sexta-feira, 20 de março de 2026

Qual a posição do Brasil no ranking dos países com maiores taxas de juro real do mundo

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira (18/3) diminuir a taxa básica de juros da economia brasileira, a Selic, de 15% para 14,75%, a primeira queda em quase dois anos.

Desde junho do ano passado, o Brasil mantinha um juro de 15% — a maior taxa em quase 20 anos.

Segundo o Copom, "a decisão é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante", disse em comunicado.

"Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego", acrescentou.

Apesar da queda, o Brasil segue com a segunda maior taxa de juro real entre as principais economias do mundo, atrás apenas da Turquia. Com a decisão do Copom, o juro real brasileiro calculado pelas consultorias econômicas MoneYou e Lev Intelligence será de 9,51% — acima de Rússia e Argentina (ambos com 9,41%).

O juro real revela o custo verdadeiro de um empréstimo ou o retorno verdadeiro de um investimento, pois leva em conta as mudanças de preços ao longo do tempo. Na prática, trata-se do juro nominal descontado da inflação.

No Brasil, a taxa nominal básica da economia é a Selic. Em termos nominais, o Brasil possui a quarta maior taxa do mundo, de 14,75%, atrás de Turquia (37%), Argentina (29%) e Rússia (15,5%).

Um dos principais usos das taxas de juros — que é decidida pelas autoridades monetárias — é para conter a alta da inflação.

Argentina e Turquia enfrentam índices de inflação superiores a 30%. Já o Brasil está atualmente com inflação de 3,81% nos últimos 12 meses até fevereiro.

Antes da guerra contra o Irã deflagrada pelos Estados Unidos e Israel no dia 28 de fevereiro, o mercado financeiro brasileiro e até mesmo as autoridades monetárias esperavam que o Brasil fosse entrar em um ciclo contínuo de corte de juros.

Em janeiro, o Copom havia dito que "em se confirmando o cenário esperado" iria dar um início à "flexibilização da política monetária [queda dos juros] em sua próxima reunião" marcada para esta semana.

No entanto, todas as expectativas de queda mais prolongada nos juros mudaram com o conflito — que provocou uma disparada no preço internacional do petróleo. Antes da guerra, o preço referência do barril de petróleo estava abaixo de US$ 80 — agora ele tem sido cotado acima de US$ 100 em vários dias.

Os preços dos combustíveis no Brasil já começaram a subir, sobretudo do diesel. Dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que o preço médio do litro do diesel nos postos de combustíveis subiu mais de 11% no país. Parte desse aumento se deu por conta de um reajuste autorizado pela Petrobras.

Mas autoridades estão investigando se distribuidores e donos de postos estão usando a guerra no Oriente Médio como pretexto para reajustar os valores dos combustíveis. Na terça-feira, a Polícia Federal instaurou um inquérito para apurar possíveis condutas abusivas.

O temor do governo é que, se a guerra durar por muito tempo e o preço internacional do petróleo seguir em patamar elevado, a alta de combustíveis no Brasil provoque inflação. Combustíveis são um componente importante no preço de diversos produtos, como alimentos.

"Estamos dizendo em alto e bom som que estamos fazendo um sacrifício enorme aqui, uma engenharia econômica, para evitar que os efeitos da irresponsabilidade das guerras cheguem ao povo brasileiro", disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na semana passada, ao anunciar as medidas do governo.

O governo federal reagiu à subida internacional dos preços com cortes de impostos sobre combustíveis — e também com um apelo para que Estados façam o mesmo com alíquotas regionais. No entanto, até agora, os Estados não anunciaram cortes em tributos.

Já a autoridade monetária, que age de forma autônoma do governo, reage aos cenários de maior expectativa de inflação administrando a taxa básica de juros da economia.

Na decisão desta quarta-feira (18/3), o Copom afirma que os impactos dos conflitos no Oriente Médio afetam direta e indiretamente a inflação no Brasil.

"O Comitê considera os impactos dos conflitos no Oriente Médio de forma prospectiva, em particular seus efeitos sobre a cadeia de suprimentos global e os preços de commodities que afetam direta e indiretamente a inflação no Brasil", diz o comunicado.

"Nesse momento, as projeções de inflação apresentam distanciamento adicional em relação à meta no horizonte relevante para a política monetária. Ao mesmo tempo, a incerteza acerca dessas projeções foi elevada consideravelmente, em função da falta de clareza sobre a duração dos conflitos e de seus efeitos sobre os condicionantes dos modelos de projeção analisados", complementa.

<><> Juros parados no mundo

O Brasil não é o único país do mundo em que a guerra do Irã afetou os juros.

Segundo o ranking elaborado pela MoneYou e Lev Intelligence, entre 40 países analisados, 82,5% mantiveram seus juros, enquanto 7,5% elevaram as taxas e 10% cortaram.

"As perspectivas inflacionárias foram majoritariamente revisadas para cima nos países do ranking, criando uma série maior de juros reais negativos, em meio ao cenário adverso e ainda em aberto com o conflito no Oriente Médio, com forte caráter inflacionário", diz o relatório.

Nos Estados Unidos, o Federal Reserve (a autoridade monetária americana) cortou as taxas de juros três vezes consecutivas no ano passado — mas na reunião desta quarta-feira decidiu pela manutenção da alíquota inalterada, com intervalo de 3,5% a 3,75%.

O Federal Reserve precisa cumprir duas metas nos EUA: manter a inflação próxima da meta de longo prazo de 2% e garantir o máximo emprego na economia.

Segundo analistas, com a guerra no Oriente Médio causando um aumento nos preços do petróleo, a autoridade americana está com dificuldades de cumprir as duas tarefas.

"O Fed está numa situação muito difícil neste momento", disse a economista do Wells Fargo, Nicole Cervi, à agência de notícias AFP. "Eles precisam escolher qual lado do mandato priorizar, porque não estão atingindo nenhuma das metas."

Nesta quarta-feira, o banco central do Canadá anunciou que manterá sua taxa básica de juros inalterada, em 2,25%, e afirmou que o conflito no Oriente Médio fará subir os preços da gasolina e aumentará a inflação no curto prazo no país.

<><> Juro e inflação

A Selic é o principal instrumento de política monetária usado pelo Banco Central para controlar a inflação.

Quando a taxa sobe, os juros cobrados em financiamentos, empréstimos e no cartão ficam mais altos e isso desencoraja o consumo — o que, por sua vez, estimula uma queda na inflação.

Por outro lado, se a inflação está baixa e o BC reduz os juros, isso barateia os empréstimos e incentiva o consumo.

Para definir o que fazer com a Selic, o BC avalia as condições da inflação, da atividade econômica, das contas públicas e o cenário externo — sempre com o objetivo de manter a inflação dentro da meta.

A ideia da meta é que uma inflação previsível, estável e baixa ajuda a economia a crescer mais, reduzindo as incertezas. Se não houvesse aumento nos juros, as pessoas estariam expostas à inflação alta, o que provocaria uma queda nos padrões de vida de todos. Os preços de bens e serviços subiriam, e os salários das pessoas não acompanhariam essa alta.

Por outro lado, juros altos encarecem os custos de empréstimos para produtores e consumidores, e pode ter efeitos negativos na economia, como falência de empresas endividadas ou redução no capital para investimentos.

Antes da guerra contra o Irã, havia expectativa entre agentes do mercado que o Banco Central baixaria os juros.

Há um mês, o Boletim Focus — que reúne expectativas de mais de cem instituições financeiras do Brasil — mostrava que a maioria dos bancos e corretoras previam que a inflação brasileira encerrará o ano em 3,95%, o que é dentro da meta tolerada da política econômica.

Com essa inflação dentro da meta, a expectativa do mercado era de que a Selic encerraria o ano em 12,25% — muito abaixo dos 15% do início do ano.

Mas desde o começo da guerra no Irã, essas expectativas começaram a mudar. No boletim mais recente, divulgado na segunda-feira (17/3), o mercado já prevê um inflação de 4,1%, mais próxima do teto da meta, que é de 4,5%.

¨      Lula critica corte de só 0,25 ponto na Selic

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou nesta quinta-feira (19) a decisão do Banco Central de reduzir a taxa básica de juros em apenas 0,25 ponto percentual. A declaração foi feita durante a 17ª Caravana Federativa, em São Paulo, em meio a debates sobre crescimento econômico e geração de empregos.

A fala ocorre após o Comitê de Política Monetária (Copom) anunciar, na quarta-feira (18), o corte da Selic para 14,75% ao ano, na segunda reunião de 2026. A redução marcou a primeira queda da taxa desde maio de 2024, após um longo período de estabilidade.

<><> Lula critica decisão do Banco Central

Durante o discurso, o presidente afirmou que esperava uma redução mais significativa dos juros. “Eu esperava que o nosso Banco Central baixasse o juro em pelo menos 0,5 ponto, e baixou só 0,25, dizendo que é por causa da guerra”, declarou.

Em tom crítico, Lula questionou a justificativa apresentada. “Porra, essa guerra até no nosso Banco Central? Não é possível”, afirmou.

Segundo ele, o governo federal tem adotado medidas para estimular a economia, o que exigiria uma política monetária mais alinhada. “Estamos fazendo um sacrifício que vocês não têm noção para fazer a economia crescer, para gerar emprego, para aumentar o salário das pessoas”, disse.

<><> Contexto da decisão do Copom

O Banco Central justificou o ritmo mais cauteloso de corte da Selic com base em um cenário de maior incerteza econômica. Nos últimos dias, houve piora no balanço de riscos, associada principalmente à alta do preço do petróleo no mercado internacional.

O barril, que girava em torno de US$ 70, ultrapassou os US$ 100 nas últimas semanas, pressionando expectativas de inflação e impactando decisões de política monetária.

<><> Elogio a Haddad e à reforma tributária

No mesmo discurso, Lula elogiou o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), que está de saída do cargo, e destacou a aprovação da reforma tributária como um marco histórico.

“O Haddad vai passar para a história como o ministro da Fazenda mais exitoso da história desse país. Ele conseguiu uma coisa extraordinária, que foi a gente aprovar uma reforma tributária que há 40 anos se esperava”, afirmou.

A declaração reforça o apoio do presidente à condução da política econômica pelo Ministério da Fazenda, ao mesmo tempo em que amplia as críticas à atuação do Banco Central na definição da taxa de juros.

¨      Copom sinaliza espaço para corte maior dos juros, mas avanço dependerá do choque do petróleo

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, de 15% para 14,75% ao ano, mas deixou aberta a possibilidade de acelerar o ritmo de cortes na próxima reunião, prevista para o fim de abril. A sinalização, no entanto, veio acompanhada de uma forte advertência: qualquer movimento mais ousado dependerá da evolução da guerra no Oriente Médio e, sobretudo, de seus impactos sobre o petróleo, as cadeias de suprimento e a inflação.

A análise foi publicada pelo jornal Valor Econômico, que destacou a tentativa do Banco Central de preservar, entre os agentes do mercado financeiro, a expectativa de que o ciclo de afrouxamento monetário possa ganhar força nas próximas semanas. No comunicado, o Copom afirmou enxergar “condições para que ajustes no ritmo dessa calibração, à luz de novas informações, sejam possíveis”, formulação que mantém em aberto a hipótese de um corte de 0,5 ponto percentual na próxima reunião.

A escolha, neste momento, foi pela cautela. Mesmo com a Selic no maior patamar em cerca de duas décadas, o Banco Central preferiu uma redução mais contida, reforçando a estratégia de calibragem gradual dos juros. A autoridade monetária busca transmitir a mensagem de que pretende seguir com a flexibilização, mas sem abandonar a postura contracionista considerada necessária para conduzir a inflação à meta de 3% no horizonte relevante, hoje situado no terceiro trimestre de 2027.

O recado é claro: o Banco Central quer manter a porta aberta para uma redução mais intensa adiante, mas se recusa a assumir qualquer compromisso antecipado. A guerra no Oriente Médio embaralhou o cenário e ampliou o grau de incerteza, tornando mais difícil prever o comportamento dos preços e da atividade econômica nos próximos meses.

<><> Atividade econômica dá sinais de desaceleração

Na avaliação do Copom, a economia brasileira já começa a mostrar com maior nitidez os efeitos da política monetária restritiva. O comunicado afirma que a atividade continuou apresentando trajetória de “moderação no crescimento” e acrescenta que “os indicadores do final de 2025 mostraram desaceleração”.

A referência mais provável é ao desempenho do Produto Interno Bruto no quarto trimestre do ano passado, quando a economia avançou apenas 0,1%. O dado reforça a leitura de que o nível elevado dos juros começa a frear o ritmo da demanda, elemento central para a estratégia do Banco Central de conter a inflação.

Essa percepção ajuda a explicar por que o mercado passou a considerar a possibilidade de um passo mais acelerado na próxima reunião. Se a desaceleração econômica se confirmar e o choque externo perder força, a autoridade monetária poderá se sentir mais confortável para aprofundar o corte da Selic sem comprometer sua estratégia de convergência inflacionária.

Ainda assim, o Copom não abandonou a linguagem conservadora que vem utilizando ao longo dos últimos encontros. O conceito de “calibração” continua no centro da comunicação do Banco Central. Em outras palavras, a Selic pode cair, mas seguirá em patamar suficientemente elevado para manter a política monetária em terreno contracionista.

<><> Guerra no Oriente Médio muda o cálculo do Banco Central

O principal fator de perturbação do cenário é o choque provocado pela guerra no Oriente Médio. O Banco Central destacou que o conflito afeta o preço do petróleo, pressiona cadeias produtivas e aumenta a aversão global ao risco. No comunicado, o comitê apontou que esse novo choque provoca “distanciamento adicional em relação à meta no horizonte relevante para a política monetária”.

Esse ponto é decisivo porque altera a dinâmica das projeções de inflação. Segundo o texto, houve piora na estimativa para o terceiro trimestre de 2027, que subiu de 3,2% para 3,3%. Embora a deterioração tenha sido modesta nesse horizonte mais longo, o impacto foi bem mais expressivo nas projeções para 2026, que passaram de 3,4% para 3,9%.

A diferença entre os dois horizontes sugere que o Banco Central enxerga o choque atual como temporário, ainda que relevante. O efeito é mais forte no curto prazo e tende a se dissipar gradualmente nos trimestres seguintes. Esse comportamento é compatível com episódios de alta de commodities energéticas, que pressionam preços num primeiro momento, mas não necessariamente produzem um desvio permanente da inflação.

Mesmo assim, a elevação das projeções reforça o cuidado do Copom. Em vez de assumir que o choque será breve e facilmente absorvido, a instituição prefere trabalhar com um cenário mais prudente, até porque qualquer erro de avaliação pode comprometer sua credibilidade diante do mercado.

<><> Metodologia conservadora reforça prudência

Um dos aspectos mais relevantes da análise é a forma como o Banco Central calcula o impacto do petróleo sobre a inflação. Segundo o texto, a autoridade monetária utilizou a metodologia habitual, baseada na média dos preços dos contratos futuros de petróleo em um horizonte de seis meses.

Esse critério tende a incorporar de forma mais intensa os movimentos recentes do mercado. No episódio de 2022, quando a invasão da Ucrânia provocou forte disparada do petróleo, o Copom chegou a utilizar um prazo mais longo em um cenário alternativo. Caso repetisse esse procedimento agora, o impacto do petróleo sobre a projeção inflacionária poderia ser menor.

Ao manter a metodologia padrão, o Banco Central opta por uma leitura mais conservadora do cenário. Isso pode até levar a uma projeção mais pesada no curto prazo, mas fortalece a percepção de disciplina técnica e reduz o risco de que a autoridade monetária seja acusada de suavizar artificialmente o impacto do choque externo.

Outro ponto citado na análise é que não está claro se o Banco Central alterou o coeficiente de repasse do petróleo para a inflação. Em tese, os efeitos secundários de um choque como esse tendem a ser menores quando os juros estão elevados e a economia já se encontra em desaceleração. Sob esse aspecto, o ambiente atual é mais favorável ao controle inflacionário do que aquele observado em 2022.

<><> Incerteza elevada impõe “serenidade e cautela”

Mais importante do que os números em si, porém, foi a mudança de tom do Copom em relação ao grau de incerteza do cenário. O comunicado afirmou que a incerteza em torno das projeções “foi elevada consideravelmente”, indicando deterioração relevante na previsibilidade econômica.

Essa passagem ajuda a compreender por que o Banco Central preferiu reduzir a Selic em apenas 0,25 ponto percentual nesta reunião, mesmo sugerindo que um corte maior no encontro seguinte permanece no radar. Em um ambiente externo tão instável, o comitê evita movimentos bruscos e tenta preservar flexibilidade para reagir rapidamente a novas informações.

Foi exatamente essa a lógica sublinhada na análise do Valor Econômico: o Copom faz um movimento menor agora, mas procura não fechar a porta para uma ação mais forte depois, desde que o cenário permita. O objetivo é conciliar prudência operacional com sinalização estratégica ao mercado.

A essência da mensagem pode ser sintetizada, como destacou o texto, em duas expressões do próprio comunicado: “serenidade e cautela”. São essas as palavras que orientam a conduta atual da autoridade monetária diante de um ambiente em que variáveis geopolíticas passaram a influenciar diretamente as decisões sobre juros no Brasil.

<><> Próximos passos dependerão da guerra e do petróleo

O que acontecerá a seguir dependerá menos de uma predisposição teórica do Banco Central e mais da evolução concreta dos fatos no cenário internacional. O próprio comunicado afirma que os próximos passos dependerão de informações que “aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo”.

A formulação mostra que o Copom não trabalha com certezas, mas com margens de avaliação que podem se alterar rapidamente. Em outras palavras, a possibilidade de um corte de 0,5 ponto percentual em abril existe, mas está condicionada a uma redução das incertezas e a sinais mais convincentes de que o choque do petróleo não produzirá efeitos persistentes sobre a inflação.

Num cenário em que a atividade doméstica desacelera e os juros já estão em nível extremamente elevado, haveria espaço técnico para um alívio maior. Mas a guerra no Oriente Médio impôs uma variável adicional que impede decisões mais agressivas neste momento.

O resultado é um Banco Central que se move com extrema cautela: reconhece a desaceleração da economia, admite a possibilidade de acelerar o corte dos juros, mas mantém o freio puxado enquanto observa o comportamento do petróleo e os desdobramentos geopolíticos. A próxima reunião do Copom, portanto, será menos uma discussão abstrata sobre política monetária e mais um teste sobre até que ponto a turbulência internacional continuará contaminando o horizonte inflacionário brasileiro.

 

Fonte: BBC News Brasil/Brasil 247

 

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