Relembre
15 escândalos imorais atribuídos aos Bolsonaro
argos
para miliciano assassino, cheques para madrasta, rachadinha, caso das menores
em que “pintou um clima”, venda de joais e relógios desviados e briga por
bebidas da adega do Palácio são alguns dos casos de imoralidade escandalosos
atribuídos à família Bolsonaro. Agora, eles ganham relevo após o filho mais
velho do ex-presidente condenado, que é pré-candidato à Presidência, ir ao X
(antigo Twitter) para dizer que “Lula trouxe a depravação moral generalizada”
para o Brasil.
A ira
toda do clã de extrema direita começou após o desfile da escola de samba
Acadêmicos de Niterói, do Rio de Janeiro, que homenageou o presidente Lula em
seu enredo deste ano na Marquês de Sapucaí. A gritaria, inicialmente, versava
apenas sobre uma suposta propaganda eleitoral antecipada, algo que ficaria a
cargo da Justiça Eleitoral averiguar. Mas Flávio, assim como o restante da
família e do grupo ideológico com contornos de seita, resolveu lançar uma
espécie de “guerra moral”, colocando religião no meio do episódio e instando
pastores evangélicos a demonizarem o atual presidente em seus cultos.
Diante
da “cruzada pela moral e os bons costumes” da família, a Fórum listou 15
escândalos imorais graves atribuídos amplamente na imprensa aos Bolsonaro nos
últimos anos, mostrando que neste quesito eles têm um histórico pra lá de
controverso, além de muito assustador.
1 –
Esquema de “rachadinhas” com Flávio Bolsonaro e Fabrício Queiroz:
-
Flávio, filho mais velho, foi acusado de desviar salários de assessores de seu
gabinete na Alerj, com movimentações atípicas de R$ 1,2 milhão por Queiroz,
amigo da família. O MP-RJ denunciou por organização criminosa e lavagem de
dinheiro em 2020; Queiroz chegou a preso.
2 –
Escândalo das joias sauditas (kit feminino Chopard):
-
“Presentes de alto valor” (colar, anel, relógio e brincos da Chopard, avaliados
em R$ 16,5 milhões) foram recebidos do governo da Arábia Saudita em 2021 para
Michelle Bolsonaro, mas evidentemente são parte do acervo da Presidência. Houve
tentativas de entrada ilegal em território nacional, barradas pela Receita
Federal, além de muitas pressões para liberação. Omitidos do acervo público, os
itens milionários permaneceriam em poder do clã. Bolsonaro foi indiciado por
peculato, associação criminosa e lavagem de dinheiro em 2024, referente ao
caso.
3 –
Venda ilegal dos relógios de luxo no exterior (Rolex e Patek Philippe):
-
Relógio Rolex de ouro branco com diamantes foi recebido da Arábia Saudita em
2019, e o Patek Philippe do Bahrein, em 2021. Eles foram vendidos nos EUA por
aliados como o tenente-coronel Mauro Cesar Cid, gerando US$ 68 mil (cerca de R$
347 mil na época). O dinheiro foi entregue fracionado a Bolsonaro, em espécie,
para despesas pessoais. O caso é parte do mesmo inquérito das joias, que
resultou no indiciamento em 2024 por peculato e lavagem. Alguns itens foram
recomprados para devolução ao TCU, o que tornou a história ainda mais
vergonhosa.
4 –
Orçamento secreto:
-
Mecanismo sistemático de desvios e fraude aprofundado e que se arraigou em
2020, inicialmente distribuiu mais R$ 30 bilhões em emendas sem transparência,
favorecendo aliados em troca de apoio político. Descrito pela Transparência
Internacional como esquema de corrupção institucionalizada, com superfaturações
em saúde e educação, o orçamento secreto tal como implantado por Bolsonaro pode
ser apontado como o maior mecanismo de corrupção da História do Brasil, que de
tão complexo e enraizado ainda não pôde ser totalmente sanado, em que pese o
papel do ministro Flávio Dino, que vem tentando contê-lo.
5 –
Corrupção no Ministério da Educação (MEC):
- O
ex-ministro Milton Ribeiro foi preso em 2022 acusado de receber propina via
pastores evangélicos que controlavam verbas do FNDE. Áudio revelado à época
dizia que “a priorização de pedidos era a mando de Bolsonaro”. O esquema
incluiu até barras de ouro como pagamento.
6 –
Cheques para Michelle Bolsonaro:
-
Queiroz depositou R$ 89 mil em cheques na conta da primeira-dama Michelle
Bolsonaro entre 2018-2019, oriundos segundo as acusações do esquema das
rachadinhas. Bolsonaro alegou que era a “devolução de empréstimo”, mas a
ocorrência foi investigada como lavagem de dinheiro.
7 –
Superfaturamento em compras públicas:
-
Suspeitas de propina em vacinas como a Covaxin (US$ 1 por dose extra), durante
o período da pandemia da Covid-19, além de desvios nos valores pagos em ônibus
escolares são outros casos relacionados a corrupção do governo Bolsonaro.
8 –
Envolvimento com milicianos:
- O
caso das rachadinhas atribuído a Flávio Bolsonaro estaria intrinsecamente
ligado ao miliciano Adriano da Nóbrega, o mais notório assassino de aluguel da
história do Rio de Janeiro. Flávio homenageou o criminoso com a mais alta
comenda da Alerj e deu cargo fantasma à esposa e mão do matador em seu gabinete
de deputado estadual. Adriano morto numa operação policial na Bahia, em 2020,
em condições estranhas e totalmente questionáveis até hoje.
9 –
Funcionários fantasmas e nepotismo:
-
Inúmeros assessores dos gabinetes da família, como parentes da ex-esposa de
Bolsonaro, Ana Cristina Valle, foram nomeados sem precisar trabalhar, algo que
flagrantemente se configura como desvio de recursos.
10 –
Declaração sobre meninas venezuelanas e que teria “pintado um clima”:
- Numa
entrevista de 2022, Jair Bolsonaro descreveu um encontro que teria sido
fortuito com adolescentes venezuelanas “arrumadinhas e de 13 ou 14 anos”,
insinuando prostituição, numa comunidade do Distrito Federal. Na sequência, o
então presidente teria se aproximado delas, segundo seu próprio relato, e teria
“pintado um clima” (suas palavras). Ele foi condenado em 2025 a pagar R$ 150
mil por estigmatização e violação de direitos.
11 –
Empréstimo bancário não pago por Jair Renan:
- O
filho caçula de Jair Bolsonaro teria fraudado faturamentos de sua empresa para
obter R$ 291 mil em empréstimos bancários em 2023 (baseado em dados de
2021-2022). O valor conseguido não foi pago inicialmente, o que gerou um
inquérito e seu indiciamento por lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e
uso de documento falso.
12 –
Relações ilegais em contrato de camarote no estádio de Brasília:
- Jair
Renan foi investigado por tráfico de influência via sua empresa, por supostas
doações de empresários ligados a contratos públicos. Por isso, ele foi
indiciado em 2024 por obstrução de justiça.
13 –
Brigas familiares com Michelle Bolsonaro:
-
Tensões familiares foram relatadas por interlocutores no Palácio do Alvorada,
incluindo episódios envolvendo Jair Renan e a madrasta. Certa vez, relata a
imprensa, e foi à residência oficial para pegar bebidas alcoólicas da adega
oficial, o que teria desagradado Michelle e a feito trancar o recinto. Jair
Bolsonaro, contrariado com a atitude da mulher ao cercear o filho mais novo,
dizem relatos reportados, teria arrombado a porta da adega num acesso de raiva.
14 –
Compra de 107 imóveis pela família Bolsonaro:
- A
família do ex-presidente negociou 107 imóveis desde os anos 1990, sendo que 51
deles foram pagos total ou parcialmente em dinheiro vivo, somando o montante de
R$ 25,6 milhões corrigidos pela inflação. Os negócios incluíram casas, lojas e
terrenos, nos nomes de Bolsonaro, filhos, ex-mulheres e irmãos. Os valores são
amplamente considerados incompatíveis com os ganhos do então deputado federal e
posteriormente presidente, mas as investigações foram suspensas por não ser
possível individualizar condutas nos casos.
15 –
Compra da mansão de Flávio Bolsonaro em Brasília:
- Em
2021, o senador que hoje é pré-candidato à Presidência adquiriu uma mansão de
R$ 5,97 milhões no Lago Sul, em Brasília, com uma entrada de R$ 2,87 milhões e
financiamento de R$ 3,1 milhões, realizado pelo BRB, o banco estatal de
Brasília, por um prazo de 30 anos. Quitada antecipadamente em menos de três
anos, em 2024, com seis pagamentos extras totalizando R$ 3,4 milhões em 37
meses, a realização da transação segue sendo um enigma, já que o salário mensal
de Flávio como senador é R$ 44 mil e sua esposa tem uma renda quase que
irrisória, segundo declarações. Há evidentes suspeitas de condições favoráveis
no empréstimo, assim como em relação à origem dos recursos.
• Sugestões para um desfile carnavalesco
“sem partido” em homenagem a Bolsonaro. Por Francisco Fernandes Ladeira
homenagem
da Acadêmicos de Niterói ao presidente Lula fez os bolsonaristas espumarem de
raiva nas redes sociais. Como diz uma expressão atual, a escola de samba alugou
um triplex na mente da extrema direita brasileira. Isso fez aumentar ainda mais
o ódio desse pessoal ao carnaval. Mas, se Lula pode receber uma homenagem em
plena Marquês de Sapucaí, por que Jair Bolsonaro não merece o mesmo? Pensando
nisso, resolvi escrever este artigo, com propostas para um enredo sobre o
“mito”.
Em
primeiro lugar, essa escola deve ser “sem partido” e sem recursos da Lei
Rouanet, política pública ‘responsável por financiar artistas comunistas’.
Lembrando o grande pensador contemporâneo Túlio Maravilha, os valores dessa
agremiação devem estar alinhados aos da família tradicional brasileira. O samba
seria composto pela nata dos músicos bolsonaristas: Roger Moreira, Gusttavo
Lima e Sérgio Reis, entre outros grandes nomes. A transmissão do desfile será
exclusiva da Jovem Pan.
Se a
comissão de frente da Acadêmicos de Niterói ressaltou a volta por cima de Lula
nos últimos anos, com destaque para sua prisão política e eleição para o
terceiro mandato, a hipotética escola que homenagearia Bolsonaro não pode ficar
atrás. Com fantasias que remetem aos grupos do WhatsApp, serão ressaltados
todos os “feitos” do mito em sua luta contra o “sistema”: plano para explodir
bombas-relógios em unidades militares, sobrevivência à facada encomendada pela
esquerda, eliminação da ideologia de gênero nas escolas, fim do kit gay, salvar
o Brasil do comunismo em 2018, criação do pix, transposição do Rio São
Francisco e sua atuação impecável durante a gripezinha do vírus chinês.
Em
sequência, o “abre-alas”, em defesa da tradicional família cristã brasileira,
terá a participação daqueles indivíduos que sonegam imposto de renda, espancam
suas esposas, subornam funcionários públicos, fraudam concursos, possuem várias
amantes e também filhos bastardos; porém se consideram “exemplos de honestidade
e moralidade”.
Os
adereços serão joias vindas especialmente da Arábia Saudita. De acordo com a
“cartilha Damares Alves”, em relação às fantasias, meninas vestem rosa e
meninos vestem azul. Nada de gays, lésbicas ou travestis. Seguindo o padrão
conservador, sem “promiscuidade”. No entanto, para não falar que nesse desfile
não haverá “representatividade”, uma das alas homenageará os Capitães do Mato,
os verdadeiros “heróis negros”, pois prestaram importantes serviços para manter
a ordem pública. Também seriam mencionados os “escravos” do “líder terrorista”
Zumbi dos Palmares.
E já
que a questão é “ordem e progresso”, a ala dos Colecionadores, Atiradores e
Caçadores (CACs) promete fazer barulho – literalmente. Com fantasias de fuzis
AR-15, pistolas .40 e escopetas calibre 12, os integrantes desfilarão atirando
para o alto (com balas de festim, claro, porque a segurança pública é
prioridade). Crianças fantasiadas de “bala perdida” correrão entre os foliões,
numa alusão ao sonho de todo pai conservador: ver o filho armado desde o berço.
O carro alegórico, em forma de revólver gigante, trará a inscrição: “Direito de
defesa (e de ataque, se necessário)”.
Outros
grandes “heróis nacionais”, anônimos e conhecidos, que influenciaram a atuação
política de Bolsonaro ou seguiram firme em apoio ao “mito”, deverão ser
exaltados durante o desfile. Entre eles estão Olavo de Carvalho, Brilhante
Ustra, todos os ditadores/presidentes do Brasil, os rezadores para pneus, os
patriotas do 8 de janeiro e as pessoas que acamparam em frente a quartéis.
A
questão espiritual não poderia ficar de fora. Afinal, o bolsonarismo encontrou
nas igrejas neopentecostais seu principal quinhão eleitoral. Por isso, uma ala
especial homenageará a Teologia da Prosperidade em sua forma mais autêntica:
pastores que trocam votos por cestas básicas, fiéis que depositam o dízimo
esperando retorno em dobro e santos guerreiros que fazem “oração forte” para
derrubar ministros comunistas do STF. O carro alegórico, intitulado “Igreja
Universal do Reino de Bolsonaro”, virá repleto de capivaras de ouro, jatinhos
particulares e uma réplica gigante do Templo de Salomão – afinal, nada mais
cristão do que acumular riquezas terrenas em nome de Deus.
As
falas históricas de Jair Bolsonaro também merecerão destaque, como “Só não te
estupro porque você não merece”, “Um pai preferiria ver um filho machucado por
brincar de futebol do que brincando com bonecas por influência da escola”,
“Quilombola não serve nem para procriar” e “Sou favorável à tortura”. Um claro
exemplo de amor cristão.
A
ciência, essa velha conhecida dos comunistas, também será devidamente
homenageada – ou melhor, contestada. Uma ala inteira celebrará o “tratamento
precoce”, com integrantes empunhando comprimidos de cloroquina do tamanho de
rodas de caminhão, enquanto médicos sem registro (mas com muitos seguidores nas
redes) entoarão o grito: “Gripezinha: eu não tomei vacina e estou aqui”. O
carro alegórico do Kit Covid virá abarrotado de ivermectina, azitromicina e
placebo, com uma faixa: “A ciência pode até discordar, mas a fé no presidente
cura”.
Mostrando
todo o patriotismo de Bolsonaro, uma ala terá as cores da bandeira dos Estados
Unidos, defesa de sanções contra o Brasil e uma faixa escrita “I love you,
Trump!”. Outro país homenageado será Israel, nação mais cristã do mundo.
Como
Bolsonaro foi ridicularizado no desfile da Niterói, nada mais justo do que Lula
também ser criticado. Assim, “verdades” sobre o atual presidente serão
divulgadas, diretamente do grupo de zap da Terra Plana: seus muitos clones, o
projeto no Foro de São Paulo para implantar o comunismo na América Latina e o
plano para queimar igrejas.
Há um
carro alegórico previsto para lembrar todos os grandes projetos de Jair
Bolsonaro em suas quase três décadas como deputado federal. Porém, muito
provavelmente, os carnavalescos terão dificuldade para encontrar algum
conteúdo.
Por
fim, como todo bom bolsonarista vive de esperanças futuras, o desfile terminará
com uma ala dedicada ao “Futuro Utópico” (ou distópico?). Crianças fantasiadas
de “futuros milicianos” desfilarão ao lado de “rainhas dos caminhoneiros”,
enquanto um carro alegórico em forma de nuvem carregará a imagem de Jair
Bolsonaro sorridente, flutuando acima da realidade – imaculado, inelegível, mas
presente no coração dos fiéis. Atrás, uma faixa enorme: “Bolsonaro 2026”,
sustentada por eleitores que insistem em ver o mito onde só há miragem.
Se no
resultado a ser divulgado na quarta-feira de cinzas, a escola que homenageará
Bolsonaro não for declarada campeã, evidentemente, será pedida uma apuração
“impressa e auditável”. A culpa será do ministro comunista Alexandre de Moraes.
Não sendo possível, é só aguardar setenta e duas horas, fazendo arminha com a
mão, que a notícia positiva chegará. Basta acreditar!
Fonte:
Por Henrique Rodrigues, para Fórum

Nenhum comentário:
Postar um comentário