quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Você encararia viver e trabalhar na Antártida? As surpreendentes vagas no continente

Tanto as bases de pesquisa do Reino Unido quanto as dos Estados Unidos na Antártida estão recrutando uma nova leva de profissionais para “ir para o sul”. Não é preciso ser cientista. Há vagas que vão de carpinteiros e eletricistas a chefs e até cabeleireiros. Mas você suportaria o frio e o isolamento?

Desde que deixou sua cidade natal, Wigan, no norte da Inglaterra, aos 19 anos, Dan McKenzie trabalhou em diversos lugares remotos ao redor do mundo. Hoje, aos 38, o ex-engenheiro naval ocupa o que descreve como o posto mais isolado e desafiador de sua trajetória: é chefe da estação Halley VI, na Antártida. A base é uma das cinco administradas pelo British Antarctic Survey (BAS), o instituto britânico de pesquisa polar. “Eu sempre fui aventureiro e interessado em encontrar os lugares mais selvagens”, disse McKenzie à BBC, em entrevista por videochamada via satélite. “Eu era marinheiro e não queria continuar em navios; mas buscava fazer algo semelhante. Achei que isso combinava bem com as habilidades que tenho.”

Enquanto McKenzie descreve o seu trabalho, é um dia de verão antártico, com temperatura de -15°C. Do lado de fora de sua janela, se vê uma imensidão branca que se estende até onde a vista alcança, sob um céu igualmente vasto e azul. “Essa temperatura é até boa aqui, de verdade”, afirma. “Menos cinco é o máximo que se chega. Pode cair até os -40°C, mas a média fica em torno de -20°C”. McKenzie é responsável por uma equipe de 40 pessoas na Halley VI durante a temporada de verão na Antártida, que vai de novembro até meados de fevereiro.

As estações do BAS monitoram diferentes aspectos da fauna e do ambiente. A Halley VI se dedica à coleta de dados espaciais e atmosféricos, no estudo da plataforma de gelo Brunt (uma extensa massa de gelo que se desprendeu do continente e flutua no oceano a um ritmo de 400 metros por ano), onde a base está instalada, próxima à costa, e no monitoramento do buraco na camada de ozônio da Terra. Além do frio extremo, o verão antártico impõe outro desafio: a luz do dia ininterrupta, que só termina com um pôr do sol que pode durar semanas.

McKenzie chegou ao cargo de chefe de estação após concluir seu primeiro contrato “no gelo”, em 2019. Ele começou como engenheiro de manutenção mecânica na Estação de Pesquisa Rothera, do BAS, a cerca de 1.600 km da Halley VI. Como líder da base, é responsável pela gestão de suprimentos, pelos protocolos de saúde e segurança e pelo treinamento da equipe. Ele também precisa oferecer apoio emocional quando o isolamento ou os conflitos interpessoais, em um ambiente de convivência intensa, se tornam difíceis de administrar. “As pessoas entram no seu escritório e dizem que não estão tendo um dia muito bom, ou que algo aconteceu em casa, e você precisa tentar ver como pode apoiá-las. É um trabalho bastante variado.”

McKenzie integra o grupo de 120 funcionários do BAS que estiveram na Antártida durante a temporada de verão, agora em fase de encerramento. A maioria, incluindo ele, retornará ao Reino Unido até o fim de maio. Cerca de 50 permanecerão durante o inverno, quando o continente mergulha na escuridão. No restante do ano, McKenzie ficará baseado na sede do BAS, em Cambridge (Reino Unido). Ele já passou um inverno completo na Antártida. “Quando o inverno chega, você sente uma incrível sensação de liberdade, porque a maioria das pessoas vai embora”, afirma. “Você se sente a pessoa mais livre do mundo. Você tem esse pequeno grupo muito unido, todos realmente se importam uns com os outros — vira uma pequena família. Todos cuidam de todos.”

O BAS recruta até 150 novos profissionais por ano para atuar na Antártida. Embora as funções científicas e de engenharia especializadas formem a espinha dorsal das equipes, cerca de 70% das vagas são operacionais, essenciais para manter as estações em funcionamento. Além de eletricistas e chefs, o quadro inclui paramédicos, médicos e encanadores. Os salários começam em £ 31.244 por ano (cerca de R$ 218.000), com viagem, hospedagem, alimentação e equipamentos adequados às temperaturas extremas custeados pela instituição. No total, cerca de 5 mil pessoas trabalham na Antártida durante os meses de verão, distribuídas por 80 estações de pesquisa operadas por aproximadamente 30 países.

Tanto o BAS quanto seu equivalente americano, o United States Antarctic Program, divulgam vagas na internet. O BAS também promove um dia aberto ao público em março. Quem se sente atraído pelo apelo da aventura, porém, deve ter clareza sobre as condições: alimentos frescos são escassos, o consumo de álcool é limitado e a acomodação nas bases do BAS é feita em dormitórios compartilhados. As equipes trabalham em escala de sete dias.

O processo seletivo do BAS inclui testes para avaliar a capacidade de lidar com conflitos e resolver problemas, seguidos de treinamento prévio rigoroso para os candidatos aprovados. Ainda assim, mais do que os desafios físicos e o frio, é a convivência constante com colegas e a rotina estruturada que costumam gerar mais dificuldades, afirma Mariella Giancola, diretora de Recursos Humanos do BAS. Ela compara a experiência a “voltar para a universidade”. “Muita gente diz: ‘Não tenho problema em lidar com pessoas’. E depois percebe que não se sente confortável dividindo espaços com outras pessoas. É preciso estar bem com o fato de que você não terá privacidade, porque as pessoas estão o tempo todo ao seu redor. Você sai da liberdade que tem em casa e passa a seguir as regras e os regulamentos definidos pelo chefe da estação. Um pequeno número de pessoas tem dificuldade com isso.”

O psicólogo clínico Duncan Precious exerceu essa função nas Forças Armadas britânicas e australianas entre 2013 e 2020. Atualmente, é diretor clínico e consultor de resiliência na CDS Defence & Security, empresa de consultoria na área de defesa.

Embora o potencial de riscos físicos na Antártida seja elevado, Precious afirma que a dinâmica social pode se mostrar ainda mais problemática. Quando as relações se desgastam, as consequências podem ser difíceis de reparar e de controlar, diz. No entanto, observa que o perfil de quem se sente atraído por viver e trabalhar na Antártida tende a prosperar sob o que chama de “estresse positivo” — de modo semelhante ao que ocorre com pessoas que optam pela carreira militar.

Apesar das exigências físicas e emocionais do trabalho, McKenzie, da BAS, afirma que nada supera as experiências vividas, nem a satisfação de contribuir para a pesquisa ambiental. “Quando cheguei aqui pela primeira vez, foi difícil dividir quarto com outras pessoas, e o tempo estava bastante desagradável. No primeiro mês, pensei: ‘Talvez isso não seja para mim’”, reconhece. “Mas então você começa a sair, vê baleias, focas e ilhas em passeios de barco, faz pequenos voos em aeronaves leves e pensa: ‘Isso é extraordinário’. Este ano, tive a sorte de ver uma colônia de pinguins-imperadores. É como algo saído de um documentário de David Attenborough (apresentador, locutor e naturalista britânico).”

¨      Os segredos escondidos embaixo do gelo da Antártida

Um novo mapa revelou a paisagem sob o gelo da Antártida com detalhes inéditos, algo que, segundo os cientistas, pode ampliar significativamente a compreensão do continente branco e congelado. Os pesquisadores usaram dados de satélite e a física do movimento das geleiras da Antártida para estimar como o continente poderia ser sob o gelo. E encontraram evidências de milhares de colinas e cordilheiras até então desconhecidas. Segundo os pesquisadores, seus mapas de algumas das cadeias montanhosas ocultas da Antártida estão mais nítidos do que nunca. Embora os mapas possam apresentar imprecisões, os pesquisadores acreditam que os novos detalhes podem esclarecer como a Antártida responderá às mudanças climáticas e o que isso significará para a elevação do nível do mar. “É como se antes você tivesse uma câmera analógica com imagem granulada e agora tivesse uma imagem digital bem ampliada do que realmente está acontecendo”, disse a pesquisadora Helen Ockenden, da Universidade Grenoble-Alpes (França), principal autora do estudo, em entrevista à BBC News.

Graças aos satélites, os cientistas têm hoje uma boa compreensão da superfície gelada da Antártida, mas o que existe por baixo do gelo continuava sendo, em grande parte, um mistério. Na verdade, sabe-se mais sobre a superfície de alguns planetas do Sistema Solar do que sobre grande parte do “lado oculto” da Antártida, a topografia sob a camada de gelo. Agora os pesquisadores afirmam ter o que eles acreditam ser o mapa mais completo e detalhado já feito dessa região subterrânea.

“Fico realmente empolgado ao olhar para isso e ver, de uma só vez, todo o leito da Antártida”, afirmou o glaciologista Robert Bingham, da Universidade de Edimburgo (Escócia), coautor do estudo. “Acho isso impressionante.”

As medições tradicionais feitas a partir do solo ou do ar usam radar para “enxergar” sob o gelo, que em alguns pontos chega a quase 5 km de espessura, geralmente ao longo de linhas ou trajetos isolados de levantamento. Mas esses trajetos podem estar separados por dezenas de quilômetros, o que obriga os cientistas a preencher grandes lacunas. “Se você imaginasse as Highlands da Escócia ou os Alpes europeus cobertos de gelo e a única forma de entender seu relevo fossem voos ocasionais separados por vários quilômetros, não haveria como identificar todas aquelas montanhas e vales íngremes que sabemos que existem”, disse Bingham.

Para contornar isso, os pesquisadores adotaram uma nova abordagem, combinando dados de satélite sobre a superfície do gelo com o conhecimento físico de como ele se move, e comparando esses resultados com os registros obtidos nos levantamentos anteriores. “É um pouco como andar de caiaque em um rio: quando há pedras sob a água, às vezes surgem redemoinhos na superfície, que dão pistas sobre o que está embaixo”, explicou Ockenden, da Universidade de Grenoble-Alpes. “O gelo, obviamente, flui de uma forma diferente da água, mas, ainda assim, quando ele fluindo sobre uma elevação ou colina no leito rochoso, isso se reflete tanto na topografia da superfície quanto na velocidade do fluxo.”

Embora já se conhecessem as principais cadeias montanhosas da Antártida, essa nova metodologia revelou dezenas de milhares de colinas e cristas até então desconhecidas, além de detalhes muito mais precisos de montanhas e cânions enterrados sob o gelo. “Acho muito interessante observar todas essas novas paisagens e ver o que existe ali”, disse Ockenden. “É como quando você vê, pela primeira vez, um mapa topográfico de Marte e pensa: ‘uau, isso é fascinante, isso parece um pouco com a Escócia’ ou ‘isso não se parece com nada que eu já tenha visto antes’.” Uma das descobertas mais intrigantes é um canal profundo escavado no leito da Antártida em uma área conhecida como Bacia Subglacial de Maud. O canal tem, em média, 50 metros de profundidade, 6 km de largura e se estende por quase 400 km, um pouco menos que a distância entre São Paulo e Rio de Janeiro.

O novo mapa elaborado pelos pesquisadores dificilmente será definitivo. Ele se baseia em pressupostos sobre a forma exata como o gelo se desloca, o que, como qualquer método, envolve incertezas. Além disso, ainda há muito a ser descoberto sobre as rochas e os sedimentos que estão sob a camada de gelo. Mesmo assim, outros pesquisadores concordam que, combinado a levantamentos adicionais feitos em terra, no ar e no espaço, o mapa representa um avanço importante. “É um produto realmente muito útil”, disse Peter Fretwell, pesquisador sênior do British Antarctic Survey, em Cambridge (Reino Unido), que não participou do novo estudo, mas esteve amplamente envolvido em mapeamentos anteriores. “Ele nos dá a oportunidade de preencher as lacunas entre esses levantamentos”, acrescentou.

Segundo os autores do estudo, uma compreensão mais detalhada de cristas, colinas, montanhas e canais pode aprimorar os modelos computacionais que projetam como a Antártida pode mudar no futuro. Isso ocorre porque essas formas de relevo acabam determinando a velocidade com que as geleiras acima se movem e o ritmo de seu recuo em um clima em aquecimento. Esse ponto é crucial porque a velocidade futura do derretimento na Antártida é considerada uma das maiores incógnitas da ciência do clima. “[Este estudo nos dá] uma visão mais clara do que vai acontecer no futuro e de quão rapidamente o gelo da Antártida vai contribuir para a elevação do nível global do mar”, concordou Fretwell.

O estudo foi publicado na revista científica Science.

¨      Os países que reivindicam controle da Antártida

Antártida não é um país: não tem governo nem população indígena. Todo o continente é reservado para a ciência. No início do mês, o presidente do ChileGabriel Boric, fez uma visita histórica ao Polo Sul, se tornando o primeiro líder latino-americano a visitar o ponto mais ao sul do planeta. E lembrou ao mundo que seu país reivindica soberania sobre parte do continente. Mas o Chile não está sozinho. Vários países reivindicam controle sobre partes da Antártida — e muitos outros estão presentes lá.

Quais são estes países? E que direito eles têm?

A Antártida é o quarto maior continente do mundo — depois da Ásia, América e África —, e um dos lugares mais cobiçados do planeta. Sete países reivindicam partes de seu extenso território de 14 milhões de quilômetros quadrados. Alguns são países vizinhos, como ArgentinaAustrália, Chile e Nova Zelândia. Mas três nações europeias — França, Noruega e Reino Unido — também reivindicam soberania sobre partes da Antártida. A Argentina foi a primeira a estabelecer uma base permanente na região e a declarar sua soberania ali, em 1904. A Base Orcadas é a estação científica mais antiga ainda em funcionamento na Antártida. O país sul-americano considerava a região como uma extensão de sua província mais ao sul, Terra do Fogo, assim como as Ilhas Malvinas (ou Falklands), Geórgia do Sul e Sandwich do Sul.

<><> Argentina, Reino Unido e Chile

No entanto, o Reino Unido, que controla estas ilhas, fez sua própria reivindicação de parte da Antártida em 1908, reivindicando uma região que engloba toda a área requisitada pela Argentina. O Chile apresentou sua própria reivindicação anos depois, em 1940, também com base no fato de que se tratava de uma extensão natural de seu território. A Antártica chilena — como é conhecida no país — faz parte da região de Magalhães, a mais ao sul das 16 regiões em que o país se divide, e se sobrepõe em partes aos territórios reivindicados pela Argentina e pelo Reino Unido. As outras reivindicações de soberania se baseiam nas ocupações realizadas por famosos exploradores da Antártida no início do século 20.

A da Noruega é baseada nas explorações de Roald Amundsen, o primeiro a alcançar o Polo Sul geográfico em 1911. E as reivindicações da Nova Zelândia e da Austrália têm como base as proezas de James Clark Ross, que hasteou a bandeira do Império Britânico em territórios que foram colocados sob a administração destes dois países pela Coroa Britânica em 1923 e 1926, respectivamente. Enquanto isso, a França também reivindica uma pequena porção de solo antártico que foi descoberto em 1840 pelo comandante Jules Dumont D’Urville, que o chamou de Terra de Adélia, em homenagem à sua esposa.

<><> Sem donos

Além destas reivindicações soberanas, 35 outros países, incluindo Alemanha, Brasil, China, Estados Unidos, Índia e Rússia, possuem bases permanentes no chamado continente branco. No entanto, o lugar que muitos chamam de Polo Sul (por conter o Polo Sul geográfico) não pertence a ninguém. Desde 1961, ele é administrado por um acordo internacional, o Tratado da Antártida, que foi originalmente assinado em 1º de dezembro de 1959 pelos sete países com reivindicações soberanas, além de cinco outros: Bélgica, Estados Unidos (onde o acordo foi assinado), Japão, África do Sul e Rússia. O tratado, assinado no contexto da Guerra Fria, buscava evitar uma escalada militar, declarando que “é do interesse de toda a humanidade que a Antártida continue a ser usada exclusivamente para fins pacíficos, e não se torne palco ou objeto de discórdia internacional”. O pacto congelou as reivindicações territoriais existentes, e estabeleceu que a Antártida se tornasse uma reserva científica internacional. Também proibiu testes nucleares e “qualquer medida de natureza militar, exceto para auxiliar as pesquisas científicas”.

Desde então, 42 outras nações aderiram ao tratado, embora apenas 29 — aquelas com “atividades de pesquisa significativas” — tenham poder de voto e possam tomar decisões sobre o presente e o futuro da Antártida. Até agora, todos os países membros do pacto concordaram em continuar a proibir qualquer outra atividade no continente que não seja científica.

<><> Quais as riquezas da Antártida?

Mas por que tanto interesse em um continente coberto quase totalmente por gelo?

Um dos principais motivos tem a ver com o que potencialmente está sob o gelo: recursos naturais abundantes. “Há uma razão pela qual os geólogos geralmente ocupam a posição de maior destaque (nas bases científicas da Antártida)”, diz o documentarista e jornalista Matthew Teller, que escreveu exaustivamente para a BBC sobre o continente branco. Embora as atividades de prospecção de petróleo e mineração sejam proibidas pelo Tratado da Antártida, a exploração para fins científicos é permitida. Assim, os especialistas conseguiram estimar que sob o solo da Antártida há cerca de 200 bilhões de barris de petróleo, segundo Teller. “Muito mais do que no Kuwait ou em Abu Dhabi”, destaca. Atualmente, no entanto, não é viável explorar esses recursos, uma vez que — além de ser expressamente proibido — o custo de extração seria muito alto. Isso porque, diferentemente do Ártico, que é composto principalmente de oceano congelado, a Antártida é um continente rochoso coberto de gelo. E essa camada de gelo pode ter até quatro quilômetros de profundidade. Ao mesmo tempo, a construção de plataformas de petróleo offshore na costa da Antártida, onde se acredita que existam vastas reservas de petróleo e gás, também seria muito onerosa porque a água congela no inverno.

<><> Renovação do tratado

No entanto, adverte Teller, “é impossível prever em que situação a economia mundial vai estar em 2048, quando será o momento de renovar o protocolo que proíbe a prospecção na Antártida. Nesse cenário, um mundo faminto por energia poderia estar desesperado”, afirma. Além de petróleo e gás, acredita-se que a região seja rica em carvão, chumbo, ferro, cromo, cobre, ouro, níquel, platina, urânio e prata. O Oceano Antártico também tem grandes populações de krill e peixes, cuja pesca é regulamentada pela Comissão para a Conservação dos Recursos Marinhos Vivos da Antártida. Todas essas riquezas naturais explicam por que os países que reivindicam partes do continente também foram até a Organização das Nações Unidas (ONU) para exigir seus direitos de propriedade sobre o fundo do mar adjacente aos territórios que reivindicam. Em 2016, a Comissão sobre os Limites da Plataforma Continental (CLPC, na sigla em inglês) da ONU reconheceu o direito da Argentina de estender seus limites externos no Atlântico Sul, permitindo que o país sul-americano adicionasse 1,6 milhão de quilômetros quadrados de área marítima.

<><> Áreas em disputa

No entanto, a CLPC não se pronunciou sobre a reivindicação relacionada aos territórios antárticos (nem da Argentina, nem de qualquer outro país), uma vez que o órgão não considera nem emite recomendações sobre áreas em disputa. O continente branco possui mais dois usos em potencial que são únicos, mas menos conhecidos do que as riquezas naturais tradicionais. Enquanto muitos se concentram nos possíveis benefícios econômicos que se encontram a quilômetros sob o gelo ou nos mares, eles ignoram o que muitos acreditam que vai ser o bem mais precioso no futuro: a água doce.

<><> Benefícios menos conhecidos

O gelo que cobre a Antártida é a maior reserva de água doce do mundo, um recurso essencial escasso que pode um dia valer mais que o ouro.

Estima-se que a Antártida contenha 70% da água doce do planeta, já que 90% de todo o gelo da Terra está concentrado lá. E há muito mais água doce congelada do que a encontrada no subsolo, nos rios e nos lagos. Se considerarmos que 97% da água do mundo é salgada, é fácil entender a importância deste recurso hídrico congelado no extremo sul do planeta. A outra vantagem pouco conhecida da Antártida tem a ver com seus céus, que são particularmente limpos e excepcionalmente livres de interferência de rádio. Isso os torna ideais para pesquisas no espaço profundo e rastreamento por satélite. “Mas também são ideais para o estabelecimento de redes secretas de vigilância e para o controle remoto de sistemas de armas de ataque”, adverte Teller.

A Austrália alertou que a China poderia usar sua base científica de Taishan — a quarta do país na Antártida, construída em 2014 — para vigilância. “As bases na Antártida estão tendo cada vez mais um ‘uso duplo’: pesquisa científica que é útil para fins militares”, denunciou o governo australiano em 2014. Entretanto, o sistema de navegação por satélite da China, chamado BeiDou, está em conformidade com as regras do Tratado da Antártida, assim como o sistema Trollsat da Noruega.

 

Fonte: BBC News

 

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