Valor
das multas contra Sabesp quadriplicam em 2024
O valor
das multas aplicadas contra a Sabesp mais que quadriplicaram em 2024, segundo
dados da Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo
(Arsesp).
Em
2022, foram oito multas, que somaram R$ 19,5 milhões. No ano seguinte, em 2023,
houve 12 autuações, totalizando R$ 58,7 milhões. Já em 2024 — ano da
desestatização — o número saltou para 37 multas, que somam R$ 250,7 milhões.
Do
total de 37 autuações aplicadas em 2024, 12 foram registradas após julho de
2024, data que o governo Tarcísio de Freitas (Republicanos) privatizou a
empresa. Essas multas pós-desestatização somam R$ 33,14 milhões.
Em
2025, foram registradas 15 multas que estão enquadradas no novo contrato. Elas
somam R$ 232 milhões, e ainda podem ser alvo de recurso.
Segundo
a Arsesp, a aplicação de multas não é automática e ocorre quando há
descumprimento das normas (leia mais abaixo).
"As
concessionárias são obrigadas a comunicar todos os incidentes à Arsesp, que
acompanha cada caso para garantir o rápido restabelecimento dos serviços e a
qualidade do atendimento à população", afirmou.
"Hoje,
o Governo de São Paulo e a Arsesp atuam com base nas avaliações de resultados
já observados e mensurados e na qualidade objetiva da prestação do serviço, com
regras claras e rígidas relacionadas a investimentos e efetiva melhoria do
atendimento à população."
A
privatização da Sabesp foi concluída pelo governador Tarcísio de Freitas
(Republicanos), com arrecadação de R$ 14,8 bilhões. A empresa é a maior de
saneamento do país e atende cerca de 28 milhões de pessoas.
Reclamações
O
aumento das multas ocorre em meio a uma alta expressiva nas reclamações de
consumidores. Na região metropolitana de São Paulo, o número de queixas quase
triplicou em dois anos.
Dados
da Arsesp mostram que as queixas passaram de cerca de 3,7 mil em 2023 para
quase 10 mil em 2024, um aumento de 162%.
As
principais reclamações registradas pelos consumidores são sobre problemas nas
contas e falta de água.
Um
exemplo dessa situação foi vivido por moradores de um condomínio no Horto do
Ypê, na região do Campo Limpo, Zona Sul da capital, que ficaram mais de 80
horas sem abastecimento após um problema na rede.
O
condomínio tem cinco torres e cerca de 180 apartamentos. Desde a manhã de 13 de
março, nenhuma torneira funcionava.
Na casa
da professora Geisa Braga dos Santos Barbosa, a rotina virou improviso. A louça
ficou acumulada na pia, a roupa suja se amontoou no cesto e a família passou a
depender de água mineral para beber e cozinhar. Até a água usada no banheiro
precisou ser armazenada em recipientes.
“É um
sentimento de nojo e de impotência. A gente precisa da água, que é um serviço
essencial, e vive essa situação. A casa está suja, a louça acumulada”, disse.
Ela
conta que a situação é ainda mais difícil porque mora com o filho de 5 anos.
“Ficar
quatro dias sem água é um tormento. Não tem água para lavar roupa, louça, para
beber. A gente está na seca mesmo.”
Segundo
moradores, várias ligações foram feitas para a Sabesp desde o início do
problema. A cada contato, no entanto, eles receberam uma explicação diferente
para o desabastecimento.
“Falaram
que era manutenção na rede, depois que era manutenção pontual no bairro e que
um técnico viria. Disseram que viria sexta, depois sábado à tarde, depois
domingo até meio-dia. Ontem [16/3] ficamos o dia inteiro ligando, e o prazo era
de 24 horas”, afirmou Geisa.
A
síndica do condomínio, Luciana Oliveira Tolentino, disse que foi preciso
contratar caminhões-pipa para amenizar a situação.
“Normalmente
nossa conta de água vem em torno de R$ 5 mil, porque o condomínio tem tarifa
social e água de reuso. Mas já gastamos cerca de R$ 11,5 mil só com
caminhões-pipa desde sexta-feira [13 de março]”, afirmou.
Segundo
ela, todas as verificações internas solicitadas pela companhia foram feitas.
“Em
todos os protocolos pediam para verificar se o problema não era da bomba d’água
do condomínio. Fizemos tudo isso, inclusive mais de uma vez.”
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Peça quebrada na rede
Um
funcionário que presta serviço para a Sabesp foi ao condomínio na tarde da
segunda-feira (16) e identificou que uma peça do registro da rede estava
quebrada e precisava ser substituída.
Inicialmente,
os moradores foram informados de que o reparo só seria feito na manhã seguinte
por falta da peça. Pouco depois, o equipamento foi localizado, e o conserto
começou. O abastecimento passou a ser retomado de forma lenta, com baixa
pressão nas torneiras.
Segundo
a Arsesp, as queixas registradas na agência são feitas por consumidores de toda
a egião metropolitana de São Paulo.
Para a
agência reguladora abrir um processo, o cliente deve primeiro registrar a
reclamação diretamente com a Sabesp.
Nos
últimos dias, estudantes que moram no Conjunto Residencial da Universidade de
São Paulo (Crusp), na Zona Oeste da capital, também relataram falta de água nas
redes sociais.
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O que diz a Sabesp
A
Sabesp informou que houve oscilações no abastecimento na região por causa de
manutenção e reparos de vazamentos.
Sobre o
caso do condomínio no Campo Limpo, a companhia pediu desculpas aos moradores e
não comentou os dados da Arsesp que apontam aumento nas reclamações.
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O que diz a Arsesp
"A
Arsesp informa que monitora e fiscaliza continuamente os rompimentos de
tubulações no estado. Nos casos citados, a agência já solicitou esclarecimentos
à Sabesp para acompanhar as ações de reparo e mitigação. Desde a desestatização
da companhia, entre julho de 2024 e dezembro de 2025, foram realizadas 907
fiscalizações, com aplicação de 13 multas que somam mais de R$ 200 milhões,
além de outros 20 laudos em análise. A aplicação de multas não é automática e
ocorre quando há descumprimento das normas. As concessionárias são obrigadas a
comunicar todos os incidentes à Arsesp, que acompanha cada caso para garantir o
rápido restabelecimento dos serviços e a qualidade do atendimento à
população."
Fonte:
g1

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