quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Como México matou o narcotraficante mais poderoso do país

O Exército mexicano matou neste domingo (22/02) Nemesio Oseguera Cervantes, de 59 anos, conhecido como El Mencho, o narcotraficante mais poderoso do México e por quem os Estados Unidos ofereciam 15 milhões de dólares de recompensa.

O Exército comunicou que Oseguera Cervantes, fundador e líder do Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG), foi ferido durante uma operação realizada na localidade de Tapalpa, no estado de Jalisco (oeste), e morreu durante o transporte aéreo para a Cidade do México.

Após a morte de Oseguera Cervantes, homens armados deram início a uma onda de violência por todo o México e bloquearam estradas com carros incendiados em 20 estados mexicanos.

A operação contra Oseguera Cervantes ajudará o governo mexicano a mostrar resultados aos EUA, que pressionam o país vizinho a combater os cartéis de drogas com mais agressividade. Os Estados Unidos adicionaram o CJNG à sua lista de organizações terroristas em 2025.

Ambos os países afirmaram que a colaboração na troca de informações contribuiu para a operação deste domingo.

<><> Como Oseguera Cervantes morreu

Oseguera Cervantes foi morto durante um confronto com tropas enviadas para aptura-lo, ocorrido quando integrantes de seu cartel tentavam repeli-las, comunicou o Ministério da Defesa do México.

Segundo o ministério, os militares lançaram uma operação em Tapalpa, a 130 quilômetros ao sul de Guadalajara, para capturar Oseguera Cervantes, envolvendo a Força Aérea Mexicana e forças especiais.

O cartel contra-atacou e, no confronto que se seguiu, as forças federais mataram quatro membros da organização criminosa e feriram gravemente outros três, que faleceram durante o transporte aéreo para a Cidade do México. Entre eles estava El Mencho.

Três soldados ficaram feridos e duas pessoas foram detidas na ação. Armas de grosso calibre e veículos blindados, incluindo lançadores de foguetes capazes de abater aeronaves, foram apreendidos no local.

<><> EUA repassaram informações

A operação de captura foi realizada com o apoio de informações dos Estados Unidos, segundo o Ministério da Defesa mexicano. Uma nova força-tarefa liderada pelos militares dos EUA, especializada na coleta de informações sobre cartéis de drogas, desempenhou um papel na operação militar mexicana que resultou na morte de El Mencho, disseram funcionários de defesa dos EUA à agência de notícias Reuters e ao jornal The Washington Post.

A Força-Tarefa Interagências Conjunta de Combate aos Cartéis (JIATF-CC) foi lançada formalmente em janeiro com o objetivo de mapear as redes de membros de cartéis de drogas em ambos os lados da fronteira entre os EUA e o México, disseram autoridades americanas.

O funcionário americano que falou à Reuters sob condição de anonimato não ofereceu mais detalhes sobre qualquer informação que essa força-tarefa possa ter fornecido às autoridades mexicanas. Ele enfatizou que a operação em si foi uma operação militar mexicana.

Já um ex-funcionário, falando sob condição de anonimato sem se referir especificamente à força-tarefa, disse que os EUA compilaram um dossiê detalhado sobre El Mencho e o forneceram ao governo mexicano para a operação.

Washington Post informou que a JIATF-CC trabalha regularmente com as Forças Armadas mexicanas por meio do Comando Norte dos EUA, que supervisiona as operações americanas em ambos os países.

A JIATF-CC foi estabelecida numa cerimônia na fronteira entre os EUA e o México. O general Gregory M. Guillot, comandante do Comando Norte dos EUA, disse que o objetivo era criar uma equipe única operando para fornecer informações “precisas, oportunas e relevantes” para combater o narcotráfico.

<><> Morte deixa vácuo de poder

Não está claro quem sucederá Oseguera Cervantes, ou se alguma pessoa poderá fazê-lo. O cartel de Jalisco tem presença em pelo menos 21 dos 32 estados do México e atua em quase todos os Estados Unidos, segundo a Administração de Repressão às Drogas dos EUA (DEA).

A perda de seu líder, que, segundo analistas, “controlava tudo”, poderá ser sentida muito além do México. A ausência dele poderá também desacelerar o rápido crescimento e expansão do cartel e apturace-lo perante o cartel de Sinaloa em várias frentes.

O cartel de Sinaloa, porém, está envolvido em sua própria luta interna pelo poder entre os filhos de El Chapo e a facção leal a Zambada.

<><> Quem era ‘El Mencho’

O Exército mexicano informou que matou neste domingo (22/2) o poderoso chefe do narcotráfico Nemesio Oseguera. Conhecido como “El Mencho”, ele era líder do Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG) e um dos homens mais procurados pelo México e pelos Estados Unidos.

A operação militar foi realizada no município de Tapalpa, a 130 quilômetros ao sul de Guadalajara, capital de Jalisco — Estado sede de quatro partidas da próxima Copa do Mundo de 2026.

Sob a liderança de “El Mencho”, o CJNG se tornou uma das organizações criminosas mais poderosas e violentas do país.

Supostos integrantes do crime organizado responderam à morte do traficante com bloqueios a diversas vias nos estados de Jalisco, Michoacán (oeste do México) e Tamaulipas (norte), em meio a confrontos com forças federais de segurança. Em Guanajuato, houve incêndios em farmácias e lojas.

O governador de Jalisco, Pablo Lemus, confirmou que a operação resultou em “confrontos na região” e que, como reação, “em diferentes pontos de Jalisco indivíduos queimaram e atravessaram veículos para impedir a ação das autoridades”.

A embaixada dos EUA no México divulgou um comunicado informando que “devido às operações de segurança em curso em vários estados e aos bloqueios de rodovias e atividades criminosas relacionadas, cidadãos norte-americanos nessas regiões devem buscar abrigo até novo aviso”.

Conhecido como “El Mencho”, Oseguera Cervantes, de 56 anos, era o principal líder do CJNG, uma das organizações criminosas mais violentas e com maior presença territorial no México e que, no início do ano passado, foi designada pelo governo dos EUA como organização terrorista.

A Administração de Controle de Drogas dos Estados Unidos (DEA) colocou “El Mencho”, em 2020, como seu principal alvo em sua conhecida lista de fugitivos mais procurados. Desde então, oferecia US$ 15 milhões (cerca de R$ 77,6 milhões) por informações que levassem à sua captura.

E o atual governo de Donald Trump incluiu o CJNG em uma lista de organizações terroristas que busca combater no continente americano.

A designação mudou a forma como os agentes norte-americanos estruturam seus casos contra os cartéis. Antes, eles precisavam justificar uma ameaça a um cidadão dos EUA; agora, qualquer vínculo com o grupo já é motivo de investigação.

<><> Ascensão como líder do CJNG

Após a prisão e extradição para os EUA de Joaquín “El Chapo” Guzmán, em 2017, o grande alvo das forças antidrogas do México era Oseguera Cervantes.

Também chamado Nemesio Oseguera Ramos ou Rubén Oseguera Cervantes, e com vários apelidos, como “El Mencho” ou “El Señor de los Gallos”, ele nasceu na região conhecida como Tierra Caliente, em Michoacán, provavelmente em Uruapan ou Aguililla.

Na década de 1980, migrou para os Estados Unidos. Na Califórnia, foi detido várias vezes por delitos menores, mas já no início da década de 1990 começou a se envolver com a venda de drogas, o que levou à sua deportação.

Ao retornar ao México, ingressou na polícia de um município de Jalisco, mas optou por se envolver no círculo de proteção do narcotraficante Armando Valencia Cornelio, “El Maradona”, chefe do cartel Los Valencia (ou Cartel del Milenio).

O grupo mantinha uma aliança com o Cartel de Sinaloa, mas se separou em 2010, após a morte de um de seus fundadores, Ignacio “Nacho” Coronel. Ao lado do cunhado Abigael González Valencia, “El Cuini”, herdou parte de sua estrutura.

A partir desse momento nasceu o CJNG — e a carreira criminosa de “El Mencho” se acelerou.

<><> A expansão do CJNG

Em poucos anos, o CJNG passou de uma quadrilha local nos estados de Jalisco e Colima a uma organização com presença em mais da metade do território mexicano.

Seu principal negócio se concentrava no mercado ilegal de anfetaminas nos Estados Unidos e na Europa, mas também foram detectados vínculos entre o grupo e o mercado de drogas na Ásia.

Por trás do crescimento acelerado do CJNG há várias razões.

Uma delas foi a captura de muitos dos principais líderes de cartéis rivais, o que levou à fragmentação de alguns grupos ou quase à extinção de outros, como Los Templarios, no estado de Michoacán. O CJNG ocupou os espaços deixados pelos rivais no mercado.

Outro motivo foi o recrutamento de especialistas em finanças e químicos que desenvolvem novas fórmulas para fabricar drogas sintéticas.

A violência do cartel também tem sido um fator central. As autoridades apontaram, na última década, “El Mencho” como um personagem de alta periculosidade, com grande poder de fogo. Alguns especialistas afirmam que Oseguera Cervantes cresceu precisamente ao “triturar” seus grupos rivais.

Os interesses do CJNG e de seu líder não se limitaram ao narcotráfico. Ele aproveitou o crescimento econômico nos setores de pecuária, agricultura e construção em Jalisco para criar negócios nessas áreas e utilizá-los como vias de lavagem de dinheiro proveniente do tráfico.

O CJNG também se destacou por seu poder de corrupção sobre autoridades locais e aduaneiras. Isso facilitou a entrada de precursores ou substâncias iniciais para a fabricação de drogas sintéticas pelos portos de Manzanillo, em Colima, e Lázaro Cárdenas, em Michoacán, ambos na costa oeste do México.

Outra fonte de renda foi a extorsão de pequenos e médios negócios no oeste do México.

No entanto, desde 2022 circulam rumores sobre seu estado de saúde. Em pelo menos duas ocasiões, sua morte foi noticiada, algo que as autoridades não conseguiram confirmar. Especialistas apontam que, provavelmente, “El Mencho” já não estava diretamente à frente das operações do CJNG.

Um de seus filhos, Rubén Oseguera González — considerado o segundo na hierarquia do grupo — foi extraditado em 2020 do México para os EUA, em uma ação considerada um dos golpes mais duros contra a organização até então.

Sua esposa, Rosalinda González Valencia, também foi presa em 2021 e condenada dois anos depois por acusações relacionadas ao crime organizado. Ela deixou a prisão no fim de fevereiro passado, após obter liberdade antecipada.

¨      México tem ao menos 73 mortos após morte de chefe de cartel

O México vive uma onda de violência após a morte de um dos chefes do narcotráfico mais procurados pelos Estados Unidos. O Exército confirmou no domingo (22/02) o resultado da operação mirando o líder do Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG), Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como El Mencho.

Pelo menos 73 pessoas já morreram, incluindo 25 membros da Guarda Nacional e 34 suspeitos, segundo autoridades. Foi ativado o “código vermelho” para proteger a população diante da reação de grupos criminosos.

Os EUA ofereciam uma recompensa de 15 milhões de dólares (R$ 77 milhões) por Oseguera, cujo comando transformou o CJNG em uma das organizações criminosas mais poderosas e violentas do país.

Segundo a corporação, o narcotraficante, de 56 anos, ficou ferido em uma operação realizada na cidade de Tapalpa, no estado de Jalisco, e morreu “durante seu traslado aéreo para a Cidade do México”.

Oito suspeitos de serem pistoleiros do cartel foram mortos na operação das forças especiais para aptura-lo, e três soldados ficaram feridos, disse o secretário de Defesa, Ricardo Trevilla.

A ação gerou pânico entre moradores e turistas, que se esconderam dos confrontos entre oficiais e membros do cartel.

“Eu pensei que eles iam nos sequestrar. Corri para uma barraca de tacos para me abrigar com as pessoas que estavam lá”, disse María Medina, que trabalha em um posto de gasolina incendiado no domingo.

<><> Atmosfera de medo

Antes de a morte do chefe do cartel ser confirmada, criminosos começaram a reação violenta. Até esta segunda-feira, cartéis bloquearam diversas vias e incendiaram veículos em 20 estados ao redor do país. Houve confrontos com forças federais de segurança.

O “código vermelho” tem como objetivo conter os riscos à população em casos de bloqueios, confrontos armados ou queima de veículos. O transporte público foi suspenso em algumas áreas.

O governador de Jalisco, Pablo Lemus, confirmou que a operação resultou em “confrontos na região” e que, como reação, “em diferentes pontos de Jalisco indivíduos queimaram e atravessaram veículos para impedir a ação das autoridades”.

As ruas de Guadalajara, capital de Jalisco, estavam quase desertas na segunda-feira. O governo enviou 2,5 mil soldados para o estado, programado para sediar quatro jogos da Copa do Mundo deste ano.

Escolas, lojas, farmácias e postos de gasolina permaneceram fechados. Todos os eventos que envolviam grandes multidões foram cancelados, e o transporte público foi suspenso.

A violência se espalhou também para o vizinho estado de Michoacán, onde o cartel de Oseguera trava uma guerra contra uma coalizão rival de grupos criminosos.

<><> Disparos em aeroporto

No Aeroporto Internacional de Guadalajara, houve relatos de disparos e da presença de homens armados, o que gerou pânico entre as pessoas que estavam no terminal.

Em Michoacán também foram registrados bloqueios de estradas, enquanto o terminal rodoviário de Morelia suspendeu suas atividades. Já em Guanajuato, outro estado nos arredores, houve incêndios em farmácias e lojas.

As autoridades pediram à população que permaneça em casa.

Dezenas de voos foram cancelados, com governos estrangeiros pedindo que seus cidadãos tomem cuidado se estiverem no México.

<><> Interesse dos EUA

Oseguera era considerado o último dos chefes do narcotráfico que atuavam no molde brutal dos agora presos Joaquín “El Chapo” Guzmán e Ismael “El Mayo” Zambada.

Com seu filho, Rubén “El Menchito” Oseguera González, 35, condenado por um júri federal em Washington em setembro, especialistas alertaram que a “ausência de uma sucessão direta” poderia levar a um vácuo de poder.

“Isso abre a porta para realinhamentos violentos dentro da organização”, disse David Mora, especialista do centro de análise Crisis Group.

O México afirmou que, além de sua própria inteligência militar, a operação para capturar Oseguera foi realizada com “informações complementares” das autoridades dos Estados Unidos.

A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse que Washington “forneceu apoio de inteligência”. A presidente do México, Claudia Sheinbaum, insistiu, no entanto, que forças dos EUA não participaram da captura.

O vice-secretário de Estado dos EUA, Christopher Landau, saudou a operação e chamou Oseguera de “um dos chefes do narcotráfico mais sanguinários e implacáveis”.

Washington classifica o CJNG como organização terrorista, afirmando que o cartel envia cocaína, heroína, metanfetamina e fentanil para os Estados Unidos.

A captura de El Mencho ocorreu em meio à pressão de Trump, que ameaça impor tarifas sobre as exportações mexicanas. Ele acusa Sheinbaum de não fazer o suficiente para combater o tráfico de drogas.

 

Fonte: DW Brasil/BBC News

 

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