Fim
da escala 6×1: presidente do Republicanos, bispo licenciado, sugere que pobres
usarão drogas em dias de lazer
Filho
de empregada doméstica que engravidou do patrão em São Paulo voltou para o
Espírito Santo e, numa pensão às margens da BR-101, entregou seu filho assim
que nasceu, como diz em sua “trajetória de líder”, o presidente do
Republicanos, Marcos Pereira, que é bispo licenciado da Igreja Universal fez
uma declaração abjeta ao se declarar contra a Proposta de Emenda à Constituição
(PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1, debatido no Congresso.
Em
linha com a Folha, que também se coloca contra o projeto, o deputado afirmou
que “o ócio demais faz mal” em entrevista ao jornal e, em seguida, fez uma
declaração aporofóbica para defender sua posição.
“Eu
acho que quanto mais trabalho, mais prosperidade. Claro, a pessoa tem que ter
lazer, mas lazer demais também, o ócio demais faz mal. Tenho vários casos aí de
pessoas que eu conheço, de famílias que eu conheço, o fulano quando parou de
trabalhar, principalmente com certa idade, parou de trabalhar, morreu rápido,
ficou doente. A gente precisa de atividade”, iniciou, em tom de ironia.
Em
seguida, ele afirmou que as pessoas pobres não têm “condições de lazer” e
sugere como usarão o tempo “ocioso” do trabalho.
“A
população vai fazer lazer onde? O povo não tem dinheiro, infelizmente. Vai
ficar mais exposto a drogas, a jogos de azar. Pode ser o contrário. Ao invés de
lazer, pode ser o mal. Qual é o lazer de um pobre numa comunidade? Ou num
sertão lá do Nordeste?”, disparou, destilando preconceito.
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"Ócio demais faz mal", diz presidente do Republicanos
O presidente nacional do Republicanos,
deputado Marcos Pereira (SP), afirmou ter levado ao presidente da Câmara, Hugo
Motta (Republicanos-PB), preocupações sobre a Proposta de Emenda à Constituição
que prevê o fim da jornada de trabalho 6x1. Em entrevista à Folha de São Paulo,
o parlamentar declarou ser contrário à votação do tema em ano eleitoral e
apontou possíveis impactos negativos para a economia brasileira.
Pereira
relatou que externou sua posição diretamente a Motta e ouviu do presidente da
Câmara que a tramitação da PEC buscaria assegurar protagonismo ao Legislativo
diante da possibilidade de o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva
(PT) apresentar um projeto de lei sobre o assunto.
Ao
comentar a proposta, Pereira afirmou: “Estou muito preocupado. Eu já demonstrei
ao Hugo Motta a minha contrariedade ao tema. Não é o momento para se debater.
Poderia se debater em outro momento, mas em ano eleitoral é muito sensível,
porque expõe a Casa [Câmara]. Às vezes até tem que votar [favorável] por conta
de ser um ano eleitoral, porque o eleitor pode não entender bem se você votar
contra, por exemplo. Eu estou preocupado”.
Ele
argumentou que, conforme notas técnicas do setor produtivo, a mudança pode
elevar custos. “Pelas notas técnicas do setor produtivo, vai encarecer mais
ainda. Pode ficar ruim para todos, porque vai tirar mais ainda a
competitividade do setor produtivo brasileiro”, declarou.
Sobre a
decisão de pautar a matéria, Pereira relatou a justificativa apresentada por
Motta: “Ele falou ‘vamos fazer um debate’. No momento que ele despachou para a
CCJ (Comissão de Constituição e Justiça), ele me disse: ‘Eu estou fazendo isso
porque se eu não fizer, o governo vai fazer, então é melhor que a Casa tome o
protagonismo’”.
Questionado
sobre a comparação feita por Motta entre a PEC e marcos históricos como a
criação da CLT e o fim da escravidão, o dirigente partidário afirmou: “Me
surpreendeu um pouco. A CLT, com todos os méritos, tem muitos problemas. É só
você comparar com os países com pleno emprego e economia mais pujante. A gente
tem um abismo”. Ele também citou diferenças de custo trabalhista e tributário
em relação a países europeus e à China.
Ao
abordar a demanda por mais tempo de lazer, Pereira declarou: “Eu acho que
quanto mais trabalho, mais prosperidade. Claro, a pessoa tem que ter lazer, mas
lazer demais também, o ócio demais faz mal”. Ele acrescentou que a população
enfrenta limitações econômicas: “O povo não tem dinheiro, infelizmente. Vai
ficar mais exposto a drogas, a jogos de azar. Pode ser o contrário. Ao invés de
lazer, pode ser o mal. Qual é o lazer de um pobre numa comunidade? Ou num
sertão lá do Nordeste?”.
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Banco Master e investigações
Sobre o
caso envolvendo o Banco Master, o deputado afirmou que as investigações devem
seguir seu curso. “Isso é um negócio que você vê como ele começa, mas não sabe
como termina. Está a cargo da Polícia Federal, do Ministério Público e do
Judiciário”. Ele ressaltou que recursos públicos precisam ser apurados: “É
dinheiro público. Tem que ser investigado e, se comprovadas fraudes e crimes,
serão penalizados, não tenho dúvidas”
Pereira
também destacou que o Fundo Garantidor de Crédito envolve recursos privados e
que o sistema financeiro deve se organizar sob regulação do Banco Central
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“Ano eleitoral”
Pereira
ainda contou detalhes sobre a negociata com Hugo Motta (Republicanos-PB) para
tentar derrubar a proposta defendida pelo governo que permite que os
trabalhadores tenham dois – e não apenas um – dia de folga na semana.
Indagado
sobre qual será a posição do Republicanos na votação do PL, Pereira disse que
já demonstrou a Motta “a minha contrariedade ao tema”.
No
entanto, o bispo licenciado diz que ele e a bancada pode votar a favor por se
tratar de um ano eleitoral – e não por defender a proposta.
“Poderia
se debater em outro momento, mas em ano eleitoral é muito sensível, porque
expõe a Casa [Câmara]. Às vezes até tem que votar [favorável] por conta de ser
um ano eleitoral, porque o eleitor pode não entender bem se você votar contra,
por exemplo”, diz.
Por
fim, o bispo licenciado que controla o braço político da igreja de Edir Macedo
diz ter se surpreendido com a declaração de Motta, que “comparou a PEC com a
criação da CLT e com o fim da escravidão”.
“Me
surpreendeu um pouco. A CLT, com todos os méritos, tem muitos problemas. É só
você comparar com os países com pleno emprego e economia mais pujante. A gente
tem um abismo, e essa é uma das reclamações da indústria nacional sobre o
acordo do Mercosul com a União Europeia. Não dá para comparar o custo
trabalhista, o custo da burocracia e tributário daqui com o de lá. Concorrência
da China, então, que não tem legislação trabalhista, não tem nada… Quando você
pega os países que já implantaram, são só países de primeiro mundo, de índice
de qualidade de vida e de renda per capita altíssimo. Alemanha, Finlândia,
Islândia, Noruega, não dá para comparar”, diz em uma comparação sem nexo.
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Disputa política e cenário eleitoral
No
campo político, o presidente do Republicanos avaliou que o senador Flávio
Bolsonaro (PL-RJ) ocupou espaço na direita após a prisão de Jair Bolsonaro
(PL). “Não tem vácuo. Acho que foi ocupado por ele [Flávio]. Se o Bolsonaro
apoiar você, você já sai com 20%. E tem 15% de antipetismo, aí já vai a 35%.
Ele já está no segundo turno. São os números que estão aí”, afirmou
Ao
comentar decisões tomadas pelo PL sem diálogo com outras legendas, declarou:
“Não é uma coisa que ajuda no debate, na aproximação. [...] Isso distancia”.
Sobre eventual apoio em 2026, disse que a discussão interna começará após o
prazo da janela partidária
Questionado
se considera que Jair Bolsonaro tentou um golpe de Estado, respondeu: “Eu acho
que golpe de Estado você só dá se você tiver o apoio das Forças Armadas. Se
tentou, não teve o apoio. Mas eu não sei. Não participei, não conheço, não me
debrucei nos autos do processo que o julgou, então prefiro não dar essa
opinião”
Pereira
também afirmou não se incomodar com críticas ao Congresso e reiterou posições
liberais na economia, defendendo privatizações amplas, com exceção de Banco do
Brasil, BNDES, Caixa Econômica Federal e Petrobras
Aos 53
anos, Marcos Pereira é advogado, bispo licenciado da Igreja Universal do Reino
de Deus, está em seu segundo mandato como deputado federal e já ocupou o cargo
de ministro da Indústria, Comércio Exterior e Serviços no governo Michel Temer
(MDB)
• Relator
diz esperar aprovação do texto na CCJ até o final de março
O
relator da proposta que trata do fim da escala 6x1 na Comissão de Constituição
e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, Paulo Azi (União-BA), afirmou, em
entrevista ao SBT News, que pretende destravar a tramitação do texto até o fim
de março. Segundo ele, o avanço depende da ampliação do diálogo e da construção
de um entendimento entre trabalhadores, empresários e o governo federal. Na
conversa, o parlamentar disse ter recebido do presidente da Câmara, Hugo Motta
(Republicanos-PB), a orientação de acelerar a análise da proposta na CCJ.
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Tramitação e debate na CCJ
Paulo
Azi ponderou que, embora haja pressa na tramitação, o debate não pode ser
limitado. “Claro que essa celebridade não pode ser um impedimento para o debate
acontecer. [...] Ouvir o governo, ouvir os representantes dos trabalhadores, os
setores que geram emprego no nosso país, conversar com os diversos partidos que
compõem o nosso Parlamento para que possamos começar a entender qual será a
proposta possível”, afirmou.
As duas
Propostas de Emenda à Constituição (PECs) em análise tratam da redução da
jornada semanal para 36 horas, em um modelo de quatro dias de trabalho por três
de descanso (4x3). O relator destacou que a comissão concentrará inicialmente
seus esforços na análise constitucional e jurídica, mas reconheceu que o mérito
da matéria também será discutido.
“Nós
vamos centrar a nossa atenção nas questões de natureza constitucional, mas
também vamos permitir que o início do debate [...] principalmente com relação
às repercussões dessas possíveis alterações”, disse Azi na entrevista..
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Impactos para o setor produtivo
O
deputado afirmou que a proposta encontra forte respaldo entre os parlamentares.
“É inegável o benefício que uma proposta de redução da jornada de trabalho traz
para os trabalhadores. Nenhum parlamentar que tem mandato na Câmara dos
Deputados gostaria de dar um voto contra isso. Acho que isso beira a
unanimidade na Casa. O que precisamos avaliar e saber é como tratar os setores
que terão um impacto importante”, disse.
Parte
do setor produtivo defende que, caso a carga horária seja reduzida, haja
medidas de compensação, como desoneração da folha de pagamento ou redução de
encargos trabalhistas. Também está em debate a possibilidade de negociação de
horas trabalhadas ou adoção de pagamento por hora.
Paulo
Azi cobrou participação do Executivo na construção de soluções. “O governo
poderá ajudar nisso? Ou os custos ficarão apenas para os pequenos empresários,
comerciantes? Governo também será chamado a dar sua contribuição”, afirmou.
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Próximos passos no Congresso
Questionado
sobre a possibilidade de a proposta ser barrada no Congresso, hipótese
levantada pelo presidente do União Brasil, Antonio Rueda, o relator destacou a
prerrogativa do comando da Câmara. “Quem tem a primazia sobre a pauta é o
presidente da Casa. Foi ele que tomou a decisão de enfrentar esse tema. O país
já tem maturidade para enfrentar esse debate”, declarou.
De
acordo com o rito legislativo, caso a CCJ aprove a admissibilidade das PECs,
caberá ao presidente da Câmara instituir uma comissão especial para discutir o
conteúdo das propostas. Somente após essa etapa o texto poderá ser levado à
votação no plenário.
• Motta descarta disputa com governo e
prevê votação da PEC 6x1 em maio
O
presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou que
não há conflito com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em torno
da tramitação da proposta que prevê o fim da escala 6x1. Segundo ele, a decisão
de encaminhar a matéria por meio de Proposta de Emenda à Constituição (PEC) não
representa disputa política, mas sim a escolha do instrumento legislativo mais
adequado para discutir o tema. As informações são do jornalista Igor Gadelha,
do Metrópoles.
Na
conversa, Motta rebateu a interpretação de que haveria uma “briga de ego” ou
disputa por protagonismo entre o Palácio do Planalto e a Câmara dos Deputados
sobre a condução do assunto.
No
início de fevereiro, o presidente da Câmara despachou a PEC que trata do fim da
escala 6x1 para análise da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ),
contrariando a preferência do governo, que defendia o envio de um projeto de
lei com pedido de urgência constitucional. A divergência abriu debate nos
bastidores sobre quem conduziria a pauta, considerada estratégica pelo Planalto
com vistas às eleições de 2026.
Motta
rejeitou a tese de disputa política e justificou a escolha pelo caminho
constitucional. “Não é uma briga por protagonismo, uma briga de ego, mas sim o
canal legislativo correto para discutir uma matéria que tem a importância que
tem, medir os impactos, fazer a discussão correta e dando vez e voz a todos os
impactos por essa decisão que o Congresso pode vir a tomar e a partir daí
termos condições de avançar positivamente em uma pauta que atende a larga
maioria da população brasileira”, afirmou ao Metrópoles.
De
acordo com o presidente da Câmara, a tramitação via PEC permite uma análise
mais abrangente da proposta. Ele ponderou que, caso o governo optasse por um
projeto de lei com urgência constitucional, o debate ficaria restrito ao
plenário. “É um pouco mais do que briga por protagonismo. Um assunto sério como
esse não pode ser batido sob apenas uma ótica ou só um lado. A discussão, na
minha avaliação, por PEC traz a capacidade de podermos ter mais equilíbrio do
ponto de vista da tramitação legislativa”, declarou.
A
relatoria da proposta na CCJ ficará a cargo do deputado Paulo Azi (União-BA),
parlamentar de oposição ao governo e ex-presidente da comissão em 2025. Após a
análise na CCJ, a PEC seguirá para uma comissão especial, onde o mérito do
texto será discutido antes de eventual votação em plenário.
Fonte:
Fórum/Brasil 247

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