Novo
líder supremo do Irã pede que regime 'retire a segurança dos inimigos internos
e externos'
O novo
líder supremo do Irã, o aiatolá Mojtaba
Khamenei, pediu nesta sexta-feira (20) que o regime iraniano
"retire a segurança de seus inimigos" em meio à guerra que o país
trava com os Estados Unidos e Israel.
A
declaração apareceu em um comunicado atribuído a Mojtaba Khamenei e endereçado
ao presidente do Irã, Masoud Pezeshkian. Segundo o comunicado, o novo líder
supremo também lamentou a morte do ministro iraniano da Inteligência, Esmail
Khatib, por Israel e jurou vingança pelas mortes de autoridades do regime.
"Excelentíssimo
Senhor Presidente, Dr. Pezeshkian, que sua proteção seja duradoura. (...) Por
meio desta, expresso minhas condolências pela morte do ministro da
Inteligência, Esmail Khatib. Sem dúvida, a ausência dele deverá ser compensada
com esforços redobrados dos demais responsáveis e funcionários desse sensível
ministério, garantindo que a segurança seja retirada dos inimigos internos e
externos e concedida a todos os compatriotas", afirmou o comunicado
publicado nas redes sociais de Khamenei.
Khatib foi morto na terça-feira em um
bombardeio israelense,
confirmaram Israel e Irã na quarta-feira.
Khamenei
não é visto desde que foi nomeado para liderar o país sucedendo seu pai, o
aiatolá Ali Khamenei, de 86 anos, que foi morto em um ataque aéreo israelense
no primeiro dia da guerra, em 28 de fevereiro.
A
guerra entre os EUA, Israel e o Irã está no 21º dia nesta sexta-feira e entrou
em uma nova fase na quinta-feira, com bombardeios iranianos a estruturas de
produção de gás natural no Oriente Médio que se somaram aos ataques a
refinarias de petróleo.
O
comunicado de Mojtaba Khamenei não menciona, no entanto, a morte do general Ali Mohammad Naini,
porta-voz da Guarda Revolucionária do Irã, morto nesta sexta-feira.
<><>
Khamenei promete vingança contra assassinos de Larijani
O líder
supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, expressou nesta quarta-feira (18/03)
condolências pela morte do chefe do Conselho
Supremo de Segurança Nacional de Teerã, Ali Larijani, em mensagem
publicada pela agência iraniana Tasnim.
Larijani
morreu durante ataques aéreos ocorridos na madrugada desta terça-feira (17/03).
Ele estava no comando de setores estratégicos do país e era uma figura central
no sistema político iraniano há décadas, desempenhando papéis importantes na
segurança e na administração do Estado.
Em sua
mensagem, Khamenei frisou que “seus
assassinos pagarão por seu sangue” e que o assassinato de Larijani
“demonstra sua importância e o ódio que os inimigos nutrem pelo Islã”.
“Os
anti-islâmicos precisam entender que derramar esse sangue aos pés da
árvore do sistema islâmico só o fortalece”, acrescentou.
O líder
supremo ainda destacou que o chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional do
Teerã tinha “múltiplos domínios no sistema da República Islâmica ao longo de
aproximadamente 50 anos e tornou-se uma figura excepcional”.
“Ele
era uma pessoa altamente instruída, perspicaz, intelectual e dedicada, com
vasta experiência em diversas áreas, incluindo política, forças
armadas, segurança, cultura e administração”, disse Khamenei.
O funeral de Larijani e de Gholamreza
Soleimani, comandante-em-chefe
da milícia Basij, subordinada à Guarda Revolucionária, ocorreu nesta quarta em
Teerã, e foi acompanhado por uma multidão. As pessoas que estavam ao redor do
velório carregavam fotos do chefe do Conselho Supremo e cartazes com os dizeres
“morte à América e a Israel”.
¨
Estratégia iraniana prevê rápida substituição de
lideranças martirizadas na guerra, diz especialista
Apesar
do assassinato do chefe do Conselho
Supremo de Segurança Nacional do Irã, Ali Larijani, durante novo ataque
lançado por Israel e pelos Estados Unidos nesta terça-feira (17/03), o Irã está
preparado para preservar sua estrutura de governo e sua estratégia de guerra, substituindo
rapidamente não só esse alto comandante como outros que foram vitimados no
mesmo bombardeio.
Essa é
a avaliação do cientista político Bruno Lima Rocha, que também é jornalista
da HispanTV Brasil e professor de Relações Internacionais,
além de estudioso da dinâmica geopolítica da Ásia Ocidental.
Segundo
Lima Rocha, “é evidente que há um problema com o martírio de figuras como
Larijani, com muita experiência e muito trânsito interinstitucional, mas a
sabedoria iraniana para esta guerra e o preparo de longo prazo já levava em
conta a perda de parte de sua liderança, de seu primeiro escalão e a
necessidade de reposição”.
“Estamos
falando da geração que fez a chamada Sagrada Resistência durante a Guerra
Irã-Iraque (1980-1988), e ela é muito grande. Várias dessas figuras ocupam
postos-chave no aparelho de Estado”, acrescentou o cientista político.
O
jornalista conta que “além de simplesmente repor uma figura de comando, o que é
importante e há gente em condições para isso, o que o Irã tem feito é aumentar
a formação de pessoas capazes de chegar a instâncias de poder. Por exemplo,
mesmo com a indicação do novo líder da República, o Conselho Interno de
Liderança continua operando”.
“É
muito importante, em tempos de guerra, ter essa capacidade de triangular. O Irã
indicou um novo negociador-chefe para, num futuro, voltar a ter essa querela
sobre a questão nuclear ou do desarmamento iraniano, e também uma nova
liderança para a ala militar, ou seja, para o poder civil sobre a ala militar,
que era o papel do Larijani”, comentou o analista político.
Lima
Rocha também lembra que algo semelhante acontece em junho de 2025, após a
chamada Guerra dos 12 Dias, na qual o Irã também precisou reagir a uma
iniciativa militar conjunta de Israel e Estados Unidos.
“O
cálculo da perda de pessoas muito experimentadas de primeiro escalão
estava feito, e agora, se os Estados Unidos não se retirarem e virar uma guerra
crônica, a tendência é ter uma geração intermediária que vai chegar a
postos de poder muito rápido, até pela perda de baixas na guerra. Mas
insisto, tudo isso já estava meio planejado”, completou.
<><>
Possíveis infiltrações
Sobre a
possibilidade de a espionagem israelense conseguir informações de dentro do
aparato governamental iraniano, o que poderia estar facilitando o trabalho
feito por Tel Aviv e Washington para eliminar lideranças importantes da
República Islâmica, Lima Rocha ressalta a dificuldade de Teerã em impedir essa
infiltração.
“O Irã
é muito grande, pluriétnico e multifacético. Isso não quer dizer que não
há lealdade para com o Estado Nacional, longe disso, mas tem muita penetração,
é um país muito grande, com áreas muito ermas, e não é tão difícil chegar
perto. Ademais, enfrenta dois inimigos muito poderosos, que são Israel e os
Estados Unidos”, lembrou o acadêmico.
Ainda
assim, o especialista ressalta que “a contrainteligência no Irã opera muito
rápido”, e dá como exemplo o fato de que horas depois da morte de Larijani
cerca de 500 pessoas, com acusações graves de espionagem.
“De
dezembro para cá já foram apreendidos mais de dois mil kits da Starlink e a
tendência é que os controles internos sejam cada vez mais apertados, para não
permitir que essas coisas ocorram”, adicionou.
<><>
Opinião pública
Com
relação ao impacto na opinião pública pelas mortes de grandes lideranças do
país, o jornalista do canal HispanTV Brasil defende que esses
casos reforçam o sentimento nacionalista da população e salienta que “na
cultura do sacrifício, na cultura da defesa do território, o martírio é um
prêmio, é visto como um ato de honra”.
“O
próprio líder supremo (Ali Khamenei) não quis sair do seu local de trabalho no
primeiro ataque, aceitou o seu destino. No caso de Larijani, ele estava
marchando, em um ato público, na última sexta-feira (13/03), caminhando junto
com todo mundo, desafiando o inimigo. Isso pode ter um preço a se pagar,
mas é importante essa imagem da liderança que é forjada no seio do povo, pois
mostra que o país não é uma tirania institucionalizada, como o Ocidente tenta
mostrar”, enfatizou Lima Rocha.
¨
Irã ameaça resposta 'sem restrições' em caso de novo
ataque às instalações energéticas do país
O ministro das Relações Exteriores do
Irã, Abbas Araghchi,
afirmou que Teerã empregou apenas uma “fração” de sua capacidade militar em
ataques à infraestrutura energética regional, após a ofensiva israelenses contra o campo
de gás de South Pars,
no Irã, na quarta-feira (18/03). Ele alertou que não haverá “nenhuma contenção”
em caso de um novo ataque contra as instalações energéticas iranianas.
“Nossa
resposta ao ataque de Israel à nossa infraestrutura usou apenas uma fração do
nosso poder. A única razão pela qual ficamos de lado foi por respeito à
desescalada solicitada. Não haverá contenção se atacarem nossa infraestrutura
novamente”, escreveu o ministro nas redes sociais.
O
ministro, no entanto, deixou claro que essa postura pode mudar rapidamente caso
novos ataques sejam realizados contra o território iraniano. O governo iraniano
também condicionou qualquer eventual cessar-fogo a exigências políticas e
humanitárias, como a reparação dos danos causados à infraestrutura do país e
aos impactos sobre áreas civis atingidas pelos bombardeios.
<><>
Retaliação à ataque em South Pars
Uma
série de ações em retaliação ao ataque israelense
contra o campo de gás iraniano foi realizada pelo Corpo da Guarda
Revolucionária Islâmica (IRGC). Nesta manhã, a entidade anunciou uma ofensiva
contra a base militar de Al-Dhafra, localizada nos Emirados Árabes Unidos.
Também foram realizados ataques em Jerusalém Ocidental, Haifa e bases
militares norte-americanas na região.
Nesta
quinta-feira (19/03), um míssil iraniano atingiu a Israel Oil Refineries em
Haifa, danificando infraestruturas elétricas. No Kuwait, a Petroleum
Corporation sofreu um incêndio na refinaria de Mina Al-Ahmadi. No Bahrein,
equipes de defesa civil extinguiram um incêndio em um armazém de uma empresa,
causado por estilhaços de um ataque iraniano.
O
Catar, por sua vez, avalia que o ataque do Irã às instalações de gás de Ras
Laffan poderá reduzir a capacidade de exportação de gás natural liquefeito do
país em cerca de 17%, o que interromperia o fornecimento para a Europa, Ásia e
outras regiões.
<><>‘Verdadeira
Promessa 4’
A
Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) anunciou nesta sexta-feira (20/03) a
conclusão da 66ª fase da operação “Verdadeira Promessa 4”, que teve como foco
bases militares norte-americanas na região e posições israelenses no sul e no
centro dos territórios ocupados, incluindo Tel Aviv.
A
operação, segundo a IRGC, foi conduzida “com total sucesso” e utilizou um amplo
arsenal, incluindo mísseis de médio alcance e drones suicidas, como projéteis
com combustível sólido e líquido, alguns com múltiplas ogivas; além de
armamentos como Qader, Khorramshahr, Khaybar Shekan, Qiam e Zulfiqar.
Desde o
começo da guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, em 28 de fevereiro,
o número de vítimas no país ultrapassou
1.444 pessoas, segundo o Crescente Vermelho iraniano, incluindo pelo menos 204
crianças e altas autoridades do país, como o líder
supremo, o aiatolá Khamenei e o chefe das Forças de Segurança, Ali Larijani. No
Líbano, os ataques israelenses já deixaram mais de 1.000 pessoas mortas.
¨
Chanceler de Omã acusa ‘erro de cálculo’ dos EUA e pede
fim da 'guerra ilegal' contra Irã
Os Estados Unidos não controlam mais sua
política externa,
afirma o ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr bin Hamad Al Busaidi, ao
pedir o fim dos ataques contra a “guerra ilegal” no Irã, em artigo publicado nesta
quarta-feira (18/03), no The Economist.
Em sua
avaliação, deixar-se envolver no conflito foi “o maior erro de cálculo” da
administração Trump. “Esta não é a guerra dos Estados Unidos” e “não há um
cenário provável em que tanto Israel quanto os Estados Unidos consigam o que
querem com ela”, afirma.
“Essa é
uma verdade desconfortável de se contar, porque envolve indicar até que ponto a
América perdeu o controle de sua própria política externa. Mas precisa ser
contado”, afirma Al Busaidi, que esteve à frente da mediação nas negociações
nucleares entre Washington e Teerã.
Sob o
título “Os amigos da América devem ajudar a
tirá-la de uma guerra ilegal“, o chanceler fez um apelo pela retomada
urgente dos diálogos bilaterais entre os dois países, convocando as nações
aliadas aos Estados Unidos a se mobilizarem contra uma escalada ainda maior da
guerra.
No
artigo, ele avalia que a reação iraniana era “inevitável” e observa, no
desenrolar do enclave, uma alteração da percepção estratégica dos países da
região em relação a Washington.
“As
nações do Golfo que dependem da cooperação militar com os Estados Unidos agora
veem essa cooperação como uma vulnerabilidade séria que ameaça sua
segurança atual e prosperidade futura”, afirma.
<><>
‘Erro de cálculo’
Al
Busaidi conta que por duas vezes, ao longo de nove meses, os dois países
estiveram prestes a firmar um acordo. “Foi um choque, mas não uma surpresa
quando, em 28 de fevereiro, poucas horas após as mais recentes e substanciais
conversas, Israel e os Estados Unidos lançaram novamente um ataque militar
ilegal contra a paz que brevemente parecia realmente possível”, relatou.
Segundo
ele, os Estados Unidos foram convencidos pela liderança israelense de que o Irã
estava enfraquecido e que uma rendição incondicional seguiria rapidamente ao
ataque inicial e ao assassinato do líder supremo. No entanto, “para que Israel
alcance seu objetivo declarado [de mudar o regime iraniano] será preciso uma
longa campanha militar na qual os Estados Unidos teriam que comprometer tropas
no terreno”.
Al
Busaidi também diz esperar que as ameaças de Washington pela mudança de regime no Irã, sejam apenas
retórica, acrescentando que “Israel busca explicitamente a derrubada da
República Islâmica e provavelmente pouco se importa como o país é
governado,
ou por quem, uma vez que isso tenha sido alcançado”.
“A retaliação do Irã contra o que
ele afirma serem alvos norte-americanos no território de seus vizinhos foi um
resultado inevitável, embora profundamente lamentável e completamente
inaceitável”, escreveu o chanceler.
“Diante
do que tanto Israel quanto os Estados Unidos descreveram como uma guerra
destinada a acabar com a República Islâmica, essa provavelmente era a única
opção racional disponível para a liderança iraniana”, acrescentou.
<><>
Cessar-fogo
Segundo
o chanceler de Omã, as duas partes nesta guerra “não têm nada a ganhar com
ela”, pelo contrário, “os interesses nacionais tanto do Irã quanto dos Estados
Unidos estão no fim mais cedo possível das hostilidades”, afirmou.
Al
Busaidi mencionou que os efeitos da retaliação do Irã são sentidos globalmente,
“já que o tráfego marítimo pelo Estreito de Ormuz é severamente perturbado,
elevando os preços da energia e ameaçando uma recessão profunda”.
Ao
analisar os impactos econômicos do conflito, ele reiterou as críticas aos
responsáveis pela ofensiva: “se isso não tiver sido previsto pelos arquitetos
desta guerra, certamente foi um grave erro de cálculo”.
Fonte:
g1/Opera Mundi

Nenhum comentário:
Postar um comentário