sexta-feira, 20 de março de 2026

André Barroso: O tiro no pé do caso Master

A celeuma em torno do Caso Master, que cada vez que se adentram os arquivos, mais envolve aqueles que queriam incriminar a esquerda de qualquer forma. Cada vez que se avança e surgem mais nomes, mais se vê que o tiro está indo pela culatra. Agora, avançam medidas para parar a investigação. Agora é tarde. A CPI do INSS recebeu documentos com novos contatos em celulares do ex-banqueiro do Master Daniel Vorcaro. Entre outros números, aparecem os nomes do senador Flávio Bolsonaro e Nikolas Ferreira. Lembrando que André Mendonça, ministro do STF indicado por Jair Bolsonaro quando foi presidente, tirou o acesso da CPMI do INSS aos dados de Daniel Vorcaro  e mandou a PF retirar equipamentos da sala-cofre do Congresso.

Assim como deu certo no passado com o indiciamento do presidente Lula por Sérgio Moro, por apenas indícios sem provas e que no momento mundial de avanço da extrema direita no mundo através do golpe na justiça, levando, depois de retirar o candidato favorito a eleição, a prisão. Lembrando que a repercussão de parcialidade levou a ONU acompanhar o julgamento, que as ações de Moro não foram imparciais, comprometendo a lisura do processo e a validade das provas. Agora tentam lacrar com a ideia que o filho do Lula estava envolvido no caso do Banco Master, apenas pela frase “o filho do cara”. Foi o suficiente para fazer sangrar a candidatura de Lula a eleição. Porém, depois da quebra de sigilo, nada foi encontrado.

Temos que lembrar também, que o maior capital da esquerda é ser honesto nas ações. Lula estar no terceiro mandato não é à toa. Desde os anos 70 reviraram a vida do presidente sem encontrar nada. Dilma saiu não pela desonestidade, que todos os partidos concordam, mas por que o golpe estava consolidado em todas as instancias, quando o então senador Romero Jucá diz que "A gente precisa fazer um pacto nacional, com o Supremo, com tudo.”.

ACM Neto, candidato do Bolsonaro ao governo da Bahia, recebeu R$ 3,6 milhões do Banco Master. Ciro Nogueira , Presidente do PP e ex-ministro de Bolsonaro tem mensagens sobre uso de helicóptero ligado ao banqueiro e tentativas de lobby. Nikolas Ferreira , Deputado federal citado por utilizar aeronave da Prime You  de Vorcaro, durante a campanha de reeleição de Bolsonaro. O próprio Jair Bolsonaro é citado em relação a doações de campanha feitas por Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro. Roberto Campos Neto, ex- presidente do Banco Central é investigações sobre a ajuda ao Banco Master. Tarcísio de Freitas, Governador de São Paulo é citado em doações de campanha vinculadas ao banco. Cláudio Castro, Governador do Rio de Janeiro, mencionado por colocar os fundos de previdência estaduais no banco Master. João Carlos Bacelar , Deputado da Bahia que aparece em negócios imobiliários com o banco, sem esquecer que a mansão de Flávio Bolsonaro foi financiado pelo Master. O Banco Master  emprestou R$ 22 milhões para a cunhada de Hugo Motta, presidente da Câmara dos Deputados, para comprar um terreno de fábrica de cimento em João Pessoa e criar um bairro. Sem falar da ligação de Toffoli e seu resort.

Cada vez surgem mais nomes e não é à toa que o ministro do André Mendonça, determinou sigilo sobre todo o material entregue à CPMI do INSS relacionado à vida privada de Daniel Vorcaro. Isso por quê? Porque também teremos provavelmente uma similaridade ao caso Epstein, guardando as proporções.

Enquanto a população em choque com o maior escândalo bancário da história está na ponta do iceberg, muitos aposentados sofrem com a dificuldade de seu parco dinheiro mensal, por tempo de serviço e com a possibilidade da extrema direita ascender ao poder e colocar tudo debaixo do pano fica apenas com discursos de uma realidade paralela deles. Tal qual o Diretor de Contraterrorismo dos EUA, Joseph Kent que abandona Trump e renuncia devido ao conflito com o Irã, onde falou que não existiam motivos para entrar na guerra. Enquanto o discurso do presidente  é o oposto.

 Consultem Angelo Calmon de Sá. Ele pode cantar as pedras.

•        Vazamentos ajudarão Vorcaro a anular o caso Master, alerta Pedro Serrano

Pedro Serrano, um dos maiores advogados e juristas do Brasil, disse em entrevista ao jornalista Luís Nassif, que os vazamentos de conversas e outras informações no âmbito do caso Master ajudarão, no futuro, a defesa do empresário Daniel Vorcaro a anular o inquérito. Segundo Serrano, os vazamentos à imprensa só têm uma finalidade: atrapalhar as investigações e gerar nulidades pelo caminho. Para o jurista, é o mesmo modus operandi que ocorreu durante a Operação Lava Jato.

“Estou vendo a mesma lambança que fizeram na Lava Jato sendo feita agora. Vorcaro agiu de forma delituosa. São crimes graves, aparentemente, contra a economia popular e administração pública, que envolvem muitos políticos. (…) Mas vazar informações, a primeira coisa que acontece é acabar com a própria investigação. O cara poderoso, quando sabe que está sendo investigado, ele atua”, disse Serrano, criticando especialmente o caráter “perverso” do vazamento de conversas íntimas ou que rompem com o direito ao sigilo entre advogado e cliente. “Me preocupa muito quando vejo jornalistas participando disso sem fazer a crítica.”

Na visão de Serrano, não há inocência nem heroísmo nos vazamentos, mas sim a malícia de criar condições para nulidades. “Eu não sei não se não estou operando a favor do Vorcaro. Temos que levantar essa hipótese. Porque esse tipo de vazamento auxilia o Vorcaro a anular tudo isso”, disse o criminalista. “Quem está vazando sabe que isso é crime e sabe das consequências que isso vai trazer para a investigação”, acrescentou.

No final, o enredo será o mesmo da Lava Jato, disse Serrano: “É o mesmo circo da Lava Jato de novo, que vai levar à nulidade do inquérito em favor do Vorcaro, e vão falar, depois, que a culpa é do Supremo e do Direito.”

<><> Vazamentos em série

A entrevista de Serrano foi veiculada na noite de segunda (16), durante o programa TV GGN 20 Horas. O jornalista Luís Nassif vem sustentado em seus artigos e programas que os vazamentos no caso Master seguem um padrão político e midiático semelhante ao da Lava Jato.

Segundo ele, os vazamentos seriam seletivos e estratégicos, inicialmente conduzidos por setores da Polícia Federal e depois ampliados para atores políticos, com o objetivo de influenciar a opinião pública e pressionar decisões judiciais.

Nassif também aponta que essas divulgações estariam sendo usadas para desviar o foco de agentes centrais do esquema — como figuras do Centrão e do mercado financeiro — e direcionar acusações contra alvos específicos, incluindo ministros do STF.

•        CPI avança sobre rede de influência e dinheiro

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado aprovou, nesta quarta-feira (18), a convocação da influenciadora e empresária Martha Graeff, ex-noiva de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. A decisão amplia o cerco sobre o banqueiro e busca mapear a rede de influências e o fluxo financeiro de seus negócios, hoje sob suspeita de irregularidades que envolvem desde contratos do INSS até o mercado de capitais.

O requerimento, apresentado pelo relator da comissão, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), coloca Martha na condição de testemunha. Segundo o parlamentar, a medida é necessária “por ser apontada, segundo os elementos informativos colhidos no âmbito da investigação, como interlocutora frequente e destinatária de relatos feitos por Daniel Vorcaro ao longo de período relevante das apurações“.

<><> Conexões com o Judiciário e o Executivo

A análise de mensagens extraídas pela Polícia Federal na Operação Compliance Zero revelou diálogos em que Vorcaro mencionava proximidade com autoridades. Um dos pontos de maior interesse da CPI diz respeito a um encontro informal com um “Alexandre Moraes”, ocorrido durante um feriado nas proximidades da residência do banqueiro.

Para o relator, as circunstâncias demandam esclarecimentos: “O caráter informal do encontro — descrito durante um feriado, na vizinhança da residência do banqueiro — levanta questões que só podem ser esclarecidas mediante depoimento: tratava-se de uma visita de natureza social? Havia pauta institucional envolvida? Martha Graeff recebeu esse relato em tempo real e pode contribuir decisivamente para a reconstrução do contexto em que ele foi feito“, justificou Vieira.

<><> Rastreamento de fundos exclusivos

Além da convocação de Graeff, a CPI aprovou uma ofensiva de dados contra a estrutura do Banco Master e da Reag Investimentos. Foram solicitadas informações detalhadas à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), ao Banco Central e à Anbima sobre todos os fundos de investimento exclusivos ou restritos ligados às instituições e suas controladas.

De acordo com o senador Alessandro Vieira, o cruzamento desses dados com as provas já colhidas permitirá desvendar a “rede de relacionamentos financeiros dos investigados, identificar o eventual proveito econômico decorrente das práticas investigadas e adotar as medida legais cabíveis“.

O Banco Master entrou no radar das autoridades após o INSS suspender 250 mil contratos de empréstimos consignados da instituição por falta de comprovação documental.

<><> Defesa nega vínculo patrimonial

Residente em Miami há quase duas décadas, Martha Graeff nega qualquer irregularidade. Em nota enviada por sua defesa, a influenciadora afirmou estar à disposição das autoridades brasileiras, mas rechaçou a tese de que teria servido de “laranja” para a blindagem de bens do ex-noivo.

“A Sra. Martha não possui imóveis, automóveis ou depósitos de valores decorrentes do relacionamento com o Sr. Daniel Vorcaro. Também não tem conhecimento sobre a existência de algum Trust que lhe envolva, seja nos Estados Unidos ou em qualquer outro país“, afirmou o advogado Lucio de Constantino. A defesa sustenta ainda que o patrimônio de Martha é compatível com sua carreira internacional e está devidamente declarado ao fisco americano.

 

Fonte: Brasil 247

 

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