Jorge
Folena: Eleição 2026 - o fascismo que nos assola
Tenho
observado que muitas pessoas têm dificuldade para compreender o que é o
fascismo, o que é compreensível, pois os fascistas empregam técnicas para
iludir e enganar a classe trabalhadora, como fez uma deputada bolsonarista, ao
se pintar de preto (blackface), no plenário da Assembleia Legislativa de São
Paulo, e, assim, tentar assumir o eleitorado que, no passado recente, foi da
condenada Zambelli.
O
objetivo deste texto é apontar as ações fascistas em curso no Brasil, em
decorrência dos acontecimentos que levaram ao julgamento daqueles que atentaram
contra a Constituição, a democracia e as instituições e promoveram atos
golpistas que culminaram no 8 de janeiro de 2023, que pretendiam revogar a
atual ordem constitucional e introduzir uma ditadura, que poderia ser ainda
mais nociva do que a ocorrida no período de 1964-1985.
Este
tema deverá ser retomado nas eleições deste ano, uma vez que o fascismo está
presente no Brasil, pelo menos desde o início do século XX. Porém, agora,
encontra-se em plena atividade e não demonstra constrangimento em manifestar
seu ideário livremente pelos espaços públicos e institucionais, como nos
governos, parlamentos, tribunais e Forças Armadas e de segurança pública.
O
movimento político-ideológico do fascismo está estruturado no Brasil pelo menos
desde os anos 1930 e foi representado organicamente, no século passado, pelo
partido da Ação Integralista Brasileira, liderado por Plínio Salgado, que
chegou a ter mais de um milhão e trezentos mil filiados, naquela época.
Ou
seja, era constituído como organização política estratificada pela sociedade,
que encontrou seu apogeu político durante a ditadura de 1964-1985,
principalmente, mas também esteve fortemente representado na gestão que
controlou o governo federal de 2019-2022, que resgatou a retórica "Deus,
pátria e família", copiada do nazifascismo europeu.
Importante
deixar claro que o fascismo é produto da ordem liberal capitalista, que, por
sua gênese, é incapaz de proporcionar paz, bem-estar e distribuição mínima da
riqueza na sociedade contemporânea, marcada pela forte concentração de capital,
que conduz à exploração, expropriação, escravização, destruição, guerras etc. e
só promove a infelicidade e a morte de milhares de pessoas, sempre oriundas da
classe trabalhadora.
Para
manter o quadro de injustiça e assegurar sua sobrevivência como classe
dominante, a burguesia emprega o fascismo como a ideologia capaz de induzir a
classe trabalhadora a decidir contra os próprios interesses, jogando
trabalhadores contra trabalhadores.
Assim,
a burguesia lança falsas lideranças, que se dizem contrárias à ordem liberal,
sendo, na verdade, suas defensoras; e se dizem antissistema para arregimentar
trabalhadores desiludidos, ressentidos, que não compreendem as causas da
desigualdade criada, alimentada e mantida pela classe dominante.
Então,
os cooptados pelo fascismo alardeiam que tudo está errado (mas não conseguem
apontar os reais causadores da desordem), que a sociedade está tomada pela
corrupção (promovida pela própria classe dominante) e que há um processo de
depravação dos valores morais (quando são os muito ricos que não aceitam
limites para satisfazer sua devassidão, como demonstrado pelos arquivos do caso
"Epstein").
Ao
mesmo tempo, essa massa de trabalhadores é manipulada pelas lideranças
fascistas (com o apoio da classe dominante) e levada a atacar as organizações
políticas dos trabalhadores que lutam por melhores condições de vida para
todos.
Ortega
y Gasset definiu esse integrante da classe trabalhadora cooptável pelo
fascismo, chamando-o de homem massa, descrito como sendo "um tipo de homem
feito à pressa, montado apenas sobre umas quantas e pobres abstrações (...)
previamente esvaziado da sua própria história, sem entranhas do passado, por
isso, dócil a todas as disciplinas chamadas 'internacionais'. (...) Daí que
esteja sempre na disponibilidade de fingir ser qualquer coisa. Só tem apetites,
crê que só tem direitos e não crê que tem obrigações: é um homem sem a nobreza
que obriga – sine nobilitate – snob."
É para
esse tipo de pessoa (a maioria oriunda da classe média, constituída de pequenos
e médios comerciantes, "empreendedores" de si mesmo, e produtores
rurais, que vaga sem esperança, trabalho ou sonhos, em decorrência da pobreza
gestada na exploração liberal capitalista) que o bolsonarismo se dirige no
Brasil.
Paradoxalmente,
é nesse grupo que o fascismo encontra o apoio necessário para cumprir seu
papel, que, no século XXI, consiste em implantar duras medidas econômicas
neoliberais, por exemplo, o aprofundamento das reformas previdenciária e
trabalhista (como faz Milei na Argentina) para satisfazer os interesses da
classe dominante.
Assim,
o fascismo é utilizado para reprimir violentamente os movimentos sociais e os
imigrantes (como faz Donald Trump nos EUA), para desmobilizar os sindicatos e
partidos progressistas, bem como para restringir as liberdades individuais e a
democracia. Tudo isto com o objetivo de introduzir uma ditadura, como
pretendiam fazer aqui, caso fossem bem-sucedidos no golpe do 8 de janeiro de
2023.
Aparentemente,
a massa cooptada não tem a necessária capacidade cognitiva para compreender que
o denominado neofascismo não defende os interesses nacionais, pois atua em
favor do imperialismo e da classe dominante financista universal, liderada
pelos fundos de investimentos, grandes bancos e conglomerados.
No
período atual, observamos a crescente influência das big techs, que passaram a
exercer um efetivo controle sobre a vontade dos indivíduos. As chamadas
democracias modernas são ativamente patrulhadas e controladas pelo algoritmo,
ferramenta tecnológica empregada para favorecer o aumento da concentração de
capital em favor da classe dominante, instituindo um estado de exceção
permanente, como esclarece Giorgio Agamben.
Nos
dias de hoje, a tecnologia digital está sendo usada para impor um modo de vida
em que robôs policiam e manipulam a vontade e os desejos dos integrantes das
sociedades. É por isso que todo indivíduo "precisa" ter acesso a um
dispositivo eletrônico móvel, que serve de canal por onde são propagadas as
mentiras que sustentam a manutenção da ordem liberal capitalista.
Torna-se
cada vez mais difícil para as pessoas compreenderem que estão enredadas numa
teia cibernética, num mundo de faz de conta, em que prevalecem as manipulações
e falsificações, muito bem utilizadas por Donald Trump, Bolsonaro, Milei e
outros aprendizes das lições de Hitler e Mussolini.
O
domínio da tecnologia é a arma que o neofascismo emprega hoje para disseminar a
mentira, que alimenta o ressentimento das massas e distorce sua percepção da
realidade, transformando-as, então, nas ferramentas utilizadas para manter os
interesses da classe dominante e aprofundar ainda mais a dominação, a
desigualdade e a desesperança, num eterno círculo vicioso.
A
retomada do tema é urgente, pois constitui o ponto central da eleição de 2026,
quando os fascistas tentarão se reposicionar politicamente para tomar o poder,
com apoio do imperialismo, do latifúndio e do crime organizado, além de muito
dinheiro para manipular o algoritmo.
Por
isso, o enfrentamento dessa nova empreitada fascista, organizada pela classe
dominante para tentar retomar o governo federal e interromper mais uma vez o
processo de desenvolvimento nacional, exige união e disposição de todos os
integrantes e simpatizantes do campo progressista, para que sejamos capazes de,
definitivamente, superar e vencer o fascismo no Brasil.
• Bem-vindos, voltamos a 2015/2016. Por
Jeferson Miola
Assim
como aconteceu em 2015/2016, se o governo não agir urgentemente, será outra vez
engolfado por uma farsa monstruosa da Globo e mídia hegemônica em consórcio com
a oposição, com o empresariado, o agronegócio, militares e setores da PF e do
judiciário, inclusive do STF.
Naquela
crítica conjuntura pré e trans-golpe contra Dilma, ninguém acreditava que o
governo e o PT seriam arrastados no escândalo batizado pela Globo como
“Petrolão”, pelo simples fato de que os envolvidos em atos criminosos e de
corrupção eram dirigentes da Petrobrás vinculados ao PP, MDB e outros partidos
da centro-direita e direita.
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E
também ninguém acreditava que as fábulas inventadas pela Globo do pedalinho de
lata do sítio de Atibaia e do triplex na praia de Guarujá seriam validadas pelo
juiz-ladrão Sérgio Moro como acusações criminais minimamente aceitáveis.
No
entanto, por trás da inocência [ou da boa-fé, da ingenuidade, da paralisia, ou
da catatonia] do governo, aquele processo conduzido pela gangue de Curitiba e
incensado pelos grupos de mídia tinha o claríssimo propósito de derrubar Dilma,
criminalizar o PT e impedir Lula de concorrer e vencer a eleição de 2018.
Na
época, a reação do governo, da sua base parlamentar e social, assim como do PT
foi, para dizer o mínimo, tíbia e catatônica. Episódio que resume bem esse
sentimento foi a paralisia diante da ordem ilegal e absurda do ministro do STF
Gilmar Mendes proibindo Lula de assumir a chefia da Casa Civil do governo
Dilma.
Não
houve uma reação à altura daquela violência política e institucional que,
acontecesse numa democracia funcional, derrubaria não o governo, mas o juiz da
Suprema Corte autor de tamanha brutalidade inconstitucional.
Neste
momento, faltando pouco mais de seis meses para a eleição de outubro, estamos
vendo acontecer exatamente a mesma coisa. E, nesta farsa repetida como
tragédia, assistimos o governo tímido, sem agir energicamente para deter os
abusos e conter a farsa que avança perigosamente.
Há uma
orquestração explícita que envolve agentes do Estado, mídia e atores da
política para envolver Lula e o governo no escândalo do INSS e, principalmente,
no desfalque bilionário do Banco Master.
A Globo
assumiu a liderança dessa narrativa, inclusive com a produção de elementos
gráficos de grande valor simbólico, como os powerpoints da época da Lava Jato.
Fez isso no programa Estúdio i da Globo News de 6 de março, com uma peça
intitulada “ACESSOS E CONEXÕES DE DANIEL VORCARO” [caixa alta no original]
ilustrada com uma fotografia do Lula em primeiríssimo lugar no organograma.
E
repetiu a dose de canalhice no programa desta 6ª feira, 20 de março, com o
powerpoint “CONEXÕES DE DANIEL VORCARO”.
Esta
peça criminosa, apresentada e comentada em detalhes através do texto lido pela
jornalista Andréia Sadi inclui Lula, Guido Mantega, Ricardo Lewandowski –todos
que não têm absolutamente nada a ver com a roubalheira do Master–, e também
Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central que interrompeu o crime e mandou
liquidar o Master.
Incrivelmente,
contudo, o powerpoint da Globo News não incluiu Bolsonaro, Ibaneis Rocha,
Cláudio Castro, representantes da Faria Lima, Roberto Campos Neto, que permitiu
a expansão do esquema e foi conivente com crimes, e pasme, não incluiu a
própria Globo, que foi financiada por Vorcaro em evento em Nova Iorque, afora
outros patrocínios e mimos que pode ter recebido do esquema mafioso.
Voltamos
a 2015/2016. Sabemos que se não houver uma reação política e institucional
contundente em relação à PF, ao judiciário e à mídia, o governo será fagocitado
pela espiral conspirativa e verá a reeleição do presidente Lula escorrer
líquida por entre os dedos da mão.
• Lavajatismo: Globo se esforça para
envolver Lula no caso Master e exalta ‘novo Moro’. Por Chico Xavier
Um dos
pontos mais marcantes dos tristes tempos em que a força-tarefa da Lava Jato
mandava e desmandava no Brasil foi a apresentação do Power Point de Deltan
Dallagnol. No diagrama, exibido em 2016, todos os crimes reais e irreais
atribuídos aos acusados convergiam para um só mandante: Lula. Perguntado sobre
as provas para sustentar as acusações, Dallagnol mostrou apenas “convicção”.
Apesar disso, a apresentação virou manchete em sites, jornais e telejornais –
nove anos depois, condenado pelo Power Point, Dallagnol teve que pagar R$ 146
mil a Lula, por danos morais.
Em
pouco tempo, a Vaza Jato, série de reportagens publicada no site Intercept
Brasil, e o trabalho de alguns poucos jornalistas e sites independentes
revelaria a extensão da farsa de Dallagnol, Sergio Moro e cia. Como se sabe
agora, era tudo um jogo de cartas marcadas para incriminar Lula e seus aliados
para, assim, tirar o petista da corrida presidencial.
Pois
bem: a estratégia de incriminar os petistas sem provas está de volta ao
cardápio da imprensa neste ano eleitoral.
O caso
Master, a maior fraude bancária da história do Brasil, nasceu e foi fermentada
durante o governo de Jair Bolsonaro e sob a omissão do presidente do Banco
Central indicado por ele, Roberto Campos Neto. Como parceiro e “amigo de vida”,
o próprio dono do banco, Daniel Vorcaro, apontou o senador Ciro Nogueira,
presidente do PP, que chegou a sugerir lei direcionada a beneficiá-lo. No papel
de braço direito de Vorcaro, Fabiano Zettel doou R$ 3 milhões para a campanha
presidencial de Bolsonaro e R$ 2 milhões para campanha a governador de Tarcísio
de Freitas.
Todos
esses envolvidos são personagens ligados à direita e à extrema direita.
A
megafraude só foi interrompida em novembro, com a ação firme de Gabriel
Galípolo, o presidente do Banco Central indicado por Lula. Sob a gestão do
petista, a Polícia Federal teve total autonomia para mergulhar fundo nas
investigações — e o resultado foi tão efetivo que não restou alternativa a
Vorcaro, agora preso, senão negociar uma delação.
Depois
de meses de cobertura do caso, a Globonews resolveu mostrar no programa Estúdio
I desta sexta-feira (20) um quadro para resumir os principais nomes da
República ligados a Vorcaro. Surpreendentemente, no alto do “power point”
apresentado pela jornalista Andréia Sadi, quais figuras apareceram? Lula,
Gabriel Galípolo, Guido Mantega e a estrela do PT! As figuras da extrema
direita e do Centrão estavam no “power point da Sadi” em segundo plano.
As
“justificativas” para o destaque de Lula e Galípolo? Os dois tiveram uma
reunião com Vorcaro no Palácio do Planalto. Apesar de feito fora da agenda, o
encontro foi testemunhado por várias pessoas e não teve nenhum caráter secreto.
O banqueiro foi ao presidente pedir ajuda para o seu negócio, não recebeu a
resposta que gostaria e, meses depois, o Master foi enquadrado nos rigores da
lei.
Repetindo:
a fraude do Master nasceu na gestão Bolsonaro/Campos Neto e foi interrompida na
gestão Lula/Galípolo.
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Onde está Campos Neto?
E
Campos Neto, a autoridade que teve maior nível de negligência no caso? Esse nem
aparece no “power point” apresentado na Globonews. O fato de o ex-presidente do
BC hoje estar à frente do Nubank, banco que tem a sociedade da família Marinho,
dona do Grupo Globo, teve influência nessa omissão? Cada um que tire suas
conclusões. .
O fato
é que sempre que Lula ou alguém do governo lembra a responsabilidade de Campos
Neto no caso Master recebe críticas de Andréia Sadi, que classifica a acusação
como “jogo de empurra”.
A
sexta-feira lavajatista do Grupo Globo não parou no Estúdio I. Se estendeu ao
Jornal Nacional, que deu espaço generoso ao ministro André Mendonça, do Supremo
Tribunal Federal, que é relator do caso Master.
O
principal telejornal da emissora reproduziu uma fala totalmente desimportante
em que Mendonça faz o papel de “herói que não quer dizer que é herói”. Com voz
messiânica de pastor, ele exibiu falsa modéstia em evento realizado na OAB do
Rio de Janeiro:
“Eu não
tenho a pretensão de ser alguma esperança ou alguém diferente em algum sentido,
com algum dom especial. Não. Tenho só a expectativa de fazer o certo, pelos
motivos certos. Acho que esse é o papel de um bom juiz. O papel de um bom juiz
não é ser estrela”, disse. O discurso clichê recebeu aplausos dos presentes, e
as palmas foram exibidas em rede nacional.
<><>
Quem é André Mendonça
A quem
especula que Mendonça seja o novo Sergio Moro, no sentido da imagem heroica
construída pela mídia, é preciso refrescar a memória sobre quem é este
personagem.
Como
ministro da Justiça, foi Mendonça que ordenou em 2020 a confecção de um dossiê
que seria usado contra jornalistas, políticos, servidores e ativistas
considerados antifascistas. Se esse candidato a herói se opõe aos que se
classificam como antifascistas, podemos dizer que ele próprio se admite
fascista?
No
cargo de advogado-geral da União em julgamento do STF ocorrido em abril de
2021, Mendonça defendeu a realização de cultos religiosos durante a pandemia.
Pastor evangélico, chegou a afirmar que os cristãos “estão sempre dispostos a
morrer para garantir a liberdade de religião”.
Foi
também Mendonça que, já como ministro do STF, protagonizou uma discussão em
plenário em que responsabilizou o governo Lula pela invasão dos golpistas do
8/1.
Está
formada a espinha dorsal para uma nova campanha de mentiras contra Lula e o PT.
Basta que Vorcaro cite em sua delação alguém que tenha ligação mesmo longínqua
com o governo e o circo estará novamente armado. Esse roteiro é o que está se
desenhando: cheios de dubiedade, algumas das figuras foram citadas no programa
da Globonews como suspeitas apenas por “ter relações” com o dono do Master — a
expressão foi repetida várias vezes.
A
questão central para separar o joio do trigo é: essas “relações” foram legais
ou ilegais?
Mas,
assim como o famoso comunicador Chacrinha, o lavajatismo (uma denominação
diferente para antipetismo) não surgiu para esclarecer nada, mas para
confundir.
Apertem
os cintos, lá vamos nós outra vez.
Fonte:
Brasil 247/ICL Notícias

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