Lula:
Sul Global não pode aceitar países com mais ‘canhão’ e ‘dinheiro’ como ‘donos
do mundo’
O
presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, neste sábado (21), que
países do Sul Global não devem aceitar uma ordem internacional baseada na força
militar e no poder econômico. Segundo o petista, o mundo assiste à inação do
Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), paralelamente à
escalada de guerras.
“O que
nós estamos assistindo no mundo é a falta total e absoluta de funcionamento das
Nações Unidas. O Conselho de Segurança da ONU e os seus membros permanentes
foram criados para tentar manter a paz. E são eles que estão fazendo as
guerras”, disse o presidente durante a reunião de chefes de Estado da
Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), em Bogotá.
“Quando
é que a gente vai tomar uma atitude para não permitir que os países mais
poderosos se achem donos dos países mais frágeis? Quando é que a ONU vai
convocar uma reunião extraordinária para que a gente decida qual é o papel dos
membros do Conselho de Segurança?”, questionou. “Por que não se renova? Por que
não se colocam mais países representando o Conselho de Segurança da ONU?”
O
Conselho de Segurança é responsável por decisões sobre paz e segurança
internacional e pode autorizar sanções e ações militares. Formado por 15
países, sendo cinco permanentes – Estados Unidos, Rússia, China, França e Reino
Unido – seu funcionamento é limitado porque qualquer membro permanente pode
bloquear decisões, inclusive em situações em que há maioria favorável.
Para o
presidente Lula, a estrutura do Conselho reflete a correlação de forças do pós
Segunda Guerra Mundial e não inclui representação permanente de regiões como
América Latina e África. As mudanças, no entanto, dependem da aprovação dos
próprios membros permanentes, o que dificulta reformas e reduz a capacidade de
resposta a conflitos.
“Eu
estou, como ser humano, como democrata e como presidente do Brasil, indignado
com a passividade dos membros de segurança que não foram capazes de resolver o
problema na Faixa de Gaza, não foram capazes de resolver o problema no Iraque,
não foram capazes de resolver o problema na Líbia, não foram capazes de
resolver o problema na Ucrânia, não foram capazes de resolver o problema no
Irã”, listou Lula.
Ao
comentar os conflitos recentes, o presidente afirmou que não é possível
naturalizar guerras como solução. “E tudo se resolve por guerra? Ou seja, quem
tem mais canhão, quem tem mais navio, quem tem mais avião, quem tem mais
dinheiro, se acha dono do mundo?”, perguntou. ‘Quando é que nós vamos dizer que
isso não é normal?”
Lula
também criticou a postura de Estados Unidos e União Europeia em relação ao Irã,
ao relembrar que, em 2010, participou de um acordo com o governo iraniano para
limitar o enriquecimento de urânio para fins pacíficos. Segundo o presidente,
mesmo após o cumprimento dos termos, houve o aumento de sanções. Ele afirmou
que, anos depois, um novo acordo foi firmado em condições diferentes e criticou
a justificativa de intervenções militares.
O
presidente afirmou ainda que não quer guerras e relembrou conversa com George
W. Bush antes de assumir o governo, quando foi convidado a participar da guerra
do Iraque. Lula recusou a proposta e disse que a prioridade do Brasil era
combater a fome. “A minha guerra é contra a fome”, afirmou.
No
discurso, Lula também defendeu o fortalecimento da cooperação entre América
Latina e África. Ele afirmou que os dois continentes compartilham desafios e
potencial e destacou a necessidade de ampliar parcerias em áreas como energia,
tecnologia e produção de alimentos. Também defendeu que países com recursos
naturais agreguem valor à produção e evitem a exploração externa.
O
presidente anunciou ainda a realização de uma reunião da Zona de Paz e
Cooperação do Atlântico Sul, marcada para 9 de abril, com o objetivo de manter
a região livre de disputas geopolíticas. Segundo ele, a articulação entre
países do Atlântico Sul é parte de um esforço para fortalecer a cooperação e a
defesa da soberania.
Ao
final, Lula defendeu a construção de uma agenda internacional voltada à paz e
ao desenvolvimento e afirmou que o enfrentamento da fome e das desigualdades
deve ser prioridade.
• ‘Estou indignado com a passividade da
ONU’, diz Lula ao citar a guerra no Irã
O
presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) usou a tribuna da Cúpula da
Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (CELAC), realizada neste
sábado (21) em Bogotá, na Colômbia, para fazer duras críticas à Organização das
Nações Unidas e cobrar uma postura mais firme da instituição diante da escalada
dos conflitos armados ao redor do mundo. O discurso, amplamente repercutido,
foi marcado por um tom de indignação diante do que o presidente brasileiro
classificou como omissão do principal organismo multilateral do planeta. Um dos
conflitos mencionados foi o do Irã, atacado pelos Estados Unidos e por Israel
desde o dia 28 de fevereiro.
Em seu
pronunciamento, Lula dirigiu suas críticas especialmente ao Conselho de
Segurança da ONU, apontando o que chamou de "falta total e absoluta de
funcionamento das Nações Unidas". "Estou indignado com a passividade
dos membros de segurança. Não foram capazes de resolver o problema da Faixa de
Gaza, do Iraque, da Líbia, da Ucrânia, do Irã", afirmou o presidente
diante dos líderes reunidos na capital colombiana.
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No
discurso, Lula traçou um panorama sombrio do cenário geopolítico atual e situou
o momento presente em perspectiva histórica. "O mundo de hoje está vivendo
a maior concentração de conflitos desde a Segunda Guerra Mundial",
declarou, referindo-se ao período entre 1939 e 1945.
Para o
presidente, as consequências dessas guerras não se limitam ao campo
humanitário. "As guerras na Ucrânia, em Gaza, no Irã e tantos outros
conflitos geram efeitos econômicos, sociais e políticos no mundo todo",
disse, destacando que uma das sequelas mais imediatas é o "aumento do
preço da energia e dos alimentos".
A
preocupação do presidente com o agravamento do cenário internacional ficou
evidente ao longo de toda a fala. "Estou extremamente preocupado com o que
está acontecendo", afirmou Lula, que em seguida recorreu a dados
divulgados pela própria ONU em setembro de 2025 para reforçar seu argumento.
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Estatísticas
Os
números citados pelo presidente revelam uma corrida armamentista sem
precedentes. Os gastos militares globais atingiram um novo recorde no ano
passado, somando US$ 2,7 trilhões - a estatística foi divulgada em 9 de
setembro de 2025. Mais de 100 países, distribuídos por todas as regiões do
planeta, ampliaram seus orçamentos de defesa, elevando o investimento em
armamentos a um patamar inédito na história recente.
O
contraste entre esse volume de recursos e as necessidades humanas básicas foi o
ponto mais contundente do discurso. De acordo com o levantamento citado por
Lula, apenas 4% do total gasto em armamentos seria suficiente para erradicar a
fome no mundo. Já 10% desse montante bastariam para eliminar a pobreza extrema
do planeta — uma proporção que o presidente utilizou para evidenciar as
prioridades que, em sua avaliação, têm orientado as potências globais em
detrimento das populações mais vulneráveis.
Um novo
relatório divulgado em 28 de julho do ano passado por cinco agências
especializadas da ONU revelou que a fome recuou pelo segundo ano consecutivo no
mundo. O documento, intitulado O Estado da Segurança Alimentar e Nutrição no
Mundo (SOFI) 2025, estima que 8,2% da população global — o equivalente a 673
milhões de pessoas — viveram em situação de insegurança alimentar grave em
2024, índice inferior aos 8,5% de 2023 e aos 8,7% de 2022.
O
levantamento destaca avanços expressivos no sul da Ásia e na América Latina. Na
região formada pelos países latino-americanos e caribenhos, a taxa de
subalimentação caiu para 5,1% em 2024, correspondendo a 34 milhões de pessoas —
uma redução considerável frente ao pico de 6,1% registrado em 2020.
• "Nós conquistamos soberania com a
nossa independência", diz Lula no Fórum Celac-África
O
presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste sábado (21), durante o
I Fórum de Alto Nível Celac-África, realizado em Bogotá, que os países da
América Latina, Caribe e África devem preservar sua soberania e evitar
interferências externas. Segundo informações divulgadas pela Presidência da
República, o discurso ocorreu na sessão plenária do encontro.
"Nós
não somos mais países colonizados. Nós conquistamos soberania com a nossa
independência. Nós não podemos permitir que alguém possa se intrometer e ferir
a integridade territorial de cada país", declarou o presidente.
Durante
a fala, Lula também abordou o cenário internacional e o aumento de conflitos.
"É importante que a gente não se esqueça nunca que o mundo de hoje está
vivendo a maior concentração de conflitos desde a Segunda Guerra Mundial",
disse. Ele mencionou ainda os gastos globais com armamentos e a persistência da
fome. "Não podemos perder de vista que, enquanto foram gastos US$ 2,7
trilhões, em 2025, em armas e em guerras, nós ainda temos 630 milhões de
pessoas passando fome."
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Combate à fome e cooperação
O
presidente convocou os países a priorizarem políticas para reduzir a pobreza e
a insegurança alimentar. "Essa guerra que nós temos que fazer para acabar
com a fome na África, na América Latina, acabar com o analfabetismo, acabar com
a falta de energia elétrica. É essa guerra que nós temos que fazer",
afirmou.
Ele
citou que cerca de 340 milhões de pessoas enfrentam fome nas duas regiões e
classificou o cenário como incompatível com a capacidade global de produção de
alimentos. Lula afirmou ainda que o Brasil pretende contribuir com iniciativas
voltadas à segurança alimentar, incluindo ações da Empresa Brasileira de
Pesquisa Agropecuária e a articulação internacional da Aliança Global contra a
Fome e a Pobreza.
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Clima, energia e tecnologia
Entre
os eixos de cooperação defendidos, Lula mencionou o enfrentamento à crise
climática, com atenção a processos de desertificação e à preservação de
florestas tropicais. "Apesar de não sermos historicamente responsáveis
pelo aquecimento global, somos os mais afetados por eventos climáticos
extremos", disse.
O
presidente também destacou a transição energética e o potencial de produção de
energia limpa, além da necessidade de ampliar o acesso à eletricidade. Em
relação à tecnologia, defendeu investimentos em infraestrutura digital e
governança de dados para ampliar o uso da inteligência artificial.
"Precisamos de um modelo de cooperação que alinhe governança digital e
respeito aos direitos fundamentais", afirmou.
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Comércio e integração
Lula
afirmou que o fortalecimento do comércio e dos investimentos é parte central da
aproximação entre as regiões. Ele mencionou a importância de articulações entre
instituições financeiras internacionais para ampliar o financiamento de
projetos conjuntos.
O
presidente também defendeu maior representação de países da América Latina e da
África em organismos internacionais. "Não faz sentido que a América Latina
e a África não tenham representação adequada no Conselho de Segurança da
ONU", declarou.
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Lula alerta para disputa por minerais críticos na América Latina e África
O
presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou, na tribuna da Comunidade de
Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), a exploração histórica de
recursos naturais de países da América Latina e da África. O mandatário
brasileiro também abordou a questão da exploração dos minerais críticos durante
o encontro. As declarações foram feitas neste sábado (21) durante sessão
plenária do encontro regional, em Bogotá, na Colômbia.
Ao
tratar do tema, o presidente afirmou que diversos países já tiveram suas
riquezas extraídas ao longo do tempo. "Aqui, nesse plenário, todo mundo
tem experiência de que o seu país já foi saqueado em tudo que é ouro que tinha,
em tudo que é prata que tinha, em tudo que é diamante que tinha, em tudo que é
minério que tinha", disse.
Ao
comentar a fala de um representante de Moçambique, Lula mencionou o interesse
atual sobre recursos estratégicos. "Depois de levarem tudo que a gente
tinha, agora eles querem ser donos dos minerais críticos e das terras raras que
nós temos", declarou.
Durante
o discurso, o presidente citou a Bolívia ao abordar o tema. "Eu estou
vendo a Bolívia ali, estou vendo o chanceler da Bolívia. Ou seja, já levaram
quase tudo da Bolívia", afirmou.
Lula
também defendeu que países dessas regiões não mantenham o papel histórico de
exportadores de matérias-primas. "Agora que a Bolívia tem minerais
críticos, é a chance da Bolívia, é a chance da África, é a chance da América
Latina não aceitar ser apenas exportador de minerais", disse.
Fonte:
Brasil de Fato/Brasil 247

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