PF.
Conforme
a jornalista Mariana
Barbosa, do UOL,
Vorcaro “ficou foragido, entrou com habeas corpus – até que em 2021 uma decisão
da desembargadora Maria do Carmo Cardoso, do Tribunal Regional Federal da 1ª
Região, impediu que ele fosse denunciado criminalmente”.
Mariana
entende que “a prisão de Daniel Vorcaro nesta quarta-feira [4/3] chega com pelo
menos seis anos de atraso. Se a Operação Fundo Fake tivesse ido às últimas
consequências, não teria havido Banco Master” e o desfalque que pode alcançar
mais de 100 bilhões de reais.
Na
eleição de 2022, Vorcaro apostou suas fichas na reeleição de Bolsonaro.
Contribuiu com milhões para as campanhas dele, do governador Tarcísio de
Freitas (Republicanos-SP) e de candidatos da direita e extrema-direita ao
Congresso.
O
cunhado Fabiano Zettel e o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), da igreja
Lagoinha, usaram avião de Vorcaro para agendas de campanha sem prestação de
contas à justiça eleitoral.
Com a
derrota do Bolsonaro e o fim da rede de proteção e blindagem institucional
propiciada a ele por Guedes e Campos Neto, Vorcaro precisou ampliar a
“sociabilidade política” até então restrita ao bolsonarismo.
A
partir de 2023, portanto, ele começou a expandir seus tentáculos nos moldes de
Jeffrey Epstein para além do espectro da direita e ultradireita, como
estratégia de ampliação da rede de influência na mídia, no Congresso, no
Executivo, no Judiciário e no mundo jurídico.
Em
paralelo, Vorcaro continuou contando com a ajuda providencial de prefeitos e
governadores bolsonaristas e lavajatistas do PP, PL, MDB, União Brasil,
Republicanos, etc., que causaram rombos de bilhões de reais nos fundos de
aposentadorias e pensões de servidores públicos para comprar títulos podres do
Master. O caso do governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB) com o BRB
é o mais notório.
Apesar
dessa realidade que vincula o mafioso ao coração do bolsonarismo, a mídia abriu
uma guerra narrativa para arrastar Lula e o governo para o centro do escândalo.
A
Globo, por exemplo, entrou em modo Deltan com um powerpoint infame que coloca
Lula encabeçando o organograma de “Acessos e Conexões de Daniel Vorcaro”.
Estão
tentando alvejar Lula com as falsificações sobre
seu filho Fábio Luís,
e, também, nos ataques ao STF.
Apostam
em debilitar a já frágil governabilidade institucional e democrática do país,
e, assim, abrir caminho para um projeto de poder extremista, fundamentalista e
autoritário.
Lula é
o fator vital que as forças democráticas e civilizadas do país ainda podem
contar para deter o avanço do fascismo e da barbárie no país, por isso ele é o
alvo central a ser destruído.
A
ingenuidade diante desses sinais e sintomas típicos da cultura lavajatista
poderá ser fatal.
A
história está se repetindo mais uma vez como farsa e tragédia neste escândalo
que envolve centralmente políticos, governantes, rentistas, empresários e
outros mafiosos vinculados ao bolsonarismo, mas cujo alvo da mídia, da PF e de
certos juízes é, outra vez, o Lula!
Fonte:
Brasil 247/Diálogos do Sul Global

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