Mais
da metade das grandes cidades do Brasil investe menos de R$ 100 por habitante
em saneamento
Mais da
metade dos 100 municípios mais populosos do Brasil investe menos de R$ 100 por
habitante por ano em saneamento básico.
O valor
é considerado muito abaixo do necessário para ampliar o acesso aos serviços e
alcançar as metas de universalização previstas para a próxima década.
Os
dados fazem parte da edição de 2026 do levantamento anual sobre saneamento nas
grandes cidades brasileiras, elaborado com base nas informações mais recentes
do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (SINISA), referentes a
2024.
Segundo
o estudo, 51 municípios registraram investimento inferior a R$ 100 por
habitante no setor.
O
número representa pouco menos da metade do valor considerado necessário para
universalizar os serviços no país.
O Plano
Nacional de Saneamento Básico (Plansab) estima que seriam necessários cerca de
R$ 225 por habitante ao ano para que todas as cidades consigam garantir acesso
amplo a água tratada e coleta de esgoto até 2033.
A
diferença nos investimentos também se reflete diretamente na qualidade dos
serviços. Enquanto os municípios com melhor desempenho apresentam índices
próximos da universalização, outras cidades ainda enfrentam déficits
expressivos.
Nos 20
municípios mais bem colocados no levantamento, a média de coleta de esgoto
chega a 98,08%.
Já
entre os 20 piores, o índice médio cai para apenas 28,06%. A diferença supera
70 pontos percentuais.
O
contraste também aparece no tratamento do esgoto. Nas cidades com melhores
indicadores, cerca de 77,97% do esgoto gerado é tratado.
Entre
os municípios com pior desempenho, a média fica em torno de 28,36%.
🟩 Entre as cidades com melhores
resultados (que já apresentam níveis de atendimento considerados
universalizados para água e esgoto) estão:
• Franca (SP),
• São José do Rio Preto (SP),
• Campinas (SP)
• e Santos (SP).
🟥Na outra ponta aparecem municípios com
grandes desafios de infraestrutura, que figuram entre os piores desempenhos do
levantamento, como:
• Santarém (PA),
• Porto Velho (RO),
• Rio Branco (AC),
• Várzea Grande (MT)
• e Parauapebas (PA).
O
estudo também mostra que a diferença de investimento ajuda a explicar parte
dessas desigualdades.
Entre
2020 e 2024, os 20 municípios mais bem posicionados registraram investimento
médio anual de R$ 176,17 por habitante. Já entre os 20 piores, o valor médio
foi de R$ 77,58 por habitante.
Despejo
irregular de esgoto em ponto de córrego que deságua no Rio Piracicaba. — Foto:
Edijan Del Santo/EPTV
Mesmo
entre as grandes cidades — que costumam ter indicadores melhores do que a média
nacional — ainda existem desafios importantes.
A falta
de acesso a serviços de saneamento básico continua afetando milhões de
brasileiros.
De
acordo com o levantamento, mais de 30 milhões de pessoas no país ainda vivem
sem acesso à água potável.
Já a
coleta de esgoto ainda não chega a cerca de 90 milhões de brasileiros, o que
representa 43,3% da população.
Além da
cobertura limitada, outro problema recorrente é a perda de água na rede de
distribuição. Em média, cerca de 41,5% da água produzida nos municípios
analisados se perde antes de chegar às residências.
O
índice é bem superior ao limite de 25% considerado adequado para o sistema.
Para
especialistas do setor, ampliar os investimentos será essencial para reduzir as
desigualdades entre regiões e acelerar a expansão dos serviços.
“Os
resultados desta edição do Ranking mostram que, apesar dos avanços registrados
em diversos municípios no acesso à água potável e à coleta de esgoto, o
tratamento do esgoto ainda é o aspecto mais distante da universalização no país
e segue como o principal desafio a ser enfrentado”, afirmou Luana Siewert
Pretto, presidente executiva do Instituto Trata Brasil.
Ela
também destacou que algumas cidades demonstram que a universalização é possível
quando há planejamento e investimento contínuo.
“O
empate nas quatro primeiras colocações do ranking traz uma mensagem positiva:
há cidades que estão cumprindo seu papel, alcançando elevados níveis de
atendimento e eficiência, o que reforça que a universalização é viável quando
há planejamento, investimentos contínuos e boa gestão”, disse.
Segundo
o estudo, alcançar as metas previstas no Marco Legal do Saneamento Básico até
2033 dependerá de aumento consistente de investimentos e de maior capacidade de
planejamento e gestão dos serviços nas cidades brasileiras.
Fonte:
g1

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