Como
México matou o narcotraficante mais poderoso do país
O
Exército mexicano matou neste domingo (22/02) Nemesio Oseguera
Cervantes, de 59 anos, conhecido como El Mencho, o narcotraficante mais
poderoso do México e por quem
os Estados Unidos ofereciam 15 milhões de dólares
de recompensa.
O
Exército comunicou que Oseguera Cervantes, fundador e líder do Cartel Jalisco
Nueva Generación (CJNG), foi ferido durante uma operação realizada na
localidade de Tapalpa, no estado de Jalisco (oeste), e morreu durante o
transporte aéreo para a Cidade do México.
Após a
morte de Oseguera Cervantes, homens armados deram início a uma onda de
violência por todo o México e bloquearam estradas com carros incendiados
em 20 estados mexicanos.
A
operação contra Oseguera Cervantes ajudará o governo mexicano a mostrar
resultados aos EUA, que pressionam o país vizinho a combater os cartéis de
drogas com mais agressividade. Os Estados Unidos adicionaram o CJNG à sua
lista de organizações terroristas em 2025.
Ambos
os países afirmaram que a colaboração na troca de informações contribuiu para a
operação deste domingo.
<><>
Como Oseguera Cervantes morreu
Oseguera
Cervantes foi morto durante um confronto com tropas enviadas para aptura-lo,
ocorrido quando integrantes de seu cartel tentavam repeli-las, comunicou o
Ministério da Defesa do México.
Segundo
o ministério, os militares lançaram uma operação em Tapalpa, a 130
quilômetros ao sul de Guadalajara, para capturar Oseguera Cervantes, envolvendo
a Força Aérea Mexicana e forças especiais.
O
cartel contra-atacou e, no confronto que se seguiu, as forças federais mataram
quatro membros da organização criminosa e feriram gravemente outros três, que
faleceram durante o transporte aéreo para a Cidade do México. Entre eles estava
El Mencho.
Três
soldados ficaram feridos e duas pessoas foram detidas na ação. Armas de grosso
calibre e veículos blindados, incluindo lançadores de foguetes capazes de
abater aeronaves, foram apreendidos no local.
<><>
EUA repassaram informações
A
operação de captura foi realizada com o apoio de informações dos Estados
Unidos, segundo o Ministério da Defesa mexicano. Uma nova força-tarefa liderada
pelos militares dos EUA, especializada na coleta de informações sobre cartéis
de drogas, desempenhou um papel na operação militar mexicana que resultou na
morte de El Mencho, disseram funcionários de defesa dos EUA à agência de
notícias Reuters e ao jornal The Washington Post.
A
Força-Tarefa Interagências Conjunta de Combate aos Cartéis (JIATF-CC) foi
lançada formalmente em janeiro com o objetivo de mapear as redes de membros de
cartéis de drogas em ambos os lados da fronteira entre os EUA e o México,
disseram autoridades americanas.
O
funcionário americano que falou à Reuters sob condição de anonimato não
ofereceu mais detalhes sobre qualquer informação que essa força-tarefa possa
ter fornecido às autoridades mexicanas. Ele enfatizou que a operação em si foi
uma operação militar mexicana.
Já um
ex-funcionário, falando sob condição de anonimato sem se referir
especificamente à força-tarefa, disse que os EUA compilaram um dossiê detalhado
sobre El Mencho e o forneceram ao governo mexicano para a operação.
O Washington
Post informou que a JIATF-CC trabalha regularmente com as Forças
Armadas mexicanas por meio do Comando Norte dos EUA, que supervisiona as
operações americanas em ambos os países.
A
JIATF-CC foi estabelecida numa cerimônia na fronteira entre os EUA e o
México. O general Gregory M. Guillot, comandante do Comando Norte dos EUA,
disse que o objetivo era criar uma equipe única operando para fornecer
informações “precisas, oportunas e relevantes” para combater o
narcotráfico.
<><>
Morte deixa vácuo de poder
Não
está claro quem sucederá Oseguera Cervantes, ou se alguma pessoa poderá
fazê-lo. O cartel de Jalisco tem presença em pelo menos 21 dos 32 estados do
México e atua em quase todos os Estados Unidos, segundo a Administração de
Repressão às Drogas dos EUA (DEA).
A perda
de seu líder, que, segundo analistas, “controlava tudo”, poderá ser sentida
muito além do México. A ausência dele poderá também desacelerar o rápido
crescimento e expansão do cartel e apturace-lo perante o cartel de Sinaloa em
várias frentes.
O
cartel de Sinaloa, porém, está envolvido em sua própria luta interna pelo poder
entre os filhos de El Chapo e a facção leal a Zambada.
<><> Quem
era ‘El Mencho’
O
Exército mexicano informou que matou neste domingo (22/2) o poderoso chefe do
narcotráfico Nemesio Oseguera. Conhecido como “El Mencho”, ele era líder do
Cartel Jalisco Nueva Generación (CJNG) e um dos homens mais procurados pelo
México e pelos Estados Unidos.
A
operação militar foi realizada no município de Tapalpa, a 130 quilômetros ao
sul de Guadalajara, capital de Jalisco — Estado sede de quatro partidas da
próxima Copa do Mundo de 2026.
Sob a
liderança de “El Mencho”, o CJNG se tornou uma das organizações criminosas mais
poderosas e violentas do país.
Supostos
integrantes do crime organizado responderam à morte do traficante com bloqueios
a diversas vias nos estados de Jalisco, Michoacán (oeste do México) e
Tamaulipas (norte), em meio a confrontos com forças federais de segurança. Em
Guanajuato, houve incêndios em farmácias e lojas.
O
governador de Jalisco, Pablo Lemus, confirmou que a operação resultou em “confrontos
na região” e que, como reação, “em diferentes pontos de Jalisco indivíduos
queimaram e atravessaram veículos para impedir a ação das autoridades”.
A
embaixada dos EUA no México divulgou um comunicado informando que “devido às
operações de segurança em curso em vários estados e aos bloqueios de rodovias e
atividades criminosas relacionadas, cidadãos norte-americanos nessas regiões
devem buscar abrigo até novo aviso”.
Conhecido
como “El Mencho”, Oseguera Cervantes, de 56 anos, era o principal líder do
CJNG, uma das organizações criminosas mais violentas e com maior presença
territorial no México e que, no início do ano passado, foi designada pelo
governo dos EUA como organização terrorista.
A
Administração de Controle de Drogas dos Estados Unidos (DEA) colocou “El Mencho”,
em 2020, como seu principal alvo em sua conhecida lista de fugitivos mais
procurados. Desde então, oferecia US$ 15 milhões (cerca de R$ 77,6 milhões) por
informações que levassem à sua captura.
E o
atual governo de Donald Trump incluiu o CJNG em uma lista de organizações
terroristas que busca combater no continente americano.
A
designação mudou a forma como os agentes norte-americanos estruturam seus casos
contra os cartéis. Antes, eles precisavam justificar uma ameaça a um cidadão
dos EUA; agora, qualquer vínculo com o grupo já é motivo de investigação.
<><>
Ascensão como líder do CJNG
Após a
prisão e extradição para os EUA de Joaquín “El Chapo” Guzmán, em 2017, o grande
alvo das forças antidrogas do México era Oseguera Cervantes.
Também
chamado Nemesio Oseguera Ramos ou Rubén Oseguera Cervantes, e com vários
apelidos, como “El Mencho” ou “El Señor de los Gallos”, ele nasceu na região
conhecida como Tierra Caliente, em Michoacán, provavelmente em Uruapan ou
Aguililla.
Na
década de 1980, migrou para os Estados Unidos. Na Califórnia, foi detido várias
vezes por delitos menores, mas já no início da década de 1990 começou a se
envolver com a venda de drogas, o que levou à sua deportação.
Ao
retornar ao México, ingressou na polícia de um município de Jalisco, mas optou
por se envolver no círculo de proteção do narcotraficante Armando Valencia
Cornelio, “El Maradona”, chefe do cartel Los Valencia (ou Cartel del Milenio).
O grupo
mantinha uma aliança com o Cartel de Sinaloa, mas se separou em 2010, após a
morte de um de seus fundadores, Ignacio “Nacho” Coronel. Ao lado do cunhado
Abigael González Valencia, “El Cuini”, herdou parte de sua estrutura.
A
partir desse momento nasceu o CJNG — e a carreira criminosa de “El Mencho” se
acelerou.
<><>
A expansão do CJNG
Em
poucos anos, o CJNG passou de uma quadrilha local nos estados de Jalisco e
Colima a uma organização com presença em mais da metade do território mexicano.
Seu
principal negócio se concentrava no mercado ilegal de anfetaminas nos Estados
Unidos e na Europa, mas também foram detectados vínculos entre o grupo e o
mercado de drogas na Ásia.
Por
trás do crescimento acelerado do CJNG há várias razões.
Uma
delas foi a captura de muitos dos principais líderes de cartéis rivais, o que
levou à fragmentação de alguns grupos ou quase à extinção de outros, como Los
Templarios, no estado de Michoacán. O CJNG ocupou os espaços deixados pelos
rivais no mercado.
Outro
motivo foi o recrutamento de especialistas em finanças e químicos que
desenvolvem novas fórmulas para fabricar drogas sintéticas.
A
violência do cartel também tem sido um fator central. As autoridades apontaram,
na última década, “El Mencho” como um personagem de alta periculosidade, com
grande poder de fogo. Alguns especialistas afirmam que Oseguera Cervantes
cresceu precisamente ao “triturar” seus grupos rivais.
Os
interesses do CJNG e de seu líder não se limitaram ao narcotráfico. Ele
aproveitou o crescimento econômico nos setores de pecuária, agricultura e
construção em Jalisco para criar negócios nessas áreas e utilizá-los como vias
de lavagem de dinheiro proveniente do tráfico.
O CJNG
também se destacou por seu poder de corrupção sobre autoridades locais e
aduaneiras. Isso facilitou a entrada de precursores ou substâncias iniciais
para a fabricação de drogas sintéticas pelos portos de Manzanillo, em Colima, e
Lázaro Cárdenas, em Michoacán, ambos na costa oeste do México.
Outra
fonte de renda foi a extorsão de pequenos e médios negócios no oeste do México.
No
entanto, desde 2022 circulam rumores sobre seu estado de saúde. Em pelo menos
duas ocasiões, sua morte foi noticiada, algo que as autoridades não conseguiram
confirmar. Especialistas apontam que, provavelmente, “El Mencho” já não estava
diretamente à frente das operações do CJNG.
Um de
seus filhos, Rubén Oseguera González — considerado o segundo na hierarquia do
grupo — foi extraditado em 2020 do México para os EUA, em uma ação considerada
um dos golpes mais duros contra a organização até então.
Sua
esposa, Rosalinda González Valencia, também foi presa em 2021 e condenada dois
anos depois por acusações relacionadas ao crime organizado. Ela deixou a prisão
no fim de fevereiro passado, após obter liberdade antecipada.
¨
México tem ao menos 73 mortos após morte de chefe de
cartel
O
México vive uma onda de violência após a morte de um dos chefes do narcotráfico
mais procurados pelos Estados Unidos. O Exército confirmou no domingo (22/02) o
resultado da operação mirando o líder do Cartel Jalisco Nueva Generación
(CJNG), Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como El Mencho.
Pelo
menos 73 pessoas já morreram, incluindo 25 membros da Guarda Nacional e 34
suspeitos, segundo autoridades. Foi ativado o “código vermelho” para proteger a
população diante da reação de grupos criminosos.
Os EUA
ofereciam uma recompensa de 15 milhões de dólares (R$ 77 milhões) por Oseguera,
cujo comando transformou o CJNG em uma das organizações criminosas mais
poderosas e violentas do país.
Segundo
a corporação, o narcotraficante, de 56 anos, ficou ferido em uma operação
realizada na cidade de Tapalpa, no estado de Jalisco, e morreu “durante seu
traslado aéreo para a Cidade do México”.
Oito
suspeitos de serem pistoleiros do cartel foram mortos na operação das forças
especiais para aptura-lo, e três soldados ficaram feridos, disse o secretário
de Defesa, Ricardo Trevilla.
A ação
gerou pânico entre moradores e turistas, que se esconderam dos confrontos entre
oficiais e membros do cartel.
“Eu
pensei que eles iam nos sequestrar. Corri para uma barraca de tacos para me
abrigar com as pessoas que estavam lá”, disse María Medina, que trabalha em um
posto de gasolina incendiado no domingo.
<><>
Atmosfera de medo
Antes
de a morte do chefe do cartel ser confirmada, criminosos começaram a reação
violenta. Até esta segunda-feira, cartéis bloquearam diversas vias e
incendiaram veículos em 20 estados ao redor do país. Houve confrontos com
forças federais de segurança.
O “código
vermelho” tem como objetivo conter os riscos à população em casos de bloqueios,
confrontos armados ou queima de veículos. O transporte público foi suspenso em
algumas áreas.
O
governador de Jalisco, Pablo Lemus, confirmou que a operação resultou em “confrontos
na região” e que, como reação, “em diferentes pontos de Jalisco indivíduos
queimaram e atravessaram veículos para impedir a ação das autoridades”.
As ruas
de Guadalajara, capital de Jalisco, estavam quase desertas na segunda-feira. O
governo enviou 2,5 mil soldados para o estado, programado para sediar quatro
jogos da Copa do Mundo deste ano.
Escolas,
lojas, farmácias e postos de gasolina permaneceram fechados. Todos os eventos
que envolviam grandes multidões foram cancelados, e o transporte público foi
suspenso.
A
violência se espalhou também para o vizinho estado de Michoacán, onde o cartel
de Oseguera trava uma guerra contra uma coalizão rival de grupos criminosos.
<><>
Disparos em aeroporto
No
Aeroporto Internacional de Guadalajara, houve relatos de disparos e da presença
de homens armados, o que gerou pânico entre as pessoas que estavam no terminal.
Em
Michoacán também foram registrados bloqueios de estradas, enquanto o terminal
rodoviário de Morelia suspendeu suas atividades. Já em Guanajuato, outro estado
nos arredores, houve incêndios em farmácias e lojas.
As
autoridades pediram à população que permaneça em casa.
Dezenas
de voos foram cancelados, com governos estrangeiros pedindo que seus cidadãos
tomem cuidado se estiverem no México.
<><>
Interesse dos EUA
Oseguera
era considerado o último dos chefes do narcotráfico que atuavam no molde brutal
dos agora presos Joaquín “El Chapo” Guzmán e Ismael “El Mayo” Zambada.
Com seu
filho, Rubén “El Menchito” Oseguera González, 35, condenado por um júri federal
em Washington em setembro, especialistas alertaram que a “ausência de uma
sucessão direta” poderia levar a um vácuo de poder.
“Isso
abre a porta para realinhamentos violentos dentro da organização”, disse David
Mora, especialista do centro de análise Crisis Group.
O
México afirmou que, além de sua própria inteligência militar, a operação para
capturar Oseguera foi realizada com “informações complementares” das
autoridades dos Estados Unidos.
A
porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, disse que Washington “forneceu
apoio de inteligência”. A presidente do México, Claudia Sheinbaum, insistiu, no
entanto, que forças dos EUA não participaram da captura.
O
vice-secretário de Estado dos EUA, Christopher Landau, saudou a operação e
chamou Oseguera de “um dos chefes do narcotráfico mais sanguinários e
implacáveis”.
Washington
classifica o CJNG como organização terrorista, afirmando que o cartel envia
cocaína, heroína, metanfetamina e fentanil para os Estados Unidos.
A
captura de El Mencho ocorreu em meio à pressão de Trump, que ameaça impor
tarifas sobre as exportações mexicanas. Ele acusa Sheinbaum de não fazer o
suficiente para combater o tráfico de drogas.
Fonte: DW
Brasil/BBC News

Nenhum comentário:
Postar um comentário