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dentro do mundo dos 'preppers', as pessoas que se preparam para o colapso da
civilização
Quando
eu comecei a explorar o mundo do prepping (preparação para emergências, em
tradução livre), não sabia o que esperar. Parte de mim imaginava algo teatral,
como kits para apocalipse zumbi ou bunkers nucleares.
Mas, ao
me aventurar pelo interior da região central do País de Gales, ficou claro que
eu havia caído em estereótipos.
Leigh
Price, 51, de Builth Wells, disse que não estava se preparando para hordas de
zumbis vagando pelos arredores, como muitos poderiam supor, mas para ameaças
muito mais reais.
"Todo
mundo acha que um prepper [indivíduo que se prepara para grandes catástrofes] é
algum tipo de maluco de chapéu de alumínio. Não me entenda mal, há alguns por
aí. Mas muitos dos estereótipos sobre preppers vêm dos Estados Unidos; no Reino
Unido, é totalmente diferente."
Prepping
é um movimento global de pessoas que se preparam para a eventualidade de que a
sociedade venha a colapsar parcial ou totalmente.
Isso
geralmente envolve manter um estoque de alimentos e aprender habilidades
necessárias para se virar por conta própria.
Price,
pai de três filhos, serviu no Exército, mas hoje administra uma loja
especializada para preppers e oferece cursos de sobrevivência.
Cercado
por árvores na zona rural de Powys, no País de Gales, o local é um ambiente
tranquilo para uma loja que tinha todo o equipamento que se pode imaginar para
sobreviver ao fim da civilização, incluindo balestras (arma antiga semelhante a
um arco, por vezes conhecida como besta) e paredes cobertas de facas.
"Algumas
pessoas estão se preparando para o fim do mundo, um ataque nuclear ou seja lá o
que for, e eu sempre digo: 'olha, quando se trata de um ataque nuclear, não é
impossível, mas é altamente improvável'", diz Price.
"É
melhor você se preparar para as coisas que têm mais probabilidade de
acontecer."
Price
disse: "O mundo está ficando um pouco mais perigoso. A instabilidade
social está no limite. Há algumas coisas acontecendo no mundo, nações contra
nações."
A lista
de possíveis ameaças dele inclui ataques cibernéticos que "podem derrubar
a rede elétrica nacional", interrompendo todos os aspectos da vida
moderna.
"Se
isso derrubar as redes elétricas, voltamos à Idade da Pedra. Pelo menos por
alguns dias", disse Price.
"Você
pode imaginar então que, quando as pessoas entram em pânico, tendem a fazer
coisas desesperadas.
"O
pior cenário que pode acontecer é as pessoas começarem a saquear as casas dos
outros, haverá brigas, incêndios... Então, como você se prepararia para
isso?"
Eu
havia presumido que poderia simplesmente pegar meu kit de primeiros socorros e
minha barraca e correr para as colinas em um cenário assim, até Price me dizer
que esse é o maior erro que as pessoas cometem.
"Elas
acham que poderiam sobreviver como Rambo na natureza, mas, depois de alguns
dias de vento, chuva e frio, vão pensar duas vezes", disse.
A chave
é defender o seu local ou se deslocar para um mais seguro, como a casa de um
amigo, afirmou Price.
Ele
disse ainda que muitas pessoas acreditam que os preppers têm bunkers cheios de
armas e munição, mas, na realidade, são "pessoas comuns do dia a dia, de
todas as origens e de todos os espectros políticos", que têm o suficiente
do básico para sobreviver por semanas sem precisar de supermercados ou do
governo.
Para
avaliar em que nível eu estava em termos de preparação, Price me submeteu a um
teste. Depois de fazer várias perguntas sobre o meu estoque de alimentos, água
e kits de primeiros socorros, ele disse que eu havia tirado 7/10.
Aparentemente,
estar acostumado a fazer compras grandes por ter crescido na zona rural da
Cornualha e ter equipamentos de acampamento faz com que você esteja
razoavelmente preparado.
Mas,
para aumentar a minha pontuação, precisaria comprar um kit de primeiros
socorros melhor, um filtro de água e mais comida, muito mais comida.
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Influência da pandemia
Price
disse que sempre esteve preparado para emergências, mas considera isso apenas
bom senso.
Ele
abriu parcialmente a loja após a pandemia de covid-19, para poder se preparar
caso algo semelhante voltasse a acontecer, depois de ter de fechar seu negócio
anterior.
"Pensei:
'bem, vou fazer algo em outro lugar, mesmo que isso aconteça de novo', [assim]
eu ainda poderia manter um negócio e sustentar a minha família."
Administrar
a loja permite que ele compre seu próprio equipamento de prepping a preços de
atacado. Ele disse que não poderia "nem arriscar um palpite" sobre
quanto já gastou se preparando, mas acha que pode ter sido "algumas
milhares de libras".
Ele
acrescentou que não é obcecado por prepping e passa apenas cerca de uma hora
por semana verificando se seu equipamento está em boas condições.
As
lojas de Price são úteis para todos os tipos de emergência, ele disse, e por
viver em uma área rural, ele obtém água de um poço artesiano, o que significa
que um eventual apagão não apenas apaga as luzes, mas também impede o acesso à
água potável, a menos que seja possível purificá-la.
O que,
é claro, ele consegue fazer, já que possui uma bomba com filtro de água para
acessar essa reserva subterrânea por meio do poço.
"Eu
não me preparo para uma coisa específica, por assim dizer. Sempre penso que, se
você está devidamente preparado e tem tudo organizado em casa, não importa o
que aconteça, você consegue lidar com isso."
Isso
significa uma abordagem diferente dependendo de onde você está.
Por
exemplo, em uma viagem a Londres, na Inglaterra, Price disse: "Eu sempre
teria um kit de primeiros socorros, não importa para onde eu vá. Provavelmente
teria algum tipo de lenço, se houver, por exemplo, um incêndio, você pode
cobrir a boca com ele. Uma lanterna, caderno e caneta, um bom casaco
impermeável."
Price
disse que uma das coisas que recomenda é encontrar uma comunidade:
"Prosperamos como espécie humana vivendo juntos; ninguém vai sobreviver
sozinho fugindo para a natureza. Em uma situação extrema, é melhor trabalharmos
juntos."
Há três
anos, havia apenas um encontro de preppers no País de Gales, mas agora eles
acontecem regularmente em todo o país, disse Price.
Donna
Lloyd, 60, também acredita na criação de uma comunidade.
Ela
administra uma página no Facebook sobre prepping e começou a reunir suprimentos
depois que a sua eletricidade caiu durante o lockdown da pandemia.
Ela e
sua esposa, que vivem em Powys, no País de Gales, não conseguiram fazer uma
xícara de chá, então um amigo foi até a casa delas com um fogareiro de
acampamento para ferver água.
"Foi
como aquele momento de estalo, eu me senti meio vulnerável e um pouco
boba", disse.
"Pensei:
'bem, eu posso comprar um fogareiro de acampamento. Eu posso fazer isso'."
Lloyd,
que já trabalhou nas Forças Armadas, mas hoje atua na área de educação,
armazena água, alimentos enlatados, comida liofilizada, chá, café, leite em pó
e um kit de primeiros socorros.
Assim
como Price, Lloyd não está se preparando para algo específico, apenas tem
consciência de que alguma coisa pode acontecer.
Ela
acredita que há um estereótipo sobre como é um prepper, mas, na prática, existe
um espectro.
Desde
aqueles que têm seus próprios abrigos antinucleares até os que apenas carregam
lanternas na bolsa, ela disse: "Eu fico em algum ponto no meio."
O
universo do prepping pode ser bastante reservado, afirmou, variando de
"armazenar suprimentos de forma discreta a um isolamento completo de 'lobo
solitário', muitas vezes para evitar estigma e rotulações", enquanto
outros se concentram na construção de comunidade.
Mas
Lloyd disse que essa mentalidade não a impede de levar uma vida normal, e ela
ainda tira férias.
"Há
maneiras de se preparar, de modo que, mesmo estando longe do que você
normalmente carrega, ainda seja possível utilizar ou improvisar com o que
tiver", disse Lloyd.
"Algo
que levo comigo o tempo todo é uma pequena ferramenta de sobrevivência no
formato de cartão, com diferentes funções, como chave de fenda e abridor de
garrafas."
Ela
disse que outra forma de se sentir mais confiante é aprender a fazer fogo.
Lloyd
continua: "Não se trata necessariamente de fazer fogo, mas da habilidade
de identificar os elementos que ajudam você a acendê-lo.
"Ajudar
você, como pessoa, a ter confiança, a se sentir mais no controle, mais capaz de
lidar com situações e mais consciente do seu ambiente."
Ela
afirmou que não faz isso por diversão, o prepping a ajuda a se sentir mais
confiante e segura.
Esse
sentimento é compartilhado por Price: "Tendo esses suprimentos iniciais,
você vai se sentir um pouco melhor do que alguém que não tem absolutamente
nada. Um bom ditado no prepping é: 'é melhor ter e não precisar do que precisar
e não ter.'"
Fonte:
BBC News País de Gales

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