Deputado
argentino denuncia que reforma trabalhista de Milei vai provocar um
‘industrialício’
A Argentina caminha a
passos largos para aprovar, na próxima sexta-feira (27), a reforma trabalhista
proposta pelo governo de Javier Milei, um pacote de 217 artigos que, segundo
críticos, representa o maior retrocesso social desde o século 19. Apesar da
forte rejeição popular e das manifestações que tomaram as ruas, o texto avançou
no parlamento com apoio de setores da oposição peronista e deve ser votado no
Senado nos próximos dias.
Em
entrevista ao programa Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato, o deputado
Christian Castillo, do Partido de los Trabajadores Socialistas (PTS), analisou
os impactos da reforma, a estratégia do governo e o cenário de crise que já
levou ao fechamento de 22 mil empresas no país.
“É
muito difícil reverter a votação no Senado, que já tem uma votação favorável
inicial”, admite Castillo. O governo conseguiu avançar na Câmara dos Deputados
“graças à adesão de setores da oposição peronista que deram quórum e alguns
inclusive votaram. Eles que haviam sido eleitos para fazer oposição”.
A
reforma, detalha o deputado, é um ataque frontal aos direitos trabalhistas.
“Tem 217 artigos. Nenhum é a favor dos trabalhadores. A totalidade dos artigos
é favorável às patronais.”
Entre
os pontos mais graves, Castillo destaca:
- O alargamento da
jornada laboral com o chamado “banco de horas”, que permite jornadas de
até 12 horas compensadas com outros dias, eliminando o pagamento de horas
extras
- A criação de um
fundo de assistência laboral que desvia dinheiro das pensões para
financiar demissões, administrado por setores financeiros
- A limitação do
direito de greve, com cerca de 60 atividades declaradas “essenciais”
- A proibição de
assembleias de trabalhadores sem autorização patronal
- A exclusão
explícita de trabalhadores de aplicativos como Uber e delivery de qualquer
direito trabalhista
“É uma
ditadura patronal plena, a negação da relação de dependência do trabalhador em
relação às plataformas”, resume o deputado.
A greve
geral da quinta-feira (19) teve “muita adesão de trabalhadores”, segundo
Castillo. A revogação do artigo 44, que diminuía o pagamento de licenças por
doença, é apontada por Castillo como exemplo da pressão popular: “A população
cresceu fortemente a rejeição à reforma depois que se publicou o artigo 44.
Isso elevou o número de setores da população que repudiaram a reforma, a tal
ponto que esse artigo foi retirado do texto”, pontuou.
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Peronismo dividido, esquerda unificada
Questionado
sobre o cenário da oposição, Castillo faz uma distinção importante. “A esquerda
não está fragmentada. Temos uma frente, a Frente de Esquerda e dos
Trabalhadores – Unidade, com quatro deputados nacionais e vários estaduais, que
atuou unitariamente e teve muita presença na oposição à reforma.”
O
deputado fez duras críticas ao peronismo, que, na visão dele, é o bloco de
oposição mais importante no Congresso, e que “efetivamente tem uma divisão
entre deputados e senadores que respondem a governadores que negociaram adesão
à reforma de Milei, dando quórum e alguns votando favoravelmente”.
Mas
Castillo diferencia dois grupos: “Setores que apoiam a agenda de Milei a partir
de negociações, e outro setor que se opõe, mas não tem mobilizado nem tem
encarado uma luta séria contra a reforma. A grande maioria do peronismo se
limitou a dizer ‘não ao acordo’, sem impulsionar a luta de classes contra a
reforma”.
A
condução da CGT, segundo ele, faz parte desse quadro. “Negociaram a partir de
simplesmente garantir o financiamento dos sindicatos, entregando tudo”,
afirmou.
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‘Industrialício’: o colapso da economia argentina
A
economia argentina vive um fenômeno de dois ritmos, descreve Castillo. “Um
ritmo do setor financeiro e extrativista ligado a mineração, hidrocarbonetos,
petróleo em particular, e o agro – há grandes negócios dos setores capitalistas
nesses segmentos. Mas o resto da economia está afundada.”
A
produção industrial voltada ao mercado interno está totalmente paralisada por
uma combinação dos seguintes fatores: abertura indiscriminada da economia com
entrada de produtos baratos, particularmente da China; queda do poder de compra
do salário, que diminuiu forçadamente o consumo popular; e dólar barato em
relação ao que estava, que encarece os custos da produção argentina
O
exemplo mais recente é o fechamento da Fate, principal planta produtora de
pneus para automóveis e caminhões, deixando 1 mil trabalhadores na rua. “A
empresa é de um dos capitais nacionais mais ricos do país, Manuel Madanes
Quintanilla, 12º mais rico da Argentina, com fortuna de US$ 1,5 bilhão. Ele
anunciou o fechamento.”
Castillo
conta que, desde que Milei assumiu, “22 mil empresas fecharam. Um liberal
pró-mercado que provoca o fechamento massivo de empresas. Essa é a realidade”.
O setor
têxtil opera com apenas 30% da capacidade instalada. No setor de pneus, as
vendas caíram 40%, e 70% do total são de importação chinesa. Há dois anos, a
proporção era inversa.
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‘A essência é o ataque aos trabalhadores’, diz analista
sobre reforma trabalhista na Argentina e a resistência nas ruas
A reforma trabalhista promovida pelo
governo de Javier Milei na Argentina, já aprovada no Senado e em tramitação na
Câmara, segue como um dos principais focos de tensão social no país. Apesar de
recuos pontuais — como a retirada de um artigo que retirava garantias de
trabalhadores doentes —, a essência da proposta permanece inalterada: um ataque
profundo aos direitos dos trabalhadores e às negociações coletivas.
Em
entrevista ao Conexão BdF, da Rádio
Brasil de Fato, a analista internacional Ana Prestes avaliou o cenário e as
perspectivas de resistência. “A essência da reforma é o ataque aos
trabalhadores. É aquela típica reforma neoliberal que muitos países da América
Latina enfrentaram nos anos 1990 e depois com a onda conservadora”, afirmou.
Ela
destacou que a Argentina tem uma tradição histórica de organização sindical e
de lutas populares. “É um país de trabalhadores e trabalhadoras muito organizados, com
sindicatos fortes.
A reforma ataca justamente os direitos coletivos e as negociações, deixando os
trabalhadores mais vulneráveis, especialmente no momento da demissão.”
Prestes
apontou que, enquanto o mundo debate a redução da jornada de trabalho — como a
proposta de fim da escala 6×1 no Brasil —, a reforma
argentina mantém uma carga horária elevada, na contramão das discussões
globais. “Isso explica por que, mesmo com negociações pontuais, a oposição e os
protestos não vão arrefecer.”
A
Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT), uma das mais importantes
organizações populares da Argentina e da América Latina, convocou uma greve
nacional, com foco no setor de transportes, para paralisar o cotidiano do país
e mostrar ao governo a força da classe trabalhadora.
Para
Prestes, a decisão também reflete a violência com que as manifestações têm sido
reprimidas. “Para evitar que a população seja vítima dessa violência, optou-se
pela paralisação. Mas a Argentina tem uma tradição histórica de ocupação das
ruas — os panelaços, os cacerolaços. Isso vem de décadas.”
Ela
lembra que o país exportou para a América Latina formas de protesto, como o
bater de panelas, e que essa cultura de resistência deve se manter. “Mesmo com a repressão, a sociedade
argentina,
seus sindicatos e movimentos sociais têm uma tradição de ir às ruas. Minha
impressão é que isso vai se aprofundar.”
O
governo Milei, segundo a analista, aproveita a nova correlação de forças no
parlamento — conquistada nas eleições de outubro de 2025, que lhe renderam
quase 100 cadeiras na Câmara — para avançar em uma agenda ampla de retrocessos.
“Além da reforma trabalhista, há pautas como a destruição de empresas estatais,
a regressão de direitos setoriais, especialmente das mulheres, e a redução da
idade penal. Tudo isso integra a cartilha conservadora e neoliberal do
governo.”
Prestes
também lembrou o alinhamento de Milei com o governo Trump, nos Estados Unidos,
que facilita negociações de empréstimos e o
pagamento da dívida com o FMI. “Essa conjunção de fatores faz com que o
governo tente impor sua agenda a todo custo. A votação de hoje será um teste de
até onde eles vão aprofundar essa regressão.”
A
analista concluiu com um alerta sobre as condições concretas da população
argentina. “Não está fácil viver na Argentina. Não está fácil comer, pagar o
transporte público, nem trabalhar. Isso justifica, e muito, a reação nas ruas.
Vamos acompanhar de perto os próximos capítulos.”
¨ Argentina: inflação
em queda, economia em retração. Por Pedro Benedito Maciel Neto
A
recente queda da inflação na Argentina, comemorada pela imprensa liberal, é
consequência direta de uma forte contração econômica. Sob o governo de Javier
Milei, o país implementou um programa de ajuste fiscal severo: cortes profundos
de gastos públicos, redução de subsídios e compressão da demanda interna.
Do
ponto de vista técnico, a lógica é simples: quando o Estado reduz drasticamente
suas despesas, a renda circulante diminui. Com menos consumo e menos crédito,
empresas vendem menos, reduzem a produção e seguram preços. A inflação cede —
mas à custa de retração do PIB, aumento do desemprego e queda da renda real.
A
história econômica argentina ajuda a contextualizar esse fenômeno.
Nos
anos 1990, durante o regime de conversibilidade, a inflação foi domada com
âncora cambial e disciplina fiscal, mas o modelo culminou na crise de 2001,
marcada por recessão profunda e explosão da pobreza. Já entre 2003 e 2011, com
políticas mais expansionistas e crescimento puxado por commodities, houve
redução significativa da pobreza, ainda que com pressões inflacionárias
persistentes. O país oscila, há décadas, entre estabilizações recessivas e
ciclos de crescimento com tensões de preços.
O
momento atual parece repetir um padrão: estabilização via compressão da
demanda. O que pretendo propor à reflexão é o custo sentido, nos médio e longo
prazos, pelos países que adotam a austeridade fiscal como solução.
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O FMI e a revisão da austeridade
Em
2020, reportagem do EL PAÍS destacou uma inflexão relevante no discurso do
Fundo Monetário Internacional (FMI). Após décadas defendendo ajustes fiscais
rígidos como condição para estabilidade, o organismo passou a reconhecer que
austeridade excessiva pode agravar desigualdades, comprometer o crescimento e
estimular instabilidade social.
Essa
mudança não foi trivial. Estudos internos do próprio FMI passaram a admitir que
multiplicadores fiscais — isto é, o impacto do gasto público sobre o PIB —
podem ser elevados em períodos de crise. Em termos didáticos: quando o governo
corta 1 unidade de gasto, o PIB pode cair mais de 1 unidade, ampliando o
desemprego e reduzindo a arrecadação, o que paradoxalmente dificulta o próprio
ajuste fiscal.
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Como a austeridade afeta inflação, PIB e pobreza?
Inflação
— A inflação resulta do desequilíbrio entre oferta e demanda, expectativas e
política monetária. A austeridade reduz a demanda agregada. Com menos consumo e
investimento, os preços tendem a desacelerar. Porém, essa desinflação não
decorre de ganho de produtividade ou expansão da oferta, mas da compressão da
atividade econômica.
PIB — O
gasto público compõe a demanda agregada (PIB = consumo + investimento + gasto
público + exportações líquidas). Quando o Estado corta investimentos, salários
e transferências, o impacto se espalha pela economia. Empresas reduzem a
produção, o desemprego aumenta e o crescimento encolhe.
Pobreza
— A redução de políticas sociais e o aumento do desemprego elevam a
vulnerabilidade. Em economias já fragilizadas, como é o caso da Argentina, o
ajuste tende a recair desproporcionalmente sobre os mais pobres. Foi o que
ocorreu na Argentina em diferentes momentos históricos — e o que o FMI passou a
reconhecer como risco sistêmico.
O
paralelo estrutural — O caso argentino recente funciona como laboratório
empírico do debate teórico apresentado pelo FMI anos antes. A inflação cai, mas
o custo social cresce. O indicador melhora; a realidade social piora.
Isso
revela um ponto crucial: estabilidade nominal não é sinônimo de prosperidade.
Uma economia pode exibir inflação menor e, simultaneamente, registrar retração
produtiva e deterioração do tecido social.
A
experiência histórica argentina mostra que programas de estabilização
bem-sucedidos no longo prazo combinaram disciplina macroeconômica com políticas
de proteção social e estímulos ao crescimento. Ajustes exclusivamente
contracionistas tendem a produzir alívio temporário, seguido de tensões
estruturais.
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Conclusão
Sempre
ressalvo: não sou economista, mas aqui o debate proposto não é entre
responsabilidade fiscal e irresponsabilidade, e sim entre modelos de ajuste.
A lição
que emerge do paralelo entre a Argentina contemporânea e a revisão conceitual
do FMI é que políticas econômicas eficazes precisam equilibrar estabilidade de
preços, crescimento e coesão social.
Inflação
baixa obtida por recessão é um remédio que cura o sintoma, mas pode enfraquecer
o paciente. A história argentina sugere que o verdadeiro desafio não é apenas
derrubar índices inflacionários, mas construir um ciclo sustentável de
desenvolvimento — com estabilidade e inclusão.
Essas
são as reflexões.
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90% de adesão à greve e violência policial marcam maior protesto contra governo
Milei
Enquanto
a Câmara dos Deputados da Argentina avançava na votação da reforma trabalhista proposta pelo
governo de Javier Milei, as ruas do país davam sua resposta. Nesta quinta-feira
(19), a quarta greve geral desde a posse do ultraliberal paralisou a Argentina
com mais de 90% de adesão, indicador do descontentamento popular diante das
medidas que retiram direitos históricos dos trabalhadores.
Mas os
números impressionantes da paralisação não contam toda a história. Por trás
deles, há uma estratégia sistemática de violência estatal, uma reforma que
avança no Congresso e uma população cada vez mais sufocada pela carestia. Para
entender o que está em jogo, o Conexão BdF entrevistou Erika Gimenez,
jornalista e coordenadora internacional da ARG Medios, que acompanhou de perto
as mobilizações.
A greve
geral convocada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT) paralisou
transportes, comércios e serviços em todo o país. A adesão maciça, no entanto,
teve uma exceção reveladora: a empresa vinculada ao pai de Javier Milei,
alinhada ao governo, foi a única que não paralisou suas atividades, e ainda
tentou obrigar trabalhadores a comparecerem.
“O
transporte parou, é importante destacar isso”, afirma Gimenez. “Só que tem uma
coisa para falar: a empresa relacionada com o governo, é a única que não fez
parte da greve. Eles obrigavam os trabalhadores a chegar.”
A
jornalista ressalta que, apesar da adesão impressionante, a sensação que fica é
de que “não é suficiente”. E explica por quê: “A sociedade está sendo
pressionada em várias frentes ao mesmo tempo. Tem aumento da tarifa do
transporte, eletricidade, gás, os aluguéis, a dificuldade de pagar dívidas
familiares. Mobilizar também é muito difícil.”
O
Congresso avançou com a reforma trabalhista e um item, em particular, passou
quase despercebido, mas tem enorme significado: a retirada do estatuto
profissional dos jornalistas. “Ontem [quinta-feira] eles tiraram o artigo dos
jornalistas profissionais”, denuncia Gimenez. “A gente não tem mais o estatuto
profissional do trabalho que garanta nossos direitos.”
A
medida é mais um capítulo na guerra declarada por Milei contra a imprensa
crítica. “Os jornalistas são alvo da violência do Milei. Os fotojornalistas nas
mobilizações, os jornalistas nos discursos, nas redes sociais”, destaca. “Esse
artigo marca um retrocesso e marca o ataque ao jornalismo. O jornalismo não vai
ter direitos. É um dia muito triste para nós.”
As
imagens dos protestos em Buenos Aires impressionaram: ruas laterais tomadas por
policiais, caminhões de água em cada esquina, uma desproporção evidente entre
manifestantes e forças de repressão.
“Tinha
mais polícia que pessoas”, descreve Gimenez. “Se vocês olham as imagens depois
das cinco da tarde de ontem, é uma imagem de muita violência desproporcionada.
É impossível de compreender, mas é a imagem lamentavelmente de ditadura.”
A
jornalista explica que a estratégia do governo vai mudando a cada protesto, mas
a essência é sempre a mesma: repressão. “Ontem foi pelas ruas laterais. Tinham
mais caminhões que atiram água nas pessoas. Muita polícia. Eles vão mudando,
mas cada vez tem mais polícia e mais violência. A estratégia deles é a mesma,
sempre a repressão.”
Para
Gimenez, há uma mensagem clara por trás da truculência: “Eles procuram que a
gente não se mobilize”. A violência, no entanto, pode ter o efeito oposto. “A
gente sempre espera a violência deles. Vai ter um momento que a gente não vai
se importar pela repressão. Essa raiva vai virar uma resistência organizada.”
Enquanto
o governo Milei comemora seus primeiros resultados como “sucesso”, a realidade
nas ruas é outra. A Argentina tem hoje 40% de trabalhadores informais, um
contingente enorme que governos anteriores, mesmo progressistas, não
conseguiram incorporar ao mercado formal.
“Outros
governos não conseguiram responder a essas demandas das pessoas, a esses
trabalhadores informais. Hoje, na Argentina, para ter uma vida digna, tem
pessoas que têm três trabalhos. Isso não é possível. Isso não pode ser imagem
de sucesso do Milei”, critica.
A
reforma trabalhista segue avançando no Congresso, o artigo 44 foi aprovado, e a
perspectiva para os próximos meses é de mais enfrentamento.
A
jornalista aposta na organização popular como caminho. “Pode ser pela oposição,
pode ser uma organização nova. Acho que ainda não vai ser possível uma resposta
imediata, mas no ano que vem a gente tem eleições”, finaliza.
Fonte:
Brasil de Fato/ICL Notícias/Brasil 247

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