Delação
no caso Master: Depois de Vorcaro, Zettel e ex-presidente do BRB acenam para PF
e PGR
Ahecatombe
que paira sobre Brasília em meio às negociações de Daniel Vorcaro, dono do
liquidado Banco Master, para uma delação premiada arrasta investigados na mesma
operação, que já acenam para a Polícia Federal (PF) e Procuradoria-Geral da
República (PGR). Com medo de serem implodidos pela narrativa do banheiro, o
pastor da Lagoinha Fabiano Zettel e o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB)
Paulo Henrique Costa podem firmar acordo para contarem suas versões sobre a
negociata que resultou em uma das maiores crises financeiras da história do
Brasil.
Após o
advogado José Luís Oliveira Lima, o Juca, iniciar as tratativas da delação,
Vorcaro foi transferido, a mando do ministro André Mendonça, do Supremo
Tribunal Federal (STF), do presídio federal de Brasília para a cela onde Jair
Bolsonaro (PL) foi preso preventivamente na Superintendência da Polícia Federal
em Brasília. Foi lá também onde o ex-presidente iniciou o cumprimento de sua
pena por liderar a tentativa de golpe de Estado, antes de ser transferido para
a Papudinha.
Cunhado
do banqueiro, o pastor Zettel, que está preso na Penitenciária 2 de Potim – a
150 quilômetros de São Paulo -, já teria recebido conselho da mãe, Maria Elza
de Campos Zettel, desembargadora aposentada do Tribunal de Justiça de Minas
Gerais (TJMG), para firmar um acordo de delação antes mesmo de Vorcaro.
A
defesa de Zettel teria ouvido o conselho da magistrada de que quem delata
primeiro impõe uma narrativa nas investigações e ações que serão desencadeadas
em busca de provas.
Diante
da movimentação, advogados de Paulo Henrique Costa, alçado por Ibaneis Rocha
(MDB) para a presidência do BRB, também emitiram sinais aos investigadores.
Afastado
da presidência do BRB, Paulo Henqrique vem sendo cobrado na justiça pela
própria instituição por 11 empréstimos consignados tomados entre novembro de
2020 e janeiro de 2024, que somam R$ 978.352,60 em dívidas.
Cleber
Lopes, que faz a defesa do executivo, afastou a possibilidade de uma delação
durante o desencadeamento da operação da PF, em novembro. No entanto, a
possibilidade de Vorcaro e Zettel comandarem a narrativa teria feito o advogado
começar a estudar o acordo com Paulo Henrique Costa.
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Delação de Vorcaro
A
assinatura de um termo de confidencialidade pelo banqueiro Daniel Vorcaro com a
Procuradoria-Geral da República (PGR) e a Polícia Federal (PF) nesta
quinta-feira (19) marca o início formal das negociações para um possível acordo
de delação premiada no caso do Banco Master.
O
documento garante sigilo às conversas e estabelece que eventuais informações
prestadas pelo investigado não poderão ser usadas contra ele caso o acordo não
seja concluído. Trata-se de um instrumento padrão nesse tipo de negociação, que
abre caminho para a fase inicial de apresentação de fatos e provas às
autoridades.
A
partir desse ponto, o processo entra em uma etapa preliminar, na qual o
conteúdo apresentado pela defesa será analisado antes de qualquer decisão sobre
a formalização da colaboração.
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O que é o termo de confidencialidade
O termo
de confidencialidade é um acordo firmado entre o investigado, sua defesa e os
órgãos responsáveis pela investigação, como a PGR e a Polícia Federal, para
viabilizar o início das negociações de uma possível delação premiada.
Na
prática, o documento assegura que as tratativas ocorram sob sigilo e estabelece
uma salvaguarda jurídica: caso não haja acordo, o conteúdo apresentado pelo
investigado não poderá ser utilizado contra ele no processo.
Esse
mecanismo permite que o investigado antecipe informações, relatos e possíveis
provas sem assumir, de imediato, os compromissos formais de uma colaboração
premiada.
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Transferência para a Polícia Federal indica avanço
A
decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), de
transferir Vorcaro da penitenciária federal para a Superintendência da Polícia
Federal no Distrito Federal é interpretada como um indicativo de avanço nas
negociações.
Em
unidades do sistema penitenciário federal, as regras são mais rígidas e o
contato com advogados ocorre sob condições restritas. Já na estrutura da PF, há
maior flexibilidade para reuniões com a defesa e para a realização de
depoimentos.
A
mudança de local costuma ocorrer quando há perspectiva concreta de colaboração,
pois facilita o andamento das tratativas e a coleta de informações.
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Como começa uma delação premiada
Com a
assinatura do termo, inicia-se um processo dividido em etapas. Primeiro, o
investigado se reúne com seus advogados para organizar os fatos que pretende
apresentar e reunir elementos que possam sustentar suas declarações.
Em
seguida, o material é levado às autoridades. Nessa fase, o investigado pode
prestar depoimentos formais, que são gravados, e detalhar as informações que
possui, indicando provas ou caminhos para obtê-las.
Após
essa etapa, os investigadores realizam a checagem do conteúdo apresentado. São
avaliados a consistência dos relatos, a existência de provas e a relevância das
informações para o avanço das investigações.
Só
então tem início a negociação de um eventual acordo, que, se firmado, ainda
precisa ser homologado pelo relator do caso no STF.
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Exigências do STF podem barrar acordo
Nos
bastidores do Supremo, a sinalização é de que uma eventual delação só será
aceita se atender a critérios rigorosos.
A
colaboração precisa ser considerada consistente, completa e não seletiva. A
omissão de fatos relevantes ou a tentativa de poupar envolvidos pode
inviabilizar o acordo.
A
decisão final sobre a homologação caberá ao ministro André Mendonça, relator do
caso no STF.
Pedido
de prisão domiciliar foi negado
Mesmo
com o avanço nas tratativas, a defesa de Vorcaro solicitou a conversão da
prisão preventiva em domiciliar, mas o pedido foi negado.
A
decisão reforça o entendimento de que eventuais benefícios dependem da efetiva
comprovação da colaboração e não são concedidos apenas com a manifestação de
interesse em delatar.
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Investigação envolve fraudes bilionárias
Vorcaro
foi preso em março durante uma fase da Operação Compliance Zero, que apura
suspeitas de irregularidades relacionadas ao Banco Master.
A
instituição, que foi liquidada, gerou prejuízos superiores a R$ 50 bilhões a
diferentes entidades, incluindo o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e fundos
de pensão.
O
inquérito segue em andamento e teve prazo prorrogado por mais 60 dias para a
realização de diligências consideradas essenciais pelas autoridades.
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Próximos passos
Com o
termo de confidencialidade firmado e a transferência para a Polícia Federal,
Vorcaro entra na fase inicial de construção de uma possível colaboração.
Nos
próximos dias, a tendência é que avance a organização das informações por parte
da defesa e a apresentação do material às autoridades.
A
continuidade do processo dependerá da qualidade e da relevância do que for
apresentado. Caso os elementos sejam considerados insuficientes, as negociações
podem ser interrompidas. Se houver consistência, o caso pode evoluir para a
formalização de um acordo de delação premiada.
• Filho de Nunes Marques: contratado por
Vorcaro também advogou para megafraudador Ricardo Magro; saiba quem é
evin de
Carvalho Marques, filho do ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal
(STF), voltou ao centro do caso Banco Master após documentos do Conselho de
Controle de Atividades Financeiras (Coaf) indicarem 11 pagamentos que somam R$
281.630 ao escritório do advogado. Os repasses foram feitos pela Consult
Inteligência Tributária, empresa que recebeu R$ 18 milhões do Banco Master e da
JBS entre agosto de 2024 e julho de 2025.
O novo
dado recoloca Kevin no noticiário porque a Fórum já mostrou que ele aparece no
fluxo financeiro de empresa abastecida por recursos vinculados ao entorno de
Daniel Vorcaro. Antes disso, a revista também havia noticiado que o advogado
foi contratado para atuar em processos do Grupo Refit, de Ricardo Magro, no
Tribunal Regional Federal da 1ª Região, em Brasília.
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Quem é Kevin de Carvalho Marques
Kevin
de Carvalho Marques tem 25 anos e entrou formalmente na advocacia em 2024. O
nome dele consta na lista de aprovados do 39º Exame de Ordem Unificado,
homologado em 29 de fevereiro daquele ano. Ele é filho do ministro Nunes
Marques, que integra a composição atual do Supremo Tribunal Federal.
Kevin
aparece como único responsável pelo escritório que recebeu os pagamentos
identificados pelo Coaf. Em material profissional, ele se apresentava como
advogado com atuação em direito tributário e dizia se dedicar ao sistema
tributário brasileiro e ao contencioso da área.
O nome
do advogado passou a ganhar relevância nacional não apenas pelo parentesco com
um ministro do STF, mas porque, em um intervalo curto de tempo, ele surgiu
ligado a dois casos de alto impacto. De um lado, o caso Banco Master, que
envolve Daniel Vorcaro. De outro, a defesa do Grupo Refit, conglomerado
associado a Ricardo Magro e alvo de uma das maiores investigações recentes
sobre fraude fiscal no setor de combustíveis.
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Ligação com Ricardo Magro e o Grupo Refit
Em
janeiro, a Fórum publicou que Kevin de Carvalho Marques havia sido contratado
para atuar em favor do Grupo Refit. O conglomerado é controlado por Ricardo
Magro e tem como principal ativo a antiga Refinaria de Manguinhos, no Rio de
Janeiro.
A Refit
virou alvo da Operação Poço de Lobato, deflagrada em novembro de 2025. Segundo
o Ministério Público de São Paulo, em informações reproduzidas pela CNN Brasil,
o grupo é investigado por fraude fiscal estruturada, lavagem de dinheiro e
outros crimes contra a ordem econômica e tributária, em apuração que aponta
prejuízo bilionário aos cofres públicos. Em outra reportagem, a CNN informou
que o conglomerado é apontado pela Receita Federal como responsável por mais de
R$ 26 bilhões em sonegação e que Ricardo Magro é o principal alvo da ofensiva.
Também
no fim de 2025, sob a gestão de Magro, a
Refit acumulou operações policiais, suspeitas antigas de manobras fiscais e
episódios de interdição pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e
Biocombustíveis (ANP). Foi nesse contexto que Kevin passou a atuar em processos
ligados ao grupo no TRF-1.
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O que mostram os novos pagamentos ligados ao Master
O fato
novo agora vem do caso Master. De acordo com reportagens baseadas em documentos
do Coaf, a Consult Inteligência Tributária recebeu R$ 6,6 milhões do Banco
Master e R$ 11,3 milhões da JBS no período analisado. A soma corresponde à
totalidade do que entrou na empresa entre agosto de 2024 e julho de 2025,
embora a consultoria tenha declarado faturamento de apenas R$ 25,5 mil.
Foi
dentro dessa movimentação que o Coaf identificou, por amostragem, 11 pagamentos
ao escritório de Kevin de Carvalho Marques, totalizando R$ 281.630. As
transações da Consult foram classificadas pelo órgão como incompatíveis com a
capacidade financeira declarada da empresa, observação que passou a integrar o
conjunto de suspeitas levantadas em torno da circulação desses recursos.
Segundo
a Fórum, o caso ampliou o escrutínio sobre a rede de relações em torno de
Vorcaro. O escritório de Kevin afirmou que os pagamentos são lícitos e
decorrentes do exercício regular da advocacia, com atuação voltada ao fisco
administrativo. A Consult disse que prestou serviços de auditoria e consultoria
tributária e que os valores pagos ao advogado se referem a serviços técnicos e
de assessoria jurídica. A JBS declarou que contrata consultores para apoiar sua
atuação tributária. Já o Banco Master não comentou nas reportagens citadas.
Fonte:
Fórum

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