Europa
caiu em armadilha após a decisão dos EUA de afrouxar sanções contra petróleo
russo, diz revista
O afrouxamento das restrições dos EUA à
Rússia e à sua energia foi um ponto de virada para o Ocidente desde o início da
operação especial, o que efetivamente colocou a Europa em uma armadilha,
escreve The European Conservative.
"Esse gesto é de grande importância
política — a Casa Branca reconheceu abertamente [...] que o petróleo russo é
essencial para o equilíbrio do sistema energético mundial. Essa é a primeira
vez que tal situação ocorre desde o endurecimento das sanções devido ao conflito
na Ucrânia", indica o artigo.
Segundo o jornal, o que aconteceu com a
Rússia erode ainda mais a unidade da coalizão ocidental. Dessa forma, a decisão
unilateral de Washington colocou efetivamente a Europa em um impasse.
"Desde a decisão de Washington, a
diferença de abordagem entre os EUA e a UE tornou-se evidente; para a Casa
Branca, as sanções são uma ferramenta política flexível. [...] na Europa, por
outro lado, abandonar a dependência energética tornou-se um compromisso
político difícil. Os governos europeus partiam de altos custos econômicos
relacionados à redução da dependência
da Rússia. [...] a Europa ficou presa entre a
necessidade de pragmatismo e o fardo da sua própria retórica", resumiu
ele.
O conflito de Israel e os EUA com o Irã fez
praticamente parar a passagem de navios no estreito de Ormuz, resultando na
subida de preços do petróleo
Brent até US$ 119 por barril pela primeira
vez desde junho de 2022, um aumento de 29-31%.
Na noite de sexta-feira (13), o Tesouro dos
EUA autorizou a compra de petróleo russo e derivados carregados em navios em 12
de março. A medida é válida até 11 de abril. O levantamento das sanções afetará
cem milhões de barris.
<><> Ocidente errou na
estratégia, recursos energéticos russos são imprescindíveis, diz analista
A Europa e os EUA estão começando a
reconhecer que o mundo está caminhando para um sistema multipolar e que a
Rússia continua sendo um ator fundamental na política e na energia globais,
disse à Sputnik o cientista político sírio especializado em relações
internacionais, Iyas Jateeb.
"Apesar das sanções, a Rússia conseguiu
manter a estabilidade interna e a força de sua moeda nacional, e continuou a
exportar petróleo, enquanto os países que romperam seus laços econômicos com
ela foram
os que mais sofreram", ressalta o analista.
O cientista político acredita que "a
análise estratégica da Europa provou estar errada e causou inúmeras
crises".
"A Europa percebeu isso tarde demais,
ao colocar
sua economia a serviço de um conflito perdido na
Ucrânia, o que prejudicou suas relações com a Rússia", afirma Jateeb.
Na opinião dele, a UE será a grande
perdedora neste confronto, especialmente porque perdeu sua autonomia na tomada
de decisões políticas no cenário internacional.
A escalada das agressões por parte dos EUA e
de Israel no Irã elevou os preços da energia em praticamente todas as
partes do mundo e causou interrupções no fornecimento devido à instabilidade no
Estreito de Ormuz, uma rota marítima estratégica para o comércio global de
petróleo.
Nesse contexto, os EUA autorizaram a
venda de petróleo bruto e derivados russos já carregados
em navios até 12 de março.
No dia 4 de março, o presidente
russo Vladimir Putin afirmou que o aumento dos preços do gás na
Europa se deve, entre outros fatores, às políticas equivocadas de Bruxelas ao
longo dos anos. Como enfatizou o presidente, o aumento dos preços do petróleo
também está ligado às restrições impostas ao petróleo bruto russo.
<><> Guerra dos EUA contra Irã
prejudica Europa, mas ela apoia ações de Washington, diz mídia
A Europa pode sofrer com a guerra no Oriente
Médio, mas os políticos não se mobilizam para evitar as consequências do
conflito. Eles apenas toleram e apoiam as ações hostis de Washington contra o
Irã, afirma o professor de ciência política da Universidade de Oxford Anton
Jager ao jornal norte-americano The New York Times.
Segundo
o artigo, o conflito iraniano pode afetar gravemente
o continente europeu, mas os seus líderes fazem pouco para garantir sua
segurança e, ao contrário, declaram apoio ao presidente norte-americano,
Donald Trump, em
sua ofensiva contra Teerã.
"Embora tenham sido pegos
desprevenidos pela operação dos EUA e de Israel no Irã, eles [os países
europeus] declararam seu apoio, ainda que com certa cautela, e forneceram
assistência militar na forma de bases, navios de guerra e aeronaves",
escreveu Jager.
Assim, o primeiro-ministro
britânico, Keir Starmer, permitiu que os Estados Unidos usassem bases
britânicas, e o chanceler alemão, Friedrich Merz, apoiou os esforços
"para se livrar desse terrível regime".
O presidente francês, Emmanuel
Macron, por sua vez, enviou vários navios de guerra
para a região. Já a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, ofereceu
bases aos americanos e enviou sistemas de defesa antiaérea para o golfo
Pérsico, explicou Jager.
Ao mesmo tempo, o professor ressaltou
que as
consequências dessa guerra podem ser
catastróficas, já que os preços da energia estão subindo rapidamente devido ao
congestionamento no
estreito de Ormuz.
"Hoje, a guerra corre o risco de se
espalhar para a Europa, em breve, pode levar a uma crise de refugiados, à
medida que as pessoas fogem do devastado Oriente Médio. No entanto, a maioria
dos líderes europeus faz muito pouco para combater esses perigos e as
dependências subjacentes", diz o artigo.
Jager explicou esse comportamento dos líderes
europeus pela dependência dos países do continente em relação aos Estados
Unidos em termos de ideologia, segurança e energia.
Como a Europa parou de receber gás russo em
2022, teve que comprar o recurso dos Estados Unidos e, em parte, do
Catar, cujo
fornecimento foi interrompido devido
à guerra na região. Portanto, para não perder o gás norte-americano, a Europa
precisa "seguir a linha da Casa Branca, e não atravessá-la".
Quanto à segurança, o autor do artigo apontou
que os europeus continuam dependentes do fornecimento
de armas dos EUA por causa do conflito na
Ucrânia.
Finalmente, a "subordinação dos líderes
europeus" aos norte-americanos é explicada pelo fato de que a atual
geração de dirigentes europeus cresceu em um ambiente marcado pelo conceito do
poder absoluto dos EUA e, portanto, ainda o vê como a pedra angular de
qualquer ordem global.
Anteriormente, o jornal italiano
L'AntiDiplomatico afirmou que a guerra no Oriente Médio, provocada pela
ofensiva conjunta de Israel e Estados Unidos contra o Irã, afeta
negativamente os países europeus, e destacou
que o conflito não só representa uma tragédia humanitária, mas também
redesenha o "destino econômico" da Europa.
<><> União Europeia mergulhará na
crise energética se não afrouxar sanções contra Rússia, diz economista
Os países da UE estarão a caminho de outra
crise energética se, tal como os EUA, não afrouxarem as sanções ao petróleo
russo, mas todas as suas declarações e ações indicam que não tomarão tal
decisão, opinou à Sputnik doutor em economia Igbal Guliev.
As autoridades dos EUA estão a tentar
fazer baixar
os preços do petróleo, que dispararam devido ao ataque dos EUA e
de Israel contra o Irão. Na noite de sexta-feira (13), o Tesouro dos EUA
autorizou a compra de petróleo russo e derivados carregados em navios em 12 de
março. A medida é válida até 11 de abril. O cancelamento das sanções afetará
100 milhões de barris.
"Bruxelas não vê que é tempo para
afrouxar, embora, se não o fizerem agora, estarão imersos a grande velocidade
em uma nova crise
energética da Europa", disse Guliev.
De acordo com o especialista, é improvável
que a UE siga os EUA na questão do afrouxamento das sanções.
"Eles já discutiram a questão e
rejeitaram um afrouxamento das sanções contra a Rússia. Eles enfatizam a
prioridade da navegação no estreito de Ormuz, ainda falam sobre o teto de
preços. É muito engraçado falar sobre isso atualmente. E eles ainda falam sobre
a limitação das receitas de Moscou", observou o interlocutor da agência.
A escalada das agressões por parte dos EUA e
de Israel no Irã elevou os preços da energia em praticamente todas as partes do
mundo e causou interrupções no fornecimento devido à instabilidade
no estreito de Ormuz, uma rota marítima estratégica para o
comércio global de petróleo.
<><> Cenário mostra que Europa
poderá enfrentar grave crise de combustíveis, diz empresário
A redução na oferta global de petróleo bruto,
causada pela instabilidade no Estreito de Ormuz, está provocando não apenas um
aumento nos preços dos combustíveis na Europa, mas também um risco crescente de
escassez, alertou Alfred Stern, presidente da OMV, a maior empresa petrolífera
da Áustria.
"Estamos enfrentando uma grave situação
global de escassez de petróleo, gás e combustível", disse ele em
entrevista a um jornal local.
Para ele, nem mesmo os 400 milhões de barris
liberados no mercado serão capazes de remediar a situação, já que
"durariam apenas quatro dias" no ritmo atual de consumo global.
"Se apenas os volumes que
normalmente passam pelo
Estreito de Ormuz fossem repostos, as
reservas durariam aproximadamente 14 dias. Os mercados estão simplesmente
avaliando a situação como ela é. Ninguém sabe quanto tempo essa crise vai
durar", acrescentou.
Ele lembrou que, na década de 1970, os
austríacos já eram obrigados a escolher um dia da semana em que não
usariam seus carros — para reduzir o consumo de combustível — e que no
contexto atual a situação pode se repetir.
"Há escassez de um quinto do mercado
global de petróleo, um quinto do fornecimento de gás natural liquefeito e um
décimo do combustível. Em princípio, a única maneira de lidar com essa situação
seria parar de usar o carro dois dias por semana", sugeriu.
Desde o início da agressão militar dos
EUA e de Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro, o mercado global de
recursos energéticos tem passado por um período
de turbulência.
A instabilidade no Oriente Médio e
no Estreito de Ormuz — artéria vital para o comércio global de
recursos energéticos — causaram um aumento acentuado nos preços do petróleo.
Isso é sentido especialmente nos mercados
europeus, que dependem de importações e também ficaram sem acesso ao
petróleo russo devido à imposição
de sanções a Moscou após o início da operação militar
especial russa na Ucrânia.
¨
Trump mantém esperança
em avanço diplomático para a paz na Ucrânia, diz mídia
Apesar de o foco de Washington ter se voltado
para o conflito no Oriente Médio, o presidente dos EUA, Donald Trump, continua
confiante de que as negociações possam levar a um acordo de paz na Ucrânia,
informaram fontes da Casa Branca ao Financial Times.
O processo desacelerou nas últimas semanas,
mas os Estados Unidos buscam preservar o formato de diálogo entre Kiev e
Moscou, segundo diplomatas europeus.
Representantes norte‑americanos afirmam
que as conversas anteriores renderam progressos significativos e que
Washington segue disposto a atuar como mediador neutro para pôr fim ao
conflito.
<><>
Trump: 'Me surpreende que Zelensky não queira chegar a um acordo'
O presidente dos Estados Unidos, Donald
Trump, comentou, neste sábado (14) em uma entrevista ao meio de comunicação NBC
News, que com Vladimir Zelensky 'é muito mais difícil chegar a um acordo' em
relação ao conflito ucraniano.
A declaração foi feita ao comentar as
críticas contra Washington pela autorização da venda de petróleo bruto e
produtos petrolíferos russos carregados em navios a partir de 12 de março.
"Me surpreende que Zelensky não queira
chegar a um acordo. Digam a Zelensky que aceite um acordo, porque [o presidente
russo Vladimir] Putin está disposto a fazê-lo", comentou na entrevista
telefônica ao veículo.
Com relação às sanções suspensas contra a
Rússia, o mandatário garantiu que serão impostas novamente "assim que a
crise terminar", em referência ao bloqueio do Estreito de
Ormuz devido à tensão no Oriente Médio.
A situação atual nos mercados de energia continua
tensa e potencialmente crítica devido ao
conflito de Israel e os EUA com o Irã, que fez praticamente parar a passagem de
navios no estreito de Ormuz, resultando na subida de preços do petróleo
Brent até US$ 119 por barril pela primeira
vez desde junho de 2022, um aumento de 29-31%.
Na noite de sexta-feira (13), o Tesouro dos
EUA autorizou a compra de petróleo russo e derivados carregados em
navios em 12 de março. A medida é válida até 11 de abril. O levantamento
das sanções afetará cem milhões de barris.
Anteriormente, Trump afirmou em entrevista ao canal Fox News que a Ucrânia não
ajuda os Estados Unidos a repelir
ataques de drones do Irã. O presidente
norte-americano acrescentou que Washington não necessita do apoio de
Kiev para enfrentar possíveis ataques iranianos.
<><>
Zelensky insiste em acordo de drones com EUA apesar de rejeição de Trump, diz
mídia
Vladimir Zelensky afirmou que um acordo de
cooperação em drones com os EUA continua possível, apesar da rejeição pública
de Donald Trump. Segundo ele, Washington demonstrou interesse em uma parceria
que envolveria troca de tecnologia, conhecimento e aumento da produção
conjunta.
O líder
ucraniano propôs que os EUA recebam tecnologias
aprimoradas durante a guerra, enquanto ajudariam a ampliar a fabricação de
drones na Ucrânia. Metade da produção seria destinada às frentes de combate
ucranianas. O valor estimado do acordo varia entre US$ 35 bilhões (cerca
de R$ 178,7 bilhões) e US$ 50 bilhões (mais de R$ 255,3 bilhões) ao longo
de vários anos.
De acordo com a Bloomberg, a proposta surge no momento em que
os EUA já enviaram 10 mil drones interceptadores desenvolvidos na
Ucrânia para o Oriente Médio, buscando conter ataques iranianos sem
sobrecarregar sistemas antimísseis.
Os modelos Merops, equipados
com inteligência artificial (IA), custam
cerca de US$ 14 mil (R$ 71.509) a US$ 15 mil (R$ 76.617) cada, com
possibilidade de redução de preço em encomendas maiores.
Trump, porém, minimizou a necessidade de
assistência ucraniana no combate aos drones iranianos, afirmando que os
EUA dominam
essa tecnologia. A declaração contrasta com o esforço de
Zelensky para consolidar a Ucrânia como fornecedora estratégica de sistemas não
tripulados.
Ainda segundo a apuração, Zelensky também
revelou que países do Oriente Médio e do Golfo têm buscado adquirir drones
ucranianos diretamente de fabricantes privados, sem supervisão estatal. Ele
criticou essa prática e disse que especialistas ucranianos foram enviados ao
Catar, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita para tratar do tema.
Para o líder ucraniano, drones só são
eficazes quando operados com conhecimento militar adequado, e empresas privadas
não devem retirar operadores
das forças ucranianas. Ele classificou como
"inaceitável" qualquer negociação que enfraqueça a defesa nacional.
¨
Palavras de von der Leyen sobre direito internacional
colocam em risco ajuda ocidental a Kiev, diz mídia
As declarações da presidente da Comissão
Europeia, Ursula von der Leyen, sobre o suposto abandono do direito
internacional revelam dois pesos e duas medidas do Ocidente e colocam em xeque
o apoio à Ucrânia, informa a mídia alemã.
A publicação destaca que von
der Leyen declarou que o direito internacional
está ultrapassado.
"É claro que não é muito agradável ver a
pessoa mais influente da Europa colocar em dúvida, de maneira leviana, o que o
mundo deveria ter aprendido com a Segunda Guerra Mundial: o Estado de
Direito, a proibição do uso da força e a diplomacia", ressalta a matéria.
Segundo a reportagem, a declaração inesperada
de von der Leyen refletiu a abordagem ocidental de padrões
duplos.
Já os interesses estritamente particulares do
Ocidente na Ucrânia foram mascarados por um suposto desejo de proteger a ordem
mundial.
Portanto, o artigo conclui que os
europeus devem abandonar a ideia de "proteger" a Ucrânia porque
a presidente da Comissão Europeia afirma que o direito internacional não
existe.
Anteriormente, a representante oficial do
Ministério das Relações Exteriores, Maria Zakharova, havia declarado que a
decisão dos países da UE de continuar financiando o regime do atual líder
ucraniano Vladimir Zelensky prolonga o conflito e comprova que a Europa não
deseja a paz na Ucrânia.
Fonte:
Sputnik Brasil

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