Luís
Nassif: O caso Master e a hipocrisia dos vingadores
O
inacreditável Fernando Gabeira propõe que o Supremo Tribunal Federal (STF) seja
fechado. Na CBN, Carlos Alberto Sardenberg e Vera Magalhães querem que Daniel
Vorcaro padeça no fogo do inferno até o fim dos tempos. Em O Globo, Merval
Pereira diz que a eventual libertação de Vorcaro jogaria a conta nas costas do
governo.
É a
turba pretendendo incendiar o circo e botar fogo no picadeiro. Não ouse
mencionar a eles algo chamado de ‘o devido processo legal’. Eles alegariam que
é desculpa para livrar criminosos, no mesmo modelo argumentativo de um
bolsonarista raiz.
É
inacreditável esse clima de arena romana.
Se
algum incauto mencionasse, perto deles, que pelo devido processo legal, não se
justificaria a prisão preventiva de Daniel Vorcaro? Afinal, as ameaças a
jornalistas foram feitas há mais de dois anos. Seria taxado de defensor da
corrupção.
E
agora, quando se sabe que um grande evento do Valor Econômico, em Nova York,
foi bancado pelo Banco Master e pela Refit, a refinaria de propriedade do maior
falsário do país, Eduardo Magro?
Alegarão
que, na época, não se sabia das estripulias do Master. Mas não trataram com a
mesma condescendência Ricardo Lewandowski e outras autoridades que negociaram
com o Master antes da crise. E o que dizer da Refit, há décadas conhecida como
centro de falsificação de combustíveis?
Quando
ocorreu o escândalo da sede do TRT, em São Paulo, a turba queria, a todo custo,
a prisão, sem julgamento, de Luiz Estevão, hoje dono do jornal Metrópoles, o
mais inquisitorial dos jornais. Insurgi-me, defendi o devido processo legal e o
desejo de que, depois de completado o julgamento, a juíza aplicasse nele a pena
mais severa.
Mas fui
voz isolada. Lembro-me, nos 80 anos da Folha, de um debate com alguns dos
articulistas do jornal. Uma colega celebrava o poder da mídia, pelo fato de que
um senador da República, Jader Barbalho, ter sido conduzido algemado em avião
da Polícia Federal. Fiz-lhe ver que, se a mídia avalisasse uma violência dessas
contra um senador da República, estaria sancionando todas as violências, nas
delegacias, contra os anônimos. Lembro-me, na saída, Otávio Frias Filho, junto
com o advogado Luiz Francisco de Carvalho Filho, me parar para dizer que
concordava com minha posição.
Que o
cidadão comum queira sangue, chicotes e castigos, tal e qual o público romano,
se aceita. A voz das ruas é a turba, o populacho. Mas que esse clima seja
endossado por quem deveria representar a parte racional da opinião pública, é o
fim da civilização.
É o
pior tipo de jornalismo, porque jogando exclusivamente para a platéia ou para
permitir à casa se apresentar como a campeã da moralidade. O nome disso é
hipocrisia!
Que
Vorcaro seja interrogado, que faça sua delação – para a PF e para o MInistério
Público Federal, conjuntamente para evitar manipulações da banda lavajatista da
PF. E, depois, que ele e seus asseclas recebam a mais pesada das condenações.
Será a única maneira de impedir seu derradeiro crime: o de incutir a selvageria
no coração do país.
• Brasília entra em pânico com possível
delação de Vorcaro
A
possibilidade de uma delação premiada do empresário Daniel Vorcaro, dono do
Banco Master, passou a provocar forte apreensão em setores políticos de
Brasília após a troca de sua equipe de defesa. A informação foi publicada pela
jornalista Jussara Soares, da CNN Brasil, que relata que a colaboração do
banqueiro já é considerada praticamente certa no meio político.
Segundo
a reportagem, o criminalista José Luís de Oliveira Lima assumiu a defesa de
Vorcaro nesta sexta-feira (13), substituindo o advogado Pierpaolo Bottini. A
mudança ocorreu poucas horas depois de a Segunda Turma do Supremo Tribunal
Federal (STF) formar maioria para manter a prisão preventiva do empresário,
investigado no escândalo envolvendo fraudes financeiras relacionadas ao Banco
Master.
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Disputa sobre quem conduzirá eventual delação
Nos
bastidores de Brasília, que envolvem lideranças da esquerda, da direita e
também do Centrão, a principal dúvida agora é qual órgão poderá conduzir um
eventual acordo de colaboração premiada: a Procuradoria-Geral da República
(PGR) ou a Polícia Federal (PF).
Em
qualquer cenário, a delação precisará ser homologada pelo ministro André
Mendonça, relator do caso no Supremo.
Outro
fator que alimenta a tensão política é a extensa rede de contatos de Vorcaro, o
que levanta dúvidas sobre até onde o banqueiro poderia avançar em um eventual
acordo em troca de benefícios judiciais.
De
acordo com a reportagem, há suspeitas de conexões do empresário com servidores
públicos, parlamentares, líderes partidários e até integrantes do Judiciário.
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Relações com ministros do STF sob escrutínio
O
escândalo financeiro envolvendo o Banco Master já colocou sob análise relações
do banqueiro com ministros do Supremo Tribunal Federal, entre eles Dias Toffoli
e Alexandre de Moraes.
Nos
bastidores políticos, interlocutores do Centrão avaliam, sob reserva, que um
acordo conduzido diretamente pela Polícia Federal poderia ter alcance mais
amplo, inclusive com potencial de avançar sobre integrantes da própria Corte.
Na
visão desse grupo, uma negociação conduzida pela Procuradoria-Geral da
República poderia ter escopo mais limitado.
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Sondagens já ocorreram
Ainda
de acordo com a CNN Brasil, interlocutores de Daniel Vorcaro já sondaram tanto
a Polícia Federal quanto a PGR sobre a disposição das autoridades para negociar
um eventual acordo de delação premiada.
Segundo
relatos feitos à reportagem, a conversa teve caráter preliminar, servindo
apenas para avaliar a disposição dos investigadores caso o empresário decida
mudar de estratégia.
O
vazamento dessa sondagem teria ocorrido com o objetivo de pressionar por uma
possível soltura do banqueiro, às vésperas do julgamento na Segunda Turma do
STF.
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STF formou maioria para manter prisão
A
tentativa, porém, não surtiu efeito. Em menos de uma hora após a abertura do
plenário virtual do Supremo, foi formada maioria para manter Vorcaro preso.
Além do
relator André Mendonça, votaram pela manutenção da prisão os ministros Luiz Fux
e Kassio Nunes Marques.
Ainda
falta o voto do ministro Gilmar Mendes, presidente da Segunda Turma. Já o
ministro Dias Toffoli declarou suspeição e não participa do julgamento.
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Investigação pressiona família e patrimônio
Entre
aliados do empresário, cresce a avaliação de que Vorcaro passou a considerar a
possibilidade de delação após sua prisão, como forma de tentar conter o avanço
das investigações sobre familiares e parte de seu patrimônio.
O
cunhado do banqueiro, Fabiano Zettel, também está preso no âmbito do caso.
Já o
pai do empresário, Henrique Vorcaro, foi citado pela Polícia Federal sob
suspeita de ocultar cerca de R$ 2,2 bilhões pertencentes a vítimas do Banco
Master, valores que teriam sido registrados em seu nome na gestora Reag.
Diante
desse cenário, a eventual colaboração de Daniel Vorcaro passou a ser vista em
Brasília como um fator capaz de abrir uma nova frente de turbulência política,
dada a amplitude das relações do empresário nos círculos de poder da capital
federal.
• Colaboração de Vorcaro já é chamada de
‘delação do fim do mundo’
A
possível colaboração premiada do empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco
Master, já começa a ser descrita nos bastidores de Brasília como a “delação do
fim do mundo”, diante do potencial impacto político que suas revelações podem
ter sobre figuras dos Três Poderes. As informações são do jornalista Caio
Junqueira, em seu blog, que relata o clima de tensão crescente na capital
federal após decisões recentes do Supremo Tribunal Federal (STF).
Segundo
a análise publicada, a maioria formada nesta sexta-feira (13) na Segunda Turma
do STF para manter Vorcaro preso representa uma vitória clara da ala da Corte
que demonstra preocupação com a preservação da imagem institucional do
tribunal.
Esse
grupo, de acordo com o blog, é liderado pelo presidente do STF, Edson Fachin, e
conta com o apoio do ministro André Mendonça, relator das investigações
relacionadas ao chamado caso Master.
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Disputa nos bastidores do poder
Ainda
segundo o relato publicado por Caio Junqueira, essa ala do Supremo conseguiu
derrotar uma parte expressiva do establishment político que atuou nos
bastidores para tentar garantir a soltura do banqueiro.
De
acordo com a análise, havia expectativa entre setores políticos e
institucionais de que a liberdade de Vorcaro pudesse reduzir as chances de um
acordo de delação premiada, o que explicaria a mobilização de atores relevantes
do sistema político.
Com a
decisão do STF de manter a prisão preventiva do empresário, o cenário mudou e a
hipótese de colaboração ganhou força nos bastidores de Brasília.
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“Batalha vencida”, mas tensão continua
Apesar
da vitória momentânea no Supremo, a avaliação apresentada no blog é de que o
episódio representa apenas uma etapa de uma disputa maior que ainda está em
curso.
Segundo
a análise, a tensão institucional deverá atingir seu ponto máximo quando
Vorcaro decidir se falará e quais nomes eventualmente citará em uma colaboração
premiada.
Caso
isso ocorra, o empresário poderá revelar relações e pressões envolvendo
autoridades dos Três Poderes, inclusive entre aqueles que, segundo o relato do
blog, torceram ou atuaram pela sua soltura.
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Investigação amplia pressão sobre o caso
O caso
envolvendo o Banco Master tem provocado forte repercussão em Brasília e se
desdobra em diferentes frentes de investigação.
Entre
os episódios citados nas apurações recentes estão a informação de que Vorcaro
declarou ter pago R$ 68 milhões a uma empresa mencionada em investigação da
Polícia Federal, além do fato de que o advogado que deixou a defesa do
empresário possui clientes que poderiam eventualmente ser citados em uma
delação.
Outro
ponto que amplia a dimensão institucional do caso é a atuação da
Controladoria-Geral da União (CGU), que analisa um relatório de investigação
envolvendo servidores do Banco Central ligados ao escândalo do Banco Master.
Com a
manutenção da prisão do banqueiro e a crescente expectativa em torno de uma
possível colaboração premiada, o caso passou a ser visto em Brasília como uma
das crises políticas e institucionais mais sensíveis do momento, capaz de
provocar fortes abalos nos bastidores do poder.
• "Delação é meio de defesa",
diz novo advogado de Daniel Vorcaro
O
advogado José Luis Oliveira Lima, conhecido no meio jurídico como Juca,
confirmou nesta sexta-feira (13) que assumiu a defesa de Daniel Vorcaro, dono
do Banco Master, preso no âmbito das investigações da Polícia Federal sobre um
suposto esquema de fraudes financeiras. Em sua primeira manifestação após
assumir o caso, Juca abriu caminho para a possibilidade de um acordo de delação
premiada, classificando o instrumento como legítimo dentro de uma estratégia de
defesa.
A
informação foi divulgada pela coluna de Igor Gadelha, do Metrópoles. Ao ser
questionado sobre a possibilidade de Vorcaro fechar um acordo de colaboração
com as autoridades, o advogado foi econômico, mas revelador. "Assumi o
caso hoje. Ponto", respondeu Oliveira em um primeiro momento. Diante da
insistência sobre o tema, o defensor lembrou seu histórico de posicionamentos
públicos sobre o assunto e reafirmou sua visão: a delação premiada é, a seu
ver, um "meio de defesa" — e não uma concessão ou capitulação do
investigado.
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Advogado com histórico na Lava Jato
A
escolha de Juca Oliveira para conduzir a defesa de Vorcaro não passou
despercebida no ambiente jurídico. O advogado tem um currículo que inclui
alguns dos casos mais emblemáticos da Operação Lava Jato, entre eles a delação
premiada do empreiteiro Léo Pinheiro, ex-dono da construtora OAS. Mais
recentemente, Juca assumiu a defesa do general da reserva e ex-ministro Braga
Netto, que acabou condenado junto ao ex-presidente Jair Bolsonaro no inquérito
que investigou a tentativa de golpe de Estado.
O
perfil do novo defensor reforça a leitura de que a estratégia jurídica de
Vorcaro pode estar prestes a mudar de direção — saindo de uma postura mais
confrontacional para uma abordagem colaborativa com as investigações.
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Caso Banco Master e as suspeitas da PF
As
investigações da Polícia Federal sobre o Banco Master acumularam um volume
expressivo de indícios ao longo das apurações. O material reunido pelos agentes
aponta para possíveis irregularidades na atuação da instituição financeira, com
potencial de causar um prejuízo estimado em até R$ 47 bilhões ao Fundo
Garantidor de Créditos (FGC) — organismo responsável por ressarcir investidores
em situações de colapso bancário.
Vorcaro
já havia sido alvo de uma ordem de prisão anteriormente, quando obteve
liberdade provisória mediante uso de tornozeleira eletrônica. O novo mandado de
prisão foi fundamentado em mensagens recuperadas do celular do banqueiro,
apreendido na primeira fase da Operação Compliance Zero. O conteúdo das
conversas, segundo os investigadores, indicaria ameaças direcionadas a
jornalistas e a pessoas que teriam contrariado interesses do empresário.
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Ameaças, conta oculta e acesso a sistemas sigilosos
Entre
os episódios detalhados nas apurações, a PF afirma que Vorcaro teria ameaçado o
jornalista Lauro Jardim e uma empregada doméstica. Há ainda a suspeita de que o
banqueiro teria ocultado mais de R$ 2,2 bilhões em uma conta registrada em nome
de seu pai, Henrique Moura Vorcaro. As investigações apontam ainda que o
empresário teria acessado de forma indevida sistemas de diversas instituições,
incluindo a própria Polícia Federal, o Ministério Público Federal, o FBI e a
Interpol.
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Posição da defesa de Vorcaro
Em nota
divulgada por sua assessoria antes da troca de advogado, Vorcaro rejeitou as
interpretações da PF sobre as mensagens apreendidas. O empresário declarou que
"jamais teve intenção de intimidar ou ameaçar jornalistas e que suas
mensagens foram tiradas de contexto", acrescentando: "Sempre
respeitei o trabalho da imprensa e, ao longo de minha trajetória empresarial,
mantive relacionamento institucional com diversos veículos e jornalistas."
Sobre
as conversas de tom mais agressivo citadas nas investigações, o banqueiro as
atribuiu a episódios isolados de irritação pessoal. "Não me lembro de
minhas conversas por telefone, mas, se em algum momento me exaltei em mensagens
no passado, o fiz em tom de desabafo, em privado, sem qualquer objetivo de
intimidar quem quer que seja. Jamais determinei ou determinaria agressões ou
qualquer espécie de violência", afirmou Vorcaro.
Com
Juca Oliveira agora à frente da defesa e o histórico do advogado com acordos de
colaboração premiada, o desenrolar do caso Banco Master entra em uma nova fase
— cujos contornos ainda estão por ser definidos nas negociações com as
autoridades.
Fonte:
Jornal GGN/Brasil 247

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