O
crepúsculo da política em Minas Gerais
Sabemos,
como bem nota Newton Bignotto (2004, p. 34), que a identidade de uma república
se erige fundamentalmente a partir do momento da fundação. O momento da
fundação pode ser resumido como a experiência única dada pela ação humana que
produz efeitos que ultrapassam os limites imediatamente históricos destas
ações, que “[…] deixam um legado imaginário e simbólico que são essenciais para
a preservação dos valores que presidiram a constituição do corpo político”.
A
história republicana do Brasil, podemos resumir, está intrinsecamente ligada à
moderação, à articulação de bastidores e à capacidade forjada no estado de
Minas Gerais, o “fiel da balança” das eleições nacionais. “Quem ganha em Minas,
ganha o Brasil”, é o que o costume popular passou a entender e a verbalizar. O
estado sempre foi um celeiro de estadistas voltados para o pragmatismo
administrativo, como Juscelino Kubitschek e Itamar Franco.
Entretanto,
o cenário político mineiro de nossos dias atravessa uma metamorfose que beira a
falência estrutural de suas instituições representativas. Capturada por uma
arena onde são protagonistas a semiótica digital e a performance midiática, a
substância administrativa e o debate de políticas públicas estão jogados para
escanteio. Não que em outras épocas esses elementos importassem muito. Na
política, sempre predominou a emoção sobre a razão quando se trata desse ente
misterioso e simbiótico que é o povo.
No
texto que se segue, queremos nos somar aos analistas da política mineira que
tentam decifrar o surgimento do que poderíamos chamar – sem querer inventar
conceitos – de um populismo algorítmico que agora personifica-se na figura do
senador Cleitinho Azevedo (Republicanos), que aproveita o vácuo de carisma que
assombra tanto a burocracia governista quanto a esquerda tradicional do estado.
Por trás do espetáculo, observamos, dentre outros apontamentos, a estruturação
de um projeto de poder calcado na indignação performática.
São
dadas a dominância do espectro de direita e centro-direita em Minas Gerais e a
aceitação popular de discursos radicais. Assumindo isso, parte dos analistas
políticos tem se esquecido de buscar respostas no colapso político e financeiro
da gestão de Fernando Pimentel (PT), que governou o estado entre 2015 e 2018.
Um
esquecimento curioso, visto que a narrativa de “terra arrasada” se tornou um
ativo político repetido à exaustão durante as campanhas eleitorais de 2018 e
2022 por Romeu Zema (Novo) e seus aliados no legislativo. A retórica faz
parecer que o Partido dos Trabalhadores, ou “Partido das Trevas”, como repetem
os incautos que reduzem a corrupção a um único partido, teria aniquilado as
finanças do Estado. A “prova” estaria nos atrasos sistemáticos de salários do
funcionalismo público e na dívida herdada pelo sucessor de Fernando Pimentel.
Submetida
a uma análise rigorosa, a gestão de Fernando Pimentel revela um calcanhar de
Aquiles mais profundo que os discursos: o estopim definitivo para a perda de
seu suporte institucional não foi a abstração de um déficit macroeconômico
perante a União, mas o confisco de recursos constitucionais devidos aos
municípios – uma manobra orçamentária de consequências locais devastadoras. A
gestão petista instituiu mecanismos, amparados por decretos como o 47.296/2017,
que retinham parcelas do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços
(ICMS), do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) e, ainda
mais crítico, do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica
(Fundeb).
A
dívida do estado de Minas Gerais com as prefeituras escalou para a marca
histórica de quase R$ 12 bilhões, asfixiando a capacidade de investimento e
solvência dos cofres municipais, desmuniciando os prefeitos durante o exercício
de seus mandatos e, não menos importante, enfraquecendo seus projetos de
permanência no poder.
Cidades
do interior, altamente dependentes de transferências constitucionais, viram-se
incapazes de pagar o funcionalismo público. Evidenciou-se esta dificuldade em
casos generalizados de atrasos no pagamento de professores, paralisação do
transporte escolar e suspensão de serviços de saúde e zeladoria urbana.
Sem
dúvida, foi essa asfixia financeira nas bases que implodiu a rede de apoio de
Pimentel. Prefeitos de todos os espectros políticos distanciaram-se do Palácio
Tiradentes, culminando em manifestações extremadas, acampamentos de prefeitos
na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) e pressões para impor derrotas
ao governo.
A
ironia da narrativa da “nova política”, no entanto, reside no fato de que Romeu
Zema, ao assumir o governo em janeiro de 2019, repetiu inicialmente a
mesmíssima prática predatória de seu antecessor. Apenas em seu primeiro mês de
mandato, a gestão do Partido Novo confiscou cerca de R$ 522 milhões dos
municípios – sendo R$ 459 milhões referentes ao ICMS e R$ 63 milhões do Fundeb.
O então presidente da AMM, Julvan Lacerda, alertou publicamente que, se a
prática continuasse naquele ritmo, Zema terminaria seu mandato dobrando a
dívida herdada da gestão petista!
Logo, a
vitória política da direita em Minas Gerais está mais numa habilidade política
de estancar a sangria municipal e transformar um passivo bilionário em um ativo
de marketing. Percebendo que o poder no estado se ramifica na capilaridade das
853 prefeituras, o governo estadual formalizou um acordo robusto, chancelado e
mediado pelo Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG).
O pacto
previu o parcelamento da dívida de R$ 7 bilhões em repasses atrasados e a
revogação expressa do decreto que permitia as retenções. Posteriormente, o
governo de Romeu Zema ainda contou com a injeção massiva de R$ 1,5 bilhão
advinda do acordo de reparação assinado com a mineradora Vale, referente ao
desastre de Brumadinho.
Romeu
Zema, que se elegeu como outsider, rapidamente operou a transição descrita por
Fernandes, Chaves e Oliveira (2024): a antipolítica que evolui de um discurso
de “banimento”, entendido enquanto negação total da política, para a
“colonização”. Com efeito, Romeu Zema colonizou o estado com uma lógica
empresarial e aderiu ao establishment tradicional para governar, utilizando a
crise econômica como justificativa moral para a austeridade seletiva.
Talvez
por isso os mineiros ainda o perdoem por não ter entregue nada relevante ao
estado em quase oito anos de governo. A narrativa de “terra arrasada” operou
transformando uma crise fiscal em uma prova de degradação moral da esquerda,
legitimando qualquer medida de austeridade posterior como um ato de
purificação.
Outra
ironia é o fato de que, embora pague em dia os municípios, no plano
macroeconômico a dívida total de Minas Gerais continuou sua escalada, crescendo
63% sob a gestão de Romeu Zema e ultrapassando a barreira dos R$ 200 bilhões em
2025. No imaginário do eleitor e das prefeituras, o que importou foi a retomada
do fluxo de caixa na ponta, solidificando o fracasso da esquerda como dogma
político inquestionável, sobretudo no interior mineiro.
O nome
ungido pela máquina estatal para a sucessão de Romeu Zema é o seu
vice-governador, Mateus Simões. Advogado com mestrado, ex-vereador de Belo
Horizonte e ex-secretário-geral do governo, Mateus Simões é um burocrata de
perfil técnico. Visto como a antítese do líder popular, falta-lhe a capacidade
de inflamar multidões ou dialogar de forma orgânica com as classes mais
populares.
Visando
pavimentar seu projeto majoritário, Mateus Simões protagonizou um movimento
pragmático: desfiliou-se do Novo e migrou para o Partido Social Democrático
(PSD), presidido nacionalmente por Gilberto Kassab. O Novo, por suas amarras
estatutárias e dimensão reduzida, não possui fundo eleitoral competitivo, tempo
de rádio e televisão, tampouco a estrutura partidária que sustenta uma campanha
ao governo no segundo maior colégio eleitoral do Brasil.
A
inserção de Mateus Simões no PSD não resolveu a ausência de apelo popular e
gerou turbulência interna: a legenda abrigava as pretensões do senador Rodrigo
Pacheco, cortejado pelo presidente Lula para encabeçar uma chapa de
“centro-esquerda” ao governo mineiro. A filiação do vice-governador foi um
movimento calculado para neutralizar a candidatura de Rodrigo Pacheco.
Sem o
magnetismo necessário para empolgar o eleitorado, a articulação de Mateus
Simões depende quase exclusivamente do uso da máquina pública e da força
coercitiva do governo. Em episódios recentes, Mateus Simões disparou mensagens
a integrantes do alto e médio escalão do governo, convocando-os a se
desincompatibilizarem de seus cargos no prazo legal para se candidatarem a
deputados, revelando a fragilidade de uma candidatura que não consegue atrair
aliados pelo convencimento ou pela inspiração.
Essa
estratégia da centro-direita torna-se ainda mais precária diante da necessidade
de formar uma frente ampla conservadora. Mateus Simões e o governo Zema
precisam desesperadamente do Partido Liberal (PL) de Jair Bolsonaro, liderado
no estado por Domingos Sávio e por Nikolas Ferreira. No entanto, a
extrema-direita nutre profunda desconfiança com o perfil excessivamente
institucional de Mateus Simões.
No polo
oposto à burocracia do centro e à direita hegemônica, encontra-se uma esquerda
politicamente encolhida, fragmentada e, sobretudo, ideologicamente acovardada.
Uma esquerda que tem medo de se assumir e dizer que é esquerda. Apesar da
fraqueza em que se encontra, a esquerda mineira possui raízes históricas
profundas e combativas, as quais eu mesmo, desde menino, aprendi a admirar
através de familiares que lutaram contra o autoritarismo.
Essas
raízes remontam, por exemplo, à resistência armada e política contra a ditadura
militar nas décadas de 1960 e 1970. Podemos rememorar a Organização
Revolucionária Marxista Política Operária (POLOP), o Comando de Libertação
Nacional (COLINA) e a atuação de líderes sindicais operários nas históricas
greves de Contagem e Betim, como Milton Soares de Castro. Foram esses atores
que forjaram um campo progressista vibrante e inequivocamente classista do
estado, que hoje se encolhe diante de seus adversários.
Mas os
atuais representantes progressistas em Minas Gerais perderam a coragem de
hastear suas bandeiras. O trauma do antipetismo resultou em uma paralisia da
esquerda. Políticos de partidos tradicionalmente estruturados na luta de
classes evitam o enfrentamento ideológico direto e empenham-se em mimetizar um
discurso de centro moderado, temendo a rejeição automática da classe média e do
vasto eleitorado evangélico do estado.
Por sua
vez, a timidez ideológica levou a uma crise de identidade ilustrada pelas
estratégias do Partido dos Trabalhadores. Em vez de formar, nutrir e bancar
lideranças próprias, o PT atua nos bastidores em um esforço de terceirização do
protagonismo. O partido, que hoje possui nada menos que a Presidência da
República, admite que não possui nomes competitivos capazes de fazer frente à
máquina governista ou mesmo à extrema-direita. Por esta razão, o próprio
presidente Lula dedicou considerável capital político para seduzir figuras da
centro-direita para liderarem o palanque petista em 2026.
Com
efeito, a primeira grande aposta do PT foi o senador Rodrigo Pacheco, um perfil
conservador e ligado a elites empresariais, mas que, supostamente,
representaria moderação contra o bolsonarismo. Diante das hesitações de Rodrigo
Pacheco – que teme perder a eleição e exige garantias extremas, como autonomia
para pautas liberais e vultosos investimentos federais prévios –, o PT chegou
até a flertar com a candidatura de Alexandre Kalil, que tenta se reerguer agora
filiado ao PDT, ou mesmo com a improvável aliança com o MDB do deputado Tadeu
Leite, atual presidente da Assembleia Legislativa.
Ao
abdicarem da disputa aberta de valores e optarem por candidaturas de centro ou
terceirizadas, as forças progressistas deixam vazio o espaço da indignação
pública. Elas se retiraram para a segurança da vida privada institucional,
deixando as barricadas digitais livres para serem ocupadas por populistas. Como
diria Bignotto (2006), o recuo da ação pública para a esfera da vida privada
gera uma apatia que corrói o tecido democrático. Estamos assistindo esta
corrosão em Minas Gerais bem diante de nossos olhos.
É nesse
imenso vazio que surge o fenômeno do senador Cleitinho (Republicanos). Eleito
em 2022 com a marca expressiva de mais de 4,2 milhões de votos, Cleitinho é o
arquétipo perfeito da “política tiktoker” – um modelo representativo que tem
sequestrado a política contemporânea. A definição desse modelo pode ser
encontrada na subordinação absoluta da atividade parlamentar à lógica viciante
dos algoritmos, em que a performance indignada sobrepondo-se à elaboração de
projetos complexos.
Cleitinho
opera sob uma miscelânea ideológica que atende aos anseios de uma população
saturada com a classe política. Desde sua filiação política, posiciona-se como
um expoente da direita conservadora. Reivindica pautas da chamada “nova
direita”, defendendo genericamente a redução de impostos, cortes de privilégios
da classe política e do judiciário, o enxugamento da máquina pública e a
moralidade cristã. Mas sua prática discursiva no Senado e nas redes sociais
recorre frequentemente a demandas que encontram eco direto nas pautas clássicas
da esquerda brasileira. Como explicar Cleitinho, afinal?
Cleitinho
opera o que Moraes e Fonseca (2024) definem como a lógica política do
populismo: a construção performática de um povo homogêneo contra uma elite
corrupta. Parece que o senador constrói o “nós” a partir do trabalhador que
sofre e elege seu inimigo num “eles” mutável: ora o STF, ora a “velha política
e sua escala 3×4”. O que torna Cleitinho uma quimera política – e por isto um
perigo para a esquerda mineira – é sua capacidade de fundir a guerra cultural
da extrema-direita com pautas trabalhistas clássicas.
Isso
ficou evidente num episódio emblemático de contradição ideológica do senador.
Mesmo com a oposição de parlamentares da direita, como Nikolas Ferreira
(PL-MG), Cleitinho ignorou as diretrizes de seu próprio espectro e gravou
vídeos inflamados defendendo o fim da jornada. Com a voz embargada e a estética
de indignação ensaiada, ele justificou seu apoio invocando a morte recente de
seu pai.
Cleitinho
relatou que o pai, um pequeno comerciante, passou a vida trabalhando em regimes
exaustivos, perdendo Natal e Ano Novo longe da família, e morreu de câncer sem
ter tido tempo de descanso. “Estou fazendo isso pelo meu pai, pelo seu pai,
pela sua mãe”, bradou, vacinando sua postura contra qualquer ataque. E
misturando dor pessoal com política pública, Cleitinho captura a empatia
imediata das massas.
Machado
e Miskolci (2019) explicam que as redes sociais transformaram a polarização
política em uma “cruzada moral”. Cleitinho navega nisto com maestria: ele não
entrega resultados legislativos estruturais, mas validação moral aos seus
seguidores. Ele é o sintoma de uma política que desistiu de transformar a
realidade para performar a revolta contra ela. O eleitorado, fascinado pela
estética do combate aos privilégios, aplaude o político que vocaliza seus
sentimentos, ignorando que seu discurso não se traduz em um projeto de estado
coeso ou viável a longo prazo.
Enquanto
a dívida global mineira asfixia o futuro do estado, forçando o governo a se
ajoelhar perante o Regime de Recuperação Fiscal (RRF) ou o “Propag”, o senador
líder das pesquisas estaduais não relatou nenhuma grande reforma
macroeconômica. Não há sequer registro de sua liderança articulando
investimentos em infraestrutura para o estado, nem atuação diplomática para
desatar o nó fiscal mineiro em Brasília. Sobra, então, uma inépcia política, a
recusa em sentar-se à mesa de negociações adultas e a incapacidade de atrair
bilhões em repasses estruturais, que cobram um preço alto do estado que o
elegeu.
Quando
falamos em Cleitinho, falamos também em um projeto de poder familiar
arquitetado a partir de pretensões hegemônicas. Através de seu reduto eleitoral
em Divinópolis, no Centro-Oeste mineiro, a família Azevedo estruturou uma
dinastia política que desafia o discurso antissistema de seus próprios membros.
A
família opera sob uma divisão estratégica de papéis e territórios. O vértice
executivo é comandado por Gleidson Azevedo, irmão de Cleitinho. Eleito prefeito
de Divinópolis pelo Partido Novo, ele cultiva um estilo tão extravagante quanto
o do senador. Aproveitando a injeção de recursos do estado e da União
viabilizada por alinhamentos políticos – como as obras do Hospital Regional de
Divinópolis – Gleidson preparou o terreno para mais um salto. Depois de
abandonar as conversas para compor como vice-governador na chapa de Mateus
Simões, ele focou sua energia em garantir uma candidatura a deputado federal em
2026.
O
terceiro eixo familiar é sustentado por Eduardo Azevedo (PL), atual deputado
estadual, que herdou de forma direta o espólio político inicial de Cleitinho na
Assembleia Legislativa. Se Cleitinho absorve a pauta popular e flerta com a
indignação da classe trabalhadora, Eduardo ancora a família rigidamente na
ideologia da extrema-direita. Cristão conservador, ele atua ferozmente nas
trincheiras das pautas de costumes, como a defesa da família e da vida, e tem
servido como elo orgânico dos Azevedo com o eleitorado bolsonarista.
Bem, o
xadrez político que a dinastia Azevedo joga visando 2026 escancara o caráter
utilitário do projeto. A indefinição de Cleitinho sobre sua candidatura ao
governo estadual, adiada propositalmente para meados do ano eleitoral, é uma
estratégia de barganha no mercado político. Como líder nas pesquisas, ele detém
a capacidade de desidratar ou viabilizar a candidatura de Mateus Simões. Para
Cleitinho, pode ser lucrativo politicamente abrir mão da cabeça de chapa, em
troca de compromissos da máquina estadual para garantir a eleição de Gleidson
como deputado federal e a reeleição de Eduardo como deputado estadual.
Apesar
da performance antissistema, o que temos em movimento é a engrenagem mais
tradicional do Brasil: a perpetuação do poder familiar através do controle de
máquinas partidárias e fatias do eleitorado, regadas, desta vez, não por
coronéis do café com leite, mas pelo mercado digital das plataformas.
Esse
mapeamento que buscamos fazer – exaustivo, eu sei – revela um estado preso a
transições inacabadas, dominado por uma profunda crise de representatividade. A
direita conservadora expandiu seu poder mediante a exploração do discurso de
“terra arrasada”. O pacto financeiro e institucional assinado entre Romeu Zema
e o municipalismo mineiro criou uma blindagem política que a esquerda,
fragmentada e assombrada por sua própria imagem, tem se mostrado incapaz de
romper.
Para o
cidadão comum, o vácuo foi preenchido pelo espetáculo alienante da política
tiktoker. A revolta canalizada contra a própria classe política, da qual
Cleitinho e seus familiares são parte integrante, legitima mandatos que, do
ponto de vista concreto, beiram o nada absoluto.
O
projeto de falência da política em Minas Gerais é, portanto, a elevação da
forma acima de qualquer substância. Enquanto a dinastia Azevedo constrói seus
castelos sob a falsa bandeira da antipolítica, e a esquerda desiste de
enfrentar seus adversários, o estado-pivô do Brasil entrega seu destino a
políticos que amam a simbologia da virtude, mas desprezam o silencioso labor de
governar.
O
eleitor, julgando buscar a transparência e a vingança contra o sistema, termina
por sufragar o vácuo – um ruído estridente nas redes que se dissolve
miseravelmente diante dos abismos fiscais e sociais que a realidade, sempre
imperiosa, impõe.
Fonte:
Por Diego Eymard, em A Terra é Redonda

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