Emenda
de Carlos Viana à ONG da Igreja Lagoinha, de André Valadão, foi aplicada no
mercado financeiro, diz CGU
elatório
final da Controladoria-Geral da União (CGU), obtido pela Fórum, apontou
inconsistências em uma emenda enviada pelo senador Carlos Vianna (Podemos-MG),
presidente da CPMI do INSS, à Fundação Oasis, “braço social” da Igreja Batista
da Lagoinha, de André Valadão, em 2020.
Segundo
o órgão de fiscalização, sem um projeto definido, cerca de R$ 700 mil enviados
pelo senador foram colocados pela ONG do pastor da Lagoinha em uma “conta
investimento”. Ou seja, em aplicação no mercado financeiro.
O
parecer, no entanto, não especifica qual seria o banco. Pastor e dono da Igreja
Lagoinha Belvedere, na capital mineira, Fabiano Zettel é cunhado de Daniel
Vorcaro e foi preso nas investigações sobre o Banco Master.
Segundo
o relatório da CGU, de R$ 1,5 milhão da emenda enviada à Prefeitura de Belo
Horizonte, Viana indicou que R$ 700 mil fossem “destinados à organização da
Sociedade Civil denominada Fundação Oásis, indicada por parlamentar, em
desacordo com o art. 29 da Lei nº 13.019/2014, e cujo objeto ainda não havia
sido definido”.
“A
CGU/MG questionou a Prefeitura sobre o critério utilizado para selecionar a OSC
que executaria parte dos recursos da emenda nº 40870001 e a Secretaria
encarregada esclareceu que o próprio parlamentar estabeleceu que os recursos
seriam destinados à Fundação Oásis”, diz o relatório final da CGU, datado de 5
de dezembro de 2020, em resposta à análise já feita no Estado.
Ao
apontar uma série de irregularidades, incluindo a inexistência de um projeto
para aplicação do recurso, a CGU afirma que os recursos foram aplicados no
mercado financeiro pela ONG da família Valadão, que se encontrava em “situação
fiscal irregular”.
“Além
do direcionamento, a Fundação Oásis encontrava-se em situação fiscal irregular
e ainda não tinha apresentado um projeto para execução do objeto. Mesmo
apresentando irregularidades em sua situação fiscal, os recursos foram
direcionados à OSC e permaneceram aplicados em conta de investimento ao longo
de todo o processo de regularização, elaboração do termo de parceria e
determinação do objeto, desde 29/06/2020“, diz o parecer.
No
relatório, a controladoria ressalta “a não adoção de chamamento público pode
ocasionar a contratação de OSC sem a habilitação técnica necessária para
execução do objeto” que, como já afirmado, sequer havia sido definido.
“Assim,
conclui-se que houve o direcionamento de recursos pelo parlamentar à OSC
Fundação Oásis. Além do descumprimento do Art. 166-A da CF/88, essa atitude
teve como consequência a não aplicação dos recursos, devido à inadimplência da
Fundação Oásis e ausência de apresentação de um projeto”, conclui o relatório.
Segundo
a Receita Federal, a Fundação Oásis, uma fundação privada que tem como
atividade principal “educação infantil e pré-escola” tem como sócio e
presidente Flavio Henrique Felix Correa.
Correa
consta como sócio de André Machado Valadão, líder da Igreja Lagoinha, na
empresa Momento de Comunicação, fundada em 31 de outubro de 1980 e que tem no
rádio sua atividade principal, segundo dados da Receita.
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Dino cobra explicações
Nesta
quinta-feira (19), o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF),
determinou que o senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da CPMI do INSS,
e o Senado Federal prestem esclarecimentos, em cinco dias úteis, sobre a
destinação de R$ 3,6 milhões em emendas parlamentares à Fundação Oasis,
entidade ligada à Igreja Batista da Lagoinha.
A
cobrança eleva a pressão sobre o comando da comissão num momento em que a
atuação de Viana já vinha sendo questionada por parlamentares da oposição e por
reportagens que associam o nome da igreja a personagens centrais do caso Banco
Master.
Ao
todo, Viana irrigou a fundação vinculada à igreja liderada pelo pastor André
Valadão com pelo menos R$ 3,6 milhões. Os repasses, identificados pelo
jornalista Tácio Lorran, do portal Metrópoles, mostram uma distribuição
generosa ao longo dos anos: R$ 1,5 milhão via Prefeitura de Belo Horizonte em
2019, R$ 1,47 milhão em 2023 e mais R$ 650,9 mil em 2025, estes últimos
destinados à unidade de Capim Branco (MG).
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A blindagem na CPMI e o “esquema Zettel”
A
Igreja da Lagoinha entrou no radar dos investigadores após revelações de que um
evento de Réveillon da entidade, no estádio Allianz Parque, teria sido
patrocinado por Felipe Gomes, ex-presidente da Amar Brasil Clube de Benefícios,
empresa sob investigação.
O
deputado Rogério Correia (PT-MG) tem apontado a existência de uma triangulação
financeira nebulosa envolvendo o Banco Master, o empresário e ex-pastor da
Lagoinha Fabiano Zettel (sócio do banqueiro Daniel Vorcaro) e a fintech Clava
Forte Bank, associada à igreja. Segundo Correia, o dinheiro sairia do Master
via Zettel para a Clava Forte, sendo posteriormente repassado para empresas
suspeitas de lavagem de dinheiro.
Entretanto,
Carlos Viana tem agido para travar o avanço dessas apurações. O senador
simplesmente se nega a pautar os requerimentos de quebra de sigilo da Clava
Forte Bank e do próprio pastor André Valadão. Enquanto o presidente da CPMI
“engaveta” as investigações que batem à porta de sua igreja, ele gasta as
energias da comissão em uma perseguição incessante contra o filho do presidente
Lula (PT), o que parlamentares da base governista classificam como um trabalho
inviesado e despudorado.
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O discurso da “dívida histórica”
Pressionado,
Carlos Viana tenta se esconder atrás do tecnicismo orçamentário e da retórica
religiosa. Em nota, sua assessoria afirmou que as emendas seguem critérios
legais e que a responsabilidade pela execução e fiscalização cabe às
prefeituras. O senador justificou os repasses alegando que o Brasil tem uma
“dívida histórica” com projetos sociais de igrejas e que continuará destinando
recursos para instituições religiosas, independentemente de quem as lidere.
O
argumento, contudo, não convence quem acompanha o dia a dia da CPMI. Para os
críticos, a coincidência entre o envio de milhões de reais à fundação da
Lagoinha e a postura de Viana em blindar a cúpula da igreja e seus parceiros
financeiros, como Zettel e Valadão, é gritante demais para ser ignorada.
Enquanto a comissão deveria investigar fraudes, parece servir, sob a batuta de
Viana, para proteger aliados e atacar adversários ideológicos de forma
sistemática.
• Os negócios do governo Tarcísio com o
Banco Master e Vorcaro na privatização da EMAE
A EMAE
é responsável pela operação de barragens e pela geração de energia vinculada às
represas Billings e Guarapiranga, uma empresa fundamental para o combate à
crônica crise hídrica do estado. Em abril de 2024, o governo estadual concluiu
a venda do controle da companhia por cerca de R$ 1,0 a R$ 1,04 bilhão ao Fundo
Phoenix FIP, ligado ao empresário Nelson Tanure. A operação marcou a primeira
grande privatização da gestão de Tarcísio em São Paulo.
Meses
depois da privatização, surgiu uma operação financeira que chamou atenção de
analistas e críticos. A EMAE aplicou aproximadamente R$ 160 milhões em
Certificados de Depósito Bancário (CDBs) de um banco ligado ao conglomerado do
Banco Master. O valor representava cerca de 5,9% dos ativos da empresa. Veio à
tona também que o cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, realizou uma doação de R$
2 milhões para a campanha eleitoral de Tarcísio de Freitas em 2022.
Embora
não exista prova pública de que essas operações tenham sido coordenadas
politicamente, a sequência dos fatos falam por si: primeiro ocorre a doação
eleitoral de pessoa ligada ao dono do banco; depois o governo estadual
privatiza a EMAE; em seguida, já sob controle privado, a empresa aplica cerca
de R$ 160 milhões em títulos ligados a um banco que posteriormente se tornaria
alvo de investigações.
Outras
movimentações financeiras realizadas pela EMAE após a privatização também
passaram a ser analisadas. Entre elas estão investimentos em títulos de
empresas ligadas ao mesmo grupo empresarial que assumiu o controle da companhia
e operações de empréstimo ou aplicação em companhias associadas ao empresário
que passou a controlar a empresa, um clássico indício de fraude financeira.
A
história da EMAE, no entanto, não para aí. Tanure e seu fundo haviam contraído
dívidas para a compra da EMAE, com as ações da empresa tendo ficado como
garantia. Uma vez que a dívida não foi paga, a garantia foi executado e
rapidamente vendida para a Sabesp, por cerca de R$ 1 bilhão. Com isso, a Sabesp
passa a deter 70% da EMAE, apenas um ano após a privatização.
Quem se
beneficiou desse negócio foi a Equatorial Energia, principal acionista da
Sabesp após a privatização, e que vem comprando a distribuição de energia em
vários estados nos últimos anos, como Pará, Rio Grande do Sul, Alagoas, Piauí e
Goiás.
É
preciso anular a privatização da EMAE, da Sabesp, e de todas as empresas
privatizadas. No caso da EMAE, além das suspeitas que envolvem o Master e os
fundos de Nelson Tanure, tem implicações estratégicas da empresa para o
abastecimento de água e energia em São Paulo. A companhia opera estruturas
fundamentais ligadas às represas Billings e Guarapiranga, que cumprem papel
central no sistema hídrico da região metropolitana, especialmente em momentos
de escassez de água. Entregar esse controle esse controle aos amigos de
Vorcaro, justamente em um contexto de crise hídrica recorrente e agravada pelas
mudanças climáticas, é um absurdo. Diante das suspeitas envolvendo a
privatização, das conexões financeiras que surgiram após a venda e do caráter
estratégico da EMAE para o sistema de água e energia da região, é preciso que
os sindicatos e os movimentos lutem pela anulação da privatização da EMAE.
• Moro e Deltan propagam tese de
jornalista da Globo de que Vorcaro ocupou “vazio” com “desmonte da Lava Jato”
Lava
Jato 2.0, que sela a aliança do clã Marinho com Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e
reativa a antiga máquina de fabricar narrativas a partir de vazamentos
seletivos de uma ala da Polícia Federal (PF), segue a todo vapor. Nas redes, o
ex-juiz Sergio Moro (PL-PR) e o ex-procurador e deputado cassado Deltan
Dallagnol (Novo) propagaram uma tese estapafúrdia de Gerson Camarotti, analista
política da Globo, que tenta ligar a ascensão de Daniel Vorcaro ao que ele
classifica como “desmonte da Lava Jato”.
“Eu
nunca vi uma ascensão tão meteórica como a do Vorcaro (…) Por isso a delação
dele é tão impactante. Brasília, com o desmonte da Lava Jato, relaxou, achou
que tudo era possível. Ele (Vorcaro) vem nesse vazio e ocupa um espaço enorme”,
disse Camarotti na noite desta quinta-feira (19) na Globonews.
A tese
foi prontamente compartilhada por Dallagnol em suas redes já no início da
madrugada desta sexta-feira (19). Ao divulgar a tese, pela manhã, Moro, que
deixou o União e se filiou ao PL para ser o candidato de Flávio Bolsonaro (PL)
ao governo do Paraná, papagueou o jornalista da Globo, que é tratado como uma
espécie de sucessor de Merval Pereira.
“O
desmonte da Lava Jato abriu os portões do inferno para a volta da roubalheira
sem pudor”, bradou Moro.
O que o
hoje senador esconde é que em 2019, quando Vorcaro teve aval do Banco Central
de Roberto Campos Neto para criar o Banco Master, ele era o “super” ministro da
Justiça do então governo Jair Bolsonaro.
“Que a
delação de Vorcaro dê ao país a chance de se reencontrar com a ética e que os
ladrões do povo sejam todos expostos e presos. Que aqueles que protegem os
ladrões do povo sejam expostos e presos pois é deles a maior culpa e vergonha”,
emendou o pré-candidato ao governo paranaense, que saiu do Ministério da
Justiça por “interferência” de Bolsonaro na Polícia Federal diante das
investigações sobre o esquema de corrupção das “rachadinhas” no gabinete de
Flávio na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).
Em 17
de outubro de 2017, quando Moro era retratado como o todo-poderoso juiz da
capa-preta pela Globo, combinando narrativas no lawfare contra Lula na Lava
Jato, Camarotti comemorou uma entrevista com o então titular da 13ª Vara
Federal de Curitiba.
“É pra
valer! Demorou, mas agora aconteceu de verdade: Camarotti entrevista Moro”,
divulgou, em êxtase, em seu blog.
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Lava Jato 2.0
A
dobradinha de Deltan Dallagnol e Sergio Moro com Gerson Camarotti acontece um
dia após o clã Marinho fechar com Flávio Bolsonaro diante da falta de
alternativas na esperançada terceira via para disputar a presidência contra
Lula.
Reportagem
no Jornal Nacional na última quarta-feira (18), usando reportagens da própria
mídia liberal sobre Fábio Luis Lula da Silva, o Lulinha, municiou o filho de
Bolsonaro para atacar Lula nas redes.
Principal
telejornal da emissora, historicamente usado em anos eleitorais contra
candidaturas do campo progressista, o JN dedicou mais de 5 minutos em uma
reportagem baseada em “informação publicada pelo jornal “O Estado de S. Paulo”
sobre investigação da Polícia Federal a partir de “uma coincidência entre
repasses de Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”, à empresa de uma
amiga de Lulinha e pagamentos feitos por ela à agência de viagens”.
A
reportagem tenta ligar Lulinha ao escândalo do INSS, mesmo ressaltando “durante
a análise da quebra do sigilo bancário de Lulinha, a PF não encontrou
pagamentos do Careca do INSS”.
O JN
relaciona pagamentos de Antunes a RL Consultoria e Intermediações Ltda, que
pertence à empresária Roberta Luchsinger e o pai dela, Roberto Luchsinger. A
investigação teria sido motivada a partir de uma mensagem de Antunes afirmando
que R$ 300 mil seria destinado a “o filho do rapaz”, insinuando que seria
Lulinha.
“A PF
quer saber agora quem é o ‘filho do rapaz’”, diz a reportagem no JN, fabricada
aos moldes da época da Lava Jato, com informações repassadas em off, sem
identificação da fonte, a outro veículo da mídia liberal.
Horas
depois, no início da madrugada desta quinta-feira 19, Flávio Bolsonaro deixou
para trás os tempos de “Globolixo”, em que o clã atacava a família Marinho, e
compartilhou em suas redes a reportagem do Jornal Nacional na íntegra.
“Quem
será o “filho do rapaz” que recebia 300 mil?”, indaga o filho “01” de Bolsonaro
junto ao vídeo.
Fonte:
Fórum/Esquerda Diário

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