Ataques
ao Irã danificam patrimônios culturais seculares
Marcos
históricos protegidos e considerados patrimônios culturais da humanidade estão
ameaçados pela guerra dos EUA e de Israel contra o Irã. Até o momento, os
ataque já danificaram uma mesquita e três palácios tombados pela Organização
das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), além de
outros sítios de relevância nacional.
A
Unesco afirmou que "comunicou a todas as partes envolvidas as coordenadas
geográficas dos locais da Lista do Patrimônio Mundial, bem como daqueles de
importância nacional, para evitar qualquer dano potencial".
A
disposição das coordenadas não impediu que o patrimônio histórico fosse
atingido. Os danos mais graves ocorreram nos centenários Palácio de Goletan e
Palácio Chehel Sotoun, além da Mesquita Jameh, datada do século 8.
"A
Unesco continua monitorando de perto a situação do patrimônio cultural no país
e em toda a região, com o objetivo de garantir sua proteção", acrescentou
a organização em uma nota.
Veja os
locais danificados até o momento.
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Palácio de Golestan, Teerã
Um dos
monumentos mais antigos da capital iraniana e o único Patrimônio Mundial da
Unesco em Teerã, o Palácio de Golestan é um complexo de oito edifícios
palacianos construído inicialmente no século 16 e revitalizado à sua forma
atual no século 19.
A ONU
confirmou que o Palácio de Golestan sofreu danos após ser atingido por
destroços de um ataque com mísseis ocorrido em 2 de março na vizinha Praça
Arag.
Os
estragos incluem tetos espelhados estilhaçados, arcadas quebradas, janelas
destruídas e detritos dentro dos salões.
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Palácio Chehel Sotoun, Isfahan
Conhecido
por seus afrescos meticulosamente detalhados, o Palácio Chehel Sotoun é um dos
marcos históricos mais famosos da cidade de Isfahan, localizada a cerca de 450
quilômetros ao sul de Teerã.
O
pavilhão do século 17 faz parte de outro Patrimônio Mundial da Unesco, os
Jardins Persas. O palácio era usado para recepções e cerimônias imperiais
durante o império safávida.
Uma
grande piscina retangular central, localizada bem em frente à entrada do
palácio, contribui para o nome do famoso marco. Chehel Sotoun significa
"40 colunas", referindo-se às 20 colunas de madeira do pavilhão, que,
quando refletidas na água, parecem dobrar de número.
A
Unesco confirma que vários elementos do palácio foram danificados durante
ataques a um prédio governamental adjacente, próximo à praça pública central da
cidade, em 10 de março.
A lista
de itens danificados inclui azulejos quebrados, murais caídos, janelas e
espelhos safávidas estilhaçados e afrescos rachados.
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Masjed-e Jame, ou Mesquita Jameh de Isfahan
Destroços
resultantes de bombardeios também causaram danos à estrutura, aos azulejos e
aos elementos decorativos da Masjed-e Jameh, a mais antiga mesquita preservada
do Irã, outro Patrimônio Mundial da Unesco em Isfahan.
Segundo
a entidade, "o monumento ilustra uma sequência de estilos arquitetônicos e
decorativos de diferentes períodos da arquitetura islâmica iraniana, abrangendo
12 séculos".
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Palácio Ali Qapu, Isfahan
Devido
à sua importância cultural e histórica, o palácio real de Ali Qapu também foi
incluído na lista do Patrimônio Mundial da Unesco em 1979.
O local
também foi afetado pelos ataques a Isfahan: janelas e portas foram quebradas,
bem como azulejos deslocados.
O
palácio está localizado no lado oeste da Praça Naqsh-e Jahan, um centro
cultural desenvolvido sob o reinado de Xá Abbas I, que governou de 1588 a 1629.
O complexo monumental de mesquitas, palácios e mercados tradicionais é
reconhecido como uma obra-prima da arquitetura safávida. A praça é apelidada de
Nesf-e Jahan, "metade do mundo".
O
prédio da Prefeitura na praça parece ter sido o alvo principal do ataque que
atingiu o marco histórico.
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Sítios pré-históricos do Vale de Khorramabad, Província de Lorestan
A
Unesco confirma que edifícios próximos a outro Patrimônio Mundial também foram
danificados pelo resultado de bombardeios que atingiram a cidade de
Khorramabad.
Na
região está o Vale de Khorramabad, composto por cinco cavernas e um abrigo
rochoso, que apresenta evidências de ocupação humana que remontam a 63 mil
anos. Ele foi protegido pela agência cultural da ONU em 2025.
Na
mesma região fica a cidadela de Falak-ol-Aflak, ou Castelo de Shapur Khast, uma
gigantesca fortaleza construída no início do século 3, durante a era sassânida.
Segundo
o Ministério da Cultura e do Turismo do Irã, o local sofreu danos graves após
um ataque direcionado a edifícios governamentais que acabou atingindo a área
interna da cidadela. A explosão comprometeu os museus de arqueologia e
antropologia do complexo, embora a estrutura principal da fortaleza tenha
permanecido intacta.
Cinco
funcionários e membros da equipe de proteção do patrimônio ficaram feridos, diz
a pasta.
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O "Escudo Azul"
Em uma
tentativa de proteger marcos históricos, as autoridades no Irã têm hasteado
escudos azuis e brancos no topo de edifícios por todo o país.
O
Escudo Azul é um emblema criado durante a Convenção de Haia de 1954 para
proteger bens culturais durante conflitos.
A
organização Blue Shield International também pediu a proteção do patrimônio no
Irã: "Embora a proteção da vida e da dignidade humanas deva ser sempre a
primeira prioridade em qualquer crise, a proteção das pessoas está intimamente
ligada à proteção de seu patrimônio", afirmou Peter Stone, presidente da
entidade, em comunicado divulgado em 13 de março.
"O
patrimônio cultural é mais do que um registro do passado; é uma âncora tangível
da identidade humana e um bem global compartilhado. Ele nos lembra que temos
muito mais em comum do que aquilo que nos diferencia", acrescentou Stone.
Os
danos relatados até o momento resultaram, em grande parte, de detritos e
explosões causadas por ataques que tinham como alvo infraestruturas próximas, e
não dos monumentos em si.
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Potenciais "crimes de guerra"?
O
presidente dos EUA, Donald Trump, já havia ameaçado atacar locais culturais do
Irã em janeiro de 2020.
Ataques
militares contra marcos históricos são considerados crimes de guerra segundo o
direito internacional. Os Estados Unidos, Israel e o Irã assinaram convenções
para proteger o patrimônio cultural, inclusive durante conflitos.
O
secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, criticou o que chamou de
"regras de combate estúpidas" – as convenções e leis destinadas a
reduzir os riscos para civis.
O
Comitê dos Estados Unidos do Blue Shield disse estar "perturbado" com
a declaração de Hegseth e observou que "o descumprimento do direito
internacional humanitário, incluindo inúmeras convenções internacionais das
quais os EUA são signatários, bem como do direito internacional
consuetudinário, pode levar à prática de crimes de guerra".
Fonte:
DW Brasil

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