Valério
Arcary: A iminente agressão imperialista ao Irã
A
ofensiva mundial de Trump parece imparável. A aposta nacional-imperialista dos
EUA, indivisível de uma orientação neofascista interna, avança,
ininterruptamente. Depois do ataque à Venezuela, do ultimato de anexação da
Groenlândia, do cerco naval criminoso contra Cuba, o alvo agora é Teerã.
Aproxima-se do Irã uma poderosa força naval norte-americana, reforçada pelo
maior porta-aviões do mundo, que estava no Caribe ameaçando a Venezuela, que
apoia um esquadrão de muitas dezenas de jatos e bombardeiros, que deve ser a
maior frota concentrada dos EUA desde as invasões do Afeganistão e Iraque. O
ultimato é claro e não há qualquer improviso. Desde março de 2006, durante o
governo Bush, ou seja, nos últimos vinte anos, o Irã tem sido denunciado como
“o maior perigo mundial” pelos EUA. Parece loucura, mas obedece a um método,
porque repousa em cálculo que nunca mudou, fosse o presidente Obama ou Biden,
do partido Democrata, ou Bush e Trump, dos Republicanos. Num sentido amplo, o
uso da força militar é uma expressão de barbárie, ou seja, de brutalidade,
bestialidade e estupidez. O uso da guerra é uma maneira primitiva, ou seja,
incivilizada, rudimentar e obtusa de resolver conflitos. Mas não é verdade que
todas as guerras são iguais. Há guerras injustas e guerras justas. Depois da
Guerra dos Onze Dias em junho de 2025, um novo ataque dos EUA contra o Irã, que
terá o apoio incondicional de Israel, será uma guerra injusta. Trata-se de uma
guerra imperialista, organizada, minuciosamente, por Trump em incessantes reuniões
com Netanyahu. A questão de agora é: por quê? A resposta mais simples é a mais
verdadeira: porque podem, como ficou demonstrado por tudo que aconteceu depois
da agressão militar impune contra a Venezuela. Nem a ONU, nem os países
latino-americanos, nem os Brics, portanto, nem Moscou, nem Pequim fizeram nada
senão uma nota de protesto. A relação de forças no sistema de Estados mudou, e
os EUA conquistaram uma posição mais forte. Mas um ataque ao Irã pode ser um
grave erro de cálculo.
A
possibilidade de um ataque, admitido por Trump nos próximos dez ou quinze dias,
deve ser considerado como um perigo real e iminente. Não é possível prever a
forma que assumirá, mas o mais provável é que seja uma operação de bombardeio
aéreo a instalações militares, associado a um ataque cibernético semelhante ao
que foi feito em Caracas, mirando a liquidação de lideranças políticas do
regime, como o assassinato do general Soleimani no Iraque em 2020, para impor o
terror sobre a população, e explorar divisões internas ao regime. O pretexto
argumentado pelos EUA, nos últimos vinte anos, é que o Irã não pode ter armas
nucleares. Segundo a Agência Internacional de energia atômica, o Irã
possui cerca de 400 a 440 kg de urânio enriquecido a 60%. Esta
quantidade poderia garantir a construção de algumas bombas nucleares, mas
somente se for enriquecida até 90%. A capacidade de enriquecimento de
urânio a 60% é ainda insuficiente e, depois da destruição da maior parte das
centrífugas em 2025, consumiria pelo menos alguns anos, se Teerã decidisse
fazê-lo. Desde 1991, foi anunciada incontáveis vezes que o Irã estaria muito
perto de construir a bomba. Não se confirmou esta previsão nos últimos 35 anos.
A operação ideológica dos EUA de justificar uma guerra contra o Irã para
defender a paz é de uma desonestidade absurda, porque é falsa. Trata-se de uma
mentira, como foi uma fraude a acusação de que o Iraque teria armas de
destruição em massa para legitimar a invasão em 2003. O objetivo da guerra é
demonstrar que Washington não vai tolerar a existência de Estados
independentes, e sinalizar para o mundo, em especial para Moscou e Pequim, que
os EUA são a única potência com capacidade de operação irrestrita em escala
mundial, além de garantir a supremacia militar israelense sobre o Oriente
Médio. Seu plano é indivisível da estratégia norte-americana de preservação da
hegemonia mundial contra a China.
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A esquerda deve defender o Irã diante da ameaça devastadora
Defender
o Irã diante dos EUA não equivale a solidariedade política com o regime do
clero-partido-exército no poder. O Irã é um Estado na periferia do capitalismo,
mas um raro país independente, como Cuba é e era a Venezuela, em um mundo em
que a disputa dos EUA à frente da Tríade contra a ameaça colocada pela ascensão
da China é o conflito central no sistema de Estados. A rigor, nenhum país
periférico pode ser plenamente independente em um mundo dominado por uma ordem
imperialista. Mas há graus diferenciados, maiores ou menores, de autonomia. O
Brasil e o México são dependentes, mas muito menos do que o Paraguai, Peru ou
Bolívia. A Índia é, em comparação com Estados sul-americanos, como Argentina e
Chile, muito mais independente, não só porque “tamanho faz diferença”, é um dos
cinco maiores PIBs do mundo, mas porque tem armas nucleares. A inserção do Irã
no mercado mundial é periférica em função da condição primária-exportadora,
dependência de investimentos e tecnologias e industrialização precária, agravada
por sanções devastadoras durante a pandemia. Mas o Irã conquistou um lugar
independente no sistema de Estados porque o seu governo tem plena soberania
sobre suas decisões internas, e relativa autonomia nas externas. O Irã é
consciente da inferioridade militar diante de Israel, e seu governo já
sinalizou disposição de negociações com os EUA fazendo concessões. A
compreensão do lugar do Irã deve considerar:
(a) ser
uma nação com milênios de história herdeira do império persa com uma cultura
própria forte, como a língua farsi, a tradição nacional e uma identidade xiita
do islamismo;
(b) o
atual regime surgiu de uma poderosa revolução popular anti-imperialista
liderada pelo clero xiita contra a ditadura de forma monárquica do Xá Reza
Pahlavi, instalada no poder em 1953 por um golpe de Estado com apoio da CIA,
que derrubou o governo de Mosaddegh (1951–53);
(c) o
regime é uma teocracia, como o Estado do Vaticano, ou seja, não há separação
entre a dimensão política e religiosa nas instituições de poder que exercem a
administração civil e militar do Estado, impondo normas morais,
espirituais, educacionais e culturais e, embora haja eleições, elas não
são livres e as candidaturas obedecem à autoridade do clero xiita, mas embora
seja evidente que os aiatolás têm base social grande, não é claro qual é o grau
de coesão social interna;
(d)
embora o Irã tenha importantes reservas de petróleo – extrai 3,3 milhões de
barris por dia, terceiro maior produtor da OPEP e sétimo em escala global – o
regime é consciente que a soberania energética não pode depender de um recurso
não renovável, e perseverou no desenvolvimento de um complexo de centrífugas de
enriquecimento de urânio para fins civis que, apesar de da negação pública, não
exclui a ambição de ter armas nucleares como Israel;
(e) o
Irã é consciente que nem Moscou, nem Pequim têm interesse em precipitar
confronto com Washington e tanto Rússia quanto China defendem uma imediata
desescalada, que só é possível com concessões de Teerã a Washington.
A
ofensiva de Trump parece confirmar que a estratégia de preservação da liderança
político-econômica dos EUA diante da ascensão chinesa exige um rearranjo global
de posições de força no sistema de Estados. A subversão da ordem mundial passa
por três iniciativas táticas:
(a) eliminar ou reduzir, brutalmente, os graus
de autonomia dos Estados-Nação da periferia com alguma veleidade
independentista, o que ameaça – depois da retomada do canal do Panamá e
sequestro de Maduro – o Irã e Cuba, talvez até a Coreia do Norte, além de impor
novos limites mais estreitos para a Índia e Brasil, indispensáveis para os
Brics;
(b)
deslocar a prioridade da parceria com Londres, aliado histórico da Holanda e
das nações escandinavas ao exigir a anexação da Groenlândia, e reafirmar a
primazia americana diante do eixo Paris/Berlim na União Europeia, excluídos das
negociações com Moscou sobre o destino da Ucrânia e do governo Zelensky;
(c)
preservar relações especiais com a Rússia explorando possibilidade de acesso
direto, mesmo quando as tensões com a China se agudizam.
A ordem
negociada em Yalta e Potsdam ao final da Segunda Guerra Mundial estava sendo
reorganizada desde 1989/91, quando se abriu uma nova etapa histórica no sistema
mundial de Estados, em função da restauração capitalista na ex-URSS. Mas agora
tudo mudou. A etapa da “globalização” se encerrou. Washington está deslocando o
papel da ONU com o Conselho da Paz sobre a Palestina e, em breve, poderá
questionar os acordos de Bretton Woods. O surgimento dos Brics é intolerável
para os EUA. Não obstante, sem uma nova ordem mundial estável, que garanta a
hegemonia dos EUA e a preservação do dólar como moeda mundial, não parecem
estar reunidas condições de um novo período sustentado de crescimento
econômico.
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A disputa é pelo poder mundial
A
tentação de encontrar explicações essencialmente econômicas para a perenidade e
agressividade do capitalismo no início do século XXI é compreensível, mas
parece pouco produtiva para explicar porque o neofascismo é a corrente política
mais dinâmica na imensa maioria dos países imperialistas, liderando uma fração
impetuosa do grande capital. Nem os que teorizaram a terceira revolução
industrial com o surgimento da internet nos anos 90, nem os que previram a
possibilidade da superação das crises cíclicas com o relaxamento monetário
depois da crise de 2008 e, talvez, menos ainda, aqueles que acreditam nas
biotecnologias, nanotecnologias e inteligência artificial – nada é suficiente
para explicar a ofensiva de Trump na Casa Branca. A disputa com a China tem uma
dimensão econômica, mas é muito mais que rivalidade econômica. O que está em
disputa é a necessidade de impor uma derrota histórica às classes trabalhadoras
e os povos oprimidos necessária para garantir o domínio mundial dos EUA.
Análises
economicistas não oferecem um quadro de análise satisfatório para a necessidade
de um domínio nacional-imperialista e neofascista, sustentado pelo Pentágono e
pelo dólar, a potência que mantém a liderança do processo recolonizador no
sistema mundial de Estados. A derrubada do regime no Irã não remete somente ao
fluxo de petróleo para os EUA. A derrubada do regime em Cuba não obedece apenas
à devolução da ilha para a burguesia de origem cubana na Flórida. As
necessidades políticas de preservação de supremacia de poder não podem ser
subestimadas.
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Neste Ramadã em Gaza, oramos por misericórdia e acendemos
uma única vela pela esperança. Por Majdoleen Abu Assi
Todos
os anos, o Ramadã chega como um refúgio para a alma. Para muçulmanos como eu, é
uma pausa sagrada no caos da vida. Mas este ano, como uma mulher deslocada das
ruas familiares da Cidade de Gaza para um quarto alugado em Al-Zawayda, busco
uma paz que parece um fantasma. O mundo chama isso de " cessar-fogo ", mas da
minha janela o silêncio é pesado. Prendemos a respiração porque o medo da morte
não desapareceu, apenas se tornou imprevisível.
Este
ano , não recebi o Ramadã com as
lanternas douradas que outrora adornavam nossas varandas. Recebi-o ao rugido
das escavadeiras demolindo as estruturas das casas vizinhas e ao zumbido
constante dos drones de vigilância israelenses, os zanana ,
sobrevoando nossas cabeças. Mesmo enquanto oramos, esse zumbido metálico abafa
o adhan , a chamada para a oração, lembrando-nos de que ainda
estamos sendo vigiados e que nossa "calma" está à mercê de um ataque
repentino.
Meu
coração permanece nas ruínas da Cidade de Gaza . Lamento a
vida vibrante do mercado de Al-Zawiya, o aroma de suas especiarias e a mesquita de Al-Omari , onde nossas
orações coletivas antes pareciam uma fortaleza inabalável. O Ramadã costumava
significar verdadeiro calor para mim. Eu o vivenciava na casa da minha família
em Gaza, no bairro de Rimal, onde a mesa nos unia, repleta de risos e paz. Às
vezes, eu quebrava o jejum com minha família, outras vezes com amigos ou
vizinhos, como se o mês nos ensinasse que o coração tem espaço para todos.
Hoje,
estamos em quartos apertados, com os ouvidos atentos ao céu. Rezamos por
misericórdia e aguardamos o assobio de um míssil que pode decidir que nossa
“trégua” expirou. O deslocamento transformou cada ritual em uma montanha a
escalar. O custo de comida e bebida para todo o mês do Ramadã costumava ser de
no máximo 1.000 shekels, enquanto hoje chega facilmente a 3.500 shekels, sem
sequer suprir as necessidades básicas.
Ao
voltar do trabalho para casa pouco antes do pôr do sol, caminho por entre
escombros e areia que enchem o ar e irritam os olhos. A estrada que sigo é um
caminho sinuoso entre prédios desabados e crateras profundas. Nessa hora, meus
pensamentos são simples: o que posso preparar para o iftar ,
quando quebramos o jejum, com tão pouco? As noites de Ramadã costumavam ser
sinônimo de expectativa – escolher onde quebrar o jejum, entrar em espaços
cheios de luz e risos. Agora, calculo porções de lentilhas e conto o que resta
no armário, tentando criar algo que ainda me faça sentir em casa.
Mesmo
em meio a essa dor e exaustão, vejo uma esperança desafiadora e bela. Em
Al-Zawayda, os vizinhos compartilham suas pequenas porções de lentilhas ou
tâmaras com uma dignidade que transcende a fome. Essa solidariedade é a nossa
resistência sagrada. É a nossa maneira de declarar que, mesmo que nossas casas
sejam destruídas, o espírito humano dentro de nós não será esmagado. Acendemos
uma única vela, não porque ela afastará a escuridão, mas porque o ato de
acendê-la é, em si, uma vitória sobre o desespero.
O
Ramadã é a parte mais difícil para as crianças. Elas aprenderam a linguagem da
guerra e conseguem distinguir entre um projétil e uma explosão, mesmo antes de
aprenderem as canções do Ramadã. Quando perguntam "Os bombardeios vão
voltar amanhã?", na verdade estão perguntando se têm um futuro. Algo que
não podemos responder — nem para elas, nem para nós mesmos. No entanto, quando
as vejo pendurando uma decoração rasgada na lateral de uma tenda, compreendo
algo essencial: em Gaza , a esperança
não é um sentimento. É uma decisão.
Por
favor, entendam: embora vocês em casa possam ouvir que está tudo calmo por aqui
– com menos notícias sobre nós e um frágil “cessar-fogo” sendo divulgado
–, o silêncio não é paz. A verdadeira paz é o direito ao cotidiano. É poder ir
a um mercado que ainda existe e não foi reduzido a escombros, rezar em uma
mesquita que não foi profanada, voltar para casa em um bairro que não foi arrasado,
dormir sem se perguntar se o silêncio é apenas o prelúdio de mais um pesadelo.
Este
Ramadã em Gaza tem um espírito diferente. Ao som do adhan esta
noite, sinto um lampejo de tranquilidade. Não porque o mundo seja justo ou
porque possamos vislumbrar o fim do nosso sofrimento, mas porque ainda estamos
aqui, tecendo esperança a partir dos fios da ruína. Jejuamos, oramos e
permanecemos – não por hábito, mas como um ato de resgatar nossas almas dos
destroços.
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Conselho da Paz de Trump: servindo mais a interesses
privados do que ao bem público
Em
Gaza, a ajuda humanitária ainda chega a conta-gotas, em níveis que, segundo
agências de assistência, estão muito aquém do necessário. Abrigos temporários
são escassos. Materiais para reconstrução são limitados pelos controles
israelenses sobre a entrada de mercadorias no território. As condições, segundo
a ONU, permanecem “ terríveis ”. A violência
não cessou: ataques israelenses em Gaza mataram cerca de 600 pessoas desde o
início do cessar-fogo. O anúncio de que os EUA transfeririam US$ 10 bilhões para o
recém-criado Conselho de Paz do presidente Donald Trump é difícil de conciliar
com a realidade no terreno. Pior ainda é que Washington pagou apenas uma fração
de seus atrasos com a ONU – US$ 160 milhões, quando a dívida é de mais de US$ 4
bilhões.
Isso
levanta uma questão óbvia: por que uma iniciativa privada está sendo tão
fortemente capitalizada enquanto os mecanismos existentes da ONU continuam com
sérias dificuldades financeiras? Canalizar fundos estatais para um órgão
presidido pelo Sr. Trump sugere que a política externa está servindo a
interesses privados, e não ao bem público. O conselho tem planos ambiciosos.
Rafah será reconstruída em três anos com arranha-céus . Gaza se
tornará autogovernada em uma
década. Espera -se que uma
Força Internacional de Estabilização comece a ser mobilizada, chegando a ter
20.000 soldados. Essas são promessas ambiciosas. Mas sua concretização é, em
grande parte, teórica.
Preocupantemente,
não existe uma base legal clara que
defina o mandato do conselho. A resolução do Conselho de Segurança da ONU de
novembro passado autorizou o conselho exclusivamente para Gaza, como uma
administração de transição temporária de dois anos . O Sr. Trump – que detém poder de veto
no conselho e a autoridade para interpretar seu mandato – pensa diferente. Ele
afirma que o conselho pode intervir em outros
conflitos globais. O conselho não está integrado às estruturas existentes da
ONU, talvez intencionalmente evitando a longa formação de coalizões com
parceiros regionais. Se seu objetivo é gerar manchetes, então o conselho foi
bem-sucedido. A questão é se as salvaguardas estão acompanhando o ritmo das
relações públicas.
Em um
recente artigo do Conselho Europeu de Relações Exteriores, Muhammad Shehada argumenta que o
modelo econômico imposto de cima para baixo pelos EUA, concebido externamente,
corre o risco de transformar Gaza em um enclave rigidamente controlado – com os
palestinos confinados a novos complexos fortemente
vigiados , enquanto a Faixa de Gaza é pontilhada por torres residenciais, centros de dados e resorts à
beira-mar. O Sr. Shehada não está errado ao afirmar que o plano do Sr. Trump
levanta uma questão direta: Gaza é o lar de seu povo ou um prêmio para
potências externas e aproveitadores? Os palestinos não têm muita voz, mas a
resposta moldará seu futuro.
Gaza
está em ruínas. O que se desenrolou, segundo muitos especialistas, foi um genocídio . No entanto, o
governo de Benjamin Netanyahu afirma que a missão está incompleta e sinaliza
uma nova ofensiva caso o Hamas
não se desarme – possivelmente antes das eleições israelenses deste ano. Isso
pode estar de acordo com a letra da resolução da ONU, mas destrói sua lógica.
Claramente, os palestinos precisam de um caminho viável para a soberania. Pairando
sobre tudo isso está a incógnita mais imprevisível: a ameaça de uma ação
militar dos EUA contra o Irã em questão de dias, caso as negociações fracassem.
Teerã afirma que as bases americanas seriam alvos legítimos se forem atacadas.
A paz
em Gaza exige calma regional, contenção israelense, legitimidade palestina e
credibilidade institucional. No entanto, os EUA – operando por meio de
diplomacia personalizada – cogitam uma guerra contra o Irã porque este se
recusa a abandonar seu programa de enriquecimento nuclear, ao mesmo tempo
que incentivam Riad a adotar um.
Qualquer paz estável exige paciência e previsibilidade. Ameaças de escalada
convidam à conflagração. Em Gaza, essa contradição já é visível e
potencialmente explosiva.
Fonte:
Opera Mundi/The Guardian

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