Escola
de medicina fundada por Fidel celebra integração de estudantes brasileiros em
visita do MST a Cuba
A
reitora da Escola Latino-Americana de Medicina (Elam), Leiram Lima Sarmiento,
celebrou neste domingo (15) a presença e a atuação dos estudantes brasileiros
na instituição durante visita de uma delegação do Movimento dos Trabalhadores
Rurais Sem Terra (MST) ao campus da escola, em Havana (Cuba). Em meio ao
recrudescimento da pressão dos Estados Unidos sobre Cuba, ela afirmou que os
alunos vindos do Brasil têm papel ativo na vida estudantil da universidade e
formam hoje uma das maiores comunidades da Elam.
“Neste
momento, temos um grupo de estudantes procedentes do Brasil que são excelentes
alunos. São estudantes que trabalham sempre muito unidos, como uma grande
equipe, e que souberam se integrar ao restante das nacionalidades que temos na
instituição”, disse a reitora.
Leiram
Lima Sarmiento também destacou a participação dos brasileiros em espaços de
representação e organização dentro da escola. “Hoje, eles atuam por meio da
organização estudantil, são representantes, trabalham em defesa das mulheres e
se vinculam ao restante dos estudantes e das outras nacionalidades. Fazem
coisas maravilhosas”, afirmou. “O Brasil está presente e é uma das maiores
comunidades que temos dentro da escola.”
A
visita à Elam fez parte da missão internacional de solidariedade a Cuba e à
Venezuela organizada pela Assembleia Internacional dos Povos (AIP), que reuniu,
entre os dias 9 e 15 de março, lideranças de movimentos populares e partidos
políticos de cinco continentes. Em Cuba, a delegação acompanhou os efeitos do
bloqueio imposto pelos Estados Unidos e participou de agendas ligadas à
cooperação em saúde e às ações de solidariedade ao povo cubano.
Ao lado
da reitora, João Pedro Stédile definiu a Elam como “um projeto maravilhoso”,
fruto de “uma ideia fantástica do Fidel”, que criou a escola para formar
“médicos, filhos de pobres da América Latina” e, mais tarde, de outros países
do Sul Global. Ao resumir a proposta da instituição, ele destacou o caráter
humanista da formação oferecida em Cuba: “médicos com mentalidade humanista
para prevenir a doença e não simplesmente receitar remédio”.
Stédile
afirmou que a escola já formou 31 mil médicos em 25 anos, entre eles mais de
mil brasileiros. Também chamou atenção para a presença atual de estudantes do
país na instituição. “São 72 jovens brasileiros que estão estudando agora na
Elam, do MST, mas também de vários movimentos populares e camponeses que vieram
aqui para se formar em medicina”, disse.
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Formação humanista e cooperação internacional
Criada
em 1999, a Escola Latino-Americana de Medicina nasceu como parte da resposta
cubana às catástrofes provocadas por furacões que atingiram países da América
Central e do Caribe no fim dos anos 1990. Concebida por Fidel Castro, a
iniciativa foi pensada para oferecer formação médica a jovens de origem
popular, com a expectativa de que retornassem aos seus territórios para atuar
em comunidades com pouco acesso à saúde.
A
proposta pedagógica da Elam ficou marcada pela ênfase na atenção primária, na
medicina comunitária e em uma prática voltada à prevenção e ao cuidado. É esse
perfil que ajuda a explicar o peso simbólico da presença brasileira na
instituição, sobretudo entre estudantes ligados ao MST e a outros movimentos
populares.
A
passagem da delegação pela escola ocorreu num momento em que o MST vem
intensificando ações de solidariedade a Cuba, especialmente na área da saúde.
No sábado (14), Stédile se reuniu com a vice-ministra da Saúde cubana, Tânia
Hernández, para discutir iniciativas de cooperação e ajuda humanitária. Entre
os temas do encontro, esteve o impacto do bloqueio econômico imposto pelos
Estados Unidos há mais de seis décadas, que dificulta o acesso do país a
medicamentos, insumos hospitalares e tecnologias essenciais para o sistema de
saúde.
Nos
últimos meses, a situação da ilha se agravou. Além do bloqueio histórico, Cuba
enfrenta novas restrições que atingem o setor energético e aprofundam a crise
de abastecimento. Apagões e escassez de alimentos e remédios têm se
intensificado, afetando diretamente o cotidiano da população.
Nesse
cenário, o MST vem impulsionando uma campanha permanente de solidariedade com
envio de medicamentos a Cuba. Em fevereiro, a iniciativa realizou seu primeiro
carregamento, com 1,7 tonelada de remédios destinados ao país.
Fonte:
Por Rodrigo Chagas, em Brasil de Fato

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