segunda-feira, 16 de março de 2026

Poluição do ar pode aumentar risco de tumor cerebral comum, aponta estudo

A poluição atmosférica, especialmente a proveniente do tráfego veicular, pode elevar as chances de desenvolvimento de meningioma, um tipo de tumor cerebral geralmente benigno. A conclusão é de um amplo estudo dinamarquês publicado na revista Neurology, que acompanhou cerca de 4 milhões de adultos durante 21 anos. A pesquisa reforça evidências de que partículas ultrafinas presentes no ar poluído conseguem atravessar a barreira hematoencefálica, atingindo diretamente o tecido cerebral.

Entre os poluentes analisados, destacam-se o dióxido de nitrogênio e as partículas ultrafinas (menores que 0,1 micrômetro), comumente emitidas por veículos. Os resultados indicam que, para cada aumento de 5.747 partículas/cm³ na concentração dessas partículas, há um incremento de 10% no risco de meningioma. O estudo também identificou associações significativas com outros poluentes, como material particulado fino (PM2.5) e carbono elementar, marcador de emissões de diesel.

A metodologia utilizada envolveu o cruzamento de históricos residenciais com modelos avançados de qualidade do ar, estimando a exposição média dos participantes ao longo de uma década. Embora a pesquisa não estabeleça uma relação direta de causa e efeito, os dados sugerem que a poluição crônica pode desempenhar um papel no surgimento desses tumores.

Um dos pontos destacados pelos pesquisadores é a limitação do estudo em relação à medição da exposição individual, já que apenas a poluição externa próxima às residências foi considerada. Fatores como ambiente de trabalho e tempo gasto em locais fechados não foram incluídos. Apesar disso, os resultados ampliam o entendimento sobre os impactos neurológicos da poluição, tradicionalmente associada a problemas cardiovasculares e respiratórios.

Com a crescente urbanização e a persistência de altos níveis de emissões em grandes cidades, especialistas defendem políticas mais rigorosas para reduzir a concentração de poluentes no ar. A diminuição desses agentes nocivos pode representar um avanço significativo não apenas para a saúde pública, mas também para a prevenção de doenças até então pouco vinculadas à degradação ambiental.

O estudo abre caminho para novas investigações sobre os mecanismos pelos quais partículas ultrafinas afetam o sistema nervoso central. Enquanto isso, a mensagem é clara: melhorar a qualidade do ar beneficia o cérebro tanto quanto pulmões e coração.

•        Estudo do deslocamento de pólen entre as árvores orienta planejamento urbano para reduzir alergias

A forma como o vento sopra através das árvores e carrega minúsculos grãos de pólen, invisíveis a olho nu, pode se tornar uma ferramenta valiosa para arquitetos e gestores públicos na hora de planejar os espaços verdes das cidades. Com as mudanças climáticas estendendo a temporada de polinização das plantas, a população fica exposta por mais tempo a alérgenos, transformando o problema em uma questão de saúde pública. Para entender melhor essa dinâmica e oferecer soluções concretas, uma equipe internacional de cientistas recorreu à simulação computacional de última geração.

Engenheiros e físicos da Embry Riddle Aeronautical University, nos Estados Unidos, em parceria com as Universidades de Rouen e Lille, na França, criaram um modelo avançado capaz de reproduzir o fluxo de ar ao redor de diferentes espécies de árvores. A pesquisa, publicada no periódico Physics of Fluids, utilizou técnicas de fluidodinâmica computacional para analisar como a geometria de uma árvore – sua forma, densidade de folhas e porosidade – influencia o destino dos grãos de pólen depois que se soltam dos galhos.

O estudo considerou a complexidade da esteira de ar deixada atrás de uma árvore, um fenômeno turbulento que depende de fatores como a velocidade e direção do vento e a estação do ano, que altera a densidade da copa. Os pesquisadores aplicaram o método primeiro a um carvalho já documentado em estudos anteriores, validando a precisão da simulação com dados reais. Em seguida, analisaram uma tília cordata na região da Normandia, na França.

Ao comparar as duas árvores, a equipe descobriu que a topologia de cada espécie leva a padrões de dispersão do pólen completamente distintos no ambiente ao redor. No caso da tília, por exemplo, a simulação revelou uma regeneração da turbulência muito próxima à copa, um comportamento típico do vento atravessando estruturas densas como coberturas vegetais. A constatação de que o tipo de árvore altera o caminho percorrido pelo pólen no ar tem implicações diretas para o desenho urbano.

O trabalho fornece, assim, uma base quantitativa para que autoridades públicas orientem o manejo da arborização e a localização de parques. A ideia é que, no futuro, seja possível planejar cidades mais saudáveis, usando o conhecimento sobre o voo do pólen para posicionar espécies de forma estratégica e reduzir a exposição da população a crises alérgicas em áreas densamente povoadas. Os pesquisadores pretendem agora aperfeiçoar os modelos para prever a dinâmica dos grãos de pólen em escalas urbanas ainda maiores.

•        Estudo revela que PFOS contaminam abelhas e chega ao mel

Uma análise publicada no periódico Environmental Science & Technology acende um alerta sobre o impacto de um “químico eterno” em um dos insetos mais importantes para a agricultura. Cientistas da Universidade de Nova Inglaterra (UNE), na Austrália, monitoraram colônias de abelhas-europeias expostas ao PFOS e descobriram que a substância não só se acumula nos tecidos dos insetos como também contamina o mel por elas produzido.

O composto, integrante da família dos PFAS, foi desenvolvido na década de 1930 e integrou a fórmula de espumas de combate a incêndios, produtos industriais e de consumo até o início dos anos 2000. Embora seu uso esteja descontinuado na Austrália, a contaminação persiste no solo e na água por décadas, caracterizando um legado duradouro. As abelhas podem entrar em contato com o PFOS por meio de poeira, água, tintas usadas em colmeias e pólen de plantas cultivadas em áreas contaminadas.

No experimento, a exposição crônica a níveis ambientais da substância alterou a expressão de proteínas essenciais para o funcionamento celular dos insetos. A nova geração de abelhas apresentou o químico acumulado nos tecidos corporais e pesava menos do que aquelas nunca expostas ao contaminante. Esse peso reduzido indica glândulas menores, especialmente a hipofaríngea, responsável por produzir a geleia real que alimenta as larvas. Com a qualidade do alimento comprometida, o desenvolvimento das crias é afetado, colocando em risco a saúde e a longevidade de toda a colônia.

A perda de polinizadores representa um perigo direto para a diversidade e a qualidade da dieta humana. A produção de frutas vermelhas, a maioria das frutas e hortaliças depende desses insetos, e um declínio populacional levaria a uma oferta de alimentos mais restrita e menos nutritiva.

A pesquisa em ambiente controlado confirmou a transferência do PFOS para o mel, mas os próximos passos envolvem entender como a contaminação ocorre em campo. Os cientistas pretendem investigar se as plantas absorvem o químico do solo e o translocam para o néctar das flores. Se isso acontecer, as implicações se estendem a todos os polinidores e também aos consumidores de mel.

A descoberta serve de base para futuras diretrizes de proteção ambiental voltadas especificamente às abelhas, um grupo ainda pouco estudado diante da ameaça dos contaminantes. A recomendação para quem mantém colmeias em casa é evitar o uso de defensivos agrícolas que contenham PFAS na composição, já que muitos produtos para jardim ainda carregam esses compostos.

 

Fonte: eCycle 

 

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