segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

As novas (e avançadas) armas que podem determinar o rumo da guerra entre Rússia e Ucrânia

Os combates continuam sem previsão de término, enquanto a invasão da Ucrânia pela Rússia se aproxima de completar quatro anos, no dia 24 de fevereiro.

Na quinta-feira passada (5/2), uma nova rodada de negociações de paz entre a Rússia e a Ucrânia, mediada pelos Estados Unidos em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, terminou sem fazer avanços.

Enquanto a diplomacia aparentemente faz poucos progressos, teriam surgido novas armas que poderiam mover a balança em favor de um dos dois lados?

<><> Novos mísseis: Flamingo vs. Oreshnik

Os dois exércitos, russo e ucraniano, fazem uso de mísseis balísticos e de cruzeiro. Alguns deles são novos e experimentais.

Os mísseis balísticos viajam em um arco razoavelmente previsível, mas podem ser detectados pelo radar durante o trajeto. Já os mísseis de cruzeiro viajam em baixa altitude, mais perto do solo, e é mais difícil rastreá-los.

A Ucrânia depende muito dos mísseis fornecidos pelos seus parceiros do Ocidente. O país já lançou em direção ao território russo os mísseis balísticos ATACMS, de fabricação americana, e os mísseis Storm Shadow/Scalp, desenvolvidos em conjunto pela França e pelo Reino Unido.

Mas a Ucrânia vem ampliando sua indústria de armas doméstica.

Os ataques profundos são considerados uma parte fundamental desta guerra. Para isso, a Ucrânia usa principalmente drones de longo alcance, segundo o repórter de defesa da BBC Jonathan Beale.

Os ucranianos continuam perdendo terreno para a Rússia em uma linha de frente que se estende por mais de mil quilômetros. Por isso, a Ucrânia tenta atacar cada vez mais a economia de guerra da Rússia para retardar estes avanços, explica Beale.

Desenvolvido pela companhia de defesa ucraniana Fire Point, o míssil de cruzeiro Flamingo representa um avanço importante na produção doméstica de armas de Kiev.

É o tipo de arma de ataque profundo que as nações ocidentais relutam em fornecer, segundo Beale.

Ele pode atingir alvos a 3 mil quilômetros de distância, viajando em velocidades de até 900 km/h. E carrega uma ogiva de 1.150 kg.

Isso significa que o Flamingo pode atingir alvos estratégicos russos muito além do alcance dos drones ou armas de alcance mais curto, como o míssil Netuno.

Seu alcance é similar ao de um Tomahawk americano, uma arma mais cara e sofisticada, que o presidente americano Donald Trump se recusou a oferecer à Ucrânia.

Por ser produzido pelo próprio país, a Ucrânia pode disparar o Flamingo contra qualquer alvo que desejar. Ele não está sujeito às restrições dos seus aliados ocidentais em relação ao combate às forças invasoras da Rússia.

O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, descreveu o Flamingo como um dos mísseis mais bem sucedidos do seu país. Mas poucos detalhes foram publicados sobre seu uso em combate.

Paralelamente, a Rússia desenvolveu o Oreshnik, um novo míssil com alcance de até 5,5 mil quilômetros. Ele se destaca em relação a outros mísseis balísticos devido à sua velocidade.

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, declarou em 2024 que ele poderia atingir 2,5 a 3 km por segundo — o que faz com que interceptar o Oreshnik seja muito mais difícil para a Ucrânia.

Até agora, a Rússia empregou o Oreshnik duas vezes durante a guerra. A primeira vez em novembro de 2024, durante um ataque à cidade de Dnipro, na região central da Ucrânia, e novamente em Lviv, no oeste do país, em janeiro de 2026.

Acredita-se que ele tenha uma ogiva que se fragmente deliberadamente durante sua descida final, em diversos projéteis com alvos independentes, causando repetidas explosões distintas, com pouco tempo de diferença entre si.

<><> Jatos de combate: F-16 vs. Sukhoi

Estimativas indicam que a Ucrânia recebeu aproximadamente a metade dos cerca de 90 caças F-16 prometidos pelos países da Otan, incluindo a Bélgica, Dinamarca, Holanda e Noruega.

Eles são considerados versáteis, de fácil manutenção e capazes de carregar quase qualquer arma padronizada nos países da Otan e nos Estados Unidos.

O F-16 entrou em serviço pela primeira vez nos Estados Unidos em 1978. Muitos exércitos ocidentais estão em processo de aposentar os velhos caças e substituí-los pelo F-35, de fabricação americana, lançado em 2015.

Ainda assim, ele representa um importante avanço para a pequena força aérea ucraniana, que vem usando o jato soviético MiG-29, dos anos 1970, como uma das suas principais aeronaves de combate.

Um piloto de jato ucraniano compartilhou na televisão nacional sua admiração ao ver o caça pela primeira vez.

"O F-16, em comparação com os aviões que pilotamos agora, é como um smartphone ao lado de um antigo telefone celular de botões", afirma ele.

O F-16 é principalmente empregado para fortalecer as defesas aéreas e realizar ataques em terra com precisão. E foi utilizado com grande sucesso, segundo o testemunho de pilotos ucranianos.

Durante uma missão de combate em dezembro passado, por exemplo, um piloto ucraniano derrubou seis mísseis de cruzeiro russos, segundo as forças aéreas da Ucrânia.

Estas missões aéreas de combate defensivo são uma das principais funções dos jatos F-16 na Ucrânia, ainda hoje.

O ponto forte da moderna frota de aviões de combate da Rússia é a família de aeronaves Sukhoi — Su-30, Su-34 e Su-35, sem falar no jato Su-57 de quinta geração, embora ainda não esteja em produção em massa, segundo a BBC News Rússia.

Os Sukhois possuem radares modernos e mísseis ar-ar de longo alcance, como o R-37, que tem alcance declarado de mais de 200 km, pode carregar um míssil grande e uma carga de bombas e também voar por distâncias significativamente maiores que o MiG-29 e o F-16.

A força aérea russa é a segunda mais poderosa do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos, segundo o World Directory of Modern Military Aircraft ("Diretório mundial de aeronaves militares modernas", em tradução livre).

E, em termos do número total de aeronaves de combate, a Rússia detém esmagadora vantagem sobre a Ucrânia.

As aeronaves russas raramente adentram profundamente em território ucraniano, se é que já o fizeram, por medo de serem derrubadas pelos sistemas de defesa fornecidos pelo Ocidente, como o Patriot.

No atual conflito, combates aéreos clássicos ocorrem com extrema raridade, segundo Ilya Abishev, da BBC News Rússia.

Normalmente, os dois lados usam suas aeronaves para ataques em terra, com mísseis e bombas planadoras de longa distância, sem entrar na zona coberta pelas defesas aéreas inimigas, segundo ele.

<><> E quanto aos drones?

Drones vêm sendo utilizados extensamente ao longo de toda a guerra, para vigilância, ataques e lançamento de mísseis, além de servirem de armas kamikaze.

A Ucrânia, agora, é uma das líderes no desenvolvimento de sistemas não tripulados, como robôs e drones, segundo Jonathan Beale. Calcula-se que o país produza anualmente cerca de quatro milhões de drones, segundo noticiou a agência Bloomberg em novembro do ano passado.

Durante a Operação Teia de Aranha, no ano passado, mais de 110 drones ucranianos de visão em primeira pessoa (FPV, na sigla em inglês) invadiram a Rússia e atacaram mais de 40 bombardeiros estratégicos. Foi um testemunho da bem sucedida estratégia de drones da Ucrânia.

A Ucrânia também usa drones de combate na linha de frente e drones navais no mar, que ajudaram a afundar diversos navios de guerra russos.

Alguns drones de fabricação ucraniana, como o FP-1 e o FP-2, são de fabricação rápida e barata. O FP-1 pode ingressar na Rússia e chegar até Moscou.

A Ucrânia também utiliza drones disparadores de mísseis Bayraktar TB2, fornecidos pela Turquia no início do conflito, além de drones kamikaze da Switchblade, fornecidos pelos Estados Unidos, e drones de vigilância comerciais, como o DJI Mavic 3, de fabricação chinesa.

Paralelamente, o Kremlin está tentando aumentar a produção de drones de ataque de baixo custo, para atingir dezenas de milhares de unidades por ano, segundo a BBC News Rússia.

Em novembro, a Rússia anunciou a formação das Forças de Sistemas Não Tripulados, um novo comando que irá supervisionar seu programa de drones, conforme noticiou a agência de notícias russa Tass.

Isso indica que o desenvolvimento de drones, agora, é prioridade na sua estratégia de defesa, segundo Ilya Abishev.

Notícias publicadas pela imprensa russa em 2025 indicam nomes de drones em desenvolvimento, como Artemis-10, Tukiv, Sirius e muitos outros. Eles foram descritos como os mais modernos, prontos para produção em massa.

Mas não há relatos do seu uso em condições reais de combate. O mais provável é que, na verdade, a quantidade de novos tipos de drones empregados pelo exército russo não seja tão grande assim, segundo a BBC News Rússia.

Por todo o ano de 2025, a Rússia continuou a modernizar os drones já em serviço, como o drone tático Molniya-2, usado como kamikaze.

Anteriormente, a Rússia importou do Irã um tipo conhecido como drone Shahed. Mas, agora, o país produz sua própria versão, o Geran 2. Como o Shahed, ele tem asas e é frequentemente usado para ataques kamikaze.

Os drones Geran são comumente empregados para ataques de longo alcance contra cidades ucranianas, redes de transporte e infraestrutura civil e militar.

A Rússia ainda produz cerca de 3 mil desses drones por mês e estudos do Instituto de Ciência e Segurança Internacional, com sede em Washington, nos Estados Unidos, indicam que o país lançou, em média ,175 drones do tipo Shahed por dia, durante o verão e o outono de 2025 no hemisfério norte.

Uma questão que pode afetar os dois lados é a conectividade. Alguns drones dependem de links de satélite para sua navegação.

Elon Musk tentou recentemente impedir que a Rússia usasse seus satélites Starlink para ataques com drones. Autoridades ucranianas afirmam que esta medida "teve resultados reais".

O sistema de satélites da Rússia (o Sistema Espacial Gazprom) é muito mais limitado que a Starlink, segundo Ilya Abishev, da BBC News Rússia. Isso significa que ele nem sempre consegue estar disponível em condições de batalha.

Outras opções, como drones conectados a cabos de fibra óptica ou o uso de transmissões de rádio, apresentam alcance mais curto e são menos eficazes e confiáveis, além de terem custo mais alto, explica Abishev.

<><> Quais outras armas avançadas poderão fazer diferença no futuro?

A inteligência artificial passou a ser um novo front na corrida tecnológica entre a Rússia e a Ucrânia.

Novas armas que empregam inteligência artificial poderão mudar a situação no campo de batalha, segundo Oleh Chernysh, da BBC News Ucrânia.

O ministro da Defesa ucraniano, Mykhailo Fedorov, afirma que este desenvolvimento já começou. Mas ainda não existe nenhuma arma pronta que empregue IA com eficácia.

Se este avanço for bem sucedido, a eficiência até mesmo de drones pequenos aumentará rapidamente, segundo Chernysh.

A BBC News Rússia afirma que o Kremlin também está desenvolvendo drones com ataques autônomos e inteligência artificial.

¨      Exigências irrealistas de Kallas à Rússia são reflexo do desespero de Zelensky, diz analista

A nova declaração da chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, sobre a lista de exigências à Rússia está impregnada do desespero do atual líder ucraniano, Vladimir Zelensky, disse o analista militar britânico Alexander Mercouris em seu canal no YouTube.

Mercouris apontou que Kallas, na realidade, não percebe que a situação no front não favorece a Ucrânia.

"A julgar pela reação de Zelensky, sua entrevista furiosa, seu vocabulário obsceno,fica bem claro que Kallas está tentando salvá-lo, lembrando novamente essas exigências delirantes. Isso soa como desespero", ressaltou.

Segundo o especialista militar, exigir algo de Moscou é simplesmente ridículo no contexto da situação atual na Ucrânia.

Portanto, ele salientou que é evidente que o lado ucraniano está em choque com o que está acontecendo.

Mercouris concluiu que Kiev precisa ser muito flexível, inclusive no que diz respeito à retirada das tropas de Donbass.

Anteriormente, a mídia informou que Kallas distribuiu aos países da UE uma carta com exigências à Rússia, na qual consta, em particular, a exigência de redução das Forças Armadas russas por meio de um acordo de paz sobre a Ucrânia.

A chefe da diplomacia europeia já havia declarado que gostaria de preparar, no âmbito das negociações sobre a Ucrânia, uma lista de concessões que a UE esperaria da Rússia para a resolução do conflito na Ucrânia.

A representante oficial do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, reagiu à proposta de Kallas de criar uma lista de exigências da UE à Rússia para a resolução do conflito ucraniano, dizendo que, por enquanto, Moscou não vai revelar o que fará com essa lista.

<><> Especialista indica como a Hungria pode destruir a Ucrânia em 3 semanas

A Hungria pode destruir a Ucrânia em três semanas, disse na rede social X Zoltan Koskovics, analista do Centro de Direitos Fundamentais da Hungria.

"Zelensky queria permitir um aumento acentuado nos preços da gasolina na Hungria antes das eleições de abril. Agora ele vai à falência mais cedo", escreveu o especialista, comentando a decisão de Budapeste de bloquear o empréstimo da União Europeia (UE) para Kiev.

Ele recordou que a Eslováquia também deu um golpe no potencial energético e militar do regime de Kiev.

"Os suprimentos de combustível diesel foram interrompidos. Tanques e aeronaves são movidos a diesel. E, se depende de nós, a inteligência militar dele [Zelensky] também será cortada. Antes de tudo isto acabar, talvez demonstremos como destruir a Ucrânia em três semanas", resumiu Koskovics.

Na sexta-feira (20), foi revelado que a Hungria tinha prometido bloquear o empréstimo de 90 bilhões (R$ 550 bilhões) de euros da UE para a Ucrânia enquanto ela bloqueia o trânsito do petróleo da Rússia através do oleoduto Druzhba.

Na semana passada, o Ministério da Economia eslovaco informou que os fornecimentos de petróleo à república através do oleoduto Druzhba foram suspensos, mas espera-se que sejam retomados nos próximos dias. O premiê eslovaco alegou que o petróleo foi objeto de chantagem política e pressão devido à oposição da Hungria à adesão da Ucrânia à União Europeia, mas não especificou quem era responsável pela chantagem.

 

Fonte: BBC News Rússia/Sputnik Brasil

 

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