Brasilnomia – um outro
projeto de desenvolvimento
O
Presidente Lula entende que o avanço global da extrema direita se explica por
déficits do lado da democracia e da esquerda, aparentemente pensando, como
sempre, em mais políticas compensatórias, como significando distribuição de
renda e mesmo, “keynesianamente”, crescimento. José Dirceu proclama que é hora
de passar de um reformismo fraco a um reformismo forte, sem dar ideia do que é
isso, para além de mais capital estrangeiro (que, afinal, “para onde mais
iria?”). E André Singer admite que nossa esquerda tem dificuldades ideológicas
para encampar aspirações populares fora do seu script. Isso enquanto vemos,
pela enésima vez, que passar de Campos Neto a Galípolo, quanto à altura dos
juros, pode ser quase o mesmo que o contrário.
***
Este
texto, apenas uma contribuição cidadã, quer ser preâmbulo, para uma audiência
de esquerda, a uma sugestão de desenvolvimento para o País. Tem gente que
não precisa de tanto para se abrir, sem muita especulação, à sugestão de uma
virada nacional includente, dentro da atual virada do mundo. Esta outra,
global, uma virada que tem a ver com o surgimento de um país, a China, que
ameaça deslocar os EUA, hoje tão supremacista quanto sempre, e com ela o
chamando Ocidente Global, de sua posição dominante tradicional. O que tem a ver
com a insolvência americana, que não se resolve mais pela emissão de papel
verde e, também, com um particular desafio geopolítico profundo, não tanto com
uma conformada tripartição do mundo.
Trata-se
de uma virada planetária, ao mesmo tempo contraditoriamente imperial,
nacionalizante e multilateralista, que, embora envolva uma ameaça existencial
ao Brasil, pode também lhe abrir espaço para transformações de sentido
nacional, até mesmo finalmente impô-las. Isso em meio à desarranjada
financeirização do capitalismo, a uma revolução tecnológica capturada por um
novo feudalismo, e a megamecanismos de intervenção imperial híbrida. É nesse
contexto que o Brasil pode fazer uma diferença, se se dispuser a enfrentar, de
modo novo, seus próprios problemas.
O texto
trata de uma ideia de desenvolvimento próprio para o País, de florescimento
para seu povo, e de um tipo de pensamento, prático e mobilizador, que lhe dê
suporte. Enquanto trata de acenar a um reformismo também material, de sentido
democrático e republicano, de baixo para cima e de cima para baixo. Pois a
tarefa do pensamento, mesmo polêmico, é essencialmente propor algo que tenha
mais a ver com o mundo e suas demandas. Uma segunda parte, posterior,
tomará, como contraponto para esclarecer o mesmo assunto, a heresia chinesa, do
“gato de Deng”, de enorme sucesso, que entendo interpela o marxismo e a
esquerda bem mais do que o próprio colapso da URSS.
I –
Brasilnomia: Filosofia, Economia Política, Formas Materiais de Vida
Comecemos
por Chinomia, termo já estabelecido, pois é por analogia a ele que introduzo a
ideia de Brasilnomia, como via de desenvolvimento e florescimento
nacionais. Chinomia é um neologismo para a via da China, que,
com enorme trabalho, conduziu o país, em algumas décadas, de uma posição de
sujeição e atraso, muito atrás do Brasil, à de rival dos EUA. O termo
combina economia com China, e sugere uma via
própria, em contraste, em primeiro lugar mas não só, com o “Consenso de
Washington”, da mesma época, anos 80, que foi a via neoliberal, empurrada
pela Metrópole para cima de países periféricos.
A
Chinomia, também dita “socialismo de feições chinesas” ou “de mercado”, o que é
dizer muito pouco, aparece como uma via pragmática e experimentalista, a um só
tempo planejada e descentralizada. Via que alguns marxistas diriam,
desaprovadoramente, multiclassista, que começou por incluir
um “fundir-se” com os EUA, num arranjo apelidado de Chimérica (outro
neologismo, outra heresia), sem o qual essa China não teria sido. Uma via que
contrasta ainda com outra ortodoxia, a “soviética”, a que se manteve presa a
URSS, ao final exaurida e colapsada. Por um estrondoso colapso que, entretanto,
acho, desafia o marxismo e o socialismo menos do que o retumbante sucesso da
China.
Mais do
que uma política econômica diferente, Chinomia é algo grande e estruturante;
para começar, é uma economia política inteira, como uma construção material e
institucional própria. É economia política como um saber mais amplo, referido a
uma realidade nacional particular: econômica e política, mas também histórica e
cultural. Na Alemanha, o termo para economia política costumava significar,
literalmente, economia nacional, compreendendo a vida material da sociedade,
enquanto associada a estado e nação e inserida no conjunto de uma forma
de vida. O termo alemão atual, Volkswirtschaftslehre, “doutrina
da economia do povo”, não lhe fica atrás, os dois carregando uma clara
ressonância “chinesa”.
Por aí,
a economia política é um conhecimento que integra mais ciências, também a filosofia,
orientado para a construção material do país. Inclui destacadamente a filosofia
que, no pensamento de Marx, abarca as ciências sociais todas, à la Hegel
convertido em materialismo histórico ou filosofia da práxis como poiésis
(produção, criação). Por uma virada filosófica bem melhor do que a
linguocêntrica, pós-moderna, imaterialista, que, no Brasil, domina hoje o campo
das ciências humanas e, daí, o pensamento da esquerda universitária, em geral
identitarista segmentária, anti-estatista, em última análise neoliberal.
Essa
economia política própria e ampliada, ou “x-nomia” (x significando determinado
país), pode ser construída como um saber compreensivo que, pelo escopo, evoca
justamente Marx, filósofo e economista, junto com historiador, sociólogo,
político etc. Enquanto evoca também mais teóricos clássicos da economia, de
perfil semelhante, como Adam Smith, Keynes, Kalecki, Schumpeter e Polanyi, que,
a propósito, têm encontrado lugar na experiência chinesa. Ainda que esses sejam
menos filósofos do que Marx e não tenham sua ambição de oferecer uma compreensão
última das coisas, com Ideal e tudo. Trata-se de uma economia política que
evoca o materialismo histórico de Marx como uma teoria-método capaz de promover
uma extensa prática, política e mais, como um saber prospectivo,
politicamente mobilizador e materialmente transformador.
Embora, no fim das contas, Marx não represente propriamente uma economia
política mas sua crítica dialética, o que, na hora de construir um país, pode
fazer muita diferença.
O fato
é que esse materialismo social e histórico, como método e principalmente como
compreensão prática da dinâmica social, é bem mais do que apenas economia
política. Como um paradigma abrangente inteiro, compreende uma ontologia
do social, junto com uma orientação de transformação da sociedade pela
alteração de suas relações materiais e institucionais estruturantes, internas e
dela com o mundo. Como x-nomia, pode tomar por objeto uma formação
histórico-social-cultural, na sua singularidade, como uma forma de vida
produtiva, mas também, de outro lado, confrontar o conjunto do mundo humano,
como uma Civilização inteira.
Mesmo a
noção de modo de produção, que no O Capital se refere antes a
um modelo abstrato da economia capitalista clássica, é sinônimo de modo
de reprodução de uma sociedade, é “modo de vida”. Na verdade, devendo
compreender instituições e mais, que isso também é material, até artefatual,
junto com (re)produtivo. É tal noção que vai se estender na de “formação
social” ou “formação econômico-social”, “historicamente determinada”, não por
acaso invocada pelo autor do Que Fazer para realidades mais
concretas, compósitas, justamente do ponto de vista de sua efetiva
transformação. E isso junto com a noção, transnacional, de “Imperialismo”, que
carrega atributos semelhantes de concretude e particularidade, em comparação
com simplesmente Capitalismo em geral, como uma essência.
A mim
interessa que tal economia política, x-nomia ou materialismo prático-histórico
melhorado, implique em tanto ou mais do que isso. Afinal, estamos falando de
desenvolvimento nacional, coisa que não pode ser deixada apenas a economistas.
Coisa que queremos compreenda uma ontologia ad hoc,
desessencializada e dessubstancializada por uma noção, materialista, de
intencionalidade sensível. Algo para além de dualismos esquemáticos como
infraestrutura-superestrutura, e da esquemática dialética “(grandes) forças
produtivas x (poucas) relações sociais (essencializadas) de produção”, em geral
circunscrita a algumas poucas formações sociais paradigmáticas. Interessa uma
dialética ampliada, de relações e meios, que em Marx envolve apenas as poucas
relações e tipos de objetos/artefatos (bens de produção x de consumo) de seu
tempo.
Obviamente
também me interessa que tal x-nomia vá além do atomismo liberal,
anistórico, de vários modos ainda mais abstrato. Me interessa que vá além de
uma ontologia/antropologia individualista abstrata, segmentada, com desastrosos
efeitos para uma verdadeira forma de vida. Me refiro àquele atomismo a que Marx
se opõe radicalmente, em todos os níveis, no seu caso por contraste tácito à
ideia de um comunalismo integral, o comunismo, que preside os ajuizamentos
críticos próprios da mais clássica posição de esquerda – a sua.
De
nosso lado, vale ainda registrar que a raiz eco-, de economia, que aparece
também em palavras como ecologia e ecossistema, vem de grego oikos,
que quer dizer “casa”, habitat, como arranjo humano básico, privado, que, na
Grécia antiga, incluía escravos, bens, terra, artefatos. Dando em oikos–nomia,
onde nomia significa lei ou regime. Enquanto o
adjetivo política, já se sabe, vem de Polis e aponta para o
público, a partir do termo grego para Cidade-Estado. Daí economia política
como Polis-nomia, “nomia da Cidade” como comunidade organizada em
certo arranjo institucional, inseparável de suas condições materiais, técnicas,
simbólicas etc. de reprodução.
O que,
finalmente, aponta para o que vou desenvolver depois como Brasilnomia,
compreendendo elementos como cidadania material e republicanismo real. A partir
de um novo materialismo como ponto de vista filosófico, que sugere um holismo
social (de holos, todo): interacionista, artefatual,
tridimensional. Sem deixar de incluir conflito e contradição, e sem
envolver qualquer misticismo comunalista, como um comunista “fim da
pré-história” do “homem”, o “Céu tomado de assalto”, essas coisas escatológicas.
II –
Nacionalismo sem Etapismo vs Anti-Capitalismo sem Reformismo
Vamos
ao Brasil, que tem um rico percurso de construção do País e do
saber que lhe corresponde (não só de esquerda, claro), de onde se trata de
partir. Percurso de uma realidade constituída por sucessivos passos
transformadores: materiais, sociais, políticos, culturais. Com resultados
obviamente parciais e contraditórios, consolidados e ameaçados, pois assim é o
mundo. Resultados como identidade, unidade, território, independência,
abolição, república, democracia, industrialização, integração social. Também
infinitos pequenos passos, de todo tipo, não tão visíveis ou lembrados, mas
relevantes, alguns até, de hoje, em que a/o leitor/a pode estar envolvido. A
esse respeito, do lado positivo, podemos lembrar, simbólica e emblematicamente,
de figuras como Araribóia, José Bonifácio, Zumbi, Manuel Querino, Nísia
Floresta, André Rebouças, Rio Branco, entre tantos.
Todos
os países, em especial os que fizeram revoluções, China ou Cuba p. ex., tratam
de celebrar seus vultos históricos realizadores desse tipo. Entre nós, em
termos de movimentos de pensamento, à esquerda, devemos lembrar, menos
remotamente, à esquerda, a experiência, dos anos 1950 e 1960, de uma verdadeira
escola de pensamento nacional. Um movimento plural, não doutrinário,
inteiramente voltado para a questão do desenvolvimento nacional, não por acaso
imediata e literalmente destruído pelo Golpe de 64. Falo do Instituto Superior
de Estudos Brasileiros, no qual a influência de Marx, como de Hegel, teve lugar
destacado mas não excludente. Uma realização que alguns fundem e confundem com
modos de pensamento e ação mais restritos, como o da CEPAL, Comissão Econômica
para a América Latina e Caribe, e, do lado marxista, o do PCB, o histórico
Partido Comunista do Brasil, “pró-soviético”, do tempo em que a China ainda
representava pouca coisa.
Trata-se,
o ISEB, de uma relevante teorização de Brasil, de sentido prático e
mobilizador, que teve ao centro, junto com as noções de desenvolvimento e
subdesenvolvimento, uma noção anticolonial de alienação. Como
conceito de alcance histórico, político, cultural, também filosófico,
entretanto desprovido de compromissos essencialistas e substancialistas.
De uma teorização sem determinismo ou teleologia, voltada a um reformismo
radical, nacional, democrático. Em associação com o forte movimento reformista
do País e de governos nacionais do período, o ISEB elaborou exaustivamente
sobre o subdesenvolvimento justamente como um fenômeno
abrangente, da perspectiva de sua superação. Tratando de tomar o assunto de
modo brasileiro, multi-referenciado, transdisciplinar, através de uma
constelação de distintos perfis. De gente como Inácio Rangel, Hélio Jaguaribe,
Guerreiro Ramos, Vieira Pinto, Roland Corbisier, por extensão Celso Furtado,
Darcy Ribeiro, Anísio Teixeira.
O ISEB
foi uma realização marcada, é verdade, por certa versão datada, limitada,
de nacional-desenvolvimentismo, embora também por uma disposição
filosofante mais aberta e atualizada, para além de Marx. Com influências
adicionais de Sartre e de sua fenomenologia, que introduz aí agência e projeto,
e de outros, como Karl Mannheim e mais influências historicistas e
hermenêuticas, contextualistas e pragmatistas. Todas elas tomadas de modo
apropriador, não-academicista, ainda que com limitações de aprofundamento. Nos
nossos dias, Roberto Mangabeira, filósofo e teórico social de amplo horizonte,
pode ser considerado um notável desenvolvimento dessa herança, junto com
contribuições mais circunscritas de alguns de nossos economistas políticos mais
competentemente heterodoxos, como Luís Carlos Bresser-Pereira.
Depois
do Golpe de 64, o contraponto, também à esquerda, sucessor, negador, do ISEB,
veio a ser o marxismo acadêmico da USP. Pode-se dizer que tendo como precursor
Caio Prado Jr., marxista histórico, filosoficamente primário mas com relevantes
estudos da formação do País. E, como sofisticados expoentes acadêmicos:
Giannotti, Ruy Fausto, Chauí, Florestan, FHC, Chico de Oliveira, Ianni, Weffort
e mais. Enquanto a contribuição do ISEB passava a ser ignorada pela
universidade brasileira, escanteada por esse novo marxismo, sua sociologia, sua
teoria da dependência associada etc.Uma contribuição escanteada também pela
nova esquerda político-partidária, em parte daí resultante, o Partido dos
Trabalhadores, constituído durante a transição golberyana para a nova democracia,
a da Constituição de 1988.
Em
termos de concepção de fundo, essa nova brasilnomia estava marcada por uma
perspectiva dita classista, sustentando um diagnóstico “anti-etapista”
para o País. Tomado agora como plenamente capitalista, donde destinado a uma
revolução socialista, sem etapa nacional-democrática. Neste nível político, o
novo movimento esteve sob a influência de correntes marxistas organizadas, tanto
trotskistas quanto provindas da radicalização do catolicismo do Concílio
Vaticano II, de sua “opção preferencial pelos pobres”. Correntes que, pode-se
dizer, tomaram aí lugar análogo ao do PCB, no movimento anterior. Isso
enquanto, no mundo real, se desenvolviam, correlatamente, um novo operariado,
fruto do milagre industrializante da Ditadura, e um novo sindicalismo.
Junto com, Brasil afora, as “comunidades eclesiais de base”, católicas,
inspiradas pela teologia da libertação, largamente presentes na base de
constituição do PT. Elementos que hoje, por sua vez, vale registrar, também
passaram.
Retrospectivamente
pode-se entender que, embora opostos, aqueles dois núcleos marxistas, esquerda
histórica e esquerda pós-64, na verdade exibiam o mesmo etapismo, odo
materialismo histórico de Marx, implicando basicamente o mesmo determinismo e
a mesma teleologia. Quer dizer, sustentando, para a política, o
mesmo compromisso com uma determinação estrutural, sem muito lugar
para invenção, experimentalismo, pragmatismo. Para o marxismo anterior, uma
etapa, por vir, ainda não propriamente anticapitalista; para a nova esquerda, o
socialismo, estruturalmente próximo, na ordem do dia. Para o movimento
anterior, um Brasil dualista, para o novo movimento um Brasil não-dualista,
mesmo que com cara de “ornitorrinco”. Tal era o debate, de uma brasilnomia
rígida, simplista, de organizações de esquerda marxista da época, sobre o
“caráter da sociedade brasileira”, como diagnóstico maior, politicamente
determinante.
Como se
todo mundo, e, sobretudo, o próprio mundo, tivessem que rezar pela mesma
cartilha, numa versão ou na outra: a do velho PCB reformista (“quietista”), ou
a da nova esquerda anticapitalista (“revolucionária”). Ficando um Celso
Furtado, p. ex., como alguém que simplesmente não leu Marx, ou se leu não
entendeu. Enquanto esta nova esquerda dava o DNA da esquerda brasileira hoje
dominante, quer dizer, o DNA de uma esquerda sem muito nacionalismo,
anti-imperialismo ou verdeamarelismo populares. Sem muita questão nacional. Na
verdade, de origem, uma esquerda bastante avessa à noção de povo, a
histórias de burguesia nacional, ao alegado populismo anterior.
Mas, no fim das contas, chegada à prática, politicamente, até mais dualista.
No meio
disso, o referido marxismo, da USP, com O Capital mas sem
muita economia política, contribuiu para criar espaço para uma abordagem mais
sofisticada e autônoma do pensamento de Marx, e para o desenvolvimento de
uma nova ciência social universitária brasileira. Politicamente, entretanto, a
nova doutrina fomentaria, na prática, como política institucional dita de
esquerda, um “anticapitalismo” pouco efetivo, na verdade com menos, não
mais, reformismo digno do nome. Que, ao fim e ao cabo daria principalmente
em assistencialismo compensatório, de Estado, para os “excluídos”.
Um assistencialismo mal-nomeado de social-democracia, que o neoliberalismo
clássico, mutatis mutandis, também sustenta (v.g. Milton Friedman).
Isso com adicionais penduricalhos, sempre “anticapitalistas”, de
identitarismo woke, segmentário, na sua forma importada, no fim, de
horizonte neoliberal. Penduricalhos que, porém, vieram a adquirir um peso
político considerável nessa brasilnomia materialmente depauperada.
Por aí
a esquerda dominante, de hoje, enquanto se associa sem muitos problemas a
partidos de direita, paga desnecessária e injustamente, esterilmente, mico de
radical, até de vermelho-comunista, tascando ideologicamente a classe média, o
pobre de direita, os evangélicos, os costumes em geral. Enquanto flerta com
aquela referida aparência anticapitalista, para efeitos de polarização
política, de questionável conveniência eleitoral e pouco resultado
programático. O que ameaça virar, aí sim, um lamentável populismo, com o
suposto classismo basicamente tornado “pobrismo”, humanitário e tutelar.
Ideologicamente combinado com traços do socialismo moral que Marx desancou em
partes a Ideologia Alemã e do Manifesto, como
idealista, inócuo, até reacionário: o auto-nomeado “socialismo verdadeiro” de
então. O que aparentemente nos põe um grande desafio, como tacitamente admitem
os juízos que citei na abertura do texto. Para mim, como uma questão de
paradigma, um desafio que a essa altura, e particularmente na atual conjuntura
global, não dá para responder apenas com mais do mesmo. A isso voltaremos,
tomando a via da China – herética e heterodoxa – por contraponto desafiador.
Fonte: Por
José Crisóstomo de Souza, em Outras Palavras

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