segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Trump fala em paz, mas se prepara para a guerra com o Irã, diz mídia

A política externa do presidente estadunidense, Donald Trump, em relação ao Irã é bastante controversa, segundo a agência de notícias britânica BBC.

A publicação destaca que, apesar das conversas sobre diplomacia, a administração Trump está realizando o maior envio de forças militares para o Oriente Médio desde a Guerra do Iraque.

"A ironia de apelar simultaneamente à paz e ameaçar com uma ação militarsublinhou os impulsos contraditóriosno cerne da política externa de Trump [...]. Talvez em nenhum outro lugar essa contradição seja mais evidente do que no impasse entre Washington e Teerã, um impasse que se agravou rapidamente e que agora pode levar à maior campanha aérea dos EUA em anos", ressalta o artigo.

Além disso, é apontado que a ameaça de Trump de atacar o Irã não pode ser descartada como uma mera tática de negociação, considerando que, da última vez, sua ameaça de ação militar contra a Venezuela resultou em um ataque real dos EUA em janeiro.

A matéria pondera, porém, que enquanto na Venezuela a operação tinha um objetivo claro e terminou com a captura de Maduro, no caso do Irã, a lógica da nova campanha militar parece muito mais nebulosa.

Segundo o texto, Trump não ofereceu uma explicação sobre a necessidade de um ataque contra o Irã.

"Ao contrário do que aconteceu na Venezuela, os objetivos mais amplos de Trump no Irã continuam um mistério. Trump revelou poucos detalhes sobre sua visão dos possíveis cenários para o dia seguinte", acrescenta a BBC.

Ao mesmo tempo, é enfatizado que, embora o papel de Israel em um possível ataque ainda não esteja claro, espera-se que o país se junte novamente aos EUA, como ocorreu durante a campanha do ano passado.

Nesse contexto, a publicação lembra que na semana passada o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, reuniu-se com Trump na Casa Branca para discutir a situação. De acordo com o artigo, embora Trump tenha prometido manter os Estados Unidos longe de conflitos estrangeiros, desde que assumiu o cargo lançou vários ataques militares.

Uma campanha prolongada no Irã pode fazer com que ele perca o apoio de seus eleitores antes das eleições de meio de mandato. Portanto, a BBC conclui que, em meio a toda a incerteza, Trump mantém o mundo na expectativa ao dizer que ou um "acordo significativo" será feito, ou "coisas ruins acontecerão".

Anteriormente, a revista 19FortyFive escreveu que a agressão dos EUA contra o Irã prejudicaria a posição estratégica de Washington na região do Oriente Médio. Segundo a matéria, as bases militares norte-americanas na região enfrentariam novas ameaças de ataque.

<><> 'Espada de Dâmocles' dos EUA ainda paira sobre Irã, mas ataque parece menos provável, diz analista

Em meio a tensões crescentes há três semanas, os EUA enviaram um porta-aviões para o Oriente Médio, sinalizando uma guerra iminente, mas a situação parece ter mudado, disse à Sputnik Muhaimar Abu Saada, analista político palestino.

Saada salientou que continua a haver uma divisão significativa entre as partes, especialmente no que diz respeito ao programa de mísseis balísticos do Irã, que continua a empurrá-las para o confronto.

"Israel pressiona constantemente o governo dos EUA para que lance um ataque em grande escala contra o Irã, com o objetivo de minar seus programas nuclear e de mísseis", ressaltou.

Segundo ele, as recentes manifestações de um milhão de pessoas em apoio às autoridades iranianas, realizadas no contexto da recente agitação, enviaram uma mensagem clara aos EUA: iniciar uma mudança de regime no Irã não será fácil.

O analista acrescentou que a deterioração da situação no Oriente Médio acarreta riscos políticos para a Casa Branca.

Nesse contexto, o especialista destacou que um novo conflito poderia prejudicar as chances do Partido Republicano nas próximas eleições de meio de mandato.

Além disso, Saada elaborou que o Irã está pronto para responder a possíveis ataques dos EUA, podendo bloquear o estreito de Ormuz ou atingir alvos norte-americanos na região.

Isso poderia desestabilizar a situação econômica global e provocar um aumento nos preços do petróleo.

"Apesar dos riscos, um compromisso nas negociações em andamento sobre o programa nuclear iraniano continua sendo uma possibilidade", sublinhou.

Portanto, o analista concluiu que, se o Irã concordar em limitar o alcance de seus mísseis, um acordo negociado ainda poderá ser alcançado.

Anteriormente, o jornal The Washington Post informou que os Estados Unidos planejam concluir a implantação de tropas no Oriente Médio até meados de março, em caso de uma possível operação contra o Irã.

Segundo o material, a administração do presidente dos EUA, Donald Trump, está deliberadamente tentando mostrar ao público que está aumentando sua presença militar na região.

¨      Conselho de Paz de Trump deslancha com governos autoritários

O chamado "Conselho de Paz" do presidente Donald Trump, dos Estados Unidos, se reúne pela primeira vez nesta quinta-feira (19/02). A agenda deverá focar no futuro da Faixa de Gaza para além do frágil cessar-fogo entre Israel e Hamas em vigor.

Sem vários aliados de peso, a iniciativa do americano conta com a adesão de 27 países, dentre pelo menos 60 convidados. Dentre os que embarcaram no Conselho de Paz, estão sobretudo aliados no Oriente Médio, governos estreitamente alinhados ao trumpismo ou amplamente acusados de opressão e autoritarismo. 

Entre eles estão Israel e Arábia Saudita, além do Egito e Catar, que ajudaram a mediar as negociações para o cessar-fogo no enclave palestino. Outros países da região incluem Bahrein, Jordânia, Kuwait, Marrocos, Turquiae Emirados Árabes Unidos.

"Temos os maiores líderes do mundo se juntando ao Conselho de Paz", disse Trump a repórteres no início da semana, segundo reportou a emissora pública NPR. "Acho que pode ser o conselho mais importante já reunido em qualquer área."

Hungria, Albânia, Kosovo, Belarus e Bulgária são os únicos participantes europeus. Ao se reunir nesta semana com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, reforçou o apoio ao Conselho de Paz. 

O chefe do governo húngaro, que concorre a mais um mandato para a sua agenda ultraconservadora, destacou ainda o que vê como um papel-chave de Trump para as negociações da guerra na Ucrânia e a paz mundial.

Já nas Américas, três países governados por presidentes conservadores aceitaram o convite: a Argentina sob Javier Milei, El Salvador sob Nayib Bukele e o Paraguai de Santiago Peña.

A lista dos países incluiu ainda Armênia, Azerbaijão, Camboja, Indonésia, Cazaquistão, Paquistão, Uzbequistão e Vietnã.

As outras nações rejeitaram o convite — a exemplo de Alemanha, Reino Unido e França — ou, então, não deram resposta oficial, como Brasil e Rússia. Alguns, como Itália e  União Europeia (UE), estarão presentes nesta quinta-feira como observadores, sem envolvimento na tomada de decisões. Os palestinos não foram convidados, e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediua sua participação a Trump no mês passado.

<><> Levantamento de fundos

Segundo o chefe da Casa Branca, que preside a reunião inaugural do conselho, o levantamento de fundos para a reconstrução da Faixa de Gaza é objetivo central desta quinta-feira. Cinco bilhões de dólares já teriam sido anunciados pelos países membros.

proposta inicial do governo americano, de setembro passado, previa que o Conselho de Paz se limitasse a tratar do enclave palestino. Mais tarde, entretanto, o estatuto da iniciativa deixaria clara a intenção de lidar com outros conflitos ao redor do mundo, com Trump como presidente vitalício. 

Segundo o documento, o órgão deve "promover estabilidade, restaurar uma governança confiável e legítima e garantir uma paz duradoura" em regiões "afetadas ou ameaçadas por conflitos" ao redor do mundo.

O conselho realizará "funções de construção da paz de acordo com o direito internacional", diz ainda o estatuto. Trump terá amplos poderes executivos, incluindo a capacidade de vetar decisões e remover membros, sujeita a algumas restrições.

Diversos governos e observadores expressaram preocupação com o risco de que o grupo liderado por Trump se sobreponha às atribuições da Organização das Nações Unidas (ONU). A limitação à temática de Gaza foi outro pedido de Lula a Trump.

Permanece incerto qual autoridade legal ou instrumentos de aplicação, se houver, o conselho terá, ou como trabalhará com a ONU e outras organizações internacionais.

<><> Amplos poderes para Trump

O Conselho de Segurança da ONU aprovou, em novembro, uma resolução redigida pelos EUA reconhecendo o conselho como uma administração transitória e temporária "que estabelecerá o marco e coordenará o financiamento para a reconstrução de Gaza".

O texto limitava o escopo a Gaza, com mandato até 2027. O Conselho de Paz é obrigado a apresentar relatórios sobre seu progresso ao Conselho de Segurança a cada seis meses.

Os Estados‑membros têm mandatos de três anos, a menos que paguem 1 bilhão de dólares cada para financiar as atividades do conselho e obter o status de membro vitalício. Cabe exclusivamente a Trump convidar países para a iniciativa.

Já que o seu cargo é vitalício, o presidente só pode ver antecipado o fim do mandato por renúncia voluntária ou destituição unânime pelos Estados-membros. Cada presidente deve designar um sucessor, que assume imediatamente o cargo caso ele deixe a função.

A posição é, portanto, independente do mandato como presidente dos Estados Unidos, que pela Constituição americana termina em três anos. Até lá, ele representa também os EUA como Estado-membro.

<><> Estrutura colonial

Especialistas em direitos humanos afirmaram que a nomeação de Trump para supervisionar um conselho que administra os assuntos de um território estrangeiro assemelha-se a uma estrutura colonial e criticaram o conselho por não incluir um representante palestino, embora seu objetivo seja supervisionar a governança temporária de um território palestino.

O conselho tem sido alvo de críticas por incluir países com históricos de violação de direitos humanos, como algumas potências do Oriente Médio, bem como Belarus e El Salvador.

Houve críticas específicas à inclusão de Israel em um conselho destinado a supervisionar a governança temporária de Gaza, visto que o território palestino foi devastado por um ataque militar israelense que matou dezenas de milhares de pessoas, causou uma crise de fome, deslocou internamente toda a população do enclave e levou a acusações de crimes de guerra.

Israel classificou suas ações como autodefesa após militantes liderados pelo Hamas matarem 1.200 pessoas e fazerem mais de 250 reféns em um ataque em 2023.

¨      Teerã prepara acordo nuclear com Washington, garante chanceler iraniano

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, disse por telefone ao chanceler russo, Sergei Lavrov, que Teerã está levando a sério as negociações com Washington para chegar a um acordo sobre a questão nuclear no Irã.

A situação foi comentada pelo ministério iraniano em seu canal no Telegram. Segundo a pasta, "durante esta conversa, Araghchi, ao delinear a posição do Irã sobre a questão nuclear, enfatizou a seriedade com que o país encara o avanço das negociações com o objetivo de alcançar um acordo justo e equilibrado que respeite os direitos e interesses do Irã, em conformidade com o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares".

De acordo com o ministro, Teerã planeja preparar o texto de um possível acordo nuclear para entregar a Washington dentro de dois a três dias.

O presidente dos EUA, Donald Trump, enquanto considera o uso da força militar, disse nesta sexta-feira (20) que alertou o governo iraniano a fazer um acordo justo. Ontem, por sua vez, o chefe da Casa Branca havia declarado que Teerã tinha até 15 dias para apresentar uma proposta.

<><> Mídia: A presença naval dos EUA no Oriente Médio deve continuar crescendo em meio às tensões com o Irã

presença naval dos EUA no Oriente Médio deverá continuar aumentando, à medida que Washington desloca tropas para a região em meio às tensões com o Irã, informou o Financial Times nesta sexta-feira, citando uma fonte.

Na quinta-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que "coisas ruins" poderiam acontecer se os Estados Unidos e o Irã não chegarem a um acordo.

Citando dados da Marinha dos EUA, a mídia informou que pelo menos 12 navios de guerra norte-americanos estão atualmente posicionados no Oriente Médio, incluindo um porta-aviões, oito contratorpedeiros e três navios de combate litorâneo convertidos em caça-minas.

Além disso, mais três contratorpedeiros e o maior porta-aviões da Marinha dos EUA, o USS Gerald R. Ford, também estão a caminho do Oriente Médio. Nesta sexta-feira, inclusive, o USS Gerald R. Ford entrou no mar Mediterrâneo.

Militares dos EUA planejam atacar indivíduos no Irã, diz mídia

Dois oficiais norte-americanos disseram à Reuters que as opções agora incluem atacar indivíduos específicos e até mesmo derrubar o governo de Teerã, caso Trump ordene.

As fontes não especificaram quais indivíduos seriam os alvos nem como os militares dos EUA poderiam tentar uma mudança de regime sem uma grande força terrestre.

O governo norte-americano, em 2020, já havia ordenado o ataque que culminou na morte do general iraniano Qassem Soleimani. Mais recentemente, ataques israelenses durante a guerra dos 12 dias, no ano passado, também tiveram alvos individuais.

¨      EUA planejam implantar tropas no Oriente Médio até meados de março em meio a tensões com Irã, diz mídia

Os Estados Unidos planejam concluir a implantação de tropas no Oriente Médio até meados de março, em caso de uma possível operação contra o Irã, informa o Washington Post citando autoridades estadunidenses.

"Os conselheiros de segurança nacional [do presidente dos EUA, Donald] Trump se reuniram no centro de situações na quarta-feira (18) para discutir a situação com o Irã. Eles foram informados de que todas as tropas dos EUA implantadas na região estariam totalmente prontas até meados de março", escreve o jornal.

Ao mesmo tempo, outras autoridades citadas na publicação relataram que o governo Trump estava deliberadamente tentando mostrar ao público que estava aumentando sua presença militar na região.

Na quinta-feira (19), Trump disse que coisas ruins podem acontecer com o Irã se Teerã não aceitar o acordo.

Em carta da Missão Iraniana enviada à Organização das Nações Unidas (ONU) obtida pela Sputnik, Teerã afirma que as declarações beligerantes do presidente dos EUA, Donald Trump, demonstram o risco real de agressão norte-americana contra o Irã, o que poderá gerar consequências catastróficas para toda a região.

 

Fonte: Sputnik Brasil/DW Brasil

 

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