BC
de Campos Neto disse estar tudo ‘ok’ com o Master quando alertado pela PF
Documentos
obtidos e publicados pelo SBT News, nesta quarta-feira (19), revelam que o
Banco Central, durante a gestão de Roberto Campos Neto, indicado pelo
ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), ignorou alertas críticos da Polícia Federal
sobre o Banco Master meses antes da instituição protagonizar o que
investigações apontam como a maior fraude bancária da história do país. Em
julho de 2024, a PF enviou um ofício à autarquia detalhando suspeitas de que o
empresário Nelson Tanure seria o “dono oculto” do banco, operando através de
paraísos fiscais. A resposta do BC, no entanto, foi de que as denúncias já
haviam sido analisadas e arquivadas.
A
íntegra do documento, enviada ao delegado Gleydson Machado Calheiros, da
Delegacia de Repressão à Corrupção e Crimes Financeiros de São Paulo, mostra
que o BC minimizou os riscos. A autoridade monetária afirmou que as suspeitas
sobre a cadeia societária do Master, que envolveria recursos da empresa
Aventtti Strategic Partners, nas Bahamas, eram de conhecimento da casa desde
2023, mas que não viu necessidade de abrir procedimentos específicos.
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Blindagem interna e servidores investigados
O Banco
Central justificou o arquivamento baseando-se em documentos fornecidos pelos
próprios representantes de Daniel Vorcaro, o então controlador oficial do
Master. Segundo o ofício, quatro departamentos internos (Desup, Derad, Deorf e
Desuc) deram o aval para as operações de aumento de capital da instituição,
alegando que a fiscalização era feita de forma “contínua”.
Contudo,
investigações conduzidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) lançam uma sombra
sobre essa “análise técnica”. Dois nomes da cúpula do BC na época são agora
alvos centrais da PF:
• Paulo Sérgio Neves de Souza: Ex-diretor
de Fiscalização.
• Belline Santana: Ex-chefe do
Departamento de Supervisão Bancária (Desup).
Ambos
estão afastados, usam tornozeleira eletrônica e são suspeitos de prestar
“consultoria” informal a Daniel Vorcaro em troca de pagamentos. Mensagens
encontradas no celular de Vorcaro mostram o banqueiro pedindo ajuda direta a
Paulo Sérgio para destravar negócios que estariam sendo “atravancados” pela
autarquia.
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O colapso e o silêncio
A
postura de “normalidade” do BC durou pouco. Apenas quatro meses após o ofício
enviado à PF garantindo que estava tudo ‘ok’, o Banco Central interveio e
liquidou o Master em novembro de 2025. O ex-presidente Roberto Campos Neto, que
deixou o cargo no final do ano passado, passou então a não comentar o caso. A
desculpa para tal situação é uma versão que corre entre os mais chegados da
gestão passada alegando que o tal documento da PF foi respondido por um
coordenador e não teria chegado ao conhecimento da diretoria colegiada.
O Banco
Central informou, por meio de sua assessoria, que não comenta informações que
correm sob sigilo. Enquanto isso, os servidores envolvidos respondem a
sindicâncias que podem resultar em demissão, enquanto a PF aprofunda a
investigação sobre como uma estrutura de “donos ocultos” e offshores conseguiu
operar sob os olhos da principal autoridade financeira do país.
• O que liga Campos Neto a Daniel Vorcaro
e ao Banco Central
Roberto
Campos Neto passou a ser arrastado para o centro do caso Banco Master por três
razões objetivas: as reuniões que manteve com Daniel Vorcaro quando presidia o
Banco Central, o fato de o Master ter expandido suas operações sob sua gestão e
os pedidos recentes para que sua conduta seja investigada pela Polícia Federal
e pela Procuradoria-Geral da República. A Fórum mostrou que Campos Neto virou
alvo de ações na PF e na PGR em meio ao avanço da crise que envolve o banco.
Até o
momento, o ex-presidente do BC não foi denunciado nem condenado no caso. O que
existe são pedidos formais de apuração sobre sua atuação à frente da autoridade
monetária no período em que o Master cresceu, ampliou influência e passou a ser
alvo de suspeitas que hoje explodiram no centro do debate político e
financeiro.
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Reuniões com Daniel Vorcaro
Um dos
pontos que colocaram Campos Neto no radar do caso foi sua interlocução com
Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. O dado ganhou peso político porque
mostra que o banqueiro tinha acesso direto à cúpula do órgão responsável por
supervisionar o sistema financeiro. A própria Fórum já havia reunido elementos
sobre a relação entre Master, Campos Neto e setores do mercado.
As
reuniões, isoladamente, não provam irregularidade. Mas passaram a ser tratadas
como peça relevante da crise porque ocorreram no período em que o banco
consolidava sua expansão e porque hoje o Master está no centro de um escândalo
com efeitos políticos, regulatórios e judiciais.
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Atuação do Banco Central sob sua gestão
O
segundo ponto é institucional. Campos Neto comandava o Banco Central justamente
quando o Master avançou no mercado e ganhou musculatura. Por isso, críticos do
ex-presidente do BC sustentam que é preciso apurar se a autoridade monetária
agiu com o rigor necessário diante dos sinais de risco que cercavam o banco.
Essa
cobrança cresce porque o Banco Central não é um ator secundário no caso. Cabe à
autarquia supervisionar o sistema bancário e agir quando identifica ameaça à
estabilidade financeira. Quando uma instituição financeira mergulha em crise, a
atuação do regulador inevitavelmente entra na linha de tiro.
A Fórum
também repercutiu suspeitas de blindagem institucional a Vorcaro durante a
gestão de Campos Neto. Esse material, por si só, não fecha responsabilidade,
mas ajuda a explicar por que o ex-presidente do BC deixou de aparecer apenas
como personagem lateral e passou a integrar o núcleo político do caso.
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Pedidos de investigação
O
terceiro elo é o mais recente: a tentativa de transformar a pressão política em
apuração formal. Lindbergh Farias acionou PF e PGR para pedir investigação
sobre a conduta de Campos Neto, sob a alegação de que pode ter havido omissão
na fiscalização bancária ou adoção de medidas que favoreceram o ambiente em que
o Master operou. Foi esse movimento que elevou o patamar do caso em relação ao
ex-chefe do Banco Central.
Aqui, a
precisão é essencial: por enquanto, há pedidos de investigação, não acusação
formal. Ainda assim, o avanço do caso para essa etapa mostra que o nome de
Campos Neto deixou o terreno da mera citação política e entrou no campo da
cobrança institucional.
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CPI e blindagem
Campos
Neto também foi puxado para a crise na frente parlamentar. Como mostrou a
Revista Fórum, André Mendonça dispensou o ex-presidente do BC de depor ao
converter sua convocação em convite. A decisão teve efeito político imediato e
reforçou a leitura de que havia proteção a um personagem sensível dentro do
escândalo.
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O que há de concreto
De
forma objetiva, o que liga Campos Neto ao caso Master é isso: ele chefiava o
Banco Central quando o banco cresceu, reuniu-se com Daniel Vorcaro e agora se
tornou alvo de pedidos formais para que sua atuação seja investigada. Não há,
até aqui, condenação contra ele. Há, sim, um conjunto de fatos suficientes para
colocá-lo no centro da apuração política e institucional sobre o caso.
Para
quem quer entender a dimensão do escândalo, vale reler a matéria da Fórum que
organiza a teia do Banco Master e consultar o portal oficial do Banco Central,
onde estão publicados atos e registros institucionais da autarquia.
• Comissão de Ética Pública abre processo
contra Campos Neto
A
Comissão de Ética Pública acolheu denúncia feita pelo deputado federal
Lindbergh Farias (PT-RJ) e abriu processo para analisar suposta omissão do
ex-presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, que teria sido
alertado sobre problemas com o Banco Master, mas não levou adiante investigação
contra a instituição privada que, em 2025, com o BC já sob a presidência de
Gabriel Galípolo, foi liquidada por fraude bancária.
O
ex-presidente do BC, Campos Neto, declarou à jornalista Monica Bergamo, da
Folha de S.Paulo, que a denúncia é leviana:
“Essa
representação é leviana e irresponsável. Minha defesa vai se manifestar nos
autos, com fatos e dados, de modo a demonstrar que toda a minha atuação no
Banco Central seguiu a boa governança e critérios técnicos.”
O que
acontece agora? A análise de admissibilidade da denúncia é o primeiro passo
para a abertura de um procedimento preliminar. Nesta fase, o acusado tem
direito a uma primeira defesa simples. Posteriormente, o relator do caso
analisa se arquiva o caso ou se submete parecer pela abertura de um processo
colegiado da comissão. A Comissão de Ética Pública pode concluir pelo
arquivamento ou pela censura ao ex-funcionário do Estado.
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Lindbergh Farias: “Campos Neto sabia de tudo sobre as fraudes do Banco Master”
Após
protocolar uma notícia-crime contra o ex-presidente do Banco Central, Campos
Neto, o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ), por meio de um vídeo
divulgado em suas redes sociais, afirmou que ele sabia das fraudes do Banco
Master e que não atuou para evitá-las.
Campos
Neto foi nomeado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (2019-22) para a presidência
do Banco Central. Por conta desse histórico, Lindbergh classifica o episódio
como “BolsoMaster”:
“Quando
eu falo que esse é o escândalo BolsoMaster, porque todo mundo viu o que estava
acontecendo. Depois começou um lobby para o BRB comprar o Banco Master. Sabe
quem resistiu a isso? Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Haddad. E aí o Banco
Central liquida o Banco Master quando Galípolo era presidente. Roberto Campos
Neto teve que sair.”
O
deputado federal do PT é taxativo e afirma que Roberto Campos Neto, presidente
do BC escolhido por Bolsonaro, sabia de todo o esquema de fraudes do Banco
Master:
“Roberto
Campos Neto sabia de tudo sobre as fraudes do Banco Master e não fez nada. É
muito grave! O Fundo Garantidor de Crédito (FGC) e a Febraban encaminharam
alertas de risco ao Banco Central sobre a escalada de CDBs arriscados contra o
sistema financeiro nacional. Pedimos investigação da PGR e da PF sobre
eventuais condutas ilícitas penais, administrativas e funcionais de Campos
Neto. É impressionante a blindagem por parte da imprensa em relação ao chefe do
BC de Bolsonaro!”
<><> Campos Neto vira alvo de ações na PF e na PGR
O
deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) protocolou nesta terça-feira (17) uma
notícia de fato na Procuradoria-Geral da República (PGR) e na Polícia Federal
contra o ex-presidente do Banco Central Roberto Campos Neto no caso Banco
Master.
Na
peça, o parlamentar afirma que novos fatos reforçam a necessidade de
investigação sobre a atuação da antiga cúpula do BC. Segundo ele, o Banco
Central, sob comando de Campos Neto, teria sido alertado formalmente pelo Fundo
Garantidor de Crédito (FGC) e pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban)
sobre o aumento das vendas de CDBs considerados arriscados pelo Banco Master.
Daniel
Vorcaro, dono do Banco Master, foi preso por fraude bancária e por liderar
milícia que atuava para espionar e atacar adversários do banqueiro.
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Suspeita de omissão diante de alertas
A
acusação central é a de que, mesmo após esses alertas, o Banco Central não
teria adotado medidas compatíveis com a gravidade da situação.
Para
Lindbergh, se a comunicação formal for confirmada, o caso deixa de ser apenas
uma discussão sobre falha de supervisão e passa a envolver possível omissão
diante de um risco já conhecido pela autoridade monetária.
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O que a peça pede para investigar
O
documento pede apuração sobre eventual prevaricação, omissão indevida de ato de
ofício, condescendência criminosa, improbidade administrativa, erro grosseiro e
outros ilícitos penais, funcionais e administrativos.
Na
prática, o pedido é para que PGR e PF investiguem se Campos Neto, ou outros
envolvidos, deixaram de agir mesmo após o recebimento de informações formais
sobre a elevação do risco no Banco Master.
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Preservação de provas
Além da
investigação, Lindbergh pede a preservação imediata de provas no Banco Central.
O
objetivo é resguardar documentos e registros ligados ao caso, sobretudo
eventuais comunicações do FGC e da Febraban. A solicitação inclui ofícios,
e-mails institucionais, agendas, atas, registros de reuniões, notas técnicas,
pareceres, despachos, mensagens funcionais e metadados eletrônicos.
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BC, FGC e Febraban podem ser cobrados a se manifestar
A
notícia de fato também pede que o Banco Central informe se recebeu comunicação
formal sobre o avanço das vendas de CDBs arriscados do Banco Master, indicando
datas, protocolos, tramitação interna, providências adotadas e os nomes dos
agentes públicos que tiveram acesso ao material.
O
deputado também quer que FGC e Febraban sejam oficiados para confirmar se
enviaram os alertas e encaminhar cópia integral dos documentos, com informações
sobre datas, destinatários e eventual resposta recebida.
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Campos Neto pode ser ouvido
A peça
ainda pede a identificação da cadeia de comando e da área técnica do Banco
Central que tiveram contato com os documentos.
Também
solicita a oitiva de Roberto Campos Neto, de representantes do FGC, da Febraban
e de servidores e dirigentes do BC ligados ao caso.
Fonte:
Fórum

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