segunda-feira, 16 de março de 2026

"Irã surpreende Estados Unidos e Israel e aponta limites do poder imperial", diz Amauri Chamorro

O analista político e geopolítico Amauri Chamorro afirmou, em entrevista ao programa Forças do Brasil, exibido pela TV 247 no sábado, 7 de março de 2026, que o conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã expôs um erro central de avaliação de Washington e Tel Aviv: a crença de que Teerã seria um Estado frágil, incapaz de sustentar uma resposta militar prolongada. Ao longo da conversa com o jornalista Mário Vítor Santos, Chamorro sustentou que o Irã demonstrou, já na primeira semana de guerra, capacidade de resistência, coordenação institucional e autonomia tecnológica suficientes para alterar o equilíbrio estratégico na região.

A fonte original das declarações é a entrevista concedida por Chamorro ao programa Forças do Brasil, da TV 247. Na avaliação do analista, a principal surpresa para os Estados Unidos, para Israel e também para a opinião pública internacional foi a intensidade da reação iraniana depois do ataque inicial, que matou o líder supremo do país e integrantes da cúpula militar.

Logo no início da entrevista, Chamorro resumiu o diagnóstico que orientou toda a conversa: “A grande surpresa para os Estados Unidos e para a grande maioria das pessoas que vêm acompanhando e vêm sendo impactadas comunicacionalmente pelo que está acontecendo no Irã, é a capacidade de resposta militar dos iranianos”. Para ele, a imagem internacional do país foi construída durante anos a partir de uma narrativa de decadência, pobreza extrema e colapso institucional, incompatível com a realidade material e política do Estado iraniano.

<><> Irã tem riqueza, tecnologia e capacidade de defesa própria

Segundo Chamorro, o Irã foi retratado por parte da mídia ocidental como um país quebrado e sem meios de reação, quando, na verdade, dispõe de enormes reservas energéticas, base científica consolidada e indústria militar própria. Em sua fala, ele rejeitou frontalmente a ideia de que Teerã dependa de terceiros para se defender.

“O Irã é a segunda maior reserva de petróleo leve, que é o petróleo que se usa para fazer gasolina, apenas perde para a Arábia Saudita. É um país que além de ter muito dinheiro, tem muita tecnologia, muito desenvolvimento científico que permitiu que o país tivesse uma autonomia em diversos setores estratégicos. Um deles é o militar”, declarou.

Na mesma linha, ele acrescentou: “O Irã não depende do apoio militar de um terceiro país, não depende de que receba ‘eu preciso comprar um míssil, um drone, um helicóptero, um avião, um tanque, um fuzil de alguém’. O Irã desenvolveu uma capacidade própria”.

Essa autonomia, segundo o analista, foi construída ao longo de décadas de hostilidade externa, sobretudo desde 1979. Para Chamorro, o país se preparou não apenas para uma guerra convencional, mas também para preservar sua capacidade de comando em cenários de assassinato de líderes e destruição de infraestrutura. Foi por isso, disse ele, que a eliminação do líder supremo e de comandantes militares não provocou vácuo de poder nem paralisia decisória.

“Eu posso matar o chefe de Estado iraniano, que é o caso, o aiatolá, ele foi assassinado por Israel. Então não há um vazio de poder. Imediatamente já tinha um substituto, você já tinha substitutos do comandante-chefe das Forças Armadas, do chefe do Exército, da Marinha, que morreram durante o bombardeio”, afirmou.

<><> Estrutura política e religiosa ajuda a explicar a resiliência do Estado

Chamorro dedicou parte importante da entrevista a explicar o funcionamento institucional da República Islâmica. Segundo ele, sem compreender a natureza do sistema político iraniano, torna-se impossível entender por que o país respondeu com coesão após os ataques.

Ele lembrou que, após a Revolução de 1979, o Irã foi reorganizado como uma república islâmica em que coexistem instituições modernas de governo e uma autoridade superior ligada à interpretação do Alcorão. Em sua explicação, o aiatolá não atua como uma figura improvisada, mas como peça central de um arranjo estatal sustentado por um Conselho de Sábios e por mecanismos de decisão colegiada.

“O Irã tem a sua Constituição, tem o seu Congresso, tem o seu Judiciário, tem o seu poder Executivo. Porém, sobre todas as instâncias de poder que a gente conhece, existe o Alcorão”, disse. Em seguida, detalhou: “Você tem um colegiado que decide quem vai ser o líder do Estado. E esse líder tem a função também de zelar para que a Constituição e o funcionamento do país respeitem as leis e a interpretação do Alcorão”.

Na visão do analista, essa engenharia institucional ajuda a explicar o planejamento de longo prazo do país em áreas como economia, educação, defesa e tecnologia. Chamorro afirmou que o presidente iraniano governa, mas não decide sozinho os rumos estratégicos da nação. “Você tem um processo de decisão colegiada sobre o futuro do país”, resumiu.

<><> Resposta militar iraniana impôs custos e expôs fragilidades dos adversários

Um dos pontos centrais da entrevista foi a avaliação de que o Irã conseguiu responder de forma eficiente não apenas do ponto de vista militar, mas também econômico. Chamorro destacou que os armamentos empregados por Teerã têm custo muito inferior aos sistemas acionados por Estados Unidos e Israel para interceptá-los, produzindo uma assimetria favorável ao país persa.

Em uma das passagens mais enfáticas da conversa, ele declarou: “O Irã produz um drone míssil que custa menos que um carro zero no Brasil”. E prosseguiu: “Fabrica mísseis hipersônicos que não conseguem ser detidos pelo famoso domo de ferro de Israel”.

Na comparação de custos, o analista foi taxativo: “Um míssil para tentar derrubar esse míssil custa 4 milhões de dólares. Então o custo em economia de escala para o Irã se defender é infinitamente menor do que os Estados Unidos e Israel gastam para atacá-lo. Ou seja, a eficiência nessa guerra, o Irã está ganhando de lavada”.

Chamorro também mencionou o bombardeio a bases norte-americanas na região e a destruição de radares estratégicos como demonstrações de que o país atacado manteve plena capacidade ofensiva. Para ele, esse quadro desmonta a narrativa de guerra curta e de vitória rápida anunciada no início do conflito.

<><> “O Irã não é a Venezuela”

O título da entrevista remeteu diretamente a uma comparação que circulou no debate político sobre a guerra: a tentativa de aplicar ao Irã a mesma lógica adotada pelos Estados Unidos na Venezuela. Chamorro rejeitou essa analogia de forma categórica.

“Não, não é”, respondeu, ao ser questionado se o Irã seria comparável à Venezuela. Em seguida, explicou: “A Venezuela é um país que não conseguiu atirar um míssil contra um helicóptero que entrou, ficou 15 minutos estacionado, sequestraram o presidente, foram embora. Isso é impensável no Irã”.

Para ele, a referência à Venezuela foi usada pelo presidente Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, como recurso retórico para convencer a opinião pública norte-americana de que a operação contra Teerã poderia repetir o padrão de êxito de uma ação anterior. Mas, segundo Chamorro, qualquer análise minimamente séria de geopolítica mostra que as diferenças entre os dois países são profundas em demografia, capacidade militar, estrutura estatal, densidade histórica e autonomia econômica.

“Ele utilizou isso como uma forma retórica para dar uma mensagem aos Estados Unidos e dizer: ‘Olha, eu sei o que eu estou fazendo, já deu certo com um, vai dar certo com o outro’. Agora não tem absolutamente nada a ver uma coisa com a outra”, afirmou.

<><> Chamorro diz que guerra pode ter relação com crise interna de Trump

Outro eixo da entrevista foi a interpretação de que a guerra não se explica apenas por razões militares ou geopolíticas. Para Chamorro, há também um componente de política doméstica nos Estados Unidos, ligado à crise enfrentada por Donald Trump.

Ele afirmou que o presidente norte-americano foi abalado internamente pela divulgação de documentos, fotos e materiais que, segundo sua fala, comprovariam relação estreita com Jeffrey Epstein e envolvimento em crimes sexuais. A partir desse contexto, levantou a hipótese de que o conflito externo tenha funcionado como tentativa de desviar o foco da crise política interna.

“Nesse momento, o presidente dos Estados Unidos enfrenta um processo por pedofilia”, disse. E acrescentou: “Não é a primeira vez na história que um presidente decide iniciar uma guerra para tentar se salvar internamente”.

Chamorro citou o precedente de Bill Clinton e a guerra nos Bálcãs para sustentar sua leitura histórica. Em seguida, reforçou sua convicção de que a ofensiva contra o Irã não decorreu de um simples erro de cálculo: “É impossível que os Estados Unidos e Israel não soubessem que os bombardeios que eles realizaram, ou que o assassinato do aiatolá e da cúpula das Forças Armadas, não iria afetar em absolutamente nada a linha de comando e a resposta do Irã contra eles”.

<><> Fechamento de Ormuz e instabilidade regional ampliam pressão sobre o Ocidente

Ao comentar os desdobramentos econômicos e estratégicos da guerra, Chamorro apontou o fechamento do Estreito de Ormuz e os ataques a ativos norte-americanos no Golfo como fatores de pressão muito mais amplos do que uma simples batalha regional. Para ele, a crise atinge a presença dos Estados Unidos na Ásia Ocidental e também expõe a vulnerabilidade dos regimes do Golfo, historicamente estruturados sob dependência militar e financeira de Washington.

Na entrevista, o analista lembrou que boa parte desses países nasceu de arranjos coloniais conduzidos por Inglaterra e França após o fim do Império Otomano, consolidando monarquias dependentes da proteção externa. Em sua leitura, o atual conflito os coloca diante da percepção de que a aliança com os Estados Unidos pode se tornar tóxica e imprevisível.

“Esses países começam, sem dúvida alguma, a olhar que ter um amigo como os Estados Unidos é um pouco tóxico”, afirmou. Na sequência, sugeriu que a instabilidade norte-americana tende a ampliar a atratividade da China como parceiro estratégico: “Eu posso fazer mais negócios com a China, que é um país mais estável. Eu sei o que vai acontecer amanhã na China, agora eu não sei o que vai acontecer amanhã nos Estados Unidos”.

<><> Crítica dura a Israel e ao apoio ocidental

Chamorro também fez críticas contundentes ao governo de Benjamin Netanyahu e à sociedade israelense. Em sua fala, o conflito com o Irã não pode ser separado da guerra em Gaza e do genocídio do povo palestino. Ele responsabilizou diretamente o sistema político israelense, sua maioria parlamentar e parte da sociedade pela escalada militar em curso.

“Israel, o governo, o povo de Israel, ele é responsável por isso daqui também”, disse. Em outro trecho, afirmou: “Eles votaram pelo Netanyahu. Ele assassinou, ele cometeu um genocídio contra mais de 35 mil palestinos, grande maioria mulheres e crianças. E o povo de Israel lavou as mãos”.

Sua argumentação sustentou que Israel não pode reivindicar a posição de vítima num conflito que, segundo ele, foi iniciado por Tel Aviv com respaldo de Washington. “Israel não pode se vitimizar”, resumiu.

<><> Venezuela, sequestro de Maduro e limites da resposta bolivariana

Na parte final da entrevista, Chamorro voltou à Venezuela para comentar o sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira-dama Cilia Flores em 3 de janeiro. Segundo ele, a operação foi executada de maneira cirúrgica por forças norte-americanas, com quase nenhuma reação das Forças Armadas venezuelanas. Em sua avaliação, isso revelou grave inoperância ou mesmo algum nível de cooperação interna.

“Houve um sequestro de um presidente com uma ação letal, perfeita, milimétrica, cirúrgica”, declarou. Em seguida, acrescentou: “Não dá para entender como é que a Venezuela, como é que as Forças Armadas não reagiram”.

Ainda assim, ele argumentou que os Estados Unidos optaram por não ocupar integralmente o país porque aprenderam, com Iraque, Líbia, Afeganistão e Síria, que destruir governos é mais simples do que administrar Estados complexos depois da devastação. Na leitura do analista, Washington preferiu impor uma negociação sob coerção, preservando a máquina estatal venezuelana para garantir fluxo de petróleo.

Sobre o futuro da Revolução Bolivariana, Chamorro avaliou que o processo não morreu, mas atravessa uma fase dramática de recomposição sob ameaça permanente. “A Revolução Bolivariana está encontrando seu caminho, tem que se refazer, obviamente, depois de um trauma dessa magnitude”, afirmou.

<><> Guerra revela limites do poder imperial

No encerramento da entrevista, a leitura de Amauri Chamorro foi a de que a primeira semana do conflito produziu um efeito oposto ao desejado por Estados Unidos e Israel. Em vez de quebrar o Irã, os ataques expuseram a capacidade do país de resistir, reorganizar sua cadeia de comando e impor custos militares e econômicos a seus adversários.

Mais do que isso, a guerra teria evidenciado os limites de uma estratégia fundada na superioridade aérea, na pressão midiática e na crença de que a eliminação de lideranças bastaria para implodir um Estado com longa tradição histórica, base tecnológica própria e forte sentimento nacional.

Em uma de suas conclusões mais expressivas, Chamorro sintetizou o sentido político de sua análise: “O mundo de alguma maneira acorda vendo um país que não era muito bem aquilo que tinha sido pintado antes”.

•        Derrotado pelo Irã, Trump diz que vários países enviarão navios para reabrir o Estreito de Ormuz

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou neste sábado (14) que diversos países devem enviar navios de guerra para manter aberto o Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas do comércio global de petróleo. A declaração foi feita em uma publicação do presidente na rede social Truth Social e é um sinal claro de derrota A informação foi divulgada inicialmente pela agência de notícias Reuters.

Segundo a reportagem, Trump não apresentou detalhes sobre quais países já teriam confirmado o envio de embarcações militares para a região, nem quando essa operação poderia começar.

Em sua mensagem, o presidente norte-americano afirmou que a iniciativa seria uma resposta à tentativa do Irã de bloquear a passagem pelo estreito, ponto crucial para o transporte de petróleo e gás natural entre o Golfo Pérsico e o restante do mundo."Muitos países, especialmente aqueles afetados pela tentativa do Irã de fechar o Estreito de Ormuz, enviarão navios de guerra, em conjunto com os Estados Unidos da América, para manter o estreito aberto e seguro", escreveu Trump.

O presidente também citou alguns países que, segundo ele, poderiam participar da operação militar para garantir a segurança da rota marítima. Entre os governos mencionados estão China, França, Japão, Coreia do Sul e Reino Unido.

Apesar da expectativa manifestada por Trump, até o momento não houve confirmação pública de que essas nações tenham concordado em participar de uma operação militar conjunta liderada pelos Estados Unidos.

Enquanto isso, o presidente norte-americano indicou que as forças militares dos Estados Unidos já estariam atuando diretamente na região, com ataques contra posições iranianas próximas ao estreito."Enquanto isso, os Estados Unidos estarão bombardeando intensamente o litoral e continuarão a afundar barcos e navios iranianos", escreveu.

A Casa Branca não respondeu imediatamente aos pedidos de esclarecimento sobre se algum país já teria confirmado o envio de embarcações militares para a região.O Estreito de Ormuz é considerado uma das rotas marítimas mais sensíveis do mundo. Cerca de um quinto de todo o petróleo transportado globalmente passa por esse estreito, que liga o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e ao Oceano Índico.

Qualquer interrupção prolongada no tráfego marítimo na região pode provocar impactos imediatos no mercado internacional de energia, elevando os preços do petróleo e ampliando tensões geopolíticas.

Irã vê “começo do fim” de Israel após guerra com EUA, diz intelectual iraniano

A guerra envolvendo Irã, Israel e Estados Unidos pode marcar uma mudança profunda no equilíbrio geopolítico do Oriente Médio. Para o intelectual iraniano Mohammad Marandi, professor da Universidade de Teerã e especialista em geopolítica, os ataques recentes demonstraram uma vulnerabilidade inédita de Israel e das forças norte-americanas na região. A avaliação foi feita em entrevista concedida ao portal Brasil de Fato, em meio à escalada militar que já dura quase duas semanas.

Segundo Marandi, os danos causados pelos contra-ataques iranianos ao território israelense e a bases militares norte-americanas podem ter consequências históricas para o futuro da região. Em sua avaliação, os impactos vão além do campo militar e atingem diretamente a percepção global sobre o poder de dissuasão de Israel.“O dano causado ao regime israelense é irreversível. No futuro, ninguém vai investir em Israel porque sabem que ele sempre será vulnerável. Acredito que estamos vendo o começo do fim do regime israelense”, afirmou.

Nos últimos dias, o conflito entrou em uma nova fase após uma série de ataques iranianos atingir alvos estratégicos ligados aos Estados Unidos e a Israel no oeste da Ásia. Autoridades iranianas afirmam que bases militares e sistemas de defesa foram atingidos, enquanto analistas ocidentais também relatam sinais de desgaste nas defesas aéreas israelenses.De acordo com Marandi, o desempenho militar iraniano surpreendeu analistas e serviços de inteligência ocidentais, que teriam subestimado a capacidade do país de sustentar uma campanha prolongada de ataques. Ele afirma que, até agora, o Irã tem utilizado majoritariamente armamentos mais antigos.

“Os iranianos têm usado primeiro todos os seus estoques antigos. E mesmo essas armas antigas têm causado danos devastadores. Elas não apenas esgotaram grande parte das defesas aéreas americanas e israelenses, mas muitas delas também conseguiram passar”, declarou.Segundo o professor, o país ainda dispõe de tecnologias mais avançadas que podem ser empregadas caso a guerra se prolongue. Ele afirma que a estratégia iraniana envolve desgastar gradualmente as defesas adversárias antes de ampliar o uso de armamentos mais sofisticados

.Outro fator que, na visão do analista, fortalece a posição iraniana é a capacidade do país de sustentar o conflito por um período prolongado. Para ele, essa resistência estaria relacionada ao desenvolvimento tecnológico interno e à estratégia conhecida como “economia de resistência”, promovida pelo antigo líder supremo Ali Khamenei.“O aiatolá Khamenei foi a figura-chave que promoveu a economia de resistência. Na verdade, essa expressão foi algo que ele começou a usar publicamente”, explicou.

Segundo Marandi, o investimento em educação superior, ciência e tecnologia ao longo das últimas décadas permitiu ao Irã desenvolver capacidades próprias em áreas estratégicas, como tecnologia militar, indústria e inovação.“Os iranianos optaram por desenvolver suas próprias capacidades, sejam elas civis ou militares, escolheram um caminho independente na política externa, escolheram um caminho de independência na agricultura, na indústria e nos campos de alta tecnologia”, afirmou.

O analista também comentou o impacto político da guerra nos Estados Unidos, especialmente para o presidente Donald Trump. Segundo ele, o discurso recente do líder norte-americano sugerindo que a missão militar estaria próxima do fim poderia indicar uma tentativa de saída do conflito.

“Acho que a razão pela qual ele disse que a missão está quase concluída e que eles venceram a guerra, apesar do fato de que, obviamente, eles estão perdendo, os Estados Unidos estão perdendo feio nesta guerra, é porque ele está buscando uma saída”, disse.Ainda segundo Marandi, a decisão de Washington de apoiar militarmente Israel estaria ligada a pressões políticas internas e à influência de aliados próximos ao governo.“Trump assumiu com uma plataforma declarando que não haveria mais guerras. Mas ele está profundamente sob a influência dos sionistas”, afirmou.A guerra também ocorre em um momento delicado para a política iraniana.

Logo nos primeiros dias do conflito, o líder supremo Ali Khamenei foi morto em um bombardeio atribuído a forças israelenses. Segundo Marandi, a decisão do aiatolá de permanecer em seu escritório durante os ataques teve forte impacto simbólico no país.“Ele se recusou a sair porque disse às pessoas que muitos iranianos, devido às sanções, estão passando por dificuldades e não têm para onde ir. Enquanto eles não tiverem para onde ir, eu não vou embora”, relatou.

O professor afirma que a morte de Khamenei acabou fortalecendo a mobilização nacional no Irã e reforçando o sentimento de resistência diante da guerra.“Esse sacrifício que fez teve um enorme impacto na sociedade iraniana e fortaleceu a resistência e a resiliência do povo iraniano. Uniu-os ainda mais do que antes”, declarou.

Em meio à escalada do conflito, Marandi também destacou a aproximação estratégica entre Irã, Rússia e China, embora tenha ressaltado que a maior parte das capacidades militares iranianas foi desenvolvida internamente.“As capacidades do Irã são principalmente autóctones. Os mísseis, os drones, as bases subterrâneas, as fábricas subterrâneas que produzem mais mísseis e drones. A tecnologia autóctone está por trás de tudo isso”, afirmou.

Para ele, o principal objetivo estratégico de Teerã é impedir que os Estados Unidos continuem exercendo hegemonia militar sobre o Oriente Médio.“Sim, o Irã quer garantir que, no futuro, os Estados Unidos não possam mais impor sua hegemonia sobre esta região e que se comportem como um país normal”, disse.Marandi conclui afirmando que os acontecimentos recentes podem ter efeitos duradouros sobre a ordem internacional e fortalecer países que contestam a influência dos Estados Unidos.“O sucesso impressionante do Irã nas últimas semanas é uma grande vitória para a humanidade. E é uma ótima notícia para a maioria global, porque lhes dará poder diante do império. Isso criará uma maior autoconfiança entre as nações.”

 

Fonte: Brasil 247

 

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