sexta-feira, 20 de março de 2026

Escola de medicina fundada por Fidel celebra integração de estudantes brasileiros em visita do MST a Cuba

A reitora da Escola Latino-Americana de Medicina (Elam), Leiram Lima Sarmiento, celebrou neste domingo (15) a presença e a atuação dos estudantes brasileiros na instituição durante visita de uma delegação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) ao campus da escola, em Havana (Cuba). Em meio ao recrudescimento da pressão dos Estados Unidos sobre Cuba, ela afirmou que os alunos vindos do Brasil têm papel ativo na vida estudantil da universidade e formam hoje uma das maiores comunidades da Elam.

“Neste momento, temos um grupo de estudantes procedentes do Brasil que são excelentes alunos. São estudantes que trabalham sempre muito unidos, como uma grande equipe, e que souberam se integrar ao restante das nacionalidades que temos na instituição”, disse a reitora.

Leiram Lima Sarmiento também destacou a participação dos brasileiros em espaços de representação e organização dentro da escola. “Hoje, eles atuam por meio da organização estudantil, são representantes, trabalham em defesa das mulheres e se vinculam ao restante dos estudantes e das outras nacionalidades. Fazem coisas maravilhosas”, afirmou. “O Brasil está presente e é uma das maiores comunidades que temos dentro da escola.”

A visita à Elam fez parte da missão internacional de solidariedade a Cuba e à Venezuela organizada pela Assembleia Internacional dos Povos (AIP), que reuniu, entre os dias 9 e 15 de março, lideranças de movimentos populares e partidos políticos de cinco continentes. Em Cuba, a delegação acompanhou os efeitos do bloqueio imposto pelos Estados Unidos e participou de agendas ligadas à cooperação em saúde e às ações de solidariedade ao povo cubano.

Ao lado da reitora, João Pedro Stédile definiu a Elam como “um projeto maravilhoso”, fruto de “uma ideia fantástica do Fidel”, que criou a escola para formar “médicos, filhos de pobres da América Latina” e, mais tarde, de outros países do Sul Global. Ao resumir a proposta da instituição, ele destacou o caráter humanista da formação oferecida em Cuba: “médicos com mentalidade humanista para prevenir a doença e não simplesmente receitar remédio”.

Stédile afirmou que a escola já formou 31 mil médicos em 25 anos, entre eles mais de mil brasileiros. Também chamou atenção para a presença atual de estudantes do país na instituição. “São 72 jovens brasileiros que estão estudando agora na Elam, do MST, mas também de vários movimentos populares e camponeses que vieram aqui para se formar em medicina”, disse.

<><> Formação humanista e cooperação internacional

Criada em 1999, a Escola Latino-Americana de Medicina nasceu como parte da resposta cubana às catástrofes provocadas por furacões que atingiram países da América Central e do Caribe no fim dos anos 1990. Concebida por Fidel Castro, a iniciativa foi pensada para oferecer formação médica a jovens de origem popular, com a expectativa de que retornassem aos seus territórios para atuar em comunidades com pouco acesso à saúde.

A proposta pedagógica da Elam ficou marcada pela ênfase na atenção primária, na medicina comunitária e em uma prática voltada à prevenção e ao cuidado. É esse perfil que ajuda a explicar o peso simbólico da presença brasileira na instituição, sobretudo entre estudantes ligados ao MST e a outros movimentos populares.

A passagem da delegação pela escola ocorreu num momento em que o MST vem intensificando ações de solidariedade a Cuba, especialmente na área da saúde. No sábado (14), Stédile se reuniu com a vice-ministra da Saúde cubana, Tânia Hernández, para discutir iniciativas de cooperação e ajuda humanitária. Entre os temas do encontro, esteve o impacto do bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos há mais de seis décadas, que dificulta o acesso do país a medicamentos, insumos hospitalares e tecnologias essenciais para o sistema de saúde.

Nos últimos meses, a situação da ilha se agravou. Além do bloqueio histórico, Cuba enfrenta novas restrições que atingem o setor energético e aprofundam a crise de abastecimento. Apagões e escassez de alimentos e remédios têm se intensificado, afetando diretamente o cotidiano da população.

Nesse cenário, o MST vem impulsionando uma campanha permanente de solidariedade com envio de medicamentos a Cuba. Em fevereiro, a iniciativa realizou seu primeiro carregamento, com 1,7 tonelada de remédios destinados ao país.

 

Fonte: Por Rodrigo Chagas, em Brasil de Fato

 

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