Trump
fala em paz, mas se prepara para a guerra com o Irã, diz mídia
A
política externa do presidente estadunidense, Donald Trump, em relação ao Irã é
bastante controversa, segundo a agência de notícias britânica BBC.
A
publicação destaca que, apesar das
conversas sobre diplomacia, a administração Trump está realizando o maior envio
de forças militares para o Oriente Médio desde a Guerra do Iraque.
"A
ironia de apelar simultaneamente à paz e ameaçar com uma ação militarsublinhou
os impulsos contraditóriosno cerne da política externa de Trump [...]. Talvez
em nenhum outro lugar essa contradição seja mais evidente do que no impasse
entre Washington e Teerã, um impasse que se agravou rapidamente e que agora
pode levar à maior campanha aérea dos EUA em anos", ressalta o artigo.
Além
disso, é apontado que a ameaça de Trump de atacar o Irã não pode ser descartada
como uma mera tática de negociação, considerando que, da última vez, sua ameaça
de ação militar contra a
Venezuela resultou em um ataque real dos EUA em janeiro.
A
matéria pondera, porém, que enquanto na Venezuela a operação tinha um objetivo
claro e terminou com a captura de Maduro, no caso do Irã, a lógica da nova
campanha militar parece muito mais nebulosa.
Segundo
o texto, Trump não ofereceu uma explicação sobre a necessidade de um ataque
contra o Irã.
"Ao
contrário do que aconteceu na Venezuela, os objetivos mais amplos de Trump no
Irã continuam um mistério. Trump revelou poucos detalhes sobre sua visão
dos possíveis cenários para o dia seguinte", acrescenta a BBC.
Ao
mesmo tempo, é enfatizado que, embora o papel de Israel em um possível ataque
ainda não esteja claro, espera-se que o país se junte novamente aos EUA,
como ocorreu durante a campanha do ano passado.
Nesse
contexto, a publicação lembra que na semana passada o primeiro-ministro de
Israel, Benjamin Netanyahu, reuniu-se com Trump
na Casa Branca para discutir a situação. De acordo com o artigo, embora Trump
tenha prometido manter os Estados Unidos longe de conflitos estrangeiros, desde
que assumiu o cargo lançou vários ataques militares.
Uma
campanha prolongada no Irã pode fazer com que ele perca o apoio de seus
eleitores antes das eleições de meio de mandato. Portanto, a BBC conclui que,
em meio a toda a incerteza, Trump mantém o mundo na expectativa ao dizer que ou
um "acordo significativo" será feito, ou "coisas ruins
acontecerão".
Anteriormente,
a revista 19FortyFive escreveu que a agressão
dos EUA contra o Irã prejudicaria a posição estratégica de Washington na região
do Oriente Médio. Segundo a matéria, as bases militares norte-americanas
na região enfrentariam novas ameaças de ataque.
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'Espada de Dâmocles' dos EUA ainda paira sobre Irã, mas ataque parece menos
provável, diz analista
Em meio
a tensões crescentes há três semanas, os EUA enviaram um porta-aviões para o
Oriente Médio, sinalizando uma guerra iminente, mas a situação parece ter
mudado, disse à Sputnik Muhaimar Abu Saada, analista político palestino.
Saada
salientou que continua a haver uma divisão significativa entre as partes,
especialmente no que diz respeito ao programa de mísseis balísticos
do Irã,
que continua a empurrá-las para o confronto.
"Israel
pressiona constantemente o governo dos EUA para que lance um ataque em
grande escala contra o Irã, com o objetivo de minar seus programas nuclear e de
mísseis", ressaltou.
Segundo
ele, as recentes manifestações de um milhão de pessoas em apoio às autoridades
iranianas, realizadas no contexto da recente agitação, enviaram uma mensagem
clara aos EUA: iniciar uma mudança de regime no Irã não será fácil.
O
analista acrescentou que a deterioração da situação no Oriente Médio acarreta
riscos políticos para a Casa Branca.
Nesse
contexto, o especialista destacou que um novo conflito poderia prejudicar
as chances do Partido Republicano nas próximas eleições de meio de
mandato.
Além
disso, Saada elaborou que o Irã está pronto para responder a possíveis ataques
dos EUA, podendo bloquear o estreito de Ormuz ou atingir alvos norte-americanos
na região.
Isso
poderia desestabilizar a situação econômica global e provocar um aumento
nos preços do petróleo.
"Apesar
dos riscos, um compromisso nas negociações em andamento sobre o programa
nuclear iraniano continua sendo uma possibilidade", sublinhou.
Portanto,
o analista concluiu que, se o Irã concordar em limitar o alcance de seus
mísseis, um acordo negociado ainda poderá ser alcançado.
Anteriormente,
o jornal The Washington Post informou que os Estados Unidos planejam
concluir a implantação de tropas no Oriente Médio até meados de março, em caso
de uma possível operação contra o Irã.
Segundo
o material, a administração do presidente dos EUA, Donald Trump, está
deliberadamente tentando mostrar ao público que está aumentando sua presença
militar na região.
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Conselho de Paz de Trump deslancha com governos
autoritários
O
chamado "Conselho de Paz" do presidente
Donald Trump, dos Estados Unidos, se reúne pela primeira vez nesta quinta-feira
(19/02). A agenda deverá focar no futuro da Faixa de Gaza para além do
frágil cessar-fogo entre Israel e Hamas em vigor.
Sem
vários aliados de peso, a iniciativa do americano conta com a adesão de 27
países, dentre pelo menos 60 convidados. Dentre os que embarcaram no Conselho
de Paz, estão sobretudo aliados no Oriente Médio, governos estreitamente
alinhados ao trumpismo ou amplamente acusados de opressão e
autoritarismo.
Entre
eles estão Israel e Arábia
Saudita, além do Egito e Catar, que ajudaram a mediar as negociações para o
cessar-fogo no enclave palestino. Outros países da região incluem Bahrein,
Jordânia, Kuwait, Marrocos, Turquiae Emirados Árabes
Unidos.
"Temos
os maiores líderes do mundo se juntando ao Conselho de Paz", disse Trump a
repórteres no início da semana, segundo reportou a emissora pública NPR.
"Acho que pode ser o conselho mais importante já reunido em qualquer
área."
Hungria,
Albânia, Kosovo, Belarus e Bulgária são os únicos participantes europeus. Ao se
reunir nesta semana com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, o
primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, reforçou o apoio ao Conselho de
Paz.
O chefe
do governo húngaro, que concorre a mais um mandato para a
sua agenda ultraconservadora, destacou ainda o
que vê como um papel-chave de Trump para as negociações da guerra na Ucrânia e
a paz mundial.
Já nas
Américas, três países governados por presidentes conservadores aceitaram o
convite: a Argentina sob Javier Milei, El Salvador sob Nayib Bukele e o Paraguai
de Santiago Peña.
A lista
dos países incluiu ainda Armênia, Azerbaijão, Camboja, Indonésia, Cazaquistão,
Paquistão, Uzbequistão e Vietnã.
As
outras nações rejeitaram o convite — a exemplo de Alemanha, Reino Unido e
França — ou, então, não deram resposta oficial, como Brasil e Rússia. Alguns,
como Itália e União Europeia (UE), estarão presentes nesta quinta-feira
como observadores, sem envolvimento na tomada de decisões. Os palestinos não
foram convidados, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediua sua participação a
Trump no mês passado.
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Levantamento de fundos
Segundo
o chefe da Casa Branca, que preside a reunião inaugural do conselho, o
levantamento de fundos para a reconstrução da Faixa de Gaza é objetivo central
desta quinta-feira. Cinco bilhões de dólares já teriam sido anunciados pelos
países membros.
A proposta inicial do governo
americano, de setembro passado, previa que o Conselho de Paz se limitasse a
tratar do enclave palestino. Mais tarde, entretanto, o estatuto da iniciativa deixaria clara a intenção de
lidar com outros conflitos ao redor do mundo, com Trump como presidente
vitalício.
Segundo
o documento, o órgão deve "promover estabilidade, restaurar uma governança
confiável e legítima e garantir uma paz duradoura" em regiões
"afetadas ou ameaçadas por conflitos" ao redor do mundo.
O
conselho realizará "funções de construção da paz de acordo com o direito
internacional", diz ainda o estatuto. Trump terá amplos poderes
executivos, incluindo a capacidade de vetar decisões e remover membros, sujeita
a algumas restrições.
Diversos
governos e observadores expressaram preocupação com o risco de
que o grupo liderado por Trump se sobreponha às atribuições da Organização das Nações Unidas (ONU). A limitação à
temática de Gaza foi outro pedido de Lula a Trump.
Permanece
incerto qual autoridade legal ou instrumentos de aplicação, se houver, o
conselho terá, ou como trabalhará com a ONU e outras organizações
internacionais.
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Amplos poderes para Trump
O
Conselho de Segurança da ONU aprovou, em novembro, uma resolução redigida pelos
EUA reconhecendo o conselho como uma administração transitória e temporária
"que estabelecerá o marco e coordenará o financiamento para a reconstrução
de Gaza".
O texto
limitava o escopo a Gaza, com mandato até 2027. O Conselho de Paz é obrigado a
apresentar relatórios sobre seu progresso ao Conselho de Segurança a cada seis
meses.
Os
Estados‑membros têm mandatos de três anos, a menos que paguem 1 bilhão de
dólares cada para financiar as atividades do conselho e obter o status de
membro vitalício. Cabe exclusivamente a Trump convidar países para a
iniciativa.
Já que
o seu cargo é vitalício, o presidente só pode ver antecipado o fim do mandato
por renúncia voluntária ou destituição unânime pelos Estados-membros. Cada
presidente deve designar um sucessor, que assume imediatamente o cargo caso ele
deixe a função.
A
posição é, portanto, independente do mandato como presidente dos Estados
Unidos, que pela Constituição americana termina em três anos. Até lá, ele
representa também os EUA como Estado-membro.
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Estrutura colonial
Especialistas
em direitos humanos afirmaram que a nomeação de Trump para supervisionar um
conselho que administra os assuntos de um território estrangeiro assemelha-se a
uma estrutura colonial e criticaram o conselho por não incluir um representante
palestino, embora seu objetivo seja supervisionar a governança temporária de um
território palestino.
O
conselho tem sido alvo de críticas por incluir países com históricos de
violação de direitos humanos, como algumas potências do Oriente Médio, bem como
Belarus e El Salvador.
Houve
críticas específicas à inclusão de Israel em um conselho destinado a
supervisionar a governança temporária de Gaza, visto que o território palestino
foi devastado por um ataque militar israelense que matou dezenas de milhares de
pessoas, causou uma crise de fome, deslocou internamente toda a população do
enclave e levou a acusações de crimes de guerra.
Israel
classificou suas ações como autodefesa após militantes liderados pelo Hamas
matarem 1.200 pessoas e fazerem mais de 250 reféns em um ataque em 2023.
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Teerã prepara acordo nuclear com Washington, garante
chanceler iraniano
O
ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, disse por telefone ao
chanceler russo, Sergei Lavrov, que Teerã está levando a sério as negociações
com Washington para chegar a um acordo sobre a questão nuclear no Irã.
A
situação foi comentada pelo ministério iraniano em seu canal no Telegram.
Segundo a pasta, "durante esta conversa, Araghchi, ao delinear a posição
do Irã sobre a questão nuclear, enfatizou a seriedade com que o país
encara o avanço das negociações com o objetivo de alcançar um acordo justo e
equilibrado que respeite os direitos e interesses do Irã, em conformidade com o
Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares".
De
acordo com o ministro, Teerã planeja preparar o texto de um possível acordo
nuclear para entregar a Washington dentro de dois a três dias.
O
presidente dos EUA, Donald Trump, enquanto considera o uso da força
militar, disse nesta sexta-feira (20) que alertou o governo iraniano a fazer um
acordo justo. Ontem, por sua vez, o chefe da Casa Branca havia declarado
que Teerã tinha até 15
dias para
apresentar uma proposta.
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Mídia: A presença naval dos EUA no Oriente Médio deve continuar crescendo em
meio às tensões com o Irã
A presença naval dos
EUA no Oriente Médio deverá continuar aumentando, à medida que
Washington desloca tropas para a região em meio às tensões com o Irã, informou
o Financial Times nesta sexta-feira, citando uma fonte.
Na
quinta-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que "coisas
ruins" poderiam acontecer se os Estados Unidos e o Irã não chegarem a um
acordo.
Citando
dados da Marinha dos EUA, a mídia informou que pelo menos 12 navios de guerra
norte-americanos estão atualmente
posicionados no Oriente Médio, incluindo um porta-aviões, oito
contratorpedeiros e três navios de combate litorâneo convertidos em caça-minas.
Além
disso, mais três contratorpedeiros e o maior porta-aviões da Marinha dos EUA, o
USS Gerald R. Ford, também estão a caminho do Oriente Médio. Nesta
sexta-feira, inclusive, o USS Gerald R. Ford entrou no mar Mediterrâneo.
Militares
dos EUA planejam atacar indivíduos no Irã, diz mídia
Dois
oficiais norte-americanos disseram à Reuters que as opções agora
incluem atacar indivíduos específicos e até mesmo derrubar o governo de
Teerã, caso Trump ordene.
As
fontes não especificaram quais indivíduos seriam os alvos nem como os militares
dos EUA poderiam tentar uma mudança de regime sem uma grande força terrestre.
O
governo norte-americano, em 2020, já havia ordenado o ataque que culminou na
morte do general iraniano Qassem Soleimani. Mais recentemente,
ataques israelenses durante a guerra dos 12 dias, no ano passado, também
tiveram alvos individuais.
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EUA planejam implantar tropas no Oriente Médio até meados
de março em meio a tensões com Irã, diz mídia
Os
Estados Unidos planejam concluir a implantação de tropas no Oriente Médio até
meados de março, em caso de uma possível operação contra o Irã, informa o
Washington Post citando autoridades estadunidenses.
"Os
conselheiros de segurança nacional [do presidente dos EUA, Donald] Trump se
reuniram no centro de situações na quarta-feira (18) para discutir a situação
com o Irã. Eles foram informados de que todas as tropas dos EUA
implantadas na
região estariam totalmente prontas até meados de março", escreve o jornal.
Ao
mesmo tempo, outras autoridades citadas na publicação relataram que o governo Trump estava
deliberadamente tentando mostrar ao público que estava aumentando sua presença
militar na região.
Na
quinta-feira (19), Trump disse que coisas ruins podem acontecer com o Irã se
Teerã não aceitar o acordo.
Em
carta da Missão Iraniana enviada à Organização das Nações Unidas (ONU) obtida
pela Sputnik, Teerã afirma que as declarações
beligerantes do presidente dos EUA, Donald Trump, demonstram o risco real
de agressão norte-americana contra o Irã, o que poderá gerar consequências
catastróficas para toda a região.
Fonte: Sputnik
Brasil/DW Brasil

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