sábado, 21 de março de 2026

'Estado 51, alguém?': após mirar Canadá, Groenlândia e Cuba, Trump sugere dar a Venezuela status de estado dos EUA

O presidente dos Estados UnidosDonald Trump, fez comentários insinuando atribuir à Venezuela a condição de estado dos EUA. As declarações foram feitas nas redes sociais enquanto Trump comentava o mundial de beisebol, que teve o time venezuelano como campeão na final contra os norte-americanos.

A primeira postagem em relação ao assunto foi feita após a Venezuela vencer um jogo das semifinais, contra a Itália.

“Uau! A Venezuela derrotou a Itália hoje à noite por 4 a 2 na semifinal do WBC. Eles estão parecendo muito fortes. Coisas boas estão acontecendo com a Venezuela ultimamente! Fico me perguntando do que se trata essa magia. Estado nº 51, alguém?”, escreveu.

Após a vitória da Venezuela na final, Trump voltou a Truth Social e disse apenas "status de estado".

As publicações ocorrem dois meses após a invasão dos EUA na Venezuela que resultou na captura do ex-presidente Nicolás Maduro. Desde então, o país latino-americano, liderado pela presidente-interina Delcy Rodríguez, vive sob pressão constante do governo de Trump.

<><> Groenlândia

A Venezuela não é o único país a ser considerado para anexação por Trump. No início do ano, o presidente voltou a defender a ideia de comprar a Groenlândia.

Os planos de Trump incluíam a construção de um Domo de Ouro. Em uma publicação pressionando a Otan para apoiá-lo em seus planos de anexação, o republicano disse que Groenlândia é "vital" para construção do escudo.

"Os Estados Unidos precisam da Groenlândia para fins de segurança nacional. Ela é vital para o Domo de Ouro que estamos construindo. A Otan deveria liderar o processo para que a conquistemos. Se não o fizermos, a Rússia ou a China o farão, e isso não vai acontecer!", escreveu.

A vontade de anexar o território gerou até uma montagem feita com inteligência artificial.

Diante das ameaças de Trump, a Dinamarca e outros membros da Otan reforçaram a presença militar na ilha.

"Como membros da Otan, estamos empenhados em fortalecer a segurança do Ártico como um interesse transatlântico comum", disse o comunicado.

No final de janeiro, Trump e o secretário-geral da Otan, Mark Rutte se reuniram. Após o encontro, o presidente dos EUA disse que o governo norte-americano e a Otan estabeleceram a estrutura de um futuro acordo envolvendo a Groenlândia.

Já o primeiro-ministro da ilha, Jens-Frederik Nielsen disse que o território está disposto a negociar uma parceria com os EUA, mas afirmou descartar ceder qualquer tipo de soberania a Trump.

<><> Canadá

No mesmo dia em que compartilhou a montagem da Groenlândia, Trump também publicou uma montagem insinuando a anexação do Canadá.

Antes de tomar posse e no início de seu segundo mandato, Trump fez uma série de ameaças ao Canadá. Em algumas ocasiões, chegou a falar de transformar o país no 51º estado.

Segundo ele, a anexação seria muito melhor para a segurança nacional e resultaria em muito dinheiro para os canadenses.

O então primeiro-ministro do Canadá respondeu Trump com um comunicado:

"Só se o inferno congelar que o Canadá vai se tornar parte dos Estados Unidos. Os trabalhadores e as comunidades dos dois países se beneficiam do fato de serem os maiores parceiros comerciais e de segurança um do outro".

Em maio de 2025, Trump também falou do Domo de Ouro, só que desta vez prometendo acesso ao sistema de defesa caso o país aceitasse ser anexado.

Segundo Trump, se continuar sendo um país independente, o Canadá terá que pagar US$ 61 bilhões (R$ 345 bilhões) para aderir ao sistema antimíssil.

"Eu disse ao Canadá, que deseja com todas as suas forças fazer parte de nosso fabuloso sistema Domo de Ouro, que custará US$ 61 bilhões se continuar sendo uma nação separada, mas desigual", publicou Trump em sua rede Truth Social.

"Mas não vai custar nada se eles se tornarem nosso querido estado de número 51. Estão considerando a oferta!", acrescentou.

O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, confirmou que os dois países discutiram o tema em reuniões de alto nível, mas rejeitou a ideia de anexação.

“O Canadá nunca esteve à venda”, declarou durante visita à Casa Branca no início do mês.

<><> Cuba

O presidente dos EUA também considera anexar Cuba. Nesta semana, Trump afirmou que seria uma “honra” para ele “tomar Cuba”. A declaração é mais um capítulo da escalada de pressão dos norte-americanos sobre a ilha comunista, que enfrenta uma forte crise energética.

Diante desse cenário, o governo cubano se viu forçado a iniciar negociações com os Estados Unidos. O presidente Miguel Díaz-Canel anunciou o início das conversas em um pronunciamento na TV na sexta-feira (13).

Cuba está entre os alvos de Trump desde o primeiro mandato, entre 2017 e 2021. Na época, ele reverteu a política de abertura adotada por Barack Obama e endureceu sanções contra a ilha.

“Essas negociações visam encontrar soluções, por meio do diálogo, para as diferenças bilaterais entre nações”, disse.

Até então, o governo cubano negava que quaisquer encontros oficiais estivessem em andamento.

Por outro lado, Trump afirmava desde janeiro que conversas estavam acontecendo e que Cuba queria chegar a um acordo.

Apesar do contato, fontes afirmam que ainda há diferenças significativas entre os dois países. Autoridades americanas indicam que qualquer alívio da pressão depende de concessões políticas e econômicas de Havana.

¨      Prisão de Maduro fez Dinamarca enviar tropa para Groenlândia

Temendo uma possível invasão dos EUA, a Dinamarca enviou em janeiro um regimento do Exército e tropas de elite para a Groenlândia, segundo informações da imprensa.

Uma ordem de mobilização militar datada de 13 de janeiro continha instruções para a defesa da ilha ártica, noticiou a emissora dinamarquesa DR nesta quinta-feira (19/03). A medida foi uma reação à operação militar dos EUA na Venezuela no início de janeiro, na qual o então presidente, Nicolás Maduro, foi capturado por soldados americanos.

"Quando [o presidente dos EUA, Donald] Trump fica dizendo o tempo todo que quer comprar a Groenlândia, e depois vemos o que está acontecendo na Venezuela, tivemos que levar a sério todos os cenários possíveis", disse um representante das Forças Armadas dinamarquesas à DR. "A máquina estatal dos Estados Unidos não está funcionando como antes", acrescentou.

Sob o pretexto do exercício da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) "Arctic Endurance", um regimento dinamarquês e soldados de elite foram então enviados à Groenlândia – juntamente com soldados da Alemanha, França e Suécia. Tratava-se de uma mobilização real e não de um exercício, disse outra fonte à DR: "Era inequívoco".

<><> Sangue e explosivos

Além dos soldados, suprimentos de sangue para transfusões e explosivos também foram enviados ao território autônomo pertencente à Dinamarca.

Os soldados dinamarqueses estavam preparados oferecer resistência a uma possível invasão e havia planos, inclusive, para explodir as pistas de pouso em Nuuk e Kangerlussuaq para impedir o pouso de aeronaves militares americanas, informou a DR.

"O custo para os EUA teria que ser aumentado. Os Estados Unidos teriam que realizar um ato hostil para obter a Groenlândia", disse uma fonte da defesa dinamarquesa à emissora, reconhecendo, no entanto, que as tropas provavelmente não seriam capazes de repelir um ataque americano.

<><> Alemanha e França enviaram soldados

As Forças Armadas da Alemanha (Bundeswehr) enviaram em meados de janeiro uma equipe de reconhecimento de 15 membros para a Groenlândia por vários dias. A França também enviou soldados na ocasião. O Exército dinamarquês e os governos da Groenlândia e da Dinamarca inicialmente não quiseram comentar a notícia.

Desde que retornou à Casa Branca, há mais de um ano, Trump reivindicou repetidamente a soberania sobre a Groenlândia, território que pertence à Dinamarca, país membro da Otan e da União Europeia (UE), mergulhando a aliança militar em uma profunda crise. Ele retirou as ameaças de uma invasão violenta no final de janeiro, após uma reunião com o secretário-geral da Otan, Mark Rutte.

Em fevereiro, a Otan lançou então a missão Sentinela do Ártico para reforçar a segurança na região. Soldados dinamarqueses e americanos estão entre os participantes.

¨      EUA aliviam sanções à Venezuela em meio à crise do petróleo

A decisão do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos de flexibilizar as sanções impostas à Venezuela permitirá que empresas americanas realizem negócios com a estatal Petróleos de Venezuela S.A. (PDVSA), ainda que com algumas limitações, enquanto o governo do presidente Donald Trump busca maneiras de aumentar o fornecimento mundial de petróleo em meio à guerra com o Irã.

O Tesouro emitiu uma ampla autorização permitindo que a PDVSA venda petróleo venezuelano diretamente para empresas americanas e para os mercados globais, o que representa uma mudança drástica depois de Washington ter bloqueado, durante anos, as negociações com o governo em Caracas e seu setor petrolífero.

A Casa Branca anunciou ainda que Trump suspenderá por 60 dias as exigências da Lei Jones para que as mercadorias transportadas entre portos americanos sejam feitas em navios de bandeira americana. A lei da década de 1920, criada para proteger o setor naval americano, é frequentemente apontada como responsável pela alta do preço da gasolina.

As medidas destacam a pressão cada vez maior que o governo americano vem sofrendo para aliviar a alta dos preços do petróleo, enquanto os EUA, juntamente com Israel, travam uma guerra com o Irã sem previsão de término.

<><> Aumento da oferta global

Os preços globais do petróleo dispararam após o Irã interromper o tráfego pelo Estreito de Ormuz, um importante gargalo do comércio global por onde é transportado cerca de um quinto do petróleo produzido no mundo.

A decisão do Departamento do Tesouro visa incentivar novos investimentos no setor energético da Venezuela e beneficiar tanto os EUA quanto o país sul-americano, ao mesmo tempo que aumenta a oferta global de petróleo, segundo afirmou à agência de notícias Associated Press um funcionário do Tesouro. Ele não estava autorizado a discutir o assunto publicamente e falou sob condição de anonimato.

Desde a deposição e prisão do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro durante uma operação militar dos EUA em janeiro, Trump afirmou que os EUA efetivamente "governariam" a Venezuela e comercializariam seu petróleo.

A medida do Tesouro dos EUA oferece um alívio direcionado das sanções, mas não elimina as penalidades por completo. A licença permite que empresas que existiam antes de 29 de janeiro de 2025 comprem petróleo venezuelano e realizem transações que normalmente seriam proibidas pelas sanções, reabrindo o comércio para um grande produtor de petróleo nos mercados globais.

Dessa forma, Washington tenta fazer com que as empresas de energia invistam 100 bilhões de dólares (R$ 520 bilhões) no dilapidado setor petrolífero da Venezuela.

<><> Alívio, mas com limitações

Há, porém, algumas limitações, como a proibição de que os pagamentos sejam feitos diretamente a entidades venezuelanas sancionadas, como a PDVSA, devendo ser enviados para uma conta especial controlada pelos EUA. Em outras palavras, os EUA permitirão o comércio de petróleo, mas controlarão o fluxo de caixa.

Além disso, não serão permitidos negócios que envolvam Rússia, Irã, Coreia do Norte, Cuba e algumas entidades chinesas. O mesmo vale para transações envolvendo dívida ou títulos venezuelanos.

Espera-se, contudo, que a licença dê um grande impulso à economia venezuelana, dependente do petróleo, e ajude a encorajar empresas que estavam receosas em investir.

A decisão faz parte do plano gradual do governo Trump para melhorar a situação da Venezuela, mas os críticos do governo interino venezuelano argumentam que a medida recompensa as atuais lideranças em Caracas – todas leais a Maduro e ao partido governista – enquanto a repressão, a corrupção e as violações dos direitos humanos continuam.

Muitos trabalhadores do setor público sobrevivem com cerca de 160 dólares por mês, enquanto o funcionário médio do setor privado ganhava cerca de 237 dólares no ano passado, quando a taxa de inflação anual disparou para 475%, segundo o Banco Central da Venezuela, e elevou o custo dos alimentos a um patamar inacessível para muitos.

<><> Má gestão e sanções derrubaram produção

A Venezuela possui as maiores reservas de petróleo do mundo e as utilizava para impulsionar o que já foi a economia mais forte da América Latina. Mas a corrupção, a má gestão e as sanções econômicas dos EUA fizeram com que a produção declinasse constantemente, de 3,5 milhões de barris por dia extraídos em 1999 – quando o mentor de Maduro, Hugo Chávez, assumiu o poder – para menos de 400 mil barris por dia em 2020.

Um ano antes, o Departamento do Tesouro, durante o primeiro mandato de Trump, excluiu a Venezuela dos mercados mundiais de petróleo ao sancionar a PDVSA como parte de uma política para punir o governo de Maduro por atividades corruptas, antidemocráticas e criminosas. Isso obrigou o governo a vender a preços mais baixos sua produção restante de petróleo – cerca de 40% abaixo dos preços de mercado – para compradores como a China e outros mercados asiáticos. A Venezuela chegou a aceitar pagamentos em rublos russos, mercadorias trocadas ou criptomoedas.

A nova licença não permite pagamentos em ouro ou criptomoedas, incluindo o petro, que era um token criptográfico emitido pelo governo venezuelano em 2018.

Ao mesmo tempo, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse que a isenção da Lei Jones ajudaria a "mitigar as interrupções de curto prazo no mercado de petróleo" durante a guerra com o Irã e "permitiria que recursos vitais como petróleo, gás natural, fertilizantes e carvão fluíssem livremente para os portos dos EUA".

 

Fonte: g1/DW Brasil

 

Nenhum comentário: