Dependência
& socialismo no Brasil e na América Latina hoje
O
título do livro que agora apresentamos ao leitor resgata uma forma de colocar o
debate que foi muito profícua nas décadas de 1960 e 1970. Seja nas obras de
André Gunder Frank (Subdesenvolvimento ou Revolução), Ruy Mauro Marini
(Subdesenvolvimento e Revolução) ou Theotônio dos Santos (Socialismo ou
fascismo), o par de palavras indicava uma proposição teórico-política. É
precisamente nesse sentido que colocamos as palavras “dependência” e
“socialismo” no título.
Curiosamente,
ambas ideias parecem ter sido esquecidas no cenário político brasileiro, tanto
por organizações de esquerda, quanto por intelectuais e teóricos da realidade
brasileira, apagando, portanto, qual é o sistema econômico existente no Brasil
atualmente. Vejamos esse problema um pouco mais detidamente.
Após o
fim da Segunda Guerra Mundial, houve um processo de integração da economia
mundial liderado pela hegemonia dos EUA. Essa integração, que se deu através da
formação de monopólios, teve grande impacto sobre a América Latina, pois cada
vez mais houve uma entrada de capitais estrangeiros, especialmente no setor
manufatureiro. Essa grande entrada de capitais foi conformando uma nova
situação de dependência econômica dos países periféricos, entre eles o Brasil,
em relação aos países centrais. Essa nova natureza da dependência fez,
progressivamente, cair por terra todas as ilusões que a burguesia industrial
tinha.
Essas
ilusões haviam sido fomentadas pela ideologia do desenvolvimento disseminada
precisamente pelos EUA após a vitória na segunda grande guerra mundial. Para se
contrapor ao polo socialista, liderado pela URSS, os Estados Unidos difundiram
a ideia do desenvolvimento, isto é, que seria possível para os diferentes
países da periferia capitalista se desenvolverem e chegarem ao mesmo patamar
dos países centrais.
Essa
ideologia teve vasta repercussão no Brasil, porque, desde o governo de Getúlio
Vargas de 1930, a burguesia industrial brasileira havia tido uma grande
expansão, não só por incentivo do próprio Getúlio Vargas, mas também devido à
situação mundial (crise de 1929 e a Segunda Guerra Mundial), que possibilitou
com que se iniciasse um modelo de substituição de importações. Havia, portanto,
dentro dessa ideologia do desenvolvimento, as nações centrais desenvolvidas e
as nações periféricas subdesenvolvidas.
Assim,
o subdesenvolvimento seria uma etapa do desenvolvimento e essa etapa seria
passível de superação através de um guia de receitas de intervenção na política
econômica. Dessa forma, o objetivo era disseminar a ideia do desenvolvimento
econômico como sendo o ideal a se alcançar. Só não se mencionava que esse
desenvolvimento era o desenvolvimento capitalista e a quem ele beneficiava.
A
ideologia do desenvolvimento deu origem a diferentes teorias do
desenvolvimento. No Brasil, elas ficaram mais conhecidas através do Instituto
Superior de Estudos Brasileiros (ISEB), criado em 1955. O ISEB aglutinou
diversos pensadores que inclusive tinham muitas vezes ideias divergentes. Para
a América Latina, mas também com influência no Brasil, foi criado um braço da
ONU: a Comissão Econômica para a América Latina (depois o Caribe foi incluído
no nome), dando origem à CEPAL.
A CEPAL
é fruto daquela expansão da ideologia do desenvolvimento defendida pelos EUA,
mas, ao mesmo tempo, ela também trouxe novos elementos a partir de conceitos,
pesquisas e propostas que eram parte do contexto histórico-social da América
Latina. A CEPAL defendia que o subdesenvolvimento dos países latino-americanos
era produto de sua especialização na exportação de produtos primários, o que
caracterizava uma dependência externa dos países periféricos em relação aos
países centrais.
Essa
dependência era indicada empiricamente através da deterioração dos termos de
intercâmbio, ou seja, os produtos vendidos pelos países periféricos tinham um
preço menor do que os produtos que esses países importavam dos países centrais.
Esse problema de fato existia e foi um grande avanço da CEPAL conseguir
localizá-lo, apesar de não o compreender totalmente, nem tirar dele as devidas
conclusões políticas.
Essa
dependência externa identificada poderia ser superada, de acordo com a CEPAL,
através de um processo de industrialização. Daí que se buscavam justamente as
burguesias nacionais industriais para levar a cabo o projeto de desenvolvimento
nacional autônomo.
As
teses da CEPAL adquiriram grande repercussão na década de 1950 representando o
auge do pensamento burguês nacionalista na periferia do capitalismo. Em nenhum
país da América Latina essa teoria do desenvolvimento se disseminou com tanta
força como no Brasil, pois foi aqui que houve um maior avanço das forças
produtivas exatamente nesse período. Contudo, a crise do começo da década de
1960 apontou para o fim desse ideal desenvolvimentista e iniciou uma nova fase
de pensamento que buscava responder às novas determinações sócio-econômicas da
época.
Essa
nova teoria foi a teoria da dependência. Portanto, é possível afirmar que a
teoria da dependência surgiu da necessidade de superar a teoria do
desenvolvimento, ao mesmo tempo que buscava compreender essa nova integração
monopólica liderada pelos EUA e fornecer as bases para uma ação
tático-estratégica. Ela também representava uma tentativa da “nova esquerda” de
confrontar as teses do Partido Comunista à época, que defendia que havia
resquícios feudais no Brasil e que, portanto, seria necessário realizar uma
aliança com as burguesias nacionais industriais para se fazer um revolução
democrático-burguesa, anti-feudal e anti-imperialista.
O
capital nacional, para conseguir fazer frente ao capital estrangeiro que
chegava ao país, teria que fazer transformações tão radicais na sociedade que
se correria o risco de não somente se questionar o capital estrangeiro, mas
também o próprio capital nacional. É claro que a burguesia brasileira não iria
assumir esse risco. Ocorreu, então, a entrada de capitais estrangeiros, que
eram maiores em dinheiro e melhores em maquinário, além de terem um alto
desenvolvimento tecnológico.
Só
restou, portanto, à burguesia brasileira se tornar sócia minoritária do capital
estrangeiro, dando origem a uma progressiva desnacionalização dos meios de
produção. A situação da burguesia nacional foi denominada por Vânia Bambirra
como de classes dominante-dominadas.
Nesse
sentido, o pioneiro na crítica ao Partido Comunista PC e que permitiu a
abertura da discussão sobre a teoria da dependência foi Andre Gunder Frank.
Gunder Frank foi um alemão, radicado na escola econômica de Chicago, mas que
rompeu com as concepções dessa escola quando se mudou para o Brasil, a convite
de Darcy Ribeiro, para dar aulas na recém-criada Universidade de Brasília.
Gunder Frank tem uma vasta obra sobre a questão econômica da América Latina.
Apesar
de muito próximo ao marxismo, Andre Gunder Frank sempre fez questão de não se
autointitular marxista. Sua crítica à ideia de um feudalismo na América-Latina,
em especial no Brasil, pode ser vista no livro América latina:
subdesenvolvimento ou revolução. Lá ele estabelece como falsa a oposição
arcaico/moderno como correspondente aos países periféricos e países centrais
respectivamente. O subdesenvolvimento latino-americano não se daria por
características feudais, mas sim como resultado necessário do próprio
desenvolvimento do capitalismo mundial.
Subdesenvolvimento
e desenvolvimento não seriam, assim, fenômenos quantitativamente diferentes
(como propagam as teorias do desenvolvimento), mas, ao contrário, fenômenos
qualitativamente diferentes. Em sua teoria, Andre Gunder Frank aponta que
existem metrópoles e satélites e ambos estão conectados pelo desenvolvimento do
capitalismo. Dessa forma, o subdesenvolvimento dos satélites é uma consequência
do desenvolvimento das metrópoles. A partir disso, Gunder Frank chega em sua
célebre frase (considerada “impecável” por Ruy Mauro Marini) do
“desenvolvimento do subdesenvolvimento”.
Em
Brasília, Andre Gunder Frank terá contato com outros pensadores brasileiros,
entre eles três mineiros: Vânia Bambirra, Theotônio dos Santos e Ruy Mauro
Marini. Serão estes três brasileiros que, a partir do intercâmbio intelectual
com Andre Gunder Frank, irão expandir e aprofundar a teoria da dependência,
dando origem à sua versão marxista. Cada um dos três se encarregou de
diferentes tarefas acerca das pesquisas.
Cabe
ressaltar que suas análises sobre o desenvolvimento do capitalismo na
América-Latina e no Brasil não eram puramente acadêmicas, mas tinham objetivos
políticos claros. Vânia Bambirra escreveu livros fundamentais como Capitalismo
dependente latino-americano e Teoría de la dependencia: una
anticrítica (ainda sem tradução ao português). Theotônio dos Santos
tem também um conjunto substancial de obras, entre elas Socialismo ou
fascismo. O novo caráter da dependência e o dilema latino-americano, Imperialismo
y dependencia (ainda sem tradução também) e A teoria da
dependência: balanço e perspectivas.
Mas
quem alcançou a mais precisa e rigorosa elaboração teórica acerca da
dependência foi certamente Ruy Mauro Marini e seus fundamentais Dialética
da dependência e Subdesenvolvimento e revolução. Ruy Mauro
Marini aponta a transferência de valor dos países periféricos para os centrais
como elemento fundamental do capitalismo dependente e, como forma de compensar
esse valor que não é apropriado internamente pelas burguesias nacionais, ocorre
uma superexploração da força de trabalho.
Essa
superexploração pode-se dar de três formas: aumento da jornada de trabalho,
aumento da intensidade (não da produtividade) do trabalho e apropriação do
fundo de consumo dos trabalhadores, isto é, de seu salário. Essas três formas
podem agir separadamente, ou como é mais comum, conjuntamente. Esses dois
elementos do capitalismo dependente (transferência de valor e superexploração
da força de trabalho) vão dar origem a outros problemas que farão com que os
países periféricos jamais possam encontrar uma solução para o seu
subdesenvolvimento dentro do sistema, mas apenas com uma transformação social
radical, ou seja, a revolução socialista.
Ao
contrário da CEPAL, Marini, dos Santos e Bambirra apontam que a dependência não
pode ser somente externa, mas ela também se internaliza de acordo com cada
país, suas relações de produção e suas classes sociais. Portanto, ao mesmo
tempo que existe uma dependência externa, existe uma internalização dessa
dependência, que reorganiza as forças produtivas e conforma a luta de classes.
Pois
bem, a teoria da dependência surge para entender esse novo momento da
acumulação capitalista, além de orientar a estratégia e a tática da esquerda.
Outro fator de estímulo foi a Revolução Cubana de 1959, que marcou o início de
uma nova reflexão sobre a realidade latino-americana.A teoria da dependência
não nasce como uma teoria onde todos pensadores vinculados a ela têm o mesmo
enfoque, a mesma abordagem e até as mesmas conclusões. Por isso é possível
afirmar que não existiu apenas uma teoria da dependência, mas sim várias
teorias da dependência.
Como
essas teorias da dependência queriam se desprender das teorias do
desenvolvimento, inicialmente não é possível identificar claramente suas
diferenças. Foi apenas com o amadurecimento do debate, tendo seu auge em meados
da década de 1970, que se pode ver as diferenças teórico-metodológicas e também
políticas de cada vertente da teoria da dependência.
Pois
bem, a teoria da dependência em sua vertente marxista ficou conhecida como
Teoria Marxista da Dependência (TMD). Logo que ela começou a se desenvolver,
houve o golpe militar no Brasil em 1964, que acelerou ainda mais a entrada de
capitais estrangeiros no país, contribuindo para o desenvolvimento do
capitalismo dependente. Ruy Mauro Marini, Vânia Bambirra e Theotônio dos Santos
foram demitidos da UnB e precisaram fugir do país. Todos vão se reencontrar
posteriormente no Chile, onde haverá um grande aprofundamento dos estudos sobre
a dependência, especialmente no Centro de Estudos Socioeconômicos (CESO) da
Universidade do Chile.
Lá, Ruy
Mauro Marini, Vânia Bambirra e Theotônio dos Santos irão reencontrar Andre
Gunder Frank, além de outros pesquisadores como Orlando Caputo e Roberto
Pizarro, mas também Fernando Henrique Cardoso. Foi um período de grandes
avanços para a teoria da dependência, tanto empíricos, quanto
teórico-metodológicos. Contudo, o golpe militar brasileiro também representou
uma derrota política (não teórica) da Teoria marxista da dependência, pois ela
havia sido vencida pela força reacionária dos militares, bem como pelo capital
nacional em associação ao capital estrangeiro.
Assim,
a Teoria marxista da dependência perdeu uma batalha política importante e viu
sua possibilidade de disseminação no Brasil ser interrompida abruptamente.
Curiosamente, a vertente da teoria da dependência de extração weberiana,
representada por Fernando Henrique Cardoso, não teve o mesmo destino. Enquanto
as obras de Marini, Dos Santos e Bambirra não conheceram tradução ao português
senão no começo dos anos 1990, as obras de Cardoso foram traduzidas
rapidamente, inclusive no auge do período repressivo militar.
Ou
seja, havia uma livre circulação dessa vertente da teoria da dependência. Ao
mesmo tempo, FH Cardoso começou uma série de deturpações sobre a Teoria
marxista da dependência, em especial em relação à obra de Ruy Mauro Marini,
alterando as ideias deste pensador para melhor criticá-las. Assim, a teoria da
dependência que aparecia como a representante de todas as teorias da
dependência era a vertente de FH Cardoso e suas “críticas” (deturpações para
conseguir realizar uma suposta crítica) à Teoria marxista da dependência foram
sendo tomadas como a verdade absoluta.
Se
originou, portanto, um “pensamento único”, como aponta Prado, sobre a teoria da
dependência: o pensamento de Fernando Henrique Cardoso. Esse pensamento único
foi tão poderoso que inclusive economistas que escreveram seus livros
posteriormente na década de 1980 (ou seja, com amplo acesso aos livros de Ruy
Mauro Marini) continuaram reproduzindo as falsas críticas feitas por FH
Cardoso. Maria da Conceição Tavares, Guido Mantega, João Manuel Cardoso de
Mello, Luiz Carlos Bresser-Pereira disseminaram as mesmas deturpações
originadas por FH Cardoso em suas obras.
Portanto,
três autores brasileiros que tinham grande prestígio na América Latina e em
outras partes do mundo e representavam o melhor da teoria da dependência eram
sistematicamente ignorados no Brasil e isso mesmo após o fim da ditadura
civil-militar em 1985. Foi somente nos últimos 20 anos que a Teoria marxista da
dependência começou a ser redescoberta no Brasil e diversas obras de Marini,
Dos Santos e Bambirra foram traduzidas finalmente para o português.
Além
disso, diversos pesquisadores brasileiros escreveram livros, artigos, capítulos
de livros, dissertações e teses sobre o tema, recuperando-o de seu esquecimento
(para onde jamais deveria ter ido). Ora, isto indica precisamente que há uma
recuperação dessa teoria fundamental, auge da tentativa de compreensão da
realidade latino-americana e suas especificidades.
Após
esse longo percurso histórico que buscou, resumidamente, situar o contexto
sócio-histórico do surgimento da teoria marxista da dependência e algumas de
suas principais ideias, voltemos novamente ao título do livro.
A
dependência a que aludimos é justamente para o resgate da Teoria marxista da
dependência e as grandes possibilidades que ela apresenta para a compreensão da
situação dependente na qual o Brasil se encontra. A Teoria marxista da
dependência nos permite compreender criticamente o capitalismo dependente
brasileiro, suas contradições e a impossibilidade de resolução de seus graves
problemas dentro do marco desenvolvimentista, isto é, dentro do próprio modo de
produção capitalista.
Dessa
forma, é possível fazer a crítica ao “novo-neodesenvolvimentismo” existente
atualmente. A Teoria marxista da dependência foi um esforço de Dos Santos,
Bambirra e principalmente de Marini para essa tarefa. E como toda teoria que
provém de Karl Marx, ela é um trabalho aberto, pois a realidade está em
constante mutação. O capital, de Marx, é uma tentativa de
sistematização das principais leis de funcionamento do modo de produção
capitalista em um determinado nível de abstração.
A
Teoria marxista da dependência parte desse nível de abstração para atingir as
formas concretas de funcionamento do capitalismo a nível das formações
econômico-sociais específicas, como o Brasil, por exemplo. Assim, as leis do
capitalismo dependente são parte das leis gerais do modo de produção
capitalista, mas que adquirem uma forma particular de funcionamento justamente
porque estão em um nível de concretude maior, isto é, estão na especificidade
de cada formação econômico-social.
Mas
deve-se advertir: a Teoria marxista da dependência não teve, e agora tampouco
pode ter, um caráter meramente acadêmico. Ela é antes de tudo uma
“teoria-militante”, como aponta Luce. Não poderia deixar de ser, pois ela vem
da tradição inaugurada por Marx. E a famosa décima primeira tese sobre
Feuerbach de Marx afirma justamente que “Os filósofos apenas interpretaram o
mundo de diferentes maneiras; o que importa é transformá-lo.” E assim chegamos
à segunda palavra deste livro: socialismo.
O
socialismo, no Brasil, parece uma palavra esquecida e os principais partidos de
esquerda, claro que com algumas poucas exceções, sequer pautam a transformação
radical da sociedade, mas, antes, defendem seu desenvolvimento dentro do
próprio capitalismo. O sistema capitalista não oferece saídas nem nos países
que constituem seu centro, muito menos pode oferecer uma alternativa para
países dependentes e periféricos.
Aqui só
resta a superexploração da força de trabalho e o subdesenvolvimento, que
acarreta uma pobreza enorme, uma desigualdade social cada vez mais acentuada,
violência, destruição da natureza e impossibilidade de garantir às amplas
massas saúde, educação, segurança.
É por
isso que a Teoria marxista da dependência não é uma teoria sem proposição
política, mas é justamente porque identifica corretamente os limites do
capitalismo dependente que ela aponta para a única saída possível: o
socialismo. O socialismo é uma possibilidade, pois ele é uma necessidade. O
debate em torno dessa transição teve seu ápice precisamente nas décadas de 1950
e 1960 (até o golpe militar) onde se cristalizou através das diferentes teorias
da revolução brasileira.
Diferentes
autores tematizaram essa questão, mas ela foi barrada em 1964 e somente agora
está, progressivamente, retornando à pauta, ainda que de forma minoritária. A
revolução brasileira deve ser uma revolução socialista. Somente a transformação
radical da realidade brasileira (e também latino-americana) pode apresentar uma
alternativa política coerente para o vale de lágrimas no qual nos encontramos.
E é nesse sentido que a Teoria marxista da dependência apreende os fundamentos
do capitalismo dependente, bem como coloca a relação interno/externo (classes
sociais internas/imperialismo) em seu devido lugar.
Superar
a brutal condição de vida da imensa população brasileira, dando-lhe condições
não só dignas de vida, mas de efetivamente existir em toda sua plenitude e
capacidade é uma necessidade da mais extrema importância. A dependência é
somente uma situação e por isso deverá encontrar também seu fim. Esse fim é a
transição para o socialismo.
Falar
em socialismo e em revolução brasileira parece algo longínquo, irreal e até
impossível. Mas diante da exploração, opressão, racismo, violência e
marginalização que grande parcela da população brasileira convive
diuturnamente, esta é a única possibilidade de sucesso que existe para dar fim
às consequências tão desumanas que o capitalismo dependente produz. Há que ter
tenacidade e coragem, além de uma dose de otimismo, pois os tempos não são
fáceis.
Contudo,
a partir das bases teórico-metodológicas estabelecidas pela Teoria marxista da
dependência temos um caminho por onde trilhar esse longo e sinuoso percurso que
será a revolução brasileira. É hora de teorizar para agir na prática política
de forma coerente, estabelecendo, assim, uma nova práxis política que remeta ao
que há de mais radical e, por isso, de mais humano, na sociedade brasileira,
tal como Karl Marx continuamente nos ensina.
Fonte:
Por Flávio Magalhães Piotto Santos e Rodrigo Nagem de Aragão, em A Terra é
Redonda

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