segunda-feira, 16 de março de 2026

Gustavo Tapioca: Gaza, Irã, Cuba e Brasil - a normalização da barbárie

Há momentos na história em que a humanidade é obrigada a olhar para si mesma e reconhecer que algo fundamental começou a se romper. Gaza tornou-se um desses momentos. 

Não apenas pela devastação material ou pelo sofrimento humano que ali se acumula, mas porque o que acontece naquele território revela algo mais profundo: uma transformação inquietante na forma como o mundo reage à violência, à guerra e à destruição de vidas humanas. 

Mas Gaza não está sozinha nesse espelho perturbador do nosso tempo. O endurecimento do embargo que há mais de seis décadas pesa sobre Cuba, o assassinato de crianças iranianas soterradas por mísseis e a crescente militarização no entorno do Brasil revelam um fenômeno mais amplo: a progressiva normalização da barbárie na política internacional. 

Para o filósofo Vladimir Safatle, Gaza tornou-se o ponto de partida do pensamento político de nossa época. 

Safatle sintetiza essa percepção com uma formulação contundente: 

“Na verdade, o que faz de Gaza esse ponto de partida do pensamento de nossa época é a conjunção entre quatro processos: repetição, dessensibilização, des-historização e vazio legal.” 

Essa síntese ajuda a compreender por que Gaza deixou de ser apenas um território devastado pela guerra. Ela se tornou um espelho do funcionamento político do mundo contemporâneo. 

<><> A repetição da violência 

O primeiro elemento destacado por Safatle é a repetição. 

Gaza tornou-se o cenário de ciclos sucessivos de destruição que se repetem ao longo de décadas. Bombardeios, destruição de infraestrutura civil, deslocamentos massivos de população e crises humanitárias voltam a ocorrer em intervalos cada vez menores. 

Quando a violência se repete continuamente, ela deixa de ser percebida como ruptura extraordinária e passa a ser assimilada como parte do funcionamento normal do conflito. 

Quando massacres se repetem por tempo suficiente, a barbárie deixa de causar espanto — e começa a ser tratada como parte da ordem do mundo. 

É assim que a violência deixa de ser exceção e começa a operar como método. 

<><> A dessensibilização moral 

O segundo processo apontado por Safatle é a dessensibilização. 

A repetição constante da violência produz uma erosão progressiva da capacidade coletiva de indignação. 

Imagens de cidades devastadas, hospitais destruídos e crianças mortas passam a circular diariamente no fluxo informativo global. Com o tempo, essa exposição contínua gera um efeito paradoxal: em vez de provocar mobilização moral crescente, muitas vezes produz anestesia. 

O horror transforma-se em paisagem informativa. 

Essa dessensibilização não se limita a Gaza. 

Ela aparece também em outros episódios recentes da política internacional. 

O assassinato de cerca de 180 crianças iranianas entre sete e doze anos, soterradas por bombardeios no contexto das tensões envolvendo o Irã, produziu uma reação internacional incomparavelmente menor do que tragédias semelhantes em outras partes do mundo. 

O mesmo fenômeno pode ser observado na política de sanções que há mais de seis décadas pesa sobre Cuba. O embargo imposto pelos Estados Unidos — endurecido em diferentes momentos, inclusive durante o governo de Donald Trump — continua a produzir impactos profundos sobre a economia e o cotidiano da população cubana. 

A duração extrema desse bloqueio criou um efeito perverso: o sofrimento prolongado de um país inteiro deixou de provocar escândalo internacional. 

Quando a violência dura tempo suficiente, ela passa a ser tratada como parte natural da paisagem política. 

<><> A des-historização do conflito 

O terceiro elemento identificado por Safatle é a des-historização. Grande parte das narrativas dominantes trata Gaza como um episódio isolado, desconectado de sua história. 

Apagam-se décadas de ocupação, bloqueios econômicos, deslocamentos populacionais e ciclos sucessivos de violência que moldaram a realidade atual. 

Ao retirar o conflito de seu contexto histórico, cria-se a impressão de que a violência surge de forma repentina. 

A história desaparece — e com ela desaparece também a compreensão das estruturas políticas que tornaram possível o cenário atual. 

<><> O vazio legal 

O quarto processo apontado por Safatle é o vazio legal. 

Gaza tornou-se um espaço onde os limites do direito internacional parecem perder eficácia prática. 

Bombardeios contra áreas densamente povoadas, destruição de infraestruturas civis e crises humanitárias prolongadas ocorrem diante de um sistema internacional incapaz de impor restrições efetivas. 

Quando o direito deixa de funcionar como limite real ao exercício da violência, instala-se um espaço de exceção. 

Nesse espaço, decisões militares passam a operar acima das estruturas jurídicas que deveriam proteger populações civis. 

<><> América Latina: o novo cenário da disputa 

A América Latina volta a ocupar posição central na disputa geopolítica global. 

Nas últimas duas décadas, a região passou por transformações profundas com a expansão da presença econômica da China e o surgimento de novas formas de cooperação entre países do Sul Global. 

Hoje, Pequim tornou-se um dos principais parceiros comerciais de vários países latino-americanos, incluindo o Brasil. 

Essa mudança reconfigura o equilíbrio geopolítico hemisférico. 

Para Washington, a crescente presença chinesa no continente representa um desafio estratégico direto à sua tradicional primazia regional. 

É nesse contexto que se intensificam pressões políticas, disputas narrativas e iniciativas de segurança que buscam reafirmar a influência norte-americana na região. 

<><> Brasil: a nova fronteira da disputa estratégica 

Nesse cenário, o Brasil começa a aparecer de forma cada vez mais clara no tabuleiro geopolítico continental. 

Reportagem do jornalista Jamil Chade revelou que um acordo militar firmado entre o governo de Donald Trump e o Paraguai prevê amplo acesso de tropas norte-americanas ao território paraguaio — incluindo autorização para portar armas, transportar equipamentos militares e operar sistemas próprios de comunicação. 

O tratado, aprovado pelo Senado paraguaio, permitiria a presença permanente de militares dos Estados Unidos em uma região que faz fronteira direta com o Brasil. 

Especialistas ouvidos na reportagem apontam que essa movimentação faz parte de uma estratégia mais ampla de expansão da presença militar norte-americana na América do Sul. 

Ao mesmo tempo, Washington avalia classificar organizações criminosas brasileiras como o PCC e o Comando Vermelho como grupos terroristas — medida que poderia abrir caminho para operações extraterritoriais sob a justificativa de combate ao terrorismo. 

Em um contexto de crescente disputa geopolítica global, o Brasil deixa de ser apenas um ator regional e passa a ocupar posição sensível na reorganização estratégica do continente. 

<><> O século XXI diante do espelho 

Talvez seja justamente essa pergunta que retorna agora com força diante de Gaza. 

O massacre que se abateu sobre Gaza, o recrudescimento do embargo contra Cuba, o assassinato de crianças iranianas soterradas por mísseis e a crescente militarização no entorno do Brasil já começam a entrar no terreno perigoso do esquecimento — e, pior ainda, da normalidade. 

Esses episódios parecem distintos, espalhados por regiões diferentes do mundo. 

Mas todos revelam um mesmo processo: a repetição da violência, a dessensibilização moral, o apagamento da história e o enfraquecimento das estruturas jurídicas internacionais que deveriam limitar o exercício da força. 

Foi isso que Primo Levi tentou compreender ao refletir sobre os campos de extermínio do século XX em É Isto um Homem?

E é isso que Vladimir Safatle nos obriga a confrontar ao olhar para Gaza. 

O verdadeiro perigo do nosso tempo não é apenas a existência da barbárie — é o momento em que ela começa a ser aceita como parte da ordem do mundo. 

Talvez seja esse o ponto em que nos encontramos agora. 

O erro estratégico de Washington: mais uma guerra que fortalece Rússia e China. Por Maria Luiza Falcão

A nova escalada entre Estados Unidos e Irã, iniciada com os bombardeios americanos no final de fevereiro de 2026, foi apresentada pela Casa Branca como uma ação necessária para conter o programa nuclear iraniano e restaurar a dissuasão no Oriente Médio. No entanto, quando se observa o tabuleiro internacional mais amplo, o conflito revela uma ironia geopolítica difícil de ignorar.

Ao abrir mais um front militar, Washington parece fortalecer exatamente os dois países que identifica como seus principais rivais estratégicos: Rússia e China.

A contradição não é circunstancial. Ela reflete algo mais profundo: a crescente dispersão estratégica da política externa americana em um sistema internacional que deixou de ser unipolar. Donald Trump parece totalmente desatinado e mais irresponsável.

Mais uma vez, os Estados Unidos se envolvem em um conflito regional enquanto o eixo central da disputa global se desloca para outro terreno — tecnologia, indústria e poder econômico.

Outro elemento essencial dessa equação estratégica é o papel de Israel. Embora os bombardeios tenham sido executados pelos Estados Unidos, a escalada contra o Irã está profundamente conectada às preocupações de segurança do Estado israelense. Para Israel, o avanço do programa nuclear iraniano e a consolidação do chamado ‘eixo da resistência’ — que inclui Hezbollah no Líbano, milícias xiitas no Iraque e os houthis no Iêmen — representam ameaças existenciais. 

Nos últimos anos, Tel Aviv tem pressionado Washington a adotar uma postura mais dura contra Teerã e tem conduzido operações clandestinas e ataques seletivos contra alvos iranianos na região. Nesse sentido, a ofensiva americana não pode ser compreendida apenas como decisão unilateral de Washington: ela também reflete a lógica de segurança de Israel e o peso político da aliança estratégica entre os dois países na formulação da política externa americana para o Oriente Médio.”

<><> O retorno de uma velha armadilha geopolítica

Desde a década de 1970, o Oriente Médio ocupa posição central na estratégia de segurança dos Estados Unidos.

O choque do petróleo de 1973 e a revolução iraniana de 1979 transformaram o Golfo Pérsico em um eixo crítico da política externa americana. Foi nesse contexto que surgiu a chamada Doutrina Carter, segundo a qual qualquer tentativa de controlar a região seria considerada um ataque direto aos interesses vitais dos Estados Unidos.

Durante décadas, essa lógica orientou a presença militar americana no Oriente Médio. Bases militares, alianças estratégicas e intervenções diretas tornaram-se parte permanente da arquitetura de poder construída por Washington.

No entanto, o mundo mudou profundamente desde então.

Graças à expansão da produção doméstica de energia, os Estados Unidos hoje são muito menos dependentes do petróleo do Oriente Médio do que eram no passado. Em teoria, isso deveria reduzir a centralidade estratégica da região.

Mas a realidade geopolítica parece seguir um roteiro diferente.

Apesar de repetidas declarações sobre a necessidade de concentrar sua estratégia na competição com a China e seu arqui-inimigo a Rússia de Putin, Washington continua sendo atraído de volta para o mesmo teatro de conflitos que domina sua política externa há mais de meio século.

<><> A dispersão estratégica de Washington

O problema não é apenas regional. Ele é estrutural.

Os Estados Unidos enfrentam hoje três grandes frentes de competição estratégica simultâneas.

A primeira é a guerra na Ucrânia, que envolve um confronto indireto com a Rússia e mobiliza enormes recursos militares e financeiros.

A segunda é a crescente rivalidade tecnológica e econômica com a China, considerada por grande parte do establishment americano como o principal desafio estratégico do século XXI.

A terceira é a instabilidade permanente do Oriente Médio, onde crises recorrentes continuam a atrair intervenções externas.

A história das grandes potências mostra que poucas conseguiram sustentar simultaneamente três teatros estratégicos sem sofrer desgaste significativo.

Impérios raramente entram em declínio apenas por derrotas militares. Mais frequentemente, enfraquecem quando se dispersam em múltiplos conflitos enquanto a estrutura do poder mundial se transforma em outro lugar.

A guerra atual com o Irã pode ser mais um episódio dessa dinâmica.

<><> O choque do petróleo e o benefício imediato para a Rússia

O primeiro impacto da guerra já apareceu nos mercados globais.

A tensão ganha dimensão ainda maior quando se considera a posição geográfica do Irã. O país controla a margem norte do Estreito de Ormuz, uma das passagens marítimas mais estratégicas do planeta. Cerca de um quinto de todo o petróleo comercializado no mundo atravessa esse estreito, que conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã. Qualquer ameaça de bloqueio ou interrupção do tráfego marítimo nessa região provoca imediatamente choques nos mercados energéticos globais. Isso ajuda a explicar por que cada nova escalada militar envolvendo o Irã produz impactos econômicos que vão muito além do Oriente Médio.

Em poucos dias, o barril ultrapassou a marca de 100 dólares por barril de petróleo Brent, valorizando o dólar e as bolsas mundo afora. A incerteza aumenta. A inflação deve acelerar no mundo.

Do ponto de vista geopolítico, esse movimento tem consequências diretas.

A Rússia continua sendo um dos maiores exportadores de energia do mundo. Cada aumento no preço internacional do petróleo amplia suas receitas externas e fortalece sua capacidade financeira.

Assim, enquanto Washington mobiliza recursos militares para bombardear o Irã, a alta do petróleo acaba reforçando a posição econômica de Moscou.

A ironia estratégica é evidente.

<><> Repercussão no Brasil

Essa instabilidade energética global não passa ao largo do Brasil. Embora o país seja um grande produtor de petróleo, a economia brasileira continua sensível às oscilações do mercado internacional de energia e ao aumento dos custos de transporte marítimo. Um eventual agravamento das tensões no Estreito de Ormuz poderia elevar significativamente os preços dos combustíveis, pressionar os custos logísticos e afetar cadeias produtivas estratégicas. 

O impacto também se faria sentir no agronegócio, altamente dependente de fertilizantes importados, muitos deles provenientes do Oriente Médio ou transportados por rotas ligadas ao Golfo Pérsico.

Em outras palavras, conflitos aparentemente distantes do território brasileiro acabam reverberando diretamente sobre preços, produção e inflação — lembrando que, em um sistema econômico globalizado, as ondas de choque geopolíticas raramente respeitam fronteiras. 

<><> O benefício estratégico para a China

A China também colhe dividendos desse tipo de conflito — ainda que de forma menos imediata do que a Rússia.

Desde o governo Obama, Washington afirma que sua prioridade estratégica é o Indo-Pacífico e a contenção da ascensão chinesa. No entanto, cada nova crise militar no Oriente Médio absorve recursos militares, energia diplomática e atenção política da Casa Branca.

Em outras palavras, cada guerra no Golfo Pérsico representa uma distração estratégica para os Estados Unidos.

Enquanto Washington mobiliza navios, sistemas antimísseis e forças aéreas para mais um conflito regional, Pequim segue concentrada em outra frente de competição: a consolidação de sua liderança industrial e tecnológica.

Nas últimas duas décadas, a China tornou-se líder global em várias cadeias produtivas decisivas — veículos elétricos, baterias de íon-lítio, drones, painéis solares e diversos setores da nova economia energética.

Ao mesmo tempo, o país amplia rapidamente seus investimentos em pesquisa científica e desenvolvimento tecnológico.

Em termos estratégicos, tempo é poder.

E cada momento em que os Estados Unidos se envolvem em guerras periféricas oferece à China mais espaço para consolidar sua posição como principal polo emergente da economia mundial.

<><> O custo militar invisível

Há também um segundo efeito, menos visível, mas igualmente importante.

Guerras modernas consomem enormes quantidades de armamentos sofisticados: mísseis guiados, sistemas de defesa aérea, munições de precisão e equipamentos eletrônicos complexos. 

Grande parte desse arsenal depende de cadeias industriais altamente especializadas e de reposição relativamente lenta. Cada operação militar consome estoques estratégicos que podem levar anos para serem plenamente repostos.

Esse aspecto torna-se ainda mais relevante em um momento em que os Estados Unidos enfrentam desafios militares simultâneos em diferentes regiões.

Sistemas de defesa aérea utilizados no Oriente Médio são os mesmos necessários para apoiar a Ucrânia ou sustentar a dissuasão no Indo-Pacífico.

Assim, cada nova escalada militar em uma região tem repercussões indiretas em outras.

<><> A sucessão no Irã e o fracasso da estratégia de “decapitação”

A aposta implícita em muitas estratégias de mudança de regime é conhecida: eliminar a liderança política produziria desorganização institucional capaz de enfraquecer o sistema.

Foi essa lógica que orientou o assassinato do aiatolá Ali Khamenei durante os ataques americanos e israelenses.

Mas, no caso iraniano, os acontecimentos parecem apontar na direção oposta.

O sistema político iraniano reorganizou rapidamente sua estrutura de poder e designou como novo líder supremo Mojtaba Khamenei, filho do líder assassinado.

A sucessão ocorreu em poucos dias, demonstrando que a arquitetura institucional da República Islâmica possui mecanismos de continuidade mais sólidos do que frequentemente se imagina nas análises externas.

Mais do que isso, Mojtaba Khamenei é associado aos setores mais conservadores do regime e mantém vínculos estreitos com a Guarda Revolucionária.

Assim, a tentativa de enfraquecer o regime pode acabar produzindo exatamente o contrário: um sistema mais fechado, mais militarizado e menos inclinado a qualquer acomodação diplomática.

Mojtaba Khamenei já declarou que o estreito de Ormuz continuará fechado, como instrumento de pressão para acabar com a guerra e exige o fechamento de bases militares estadunidenses na região.

<><> Um mundo em transição

A guerra com o Irã ocorre em um momento particularmente delicado do sistema internacional.

O mundo que emergiu após o fim da Guerra Fria — marcado pela supremacia incontestável dos Estados Unidos — já não existe.

A ordem internacional atravessa uma fase de transformação marcada pelo surgimento de múltiplos centros de poder, rivalidades tecnológicas e rearranjos econômicos profundos.

Nesse ambiente, decisões estratégicas podem produzir consequências muito além de seus objetivos imediatos.

Abrir mais um front militar pode parecer, no curto prazo, uma demonstração de força.

Mas, no longo prazo, pode significar exatamente o contrário.

<><> A pergunta que permanece

Ao iniciar mais uma guerra em um sistema internacional já tensionado por rivalidades entre grandes potências, Washington pode estar acelerando justamente aquilo que procura evitar: a erosão gradual da ordem internacional construída após 1945.

A história das grandes potências mostra que impérios raramente entram em declínio apenas por derrotas militares. Mais frequentemente, enfraquecem quando se dispersam em conflitos periféricos enquanto a estrutura do poder mundial se transforma em outro lugar.

Se esse for o caso, a guerra atual poderá ser lembrada não como um momento de afirmação estratégica dos Estados Unidos, mas como mais um episódio de uma transição histórica já em curso.

E, nesse cenário, a pergunta inicial retorna com ainda mais força: quem realmente ganha quando uma superpotência como os Estados Unidos decide entrar em mais uma guerra?

 

Fonte: Brasil 247

 

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