Paulo
Nogueira Batista Jr.: Israel, o pior país do mundo
Preparem-se
para um artigo violento. A paciência da gente se esgota e, com ela, some também
a capacidade de medir palavras e fazer as devidas ressalvas. Para determinados
assuntos, pelo menos.
Qual é
o pior país do mundo? A concorrência é dura. Temos, por exemplo, a Inglaterra e
a Holanda. Ao longo da vida, tive a oportunidade de conhecer vários ingleses e
holandeses. E devo dizer: poucos se salvam. Os ingleses, nem se fala, estão na
origem de grande parte dos males que enfrentamos no mundo. Os holandeses,
menores, menos conhecidos nas suas abjeções, destacam-se pela antipatia e pelos
preconceitos contra estrangeiros. Deram bastante liberdade aos judeus em tempos
remotos, é verdade, mas figuraram entre os principais e entusiásticos
colaboradores dos nazistas na perseguição aos judeus durante a Segunda Guerra
Mundial, em contraste com os dinamarqueses, que resistiram obstinadamente, como
relatou Hannah Arendt em seu célebre livro Eichmann in Jerusalem.
Cerca de ¾ dos judeus que viviam na Holanda foram assassinados! Já a história
dos judeus dinamarqueses é sui generis, conta Arendt. A resistência
dos dinamarqueses à perseguição dos judeus foi única entre todos os países da
Europa, sejam países ocupados, aliados de Hitler ou verdadeiramente neutros e
independentes. Ninguém se igualou à Dinamarca.
Estou
me desviando do assunto um pouco, porém. Não era da Holanda ou da Dinamarca que
queria falar, países pequenos e irrelevantes para o quadro mundial. Retomo o
tema principal. Seriam os Estados Unidos o pior país do mundo? Há muitos
motivos para pensar assim; eu mesmo morei oito longos anos em Washington e sei
como os americanos podem ser desagradáveis e até detestáveis. Muito mais
importante: o Império americano tem uma longa lista de crimes e agressões
contra outros países. Seus últimos feitos foram o ataque à Venezuela e a
intensificação do embargo criminoso contra Cuba, além da agressão ao Irã.
Mas
ninguém consegue superar o Estado genocida e terrorista de Israel. Um alerta
meio óbvio: vou falar aqui do Estado de Israel (que nunca deveria ter sido
criado) e do projeto sionista que levou à sua criação – e não propriamente do
povo judeu ou dos judeus em geral.
Note-se,
entretanto, que as políticas do governo de Israel são apoiadas pela maioria dos
judeus israelenses, em especial a agressão ao Irã e a oposição à criação de um
Estado palestino. Essas políticas são apoiadas também pela maioria das
comunidades sionistas em outros países, inclusive aqui no Brasil e – mais
importante – nos Estados Unidos.
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O lobby sionista nos Estados Unidos
O
cientista político americano John Mearsheimer, em coautoria com Stephen Walt,
escreveu um importante livro, publicado em 2007, sobre o que ele denomina de
“Israel lobby”, cuja influência decisiva nos Estados Unidos, notadamente em
Nova York e Washington, termina por subordinar a política externa dos Estados
Unidos – um caso clássico do rabo abanando o cachorro. Um país pequeno, com 10
milhões de habitantes, dá as cartas para a superpotência, os Estados Unidos,
contribuindo para acentuar a sua delinquência.
A mais
recente demonstração da força desse lobby foi precisamente o ataque ao Irã. Os
Estados Unidos acabaram se envolvendo em uma guerra para servir não aos
próprios interesses, mas aos de um país estrangeiro, como denunciou Joseph Kent
ao renunciar ao cargo de diretor do Centro Nacional de Contraterrorismo, para o
qual foi nomeado pelo próprio Donald Trump.
Os
judeus sionistas financiam campanhas sórdidas, corrompem, elegem e controlam
políticos para a Presidência e o Congresso, controlam grande parte da mídia,
são donos de bancos e outras instituições financeiras privadas e têm forte
influência em Hollywood e na indústria da pornografia. Mandam e desmandam.
Beneficiam seus serviçais e ameaçam, chantageiam e punem seus críticos. Jeffrey
Epstein, não por acaso, era judeu.
Esses
sionistas são todos eles criminosos, apoiadores de assassinos de crianças
palestinas, iranianas e de outros países. E assassinar crianças é o crime mais
grave que se pode cometer. Nos Estilhaços, meu livro mais recente,
cheguei a escrever que o sofrimento das crianças não só desmente a existência
de Deus, como prova a do Diabo. E quem representa o Diabo na Terra hoje? Quem
melhor que Israel e seus apoiadores no resto do mundo?
O lobby
israelense faz parte, na verdade, de algo maior e mais desastroso para os
Estados Unidos – a subordinação das políticas públicas a bilionários e lobbies
privados –, entre os quais figuram também as big techs (gigantes
da tecnologia), o complexo industrial-militar (que ganha com todas as guerras),
o lobby cubano (focado em boicotar Cuba), o lobby pró-armas, o lobby financeiro
(que se sobrepõe em grande parte ao israelense), entre outros. Não há democracia,
mas plutocracia – o governo dos ricos; e cleptocracia – o governo dos ladrões;
e, também, kakistocracia – o governo dos piores. Não é o que se vê, diga-se de
passagem, na Rússia e na China.
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Gênios e mediocridades judaicas
Os
judeus têm, desde tempos remotos, forte presença nos meios financeiros privados
– em bancos e demais instituições financeiras. Sabem ganhar dinheiro. Mas isso
não quer dizer grande coisa. Muitos ditos “gênios financeiros” não passam, em
geral, de figuras bisonhas. A dedicação a assuntos financeiros parece levar
inexoravelmente a uma perda continuada de massa cerebral e criatividade, além
de solapar valores éticos.
Bem.
Uma das singularidades do povo judeu é a mistura de gênios, verdadeiros gênios,
com uma massa criminosa e/ou medíocre.
Entre
os gênios, podemos lembrar Karl Marx, Gustav Mahler, Sigmund Freud, Franz Kafka
e Albert Einstein. A própria Hannah Arendt foi, não diria genial, mas
certamente uma intelectual de enorme destaque. E, entre economistas judeus
americanos de projeção hoje em dia, podemos mencionar Joseph Stiglitz, Paul
Krugman e Jeffrey Sachs (nenhum deles sionista).
Para
mim, entretanto, o judeu mais importante de todos foi Heinrich Heine, um poeta
alemão, da primeira metade do século XIX, que figura com destaque nos Estilhaços e
por quem tenho verdadeira paixão desde os meus 22 anos.
Por
outro lado, a galeria de mediocridades judaicas é extensa. Dou alguns exemplos
a esmo. Aqui no Brasil, temos Celso Lafer, discípulo fervoroso e acrítico de
Hannah Arendt, e ministro das Relações Exteriores no governo Fernando Henrique
Cardoso, o mais limitado que já comandou o Itamaraty (superado apenas por
Ernesto Araújo, nomeado por Bolsonaro).
Outro
exemplo, este da área financeira brasileira: Luís Stuhlberger. Até
recentemente, eu nunca ouvira falar dele. Sinal alarmante de ignorância
financeira, pois ele é um destacado e respeitado judeu, que integra as hostes
da Faria Lima. Não merece respeito, porém. Vejam a entrevista que ele deu ao
jornal Valor (publicada em 30 de maio de 2025, p. C3), um
verdadeiro festival de asneiras políticas, econômicas e culturais, inclusive na
linguagem salpicada de termos em inglês para os quais há palavras rigorosamente
equivalentes na nossa língua.
Mas
vamos voltar aos Estados Unidos. Como mencionei, os judeus têm, historicamente,
forte presença no setor financeiro privado – em bancos, fundos de investimento
e outras instituições financeiras. Menos conhecida é a presença desse lobby no
setor financeiro público, especialmente nos Estados Unidos. No FMI, por
exemplo, onde trabalhei por oito anos, todos ou quase todos os representantes
do governo americano na Administração e na Diretoria eram judeus americanos
(alguns bem inteligentes).
Mais
importante: o lobby domina também o Tesouro dos EUA (o ministério das finanças
deles). Nas décadas recentes, a maioria dos Secretários do Tesouro (ministros
de finanças) dos EUA foram também judeus americanos. A “comunidade” marca
presença. É o Tesouro quem dá as cartas no FMI, no Banco Mundial e no Banco
Interamericano de Desenvolvimento (BID), entidades financeiras sediadas em
Washington. Não é por acaso, por exemplo, que uma mediocridade brasileira, o
judeu Ilan Goldfajn, foi guindado à presidência do BID. Ele está lá para
cumprir as ordens do Tesouro americano, leia-se, do lobby sionista.
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A reação do Irã
Não
vale a pena, entretanto, gastar pólvora com chimango. O que importa são as
barbaridades que o Estado terrorista de Israel está cometendo em Gaza, na
Cisjordânia, no Líbano e, agora, com o ataque ao Irã. Não se deve perder de
vista que a guerra foi iniciada por Israel. Os Estados Unidos acompanharam a
agressão.
O Irã
já provou que não é nenhum país indefeso. Ao contrário, está castigando Israel
com uma chuva de mísseis balísticos e drones, que atingem Tel Aviv e Haifa,
entre outros locais. As indicações são de que a economia israelense está sendo
arruinada. E os israelenses estão provando do próprio veneno.
Israel
desencadeou uma guerra regional, com consequências econômicas, sociais e
políticas para o mundo inteiro. Esse país criminoso precisa ser parado.
Vida
longa ao Irã e ao grande povo iraniano! Que não lhes falte munição, mísseis e
drones para deter Israel e outros inimigos da humanidade!
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'Decapitação' do regime: entenda por que estratégia
contra o Irã é falha
Desde o
primeiro ataque da Guerra no Irã, em 28 de fevereiro, Israel tem matado figuras de alto escalão do regime de
Teerã – a começar pelo líder supremo, Ali Khamenei, a maior autoridade do país.
Nesta
semana, a baixa mais relevante foi a morte de Ali Larijani. Oficialmente, ele
ocupava o posto de secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional, mas
EUA e Israel acreditam que era Larijani que chefiava de fato o Irã desde a
morte de Ali Khamenei.
Enquanto
os EUA se concentram em outros alvos, como a indústria de petróleo do país, os
ataques contra autoridades têm sido feitos, em sua grande maioria, por Israel.
A
estratégia de "decapitação" — no sentido figurado, de buscar matar as
lideranças inimigas — não é comum nas guerras modernas, como explica Carlos
Gustavo Poggio, cientista político e professor do Berea College, dos EUA.
"'Decapitação'
é uma estratégia que muitas vezes é aplicada contra grupos armados, ou grupos
terroristas. Quando você vai decapitar a liderança nesse grupo armado, esse
grupo armado é hierárquico, portanto você consegue enfraquecê-lo
bastante."
Ele
afirma que um Estado, por sua vez, é um organismo mais complexo do que um grupo
armado, já que estrutura toda uma sociedade.
"A
gente viu pouquíssimas vezes na história um chefe de estado ser morto por uma
nação estrangeira, ainda mais nessas condições que nós vimos acontecer
agora. É algo inadequado, porque o regime continua de pé, a capacidade de
retaliação continua e muitas vezes esse tipo de ação pode levar a um efeito
inverso, da população se revoltar contra quem está atacando, eventualmente
endurecer o regime, em vez de quebrá-lo", diz Poggio.
É o que
parece ser o caso do Irã. O regime não apenas não caiu, como o filho de
Ali, Mojtaba
Khamenei — um clérigo "linha-dura" — foi escolhido
como novo líder supremo, dando continuidade ao regime dos aiatolás.
Demétrio
Magnoli, comentarista da GloboNews, aponta para um caminho semelhante após a
morte de Ali Larijani.
"O
sistema de poder iraniano está preparado para a substituição de dirigentes”,
disse Magnoli, ao podcast O Assunto de quarta-feira (18). “Larijani era o chefe
de fato do Irã e um pragmático, que servia como ponte entre correntes políticas
mais moderadas e os setores radicais do clero e da Guarda Revolucionária.
Parece que se opôs à escolha de Mojtaba Khamenei, em busca de algum canal de
negociação".
"Sua
eliminação abre caminho para a ascensão de líderes mais radicais, dispostos a
conduzir a guerra às suas últimas consequências", completa.
Carlos
Poggio analisa a guerra do ponto de vista tático (no curto prazo) e estratégico
(no longo prazo). Para o professor, "do ponto de vista tático, essa
estratégia [de 'decapitação'] está funcionando. Conseguiram enfraquecer o
Irã."
"A
grande questão é qual o objetivo político final disso. Por um lado, isso não
está claro e, por outro, eu não sei se os objetivos de EUA e Israel são os
mesmos", ele conclui.
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Veja, a seguir, os principais nomes de autoridades assassinadas por Israel no
Irã – e os que estão vivos.
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Mortos por Israel
- Aiatolá Ali
Khamenei, líder supremo
Principal
figura política e maior autoridade do país desde 1989, quando se tornou líder
supremo, Ali Khamenei foi morto na primeira leva de ataques de EUA e Israel, em
28 de fevereiro. Ele estava em sua residência junto a membros de sua família
quando foi alvo de um míssil.
- Ali Larijani,
secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional
À
frente do cargo do conselho responsável pelas decisões militares e de relações
exteriores, Larijani era o chefe de fato do regime desde a morte de Ali
Khamenei. Uma das principais figuras dos bastidores da política iraniana e
considerado um moderado, ele foi alvejado no início da manhã de terça-feira
(17) por um ataque israelense.
- Mohammad
Pakpour, chefe da Guarda Revolucionária do Irã
Pakpour
liderava um dos braços militares mais poderosos do Irã, a Guarda Revolucionária
– criada para proteger a Revolução de 1979 e, na prática, um exército paralelo
com sua própria marinha, força aérea e tropas terrestres. Ele foi um dos
primeiros alvos de Israel e morreu em 28 de fevereiro, em Teerã.
- Abdol Rahim
Mousavi, chefe do Estado-Maior
Outro
alvo de Israel morto nos ataques de 28 de fevereiro, Mousavi respondia
diretamente ao líder supremo, Ali Khamenei. Ele havia assumido o posto após a
morte do antecessor, Mohammad Bagheri, também por Israel, na Guerra dos Doze
Dias em junho de 2025.
- Aziz
Nasir-Zadeh, ministro da Defesa
O
ministro do governo do presidente Masoud Pezeshkian foi mais um dos alvos do
alto escalão militar nos ataques de 28 de fevereiro.
- Gholam Reza
Soleimani, chefe das Forças Basij
Soleimani
comandava um destacamento da Guarda Revolucionária do Irã formado por
voluntários, as forças Basij. Elas realizavam patrulhamento das ruas e tiveram
papel importante na repressão aos protestos de janeiro. Soleimani foi morto no
mesmo dia que Larijani.
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Entre outros altos funcionários assassinados nos ataques estão:
- Mohammad
Shirazi, chefe do Gabinete Militar do Líder Supremo
- Ali Shamkhani,
assessor do líder supremo para assuntos de segurança e secretário do
Conselho de Defesa
- Hassan
Ali-Tajib, chefe do Departamento de Logística das Forças Armadas
- Gholam-Reza
Rezaeian, chefe da Diretoria de Inteligência das Forças de Segurança
Internas
- Hossein Jabal
Amelian, chefe da Organização de Inovação e Pesquisa em Defesa
- Reza
Motafari-Nia, ex-chefe da Organização de Inovação e Pesquisa em Defesa
- Saleh Asadi,
chefe da diretoria de Inteligência do comando de emergência "Khatam
al-Anbiya"
- Jalali Hossein,
chefe da Diretoria de Espionagem do Ministério da Inteligência
- Yahya Hamdi,
vice-ministro da Inteligência para Assuntos de Israel
- Akbar
Ebrahim-Zadeh, chefe em exercício do Escritório Militar do Líder Supremo
- Bahram Hosseini
Motlaq, chefe do Departamento de Operações e Planejamento das Forças
Armadas
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Quem está vivo
- Mojtaba
Khamenei, líder supremo
Filho
de Ali Khamenei, o aiatolá foi escolhido para suceder o pai como maior
autoridade do país. Ele estava junto da família durante os ataques de 28 de
fevereiro e, além do pai, também perdeu a mulher e um filho, entre outros
familiares. Há relatos de que ele teria ficado ferido na ação. Mojtaba não fez
aparições públicas desde o início da guerra.
- Masoud
Pezeshkian, presidente
No Irã,
o cargo de chefe do Executivo tem um peso menor, já que todas as decisões
passam pelo crivo do líder supremo e do alto clero. Ainda assim, Pezeshkian
exerce poder político limitado e não parece ter sido alvo de ataques
israelenses. Ele é visto como um moderado dentro do regime dos aiatolás.
- Abbas Araqchi,
ministro das Relações Exteriores
O
chanceler trabalhava nas negociações de um acordo nuclear com os EUA quando
americanos e Israel iniciaram a guerra contra Teerã. Ele deu entrevistas após o
início do conflito, condenando a atitude de Washington e Tel Aviv.
Fonte: Opera
Mundi/g1

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