Senado
aprova ampliação da licença-paternidade
O
Senado Federal aprovou o Projeto de Lei (PL) 5.811/2025, de autoria da
ex-senadora Patrícia Saboya em 2007 e relatado pela senadora Ana Paula Lobato
(PDT MA). O texto prevê aumento gradual de cinco para vinte nos dias de
licença-paternidade, que será remunerada agora pelo Regime Geral de Previdência
Social (RGPS). Para ser consolidada, a PL ainda passará por sanção do
presidente da República.
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Mudanças na lei
Caso
seja aprovado, a partir de 2027, o projeto altera as Leis de Consolidação do
Trabalho (CLT) e a licença-paternidade passará a ser de 10 dias, no ano
seguinte o número chega a 15 dias, e em 2029, chegará ao limite de 20 dias de
afastamento remunerado. O projeto prevê a criação do salário- -paternidade,
benefício previdenciário que garante a remuneração durante o período de
afastamento. O objetivo é ampliar a proteção social às famílias e incentivar
uma participação mais ativa do pai nos primeiros dias de vida do filho.
O PL
também prevê situações específicas de vulnerabilidade, como: pais de filhos com
deficiência terão período de licença com acréscimo de um terço; direito é
estendido a adoções e a casos de guarda judicial para fins de adoção; em casos
de falecimento da mãe ou parto antecipado a licença continua válida; o
benefício poderá ser suspenso ou indeferido em caso de violência doméstica ou
abandono material comprovadamente praticado pelo pai.
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Licença estendida
Algumas
empresas adotaram a extensão da licença-paternidade por conta própria, com
objetivo de fortalecer as relações parentais e equilibrar em profissional e
pessoal a vida do colaborador.
O
presidente da Novartis Brasil, Sylvester Feddes, adotou o modelo e comentou
sobre a escolha da organização: “A ideia nasceu de uma compreensão simples. A
chegada de um filho é um dos momentos mais transformadores na vida de qualquer
pessoa, e poder estar presente nesse período faz diferença para as famílias.
Pessoalmente, como pai de três filhos, adoraria ter tido a oportunidade de me
dedicar a essa fase tão importante da vida”
Sylvester
disse que iniciativas como essa ampliam o debate e mostram que é possível
conciliar resultados de negócio com políticas mais avançadas. “Cada empresa tem
uma realidade, mas existe a oportunidade clara de olhar para esse tema de forma
mais estratégica. Quando ampliamos esse tipo de benefício, não estamos apenas
respondendo a uma demanda social, estamos também fortalecendo cultura,
engajamento e sustentabilidade do negócio no longo prazo”, afirmou. “Nesse
sentido, o avanço dessa agenda por mais companhias tende a gerar impactos
positivos para o mercado de trabalho e para a sociedade como um todo”
Beneficiado
com os 180 dias, o gerente de Digital Work Space Operations da Novartis Brasil,
Leonardo Luccisano, ressaltou a importância do acréscimo de dias de
participação no nascimento do filho. “Foi um privilégio que fez toda a
diferença para minha família. Tive meu primeiro filho em 2025 e pude contar com
os 180 dias da licença parental estendida oferecida pela empresa, divididos em
dois períodos de 90 dias cada. Minha esposa também tirou uma licença estendida
de seis meses e voltou a trabalhar em novembro de 2025. E quando ela voltou,
utilizei a segunda parte da minha licença para cuidar do bebê”, comentou. “Foi
uma experiência maravilhosa”
Luciano
também disse que a licença estendida foi essencial para cuidar da esposa.
“Minha esposa teve complicações após o parto. Estar disponível para apoiá-la e
cuidar do nosso bebê em um momento tão sensível fez a diferença para nós. Por
conta das complicações após o parto, também tivemos muitas consultas médicas
para o nosso filho, além do habitual, e a licença permitiu estar presente de
uma forma que não teria sido possível se precisasse estar trabalhando.
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Saúde do bebê
A
médica pediatra Camilla Florenciano destacou o impacto da presença do pai na
saúde e no desenvolvimento da criança: “Os primeiros dias de vida são
extremamente sensíveis para a formação do vínculo entre o bebê e os cuidadores.
A presença do pai nesse momento ajuda a dividir responsabilidades, fortalece a
rede de apoio da mãe e contribui para o desenvolvimento emocional da criança”
Camila
também disse que o apoio do pai pode auxiliar no período de recuperação da mãe:
“Os primeiros dias de vida são extremamente sensíveis para a formação do
vínculo entre o bebê e os cuidadores. A presença do pai nesse momento ajuda a
dividir responsabilidades, fortalece a rede de apoio da mãe e contribui para o
desenvolvimento emocional da criança”
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Direitos garantidos aos pais pela CLT
O
advogado trabalhista Cássio Moura listou e discorreu sobre os direitos dos
trabalhadores que se tornam pais, assegurados pela Consolidação das Leis do
Trabalho (CLT). “Na prática, o que vemos são muitas empresas tratando esses
direitos como se fossem um favor. E não são. São direitos garantidos. Já vi
trabalhador ser prejudicado por simplesmente acompanhar a esposa grávida em
consulta, tendo o dia descontado ou lançado no banco de horas. Isso está
errado”, afirma o especialista.
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Licença-paternidade maior do que cinco dias
Na
maioria dos casos, o direito à licença-paternidade é de cinco dias, garantido
por lei, a partir do nascimento do filho. No entanto, empresas participantes do
Programa Empresa Cidadã podem estender esse período por mais 15 dias,
totalizando 20 dias de afastamento remunerado.
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Acompanhamento em consultas médicas
Os pais
possuem o direito de se ausentar do trabalho, uma vez por ano, para acompanhar
filhos de até seis anos em consultas médicas, sem prejuízo no salário, conforme
previsto no artigo 473 da CLT. Além disso, também podem acompanhar a gestante,
seja esposa ou companheira, em até seis consultas médicas durante toda a
gestação.
“Muitos
pais deixam de levar o filho ao médico por medo de desconto ou algum tipo de
represália. Isso ainda acontece muito. A lei garante esse direito justamente
para permitir esse cuidado básico”, destaca Cássio. “No caso das consultas
durante a gestação, também não há margem para desconto ou compensação. O
trabalhador apresenta a declaração médica, e a ausência é justificada”.
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Estabilidade provisória e adoção
Embora
a estabilidade provisória seja, historicamente, vinculada à gestante, há
situações em que o pai também pode ter proteção contra demissão sem justa
causa, como nos casos de adoção. O entendimento do Tribunal Superior do
Trabalho (TST) tem evoluído no sentido de reconhecer a necessidade de estender
essa proteção ao adotante, independentemente do gênero.
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Falecimento da mãe e substituição da licença
Outro
ponto pouco debatido é o direito à licença-maternidade em caso de falecimento
da mãe. O benefício pode ser transferido ao pai por todo o período restante,
garantindo que ele possa assumir os cuidados com o recém-nascido.
Segundo
o advogado, práticas como descontos indevidos ou lançamentos no banco de horas
nesses casos podem ser questionadas judicialmente, inclusive com possibilidade
de devolução dos valores. “No fim, não é só uma discussão sobre quantidade de
dias. É reconhecer que o pai também cuida, também participa e precisa estar
presente desde o início. A lei já garante isso. O que ainda falta, muitas
vezes, é fazer com que esse direito seja respeitado na prática”
Fonte:
Correio Braziliense

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