Especialistas
descartam crime eleitoral em desfile que homenageou Lula
A
homenagem ao presidente Lula no desfile da escola de samba Acadêmicos de
Niterói, na Marquês de Sapucaí, provocou reação da oposição e levantou
questionamentos sobre suposta irregularidade eleitoral. Especialistas ouvidos
pelo ICL Notícias, no entanto, afirmam que não há base jurídica para sustentar
acusações de propaganda eleitoral antecipada ou abuso de poder político.
Para o
advogado Hélio Silveira, especializado em direito político e eleitoral,
eventuais questionamentos jurídicos sobre o desfile precisam considerar, antes
de tudo, o calendário eleitoral e os critérios objetivos usados pela Justiça
Eleitoral para caracterizar propaganda irregular.
Segundo
ele, o país ainda está distante do chamado microprocesso eleitoral — fase em
que candidatos são oficialmente registrados e passam a ser permitidas campanhas
com pedido explícito de voto.
“A
gente está muito distante do processo eleitoral. As eleições mesmo ocorrem nos
três meses anteriores ao pleito, quando há registro de candidatura e início da
propaganda em rádio e televisão”, afirmou.
Silveira
explicou que, fora desse período, a Justiça Eleitoral costuma analisar dois
elementos centrais para avaliar possíveis irregularidades: a existência de
pedido explícito de voto e o eventual uso indevido de recursos públicos para
favorecer candidaturas.
Ele
também destacou que a homenagem carnavalesca, por si só, não caracteriza
propaganda eleitoral antecipada e está protegida pela liberdade artística e de
expressão.
“A
escola trouxe uma homenagem, pode ser discutida a conveniência, uma
oportunidade, mas a escola tem a sua liberdade de expressão para escolher o
tema que quiser. Pode fazer uma crítica social, com humor, homenagear uma
pessoa, no caso, escolheu homenagear, o presidente da República”, afirmou
O
advogado ainda ressaltou que o repasse de recursos públicos não configura
irregularidade quando ocorre de forma isonômica entre as agremiações.
“Seria
diferente se houvesse verba direcionada só para essa escola. Mas todas
receberam recursos, não houve distinção especial para a escola de samba
favorecer o candidato tal. Por aí, eles não vão conseguir”, explicou.
Na
avaliação dele, o impacto político do episódio tende a perder força ao longo do
calendário eleitoral.
“Estamos
longe das eleições. Na Páscoa ninguém mais vai lembrar dessa história”,
completou.
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Ausência de vínculo jurídico
O
advogado e mestre em Direito pela Universidade Federal do Paraná, Diogo Busse,
reforça que não existe fundamento legal para responsabilizar o presidente pelo
desfile ou interpretá-lo como ato de campanha.
“Do
ponto de vista jurídico e legal, é uma completa bobagem. Primeiro porque ainda
é pré-candidato até 5 de julho, depois porque não foi uma iniciativa do governo
federal ou do próprio presidente. Então, querer atribuir juridicamente qualquer
responsabilidade a ele por uma escola de samba que resolveu homenageá-lo, não
tem fundamento legal”, afirmou.
Busse
reforça que, para caracterizar propaganda eleitoral antecipada, a legislação
exige critérios objetivos que não estariam presentes no caso.
“Para a
Justiça Eleitoral, a linha entre homenagem e crime eleitoral depende
basicamente de duas coisas: o pedido de voto expresso. Então, ‘vote em mim’ ou
dingo de campanha, que pode ser interpretado como propaganda antecipada, o que
definitivamente não ocorreu. E a segunda é abuso de poder político-econômico.
Então, se houver uso de verbas públicas destinadas à cultura para promover uma
candidatura ou a estrutura estatal está sendo usada para dar vantagem eleitoral
ao homenageado, o que também, de fato, não aconteceu.
Segundo
o advogado, eventual responsabilização eleitoral exige ainda o chamado nexo de
causalidade — vínculo direto entre a conduta e a irregularidade.
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Oposição promete judicializar caso
O
senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que é pré-candidato à presidência da
República, afirmou que pretende ingressar com ação no Tribunal Superior
Eleitoral contra o que classificou como “crimes do PT na Sapucaí”.
Mais
cedo, o Partido Novo também anunciou que pretende pedir a inelegibilidade do
presidente.
O
desfile incluiu referências críticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro, principal
adversário político do atual governo e pai do senador Flávio Bolsonaro. Durante
a apresentação, o ex-mandatário foi retratado em alegoria como um palhaço
vestido com uniforme de presidiário.
Apesar
da pressão política, os especialistas afirmam que o protocolo de ações
judiciais não significa necessariamente que existam elementos jurídicos para
sustentar as acusações.
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Escola denuncia perseguição
Após o
desfile, a Acadêmicos de Niterói divulgou nota afirmando ter enfrentado ataques
e pressões para manter o enredo. A agremiação declarou ter sofrido
perseguições, inclusive dentro da própria estrutura organizadora do Carnaval
carioca.
A
diretoria também criticou a narrativa recorrente de que escolas
recém-promovidas ao Grupo Especial estariam fadadas ao rebaixamento.
“Reafirmamos
com firmeza que esperamos um julgamento justo, técnico e transparente, que
respeite o que foi apresentado na Avenida e não reproduza perseguições,
interesses ou pré-julgamentos”, declarou a escola.
A
agremiação afirmou ainda que a recepção do público durante o desfile
representou uma resposta às críticas. “O carinho do público foi o nosso maior
prêmio”, disse a nota.
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Cultura, política e democracia
Os
especialistas apontam que o episódio revela tensões recorrentes entre
manifestações culturais e disputas políticas no Brasil. Para eles, o Carnaval
historicamente dialoga com figuras públicas, temas sociais e debates políticos
sem que isso represente, necessariamente, promoção eleitoral.
O
advogado Diogo Busse, que já atuou como diretor no Ministério da Cultura,
afirma que parte das críticas ao desfile está ligada ao desconhecimento sobre o
funcionamento das políticas públicas de fomento cultural no país.
“Existe
um grande desconhecimento sobre as leis de fomento à cultura, que muitas vezes
não envolvem repasse direto de recursos públicos do governo federal para
projetos culturais. Funciona como uma isenção fiscal. São verbas que as
empresas pagariam a título de imposto de renda e que são destinadas a eventos
culturais. Nesse caso também pode haver fomento público direto, seguindo
critérios de transparência e, sobretudo, de imparcialidade”, afirmou.
• Desfile em homenagem a Lula na Sapucaí
incomoda religiosos
A
homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva no desfile da escola de samba
Acadêmicos de Niterói, no Sambódromo da Marquês de Sapucaí, continua
repercutindo. Embora o desfile dificilmente provoque uma migração imediata de
votos, o desgaste simbólico é real e, segundo especialistas, tende a alimentar
a polarização e pode ter efeitos cumulativos em uma eleição considerada
apertada, sobretudo porque a direita deve usar o tema envolvendo a ala dos
conservadores retratada em latas de conserva como pauta nas eleições de
outubro.
Para o
deputado federal Otoni de Paula (MDB-RJ), o governo provocou um distanciamento
ainda maior das igrejas cristãs, e essa reaproximação ocorrerá do médio ao
longo prazo, o que pode prejudicar o desempenho eleitoral. "Estamos a oito
meses das eleições e o outro lado (bolsonaristas) está se aproveitando dessa
pauta moral, usurpando e usufruindo do tema nas igrejas. A direita está fazendo
um carnaval com isso e a esquerda os presenteou com uma pauta de graça",
declarou o parlamentar ao Correio.
Ele
disse ainda lamentar o ocorrido no desfile, afirmando que o episódio pode
impactar negativamente as eleições presidenciais. "Será uma eleição
apertada e não se pode dar ao luxo de perder eleitores. Se Lula não tivesse ido
à Sapucaí, ele não perderia votos, mas a ida chancela o que foi mostrado pela
escola", afirmou, ressaltando que o governo tinha conhecimento de todos os
detalhes e das alas que compunham a homenagem ao presidente da República.
O
parlamentar garante que a repercussão negativa não é coordenada pelos
bolsonaristas, mas pelo povo evangélico, que se sentiu ofendido. "O
movimento que está acontecendo não é bolsonarista. É um movimento em resposta
dos conservadores brasileiros, no qual os bolsonaristas estão surfando. É mais
sério do que Lula pensa. E, até agora, o presidente não pediu desculpas, não se
justificou. O pedido de desculpas não é para os bolsonaristas, é para o povo
evangélico, cristão. Ele poderia dizer que respeita a manifestação cultural,
mas que não pactua", ressaltou.
O
deputado Henrique Vieira (Psol-RJ), da base governista, fez questão de frisar
que o evento não foi um desfile do PT nem do governo federal. Ele afirmou que
todas as escolas têm liberdade artística para produzir seus espetáculos.
"É importante lembrar às pessoas que a escola de samba é livre e que o
governo não influenciou, criou, roteirizou ou patrocinou o desfile da
escola".
Questionado
se o governo federal sabia ou não dos detalhes da homenagem, o parlamentar
disse desconhecer a informação, mas afirmou que ficaria preocupado caso isso
tivesse ocorrido. "Eu acho que não. E, se o governo procurou ter
conhecimento, acho que estava errado, porque, na minha opinião, entra num lugar
bem perigoso de controle da narrativa livre de uma escola de samba. Eu
desconheço que o governo sabia e se houve algum monitoramento prévio para saber
o detalhamento da homenagem", ressaltou.
Vieira
explicou que interpretou a crítica como direcionada a um único modelo familiar,
defendido por setores mais conservadores e visto como modelo exclusivo.
"Todas as outras formas de configuração familiar são vistas como erradas
ou promíscuas, como mães solo, filhos criados por avós ou casais homoafetivos.
Eu nunca vi um casal homossexual questionando uma família heterossexual",
disse o parlamentar, ressaltando que, na avaliação dele, cerca de 70% dos
evangélicos devem continuar votando em Lula, enquanto 30% permanecem com os
bolsonaristas.
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Incômodo
Para o
pastor Daniel de Castro, da Assembleia de Deus de Madureira em Taguatinga
(Adtag), não se pode admitir que a exposição de convicções religiosas,
amparadas pela Constituição Federal, seja tratada como ilícito simplesmente por
contrariar visões ideológicas. "Vivemos um tempo preocupante, em que a
liberdade religiosa parece, muitas vezes, ter peso diferente a depender de quem
a exerce. Quando um cristão manifesta sua convicção de fé — especialmente um
pastor — surgem tentativas de criminalização, constrangimento público ou
judicialização da pregação", afirmou.
Ele
disse ainda ser contrário a qualquer tipo de intolerância religiosa, em
qualquer circunstância. "Liberdade de expressão não pode ser utilizada
como escudo para a prática de desrespeito religioso. O Estado Democrático de
Direito protege tanto a livre manifestação quanto a liberdade de crença, e uma
não pode anular a outra", disse, ao afirmar que pretende adotar medidas
judiciais cabíveis, acionando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e o
Ministério Público.
Para o
pastor Lucas Veras, da Igreja Pentecostal da Ceilândia, a mensagem transmitida
pelo desfile foi clara e ultrapassou o campo artístico, ofendendo as famílias
conservadoras. "Quem assistiu ao desfile da escola de samba Acadêmicos de
Niterói consegue entender muito bem a mensagem que a escola está trazendo,
tanto no contexto político quanto religioso. O que mais me chamou a atenção foi
a forma como a família foi colocada dentro de uma lata, sendo chamada de
conservadora, como se ser conservador fosse algo ruim, arcaico ou
negativo", afirmou.
Segundo
ele, a crítica simbólica atingiu diretamente a estrutura familiar e a fé
cristã. Ele considerou como discriminação,
agressão. "Não se trata apenas de religião A, B ou C. Ali se
critica a família como base da sociedade. O pior é mostrar dentro daquela lata
famílias felizes, pai, mãe e filhos, passando uma imagem ruim de algo que é
bom. Isso é uma forma de discriminação religiosa, porque a fantasia traz
Bíblia, cruz e símbolos cristãos para uma festa extremamente secular",
concluiu.
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Desgaste político
Para o
sociólogo e professor do Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Direito da
Universidade Federal Fluminense (UFF) Ivan Alemão, houve um exagero na
abordagem adotada pela escola de samba. Ele afirmou ter ficado surpreso com a
crítica religiosa. "Acho que houve um certo exagero na temática, a partir
do momento em que o desfile saiu atacando várias frentes. Inclusive, a questão
dos evangélicos é muito problemática de ser abordada em uma escola de samba,
algo que não é comum, ainda mais em ano eleitoral. É tudo o que o Lula não
precisava", avaliou.
Segundo
ele, o episódio dificilmente teria capacidade de gerar ganhos eleitorais para o
presidente, mas cria um desgaste desnecessário. "É uma coisa que
dificilmente convence alguém a votar em alguma pessoa, só porque foi
homenageada por escola de samba. O problema é que isso acontece em ano
eleitoral e acaba sendo comparado com precedentes, como o que ocorreu com o
Bolsonaro. O Brasil vive um momento em que pode acontecer de tudo, com STF
(Supremo Tribunal Federal), escândalos e até uma nova composição no TSE. Hoje,
prever o que um juiz vai decidir é uma das coisas mais complicadas que
existem", afirmou.
O
professor também destacou que a crítica a símbolos religiosos foi o ponto mais
sensível do desfile e acabou atingindo parte do próprio eleitorado do
presidente. "Quando se faz crítica social, normalmente é à pobreza, à
miséria, à fome. Nesse caso, acabou sendo uma crítica a uma religião, o que
ofende as pessoas. Dentro do próprio PT há muita gente conservadora, o partido
nasceu da igreja, do sindicalismo e da esquerda militante. Mais da metade da
população brasileira é conservadora. Quando se toca nessa questão, você atinge
uma parte do eleitorado do próprio Lula", completou.
Já o
cientista político e professor do Departamento de Ciência Política da
Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Jorge Chaloub defendeu cautela na
avaliação dos efeitos eleitorais do episódio. "Eu acho que o primeiro
ponto importante é ter prudência, porque vejo muitas análises definitivas sobre
os efeitos disso na eleição, e é muito difícil cravar. Pode gerar algum
desconforto, pode circular de forma negativa, mas não é algo simples ou
automático", ponderou.
Chaloub
ressaltou que o desfile não pode ser diretamente associado à campanha
presidencial. "Uma escola homenageou o Lula, mas não foi a campanha do
Lula que fez isso. Atribuir isso diretamente à esquerda não é uma passagem
simples. Foi uma representação feita por uma escola de samba, que pode ser
mobilizada politicamente, mas eu sou cético quanto à centralidade disso para os
efeitos eleitorais", afirmou.
Para o
professor, o impacto do episódio depende mais da disputa de narrativas e da
capacidade política das campanhas do que do desfile em si. "Em tempos de
muita circulação de discurso e fake news, você não precisa nem do fato concreto
para criar a ideia de que a esquerda odeia os evangélicos. O que vai definir se
isso circula mais ou menos é a capacidade da campanha do Lula e da esquerda de
mostrar que têm relações com evangélicos, que valorizam a fé evangélica, cristã
e todas as religiões", concluiu.
• Eleições: a partir de quando é permitido
fazer propaganda eleitoral?
O
desfile da Acadêmicos de Niterói em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da
Silva (PT) levantou questionamentos sobre uma suposta prática de propaganda
eleitoral antecipada. Com a proximidade do pleito, aumentam as dúvidas sobre o
que pode ou não ser feito na divulgação de candidatos e partidos.
A
propaganda eleitoral busca informar o eleitor sobre propostas, perfil do
candidato, trajetória política, ideias, entre outras questões. Ações desse tipo
seguem um calendário específico, de acordo com a legislação eleitoral e, se
feitas fora do prazo, podem resultar em multas e sanções.
Geralmente,
o período de propaganda eleitoral começa a partir de 15 de agosto e vai até a
véspera do pleito. Nesse período, não é permitida a veiculação de propaganda
paga em rádio e televisão.
Segundo
o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), é considerada propaganda antecipada
qualquer ação feita fora do prazo que contenha pedido explícito ou subentendido
de voto. Também é irregular a veiculação de conteúdo eleitoral em local
proibido ou por meio, forma ou instrumento não permitido no período de
campanha.
As
normas para as eleições de 2026 serão definidas em resoluções que estão sendo
elaboradas pela Corte Eleitoral. Em 5 de fevereiro, o TSE concluiu um ciclo de
audiências públicas para coletar sugestões de órgãos públicos, instituições,
partidos e outras entidades sobre as regras que vão vigorar durante o pleito.
Desfile
questionado
O
desfile em homenagem ao presidente Lula levantou uma discussão sobre propaganda
antecipada. O chefe do Planalto já anunciou que disputará a reeleição em
outubro.
A
oposição anunciou que vai entrar com nova ação no TSE com o pedido de
inelegibilidade devido à apresentação. Antes do desfile, a Corte havia negado
dois pedidos de liminar que buscavam impedir a realização do desfile,
argumentando que não havia “elemento concreto de campanha eleitoral
antecipada”.
• As 5 vezes em que presidentes foram
homenageados ou criticados por escolas de samba no Carnaval
o ano
em que a Acadêmicos de Niterói, estreante no Grupo Especial, abre o próximo
domingo de Carnaval (15) do Rio de Janeiro com o enredo “Do alto do Mulungu
surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, a avenida volta a contar parte
da história política do país.
Embora
poucos presidentes tenham sido homenageados — como Getúlio Vargas, Juscelino
Kubitschek e Lula —, a temática envolvendo a biografia de chefes de Estado na
avenida não é novidade. O próprio Lula, atualmente em seu terceiro mandato, já
foi homenageado em enredo em 2003, pela Beija-Flor de Nilópolis.
A
escolha da novata, assim, coloca novamente a política no centro da abertura do
desfile que, desde o emblemático cortejo da Paraíso do Tuiuti, com críticas ao
governo Temer em 2018, e da Acadêmicos de Vigário Geral, com sua sátira ao
bolsonarismo em 2020, tem mobilizado o início dos anos eleitorais.
Assim,
a Revista Fórum faz uma linha histórica para relembrar os cinco desfiles em que
chefes de Estado foram inspiração — para o bem e para o mal — da festa na
avenida.
>>>
Getúlio Vargas
• 1956 | Estação Primeira de Mangueira
levou o enredo “Exaltação a Getúlio Vargas – Emancipação Nacional do Brasil”,
numa chave de exaltação que dialogava com a memória do trabalhismo e do
nacional-desenvolvimentismo.
• 2000 | Portela apresentou “Trabalhadores
do Brasil – A Época de Getúlio Vargas” no Carnaval temático dos 500 anos,
recuperando a “Era Vargas” como eixo de leitura histórica.
>>>
Juscelino Kubitschek
• 1981 | Estação Primeira de Mangueira
voltou à avenida com “De Nonô a JK”, reforçando a mitologia política do
ex-presidente como figura de conciliação e modernização.
• 2002 | Leão de Nova Iguaçu desfilou com
“Do esplendor diamantino aos sonhos dourados de Juscelino”, reafirmando JK como
personagem de “obra” e de futuro prometido.
>>>
Luiz Inácio Lula da Silva
• 2003 | Beija-Flor de Nilópolis trouxe “O
povo conta a sua história: ‘saco vazio não para em pé’”, associando o desfile
ao debate sobre fome e desigualdade no início do primeiro governo Lula.
>>>
Michel Temer
• 2018 | Paraíso do Tuiuti marcou época
com “Meu Deus, meu Deus, está extinta a escravidão?”, levando à avenida uma
crítica social que ficou famosa também pela figura satírica associada ao poder
da época.
>>>
Jair Bolsonaro
• 2020 | Acadêmicos de Vigário Geral
encerrou o desfile da Série A com um tripé que foi amplamente lido como crítica
ao bolsonarismo, usando a linguagem do deboche e do símbolo direto.
Fonte:
ICL Notícias/Metrópoles/Fórum

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