sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

“Filhote da Ditadura”: Malafaia surta e vai pra cima de Paulo Figueiredo, escudeiro de Eduardo Bolsonaro

uru de Jair Bolsonaro, Silas Malafaia perdeu a paciência mais uma vez com a trupe do filho “01” do ex-presidente, Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que tem comandado ataques, usando seu fiel escudeiro Paulo Figueiredo, após o pastor midiático se alinhar a Michelle Bolsonaro e Nikolas Ferreira (PL-MG), se recusando a apoiar a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao Planalto.

Malafaia foi provocado por Figueiredo depois de afirmar, nesta terça-feira (24), que Eduardo “calado, vai ajudar muito mais o irmão [Flávio] do que abrindo a boca para falar asneira. Ele calado vai ser um belíssimo cabo eleitoral para o irmão”.

Paulo Figueiredo destilou ironias ao sair na defesa de Eduardo. “Há alguns dias não queria Flávio como candidato de jeito nenhum e dizia que não tinha chances. Agora, já está querendo dar pitacos sobre como o Flávio deve ser apoiado. Não deixa de ser um avanço, não é? Vou deixar o pastor amadurecer um pouco as ideias”.

No final da noite, Malafaia foi às redes e editou um vídeo para atacar Figueiredo, neto de João Baptista Figueiredo, que foi classificado pelo guru de Bolsonaro como “filhote da ditadura”.

“A direita precisa saber quem é Paulo Figueiredo, o filhote da ditadura”, escreveu Malafaia.

O vídeo, editado pelo pastor, dá a entender que Figueiredo seria uma espécie de agente duplo, infiltrado no bolsonarismo, mas que defende Lula.

“Eu fui um grande defensor do Lula Livre, um grande defensor do Lula Livre, um grande defensor do Lula Livre”, repete o vídeo, destacando ainda outra fala em que Figueiredo, de forma irônica, diz que é “o cara do Lula Livre na direita”.

<><> Carlos vai pra cima de Michelle

Nesta terça-feira, foi a vez de Carlos Bolsonaro (PL-RJ) alfinetar a madrasta nas redes sociais compartilhando dois tuites em que critica a “omissão” da enteada e de aliados dela, como Malafaia e Nikolas, que têm ignorado a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nas redes sociais.

Em um primeiro tuite, Carlos diz que a divulgação da candidatura do irmão está sendo feita por “tias do Zap e tios do churrasco”, enquanto é ignorada por aliados próximos nas redes sociais.

“Já se passaram quase dois meses desde que Jair Bolsonaro, preso ilegalmente e torturado, lançou seu filho como pré-candidato à Presidência da República. O lado curioso, e talvez positivo, é ver Flávio Bolsonaro liderando apenas com as divulgações maciças das tias do zap e dos tios do churrasco”, iniciou.

Em um texto pouco inteligível, o vereador carioca – que renunciou o sexto mandato para disputar vaga ao Senado por Santa Catarina -, dá a primeira alfinetada na madrasta, dizendo que “política real não se sustenta só em entusiasmo espontâneo”.

“Precisa de método, estratégia, leitura de cenário e, sobretudo, presença. Quando isso não acontece, o apoio vira ruído e o tempo começa a cobrar”, emendou, em recado ao aliados que silenciam sobre a pré-campanha do irmão.

Em publicação divulgada logo a seguir, Carlos é mais direto e pede para que os seguidores “fazer as contas, observar com calma e comparar” as redes sociais daqueles que dizem apoiar a candidatura do irmão. Michelle, segue em silêncio.

“Coincidentemente (ou não), há aquelas que trabalham para mostrar o pré-candidato a PRESIDENTE indicado por Jair Bolsonaro em suas timelines – e aquelas que simplesmente não mostram”, alfineta.

“Não é acusação. É constatação empírica. E constatação pede alinhamento, não silêncio”, emenda o “02”.

Considerado o “expert” do clã nas redes sociais, Carlos faz um apelo diante da desconfiança crescente de potenciais aliados, que têm se distanciado de Flávio em razão das brigas familiares recorrentes.

“Se a proposta é união, ela precisa aparecer na prática. Comunicação também é ação política. Quando uns somam e outros se omitem, a mensagem que fica é confusa, e confusão enfraquece. Assim acaba parecendo que se deseja algo que todos nós sabemos que não se deseja. Não é mesmo?”, indaga.

<><> Aliados querem distância

A briga latente no núcleo central do clã Bolsonaro, com os filhos atacando a enteada, tem causado uma debandada de aliados não tão próximos e dificultado a formação de alianças com o Centrão e a centro-direita.

Na última semana, Eduardo Bolsonaro voltou a fazer ataques abertos a madrasta e a Nikolas Ferreira, com quem já não conversa mais, mas é tido como apoio fundamental na eleição presidencial em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país.

Em entrevista, o filho “03” de Bolsonaro afirmou que Michelle e Nikolas “estão com amnésia”.

“Nikolas e Michelle estão jogando o mesmo jogo. Você vê um lado a lado, compartilha o outro e se apoia na rede social. Estão com amnésia, talvez, não sei por qual motivo […] não quero gerar mais polêmica, mas acho que todo mundo sabe o que está acontecendo”, afirmou – veja o vídeo.

Em seguida, Eduardo Bolsonaro envia uma indireta ao deputado mineiro: “O Nikolas está em seu primeiro mandato de deputado federal e é muito simples… tanto ele quanto a Michelle, que não tem mandato, é muito simples enxergar o cenário. A eleição está polarizada. Vai ser Flávio Bolsonaro contra Lula.”

Posteriormente, o ex-deputado afirma que Michelle compartilha posts de Nikolas, mas ignora Flávio Bolsonaro.

“Com certeza [a Michelle sofre de amnésia], eu não estou vendo ela apoiar o Flávio Bolsonaro […] eu, pelo menos, não vi nenhum apoio da Michelle, nenhum post a favor do Flávio. Ela compartilha o Nikolas toda hora”, atacou.

<><> Michelle manda seguidores “saírem”

Antes, Michelle pediu para os seguidores que a cobravam do apoio a Flávio deixarem de segui-la nas redes sociais, após compartilhar um vídeo em seu perfil no Instagram em que o governador Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos) ataca o desfile da Acadêmicos de Niterói, escola de samba que homenageou Lula na Sapucaí.

Seguidores da ex-primeira-dama lembraram que o enteado, ungido pelo pai como pré-candidato à Presidência, também fez vídeo sobre o assunto e pediram para Michelle “divulgar nosso futuro presidente Flavio Bolsonaro em suas redes”.

“Supera mulher teu marido escolheu Flávio”, escreveu um seguidores. “Cadê o vídeo do Flávio??? Tá frustada por não ter sido indicada pelo próprio marido e tá sabotando a indicação do próprio LÍDER????”, emendou outro.

As cobranças provocaram a fúria da ex-primeira-dama, que reagiu dizendo que se tratava de um perfil privado e mandando os seguidores que “andam se doendo” pararem de segui-la.

“Para quem anda se doendo demais: este perfil é privado e a escolha dos vídeos é minha. Fiquem à vontade para sair”, comentou Michelle na própria publicação.

O comentário gerou ainda mais revolta nos seguidores, que passaram a apontar a “arrogância” da ex-primeira-dama.

“Gosto demais da Senhora @michellebolsonaro, mas acho muita arrogância convidar seus seguidores a sair (caso discorde das suas postagens. Vou seguir seu conselho: DEIXANDO DE SEGUIR”, escreveu um seguidor.

“Não vou sair!!! Mesmo não concordando com você. Quero saber se isso é uma estratégia ou você realmente está contra a posição do Presidente Jair Messias Bolsonaro”, emendou outro.

•        Folha teve acesso a anotações de Flávio Bolsonaro sobre candidatos nos estados

notações feitas à mão durante uma reunião da cúpula do Partido Liberal (PL), realizada nesta terça-feira (24), revelam estratégias eleitorais, preferências internas e avaliações reservadas sobre possíveis candidatos nas eleições deste ano. O encontro contou com a presença do pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e de dirigentes nacionais da legenda.

O documento, intitulado “situação nos estados”, foi obtido pela Folha e reúne uma lista impressa de nomes com observações manuscritas. O jornal afirma não ser possível identificar quem fez as anotações. Segundo relatos, além de Flávio, estavam na sala o presidente do partido, Valdemar Costa Neto, o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha do senador, além de outros integrantes da cúpula. Entre as anotações, no entanto, uma delas referente ao vice-governador de Minas Gerais, Mateus Simões (Novo), que disputará o governo, está escrita a frase “me puxa para baixo”, indicando o único interlocutor que poderia falar na primeira pessoa dentro daquela sala.

Nesta quarta-feira (25), Flávio admitiu ser o autor das anotações.

No topo da primeira página aparece a orientação “ligar Tarcísio”, referência ao governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que disputará a reeleição.

<><> São Paulo: tensão na vice e disputa ao Senado

As anotações indicam preocupação com a escolha do vice na chapa paulista. O atual vice-governador, Felício Ramuth (PSD), nome preferido de Tarcísio, aparece ligado por uma seta ao símbolo “$”. Ramuth é alvo de investigação por suspeita de lavagem de dinheiro, acusação que nega.

Logo abaixo, surge a hipótese “André do Prado vice?”, em referência ao presidente da Assembleia Legislativa paulista, filiado ao PL e interessado na vaga.

Para o Senado em São Paulo, o deputado Guilherme Derrite (PP) é apontado como nome certo na chapa bolsonarista. A segunda vaga, a ser indicada pelo PL, segue indefinida. Entre os cotados aparecem, nesta ordem: Renato Bolsonaro, Mario Frias, Eduardo Bolsonaro, Coronel Mello Araújo e Marco Feliciano.

<><> Minas Gerais: descrença e busca por alternativa

Em Minas, o vice-governador Mateus Simões (Novo), que disputará o governo, conforme dito acima, recebe a anotação “me puxa para baixo”, indicando ceticismo interno. O documento observa que, caso ele confirme candidatura, os senadores Rodrigo Pacheco (PSD-MG) e Cleitinho (Republicanos-MG) também devem entrar na disputa.

O PL avalia lançar Flávio Roscoe, presidente da Fiemg, ao governo mineiro. Ao lado do nome há a anotação “conversa com Nikolas”, referência ao deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), que chegou a ser cotado, mas resiste à candidatura ao Executivo.

Para o Senado, aparecem os nomes de Carlos Viana, Marcelo Aro, Eros Biondini e Domingos Sávio. Apenas Viana e Sávio têm marcações de endosso.

<><> Nordeste e Centro-Oeste: alianças e impasses

Em Alagoas, são citados o prefeito de Maceió, JHC (PL), e o deputado Alfredo Gaspar (União Brasil). Ao lado de JHC, há a observação de que é preciso conversar com ele até 15 de março. Já Gaspar é descrito como “único que pedirá voto para mim”. Para o Senado, surge a indicação “Arthur (JB)”, em referência ao deputado Arthur Lira (PP-AL), possível apoiado do ex-presidente Jair Bolsonaro.

No Distrito Federal, o documento aponta impasse. A composição previa Celina Leão (PP) ao governo, com Michelle Bolsonaro e Bia Kicis ao Senado. Mas uma anotação afirma que, se Ibaneis Rocha (MDB) disputar o Senado, “não dá para oficializar com Celina”, indicando dificuldade para acomodar duas candidatas do PL.

No Mato Grosso do Sul, o governador Eduardo Riedel (PP) deve receber apoio do PL. Para o Senado, aparecem Reinaldo Azambuja e Capitão Contar, este último com a observação “recall/melhor nas pesquisas”.

Já o deputado Marcos Pollon (PL-MS) é citado com a anotação: “pediu 15 mi para não ser candidato”. Procurado, Pollon negou a informação e classificou o registro como “campanha de assassinato de reputação”.

<><> Outras articulações

Na Bahia, o foco é costurar aliança com ACM Neto (União Brasil). No Ceará, o plano é integrar a chapa de Ciro Gomes (PSDB). No Piauí, aparece como opção de apoio ao Senado o senador Ciro Nogueira (PP).

Na Paraíba, o senador Efraim Filho (União Brasil) deve se filiar ao PL para disputar o governo, enquanto o ex-ministro Marcelo Queiroga é cotado ao Senado.

No Paraná, o plano é apoiar Filipe Barros ao Senado, evitando dividir votos com outros nomes como Cristina Graeml. O rascunho menciona ainda Deltan Dallagnol como favorito nas pesquisas, associado ao governador Ratinho Júnior (PSD).

O Rio Grande do Sul aparece como “ok”, com Zucco ao governo e Sanderson e Marcel Van Hattem ao Senado. O ex-ministro Onyx Lorenzoni é citado para possível composição como vice.

Em Goiás, são mencionados Daniel Vilela e Wilder Moraes ao governo, além de Gustavo Gayer e Gracinha Caiado ao Senado.

No Mato Grosso, o senador Wellington Fagundes é descrito como “primeiro lugar nas pesquisas” ao governo. Já Janaina Riva aparece como nome certo ao Senado “de qualquer jeito”.

Em Santa Catarina, o senador Esperidião Amin foi preterido na chapa ao Senado, que terá Carlos Bolsonaro e Caroline de Toni, por determinação de Jair Bolsonaro — no rascunho, o nome de Amin aparece riscado.

O documento é descrito por interlocutores como um “brainstorm” interno. As anotações apontam para um retrato cru das negociações e tensões regionais do PL meses antes do registro oficial das candidaturas, previsto para agosto.

•        Quem é o deputado que teria pedido R$ 15 milhões a Flávio para vender candidatura, segundo a Folha

Anotações supostamente feitas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) durante uma reunião da cúpula do Partido Liberal jogaram holofotes para o nome do deputado federal Marcos Pollon (PL-MS). No material, revelado nesta quarta-feira (25) pelo jornal Folha de S.Paulo, aparece o registro: “Pollon (pediu 15 mi para não ser candidato)”.

O próprio Flávio admitiu ser o autor das anotações, feitas em um papel que reunia avaliações sobre a situação eleitoral nos estados. A observação sobre Pollon aparece no trecho dedicado ao Mato Grosso do Sul, onde o deputado se movimenta como possível candidato ao governo ou ao Senado.

Em entrevista recente, Pollon afirmou que, apesar de se colocar como candidato ao governo do MS, pode concorrer ao Senado “se Bolsonaro pedir”.

“Existe um apelo forte para que eu venha ao Senado. Se o presidente Bolsonaro me imputar essa missão, não tem como dizer não. Se ele entender que eu posso ombrear com aqueles que vão resgatar a liberdade do nosso país, eu estou pronto, e a decisão fica nas mãos dele”, declarou.

Procurado pelo jornal Folha de S. Paulo, o deputado negou que tenha colocado sua candidatura à venda e afirmou que a anotação “não faz o menor sentido”. Segundo ele, trata-se de uma tentativa de desgaste político. “Isso é uma campanha de assassinato de reputação”, disse.

<><> Quem é Marcos Pollon

Eleito deputado federal em 2022, Marcos Pollon baseou sua campanha na pauta armamentista. Advogado de formação, ganhou visibilidade nas redes sociais defendendo o armamento civil e pautas associadas à direita mais ideológica.

No Congresso, manteve o mesmo tom  extremista. Uma de suas propostas mais bizarras foi o projeto “Minha Primeira Arma”, que sugere criar incentivos para facilitar a compra do primeiro armamento por cidadãos.

Pollon também protagonizou episódios de golpismo dentro da Câmara. Em 2025, passou a ser investigado pelo Conselho de Ética após participar de um motim promovido por deputados bolsonaristas que ocuparam a Mesa Diretora e bloquearam o funcionamento do plenário como forma de chantagem e pressão para que o projeto de anistia a golpistas fosse à votação.  A representação apontou possível quebra de decoro parlamentar.

O processo ainda tramita na Casa. Entre as punições possíveis estão advertência, suspensão do mandato e, em casos mais graves, a perda do cargo — embora esta última seja considerada improvável em situações semelhantes.

Outro episódio controverso envolvendo Pollon foi a destinação de recursos de emenda parlamentar. Pollon enviou cerca de R$ 1 milhão, por meio de emenda do tipo conhecida como “emenda Pix”, para a cidade de São Paulo, fora de sua base eleitoral em Mato Grosso do Sul. A transferência chamou atenção em meio ao debate nacional sobre transparência e critérios na distribuição dessas verbas. A prática é vedada pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

 

Fonte: Fórum

 

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