segunda-feira, 16 de março de 2026

Luís Nassif: O caso Master e a hipocrisia dos vingadores

O inacreditável Fernando Gabeira propõe que o Supremo Tribunal Federal (STF) seja fechado. Na CBN, Carlos Alberto Sardenberg e Vera Magalhães querem que Daniel Vorcaro padeça no fogo do inferno até o fim dos tempos. Em O Globo, Merval Pereira diz que a eventual libertação de Vorcaro jogaria a conta nas costas do governo.

É a turba pretendendo incendiar o circo e botar fogo no picadeiro. Não ouse mencionar a eles algo chamado de ‘o devido processo legal’. Eles alegariam que é desculpa para livrar criminosos, no mesmo modelo argumentativo de um bolsonarista raiz.

É inacreditável esse clima de arena romana.

Se algum incauto mencionasse, perto deles, que pelo devido processo legal, não se justificaria a prisão preventiva de Daniel Vorcaro? Afinal, as ameaças a jornalistas foram feitas há mais de dois anos. Seria taxado de defensor da corrupção.

E agora, quando se sabe que um grande evento do Valor Econômico, em Nova York, foi bancado pelo Banco Master e pela Refit, a refinaria de propriedade do maior falsário do país, Eduardo Magro?

Alegarão que, na época, não se sabia das estripulias do Master. Mas não trataram com a mesma condescendência Ricardo Lewandowski e outras autoridades que negociaram com o Master antes da crise. E o que dizer da Refit, há décadas conhecida como centro de falsificação de combustíveis?

Quando ocorreu o escândalo da sede do TRT, em São Paulo, a turba queria, a todo custo, a prisão, sem julgamento, de Luiz Estevão, hoje dono do jornal Metrópoles, o mais inquisitorial dos jornais. Insurgi-me, defendi o devido processo legal e o desejo de que, depois de completado o julgamento, a juíza aplicasse nele a pena mais severa.

Mas fui voz isolada. Lembro-me, nos 80 anos da Folha, de um debate com alguns dos articulistas do jornal. Uma colega celebrava o poder da mídia, pelo fato de que um senador da República, Jader Barbalho, ter sido conduzido algemado em avião da Polícia Federal. Fiz-lhe ver que, se a mídia avalisasse uma violência dessas contra um senador da República, estaria sancionando todas as violências, nas delegacias, contra os anônimos. Lembro-me, na saída, Otávio Frias Filho, junto com o advogado Luiz Francisco de Carvalho Filho, me parar para dizer que concordava com minha posição.

Que o cidadão comum queira sangue, chicotes e castigos, tal e qual o público romano, se aceita. A voz das ruas é a turba, o populacho. Mas que esse clima seja endossado por quem deveria representar a parte racional da opinião pública, é o fim da civilização.

É o pior tipo de jornalismo, porque jogando exclusivamente para a platéia ou para permitir à casa se apresentar como a campeã da moralidade. O nome disso é hipocrisia!

Que Vorcaro seja interrogado, que faça sua delação – para a PF e para o MInistério Público Federal, conjuntamente para evitar manipulações da banda lavajatista da PF. E, depois, que ele e seus asseclas recebam a mais pesada das condenações. Será a única maneira de impedir seu derradeiro crime: o de incutir a selvageria no coração do país.

•        Brasília entra em pânico com possível delação de Vorcaro

A possibilidade de uma delação premiada do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, passou a provocar forte apreensão em setores políticos de Brasília após a troca de sua equipe de defesa. A informação foi publicada pela jornalista Jussara Soares, da CNN Brasil, que relata que a colaboração do banqueiro já é considerada praticamente certa no meio político.

Segundo a reportagem, o criminalista José Luís de Oliveira Lima assumiu a defesa de Vorcaro nesta sexta-feira (13), substituindo o advogado Pierpaolo Bottini. A mudança ocorreu poucas horas depois de a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) formar maioria para manter a prisão preventiva do empresário, investigado no escândalo envolvendo fraudes financeiras relacionadas ao Banco Master.

<><> Disputa sobre quem conduzirá eventual delação

Nos bastidores de Brasília, que envolvem lideranças da esquerda, da direita e também do Centrão, a principal dúvida agora é qual órgão poderá conduzir um eventual acordo de colaboração premiada: a Procuradoria-Geral da República (PGR) ou a Polícia Federal (PF).

Em qualquer cenário, a delação precisará ser homologada pelo ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo.

Outro fator que alimenta a tensão política é a extensa rede de contatos de Vorcaro, o que levanta dúvidas sobre até onde o banqueiro poderia avançar em um eventual acordo em troca de benefícios judiciais.

De acordo com a reportagem, há suspeitas de conexões do empresário com servidores públicos, parlamentares, líderes partidários e até integrantes do Judiciário.

<><> Relações com ministros do STF sob escrutínio

O escândalo financeiro envolvendo o Banco Master já colocou sob análise relações do banqueiro com ministros do Supremo Tribunal Federal, entre eles Dias Toffoli e Alexandre de Moraes.

Nos bastidores políticos, interlocutores do Centrão avaliam, sob reserva, que um acordo conduzido diretamente pela Polícia Federal poderia ter alcance mais amplo, inclusive com potencial de avançar sobre integrantes da própria Corte.

Na visão desse grupo, uma negociação conduzida pela Procuradoria-Geral da República poderia ter escopo mais limitado.

<><> Sondagens já ocorreram

Ainda de acordo com a CNN Brasil, interlocutores de Daniel Vorcaro já sondaram tanto a Polícia Federal quanto a PGR sobre a disposição das autoridades para negociar um eventual acordo de delação premiada.

Segundo relatos feitos à reportagem, a conversa teve caráter preliminar, servindo apenas para avaliar a disposição dos investigadores caso o empresário decida mudar de estratégia.

O vazamento dessa sondagem teria ocorrido com o objetivo de pressionar por uma possível soltura do banqueiro, às vésperas do julgamento na Segunda Turma do STF.

<><> STF formou maioria para manter prisão

A tentativa, porém, não surtiu efeito. Em menos de uma hora após a abertura do plenário virtual do Supremo, foi formada maioria para manter Vorcaro preso.

Além do relator André Mendonça, votaram pela manutenção da prisão os ministros Luiz Fux e Kassio Nunes Marques.

Ainda falta o voto do ministro Gilmar Mendes, presidente da Segunda Turma. Já o ministro Dias Toffoli declarou suspeição e não participa do julgamento.

<><> Investigação pressiona família e patrimônio

Entre aliados do empresário, cresce a avaliação de que Vorcaro passou a considerar a possibilidade de delação após sua prisão, como forma de tentar conter o avanço das investigações sobre familiares e parte de seu patrimônio.

O cunhado do banqueiro, Fabiano Zettel, também está preso no âmbito do caso.

Já o pai do empresário, Henrique Vorcaro, foi citado pela Polícia Federal sob suspeita de ocultar cerca de R$ 2,2 bilhões pertencentes a vítimas do Banco Master, valores que teriam sido registrados em seu nome na gestora Reag.

Diante desse cenário, a eventual colaboração de Daniel Vorcaro passou a ser vista em Brasília como um fator capaz de abrir uma nova frente de turbulência política, dada a amplitude das relações do empresário nos círculos de poder da capital federal.

•        Colaboração de Vorcaro já é chamada de ‘delação do fim do mundo’

A possível colaboração premiada do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, já começa a ser descrita nos bastidores de Brasília como a “delação do fim do mundo”, diante do potencial impacto político que suas revelações podem ter sobre figuras dos Três Poderes. As informações são do jornalista Caio Junqueira, em seu blog, que relata o clima de tensão crescente na capital federal após decisões recentes do Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo a análise publicada, a maioria formada nesta sexta-feira (13) na Segunda Turma do STF para manter Vorcaro preso representa uma vitória clara da ala da Corte que demonstra preocupação com a preservação da imagem institucional do tribunal.

Esse grupo, de acordo com o blog, é liderado pelo presidente do STF, Edson Fachin, e conta com o apoio do ministro André Mendonça, relator das investigações relacionadas ao chamado caso Master.

<><> Disputa nos bastidores do poder

Ainda segundo o relato publicado por Caio Junqueira, essa ala do Supremo conseguiu derrotar uma parte expressiva do establishment político que atuou nos bastidores para tentar garantir a soltura do banqueiro.

De acordo com a análise, havia expectativa entre setores políticos e institucionais de que a liberdade de Vorcaro pudesse reduzir as chances de um acordo de delação premiada, o que explicaria a mobilização de atores relevantes do sistema político.

Com a decisão do STF de manter a prisão preventiva do empresário, o cenário mudou e a hipótese de colaboração ganhou força nos bastidores de Brasília.

<><> “Batalha vencida”, mas tensão continua

Apesar da vitória momentânea no Supremo, a avaliação apresentada no blog é de que o episódio representa apenas uma etapa de uma disputa maior que ainda está em curso.

Segundo a análise, a tensão institucional deverá atingir seu ponto máximo quando Vorcaro decidir se falará e quais nomes eventualmente citará em uma colaboração premiada.

Caso isso ocorra, o empresário poderá revelar relações e pressões envolvendo autoridades dos Três Poderes, inclusive entre aqueles que, segundo o relato do blog, torceram ou atuaram pela sua soltura.

<><> Investigação amplia pressão sobre o caso

O caso envolvendo o Banco Master tem provocado forte repercussão em Brasília e se desdobra em diferentes frentes de investigação.

Entre os episódios citados nas apurações recentes estão a informação de que Vorcaro declarou ter pago R$ 68 milhões a uma empresa mencionada em investigação da Polícia Federal, além do fato de que o advogado que deixou a defesa do empresário possui clientes que poderiam eventualmente ser citados em uma delação.

Outro ponto que amplia a dimensão institucional do caso é a atuação da Controladoria-Geral da União (CGU), que analisa um relatório de investigação envolvendo servidores do Banco Central ligados ao escândalo do Banco Master.

Com a manutenção da prisão do banqueiro e a crescente expectativa em torno de uma possível colaboração premiada, o caso passou a ser visto em Brasília como uma das crises políticas e institucionais mais sensíveis do momento, capaz de provocar fortes abalos nos bastidores do poder.

•        "Delação é meio de defesa", diz novo advogado de Daniel Vorcaro

O advogado José Luis Oliveira Lima, conhecido no meio jurídico como Juca, confirmou nesta sexta-feira (13) que assumiu a defesa de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, preso no âmbito das investigações da Polícia Federal sobre um suposto esquema de fraudes financeiras. Em sua primeira manifestação após assumir o caso, Juca abriu caminho para a possibilidade de um acordo de delação premiada, classificando o instrumento como legítimo dentro de uma estratégia de defesa.

A informação foi divulgada pela coluna de Igor Gadelha, do Metrópoles. Ao ser questionado sobre a possibilidade de Vorcaro fechar um acordo de colaboração com as autoridades, o advogado foi econômico, mas revelador. "Assumi o caso hoje. Ponto", respondeu Oliveira em um primeiro momento. Diante da insistência sobre o tema, o defensor lembrou seu histórico de posicionamentos públicos sobre o assunto e reafirmou sua visão: a delação premiada é, a seu ver, um "meio de defesa" — e não uma concessão ou capitulação do investigado.

<><> Advogado com histórico na Lava Jato

A escolha de Juca Oliveira para conduzir a defesa de Vorcaro não passou despercebida no ambiente jurídico. O advogado tem um currículo que inclui alguns dos casos mais emblemáticos da Operação Lava Jato, entre eles a delação premiada do empreiteiro Léo Pinheiro, ex-dono da construtora OAS. Mais recentemente, Juca assumiu a defesa do general da reserva e ex-ministro Braga Netto, que acabou condenado junto ao ex-presidente Jair Bolsonaro no inquérito que investigou a tentativa de golpe de Estado.

O perfil do novo defensor reforça a leitura de que a estratégia jurídica de Vorcaro pode estar prestes a mudar de direção — saindo de uma postura mais confrontacional para uma abordagem colaborativa com as investigações.

<><> Caso Banco Master e as suspeitas da PF

As investigações da Polícia Federal sobre o Banco Master acumularam um volume expressivo de indícios ao longo das apurações. O material reunido pelos agentes aponta para possíveis irregularidades na atuação da instituição financeira, com potencial de causar um prejuízo estimado em até R$ 47 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) — organismo responsável por ressarcir investidores em situações de colapso bancário.

Vorcaro já havia sido alvo de uma ordem de prisão anteriormente, quando obteve liberdade provisória mediante uso de tornozeleira eletrônica. O novo mandado de prisão foi fundamentado em mensagens recuperadas do celular do banqueiro, apreendido na primeira fase da Operação Compliance Zero. O conteúdo das conversas, segundo os investigadores, indicaria ameaças direcionadas a jornalistas e a pessoas que teriam contrariado interesses do empresário.

<><> Ameaças, conta oculta e acesso a sistemas sigilosos

Entre os episódios detalhados nas apurações, a PF afirma que Vorcaro teria ameaçado o jornalista Lauro Jardim e uma empregada doméstica. Há ainda a suspeita de que o banqueiro teria ocultado mais de R$ 2,2 bilhões em uma conta registrada em nome de seu pai, Henrique Moura Vorcaro. As investigações apontam ainda que o empresário teria acessado de forma indevida sistemas de diversas instituições, incluindo a própria Polícia Federal, o Ministério Público Federal, o FBI e a Interpol.

<><> Posição da defesa de Vorcaro

Em nota divulgada por sua assessoria antes da troca de advogado, Vorcaro rejeitou as interpretações da PF sobre as mensagens apreendidas. O empresário declarou que "jamais teve intenção de intimidar ou ameaçar jornalistas e que suas mensagens foram tiradas de contexto", acrescentando: "Sempre respeitei o trabalho da imprensa e, ao longo de minha trajetória empresarial, mantive relacionamento institucional com diversos veículos e jornalistas."

Sobre as conversas de tom mais agressivo citadas nas investigações, o banqueiro as atribuiu a episódios isolados de irritação pessoal. "Não me lembro de minhas conversas por telefone, mas, se em algum momento me exaltei em mensagens no passado, o fiz em tom de desabafo, em privado, sem qualquer objetivo de intimidar quem quer que seja. Jamais determinei ou determinaria agressões ou qualquer espécie de violência", afirmou Vorcaro.

Com Juca Oliveira agora à frente da defesa e o histórico do advogado com acordos de colaboração premiada, o desenrolar do caso Banco Master entra em uma nova fase — cujos contornos ainda estão por ser definidos nas negociações com as autoridades.

 

Fonte: Jornal GGN/Brasil 247

 

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