terça-feira, 17 de março de 2026

Europa caiu em armadilha após a decisão dos EUA de afrouxar sanções contra petróleo russo, diz revista

O afrouxamento das restrições dos EUA à Rússia e à sua energia foi um ponto de virada para o Ocidente desde o início da operação especial, o que efetivamente colocou a Europa em uma armadilha, escreve The European Conservative.

"Esse gesto é de grande importância política — a Casa Branca reconheceu abertamente [...] que o petróleo russo é essencial para o equilíbrio do sistema energético mundial. Essa é a primeira vez que tal situação ocorre desde o endurecimento das sanções devido ao conflito na Ucrânia", indica o artigo.

Segundo o jornal, o que aconteceu com a Rússia erode ainda mais a unidade da coalizão ocidental. Dessa forma, a decisão unilateral de Washington colocou efetivamente a Europa em um impasse.

"Desde a decisão de Washington, a diferença de abordagem entre os EUA e a UE tornou-se evidente; para a Casa Branca, as sanções são uma ferramenta política flexível. [...] na Europa, por outro lado, abandonar a dependência energética tornou-se um compromisso político difícil. Os governos europeus partiam de altos custos econômicos relacionados à redução da dependência da Rússia. [...] a Europa ficou presa entre a necessidade de pragmatismo e o fardo da sua própria retórica", resumiu ele.

O conflito de Israel e os EUA com o Irã fez praticamente parar a passagem de navios no estreito de Ormuz, resultando na subida de preços do petróleo Brent até US$ 119 por barril pela primeira vez desde junho de 2022, um aumento de 29-31%.

Na noite de sexta-feira (13), o Tesouro dos EUA autorizou a compra de petróleo russo e derivados carregados em navios em 12 de março. A medida é válida até 11 de abril. O levantamento das sanções afetará cem milhões de barris.

<><> Ocidente errou na estratégia, recursos energéticos russos são imprescindíveis, diz analista

A Europa e os EUA estão começando a reconhecer que o mundo está caminhando para um sistema multipolar e que a Rússia continua sendo um ator fundamental na política e na energia globais, disse à Sputnik o cientista político sírio especializado em relações internacionais, Iyas Jateeb.

"Apesar das sanções, a Rússia conseguiu manter a estabilidade interna e a força de sua moeda nacional, e continuou a exportar petróleo, enquanto os países que romperam seus laços econômicos com ela foram os que mais sofreram", ressalta o analista.

O cientista político acredita que "a análise estratégica da Europa provou estar errada e causou inúmeras crises".

"A Europa percebeu isso tarde demais, ao colocar sua economia a serviço de um conflito perdido na Ucrânia, o que prejudicou suas relações com a Rússia", afirma Jateeb.

Na opinião dele, a UE será a grande perdedora neste confronto, especialmente porque perdeu sua autonomia na tomada de decisões políticas no cenário internacional.

A escalada das agressões por parte dos EUA e de Israel no Irã elevou os preços da energia em praticamente todas as partes do mundo e causou interrupções no fornecimento devido à instabilidade no Estreito de Ormuz, uma rota marítima estratégica para o comércio global de petróleo.

Nesse contexto, os EUA autorizaram a venda de petróleo bruto e derivados russos já carregados em navios até 12 de março.

No dia 4 de março, o presidente russo Vladimir Putin afirmou que o aumento dos preços do gás na Europa se deve, entre outros fatores, às políticas equivocadas de Bruxelas ao longo dos anos. Como enfatizou o presidente, o aumento dos preços do petróleo também está ligado às restrições impostas ao petróleo bruto russo.

<><> Guerra dos EUA contra Irã prejudica Europa, mas ela apoia ações de Washington, diz mídia

A Europa pode sofrer com a guerra no Oriente Médio, mas os políticos não se mobilizam para evitar as consequências do conflito. Eles apenas toleram e apoiam as ações hostis de Washington contra o Irã, afirma o professor de ciência política da Universidade de Oxford Anton Jager ao jornal norte-americano The New York Times.

Segundo o artigo, o conflito iraniano pode afetar gravemente o continente europeu, mas os seus líderes fazem pouco para garantir sua segurança e, ao contrário, declaram apoio ao presidente norte-americano, Donald Trump, em sua ofensiva contra Teerã.

"Embora tenham sido pegos desprevenidos pela operação dos EUA e de Israel no Irã, eles [os países europeus] declararam seu apoio, ainda que com certa cautela, e forneceram assistência militar na forma de bases, navios de guerra e aeronaves", escreveu Jager.

Assim, o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, permitiu que os Estados Unidos usassem bases britânicas, e o chanceler alemão, Friedrich Merz, apoiou os esforços "para se livrar desse terrível regime".

O presidente francês, Emmanuel Macron, por sua vez, enviou vários navios de guerra para a região. Já a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, ofereceu bases aos americanos e enviou sistemas de defesa antiaérea para o golfo Pérsico, explicou Jager.

Ao mesmo tempo, o professor ressaltou que as consequências dessa guerra podem ser catastróficas, já que os preços da energia estão subindo rapidamente devido ao congestionamento no estreito de Ormuz.

"Hoje, a guerra corre o risco de se espalhar para a Europa, em breve, pode levar a uma crise de refugiados, à medida que as pessoas fogem do devastado Oriente Médio. No entanto, a maioria dos líderes europeus faz muito pouco para combater esses perigos e as dependências subjacentes", diz o artigo.

Jager explicou esse comportamento dos líderes europeus pela dependência dos países do continente em relação aos Estados Unidos em termos de ideologia, segurança e energia.

Como a Europa parou de receber gás russo em 2022, teve que comprar o recurso dos Estados Unidos e, em parte, do Catar, cujo fornecimento foi interrompido devido à guerra na região. Portanto, para não perder o gás norte-americano, a Europa precisa "seguir a linha da Casa Branca, e não atravessá-la".

Quanto à segurança, o autor do artigo apontou que os europeus continuam dependentes do fornecimento de armas dos EUA por causa do conflito na Ucrânia.

Finalmente, a "subordinação dos líderes europeus" aos norte-americanos é explicada pelo fato de que a atual geração de dirigentes europeus cresceu em um ambiente marcado pelo conceito do poder absoluto dos EUA e, portanto, ainda o vê como a pedra angular de qualquer ordem global.

Anteriormente, o jornal italiano L'AntiDiplomatico afirmou que a guerra no Oriente Médio, provocada pela ofensiva conjunta de Israel e Estados Unidos contra o Irã, afeta negativamente os países europeus, e destacou que o conflito não só representa uma tragédia humanitária, mas também redesenha o "destino econômico" da Europa.

<><> União Europeia mergulhará na crise energética se não afrouxar sanções contra Rússia, diz economista

Os países da UE estarão a caminho de outra crise energética se, tal como os EUA, não afrouxarem as sanções ao petróleo russo, mas todas as suas declarações e ações indicam que não tomarão tal decisão, opinou à Sputnik doutor em economia Igbal Guliev.

As autoridades dos EUA estão a tentar fazer baixar os preços do petróleo, que dispararam devido ao ataque dos EUA e de Israel contra o Irão. Na noite de sexta-feira (13), o Tesouro dos EUA autorizou a compra de petróleo russo e derivados carregados em navios em 12 de março. A medida é válida até 11 de abril. O cancelamento das sanções afetará 100 milhões de barris.

"Bruxelas não vê que é tempo para afrouxar, embora, se não o fizerem agora, estarão imersos a grande velocidade em uma nova crise energética da Europa", disse Guliev.

De acordo com o especialista, é improvável que a UE siga os EUA na questão do afrouxamento das sanções.

"Eles já discutiram a questão e rejeitaram um afrouxamento das sanções contra a Rússia. Eles enfatizam a prioridade da navegação no estreito de Ormuz, ainda falam sobre o teto de preços. É muito engraçado falar sobre isso atualmente. E eles ainda falam sobre a limitação das receitas de Moscou", observou o interlocutor da agência.

A escalada das agressões por parte dos EUA e de Israel no Irã elevou os preços da energia em praticamente todas as partes do mundo e causou interrupções no fornecimento devido à instabilidade no estreito de Ormuz, uma rota marítima estratégica para o comércio global de petróleo.

<><> Cenário mostra que Europa poderá enfrentar grave crise de combustíveis, diz empresário

A redução na oferta global de petróleo bruto, causada pela instabilidade no Estreito de Ormuz, está provocando não apenas um aumento nos preços dos combustíveis na Europa, mas também um risco crescente de escassez, alertou Alfred Stern, presidente da OMV, a maior empresa petrolífera da Áustria.

"Estamos enfrentando uma grave situação global de escassez de petróleo, gás e combustível", disse ele em entrevista a um jornal local.

Para ele, nem mesmo os 400 milhões de barris liberados no mercado serão capazes de remediar a situação, já que "durariam apenas quatro dias" no ritmo atual de consumo global.

"Se apenas os volumes que normalmente passam pelo Estreito de Ormuz fossem repostos, as reservas durariam aproximadamente 14 dias. Os mercados estão simplesmente avaliando a situação como ela é. Ninguém sabe quanto tempo essa crise vai durar", acrescentou.

Ele lembrou que, na década de 1970, os austríacos já eram obrigados a escolher um dia da semana em que não usariam seus carros — para reduzir o consumo de combustível — e que no contexto atual a situação pode se repetir.

"Há escassez de um quinto do mercado global de petróleo, um quinto do fornecimento de gás natural liquefeito e um décimo do combustível. Em princípio, a única maneira de lidar com essa situação seria parar de usar o carro dois dias por semana", sugeriu.

Desde o início da agressão militar dos EUA e de Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro, o mercado global de recursos energéticos tem passado por um período de turbulência.

A instabilidade no Oriente Médio e no Estreito de Ormuz — artéria vital para o comércio global de recursos energéticos — causaram um aumento acentuado nos preços do petróleo.

Isso é sentido especialmente nos mercados europeus, que dependem de importações e também ficaram sem acesso ao petróleo russo devido à imposição de sanções a Moscou após o início da operação militar especial russa na Ucrânia.

¨      Trump mantém esperança em avanço diplomático para a paz na Ucrânia, diz mídia

Apesar de o foco de Washington ter se voltado para o conflito no Oriente Médio, o presidente dos EUA, Donald Trump, continua confiante de que as negociações possam levar a um acordo de paz na Ucrânia, informaram fontes da Casa Branca ao Financial Times.

O processo desacelerou nas últimas semanas, mas os Estados Unidos buscam preservar o formato de diálogo entre Kiev e Moscou, segundo diplomatas europeus.

Representantes norte‑americanos afirmam que as conversas anteriores renderam progressos significativos e que Washington segue disposto a atuar como mediador neutro para pôr fim ao conflito.

<><> Trump: 'Me surpreende que Zelensky não queira chegar a um acordo'

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, comentou, neste sábado (14) em uma entrevista ao meio de comunicação NBC News, que com Vladimir Zelensky 'é muito mais difícil chegar a um acordo' em relação ao conflito ucraniano.

A declaração foi feita ao comentar as críticas contra Washington pela autorização da venda de petróleo bruto e produtos petrolíferos russos carregados em navios a partir de 12 de março.

"Me surpreende que Zelensky não queira chegar a um acordo. Digam a Zelensky que aceite um acordo, porque [o presidente russo Vladimir] Putin está disposto a fazê-lo", comentou na entrevista telefônica ao veículo.

Com relação às sanções suspensas contra a Rússia, o mandatário garantiu que serão impostas novamente "assim que a crise terminar", em referência ao bloqueio do Estreito de Ormuz devido à tensão no Oriente Médio.

A situação atual nos mercados de energia continua tensa e potencialmente crítica devido ao conflito de Israel e os EUA com o Irã, que fez praticamente parar a passagem de navios no estreito de Ormuz, resultando na subida de preços do petróleo Brent até US$ 119 por barril pela primeira vez desde junho de 2022, um aumento de 29-31%.

Na noite de sexta-feira (13), o Tesouro dos EUA autorizou a compra de petróleo russo e derivados carregados em navios em 12 de março. A medida é válida até 11 de abril. O levantamento das sanções afetará cem milhões de barris.

Anteriormente, Trump afirmou em entrevista ao canal Fox News que a Ucrânia não ajuda os Estados Unidos a repelir ataques de drones do Irã. O presidente norte-americano acrescentou que Washington não necessita do apoio de Kiev para enfrentar possíveis ataques iranianos.

<><> Zelensky insiste em acordo de drones com EUA apesar de rejeição de Trump, diz mídia

Vladimir Zelensky afirmou que um acordo de cooperação em drones com os EUA continua possível, apesar da rejeição pública de Donald Trump. Segundo ele, Washington demonstrou interesse em uma parceria que envolveria troca de tecnologia, conhecimento e aumento da produção conjunta.

líder ucraniano propôs que os EUA recebam tecnologias aprimoradas durante a guerra, enquanto ajudariam a ampliar a fabricação de drones na Ucrânia. Metade da produção seria destinada às frentes de combate ucranianas. O valor estimado do acordo varia entre US$ 35 bilhões (cerca de R$ 178,7 bilhões) e US$ 50 bilhões (mais de R$ 255,3 bilhões) ao longo de vários anos.

De acordo com a Bloomberg, a proposta surge no momento em que os EUA já enviaram 10 mil drones interceptadores desenvolvidos na Ucrânia para o Oriente Médio, buscando conter ataques iranianos sem sobrecarregar sistemas antimísseis.

Os modelos Merops, equipados com inteligência artificial (IA), custam cerca de US$ 14 mil (R$ 71.509) a US$ 15 mil (R$ 76.617) cada, com possibilidade de redução de preço em encomendas maiores.

Trump, porém, minimizou a necessidade de assistência ucraniana no combate aos drones iranianos, afirmando que os EUA dominam essa tecnologia. A declaração contrasta com o esforço de Zelensky para consolidar a Ucrânia como fornecedora estratégica de sistemas não tripulados.

Ainda segundo a apuração, Zelensky também revelou que países do Oriente Médio e do Golfo têm buscado adquirir drones ucranianos diretamente de fabricantes privados, sem supervisão estatal. Ele criticou essa prática e disse que especialistas ucranianos foram enviados ao Catar, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita para tratar do tema.

Para o líder ucraniano, drones só são eficazes quando operados com conhecimento militar adequado, e empresas privadas não devem retirar operadores das forças ucranianas. Ele classificou como "inaceitável" qualquer negociação que enfraqueça a defesa nacional.

¨      Palavras de von der Leyen sobre direito internacional colocam em risco ajuda ocidental a Kiev, diz mídia

As declarações da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, sobre o suposto abandono do direito internacional revelam dois pesos e duas medidas do Ocidente e colocam em xeque o apoio à Ucrânia, informa a mídia alemã.

A publicação destaca que von der Leyen declarou que o direito internacional está ultrapassado.

"É claro que não é muito agradável ver a pessoa mais influente da Europa colocar em dúvida, de maneira leviana, o que o mundo deveria ter aprendido com a Segunda Guerra Mundial: o Estado de Direito, a proibição do uso da força e a diplomacia", ressalta a matéria.

Segundo a reportagem, a declaração inesperada de von der Leyen refletiu a abordagem ocidental de padrões duplos.

Já os interesses estritamente particulares do Ocidente na Ucrânia foram mascarados por um suposto desejo de proteger a ordem mundial.

Portanto, o artigo conclui que os europeus devem abandonar a ideia de "proteger" a Ucrânia porque a presidente da Comissão Europeia afirma que o direito internacional não existe.

Anteriormente, a representante oficial do Ministério das Relações Exteriores, Maria Zakharova, havia declarado que a decisão dos países da UE de continuar financiando o regime do atual líder ucraniano Vladimir Zelensky prolonga o conflito e comprova que a Europa não deseja a paz na Ucrânia.

 

Fonte: Sputnik Brasil

 

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