terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Elvino Bohn Gass: 2026 - a colheita e o salto necessário

Iniciamos 2026 em um Brasil que, enfim, respira. Temos números que muitos julgavam impossíveis há poucos anos. Como parlamentar que caminha ao lado da classe trabalhadora, vejo que chegamos ao "ano da colheita". O Brasil voltou e está se reconstruindo sobre bases de justiça e dignidade. No primeiro mês do ano, milhões de brasileiros ficaram livres da mordida do leão. Lula isentou o Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil.

São dados irrefutáveis: o menor desemprego da história recente, 5,1%, é prato cheio na mesa. A inflação de alimentos, que explodiu no governo do golpista preso, está controlada. E o PT tirou, mais uma vez, o Brasil do Mapa da Fome.

O PIB, que “analistas” previam estagnado, crescendo com foco no mercado interno e na valorização dos salários. Não é "milagre", é Lula! Com dinheiro no bolso do povo, a roda da economia gira para todos.

O momento é bom, mas não podemos parar. Na Câmara, minha bancada tem nitidez de prioridades para 26: fim da escala 6x1, pauta do século passado, mas que não se consolidou. Isso é reforma de vida. É tempo para a família, para o lazer e o estudo. Não se aumenta produtividade às custas da exaustão.

26 também marca a vigência da reforma tributária, que Lula conseguiu aprovar após 40 anos de espera. Nossa luta é garantir que o cashback do povo funcione — devolvendo imposto a quem é pobre — e que a alíquota zero para a cesta básica seja um pilar inegociável contra a carestia.

Precisamos aprovar a PEC da Segurança e o combate às facções com foco na inteligência, no sufoco financeiro do crime e na proteção de comunidades que sofrem com a violência. Para isso, não podemos tirar um centavo da Polícia Federal.

O clima nas ruas é de esperança, mas a turma do atraso segue aí, mentindo como sempre. Então, todas as forças democráticas do Brasil precisam ser a ponte entre o governo que recuperou o país e o povo que quer mais. Mais crescimento, mais distribuição de renda, mais proteção ambiental. Não aceitamos menos do que a dignidade plena para cada cidadão.

Estamos provando que política feita para a maioria é a única que gera estabilidade real. Seguimos firmes. O trabalho está apenas começando.

•        "É importante mostrar para o mundo o momento que vive o Brasil", diz Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste domingo (22) que o Brasil vive um momento de expansão comercial e fortalecimento internacional, ao fazer um balanço da visita de Estado à Índia. Antes de embarcar para a Coreia do Sul, o chefe do Executivo destacou metas ambiciosas para o comércio exterior e defendeu maior protagonismo do país nos fóruns globais. Lula ressaltou que a estratégia do governo tem sido ampliar mercados e reforçar a presença do Brasil no cenário internacional.

“É importante mostrar para o mundo o momento que vive o Brasil. Em apenas três anos e dois meses, nós fizemos mais de 520 novos mercados de produtos brasileiros. É mais do que tudo que a gente já tinha alcançado em muito tempo”, afirmou o presidente em entrevista coletiva em Nova Déli. Ele acrescentou que a política comercial brasileira é orientada por interesses nacionais. “Nós não temos preferência comercial. O Brasil tem interesses comerciais. E o faremos com quem quiser fazer, desde que seja uma política de ganha-ganha”.

<><> Comércio exterior em expansão

Lula recordou que, há 21 anos, ao retornar de uma viagem à Índia, celebrou a marca de 100 bilhões de dólares em comércio exterior. Atualmente, segundo ele, esse volume alcança cerca de 649 bilhões de dólares. “Hoje, esse comércio está por volta de 649 bilhões de dólares. E eu espero que, dentro de algum tempo, a gente possa comemorar um trilhão de dólares de comércio exterior”, declarou.

Sobre a relação com a Índia, o presidente demonstrou confiança na ampliação do fluxo bilateral. De acordo com Lula, o primeiro-ministro Narendra Modi propôs uma meta de 20 bilhões de dólares até 2030. “O primeiro-ministro (Narendra) Modi estabeleceu comigo a ideia de que nós precisamos ter uma meta para chegar a 20 bilhões (de dólares) até 2030. Eu disse: nós vamos chegar a 30 bilhões em 2030, porque o potencial econômico dos dois países é muito forte”, afirmou.

Em 2025, o comércio entre Brasil e Índia superou 15 bilhões de dólares pela primeira vez, com crescimento de 25% em relação ao ano anterior.

<><> Acordos e cooperação bilateral

O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, detalhou que os dois países decidiram priorizar iniciativas em áreas como defesa, aviação civil e militar, comércio, investimentos, saúde, indústria farmacêutica, ciência, tecnologias digitais, energia, minerais críticos, cooperação espacial, educação e cultura.

“Foram assinados 11 acordos governamentais. Dentre eles, destaco a declaração que estabeleceu a parceria digital para o futuro, além de instrumentos nas áreas dos minerais críticos, propriedade intelectual, saúde, serviços postais, empreendedorismo e certificados de origem, entre vários outros. Foram também firmados três instrumentos público-privados entre universidades, fundações e outros entes governamentais”, afirmou o chanceler.

O presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, classificou a missão como a mais relevante da atual gestão. “De todas as missões, acho que essa foi a maior, com extraordinários resultados, e que tem um futuro extraordinário pela frente. Nós inauguramos o escritório da Apex aqui em Nova Délhi, que já está funcionando. Nós colocamos produtos do Brasil na maior rede de supermercados daqui de Nova Délhi. Amanhã, vamos colocar na maior rede de supermercados de Mumbai. São pelo menos 40 lojas que já vão ter produtos brasileiros: castanha, açaí, limão, frutos”, afirmou.

<><> Relação com os Estados Unidos

Ao comentar a expectativa de encontro com Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, Lula afirmou que pretende tratar de uma agenda ampla entre os dois países.

“A pauta que eu quero conversar com o presidente norte-americano é muito mais ampla do que minerais críticos. Nós temos uma relação diplomática de 201 anos. É uma relação muito sólida. O que eu quero conversar com o Trump é a relação entre o Brasil e os Estados Unidos. Eu não sei qual é a pauta dele, mas eu espero que, depois dessa reunião, a gente possa estar garantindo que a gente voltou a ter uma relação altamente civilizada, altamente respeitosa”, disse.

O presidente também defendeu tratamento igualitário nas relações bilaterais. “Nós queremos ter relações iguais com todos os países. Nós queremos tratar todos em igualdade de condições e receber deles um tratamento também igualitário. Se isso for possível, eu acho que tudo voltará à normalidade”.

Sobre as tarifas aplicadas pelos Estados Unidos, Lula afirmou que buscará diálogo direto. “Eu quero conversar com o Trump pessoalmente, sentar em torno de uma mesa para conversar com muita seriedade sobre a importância da relação civilizada entre Brasil e Estados Unidos”, declarou. Ele acrescentou que não cabe a outro chefe de Estado avaliar decisões judiciais norte-americanas. “Eu não tenho como ficar medindo a decisão da Suprema Corte americana. Não tem como um presidente de outro país julgar a decisão da Suprema Corte”.

<><> Reforma da ONU e fortalecimento do BRICS

Lula voltou a defender mudanças no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas. “Nós precisamos ter fóruns para discutir as coisas, porque senão as coisas não mudam”, afirmou. O presidente questionou a ausência de países populosos e de regiões como África e América Latina no colegiado.

“Por que a Índia não está no Conselho de Segurança da ONU? Um país com um bilhão e quatrocentos milhões de seres humanos. Por que o Brasil não está? Por que a Alemanha não está? Por que o México não está? Por que a Nigéria não está? Por que o Egito não está?”, indagou. Segundo ele, a ONU precisa de maior representatividade para recuperar eficácia. “Do jeito que está a ONU, ela tem hoje pouquíssima eficácia. Ela não resolve nenhum problema. É preciso fortalecer a ONU se a gente quer que prevaleça uma instituição de importância vital para a manutenção da paz e da harmonia no mundo”.

O presidente também ressaltou a importância do BRICS na reorganização do cenário global. “O BRICS é um processo de formação de um grupo muito forte. Quase metade da humanidade”, afirmou. Para Lula, o fortalecimento do bloco pode contribuir para o equilíbrio geopolítico. “Eu estou convencido de que o BRICS é um jeito da gente ter o equilíbrio geopolítico no planeta Terra”, concluiu.

•        Sul Global pode mudar a lógica econômica do mundo, diz Lula

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a união dos países em desenvolvimento, em especial os do chamado Sul Global, para “mudar a lógica econômica” do mundo. A afirmação foi feita na madrugada deste domingo (22), momentos antes de encerrar a visita à Índia e partir para a Coreia do Sul.

Em coletiva de imprensa, Lula falou sobre as dificuldades históricas que países menos desenvolvidos têm durante as negociações com superpotências.

Play Video

“Sempre defendemos que países pequenos se unam para negociar com os maiores. Países como Índia, Brasil, Austrália e outros do Sul Global precisam estar juntos, porque na negociação direta com superpotências a tendência é perder”, disse Lula.

Segundo ele, “os países em desenvolvimento podem mudar a lógica econômica do mundo. Basta querer. Está na hora de mudar. Falo isso com base em 500 anos de experiência colonial, porque continuamos colonizados do ponto de vista tecnológico e econômico. Precisamos construir parcerias com quem tem similaridades conosco, para somar nosso potencial e nos tornar mais fortes”, acrescentou.

<><> Brics

Na avaliação de Lula, o Brics tem colaborado no sentido de viabilizar essa nova lógica econômica para o mundo. O bloco, na avaliação do presidente “está ganhando uma cara”.

“É um grupo que antes era marginalizado. Criamos um banco. Tudo ainda é novo. Sei que os EUA têm alguma inquietação, que na verdade é com a China. Mas não queremos outra Guerra Fria. Queremos fortalecer nosso grupo, que pode se integrar ao G20 e, quem sabe, formar algo equivalente a um G30”, argumentou.

Ele voltou a negar que se pretenda criar uma moeda para o Brics. “Nunca defendemos criar uma moeda dos BRICS. O que defendemos é fazer comércio com nossas próprias moedas, para reduzir dependências e custos. Os EUA não vão gostar no primeiro momento, mas tudo bem. Vamos debater”, disse.

<><> ONU

O presidente brasileiro voltou a defender o multilateralismo e o fortalecimento da ONU, que, segundo Lula, precisa voltar a ter legitimidade e eficácia. Segundo Lula, a ONU tem, entre suas funções, a de manter a paz e da harmonia no mundo.

“Esses dias eu liguei para quase todos os presidentes, propondo que a gente tem que dar uma resposta ao que aconteceu na Venezuela, ao que aconteceu em Gaza, ao que aconteceu na Ucrânia. Você não pode permitir que, de forma unilateral, nenhum país — por maior que seja — possa interferir na vida de outros países. Precisamos da ONU para resolver esse tipo de problema. E, por isso, ela precisa ter representatividade”, reiterou.

<><> EUA

Sobre a relação entre Brasil e Estados Unidos, Lula disse que boas parcerias podem surgir, caso, de fato, haja interesse dos EUA em combater organizações criminosas transnacionais como a do narcotráfico.

“O crime organizado hoje é uma empresa multinacional. Por isso, nossa Polícia Federal precisa construir parcerias com todos os países que tenham interesse em enfrentá-lo conosco”, disse. “E se o governo dos EUA estiver disposto a combater o narcotráfico e o crime organizado, estaremos na linha de frente, inclusive reivindicando que nos enviem os criminosos brasileiros que estão lá”, acrescentou.

Lula defendeu que a relação da superpotência com os países da América do Sul e Caribe seja sempre respeitosa, uma vez que trata-se de uma região pacífica, sem qualquer armamento nuclear, que quer crescer economicamente, gerar emprego e melhorar a vida de seu povo.

Este, por sinal, é um assunto que ele pretende conversar com o presidente Donald Trump, no encontro que os dois devem ter em breve.

“Quero discutir qual é o papel dos EUA na América do Sul, se é de ajuda ou ameaça, como está fazendo com o Irã. O que o mundo precisa é de tranquilidade. Vamos gastar nossa energia para acabar com a fome e com a violência contra as mulheres, que cresce em todos os países”, disse Lula ao lembrar que o momento atual é o de maior número de conflitos desde a Segunda Guerra Mundial.

Sobre a taxação imposta pelos EUA a outros países, derrubada recentemente pela suprema corte estadunidense, Lula disse que não cabe a ele, enquanto presidente do Brasil, julgar decisões de cortes de outros países.

<><> Índia

Lula falou também sobre os encontros que teve com o primeiro-ministro da Índia Narendra Modi. “Tratamos muito da nossa relação comercial e da relação entre Brasil e Índia. Não entramos em detalhes sobre geopolítica internacional. Eu sei o que a Índia pensa sobre determinados problemas, e eles sabem o que o Brasil pensa. Nós discutimos o que nos une. Em especial sobre fortalecer nossas economias para nos tornarmos países altamente desenvolvidos”, disse ao classificar a conversa como extraordinária e exitosa para os dois países.

Lula disse que as conversas com empresários também foi muito positiva. “Todos os empresários indianos que investem no Brasil elogiam o país e dizem que vão aumentar seus investimentos. Eles são muito otimistas com relação ao Brasil”.

O presidente voltou a dizer que o Brasil está aberto para que outros países venham explorar os minerais críticos e as terras raras do país. Ele, no entanto, reiterou que só terá acesso a essas riquezas quem se dispor a agregar valor em território brasileiro.

“O processo de transformação precisa acontecer no Brasil. Vamos conversar. O que não vamos permitir é que aconteça com nossas terras raras o que aconteceu com nosso mineiro de ferro. Por tantos anos a gente só se cavou buraco para mandar minério para fora e depois comprar produto manufaturado. Queremos que ele seja transformado no Brasil”.

Lula embarcou para a Ásia na última terça-feira (17) para visitas à Índia e à Coreia do Sul em agendas voltadas ao fortalecimento do comércio e de parcerias estratégicas com os dois países asiáticos. Em Nova Delhi, capital da Índia, Lula foi recebido em retribuição à visita do primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, ao Brasil, em julho de 2025 durante a Cúpula do Brics. Esta foi a quarta viagem de Lula à Índia, a segunda do atual mandato.

Neste domingo (22), Lula e sua comitiva presidencial desembarcam em Seul, na Coreia do Sul, a convite do presidente Lee Jae Myung. Esta será a terceira visita do líder brasileiro ao país, a primeira de Estado. Na ocasião, será adotado o Plano de Ação Trienal 2026-2029, que visa elevar o nível do relacionamento entre os países para uma parceria estratégica.

 

Fonte: Brasil 247

 

Nenhum comentário: