sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Março Lilás reforça prevenção ao câncer do colo do útero

O Março Lilás chama a atenção para a prevenção do câncer do colo do útero, uma doença que ainda registra números expressivos no Brasil, apesar de ser amplamente evitável. A campanha reforça a importância do exame preventivo Papanicolau e da vacinação contra o HPV, principais estratégias para reduzir a incidência e a mortalidade.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil deve registrar cerca de 19,3 mil novos casos por ano no triênio 2026–2028. Na Bahia, a estimativa é de aproximadamente 1.370 novos casos apenas em 2026, colocando a doença entre as mais incidentes entre as mulheres no estado. Os dados são oficiais e constam na publicação Estimativa 2026 – Incidência de Câncer no Brasil, do Ministério da Saúde.

<><> Doença evitável

De acordo com André Bouzas, cirurgião oncológico do Hospital Mater Dei Salvador (HMDS), o câncer do colo do útero está diretamente relacionado à infecção persistente pelo Papilomavírus Humano (HPV), vírus sexualmente transmissível bastante comum. “A vacinação, oferecida gratuitamente pelo SUS para crianças e adolescentes, é considerada uma das formas mais eficazes de prevenção”, destaca.

Já o exame Papanicolau permite identificar alterações celulares ainda em fase inicial, antes mesmo do surgimento do câncer. Quando detectada precocemente, a doença apresenta altas chances de cura.

<><> Diagnóstico e tratamento

O grande diferencial desse tipo de câncer é que ele pode ser prevenido e tratado de forma muito eficaz quando diagnosticado cedo”, afirma André Bouzas, que é especialista em cirurgia oncológica, laparoscópica e robótica. “O exame preventivo identifica lesões precursoras, o que evita que a doença evolua para estágios mais graves”, explica.

Ainda de acordo com o especialista, o tratamento depende do estágio em que o câncer é identificado. “Nos casos iniciais, muitas vezes a cirurgia é suficiente, podendo ser realizada por técnicas minimamente invasivas, como a laparoscopia ou a cirurgia robótica. Em situações mais avançadas, pode ser necessário associar radioterapia e quimioterapia”, afirma. A individualização do tratamento é fundamental para melhores resultados clínicos e qualidade de vida das pacientes.

<><> Alerta para a Bahia

Os números estimados pelo INCA mostram que a Bahia concentra uma parcela significativa dos casos da região Nordeste, o que reforça a necessidade de ampliar o acesso ao rastreamento e à informação. Para os especialistas, campanhas como o Março Lilás têm papel essencial para estimular mulheres a manterem o acompanhamento ginecológico regular.

O câncer do colo do útero não pode mais ser encarado como uma sentença. Ele é, em grande parte, evitável”, destaca André Bouzas. “Vacina, exame preventivo e informação salvam vidas”, completa o médico do HMDS. Além da vacinação e do Papanicolau, o uso de preservativos ajuda a reduzir o risco de infecção pelo HPV, embora não ofereça proteção total. A orientação é que mulheres procurem regularmente os serviços de saúde, mesmo na ausência de sintomas.

        Câncer de Colo de Útero é o terceiro tumor maligno mais comum entre mulheres no Brasil

O mês de março é dedicado à sensibilização sobre o câncer de colo de útero, uma doença que pode ser prevenida por meio de medidas simples e a detecção precoce. De acordo com dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o câncer de colo de útero figura como o terceiro tumor maligno mais frequente entre as mulheres no Brasil. Este tipo de câncer está frequentemente associado à infecção pelo Papilomavírus Humano (HPV), considerado a infecção sexualmente transmissível (IST) mais prevalente no mundo. Estima-se que cerca de 80% da população sexualmente ativa já tenha entrado em contato com o vírus. A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) reforça que a vacina contra o HPV, disponibilizada pelo SUS para meninas e meninos entre 9 e 14 anos, apresenta eficácia notável. Administrada em duas doses, oferece uma proteção potencial de mais de 70% contra os cânceres de colo do útero.

O Dr. Eduardo Cândido, membro destacado da Comissão de Ginecologia Oncológica da FEBRASGO, ressalta a importância de abordar a prevenção como o melhor caminho: “Os principais fatores de risco associados a este tipo de câncer estão intimamente ligados ao vírus HPV, cuja transmissão está relacionada a práticas sexuais desprotegidas. Além disso, a vacina contra o HPV está disponível e deve ser administrada, de preferência, antes do início da vida sexual.  Por isso a conscientização é tão importante para a prevenção do câncer de colo de útero”.

<><> Sintomas

Em relação aos sintomas, o especialista da FEBRASGO enfatiza que é crucial focar na identificação antecipada. "Nosso objetivo é diagnosticar alterações precursoras desta patologia, evitando seu desenvolvimento e permitindo que os profissionais de saúde intervenham antes que a infecção pelo vírus progrida para o câncer. Possuímos um período de aproximadamente 10 anos para combater a evolução dessa narrativa. É indispensável não confiar exclusivamente na manifestação de sintomas, pois muitas vezes o câncer já está em estágio avançado. Mas é importante ficar atento a sinais como corrimento com odor distintivo ou sangramento pós-relação. Portanto, a vigilância constante, consultas regulares com o ginecologista e a adoção de métodos de barreira e vacinação são fatores de proteção essenciais. Não devemos esperar a ocorrência de sintomas; ao contrário, devemos agir proativamente na prevenção e detecção precoce", destaca.

<><> Papanicolau

 A avaliação preventiva ocorre por meio da coleta de secreção tanto da parte externa quanto interna do colo do útero. No Brasil, é preconizado iniciar esse exame a partir dos 25 anos em mulheres sexualmente ativas, quando há exposição à atividade sexual e ao vírus HPV. Após dois resultados negativos consecutivos nos exames anuais, a mulher é autorizada a realizar o exame a cada três anos, até os 65 anos, contanto que tenha apresentado dois resultados negativos nos últimos 5 anos. É vital discutir esses aspectos com o ginecologista. Para pacientes imunossuprimidas portadoras do vírus HIV, situações específicas necessitam de avaliação médica para determinar a abordagem mais adequada.

 

Fonte: Carla Santana – assessora de imprensa/Febrasgo

 

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