quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Troca da insulina NPH pela glargina no SUS: médico esclarece dúvidas e explica o que muda no tratamento do diabetes

A troca da insulina NPH pela glargina no SUS já começou e impacta pacientes em quatro estados brasileiros. O Ministério da Saúde iniciou o projeto-piloto no Paraná, na Paraíba, no Amapá e no Distrito Federal. Nesta primeira etapa, o sistema prioriza crianças e adolescentes até 17 anos com diabetes tipo 1 e pessoas com mais de 80 anos com diabetes tipo 1 ou tipo 2.

Essa mudança altera a rotina? Exige ajuste de dose? Reduz o risco de hipoglicemia?

Para esclarecer essas dúvidas, o Portal Um Diabético conversou com o endocrinologista Fernando Valente, membro da Sociedade Brasileira de Diabetes.

<><> O que muda com a troca da insulina NPH pela glargina no SUS

A insulina NPH atua como insulina basal, ou seja, mantém a glicose estável ao longo do dia e da noite. No entanto, ela tem ação intermediária e apresenta picos algumas horas após a aplicação.

Já a insulina glargina pertence ao grupo dos análogos de longa duração. Análogo significa que os pesquisadores modificaram a molécula da insulina humana para garantir ação mais estável e prolongada.

“A NPH tem ação intermediária. A glargina dura mais tempo e apresenta perfil mais previsível”, explica Fernando Valente.

Na prática, muitos pacientes com diabetes tipo 1 aplicam NPH duas ou três vezes ao dia. Por outro lado, a glargina costuma durar cerca de 21 a 22 horas. Portanto, em muitos casos, o paciente aplica apenas uma vez ao dia. Em algumas situações, o médico pode indicar duas aplicações.

<><> Menos picos ao longo do dia

A principal diferença aparece no comportamento da insulina dentro do organismo.

A NPH produz picos de ação. Isso significa que ela age com mais intensidade em determinados horários. Como resultado, o paciente precisa organizar as refeições com rigor. Caso contrário, o risco de hipoglicemia aumenta.

“A NPH oscila mais. A glargina mantém ação mais constante”, afirma o endocrinologista.

Enquanto isso, a glargina libera insulina de forma contínua. Dessa forma, ela reduz oscilações bruscas da glicose, especialmente durante a madrugada. Além disso, estudos clínicos mostram menor incidência de hipoglicemia noturna quando médicos utilizam análogos de longa duração.

No entanto, o especialista alerta. “A glargina não é mais forte. Ela não aumenta potência. Ela oferece estabilidade.”

<><> Ajuste de dose é obrigatório na transição

O paciente não deve simplesmente repetir a mesma dose que usava de NPH.

Quando a hemoglobina glicada, exame que mede a média da glicose nos últimos três meses, está controlada, o médico geralmente reduz cerca de 20% da dose total ao iniciar a glargina.

“Não fazemos troca direta unidade por unidade. Precisamos ajustar”, explica Valente.

Além disso, a mudança pode exigir revisão da insulina rápida ou ultrarrápida usada nas refeições. A NPH, por ter picos, muitas vezes ajudava a cobrir parte da glicose da alimentação. Com a glargina, que tem ação uniforme, o paciente pode precisar de ajuste maior na insulina das refeições.

Portanto, durante as primeiras semanas, o paciente deve medir a glicose com maior frequência.

<><> O que muda na rotina diária?

A troca da insulina NPH pela glargina no SUS também modifica detalhes práticos.

Primeiro, a NPH exige homogeneização antes da aplicação. O paciente precisa movimentar o frasco ou a caneta até que o líquido fique uniforme. Caso contrário, a dose pode variar.

Já a glargina não exige esse preparo. Consequentemente, o risco de erro técnico diminui.

Além disso, a NPH impõe horários rígidos. O paciente precisa alinhar pico da insulina com horário da refeição. A glargina, por outro lado, permite maior flexibilidade. Ainda assim, o médico recomenda manter horário fixo diário.

Existe uma diferença importante. O paciente pode aplicar NPH junto com insulina regular na mesma seringa, desde que siga a ordem correta. Entretanto, ele não pode misturar glargina com insulina rápida na mesma aplicação. Portanto, alguns pacientes podem precisar de aplicações separadas.

<><> Por que o SUS iniciou em quatro estados?

O Ministério da Saúde escolheu Paraná, Paraíba, Amapá e Distrito Federal para iniciar o projeto-piloto. Essa estratégia permite avaliar logística, adaptação clínica e impacto financeiro antes de ampliar nacionalmente.

Além disso, o SUS priorizou crianças, adolescentes e idosos porque esses grupos apresentam maior risco de hipoglicemia grave. Portanto, oferecer uma insulina mais estável pode trazer benefício clínico relevante.

<><> O que dizem as evidências científicas

Diretrizes internacionais, como as da American Diabetes Association, indicam que análogos basais de longa duração apresentam menor risco de hipoglicemia em comparação com a NPH.

Entretanto, nenhum tipo de insulina elimina a necessidade de acompanhamento médico.

“A vida de quem tem diabetes já exige atenção constante. Se reduzimos o risco de hipoglicemia, melhoramos a segurança”, afirma Valente.

Ainda assim, cada paciente responde de maneira diferente. Por isso, o acompanhamento individual continua essencial.

•        Por que o suco de limão é uma das melhores opções para quem tem diabetes? Nutricionista explica

Quem convive com diabetes aprende cedo que cada escolha alimentar pode impactar a glicemia. No entanto, quando o assunto é bebida, surgem muitas dúvidas. Afinal, suco pode ou não pode?

Grande parte dos sucos industrializados contém açúcar adicionado e concentração elevada de carboidratos. Por isso, eles realmente podem provocar aumento rápido da glicose no sangue. Ainda assim, essa regra não vale automaticamente para todas as versões naturais.

Nesse contexto, o suco de limão aparece como uma alternativa possível dentro de um plano alimentar equilibrado. Segundo a nutricionista e doutora pela Universidade Estadual de Campinas Unicamp, Carol Netto, o limão tem características que favorecem um impacto glicêmico reduzido quando consumido da forma correta.

“O suco de limão, preparado apenas com a fruta e água, sem adição de açúcar, apresenta quantidade muito pequena de carboidrato. Ele não substitui o tratamento, mas pode ser incluído com segurança dentro de uma alimentação planejada”, explica a especialista.

<><> Suco de limão diabetes e impacto na glicemia

O que determina o aumento da glicose após uma refeição é principalmente a quantidade e o tipo de carboidrato ingerido. Além disso, a velocidade de absorção desses carboidratos também interfere no pico glicêmico.

O limão é uma fruta com baixo teor de carboidrato quando comparada a frutas mais doces. Um copo de aproximadamente 200 ml preparado com cerca de 50 ml de suco puro contém quantidade pequena de carboidrato. Portanto, tende a provocar impacto discreto na glicemia quando não há adição de açúcar.

Outro ponto relevante é a acidez natural da fruta. Estudos científicos indicam que alimentos ou bebidas ácidas podem reduzir a resposta glicêmica de refeições ricas em amido. Isso ocorre porque a acidez pode retardar o esvaziamento gástrico e a digestão dos carboidratos. Ainda assim, o efeito depende do contexto da refeição como um todo.

<><> Como consumir sem aumentar a glicemia

Para quem busca incluir suco de limão diabetes na rotina, a forma de preparo faz toda a diferença.

Primeiro, é fundamental não adicionar açúcar. Mesmo pequenas quantidades podem alterar significativamente o impacto glicêmico da bebida. Além disso, o uso frequente de adoçantes deve ser discutido com o profissional de saúde responsável pelo acompanhamento.

Outro cuidado importante é a quantidade. Embora o limão tenha baixo teor de carboidrato, o excesso de qualquer alimento pode influenciar o controle glicêmico. Portanto, moderação continua sendo a palavra-chave.

Também é recomendável não substituir refeições por suco. O limão não fornece proteínas, fibras ou gorduras em quantidade suficiente para compor uma refeição equilibrada. Nesse sentido, ele deve ser visto como complemento e não como base da alimentação.

<><> O que dizem as diretrizes oficiais

Diretrizes internacionais reforçam a importância de evitar bebidas adoçadas no manejo do diabetes. Organizações como a American Diabetes Association destacam que o consumo de açúcar líquido está associado a maior dificuldade no controle glicêmico.

Além disso, documentos técnicos ressaltam que frutas inteiras costumam ser preferíveis aos sucos, pois contêm fibras que ajudam a reduzir a velocidade de absorção da glicose. No entanto, isso não significa que sucos naturais estejam proibidos. O ponto central é avaliar porção, composição e contexto alimentar.

É importante destacar que muitos estudos que analisam o efeito de frutas e sucos na glicemia são observacionais. Ou seja, identificam associações, mas não estabelecem relação direta de causa e efeito. Portanto, a recomendação deve sempre ser individualizada.

<><> Impacto prático para quem vive com diabetes

Na rotina de quem mede a glicemia diariamente, pequenas decisões fazem diferença. Optar por um copo de água com limão no lugar de um suco industrializado pode representar menos variação glicêmica ao longo do dia.

Além disso, escolhas mais conscientes reduzem a sensação de restrição absoluta. Muitas pessoas acreditam que o diagnóstico significa abrir mão de tudo. No entanto, informação de qualidade mostra que o equilíbrio é possível.

“O mais importante é entender que não existe alimento isolado que resolva ou descontrole o diabetes sozinho. O resultado vem do conjunto das escolhas”, reforça Carol Netto.

Portanto, o suco de limão pode ser uma opção interessante para quem deseja variar as bebidas sem comprometer o controle da glicemia. Ainda assim, ele deve estar inserido em um plano alimentar orientado por profissional de saúde.

 

Fonte: Um Diabético

 

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