sexta-feira, 20 de março de 2026

Como a guerra no Irã quebrou a imagem de segurança de locais do Golfo como Dubai e Catar — e o que está custando

As últimas décadas viram bombas caírem sobre o Líbano e homens-bomba explodirem em mercados repletos de pessoas no Iraque, enquanto o autodenominado Estado Islâmico sequestrava e decapitava trabalhadores estrangeiros em espetáculos macabros na Síria. Mas Dubai, nos Emirados Árabes Unidos (EAU), vivia uma festa permanente. Pessoas ricas de todo o mundo compravam mansões em ilhas artificiais em frente ao seu litoral, passeavam no Museu do Louvre da vizinha Abu Dhabi ou faziam safáris pelo deserto do Catar.

Em uma região sacudida por guerras, protestos e instabilidade, os países do Golfo Pérsico cultivaram por anos a imagem de um oásis de segurança e prosperidade. Seus esforços e suas políticas fiscais vantajosas atraíram bilhões de dólares em investimentos estrangeiros, transformando cidades como Dubai e Abu Dhabi (EAU), além de Doha (no Catar), em destinos privilegiados para os multimilionários e o turismo de luxo, com eventos e congressos internacionais. Mas esta imagem foi desfeita no último dia 28 de fevereiro, quando os ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã trouxeram a guerra para a região.

Teerã respondeu não apenas bombardeando cidades israelenses e bases americanas, mas também os aliados de Washington no Golfo. E estas monarquias, de um momento para o outro, se viram arrastadas para um conflito indesejado. "Eles tentaram, a todo custo, dissuadir o presidente Trump para que não a empreendesse", explica à BBC News Mundo (o serviço em espanhol da BBC) a analista Anna Jacobs Khalaf, especialista no Golfo do Instituto Europeu da Paz.

Repentinamente, mísseis iranianos começaram a cair ao lado de centros comerciais, arranha-céus de luxo e portos repletos de iates, frente aos olhares horrorizados das pessoas do Catar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Arábia Saudita e Omã, além de dezenas de milhares de turistas e moradores estrangeiros. A guerra chegou até mesmo a alguns dos hotéis mais luxuosos do mundo. Os restos de um drone iraniano interceptado caíram sobre o Burj al Arab de Dubai. E o Fairmont The Palm, na ilha artificial de Palm Jumeirah, recebeu impacto direto.

Na quarta-feira (18/3), a companhia petrolífera estatal do Catar afirmou ter sofrido "extensos danos", causados por ataques com mísseis no complexo industrial de Ras Laffan. O Irão havia incluído o local em uma advertência de que tomaria "medidas decisivas", depois que as instalações da sua jazida de gás South Pars foram atingidas por mísseis israelenses, segundo relatos. As consequências são devastadoras e o mal-estar nas capitais do Golfo é imenso. Um tsunami de cancelamentos atingiu as ricas monarquias da região, incluindo voos, reservas de hotéis, congressos e eventos internacionais, como os Grandes Prêmios do Bahrein e da Arábia Saudita de Fórmula 1. Some-se a isso o fechamento do Estreito de Ormuz, que bloqueou suas exportações de combustíveis.

<><> Uma miragem que se desfez?

"Os países do Golfo trabalharam para formar uma imagem de refúgios seguros no Oriente Médio, mas as ações e acontecimentos da última semana abalaram esta imagem", reconhece o professor Badr al Saif, da Universidade do Kuwait. Ele foi subchefe de gabinete do primeiro-ministro do país. A região investiu em luxo e segurança. E as monarquias da região (todas elas, autocratas) realizaram grandes investimentos em vigilância. Estas medidas as mantiveram a salvo do terrorismo, mas também geraram perseguição a dissidentes e a tudo o que pudesse afetar a sua imagem.

Nessas três semanas de guerra, por exemplo, dezenas de pessoas foram presas , inclusive estrangeiros, por publicarem vídeos de ataques iranianos. Na sua tentativa de atrair expatriados, turistas e investidores internacionais, as conservadoras nações muçulmanas criaram bolhas de permissividade, embora com limites. O álcool é permitido em certos lugares, mas demonstrações públicas de homossexualidade são proibidas. Tudo isso, somado aos impostos baixos ou inexistentes, fez com que elas passassem a ser imensamente populares nas últimas décadas e se transformassem em um importante destino turístico.

Mas a guerra está colocando à prova todo este trabalho.

Apenas o setor turístico da região vem perdendo cerca de US$ 600 milhões (cerca de R$ 3,15 bilhões) por dia, segundo dados do Conselho Mundial de Viagens e Turismo, mencionados pelo jornal Financial Times. O consórcio havia previsto que o turismo traria US$ 207 bilhões (cerca de R$ 1,1 trilhão) para os Estados do Golfo em 2026. Na semana de 6 de março, ocorreram mais de 80 mil cancelamentos de aluguéis de curta duração em Dubai, segundo dados coletados pelo grupo AirDNA, com base nas reservas realizadas em plataformas como Airbnb e Vrbo.

Os cancelamentos de voos também deixaram milhões de passageiros em terra.

Nas últimas décadas, a região se tornou um verdadeiro centro internacional de conexões aeroportuárias, por onde passam mais de 500 mil passageiros por dia.

Desde 28 de fevereiro, pelo menos três aeroportos (Dubai, Kuwait e Abu Dhabi) sofreram impactos de mísseis ou drones iranianos, provocando o cancelamento de milhares de voos. A imagem de segurança "era parcialmente artificial, mas também, em parte, era real, pois os Estados do Golfo conseguiram realmente se isolar do pior da violência regional por décadas", explica à BBC News Mundo a pesquisadora Elham Fakhro, do Centro Belfar da Faculdade Kennedy da Universidade Harvard, nos Estados Unidos. Recuperar a confiança dos investidores e dos turistas "é possível", opina Fakhro, "mas dependerá de quanto tempo se prolongar o conflito".

<><> Raiva e frustração

A guerra contra o Irã transformou os países do Golfo em alvo. Ela está saindo extremamente cara e vem gerando sensação de raiva e frustração entre seus cidadãos e governantes. A pessoa pública que talvez tenha criticado mais explicitamente a decisão de Donald Trump de arrastá-los para a guerra foi o empresário multimilionário Khalaf Ahmad al Habtoor, dos Emirados Árabes Unidos. "Quem deu a ele o poder de arrastar nossa região para uma guerra contra o Irã? E no que se baseou para tomar esta perigosa decisão?", questionou al Habtoor, em recente e dura carta aberta dirigida ao presidente americano. O empresário perguntou a Trump se ele teria "calculado os danos colaterais antes de apertar o gatilho. Há uma sensação de traição pairando no ar das capitais do Golfo, mas é pouco provável que ela seja manifestada publicamente por algum tempo", explica Elham Fakhro.

Os países do Golfo investiram muito nas suas relações com Washington. Entre outras medidas, acolheram suas bases militares, facilitaram a logística, se comprometeram a realizar enormes investimentos e assumiram os custos políticos internos do alinhamento com a política regional americana, que é profundamente impopular. "Em troca, eles esperavam, pelo menos, terem sido consultados antes de uma guerra que, inevitavelmente, os transformaria em alvos. Não foi o que aconteceu. Os mísseis iranianos atingiram suas capitais, aeroportos, infraestruturas petrolíferas e bairros financeiros, não por algo que tivessem feito, mas por decisões tomadas em Washington e Tel Aviv", destaca Fakhro.

O pesquisador Neil Quilliam, do centro de estudos Chatham House, com sede em Londres, concorda que, atualmente, "existe uma enorme raiva" nas capitais do Golfo.

Mas, por enquanto, "não se pode fazer muita coisa e é muito pouco provável que eles a expressem em algum foro público". Esta não é a primeira vez que os EUA deixam os países do Golfo de lado. Em 2015, quando foi assinado o acordo nuclear com o Irã, "os países do Golfo, que sempre haviam exigido fazer parte de qualquer pacto com Teerã, foram excluídos". Por isso, esta nova marginalização "toca em um ponto sensível para eles".

<><> Estratégia de segurança

As monarquias do Golfo Pérsico mantêm relações tensas com seu vizinho persa, desde a revolução que derrubou o xá Mohammad Reza Pahlevi (1919-1980) e proclamou a República Islâmica do Irã, em 1979. O Irã não é um país árabe. Ele tem uma imensa maioria xiita, enquanto os países do Golfo são majoritariamente sunitas.

E, desde a revolução, a República Islâmica se posicionou como o grande inimigo dos Estados Unidos na região, de quem as monarquias árabes são aliadas. Por isso, os países do Golfo estabeleceram sua segurança em torno desse vínculo com Washington, especialmente a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos e o Catar.

"Todos eles buscaram, de alguma forma, algo mais ou menos equivalente ao artigo 5 da Otan [segundo o qual, se um membro for atacado, os demais sairão em sua defesa], com os Estados Unidos se comprometendo a defendê-los", explica Quilliam.

O antecedente do Kuwait em 1990, invadido pelo Iraque de Saddam Hussein (1937-2006) e libertado por uma coalizão liderada por Washington, servia de ponto de referência. Mas, quando Teerã bombardeou a infraestrutura petrolífera da Arábia Saudita, em 2019, ou Israel matou líderes do Hamas na capital do Catar, Doha, em um bombardeio em 2025, os Estados Unidos ficaram de braços cruzados.

A sensação de que Washington não viria ao seu resgate se ampliou e alguns destes países começaram a construir sua própria indústria de defesa, diversificando seus vínculos defensivos. Os países do Golfo estabeleceram sua segurança em torno de três premissas relacionadas entre si, explica Elham Fakhro.  Segundo uma delas, os Estados Unidos atuariam como sua principal garantia frente às ameaças externas. Além disso, a distensão com o Irã reduziria o risco de um confronto direto; e, para alguns, o estabelecimento de vínculos seletivos com Israel traria benefícios estratégicos. Esta política "tinha como objetivo permitir aos governos do Golfo manter o equilíbrio entre Washington, Teerã e Tel Aviv, sem precisar escolher entre eles", segundo a pesquisadora.

Mas a guerra do Irã expôs os limites desta aliança.

Alguns países talvez decidam diversificar suas colaborações militares com outros países, como a Turquia ou o Paquistão. Mas, segundo Quilliam, "levará muito tempo para que eles se afastem dos Estados Unidos", pois muitos desses contratos de formação, de sistemas de armamentos ou de aviação são válidos por pelo menos 20 anos.

<><> Espada de Dâmocles

Qual saída têm hoje os países do Golfo para uma guerra que eles não escolheram?

Os especialistas acreditam que não existe uma solução fácil. Mas os danos serão menores quanto mais cedo acabar o conflito. Um cessar-fogo a curto prazo permitiria o início da recuperação, segundo Elkam Fakhro. Mas uma guerra prolongada agravaria os danos mês a mês, acelerando a saída dos trabalhadores expatriados e a fuga de capitais dos quais dependem economias como a de Dubai. E os danos não param por aí. Neil Quilliam é da opinião de que a sangria econômica causada pelo fechamento do Estreito de Ormuz para os países do Golfo só pode ser estancada de forma sustentável com um cessar-fogo, nunca pela força, como pretende Donald Trump.

De qualquer forma, os prejuízos serão enormes. Alguns países já foram obrigados a interromper a produção de petróleo e retomá-la aos níveis anteriores à guerra pode levar pelo menos cinco ou seis meses. E, mesmo se a guerra terminasse hoje, a ameaça do regime iraniano, cuja derrocada aparentemente não irá ocorrer neste momento, seguiria pairando sobre o Golfo, como uma espada de Dâmocles. "Daqui a dois meses, Israel poderá dizer que detectou alguma movimentação no programa nuclear ou de mísseis balísticos e voltar a atacar", calcula o pesquisador do Chatham House. "E, então, os iranianos contra-atacarão." Como destaca Anna Jacobs Khalaf, do Instituto Europeu da Paz, os países do Golfo "não podem mudar a geografia".

Eles são vizinhos de um vasto país de 90 milhões de pessoas "e precisarão encontrar uma forma de conviver com os novos dirigentes do Irã, para evitar que eles sigam ameaçando seus países e os mercados globais de energia". O retorno das negociações poderia ser uma saída, como vinha acontecendo nos últimos anos, quando a Arábia Saudita e o Irã restabeleceram relações diplomáticas, com mediação da China. "A única solução duradoura é que os Estados do Golfo construam suas próprias relações com o Irã, nos seus próprios termos", conclui Khalaf.

¨      Como cidades símbolos de luxo e segurança foram 'arrastadas' para conflito com Irã

Até poucos dias atrás, as imagens de drones interceptados no céu, destroços caindo na rua e prédios pegando fogo estavam fora do radar de quem vive e visita algumas das cidades mais prósperas do Oriente Médio, como Dubai e Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, e Doha, no Catar. Mas tudo isso passou a ser realidade desde o sábado (28/2), quando os EUA e Israel realizaram ataques contra o Irã, matando o líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei. Os iranianos revidaram, atingindo não só o território israelense e militares americanos, mas também alvos nos Emirados Árabes, no Catar, no Bahrein, no Kuwait, em Omã, no Iraque e na Jordânia.

Segundo o Irã, esses países se tornaram alvo dos ataques porque possuem bases ou presença militar americana. "Todos os territórios ocupados e as bases criminosas dos Estados Unidos na região foram atingidos pelos potentes impactos dos mísseis iranianos. Esta operação continuará sem descanso até que o inimigo seja derrotado de forma decisiva", afirmou a Guarda Revolucionária do Irã. Ali Larijani, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã defendeu o direito do país de revidar e disse não estar mirando os países vizinhos, mas o que seria "solo americano. Aos países da região: não estamos buscando atacá-los. Mas quando as bases localizadas em seu país são usadas contra nós, e quando os Estados Unidos realizam operações na região contando com essas forças, então atacaremos essas bases. Pois essas bases não fazem parte do território desses países; na verdade, são solo americano", disse Larijani.

<><> Áreas civis atingidas

Mas imagens que ganharam as redes sociais e agências de notícias mostraram que os drones e mísseis do Irã alcançaram muito além de instalações militares. Só os Emirados Árabes Unidos, um dos mais atingidos, receberam até a tarde deste domingo 67 mísseis e 541 drones iranianos, segundo o governo. Desses drones, 35 caíram em território do país, resultando em três mortes. Uma dessas mortes ocorreu na área do aeroporto de Abu Dhabi, atingido por destroços de um drone.

Já o aeroporto de Dubai, o segundo mais movimentado do mundo em tráfego de passageiros, foi danificado no que o governo chamou de "incidente" que deixou quatro funcionários feridos. Com os ataques, o espaço aéreo da região está fechado e centenas de voos foram cancelados, deixando milhares de turistas ainda sem perspectiva de voltar a seus países, inclusive o Brasil. Um deles é Ricardo Ferreira, assessor artístico brasileiro que está sem sair de seu quarto de hotel em Abu Dhabi, capital emiradense a pouco mais de 100 km de Dubai. Ferreira estava a trabalho nos Emirados Árabes com mais 16 pessoas e tinha a volta programada de Dubai para São Paulo na manhã de domingo (1º/3). Agora, ele não faz mais ideia de quando conseguirá retornar. O brasileiro, que disse nunca ter imaginado passar por algo parecido nos Emirados Árabes, ouviu estrondos e viu caças e mísseis atravessando o céu de Abu Dhabi no sábado, sem saber que estava em meio a ataques do Irã. "Fomos pegos totalmente de surpresa, porque a gente estava sem informação nenhuma. A gente não tinha ideia de que isso estava para acontecer ou poderia acontecer", relata.

O grupo só começou a entender o que estava acontecendo quando recebeu notícias de familiares e da imprensa brasileira. "Conforme foi passando o tempo, nós fomos ouvindo mais explosões, ficamos sabendo dos destroços que atingiram um dos hotéis mais famosos daqui. Aí sim que começou mais o pânico, mais o desespero", relata.

Na famosa ilha artificial em forma de palmeira Palm Jumeirah, em Dubai, a região do hotel cinco estrelas Fairmont foi atingida por uma grande explosão no sábado.

Destroços de um drone também provocaram um pequeno incêndio na fachada do icônico hotel em forma de vela Burj Al Arab. Segundo Ferreira, há fila na porta do hotel de turistas que não conseguiram voar em busca de hospedagem. A situação também pegou de surpresa quem mora em Dubai. A moradora Becky Williams disse à BBC ter visto cerca de 15 mísseis "lançados atrás da minha casa ontem", referindo-se aos mísseis disparados pelas autoridades dos Emirados para interceptar projéteis iranianos. "É possível ouvir as interceptações acontecendo no ar."

Satya Jaganathan, que mora perto do porto de Dubai atingido por explosões, diz que a situação "ainda está relativamente calma, já que há apenas barulhos altos a cada poucas horas.Mas é inquietante porque este não é o Dubai ao qual estamos acostumados". Na noite deste domingo, um alerta no celular pediu para que as pessoas procurassem abrigo e ficassem longe de janelas diante da possibilidade de mais ataques. Nas últimas semanas, líderes do Golfo Pérsico vinham tentando mediar conversas para que a situação não escalasse entre Estados Unidos e Irã. Mas os esforços não adiantaram. Ainda não se sabe com certeza quais eram os objetivos do Irã com os ataques aos Emirados Árabes Unidos, que são um de seus maiores parceiros comerciais.

Mas o país tem presença militar americana, especialmente na base aérea Al Dhafra, ao sul de Abu Dhabi, que abriga aeronaves da Força Aérea americana e sistemas de defesa antimísseis. Além disso, o porto de Jebel Ali, em Dubai, um dos mais movimentados da região, recebe navios da Marinha dos EUA. Na vizinhança, também foram registrados ataques à base da marinha americana no Bahrein, onde drones e destroços de um míssil interceptado atingiram prédios na capital Manama. Também houve explosões em Doha, capital do Catar, onde mísseis direcionados à base aérea de Al Udeid, a maior base militar americana na região, foram interceptados.

O luxuoso aeroporto da capital catari, frequentemente eleito um dos melhores do mundo e um dos maiores hubs globais de conexões entre Oriente e Ocidente, teve todos os voos suspensos. O Ministério das Relações Exteriores do Catar afirmou que o ataque feito por um vizinho "não pode ser aceito sob qualquer justificativa ou pretexto", ressaltando que o Catar sempre se manteve distante de conflitos regionais.

A base americana do país já havia sido alvo do Irã em junho do ano passado, quando o Irã revidou os ataques que destruíram instalações nucleares no país. Já o Ministério da Defesa do Kuwait afirmou que sua força aérea interceptou e destruiu 97 mísseis balísticos e 283 drones desde que o Irã lançou contra o país, segundo a agência oficial de notícias.

<><> Escalada 'grave e perigosa'

Segundo análise de Frank Gardner, correspondente de Segurança da BBC, uma linha vermelha foi cruzada no Golfo Pérsico diante dos ataques do Irã aos seus vizinhos. Para ele, é difícil imaginar como as famílias que governam esses Estados árabes poderão retomar relações minimamente normais com a atual liderança iraniana, caso ela sobreviva a esta guerra. Para Gardner, a escalada na região "é mais grave e perigosa do que qualquer outra coisa anterior". Representes de países reunidos no Conselho de Cooperação do Golfo se reuniram para discutir os danos causados por ataques iranianos aos países integrantes do bloco, que, segundo o grupo, incluíram alvos em instalações civis e áreas residenciais. O conselho, formado por Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Arábia Saudita, Omã, Catar e Kuwait, condenou os ataques e acusou o Irã de violar sua soberania e o direito internacional. Em comunicado, o grupo instou o Irã a interromper os ataques e ressaltou a importância da diplomacia e do diálogo. No entanto, também advertiu que tomará "todas as medidas necessárias" para defender sua segurança.

Enquanto os desdobramentos do conflito seguem rasgando o céu do Oriente Médio, influenciadores e milionários que escolheram Dubai como casa nos últimos anos seguem compartilhando conteúdo, dessa vez com menos luxo. O criador de conteúdo britânico Will Bailey atualizava seus seguidores filmando os rastros de fumaça deixados por mísseis e foguetes interceptadores no horizonte de Dubai. "Aquilo estava a poucos metros de nós", diz ele em um vídeo gravado perto do hotel Fairmont

À agência AFP, a jornalista Emma Ferey, cujo romance de 2024, Emirage, retrata a cena de influenciadores nos Emirados Árabes, disse que "é possível perceber ansiedade" entre eles. "Mesmo sabendo que falar de política — ou pior, geopolítica — significa correr o risco de perder seguidores."

 

Fonte: BBC News Mundo

 

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