segunda-feira, 16 de março de 2026

Ricardo Queiroz Pinheiro: O retorno do velho roteiro da corrupção

Vamos lá, mais um capítulo da tristeza brasileira. Viva Paulo Prado.

Quando a direita percebeu que segurança pública não sangrava Lula de vez, sacou do bolso a velha e imorredoura corrupção.

O discurso da corrupção é uma ferramenta antiga e cínica. Serve para golpes eleitorais, serve para chantagem, serve para destruir biografias. Não precisa de prova, basta o barulho. O barulho certo, na hora certa, coordenado com a mídia certa. O resto o imaginário e a hipocrisia fazem.

Que fique claro: Lula e Moraes não têm nada em comum por convicção, projeto ou afinidade. O que os colocou no mesmo barco foi o golpe. Conjuntura, não cumplicidade. E os dois, creio, têm tamanho e estatura suficientes para se defender.

Do outro lado do tabuleiro, o elenco é revelador. Globo, ICL, Poder 360, André Mendonça com seu evangelicalismo de toga. E Fachin, o mesmo Fachin que saiu de Curitiba com a Lava Jato na bagagem, faz programa de ética em parceria com a mídia e ostenta um moralismo de fazer inveja a pastor em culto de quarta.

E o centrão, como sempre, atravessa a cena sem ser visto. É xingado, mas sempre acaba esquecido. O mercado financeiro também. Apresentado eternamente como o adulto na sala, vítima ou como bússola moral da República, nunca como réu. Mas o caso do Banco Master está aí. O governador Cláudio Castro está aí, Ibaneis também. Vorcaro está aí. Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central quando tudo foi articulado, está aí. Só que ninguém fala. Lula teve uma reunião com Vorcaro: manchete todo dia. Ciro Nogueira era amigo de vida dele, disse isso com todas as letras: silêncio total. Quem tomou chá vira réu. Quem tomou vinho nem é convocado.

A liturgia do capital é corrupta por definição. Corrupção não é anomalia, é o cotidiano. O que me revolta é que isso enlouqueça tanta gente, e o abismo social não enlouqueça ninguém. O empresário que lucra obscenamente é eficiente. O trabalhador explorado é o mercado funcionando. A desigualdade é natural. A miséria é natural. Só a corrupção é crime. Todo o resto é capitalismo. Essa seletividade moral tem assinatura de classe.

Ano eleitoral e, de repente, tudo faz sentido. Pautas esquecidas na gaveta ganharam urgência repentina. O forno ligou sozinho, como sempre liga.

O noticiário tem temperatura regulada. O Banco Master queima, Vorcaro queima, mas a fumaça some antes de chegar em certas direções. Roberto Campos Neto estava lá, era o presidente do Banco Central, articulou tudo. Está tranquilo. Ano eleitoral tem fogo controlado.

É a moral da tela. O juiz que vai salvar a República conhece o horário nobre e a câmera favorita. A ética tem endereço e tem horário. E quem financia o espetáculo nunca aparece nos créditos.

Enquanto isso, o abismo social segue lá, quietinho, longe das manchetes, fora das operações, referendado pela toga, sem a gritaria horrorosa da classe média. Crescendo todo dia e animando a barbárie.

André Mendonça virou o rei do estoicismo. Todo mundo fala que ele é sóbrio, ponderado, o adulto na sala. Enquanto isso, a PF vaza seletivamente, a Malu Gaspar publica, a Mônica Bergamo solta a bomba no fim da tarde, com aquela ironia de quem sabe mais do que está dizendo. A sobriedade tem roteiro. Os vazamentos têm endereço. E o endereço é sempre o mesmo.

Mas, quando o moralismo fica estridente demais, pontual demais, coordenado demais, tem cheiro.

E o cheiro é de golpe eleitoral.

Cai quem quer.

•        Deputado aciona PGR para investigar doações ligadas a Bolsonaro no caso Master

O deputado federal Lindbergh Farias (PT RJ) protocolou nesta quinta feira (12) uma representação criminal na Procuradoria Geral da República (PGR) e na Polícia Federal pedindo a abertura de investigação sobre possíveis irregularidades envolvendo transferências financeiras atribuídas a Fabiano Campos Zettel, cunhado do ex controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro.

Na peça enviada às autoridades, o parlamentar solicita a instauração de procedimento investigatório criminal para apurar a origem e a destinação de valores que teriam sido direcionados a campanhas eleitorais nas eleições de 2022. Segundo o documento, doações atribuídas a Zettel somariam cerca de R$ 5 milhões destinados às campanhas de Jair Bolsonaro à Presidência da República e de Tarcísio de Freitas ao governo de São Paulo.

De acordo com a representação, os valores teriam sido distribuídos da seguinte forma: aproximadamente R$ 3 milhões para a campanha presidencial de Bolsonaro e cerca de R$ 2 milhões para a campanha de Tarcísio. O documento afirma que tais valores colocaram o empresário entre os maiores doadores pessoas físicas dessas disputas eleitorais.

A peça também menciona declarações públicas atribuídas ao presidente do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, segundo as quais Zettel teria depositado aproximadamente R$ 3 milhões diretamente na conta pessoal de Bolsonaro.

No texto encaminhado à PGR, o deputado argumenta que, se confirmada, a circunstância exigiria apuração rigorosa. A representação afirma que “transferências milionárias diretamente para contas pessoais de lideranças políticas constituem circunstância que exige apuração rigorosa”, sobretudo quando realizadas por indivíduos vinculados a estruturas empresariais investigadas.

O documento sustenta que o caso deve ser analisado no contexto das investigações envolvendo o Banco Master. Segundo a representação, “vieram a público, nas últimas semanas, informações de elevada gravidade envolvendo o núcleo empresarial associado ao Banco Master”, instituição cujo então controlador tornou se alvo de apurações da Polícia Federal por suspeitas de fraude financeira, lavagem de dinheiro e outras práticas ilícitas no sistema bancário.

A peça acrescenta que as investigações e reportagens sobre o caso indicam a existência de “estrutura empresarial e financeira sofisticada, que teria operado por meio de múltiplos mecanismos de intermediação econômica, utilização de pessoas interpostas e movimentação de recursos em grande escala”.

Para o parlamentar, a eventual existência de fluxos financeiros entre empresários ligados ao caso e lideranças políticas pode levantar suspeitas sobre a utilização do financiamento político como mecanismo de influência institucional.

No documento, Lindbergh argumenta que contribuições políticas podem, em determinadas circunstâncias, funcionar como forma de dissimulação de pagamentos ilícitos. A representação afirma que doações eleitorais podem ser utilizadas como “instrumentos de mascaramento de pagamentos ilícitos”, sobretudo quando associadas a interesses empresariais dependentes de decisões estatais ou regulatórias.

A representação também sustenta que a investigação deve verificar se os valores mencionados foram devidamente registrados nas prestações de contas eleitorais e se a origem dos recursos corresponde à capacidade econômica do doador.

Entre as diligências solicitadas estão a oitiva de Daniel Vorcaro, Fabiano Zettel, Jair Bolsonaro, Tarcísio de Freitas, Valdemar Costa Neto e do tesoureiro nacional do PL, Jucivaldo Salazar Pereira. O parlamentar também pede que sejam requisitadas informações ao Banco Central, ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e a instituições financeiras para rastrear a origem e o destino dos recursos.

A representação solicita ainda medidas de rastreamento financeiro, incluindo eventual quebra de sigilo bancário e fiscal dos investigados, além do compartilhamento de provas com investigações em andamento sobre o Banco Master.

No entendimento do parlamentar, a eventual confirmação das irregularidades pode indicar a utilização de financiamento político como instrumento para obtenção de influência institucional. Na representação, Lindbergh afirma que “a apuração dos fatos narrados revela se imprescindível para preservar a integridade do sistema democrático e do regime jurídico de financiamento político”.

•        Jaques Wagner diz que novas revelações sobre ACM Neto e Master virão à tona: “Mais coisa a caminho”

O senador Jaques Wagner (PT) indicou que novas revelações sobre a relação entre o ex-prefeito de Salvador e pré-candidato ao Governo da Bahia, ACM Neto (União Brasil), e o Banco Master devem vir à tona em breve. O líder do governo no Senado também avaliou nesta sexta-feira (13), durante agenda em Camaçari, o possível impacto que a notícia pode ter na campanha de Neto.

“Evidentemente que notícia ruim sempre compromete uma caminhada. Não estou dizendo que vai significar x ou y por cento, até porque é só a ponta do iceberg. Pelo que eu estou sabendo tem mais coisa a caminho por aí. Não sei o que é porque ainda está sob sigilo a investigação, mas hoje por exemplo saiu o decreto de exclusividade que ele fez”, comentou o senador em entrevista ao site Política ao Vivo.

“Nós estamos muito à vontade neste episódio porque o que a gente fez foi privatizar uma rede de supermercado estatal e com a rede foi o conjunto todo. Agora quem não tinha rede de supermercado para vender, tem que explicar porque chamou o cartão para atuar na prefeitura ou governo do estado. A explicação cabe a eles”, complementou Wagner.

O petista se refere a uma reportagem do portal Uol nesta sexta que mostra que a Prefeitura de Salvador publicou um decreto em 2021, durante o primeiro mandato do prefeito Bruno Reis (União Brasil), que garantiu exclusividade para uma linha de crédito consignado operada pelo Banco Master destinada a servidores municipais.

Nesta semana o jornal O Globo publicou, com base em dados do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF), que o Banco Master e pela gestora Reag Investimentos repassaram R$ 3,77 milhões à empresa de consultoria A&M Consultoria, criada por ACM Neto em 2022 depois da derrota nas eleições, entre junho de 2023 e maio de 2024.

Em nota, a Prefeitura de Salvador afirmou que o modelo adotado na cidade não apresenta irregularidades e segue práticas utilizadas por outros órgãos públicos.

Em comunicado à imprensa após a repercussão do caso, ACM Neto disse que os serviços prestados ao Banco Master e à Reag envolveram análise da agenda político-econômica nacional e reuniões com equipes técnicas e jurídicas das empresas, e que os contratos foram formais, com recolhimento de impostos, e que não têm relação com os fatos atualmente investigados.

•        José Carlos Aleluia chama Vorcaro de “gangster” e cobra investigação do Caso Master na Bahia

Durante participação no programa Se Liga Bocão, da Baiana FM, pré-candidato a governador da Bahia, José Carlos Aleluia (Novo), analisou as polêmicas envolvendo o Caso do Banco Master. Segundo ele, é preciso investigar as situações que envolvem as fraudes financeiras do banco orquestradas pelo banqueiro Daniel Vorcaro.

Segundo ele, é necessário que seja instalada uma CPMI para analisar e revelar a verdade sobre o caso. Aleluia chegou a afirmar que as pessoas que estão envolvidas com o Vorcaro devem estar com medo de serem pegas.

“O Vorcaro que se confessa mafioso, procurou envolver o nome de todos os poderes. A delação dele é boa. O Vorcaro é um gangster travestido de banqueiro [...] e precisa investigar. A população está sem poder pagar conta de luz e ele gastando o dinheiro do povo, porque aquele dinheiro das festas dele, quem pagou foi o povo”, disparou o político.

Conforme afirmou, ao ser questionado por Zé Eduardo, Vorcaro e todos os envolvidos com o caso do Banco Master devem pagar pelos seus crimes, independente de ser baiano ou não. “Uma coisa é receber ele como banqueiro e ver as propostas dele, outra coisa é compactuar com os crimes dele”.

Ele ainda afirmou que o presidente Lula deve explicar sobre as visitas que recebeu de Vorcaro fora da agenda.

Sobre o envolvimento de ACM Neto no caso, Aleluia afirmou que não pretende acusar ninguém, mas cobrou que o caso precisa ser investigado a fundo para entender como o caso está entranhado na Bahia.

•        Racha no União Brasil! Contas de fundação ligada a ACM Neto são contestadas por conselheiros

A gestão de Antonio Rueda à frente do União Brasil vem chamando a atenção pelos altos gastos com as atividades do . As informações são da coluna de Andreza Matias, no site Metrópoles.

De acordo com a publicação, o balanço de 2025 da Fundação Índigo, organização voltada para formação política do partido, indica que a legenda gastou R$ 5,9 milhões apenas com “serviços prestados por terceiros”. Curiosos com o destino do valor, membros do conselho fiscal do União Brasil solicitaram as notas fiscais para detalhamento das despesas, mas os documentos foram negados, o que torna impossível saber com o que o dinheiro público foi usado.

Outro gasto que chamou a atenção foram os classificados como “missões internacionais”, o partido registra gasto de R$ 1 milhão com “serviços prestados por terceiros”. Ao total, foram gastos R$ 1,5 milhão com viagens para fora do Brasil. Com diárias os pagamentos somaram R$ 453.250.

A Fundação Índigo é presidida pelo ex-prefeito de Salvador ACM Neto e, em 2025, tinha em caixa R$ 54,6 milhões de recursos públicos.

Segundo o estatuto da fundação, uma das principais atribuições da entidade é preparar novos líderes políticos e gestores públicos. No entanto, o balanço da entidade mostra que, em 2025, o União Brasil investiu apenas R$ 26.400 em formação política. Em 2024, o valor havia sido de R$ 758.648.

A falta de detalhamento em algumas despesas provocaram um atrito entre membros do conselho fiscal da Fundação Índigo, o deputado Elmar Nascimento (BA) e o ex-deputado Pauderney Avelino (AM) votaram pela aprovação das contas, enquanto os outros dois – Ricardo Motta e Rodrigo Furtado – já disse que não vão aprovar as contas e prometeram enviar uma denúncia de suspeita de desvio de recursos partidários ao Ministério Público.

 

Fonte: Opera Mundi/ICL Notícias/BNews

 

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