Lula,
Bolsonaro, Dilma ou Temer: quem gastou mais no cartão corporativo?
Os
gastos com os chamados cartões corporativos por presidentes da República
voltaram a intenso escrutínio público após o governo de Luiz Inácio Lula da
Silva (PT) divulgar no início de janeiro uma planilha detalhando parte dessas
despesas de 2003 a 2022.
A
divulgação gerou um debate nas redes sociais sobre qual presidente gastou mais
em cartões corporativos. Conforme o próprio governo esclareceu depois, no
entanto, as informações dessa planilha estão incompletas.
Por
isso, para tentar responder qual presidente usou mais o cartão, a BBC News
Brasil fez um levantamento nos dados da Controladoria Geral da União (CGU),
órgão que disponibilizou à reportagem registros do uso dos cartões a partir de
2004 e é a fonte mais completa disponível para os valores totais gastos.
O que a
planilha trouxe de novidade em relação à CGU foi detalhar as despesas
presidenciais, retirando o sigilo de parte delas. Esse sigilo costuma ser usado
com o argumento de que isso preservaria a segurança dos presidentes e seus
familiares.
Vale
esclarecer que os cartões corporativos, que são oficialmente chamado de cartões
de pagamentos do governo federal, são usados não só para despesas da
Presidência da República, mas também de outros órgãos e ministérios. Eles
servem, por exemplo, para bancar despesas de servidores e autoridades em
viagens, ou para pagar alguma despesa emergencial, como uma obra ou manutenção
de algum equipamento (entenda melhor ao longo da reportagem).
A BBC
News Brasil fez, então, duas análises sobre essas despesas. Comparamos os
gastos específicos da Presidência da República e as despesas de todo o governo,
ou seja, de todos os órgãos e ministérios, com esses cartões. Em ambas as
comparações, os dois primeiros governos de Lula aparecem com a maior média
anual de despesas (veja os números e entenda os cálculos ao longo da
reportagem).
Foram
feitas essas duas comparações (despesas da Presidência e despesa total do
governo) porque um dos debates surgidos após a divulgação da planilha é que os
gastos registrados nos cartões corporativos da Presidência nos dois primeiros
governos de Lula incluiriam também despesas de ministérios e, por isso,
somariam valores maiores que a de outras administrações, como os governo de
Temer e Bolsonaro, cujas informações estariam restritas a gastos da
Presidência.
Essa
informação, porém, foi desmentida pela própria Secretaria de Comunicação da
Presidência da República (Secom). Em resposta à BBC News Brasil, o órgão disse
que as despesas da planilha se referiam apenas a gastos da Secretaria Especial
de Administração da Presidência, que não incluem despesas de ministérios e
ficam registradas na CGU com o código 110001.
Os
números da CGU analisados pela reportagem indicam que, na média anual, a
administração Lula foi a que mais gastou com o cartão, tanto quando se
considera o total do governo (R$ 111,6 milhões ao ano), como quando se observa
apenas as despesas da Presidência (R$ 13,6 milhões). Os valores foram
atualizados pela inflação.
Na
outra ponta, a administração Temer aparece como a que menos usou o cartão: R$
66 milhões na média anual de todo o governo, e R$ 6,3 milhões na média anual da
Presidência.
Já
Dilma e Bolsonaro se alternam. O governo dela aparece como o segundo que mais
gastou no total (R$ 105,4 milhões em média), enquanto ele aparece com o segundo
maior gasto quando se considera apenas o uso do cartão pela Presidência (R$
11,3 milhões em média).
Os
dados disponíveis no momento dos cálculos iram até outubro de 2022, já que
ainda não haviam entrado no sistema as despesas de novembro e dezembro.
Eis a
média anual de cada presidente, calculada após atualização das despesas pela
inflação:
<<<
Gasto total do governo com cartões (média anual):
Lula:
R$ 111.615.995,03
Dilma:
R$ 105.359.749,99
Temer:
R$ 66.018.287,49
Bolsonaro:
R$ 66.859.775,58
<<<<
Gasto da Presidência com cartões (média anual):
Lula:
R$ 13.651.977,23
Dilma:
R$ 10.168.224,19
Temer:
R$ 6.352.463,95
Bolsonaro:
R$ 11.297.276,77
>>>>
Entenda melhor a seguir o funcionamento dos cartões corporativos e os cálculos
feitos pela BBC News Brasil.
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Como funciona o cartão corporativo?
O
cartão corporativo passou a ser adotado no governo Fernando Henrique Cardoso
para substituir o uso de cheques em compras emergenciais e de baixo valor,
quando não é possível seguir os trâmites normais de uma licitação ou de um
processo de dispensa de licitação. Essa categoria de despesa é chamada de
suprimento de fundos.
Cada
órgão que utiliza os cartões tem um responsável nomeado como "ordenador de
despesas", que administra a distribuição dos cartões para alguns
servidores e quais gastos cada um está autorizado a fazer. O próprio ordenador
não pode ter um cartão.
Segundo
os decretos nº 5.355/2005 e nº 93.872/1986, as despesas com cartões podem ser
feitas em três situações:
- para
atender despesas eventuais, inclusive em viagens e com serviços especiais, que
exijam pronto pagamento;
-
quando a despesa deva ser feita em caráter sigiloso, conforme se classificar em
regulamento;
- para
atender despesas de pequeno vulto, assim entendidas aquelas cujo valor, em cada
caso, não ultrapassar limite estabelecido em Portaria do Ministro da Fazenda.
A
própria portaria, porém, prevê que o Ministério da Fazenda e do Planejamento
poderão autorizar outras despesas em ato conjunto.
Já os
limites das despesas estão estabelecidos na Portaria 95/2002 do Ministério da
Fazenda, mas essa norma também estabelece que esses limites podem ser superados
excepcionalmente desde que essa mudança seja justificada em despacho do
ministério responsável pela despesa.
Os
limites gerais estabelecidos são de 10% dos valores fixados na Lei de Licitação
para obras e 10% do fixado na lei para outras despesas, sendo que esses limites
são atualizados pela inflação a cada ano.
No
entanto, essas regras e limites são mais flexíveis e menos claras no caso da
Presidência da República.
Conforme
estabelece o decreto 93.872/1986, alguns órgãos terão regimes especiais de uso
do cartão, devido a suas "peculiaridades" de funcionamento. Isso
inclui órgãos da Presidência da República, da Vice-Presidência da República e
algumas áreas específicas de ministérios, como a o atendimento à saúde indígena
do Ministério da Saúde e algumas repartições do Itamaraty no exterior.
No caso
da Presidência, o regime especial está previsto na portaria nº 141, de março
2022.
Em uma
avaliação das regras feita ao portal de notícias Jota, a organização
Transparência Brasil considerou que essa portaria "tampouco é clara sobre
os termos e limites aplicáveis".
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Entenda a diferença dos dados da planilha e da CGU
Os
gastos com esses cartões são disponibilizados a cada mês no Portal da
Transparência, uma ferramenta administrada pela Controladoria Geral da União
(CGU) que permite acompanhar as despesas do governo.
No
entanto, parte do uso do cartão é mantida em sigilo — ou seja, embora o Portal
traga os valores totais gastos, não é possível saber os detalhes de parte das
operações, como o local da compra, o que foi adquirido e por qual servidor
responsável pelo cartão.
A
justificativa costuma ser a segurança de autoridades ou garantir o sucesso de
ações sigilosas, como operações da Polícia Federal.
A
organização Fiquem Sabendo, especializada em transparência, chegou a solicitar
a queda desse sigilo ao governo Bolsonaro, mas o pedido foi negado. A
justificativa da recusa se baseou neste trecho da Lei de Acesso à Informação:
"As informações que puderem colocar em risco a segurança do Presidente e
Vice-Presidente da República e respectivos cônjuges e filhos(as) serão
classificadas como reservadas e ficarão sob sigilo até o término do mandato em
exercício ou do último mandato, em caso de reeleição".
Com o
fim do mandato de Bolsonaro, portanto, a justificativa para o sigilo caiu e as
informações foram disponibilizadas pelo novo governo, junto com despesas de
outros presidentes desde 2003, atendendo ao pedido da Fiquem Sabendo.
No
entanto, o governo Lula liberou a planilha sem explicar o seu conteúdo, o que
levantou muitas dúvidas e questionamentos sobre qual seria exatamente o escopo
das despesas divulgadas.
Assim
como os números do Portal da Transparência analisados pela BBC News Brasil, o
conteúdo dessa planilha indica que os maiores gastos teriam sido realizados por
Lula nos seus dois primeiros mandatos (2003 a 2010).
Seus
apoiadores, porém, passaram a argumentar que os dados de Lula incluiriam
despesas de todo governo — ou seja, não seriam apenas da Presidência da
República, mas também de ministérios.
Segundo
essa argumentação, as despesas de Lula estariam infladas em relação a de outros
anos, que seriam restritas aos gastos da Presidência da República.
A BBC
News Brasil questionou a Secretaria de Comunicação da Presidência da República
(Secom) no dia 13 de janeiro e, após uma semana, o órgão esclareceu que os
dados divulgados na planilha se referem apenas a gastos relacionados
diretamente aos presidentes, registrados no Portal da Transparência como
despesas da Secretaria Especial de Administração da Presidência (unidade
gestora identificada pelo código 110001).
Ainda
assim, há diferenças entre o conteúdo da planilha e os dados dessa unidade
gestora extraídos pela BBC News Brasil diretamente do Portal da Transparência.
Um
ponto que não foi esclarecido ainda pelo governo é se os dados incluem gastos
dos presidentes em viagens ao exterior, por exemplo. A planilha não parece
incluir essas despesas, enquanto a CGU disse à reportagem que "é possível
que despesas no exterior componham as transações" dos cartões
corporativos.
A nota
da Secom diz ainda que está produzindo uma nova planilha das despesas com
cartão. "Haverá uma nova publicação em breve, uma vez que alguns registros
não foram incluídos na extração original", respondeu o órgão.
A Secom
ressaltou ainda que gastos do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) que
foram classificados como sigilosos "permanecerão sem publicação até o
posicionamento do GSI acerca da persistência ou não das razões para
classificação".
Segundo
o órgão, o governo "divulgará, juntamente com a nova planilha, os
critérios (escopo) utilizados para extração (dos dados)".
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Entenda o levantamento da BBC News Brasil
Diante
do argumento de apoiadores de Lula de que não seria possível comparar os gastos
no cartão corporativo porque as despesas do petista incluiriam mais órgãos do
governo do que as de outros presidentes, a BBC News Brasil fez duas análises.
A
reportagem comparou tanto o total gasto por cada governo como as despesas
relacionadas diretamente ao presidente, por meio da Secretaria Especial de
Administração da Presidência.
Esses
gastos são identificados pela CGU na categoria "cartões de pagamentos do
governo federal". Os dados disponibilizados vão de 2004, segundo ano do
primeiro governo Lula, até outubro de 2022. Ou seja, nem o primeiro ano do
governo Lula , nem os dois meses finais do mandato de Bolsonaro estavam no
sistema.
Em
ambos os casos, foi retirada uma média anual dessas despesas para cada governo
— como cada um dos presidentes governou por uma quantidade diferentes de anos,
não faria sentido comparar o total.
Para
essa comparação, o gasto de cada ano foi atualizado pela inflação (IPCA) até
dezembro de 2022, e depois foi retirada a média de cada presidente.
No caso
de Lula, como o Portal da Transparência fornece apenas dados a partir de 2004,
foi feita a média de sete anos de gestão (2004 a 2010), ficando de fora o
primeiro ano do mandato.
O valor
total gasto pelo governo corrigido pela inflação ficou em R$ 781.311.965,24,
dando uma média anual de R$ 111,6 milhões.
Já o
gasto da Secretaria Especial de Administração da Presidência somou R$
95.563.840,61 em sete anos, uma média de R$ 13,6 milhões.
Para
Dilma, foram considerados os anos de 2011 a 2015 (cinco anos), já que em 2016
ela foi afastada do cargo em abril. O total do governo deu R$ 526.798.749,95, e
a média anual ficou em R$ 105,4 milhões.
A
despesa da Secretaria Especial de Administração da Presidência com cartão somou
R$ 50.841.120,94 nos cinco anos da presidente (R$ 10,2 milhões em média)
Para
Temer, foram considerados apenas 2017 e 2018, já que são os únicos anos
completos de mandato, o que significou um total de R$ 132.036.574,98 para o
governo e uma média de R$ 66 milhões.
No seu
caso, a Secretaria Especial de Administração da Presidência gastou R$
12.704.927,90 com cartão nos dois anos, ou R$ 6,3 milhões em média.
E, para
Bolsonaro, foi feita a média dos quatro anos de governo (2019 a 2022). O total
gasto por sua administração com cartões deu R$ 267.439.102,32, com a média
anual em R$ 66,8 milhões.
Já a
Secretaria Especial de Administração da Presidência somou R$ 45.189.107,08 no
cartão. Na média anual, o gasto ficou em R$ 11,3 milhões.
O que
mais chama atenção é a grande diferença entre o gasto médio total dos governos
Lula e Dilma e dos governos dos outros dois presidentes.
Uma
possível razão para essa diferença é que Lula e Dilma tinham mais ministérios
do que Bolsonaro e Temer. Os petistas consideram que é importante uma maior
número de pastas para implementar políticas públicas, enquanto os outros dois
adotaram uma estrutura mais enxuta, com o argumento de que o Estado deve ser
mais eficiente.
Um
conclusão mais fundamentada, porém, demanda uma análise mais aprofundada das
despesas.
Vale
notar que o total do governo Bolsonaro ainda deve subir, já que não foram
contabilizadas despesas dos últimos dois meses do seu mandato. Mas parece
improvável que esse período eleve o gasto médio anual total do governo acima do
registrado por Lula e Dilma.
A
despesa específica da presidência também deve subir um pouco. Como Bolsonaro
reduziu muito suas viagens no final de 2022, após a derrota para Lula, esse
impacto tende a ser suavizado devido aos gastos relativamente menores com
alimentação, hospedagem e segurança nesses deslocamentos.
Sobre
os dados analisados, vale ainda destacar que a CGU não oferece uma apresentação
padronizada. O Portal da Transparência mantém apenas dez anos de gastos dos
governos (2013 a 2022) para consulta online.
"Isso
se deve à necessidade de se manter um volume administrável de dados em disco,
de maneira a não comprometer o desempenho do Portal", explicou a
instituição.
Já as
despesas com cartão corporativo de 2004 a 2012 foram enviadas em planilhas de
Excel após a solicitação da reportagem.
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Sigilo questionado
Para
Gil Castello Branco, secretário-geral da organização Contas Abertas, é
compreensível que algumas despesas sejam sigilosas, como operações da Polícia
Federal que não podem ser antecipadas com emissões de notas de empenho,
descrevendo previamente os nomes dos agentes, o local, e a data das compras.
"Em
fóruns internacionais, são debatidos, inclusive, o sigilo ou não, por exemplo,
da padaria onde é comprado o pão para a residência oficial do presidente da
República. Supostamente, essa informação facilitaria um eventual
atentado", acrescenta.
Na sua
avaliação, porém, parte das informações não é divulgada porque as autoridades
temem algum constrangimento.
"Costumo
dizer que os presidentes não têm salário, e sim poupança. Tudo o que
imaginarmos relacionados ao dia a dia da família presidencial e seguranças são
pagos pelos cidadãos. E os presidentes, seja quem for, comem iguarias
preparadas por chefs famosos, vestem-se bem orientados por estilistas, têm
cabeleireiros e outros serviços pessoais à disposição, consomem bebidas
alcoólicas, etc", exemplifica.
"São
despesas pagas pelos contribuintes que, se reveladas, pensam as autoridades,
geram constrangimento perante os eleitores", acredita Castello Branco, que
defende a ampla divulgação das despesas com os cartões corporativos, com
exceção apenas das que envolvam a segurança do presidente e de seus familiares.
A
planilha divulgada pelo governo neste mês, por exemplo, que todos os quatro
presidentes eram clientes do mercado La Palma, um comércio gourmet em Brasília.
No
total, a Presidência da República consumiu cerca de R$ 3,6 milhões nas duas
unidades do mercado, em valores não atualizados pela inflação. Lula, em oito
anos, usou o cartão em compras que somaram R$ 1,175 milhão. Dilma, por sua vez,
gastou cerca de R$ 1,2 milhão em pouco mais de cinco anos. Já as despesas de
Temer somaram R$ 492 mil em cerca de dois anos e meio. Enquanto Bolsonaro
consumiu cerca de R$ 680 mil em quatro anos.
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Polêmicas novas e antigas
Essas
despesas têm sido alvo de polêmicas desde que o cartão corporativo foi adotado
no governo Fernando Henrique Cardoso.
Em
2008, no segundo mandato de Lula, o Senado chegou a instalar uma Comissão
Parlamentar de Inquérito para apurar o uso dos cartões. Um dos investigados foi
o então ministro dos Esportes, Orlando Silva (PCdoB-SP), que virou alvo após
pagar R$ 8,30 em uma tapioca em Brasília com o cartão corporativo. Ele alegou
que se enganou no momento do pagamento e que ressarciu o valor, já que o cartão
só poderia ser usado em viagens.
Também
sofreu questionamento uma despesa de R$ 20.112 com diárias em hotel e
alimentação, em uma viagem ao Rio de Janeiro para qual levou a esposa, sua
filha bebê e uma babá. Ele argumentou que estava em agenda oficial e que a
presença de sua mulher fazia parte do protocolo da viagem.
Apesar
disso, Silva decidiu devolver do próprio bolso R$ 30.870,38 gastos com o cartão
em dois anos como ministro.
No caso
de Bolsonaro, algumas despesas também chamam atenção, como gastos elevados com
alimentação e abastecimento de combustível em dias que o ex-presidente realizou
motociatas com apoiadores.
Segundo
levantamento do jornal O Globo, o uso do cartão corporativo soma R$ 1,5 milhão
em dias de motociata. A maior parte envolve hospedagens em hotéis de alto
padrão (R$ 865.787), alimentação (R$ 580.181), apoio logístico (R$ 36.047) e
gasolina (R$ 18.691).
Quando
Bolsonaro realizou uma motociata em São Paulo no dia 15 de abril de 2022, por
exemplo, o cartão da presidência realizou sete compras no valor total de R$
62.206 na lanchonete Tony e Thais, que fica em Moema.
Nessa
mesma data, também foram gastos no total R$ 2.614,61 em dois postos de
combustível.
Após a
divulgação desses dados, foi levantado o argumento de que as despesas indicam a
possibilidade de o cartão da presidência ter sido usado não só para os gastos
da equipe presidencial, mas para fornecer lanches e combustível para os
apoiadores que participaram da motociata.
Segundo
Gustavo Badaró, professor de Direito Processual Penal da Universidade de São
Paulo, se isso tiver ocorrido, o ex-presidente poderia ser enquadrado no crime
de peculato (desvio de dinheiro público), que tem pena de 2 a 12 anos de
prisão, além de multa.
Além
disso, poderia ser cobrado a ressarcir os cofres públicos na esfera civil.
Outras
despesas podem levantar esse tipo de suspeita. A planilha revela que Bolsonaro
gastou R$ 55 mil em uma padaria no Rio de Janeiro um dia após a festa de
casamento do seu filho Eduardo Bolsonaro, que ocorreu na cidade em 25 de maio
de 2019.
O
ex-presidente ainda não comentou publicamente essas despesas específicas
reveladas pela planilha.
Ao
responder sobre o tema em agosto, em entrevista a Jovem Pan, Bolsonaro afirmou
nunca ter gastado um centavo do cartão corporativo para si. Disse também que os
gastos eram da equipe de segurança que, segundo ele, teria 80 integrantes que o
acompanhavam em viagens.
Fonte:
BBC News Brasil

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