quarta-feira, 18 de março de 2026

Moisés Mendes: Daqui a pouco o filho do chefão vai virar Flavinho

Os jornalões estão limpando a barra de Flávio Bolsonaro, como admitiu até a ombudsman da Folha, e daqui a pouco irão tratá-lo de forma carinhosa. Mesmo que diminutivos geralmente sejam problemáticos para políticos, ele pode virar um Flavinho sem sobrenome.

Flávio precisa, na repaginada, de mudanças que suavizem seu perfil. Como sugeriu a colunista Raquel Landim, em fevereiro, na capa do Estadão: “E se Flávio Bolsonaro tivesse um Paulo Guedes de saias?”

Os Bolsonaros são a expressão da brutalização da política brasileira. É preciso torná-los mais femininos. Raquel imagina uma mulher mandando na Fazenda e oferece a ideia de graça para o filho ungido.

Vários colunistas liberais, entre os quais Joel Pinheiro da Fonseca, Demétrio Magnoli e Elio Gaspari, têm certeza de que o filho não saiu igualzinho ao pai.

É preciso livrá-lo dos estigmas e apresentá-lo, não com a perna cabeluda, mas a coxa depilada do fascismo. A surpreendente exceção é Merval Pereira, que já prevê, com a possibilidade de ascensão de Flávio, uma nova tentativa de golpe.

Qualquer um desses liberais colaboracionistas pode acrescentar sugestões liberalizantes a Flávio, incluindo uma pessoa trans na Casa Civil, um carnavalesco na cultura e um negro de esquerda nos direitos humanos.

Podem contribuir para o que Alexandra Moraes, a ombudsman da Folha, denunciou no próprio jornal, no domingo, com o alerta de que o sobrenome Bolsonaro está desaparecendo dos títulos das notícias.

Alexandra nos indica que a Folha pode estar na dianteira de um plano para que daqui a pouco Flávio seja o Flavinho. Mudam a roupa, vendem a imagem de moderado e chamam mulheres para perto. Porque a maioria do eleitorado feminino o rejeita.

Suavizar o perfil de Flávio é hoje tarefa muito mais entregue às corporações de mídia do que aos marqueteiros da extrema direita. Folha, Globo e Estadão se encarregam da harmonização. O novo bolsonarismo é humanizado por fora, porque por dentro é complicado.

Um sujeito com o carisma de um brócolis começa a se apresentar como negociador que conversa com todo mundo, como dançarino de palco, que se revelou performático em comício em Rondônia, e como figura de projeção internacional que já fez várias viagens curtas e longas.

Flávio Bolsonaro precisa ser assimilado como o sapo a ser engolido pelos jornalões e pela velha direita. Mas precisa fazer concessões que o tornem uma figura menos bruta e por isso também menos associada à imagem e semelhança do grande chefão preso.

A retirada do sobrenome tem, além de fazer a faxina, a pretensão de testar um nome que se basta sozinho. Flávio será tratado como um Fernando Henrique, que no fim virou FH ou FHC.

Não podemos duvidar que também ele vire uma sigla e que as próximas manchetes o tratem como FB, como tratavam ACM e um dia trataram JK. Flávio Bolsonaro é um homem em reconstrução, em que tudo que já usava só vale para o seu eleitorado raiz.

O resto da direita à la Valdemar Victor Frankenstein Costa Neto merece uma criatura com bons modos à mesa, mesmo que sua estrutura, sua essência e sua alma continuem sendo tudo o que carrega do DNA do pai.

•        'Flávio Bolsonaro significa aliança com Trump, com a guerra e com a submissão', critica José Dirceu

O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu (PT) afirmou neste domingo (15) que a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República representa um alinhamento do Brasil com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. A declaração foi feita durante discurso no evento que celebrou os 80 anos do petista, realizado em São Paulo, relata o Poder360.

Dirceu avaliou que uma eventual eleição do senador significaria uma mudança na política externa brasileira e uma aproximação com a agenda internacional de Trump, associada a uma postura de confronto no cenário global.

Durante o discurso, o ex-ministro criticou duramente a possibilidade de ascensão do senador ao Palácio do Planalto. Para ele, o projeto político representa um alinhamento do país com interesses externos e um enfraquecimento da soberania nacional. “O que significa o Flávio Bolsonaro? Aliança com Trump, com a guerra, com a submissão do Brasil, o fim da nossa soberania e da nossa independência”, declarou.

Dirceu também afirmou que setores das elites brasileiras estariam demonstrando simpatia pela possibilidade de retorno do bolsonarismo ao comando do Executivo federal. Segundo ele, a forma como a candidatura do senador vem sendo discutida indicaria esse movimento político. “Quando se fala agora claramente na candidatura do Flávio, porque não falam mais Bolsonaro, é que parte das elites está namorando a volta do bolsonarismo no governo do Brasil”, disse.

No mesmo discurso, o ex-ministro citou episódios recentes da política brasileira e acusou lideranças ligadas ao bolsonarismo de representarem riscos institucionais ao país. Ele mencionou ainda os ataques às sedes dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023, classificando o episódio como um “golpe de Estado militar”.

•        PL pagará R$ 2 milhões para advogado cuidar da pré-campanha de Flávio

O PL vai gastar uma bolada para pagar o advogado Tracy Reinaldet, um dos escolhidos pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para integrar o time jurídico de sua pré-campanha à Presidência da República.

À Justiça Eleitoral, o PL declarou ter contratado o escritório de Tracy por R$ 2 milhões. O montante inclui a atuação do advogado entre janeiro e 30 de julho, último dias antes do início oficial da campanha eleitoral.

Dos R$ 2 milhões, o PL declarou já ter pago R$ 312,8 mil ao escritório. Entre as atribuições do advogado está cuidar do PL e de Flávio tanto em relação à Justiça Eleitoral, quanto para evitar eventuais problemas com a Justiça.

<><> As atribuições do advogado

Cabe a Tracy, por exemplo, fazer um filtro jurídico nas publicações de Flávio para evitar que o exercício do mandato seja confundido com campanha eleitoral. Ele também deve orientar o senador em discursos, postagens e entrevistas.

O advogado se tornou publicamente conhecido por atuar com envolvidos na Lava Jato. Ele foi o responsável, por exemplo, por negociar as delações do ex-ministro Antonio Palocci e do doleiro Alberto Youssef.

Além de Tracy, o PL contratou a advogada e ex-ministra substituta do TSE Maria Claudia Bucchianeri para atuar na pré-campanha de Flávio. O valor do contrato dela, contudo, ainda não foi informado pela sigla à Justiça Eleitoral.

•        Michelle Bolsonaro compartilha fake news e jornalistas passam a receber ameaças de morte em Brasília

compartilhamento de um vídeo pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro nas redes sociais desencadeou uma onda de ataques contra jornalistas que cobriam a internação do ex-presidente Jair Bolsonaro, em Brasília.

O vídeo, divulgado originalmente por uma influenciadora bolsonarista, acusa repórteres de estarem comemorando os problemas de saúde do ex-presidente. Não há qualquer evidência que sustente a acusação.

As imagens mostram jornalistas reunidos em frente ao hospital DF Star, onde aguardavam informações sobre o estado de saúde de Bolsonaro. Mesmo sem provas, a gravação sugere que os profissionais estariam desejando a morte do ex-presidente.

Michelle compartilhou o conteúdo em seu perfil no Instagram, onde possui mais de 8 milhões de seguidores, ampliando rapidamente a circulação do vídeo.

Após a postagem, jornalistas que aparecem nas imagens passaram a receber ameaças de morte, ofensas e mensagens de intimidação nas redes sociais. Um dos profissionais procurou a polícia e registrou boletim de ocorrência.

Também começaram a circular montagens e vídeos manipulados, incluindo um conteúdo produzido com inteligência artificial que simula o esfaqueamento de uma jornalista.

<><> Entidades denunciam intimidação

Organizações que representam profissionais da imprensa reagiram à disseminação do vídeo e aos ataques.

A Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) afirmou que o material foi retirado de contexto e acabou expondo repórteres que estavam apenas exercendo seu trabalho.

Segundo a entidade, a divulgação do conteúdo por figuras públicas ampliou uma campanha de desinformação que resultou em ameaças contra jornalistas.

A Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas) e o Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal também condenaram os ataques e pediram investigação das ameaças.

As entidades destacaram que intimidar jornalistas por meio de campanhas de difamação representa um ataque direto à liberdade de imprensa.

Bolsonaro está internado desde sexta-feira (13) na UTI do hospital DF Star, em Brasília, com diagnóstico de broncopneumonia bacteriana bilateral. Segundo boletim médico divulgado neste domingo (15), o quadro é estável, embora ainda não haja previsão de alta da unidade de terapia intensiva.

•        Lindbergh denuncia "blindagem" a Flávio Bolsonaro e Campos Neto após decisão de Mendon

O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) afirmou nesta terça-feira (17) que há uma tentativa de impedir o avanço das investigações relacionadas à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. Segundo ele, a decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que proibiu o acesso à chamada “sala-cofre” da comissão, levanta suspeitas de proteção a figuras políticas citadas no caso.

A declaração foi feita em publicação nas redes sociais e em vídeo divulgado pelo parlamentar. De acordo com Lindbergh, a medida ocorreu após a divulgação de informações pela jornalista Mônica Bergamo, indicando a presença do nome do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na lista de contatos de Daniel Bueno Vorcaro, investigado no caso.

<><> Decisão do STF restringe acesso a dados da CPMI

A decisão de André Mendonça determinou o bloqueio imediato do acesso a todo o material armazenado na sala-cofre da CPMI do INSS relacionado a Vorcaro. O ministro também ordenou que a Polícia Federal retire os equipamentos do local para uma nova análise. Segundo o despacho, a medida busca preservar informações de caráter privado. O ministro afirmou que a Polícia Federal deverá realizar uma triagem para separar conteúdos pessoais de dados relevantes à investigação.

<><> Lindbergh aponta contradições e cobra investigação

Lindbergh criticou a decisão e sugeriu que ela impede o esclarecimento dos fatos. “Estão tentando esconder a verdade! Bastou o nome de Flávio Bolsonaro aparecer nos contatos de Daniel Vorcaro e pronto: proibiram o acesso à sala-cofre da CPMI do INSS. Coincidência? Difícil acreditar”, afirmou.

O deputado também mencionou outros nomes que, segundo ele, aparecem nos registros analisados. “Roberto Campos Neto, peça central desse esquema, também surge na lista”, declarou.

No vídeo divulgado, Lindbergh reforçou as críticas à restrição de acesso e detalhou o conteúdo armazenado. “A sala-cofre é uma sala onde ficam documentos ligados à CPMI do INSS. E lá está o telefone, a nuvem do Daniel Vorcaro”, disse.

Ele também questionou declarações do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), citando supostas inconsistências. “O jornalista pegou ele e disse: ‘e aí? Você falou com o Vorcaro? Já falou alguma vez com o Vorcaro?’. Ele disse: ‘não, nunca falei com o Vorcaro’. Aí muda de opinião: ‘mas eu posso ter falado, porque temos um amigo em comum, o André Valadão’”, relatou.

<><> Medida envolve retirada de equipamentos pela Polícia Federal

A decisão do STF prevê que a Polícia Federal recolha os dispositivos armazenados na sala-cofre em cooperação com a presidência da CPMI. O objetivo é realizar uma nova análise dos dados, com foco na separação de informações pessoais.

Segundo Mendonça, a iniciativa busca garantir que conteúdos “exclusivamente à vida privada do citado investigado não sejam compartilhados com a referida Comissão Parlamentar”.

Lindbergh, por sua vez, classificou a situação como uma tentativa de obstrução. “Eles estão atrás de uma ‘operação abafa’, e nós queremos uma apuração de tudo, porque a gente sabe onde é que isso vai cair”, afirmou.

O parlamentar também rebateu críticas sobre a atuação do PT na criação da comissão. “O PT assinou, sim, pedido de investigação. O que não assinamos foi a CPMI do PL feita para confundir e proteger”, declarou.

 

Fonte: Brasil 247/Metrópoles/Brasil 247

 

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