Qual
a posição do Brasil no ranking dos países com maiores taxas de juro real do
mundo
O
Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu nesta
quarta-feira (18/3) diminuir a taxa básica de juros da economia brasileira, a
Selic, de 15% para 14,75%, a primeira queda em quase dois anos.
Desde
junho do ano passado, o Brasil mantinha um juro de
15% — a maior taxa em quase 20 anos.
Segundo
o Copom, "a decisão é compatível com a estratégia de convergência da
inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante", disse em
comunicado.
"Sem
prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços,
essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade
econômica e fomento do pleno emprego", acrescentou.
Apesar
da queda, o Brasil segue com a segunda maior taxa de juro real entre as
principais economias do mundo, atrás apenas da Turquia. Com a decisão do Copom,
o juro real brasileiro calculado pelas consultorias econômicas MoneYou e Lev
Intelligence será de 9,51% — acima de Rússia e Argentina (ambos com 9,41%).
O juro
real revela o custo verdadeiro de um empréstimo ou o retorno verdadeiro de um
investimento, pois leva em conta as mudanças de preços ao longo do tempo. Na
prática, trata-se do juro nominal descontado da inflação.
No
Brasil, a taxa nominal básica da economia é a
Selic.
Em termos nominais, o Brasil possui a quarta maior taxa do mundo, de 14,75%,
atrás de Turquia (37%), Argentina (29%) e Rússia (15,5%).
Um dos
principais usos das taxas de juros — que é decidida pelas autoridades
monetárias — é para conter a alta da inflação.
Argentina
e Turquia enfrentam índices de inflação superiores a 30%. Já o Brasil está
atualmente com inflação de 3,81% nos últimos 12 meses até fevereiro.
Antes
da guerra contra o Irã deflagrada pelos Estados Unidos e Israel no dia 28 de
fevereiro, o mercado financeiro brasileiro e até mesmo as autoridades
monetárias esperavam que o Brasil fosse entrar em um ciclo contínuo de corte de
juros.
Em
janeiro, o Copom havia dito que "em se confirmando o cenário
esperado" iria dar um início à "flexibilização da política monetária
[queda dos juros] em sua próxima reunião" marcada para esta semana.
No
entanto, todas as expectativas de queda mais prolongada nos juros mudaram com o
conflito — que provocou uma disparada no preço internacional do petróleo. Antes
da guerra, o preço referência do barril de petróleo estava abaixo de US$ 80 —
agora ele tem sido cotado acima de US$ 100 em vários dias.
Os preços dos combustíveis no Brasil já
começaram a subir,
sobretudo do diesel. Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e
Biocombustíveis (ANP) mostram que o preço médio do litro do diesel nos postos
de combustíveis subiu mais de 11% no país. Parte desse aumento se deu por conta
de um reajuste autorizado pela Petrobras.
Mas
autoridades estão investigando se distribuidores e donos de postos estão usando
a guerra no Oriente Médio como pretexto para reajustar os valores dos
combustíveis. Na terça-feira, a Polícia Federal instaurou um inquérito para
apurar possíveis condutas abusivas.
O temor
do governo é que, se a guerra durar por muito tempo e o preço internacional do
petróleo seguir em patamar elevado, a alta de combustíveis no Brasil provoque
inflação. Combustíveis são um componente importante no preço de diversos
produtos, como alimentos.
"Estamos
dizendo em alto e bom som que estamos fazendo um sacrifício enorme aqui, uma
engenharia econômica, para evitar que os efeitos da irresponsabilidade das
guerras cheguem ao povo brasileiro", disse o presidente Luiz Inácio Lula
da Silva (PT) na semana passada, ao anunciar as medidas do governo.
O
governo federal reagiu à subida internacional dos preços com cortes de impostos
sobre combustíveis — e também com um apelo para que Estados façam o mesmo com
alíquotas regionais. No entanto, até agora, os Estados não anunciaram cortes em
tributos.
Já a
autoridade monetária, que age de forma autônoma do governo, reage aos cenários
de maior expectativa de inflação administrando a taxa básica de juros da
economia.
Na
decisão desta quarta-feira (18/3), o Copom afirma que os impactos dos conflitos
no Oriente Médio afetam direta e indiretamente a inflação no Brasil.
"O
Comitê considera os impactos dos conflitos no Oriente Médio de forma
prospectiva, em particular seus efeitos sobre a cadeia de suprimentos global e
os preços de commodities que afetam direta e indiretamente a inflação no
Brasil", diz o comunicado.
"Nesse
momento, as projeções de inflação apresentam distanciamento adicional em
relação à meta no horizonte relevante para a política monetária. Ao mesmo
tempo, a incerteza acerca dessas projeções foi elevada consideravelmente, em
função da falta de clareza sobre a duração dos conflitos e de seus efeitos
sobre os condicionantes dos modelos de projeção analisados", complementa.
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Juros parados no mundo
O
Brasil não é o único país do mundo em que a guerra do Irã afetou os juros.
Segundo
o ranking elaborado pela MoneYou e Lev Intelligence, entre 40 países
analisados, 82,5% mantiveram seus juros, enquanto 7,5% elevaram as taxas e 10%
cortaram.
"As
perspectivas inflacionárias foram majoritariamente revisadas para cima nos
países do ranking, criando uma série maior de juros reais negativos, em meio ao
cenário adverso e ainda em aberto com o conflito no Oriente Médio, com forte
caráter inflacionário", diz o relatório.
Nos
Estados Unidos, o Federal Reserve (a autoridade monetária americana) cortou as
taxas de juros três vezes consecutivas no ano passado — mas na reunião desta
quarta-feira decidiu pela manutenção da alíquota inalterada, com intervalo de
3,5% a 3,75%.
O
Federal Reserve precisa cumprir duas metas nos EUA: manter a inflação próxima
da meta de longo prazo de 2% e garantir o máximo emprego na economia.
Segundo
analistas, com a guerra no Oriente Médio causando um aumento nos preços do
petróleo, a autoridade americana está com dificuldades de cumprir as duas
tarefas.
"O
Fed está numa situação muito difícil neste momento", disse a economista do
Wells Fargo, Nicole Cervi, à agência de notícias AFP. "Eles precisam
escolher qual lado do mandato priorizar, porque não estão atingindo nenhuma das
metas."
Nesta
quarta-feira, o banco central do Canadá anunciou que manterá sua taxa básica de
juros inalterada, em 2,25%, e afirmou que o conflito no Oriente Médio fará
subir os preços da gasolina e aumentará a inflação no curto prazo no país.
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Juro e inflação
A Selic
é o principal instrumento de política monetária usado pelo Banco Central para
controlar a inflação.
Quando
a taxa sobe, os juros cobrados em financiamentos, empréstimos e no cartão ficam
mais altos e isso desencoraja o consumo — o que, por sua vez, estimula uma
queda na inflação.
Por
outro lado, se a inflação está baixa e o BC reduz os juros, isso barateia os
empréstimos e incentiva o consumo.
Para
definir o que fazer com a Selic, o BC avalia as condições da inflação, da
atividade econômica, das contas públicas e o cenário externo — sempre com o
objetivo de manter a inflação dentro da meta.
A ideia
da meta é que uma inflação previsível, estável e baixa ajuda a economia a
crescer mais, reduzindo as incertezas. Se não houvesse aumento nos juros, as
pessoas estariam expostas à inflação alta, o que provocaria uma queda nos
padrões de vida de todos. Os preços de bens e serviços subiriam, e os salários
das pessoas não acompanhariam essa alta.
Por
outro lado, juros altos encarecem os custos de empréstimos para produtores e
consumidores, e pode ter efeitos negativos na economia, como falência de
empresas endividadas ou redução no capital para investimentos.
Antes
da guerra contra o Irã, havia expectativa entre agentes do mercado que o Banco
Central baixaria os juros.
Há um
mês, o Boletim Focus — que reúne expectativas de mais de cem instituições
financeiras do Brasil — mostrava que a maioria dos bancos e corretoras previam
que a inflação brasileira encerrará o ano em 3,95%, o que é dentro da meta
tolerada da política econômica.
Com
essa inflação dentro da meta, a expectativa do mercado era de que a Selic
encerraria o ano em 12,25% — muito abaixo dos 15% do início do ano.
Mas
desde o começo da guerra no Irã, essas expectativas começaram a mudar. No
boletim mais recente, divulgado na segunda-feira (17/3), o mercado já prevê um
inflação de 4,1%, mais próxima do teto da meta, que é de 4,5%.
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Lula critica corte de só 0,25 ponto na Selic
O
presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou nesta quinta-feira (19) a
decisão do Banco Central de reduzir a taxa básica de juros em apenas 0,25 ponto
percentual. A declaração foi feita durante a 17ª Caravana Federativa, em São
Paulo, em meio a debates sobre crescimento econômico e geração de empregos.
A fala
ocorre após o Comitê de Política Monetária (Copom) anunciar, na quarta-feira
(18), o corte da Selic para 14,75% ao ano, na segunda reunião de 2026. A
redução marcou a primeira queda da taxa desde maio de 2024, após um longo
período de estabilidade.
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Lula critica decisão do Banco Central
Durante
o discurso, o presidente afirmou que esperava uma redução mais significativa
dos juros. “Eu esperava que o nosso Banco Central baixasse o juro em pelo menos
0,5 ponto, e baixou só 0,25, dizendo que é por causa da guerra”, declarou.
Em tom
crítico, Lula questionou a justificativa apresentada. “Porra, essa guerra até
no nosso Banco Central? Não é possível”, afirmou.
Segundo
ele, o governo federal tem adotado medidas para estimular a economia, o que
exigiria uma política monetária mais alinhada. “Estamos fazendo um sacrifício
que vocês não têm noção para fazer a economia crescer, para gerar emprego, para
aumentar o salário das pessoas”, disse.
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Contexto da decisão do Copom
O Banco
Central justificou o ritmo mais cauteloso de corte da Selic com base em um
cenário de maior incerteza econômica. Nos últimos dias, houve piora no balanço
de riscos, associada principalmente à alta do preço do petróleo no mercado
internacional.
O
barril, que girava em torno de US$ 70, ultrapassou os US$ 100 nas últimas
semanas, pressionando expectativas de inflação e impactando decisões de
política monetária.
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Elogio a Haddad e à reforma tributária
No
mesmo discurso, Lula elogiou o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), que
está de saída do cargo, e destacou a aprovação da reforma tributária como um
marco histórico.
“O
Haddad vai passar para a história como o ministro da Fazenda mais exitoso da
história desse país. Ele conseguiu uma coisa extraordinária, que foi a gente
aprovar uma reforma tributária que há 40 anos se esperava”, afirmou.
A
declaração reforça o apoio do presidente à condução da política econômica pelo
Ministério da Fazenda, ao mesmo tempo em que amplia as críticas à atuação do
Banco Central na definição da taxa de juros.
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Copom sinaliza espaço para corte maior dos juros, mas
avanço dependerá do choque do petróleo
O
Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a taxa Selic em
0,25 ponto percentual, de 15% para 14,75% ao ano, mas deixou aberta a
possibilidade de acelerar o ritmo de cortes na próxima reunião, prevista para o
fim de abril. A sinalização, no entanto, veio acompanhada de uma forte
advertência: qualquer movimento mais ousado dependerá da evolução da guerra no
Oriente Médio e, sobretudo, de seus impactos sobre o petróleo, as cadeias de
suprimento e a inflação.
A
análise foi publicada pelo
jornal Valor Econômico, que destacou a tentativa do Banco Central
de preservar, entre os agentes do mercado financeiro, a expectativa de que o
ciclo de afrouxamento monetário possa ganhar força nas próximas semanas. No
comunicado, o Copom afirmou enxergar “condições para que ajustes no ritmo dessa
calibração, à luz de novas informações, sejam possíveis”, formulação que mantém
em aberto a hipótese de um corte de 0,5 ponto percentual na próxima reunião.
A
escolha, neste momento, foi pela cautela. Mesmo com a Selic no maior patamar em
cerca de duas décadas, o Banco Central preferiu uma redução mais contida,
reforçando a estratégia de calibragem gradual dos juros. A autoridade monetária
busca transmitir a mensagem de que pretende seguir com a flexibilização, mas
sem abandonar a postura contracionista considerada necessária para conduzir a
inflação à meta de 3% no horizonte relevante, hoje situado no terceiro
trimestre de 2027.
O
recado é claro: o Banco Central quer manter a porta aberta para uma redução
mais intensa adiante, mas se recusa a assumir qualquer compromisso antecipado.
A guerra no Oriente Médio embaralhou o cenário e ampliou o grau de incerteza,
tornando mais difícil prever o comportamento dos preços e da atividade
econômica nos próximos meses.
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Atividade econômica dá sinais de desaceleração
Na
avaliação do Copom, a economia brasileira já começa a mostrar com maior nitidez
os efeitos da política monetária restritiva. O comunicado afirma que a
atividade continuou apresentando trajetória de “moderação no crescimento” e
acrescenta que “os indicadores do final de 2025 mostraram desaceleração”.
A
referência mais provável é ao desempenho do Produto Interno Bruto no quarto
trimestre do ano passado, quando a economia avançou apenas 0,1%. O dado reforça
a leitura de que o nível elevado dos juros começa a frear o ritmo da demanda,
elemento central para a estratégia do Banco Central de conter a inflação.
Essa
percepção ajuda a explicar por que o mercado passou a considerar a
possibilidade de um passo mais acelerado na próxima reunião. Se a desaceleração
econômica se confirmar e o choque externo perder força, a autoridade monetária
poderá se sentir mais confortável para aprofundar o corte da Selic sem
comprometer sua estratégia de convergência inflacionária.
Ainda
assim, o Copom não abandonou a linguagem conservadora que vem utilizando ao
longo dos últimos encontros. O conceito de “calibração” continua no centro da
comunicação do Banco Central. Em outras palavras, a Selic pode cair, mas
seguirá em patamar suficientemente elevado para manter a política monetária em
terreno contracionista.
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Guerra no Oriente Médio muda o cálculo do Banco Central
O
principal fator de perturbação do cenário é o choque provocado pela guerra no
Oriente Médio. O Banco Central destacou que o conflito afeta o preço do
petróleo, pressiona cadeias produtivas e aumenta a aversão global ao risco. No
comunicado, o comitê apontou que esse novo choque provoca “distanciamento
adicional em relação à meta no horizonte relevante para a política monetária”.
Esse
ponto é decisivo porque altera a dinâmica das projeções de inflação. Segundo o
texto, houve piora na estimativa para o terceiro trimestre de 2027, que subiu
de 3,2% para 3,3%. Embora a deterioração tenha sido modesta nesse horizonte
mais longo, o impacto foi bem mais expressivo nas projeções para 2026, que
passaram de 3,4% para 3,9%.
A
diferença entre os dois horizontes sugere que o Banco Central enxerga o choque
atual como temporário, ainda que relevante. O efeito é mais forte no curto
prazo e tende a se dissipar gradualmente nos trimestres seguintes. Esse
comportamento é compatível com episódios de alta de commodities energéticas,
que pressionam preços num primeiro momento, mas não necessariamente produzem um
desvio permanente da inflação.
Mesmo
assim, a elevação das projeções reforça o cuidado do Copom. Em vez de assumir
que o choque será breve e facilmente absorvido, a instituição prefere trabalhar
com um cenário mais prudente, até porque qualquer erro de avaliação pode
comprometer sua credibilidade diante do mercado.
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Metodologia conservadora reforça prudência
Um dos
aspectos mais relevantes da análise é a forma como o Banco Central calcula o
impacto do petróleo sobre a inflação. Segundo o texto, a autoridade monetária
utilizou a metodologia habitual, baseada na média dos preços dos contratos
futuros de petróleo em um horizonte de seis meses.
Esse
critério tende a incorporar de forma mais intensa os movimentos recentes do
mercado. No episódio de 2022, quando a invasão da Ucrânia provocou forte
disparada do petróleo, o Copom chegou a utilizar um prazo mais longo em um
cenário alternativo. Caso repetisse esse procedimento agora, o impacto do
petróleo sobre a projeção inflacionária poderia ser menor.
Ao
manter a metodologia padrão, o Banco Central opta por uma leitura mais
conservadora do cenário. Isso pode até levar a uma projeção mais pesada no
curto prazo, mas fortalece a percepção de disciplina técnica e reduz o risco de
que a autoridade monetária seja acusada de suavizar artificialmente o impacto
do choque externo.
Outro
ponto citado na análise é que não está claro se o Banco Central alterou o
coeficiente de repasse do petróleo para a inflação. Em tese, os efeitos
secundários de um choque como esse tendem a ser menores quando os juros estão
elevados e a economia já se encontra em desaceleração. Sob esse aspecto, o
ambiente atual é mais favorável ao controle inflacionário do que aquele
observado em 2022.
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Incerteza elevada impõe “serenidade e cautela”
Mais
importante do que os números em si, porém, foi a mudança de tom do Copom em
relação ao grau de incerteza do cenário. O comunicado afirmou que a incerteza
em torno das projeções “foi elevada consideravelmente”, indicando deterioração
relevante na previsibilidade econômica.
Essa
passagem ajuda a compreender por que o Banco Central preferiu reduzir a Selic
em apenas 0,25 ponto percentual nesta reunião, mesmo sugerindo que um corte
maior no encontro seguinte permanece no radar. Em um ambiente externo tão
instável, o comitê evita movimentos bruscos e tenta preservar flexibilidade
para reagir rapidamente a novas informações.
Foi
exatamente essa a lógica sublinhada na análise do Valor Econômico: o Copom faz
um movimento menor agora, mas procura não fechar a porta para uma ação mais
forte depois, desde que o cenário permita. O objetivo é conciliar prudência
operacional com sinalização estratégica ao mercado.
A
essência da mensagem pode ser sintetizada, como destacou o texto, em duas
expressões do próprio comunicado: “serenidade e cautela”. São essas as palavras
que orientam a conduta atual da autoridade monetária diante de um ambiente em
que variáveis geopolíticas passaram a influenciar diretamente as decisões sobre
juros no Brasil.
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Próximos passos dependerão da guerra e do petróleo
O que
acontecerá a seguir dependerá menos de uma predisposição teórica do Banco
Central e mais da evolução concreta dos fatos no cenário internacional. O
próprio comunicado afirma que os próximos passos dependerão de informações que
“aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente
Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao
longo do tempo”.
A
formulação mostra que o Copom não trabalha com certezas, mas com margens de
avaliação que podem se alterar rapidamente. Em outras palavras, a possibilidade
de um corte de 0,5 ponto percentual em abril existe, mas está condicionada a
uma redução das incertezas e a sinais mais convincentes de que o choque do
petróleo não produzirá efeitos persistentes sobre a inflação.
Num
cenário em que a atividade doméstica desacelera e os juros já estão em nível
extremamente elevado, haveria espaço técnico para um alívio maior. Mas a guerra
no Oriente Médio impôs uma variável adicional que impede decisões mais
agressivas neste momento.
O
resultado é um Banco Central que se move com extrema cautela: reconhece a
desaceleração da economia, admite a possibilidade de acelerar o corte dos
juros, mas mantém o freio puxado enquanto observa o comportamento do petróleo e
os desdobramentos geopolíticos. A próxima reunião do Copom, portanto, será
menos uma discussão abstrata sobre política monetária e mais um teste sobre até
que ponto a turbulência internacional continuará contaminando o horizonte
inflacionário brasileiro.
Fonte:
BBC News Brasil/Brasil 247

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