A
escalada da guerra com ataques de Israel e do Irã ao maior campo de gás do
mundo
O
presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou
"destruir massivamente" um importante campo de gás iraniano, se o
país atacar as instalações energéticas do Catar. A advertência de
Trump veio um dia depois de Israel atacar o campo iraniano de South Pars. Teerã
reagiu lançando mísseis contra o complexo de Ras Laffan, no Catar, causando
"danos consideráveis" e provocando um drástico aumento dos preços da
energia. Paradoxalmente, South Pars e Ras Laffan estão intimamente vinculados.
Ambos pertencem à maior reserva de gás natural do mundo, localizada em alto mar
no Golfo Pérsico e compartilhada entre os dois países vizinhos.
South
Pars é o nome da parte iraniana, enquanto o lado do Catar se chama North Dome.
É dali que é extraído o gás processado em Ras Laffan. Após o ataque sofrido
pelo complexo catari, os preços do gás natural nos mercados europeus dispararam
na quinta-feira (19/3) em cerca de 25%, atingindo seus níveis mais altos em
mais de três anos. O Irã consome a maior parte do seu gás natural no mercado
interno, mas o Catar é o terceiro maior exportador mundial de gás natural
liquefeito.
Trump
afirmou, na sua publicação na rede Truth Social, que os Estados Unidos "não sabiam de nada sobre este ataque" e prometeu que
"Israel não realizará novos ataques" a South Pars, a menos que o Irã
atinja as instalações energéticas do Catar.
O
presidente americano afirmou que, se isso acontecer, os Estados Unidos
"destruirão massivamente" o campo petrolífero.
O
primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, confirmou nesta quinta-feira
(19/3) que o ataque recente ao campo de gás foi realizado sem participação
direta de Washington. "Israel agiu sozinho", disse. Segundo
Netanyahu, Trump pediu que o país suspendesse novos ataques — e que Israel está
atendendo ao pedido. Ao tentar rebater o que chamou de "notícias
falsas", ele afirmou que Israel não arrastou os Estados Unidos para a
guerra e disse a jornalistas que Trump toma suas próprias decisões.
Netanyahu
não se comprometeu com um prazo para o fim da guerra. Segundo ele, a operação
conduzida por Estados Unidos e Israel teria três objetivos: eliminar a ameaça
nuclear iraniana, eliminar a ameaça de mísseis balísticos e criar condições
para que os iranianos "alcancem sua liberdade". O premiê disse que o
conflito vai durar "o tempo que for necessário", mas acrescentou que
pode terminar mais rápido do que muitos imaginam. Já o Irã prometeu atacar a
infraestrutura energética dos aliados dos Estados Unidos e de Israel no Golfo
Pérsico até a "sua total destruição", caso suas próprias instalações
energéticas sejam novamente atacadas. "Alertamos o inimigo que ele cometeu
um grave erro ao atacar a infraestrutura energética da República Islâmica do
Irã", declarou um porta-voz do Comando Central Militar iraniano, segundo a
agência de notícias Fars, associada ao Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica
do Irã (CGRI). "Caso isso se repita, os próximos ataques à sua
infraestrutura energética e dos seus aliados não cessarão até a sua total
destruição", concluiu o porta-voz.
Os
ataques no Irã e no Catar representam uma das escaladas mais significativas
desde o início da guerra dos Estados Unidos e Israel
contra o Irã,
no dia 28 de fevereiro. E, segundo os analistas, existem cada vez mais
preocupações com o possível impacto econômico de um conflito prolongado.
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A importância de Ras Laffan
A
cidade industrial de Ras Laffan está localizada no nordeste da península do
Catar, a cerca de 80 km da sua capital, Doha. Ela abriga a maior usina de
processamento de gás natural liquefeito (GNL) do planeta. A produção da usina
estava suspensa desde o início de março, pouco depois do início da guerra. Mas,
até então, Ras Laffan era responsável por cerca de 20% da produção mundial de
GNL. A cidade industrial abrange uma superfície de 295 km². Além de processar
GNL, ela abriga outras instalações relativas ao gás, como uma usina de
conversão de gás em líquido, armazenamento de GNL e separadores de condensado,
além de uma refinaria de petróleo.
Na
quarta-feira (18/3) e nas primeiras horas da quinta (19), em represália ao
ataque de Israel, o Irã lançou dois ataques contra Ras Laffan. Após o primeiro
ataque, a empresa petroleira estatal QatarEnergy declarou que a usina havia
sofrido "danos consideráveis", mas que todos os funcionários estavam
a salvo. Após o segundo ataque, o Ministério do Interior do Catar informou que
todos os incêndios na usina estavam controlados, sem registro de feridos. Mas o
fechamento da usina foi suficiente para fazer disparar os preços da energia e
provocar a queda dos mercados de ações.
Desde o
início dos ataques dos Estados Unidos e Israel ao Irã, no final de fevereiro, a
usina ficou praticamente isolada do resto do mundo, devido às restrições do
tráfego de navios petroleiros através do Estreito de Ormuz. Sua produção foi
interrompida no início de março, quando a usina foi atacada por drones
iranianos, levando a QatarEnergy a declarar "força maior" nos seus
fornecimentos. A decisão mergulhou o mercado mundial de GNL no caos, ao obrigar
os compradores a buscar desesperadamente fontes de abastecimento alternativas.
O
impacto nos mercados foi particularmente grave na Ásia e na Europa, já que as
duas regiões dependem do gás importado para a geração de energia. Os últimos
ataques geraram dúvidas sobre quanto tempo será necessário para a retomada do
fornecimento, mesmo após a eventual retomada do trânsito no Estreito de Ormuz.
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O enorme campo de gás compartilhado entre Irã e Catar
O campo
de South Pars/North Dome demonstra a complexidade geopolítica do abastecimento
de energia e por que o conflito na região causa impactos em todo o mundo. O
enorme depósito natural é composto por uma única estrutura, com superfície de
9,7 mil km². Mas ele é dividido por uma fronteira marítima e política.
South
Pars, com 3,7 mil km², encontra-se em águas iranianas. Já North Dome (6 mil
km²) fica em águas cataris. E a extração desta reserva de gás, descoberta em
1971, transformou o Catar no maior exportador mundial de GNL.
Até os
ataques do início de março, North Dome produzia cerca de 524 mil metros cúbicos
por dia, permitindo ao Catar processar e fornecer cerca de 20% do GNL mundial. No
lado iraniano, a produção diária em South Pars, operada pela Petropars
(subsidiária da Companhia Nacional Iraniana de Petróleo), é estimada em cerca
de 57 milhões de metros cúbicos por dia.
Nos
últimos 25 anos, a produção iraniana de gás quintuplicou. Este aumento se
deveu, em grande parte, às intensas perfurações para aumentar a produção em
South Pars para consumo interno. O Irã depende do gás, em grande parte, para
gerar eletricidade e para o aquecimento doméstico. O Irã é o quarto maior
consumidor de gás natural do mundo, depois dos Estados Unidos, China e Rússia,
segundo o Centro de Política Energética Global da Universidade Columbia, nos
Estados Unidos. Ao todo, South Pars e North Dome contêm um volume de gás
utilizável calculado em cerca de 50 trilhões de metros cúbicos, o que é
suficiente para atender às necessidades globais por 13 anos. Por isso, a
mensagem de Trump, prometendo que Israel não atacará South Pars se o Irã não
atacar o Catar, demonstra que o presidente americano está ciente da enorme
importância deste campo de gás para o mercado de energia do planeta.
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O que acontece agora?
A
empresa de pesquisa e consultoria energética Wood Mackenzie afirma que os
ataques a Ras Laffan "transformam radicalmente o panorama mundial do
GNL" e o prazo de recuperação "provavelmente será significativamente
estendido. As expectativas do mercado indicavam uma breve interrupção, com
reativação controlada que restabeleceria o abastecimento aos níveis anteriores
ao conflito até meados de 2026. Agora, este panorama parece cada vez mais
improvável", declarou à BBC a diretora de estratégia e desenvolvimento do
mercado de GNL da Wood Mackenzie, Kristy Kramer. Por outro lado, o ex-diretor
de estratégias da British Petroleum Nick Butler concorda que o que se espera,
agora, é o agravamento das condições de mercado. "Acredito que a
preocupação, agora, é que o mercado antecipe o agravamento da situação",
afirma ele. "É possível observar que Trump abriu uma caixa de Pandora e
perdeu o controle do que acontece no dia a dia da região."
Para
Butler, estes ataques, "quase com total certeza, reduzirão o abastecimento
de GNL para o mercado mundial. Por isso, o preço do gás no mercado mundial irá
inevitavelmente aumentar, já que esse gás não pode ser substituído rapidamente,
talvez por muito tempo."
O
editor de matérias-primas da revista The Economist, Matthieu Favas, afirma que
o aumento dos preços do gás é "enorme". "Isso se deve ao ataque
à usina de gás no Catar, que estava fora de serviço, mas se esperava que ela
reiniciasse em questão de semanas. E o ataque atual deixa claro que é pouco
provável que isso ocorra. Esta situação poderá durar meses e as instalações
abastecem 20% do volume de gás natural liquefeito consumido no mundo",
prossegue Favas. "Por isso, o mercado está reagindo desta forma,
refletindo nos preços uma interrupção de longo prazo." Mas ele afirma que
os preços ainda estão muito distantes dos níveis máximos atingidos após a invasão da Ucrânia pela Rússia.
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'Não sabíamos de nada': o que declaração de Trump sobre
ataque a campo de petróleo no Irã mostra do alinhamento de EUA e Israel
Em seu
estilo característico e contudente, o presidente dos Estados Unidos, Donald
Trump, divulgou uma declaração após os ataques a um importante campo de gás
compartilhado por Irã e Catar na quarta-feira (18/3).
Israel
atingiu South Pars, no Irã — parte do maior campo de gás natural do mundo — e
Teerã retaliou atacando um complexo energético no Catar. Os ataques provocaram
uma alta nos preços de energia e alimentaram a irritação de Trump.
Em sua
rede social Truth Social, Trump voltou a ameaçar o Irã e afirmou que não sabia
dos planos de Israel para o ataque.
O
primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, confirmou nesta quinta-feira
(19/3) que o ataque recente ao campo de gás foi realizado sem participação
direta de Washington. "Israel agiu sozinho", disse.
Segundo
Netanyahu, Trump pediu que o país suspendesse novos ataques — e que Israel está
atendendo ao pedido.
A BBC
Persa, serviço em língua persa da BBC News, utilizado por 24 milhões de pessoas
em todo o mundo apesar de ser bloqueado e frequentemente sofrer interferência
das autoridades do Irã, ouviu iranianos após o ataque de Israel ao campo de gás
South Pars.
"Eles
não estão realmente pensando nas pessoas, e os próprios objetivos importam mais
para eles", disse uma mulher na faixa dos 20 anos, de Teerã. "Mas,
mesmo que você queira enfraquecer o regime, não há necessidade de atacar a
infraestrutura."
Um
homem na faixa dos 30 anos, também de Teerã, disse que, "se qualquer um
dos lados acabar vencendo a guerra", será "do interesse deles que a
infraestrutura permaneça intacta, para que possam usá-la melhor depois".
Netanyahu
não se comprometeu com um prazo para o fim da guerra. Segundo ele, a operação
conduzida por Estados Unidos e Israel teria três objetivos: eliminar a ameaça
nuclear iraniana, eliminar a ameaça de mísseis balísticos e criar condições
para que os iranianos "alcancem sua liberdade".
O
premiê disse que o conflito vai durar "o tempo que for necessário",
mas acrescentou que pode terminar mais rápido do que muitos imaginam.
Ao
tentar rebater o que chamou de "notícias falsas", ele afirmou que
Israel não arrastou os Estados Unidos para a guerra e disse a jornalistas que
Trump toma suas próprias decisões.
Mas o
que a linguagem usada pelo presidente dos EUA na rede social nos diz sobre o
rumo da guerra e sobre até que ponto Estados Unidos e Israel estão alinhados em
sua estratégia e objetivos?
Vamos
analisar.
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Os EUA 'não sabiam de nada' sobre o ataque
O
presidente afirma que os EUA "não sabiam de nada sobre esse ataque
específico".
Isso
contraria diversas reportagens publicadas na imprensa israelense após o ataque.
"O
ataque foi coordenado previamente com os Estados Unidos e… acordado entre o
primeiro-ministro [Benjamin] Netanyahu e o presidente dos EUA, Trump",
informou o jornal de centro Yedioth Ahronoth.
O
jornal de direita Israel Hayom vai além, afirmando que "o presidente Trump
discutiu o ataque israelense iminente em [a cidade costeira iraniana de]
Asaluyeh com líderes de três países do Golfo Pérsico no fim de semana".
Como
costuma acontecer com as declarações do presidente, não é fácil saber onde está
a verdade.
A
escolha de palavras de Trump para descrever o ataque israelense também chama
atenção. "Por raiva", diz ele, Israel "reagiu
violentamente" contra o campo de gás. Esse é o tipo de linguagem
geralmente usado para descrever algumas das retaliações mais impulsivas do Irã
— não uma operação militar cuidadosamente planejada por um aliado próximo.
Trump
estaria sugerindo que Israel agiu de forma imprudente?
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Israel não fará 'mais ataques' ao campo de South Pars
O uso
de letras maiúsculas pelo presidente é conhecido, mas, nesta longa publicação,
ele recorre a isso apenas uma vez.
"NO
MORE ATTACKS WILL BE MADE BY ISRAEL pertaining to this extremely important and
valuable South Pars Field" ("NÃO HAVERÁ MAIS ATAQUES DE ISRAEL
relacionados a este extremamente importante e valioso campo de South
Pars"), escreveu ele, "a menos que o Irã decida, de forma imprudente,
atacar um país muito inocente, neste caso o Catar".
Para um
presidente que gosta de demonstrar controle, isso reflete um compromisso já
assumido ou seria um aviso direcionado a Benjamin Netanyahu?
Como
costuma acontecer com as publicações de Trump no Truth Social, escritas em
fluxo de consciência, não é fácil saber.
Mas há
ecos de reportagens que indicam que Trump ficou irritado com ataques
israelenses a depósitos de petróleo iranianos no início do conflito.
Então,
os objetivos de guerra de Israel e dos Estados Unidos estão se distanciando?
Provavelmente
seria um erro tirar conclusões definitivas com base em uma única publicação
noturna do presidente Trump.
Autoridades
israelenses fazem questão de enfatizar que os dois países estão totalmente
alinhados, ainda que, ocasionalmente, deixem escapar sinais de divergência.
"Estamos
muito alinhados na maioria ou em todos os nossos objetivos em relação ao regime
islâmico no Irã, ao IRGC [Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica], e aos seus
programas balístico e nuclear", disse Alex Gandler, porta-voz da embaixada
de Israel em Londres, à BBC na manhã de quinta-feira.
"Queremos
a mesma coisa."
Mas,
embora os dois aliados concordem em muitos pontos, Israel tem sido mais
consistente ao defender uma mudança de regime no Irã.
Autoridades
citadas pela imprensa israelense nesta manhã apresentaram o ataque a South Pars
como parte de um esforço contínuo para enfraquecer a autoridade do regime.
"O
fornecimento de gás aos cidadãos está sendo interrompido, e isso vai aproximar
a revolta", disse um funcionário a Yossi Yehoshua, do jornal Yedioth
Ahronoth.
O
primeiro-ministro Netanyahu nunca escondeu seu desejo, de décadas, de derrubar
o regime islâmico, que ele — e muitos israelenses — veem como determinado a
destruir o Estado judeu.
Enquanto
os EUA têm concentrado grande parte de seus esforços militares em reduzir a
capacidade de mísseis e drones do Irã, afundar sua Marinha e, nos últimos dias,
atacar alvos ao longo da extensa costa iraniana no Golfo, Israel tem ido além
ao assassinar líderes iranianos e atacar estruturas de controle do Estado,
incluindo unidades paramilitares Basij, responsáveis por grande parte da
repressão violenta a protestos no início deste ano.
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Irã 'não sabia' dos fatos sobre o ataque
Em sua
publicação, o presidente Trump afirma que o Catar não esteve envolvido nem
tinha conhecimento prévio dos ataques. Mas, "infelizmente", escreve
ele, "o Irã não sabia disso" antes de retaliar de forma
"injustificável e injusta". Trump certamente não está poupando o Irã
aqui, mas parece sugerir que Teerã não tinha todas as informações ao revidar —
que pode ter acreditado, de forma equivocada, que o Catar estava envolvido.
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Ameaça de 'explodir massivamente'
Partes
da publicação no Truth Social são o típico estilo de Trump — ameaças de usar
níveis sem precedentes de violência para conseguir o que quer. Se o Irã voltar
a atacar as instalações de GNL (gás natural liquefeito) do Catar, ele alerta,
os EUA "com ou sem a ajuda ou consentimento de Israel, vão explodir
massivamente todo o campo de gás de South Pars com uma força e poder que o Irã
nunca viu ou testemunhou antes".
Trump e
seu combativo secretário de Defesa, Pete Hegseth, são conhecidos por esse tipo
de retórica inflamada. Donald Trump, que se autodenomina "presidente da
paz", frequentemente recorre a esse tipo de discurso. E é verdade que
Washington poderia causar danos muito maiores ao Irã — e à sua população — do
que já causou.
A
referência ao consentimento de Israel para a ação ameaçada chama atenção. Seria
uma repreensão a Benjamin Netanyahu para que consulte mais de perto os EUA no
futuro?
Com
setores do movimento Maga (Make America Great Again), de Trump, já convencidos
de que é Israel — e não os Estados Unidos — quem dita os rumos dessa guerra, há
o risco de que alguns críticos do presidente vejam isso como um deslize
revelador. Mas, com os preços de petróleo e gás voltando a subir, em parte
devido à recente troca de ataques entre Israel e Irã, e sem sinais claros de
progresso nos esforços para garantir a navegação pelo Estreito de Ormuz, Trump
parece impaciente.
Essa
guerra continua a trazer surpresas que o governo não parece ter antecipado.
O apoio
ao conflito, ainda muito alto em Israel, é bem menor nos Estados Unidos. O
conflito pode ajudar Benjamin Netanyahu a garantir mais um mandato como
primeiro-ministro, ao mesmo tempo em que pode custar caro ao Partido
Republicano de Trump nas eleições legislativas de meio de mandato em novembro. Israel
e Estados Unidos são aliados militares próximos, mas esta é a primeira vez que
travam uma guerra juntos. E está se mostrando mais complicado do que Donald
Trump imaginava.
Fonte:
BBC News Mundo

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