Ter
um propósito na vida e paz interior pode melhorar a saúde do coração
Ter um
propósito na vida e a sensação de “paz interior” pode estar associado a uma
melhor saúde dos vasos sanguíneos e, consequentemente, a um menor risco de
doenças cardiovasculares.
A
constatação é de um estudo brasileiro, realizado por pesquisadores da Unirio
(Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro) e publicado em dezembro na
revista científica PLOS One.
A
pesquisa investigou a relação entre bem-estar espiritual e disfunção
endotelial, um marcador precoce de risco cardiovascular. O endotélio é uma
camada fina de células que reveste o interior dos vasos sanguíneos e desempenha
papel essencial no funcionamento da circulação. Ele ajuda a controlar a
dilatação e a contração das artérias, além do fluxo sanguíneo, da inflamação e
até a formação de coágulos.
Quando
perde a capacidade de funcionar adequadamente, surge a chamada disfunção
endotelial. “Os vasos passam a ter mais dificuldade de se dilatar, há maior
inflamação vascular, vasoconstrição, aumento da permeabilidade e
coagulação", explica o cardiologista Marcelo Franken, do Einstein Hospital
Israelita.
No
estudo, observou-se que níveis mais elevados de bem-estar espiritual estavam
associados a menor probabilidade de disfunção endotelial, inclusive
considerando fatores como IMC (índice de massa corporal), ansiedade e
depressão. A espiritualidade foi analisada a partir de um questionário.
“Investigamos
três dimensões principais da experiência espiritual: paz interior, sentido ou
propósito de vida e fé. Por meio de perguntas simples, o questionário busca
captar como a pessoa vivencia essas dimensões no dia a dia, permitindo
transformar uma experiência subjetiva em um indicador mensurável para pesquisa
científica”, detalha o cardiologista André Casarsa, um dos autores do estudo.
Os
autores avaliaram 148 adultos saudáveis, com idades entre 18 e 60 anos. Os
participantes passaram por exames para avaliar a saúde dos vasos sanguíneos e
responderam sobre sintomas de ansiedade, depressão e espiritualidade, sem
relação com alguma religião específica.
A
diferenciação entre espiritualidade e religiosidade é importante.
“A
religiosidade refere-se ao quanto cada pessoa acredita, segue ou pratica uma ou
mais religiões. Já a espiritualidade é um conceito mais amplo, presente em
todas as pessoas, independentemente de serem religiosas ou não. Envolve a busca
por significado, propósito e conexão consigo mesmo, com os outros ou com aquilo
que a pessoa considera sagrado”, analisa Julio Tolentino, professor de medicina
do Hospital Universitário dos Servidores do Estado, da Unirio, e orientador do
estudo.
Entre
os achados, as sensações de paz interior e sentido de vida foram as que mais se
associaram à saúde vascular. A fé religiosa, isoladamente, não mostrou o mesmo
benefício.
“Isso
sugere que o que parece ter maior impacto biológico não é necessariamente a
prática religiosa em si, mas um estado interno de equilíbrio, significado e
coerência com a própria vida”, analisa Casarsa.
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Estresse e saúde do coração
Na
cardiologia, já existem evidências mostrando que fatores psicológicos,
estresse, ansiedade e depressão influenciam na saúde cardiovascular. Na
investigação da Unirio, uma das hipóteses levantadas é de que estados
associados a paz interior e propósito de vida ajudariam a reduzir mecanismos
biológicos ligados ao estresse. “A redução do estresse e da inflamação é um dos
principais mecanismos de proteção vascular, e isso vem sendo estudado há muitos
anos”, frisa Franken.
Embora
a espiritualidade ainda seja pouco discutida nas consultas médicas de rotina, a
saúde emocional e psicológica tem ganhado espaço na prevenção cardiovascular.
“Cada vez mais se recomenda que a saúde psicológica seja abordada durante as
consultas, incluindo fatores como senso de propósito, otimismo, gratidão,
pertencimento, mindfulness, estresse crônico, depressão e ansiedade”, relata o
cardiologista do Einstein.
Ainda
assim, os pilares clássicos da saúde do coração continuam fundamentais.
“Podemos destacar oito: alimentação saudável, atividade física, não fumar, boa
qualidade do sono, controle do peso, da pressão arterial, do colesterol e do
diabetes”, afirma Marcelo Franken. “Além disso, também é importante lembrar da
saúde psicológica e dos determinantes sociais de saúde, como condições de
moradia, trabalho e relações sociais.”
Os
pesquisadores da Unirio pretendem avançar na investigação e acompanhar os
mesmos participantes por mais tempo para avaliar se níveis mais elevados de
bem-estar espiritual se associam a menor risco de desenvolver alterações
vasculares ou doenças cardiovasculares. O grupo também planeja estudos de
intervenção baseados em espiritualidade.
“Estamos
desenvolvendo pesquisas com estratégias como meditação, visualização
terapêutica e experiências imersivas com realidade virtual, que podem promover
relaxamento profundo e reduzir o estresse”, relata Tolentino.
• Ficar muito tempo parado pode afetar
metabolismo, coração e saúde mental
Nas
últimas décadas, a modernização do trabalho, o aumento do tempo diante de telas
e a redução da atividade física no cotidiano mudaram profundamente o padrão de
movimento da população. Como consequência, o nível médio de atividade física
diminuiu de forma significativa.
No
Brasil, o cenário é preocupante. Dados epidemiológicos indicam que cerca de 47%
dos adultos são sedentários, e entre os jovens a situação é ainda mais
alarmante: aproximadamente 84% não atingem níveis adequados de atividade
física. Esses números colocam o país entre os mais sedentários da América
Latina. O problema é que o organismo humano não foi projetado para permanecer
parado por longos períodos.
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Sedentarismo: um fator de risco metabólico silencioso
A falta
de movimento interfere diretamente no metabolismo. Quando o corpo permanece
inativo por muito tempo, ocorre redução do gasto energético, piora do controle
glicêmico e maior tendência ao acúmulo de gordura corporal. Além disso, o
sedentarismo está associado a alterações metabólicas importantes, como
resistência à insulina, aumento da inflamação sistêmica de baixo grau e
disfunção endotelial – mecanismos que participam do desenvolvimento de doenças
cardiovasculares e metabólicas.
Estudos
epidemiológicos robustos mostram que indivíduos fisicamente inativos apresentam
maior risco de desenvolver diabetes tipo 2, hipertensão arterial, doença
cardiovascular e alguns tipos de câncer. O impacto também se estende à saúde
mental. A prática regular de atividade física está associada à redução de
sintomas de ansiedade e depressão, melhora do humor e melhor qualidade do sono.
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Quanto movimento já faz diferença na prática
Muitas
pessoas ainda associam o exercício físico apenas ao controle do peso corporal.
No entanto, seus benefícios vão muito além da estética ou da balança.
A
atividade física regular melhora a sensibilidade à insulina, fortalece músculos
e ossos, estimula a circulação sanguínea e contribui para a manutenção da
autonomia funcional ao longo do envelhecimento.
Do
ponto de vista fisiológico, o movimento atua como um verdadeiro modulador
metabólico, influenciando positivamente sistemas hormonais, inflamatórios e
cardiovasculares.
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Quanto exercício é necessário?
A boa
notícia é que não é preciso se tornar atleta para colher benefícios
importantes. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda pelo menos 150
minutos semanais de atividade física moderada para adultos. Na prática, isso
pode ser alcançado com cerca de 30 minutos de exercício em cinco dias da
semana.
Caminhadas,
ciclismo, dança, esportes recreativos ou qualquer atividade que aumente a
frequência cardíaca já trazem benefícios significativos. Mais importante do que
a intensidade extrema é a regularidade. Pequenas mudanças no cotidiano, como
subir escadas, caminhar mais e reduzir o tempo sentado, já representam um passo
importante.
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O corpo humano foi feito para se mover
O Dia
Nacional de Combate ao Sedentarismo, comemorado esta terça-feira (10), é um
lembrete importante de que o movimento não é apenas uma escolha de estilo de
vida – ele é uma necessidade biológica.
A
prática regular de atividade física continua sendo uma das intervenções mais
eficazes para preservar a saúde metabólica, prevenir doenças crônicas e
melhorar a qualidade de vida ao longo dos anos.
• Como se motivar para sair do
sedentarismo? Veja dica para se manter ativo
O
sedentarismo é hoje um dos maiores inimigos da saúde pública. Estima-se que, no
Brasil, mais de 40% da população não pratica a quantidade mínima de exercício
recomendada pela Organização Mundial da Saúde.
Essa
inatividade está diretamente ligada ao aumento de doenças cardiovasculares,
obesidade, diabetes e até transtornos emocionais como ansiedade e depressão. No
entanto, a boa notícia é que nunca é tarde para mudar — e a superação começa
com passos simples e realistas.
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Construindo uma rotina sem depender apenas da academia
Muitos
associam atividade física a horas na academia, mas a verdade é que existem
inúmeras formas de movimentar o corpo. Caminhar no bairro, subir escadas em vez
de usar o elevador, andar de bicicleta ou praticar esportes em grupo já ajudam
a manter o organismo ativo.
O
importante é escolher algo compatível com a rotina e com as condições de saúde
de cada pessoa. Dessa forma, o exercício deixa de ser uma obrigação e passa a
fazer parte natural do dia a dia.
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Motivação interna: o combustível da mudança
Encontrar
motivação é um desafio comum. Nesse processo, a motivação interna — aquela que
nasce do desejo de cuidar de si e de sentir prazer na prática escolhida —
costuma ser mais duradoura do que depender de fatores externos.
Participar
de atividades prazerosas, como dançar, caminhar em parques ou praticar esportes
coletivos, aumenta as chances de manter a regularidade. Estabelecer metas
realistas, como percorrer determinada distância ou melhorar o condicionamento
em algumas semanas, também ajuda a manter o foco.
O
impacto da mudança de hábitos não precisa esperar meses para aparecer. Estudos
mostram que apenas 30 minutos de caminhada, cinco vezes por semana, já reduzem
o risco de doenças cardiovasculares e ajudam no controle do peso. Além disso,
movimentar-se melhora a qualidade do sono, reduz o estresse e amplia a
disposição para as tarefas do dia.
Adotar
pequenas metas, como estacionar o carro mais longe ou realizar alongamentos
durante o expediente, pode parecer insignificante, mas gera resultados
cumulativos. Aos poucos, esses ajustes constroem uma rotina mais ativa e
saudável.
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Conclusão: movimento como estilo de vida
A
superação do sedentarismo não depende de fórmulas milagrosas, mas da decisão de
dar o primeiro passo e de manter constância. O segredo está em transformar o
movimento em parte da identidade de cada pessoa.
Ao
enxergar a atividade física não apenas como uma obrigação, mas como fonte de
prazer e bem-estar, é possível conquistar saúde, energia e qualidade de vida em
qualquer fase da vida.
Fonte:
CNN Brasil

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