Moisés
Mendes: Daqui a pouco o filho do chefão vai virar Flavinho
Os
jornalões estão limpando a barra de Flávio Bolsonaro, como admitiu até a
ombudsman da Folha, e daqui a pouco irão tratá-lo de forma carinhosa. Mesmo que
diminutivos geralmente sejam problemáticos para políticos, ele pode virar um
Flavinho sem sobrenome.
Flávio
precisa, na repaginada, de mudanças que suavizem seu perfil. Como sugeriu a
colunista Raquel Landim, em fevereiro, na capa do Estadão: “E se Flávio
Bolsonaro tivesse um Paulo Guedes de saias?”
Os
Bolsonaros são a expressão da brutalização da política brasileira. É preciso
torná-los mais femininos. Raquel imagina uma mulher mandando na Fazenda e
oferece a ideia de graça para o filho ungido.
Vários
colunistas liberais, entre os quais Joel Pinheiro da Fonseca, Demétrio Magnoli
e Elio Gaspari, têm certeza de que o filho não saiu igualzinho ao pai.
É
preciso livrá-lo dos estigmas e apresentá-lo, não com a perna cabeluda, mas a
coxa depilada do fascismo. A surpreendente exceção é Merval Pereira, que já
prevê, com a possibilidade de ascensão de Flávio, uma nova tentativa de golpe.
Qualquer
um desses liberais colaboracionistas pode acrescentar sugestões liberalizantes
a Flávio, incluindo uma pessoa trans na Casa Civil, um carnavalesco na cultura
e um negro de esquerda nos direitos humanos.
Podem
contribuir para o que Alexandra Moraes, a ombudsman da Folha, denunciou no
próprio jornal, no domingo, com o alerta de que o sobrenome Bolsonaro está
desaparecendo dos títulos das notícias.
Alexandra
nos indica que a Folha pode estar na dianteira de um plano para que daqui a
pouco Flávio seja o Flavinho. Mudam a roupa, vendem a imagem de moderado e
chamam mulheres para perto. Porque a maioria do eleitorado feminino o rejeita.
Suavizar
o perfil de Flávio é hoje tarefa muito mais entregue às corporações de mídia do
que aos marqueteiros da extrema direita. Folha, Globo e Estadão se encarregam
da harmonização. O novo bolsonarismo é humanizado por fora, porque por dentro é
complicado.
Um
sujeito com o carisma de um brócolis começa a se apresentar como negociador que
conversa com todo mundo, como dançarino de palco, que se revelou performático
em comício em Rondônia, e como figura de projeção internacional que já fez
várias viagens curtas e longas.
Flávio
Bolsonaro precisa ser assimilado como o sapo a ser engolido pelos jornalões e
pela velha direita. Mas precisa fazer concessões que o tornem uma figura menos
bruta e por isso também menos associada à imagem e semelhança do grande chefão
preso.
A
retirada do sobrenome tem, além de fazer a faxina, a pretensão de testar um
nome que se basta sozinho. Flávio será tratado como um Fernando Henrique, que
no fim virou FH ou FHC.
Não
podemos duvidar que também ele vire uma sigla e que as próximas manchetes o
tratem como FB, como tratavam ACM e um dia trataram JK. Flávio Bolsonaro é um
homem em reconstrução, em que tudo que já usava só vale para o seu eleitorado
raiz.
O resto
da direita à la Valdemar Victor Frankenstein Costa Neto merece uma criatura com
bons modos à mesa, mesmo que sua estrutura, sua essência e sua alma continuem
sendo tudo o que carrega do DNA do pai.
• 'Flávio Bolsonaro significa aliança com
Trump, com a guerra e com a submissão', critica José Dirceu
O
ex-ministro da Casa Civil José Dirceu (PT) afirmou neste domingo (15) que a
pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República
representa um alinhamento do Brasil com o presidente dos Estados Unidos, Donald
Trump. A declaração foi feita durante discurso no evento que celebrou os 80
anos do petista, realizado em São Paulo, relata o Poder360.
Dirceu
avaliou que uma eventual eleição do senador significaria uma mudança na
política externa brasileira e uma aproximação com a agenda internacional de
Trump, associada a uma postura de confronto no cenário global.
Durante
o discurso, o ex-ministro criticou duramente a possibilidade de ascensão do
senador ao Palácio do Planalto. Para ele, o projeto político representa um
alinhamento do país com interesses externos e um enfraquecimento da soberania
nacional. “O que significa o Flávio Bolsonaro? Aliança com Trump, com a guerra,
com a submissão do Brasil, o fim da nossa soberania e da nossa independência”,
declarou.
Dirceu
também afirmou que setores das elites brasileiras estariam demonstrando
simpatia pela possibilidade de retorno do bolsonarismo ao comando do Executivo
federal. Segundo ele, a forma como a candidatura do senador vem sendo discutida
indicaria esse movimento político. “Quando se fala agora claramente na
candidatura do Flávio, porque não falam mais Bolsonaro, é que parte das elites
está namorando a volta do bolsonarismo no governo do Brasil”, disse.
No
mesmo discurso, o ex-ministro citou episódios recentes da política brasileira e
acusou lideranças ligadas ao bolsonarismo de representarem riscos
institucionais ao país. Ele mencionou ainda os ataques às sedes dos Três
Poderes em 8 de janeiro de 2023, classificando o episódio como um “golpe de
Estado militar”.
• PL pagará R$ 2 milhões para advogado
cuidar da pré-campanha de Flávio
O PL
vai gastar uma bolada para pagar o advogado Tracy Reinaldet, um dos escolhidos
pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) para integrar o time jurídico de sua
pré-campanha à Presidência da República.
À
Justiça Eleitoral, o PL declarou ter contratado o escritório de Tracy por R$ 2
milhões. O montante inclui a atuação do advogado entre janeiro e 30 de julho,
último dias antes do início oficial da campanha eleitoral.
Dos R$
2 milhões, o PL declarou já ter pago R$ 312,8 mil ao escritório. Entre as
atribuições do advogado está cuidar do PL e de Flávio tanto em relação à
Justiça Eleitoral, quanto para evitar eventuais problemas com a Justiça.
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As atribuições do advogado
Cabe a
Tracy, por exemplo, fazer um filtro jurídico nas publicações de Flávio para
evitar que o exercício do mandato seja confundido com campanha eleitoral. Ele
também deve orientar o senador em discursos, postagens e entrevistas.
O
advogado se tornou publicamente conhecido por atuar com envolvidos na Lava
Jato. Ele foi o responsável, por exemplo, por negociar as delações do
ex-ministro Antonio Palocci e do doleiro Alberto Youssef.
Além de
Tracy, o PL contratou a advogada e ex-ministra substituta do TSE Maria Claudia
Bucchianeri para atuar na pré-campanha de Flávio. O valor do contrato dela,
contudo, ainda não foi informado pela sigla à Justiça Eleitoral.
• Michelle Bolsonaro compartilha fake news
e jornalistas passam a receber ameaças de morte em Brasília
compartilhamento
de um vídeo pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro nas redes sociais
desencadeou uma onda de ataques contra jornalistas que cobriam a internação do
ex-presidente Jair Bolsonaro, em Brasília.
O
vídeo, divulgado originalmente por uma influenciadora bolsonarista, acusa
repórteres de estarem comemorando os problemas de saúde do ex-presidente. Não
há qualquer evidência que sustente a acusação.
As
imagens mostram jornalistas reunidos em frente ao hospital DF Star, onde
aguardavam informações sobre o estado de saúde de Bolsonaro. Mesmo sem provas,
a gravação sugere que os profissionais estariam desejando a morte do
ex-presidente.
Michelle
compartilhou o conteúdo em seu perfil no Instagram, onde possui mais de 8
milhões de seguidores, ampliando rapidamente a circulação do vídeo.
Após a
postagem, jornalistas que aparecem nas imagens passaram a receber ameaças de
morte, ofensas e mensagens de intimidação nas redes sociais. Um dos
profissionais procurou a polícia e registrou boletim de ocorrência.
Também
começaram a circular montagens e vídeos manipulados, incluindo um conteúdo
produzido com inteligência artificial que simula o esfaqueamento de uma
jornalista.
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Entidades denunciam intimidação
Organizações
que representam profissionais da imprensa reagiram à disseminação do vídeo e
aos ataques.
A
Abraji (Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo) afirmou que o
material foi retirado de contexto e acabou expondo repórteres que estavam
apenas exercendo seu trabalho.
Segundo
a entidade, a divulgação do conteúdo por figuras públicas ampliou uma campanha
de desinformação que resultou em ameaças contra jornalistas.
A Fenaj
(Federação Nacional dos Jornalistas) e o Sindicato dos Jornalistas do Distrito
Federal também condenaram os ataques e pediram investigação das ameaças.
As
entidades destacaram que intimidar jornalistas por meio de campanhas de
difamação representa um ataque direto à liberdade de imprensa.
Bolsonaro
está internado desde sexta-feira (13) na UTI do hospital DF Star, em Brasília,
com diagnóstico de broncopneumonia bacteriana bilateral. Segundo boletim médico
divulgado neste domingo (15), o quadro é estável, embora ainda não haja
previsão de alta da unidade de terapia intensiva.
• Lindbergh denuncia "blindagem"
a Flávio Bolsonaro e Campos Neto após decisão de Mendon
O
deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) afirmou nesta terça-feira (17) que há
uma tentativa de impedir o avanço das investigações relacionadas à Comissão
Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. Segundo ele, a decisão do
ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que proibiu o
acesso à chamada “sala-cofre” da comissão, levanta suspeitas de proteção a
figuras políticas citadas no caso.
A
declaração foi feita em publicação nas redes sociais e em vídeo divulgado pelo
parlamentar. De acordo com Lindbergh, a medida ocorreu após a divulgação de
informações pela jornalista Mônica Bergamo, indicando a presença do nome do
senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na lista de contatos de Daniel Bueno Vorcaro,
investigado no caso.
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Decisão do STF restringe acesso a dados da CPMI
A
decisão de André Mendonça determinou o bloqueio imediato do acesso a todo o
material armazenado na sala-cofre da CPMI do INSS relacionado a Vorcaro. O
ministro também ordenou que a Polícia Federal retire os equipamentos do local
para uma nova análise. Segundo o despacho, a medida busca preservar informações
de caráter privado. O ministro afirmou que a Polícia Federal deverá realizar
uma triagem para separar conteúdos pessoais de dados relevantes à investigação.
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Lindbergh aponta contradições e cobra investigação
Lindbergh
criticou a decisão e sugeriu que ela impede o esclarecimento dos fatos. “Estão
tentando esconder a verdade! Bastou o nome de Flávio Bolsonaro aparecer nos
contatos de Daniel Vorcaro e pronto: proibiram o acesso à sala-cofre da CPMI do
INSS. Coincidência? Difícil acreditar”, afirmou.
O
deputado também mencionou outros nomes que, segundo ele, aparecem nos registros
analisados. “Roberto Campos Neto, peça central desse esquema, também surge na
lista”, declarou.
No
vídeo divulgado, Lindbergh reforçou as críticas à restrição de acesso e
detalhou o conteúdo armazenado. “A sala-cofre é uma sala onde ficam documentos
ligados à CPMI do INSS. E lá está o telefone, a nuvem do Daniel Vorcaro”,
disse.
Ele
também questionou declarações do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), citando
supostas inconsistências. “O jornalista pegou ele e disse: ‘e aí? Você falou
com o Vorcaro? Já falou alguma vez com o Vorcaro?’. Ele disse: ‘não, nunca
falei com o Vorcaro’. Aí muda de opinião: ‘mas eu posso ter falado, porque
temos um amigo em comum, o André Valadão’”, relatou.
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Medida envolve retirada de equipamentos pela Polícia Federal
A
decisão do STF prevê que a Polícia Federal recolha os dispositivos armazenados
na sala-cofre em cooperação com a presidência da CPMI. O objetivo é realizar
uma nova análise dos dados, com foco na separação de informações pessoais.
Segundo
Mendonça, a iniciativa busca garantir que conteúdos “exclusivamente à vida
privada do citado investigado não sejam compartilhados com a referida Comissão
Parlamentar”.
Lindbergh,
por sua vez, classificou a situação como uma tentativa de obstrução. “Eles
estão atrás de uma ‘operação abafa’, e nós queremos uma apuração de tudo,
porque a gente sabe onde é que isso vai cair”, afirmou.
O
parlamentar também rebateu críticas sobre a atuação do PT na criação da
comissão. “O PT assinou, sim, pedido de investigação. O que não assinamos foi a
CPMI do PL feita para confundir e proteger”, declarou.
Fonte:
Brasil 247/Metrópoles/Brasil 247

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